CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

29 de março de 2018

Cabine Individual: Gracinda Rosa



"...adoro todos os livros de Gracinda. São muito humanos. Parece que estamos deitados na rede e alguém de voz doce está lendo uma deliciosa história, da qual podemos tirar várias lições. A vida de Gracinda é um exemplo para nós, de paciência, perseverança, disposição, amizade.

Cabine individual é um título sugestivo. Fazendo uma filosofia de botequim, diria que tomos somos nossas próprias cabines, mas é preciso abrir a porta, deixar passar, deixar sair, entrar, fluir. É essa troca que nos alimenta e enriquece. Que a reunião seja fértil para a alma de todos os cliceanos!

Beijos saudosos e votos de um Feliz Natal a todos,

Rita"




Quando, finalmente, na segurança da cabine do carro leito em que me instalara, acompanhei os ruídos e os solavancos característicos da partida do trem, pude sentir certo alívio. Ele foi se afastando, lentamente no início e depois tomando o ritmo acelerado que manteria por longo tempo. Seu deslizar pelos trilhos era suave, macio, causando apenas um leve balançar que mais parecia um embalo. Passaria toda a noite ali, sentada naquela poltrona, viajando ao encontro do desconhecido.





Autora: Rosa, Gracinda

Publicação/Edição: Nitpress. 80 p. [2007]

Sobre a Obra: "Gracinda Rosa lançou-se (de peito aberto com seu Pequenos Amores, apresentação corretíssima de Sônia Peçanha e Cyana Leahy). Agora nos traz uma experiência coloquial, ao mesmo tempo feliz e decepcionante. Mas, sem quaisquer exageros, e mediante uma linguagem de estilo cauteloso e leve, ela irrompe fronteiras de preconceitos e renova o inevitável - desejo, paixão, desengano. "

...Já era tarde para qualquer esperança. Tinha que dar um basta às ilusões."

Gracinda Rosa tem, nos seus escritos, uma ardência de juventude, embora estabeleça uma feliz convivência com a maturidade. Lemos seus romances com imensa ternura" (Renato Augusto Farias de Carvalho).




Em “Cabine Individual”, volta “Rosa”, agora mais madura, contando seu caso de amor com”Hélio”. Por ele e para estar com ele, que fora morar em São Paulo, Rosa tira um mês de férias e parte numa viagem de trem, numa cabine individual. Ali, no balanço do trem, e na cabine individual, Rosa vai relembrando tudo que aconteceu com ela e Hélio, desde que se conheceram.   Após a chegada de Rosa em São Paulo,  a narração se modifica. Rosa agora está vivendo o presente com seu amor Hélio. Foi feliz por quase 30 dias. Um pouco antes de completar esse período  (Rosa não pediu demissão do trabalho, apenas férias; era preciso se certificar se esse romance era realmente verdadeiro antes de romper com todos os laços que a ligavam a sua família e a sua cidade) , Hélio a desapontou.  Rosa descobre que ele a traía num bilhete deixado pela outra em seu paletó, quando o esvaziava para mandar para a lavanderia. E assim Rosa deixa São Paulo e Hélio,  retornando para sua cidade numa viagem de trem, numa cabine individual. Mais um amor que perdia Rosa. 

A autora mais uma vez me deixa atônita por me ver ali, em situação semelhante, ao me entregar ao amor com a mesma coragem de “Rosa” de “Cabine Individual”.


MORAL DA HISTÓRIA:


Penso que eu, assim como a “Rosa”, temos uma outra capacidade além da de amar, que é a capacidade de sonhar. Talvez por isso mesmo, nós sejamos felizes com nossos amores feitos de sonho, inocentes, platônicos,  já que no amor real  surgem a todo momento aqueles incômodos obstáculos, que afastam de nós nossos amores. (A. Ellias)

3 comentários:

  1. Temporada de Gracinda no clube de leitura: debateremos teu livro na próxima reunião de dezembro e em janeiro 2018 será a vez de debatermos um livro indicado por ela: Quase memória, de Carlos Heitor Cony.

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  2. Boa noite Gracinda Rosa!

    Li com prazer seu livro "Cabine Individual" e já estou ensaiando

    uma leitura teatralizada dos meus extratos favoritos, que lhe deixo adivinhar quais

    são.

    Espero que você goste.

    Obrigado pelo duplo presente.

    Ah, preciso lhe dizer que encontrei o irresistível "Hélio".

    Veja meu post acima.

    Saúde, boa sorte.

    Fernando Costa



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  3. Achei uma delícia ler seu livro.Encontrei você em todas as páginas. Sentia sua presença.Sua forma clara de se colocar me prendeu todo o tempo ao seu lado durante a leitura.Te escutava, te sentia.
    Obrigada por esquentar minhas noites frias aqui no inverno da Alemanha.
    Como já comentei, dormi duas noites com você ao meu lado.
    Parabéns!
    Beijinhos sempre ternos.

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