CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

31 de dezembro de 2014

Uma Opinião - Ano Novo... Vida Nova?: Angela Ellias

90% das pessoas vestem branco, comem lentilha e uvas, dão sete pulinhos no mar porque acham que isso trará sorte no novo ano. 

CRÍTICA: Muitas dessas pessoas nem sabem porque fazem isso. Fazem porque todo mundo faz. E isso é pura aparência, faz parte do mundo físico, material, é o exterior.  O que comer, o que vestir, pular no mar. Gente, isso é misticismo, engano, aparência. Atenção! Somos Espíritos. Olhemos para além da matéria, para nosso interior. Sim, romper com hábitos inconsistentes, enganosos, aparentes. Vamos nos voltar para o nosso interior, refletirmos como nos tornar melhores do que fomos até aqui. E como Espíritos em busca da perfeição, o que devemos fazer? Avaliar nossos erros e acertos. Pensar em como poderemos corrigir nossas imperfeições. Amar o próximo como a nós mesmos. Traçar nossas metas para o novo ano para podermos buscar “vida nova” no “novo ano”. 

SUGESTÃO: Não vamos seguir os 90% que vestem branco, comem lentilha, dão os sete pulinhos no mar e seguem ano após ano vivendo na superficialidade, valorizando as aparências, as conquistas financeiras, o consumismo. A “vida nova” continua ofuscada pela matéria, vida que muito pouco se renova. Abandonemos esses costumes que não levam a nada. Sejamos mais consistentes nas nossas ações. 




Façamos parte dos 10%, que buscam muito mais do que comer lentilha, vestir branco, dar pulinhos no mar. Sejamos menos materialistas, espíritos menos infantis, menos tolos. Agradeçamos o que possuímos, tracemos metas para nos aprimorarmos, amemos incondicionalmente sempre. Façamos todo e qualquer tipo de caridade, pois caridade é o “amor em ação”. Kardec já dizia “FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.”


SUGESTÃO DE METAS PARA 2015:

JAN/15 – CORAGEM

Olhar para dentro de si, buscar o autoconhecimento, para assim darmos o passo inicial para o nosso aperfeiçoamento.

FEV/15 – COMPROMISSO

Com o lar, com a família, com o Grupo Religioso em que estamos inseridos, com a sociedade, com nosso Planeta.

MAR/15 – PACIÊNCIA

Virtude que devemos cultivar para termos saúde. 
Imediatismo nos liga à matéria; Paciência nos liga ao espírito. 

ABR/15 – PRECE/MEDITAÇÃO

Com o hábito da prece e da meditação estaremos prontos para o inesperado em nossas vidas. Estaremos com o psiquismo equilibrado para melhor enfrentar as adversidades.

MAI/15 – FÉ/ESPERANÇA

Estaremos preparados para o bom combate. Virtudes que lembram fidelidade. Aprender a esperar para agir no momento certo com sabedoria. Renovarmo-nos.

JUN/15 – REFLEXÃO

Refletir sobre nossa conduta. Sermos vitoriosos sobre nossas fraquezas, cultivando a persistência sobre o que queremos para nós, sabendo exatamente o que queremos. A reflexão nos traz as respostas que buscamos.

JUL/15 – SENSIBILIDADE

Olhar para o outro sem querer que o outro seja o que nós somos. Respeitar o próximo. Ser agente pacificador. Amar até o mais abjeto criminoso. Em encarnações passadas, fomos exatamente igual a esses criminosos. E melhoramos porque encontramos quem nos amasse e nos perdoasse.

AGO/15 – O NOVO

Caminhamos em busca da renovação, do novo, sempre em busca da perfeição que é a meta de todos nós, espíritos imortais, vivendo muitas existências (reencarnações), em busca da verdadeira felicidade, quando não necessitaremos mais viver num planeta de provas e expiações.

SET/15 – VONTADE

Fundamental na renovação de todos nós.

OUT/15 – A CURA DAS NOSSAS DOENÇAS

Curar nossas doenças, sermos nossos médicos. Curar o próximo também. Quando curamos o próximo, curamos também a nós mesmos.

NOV/15 – DAR E RECEBER

Abrir os canais do Espírito. Quem não dá, não recebe. Quando fazemos caridade, nunca estamos sós e somos sempre amados por nossos companheiros de jornada. Quando praticamos boas ações, os bons espíritos se aproximam e nos acompanham, nos ajudando cada vez mais, nos fortalecendo.

DEZ/15 – AUTOAVALIAÇÃO

Como foi nossa meta durante o ano, nossa conduta, nossas vitórias, nossas dificuldades, nossos erros e as correções que deveremos realizar. Como está nosso movimento de expansão para seguirmos em busca da perfeição, que é a meta de todos nós, espíritos imortais. 




28 de dezembro de 2014

A ficcionista: Godofredo de Oliveira Neto



A ficcionista é uma metaficção?

Mise en abyme é um termo em francês que costuma ser traduzido como "narrativa em abismo", usado pela primeira vez por André Gide na obra "Os moedeiros falsos" ao falar sobre as narrativas que contêm outras narrativas dentro de si. Consiste em um recurso modernista, metalinguístico por excelência. 



A Edukadora
Anteontem você falou um pouco da família, dos teus pais, da mudança de Joinville, do gosto paterno pela marcenaria, pode falar mais sobre essa época?
Não tenho muita coisa a dizer. Família super normal, um irmão enfermeiro que vive nos Estados Unidos desde adolescente, fez lá inclusive o Ensino Médio, trabalhando como cozinheiro para pagar os estudos. Pai torneiro-mecânico, mas marceneiro de paixão, como já disse outro dia, mãe motorista de táxi em São Paulo. Ela compunha o contingente de 180 mulheres exercendo essa profissão em Sampa. Doença dos dois. A dele bem grave, a dela foi primeiro nas pernas, reumatismo logo transformado em osteoporose, aposentadoria pequeninha, a dele menor ainda, câncer de intestino, pensão do INSS uma coisiquinha, os dois em casa impotentes, só eu, ainda estudante do Ensino Médio, para segurar a barra, vestibular para o CEFET, aprovada. E um segredinho: aprovada em primeiro lugar, mas não bota isso no livro, hoje não tem sentido para mim qualquer tipo de vaidade. E mais um: eleita pelos calouros a mais bonita do CEFET (mas também não bota não… rsrsrsrsrsrs).
Algum problema de ordem familiar que te levou para caminhos assim diferentes da média e para o messianismo?
Messianismo voltado para o social?
O messianismo não é sempre assim, Nikki? E por que você volta sempre ao mesmo social, como se estivesse se defendendo de alguma coisa?

Você é que está vidrado nesse tema. Os fiéis podem até imaginar leite nos rios e as montanhas virando chocolate! No fundo nem eu mesma acredito.


A ficcionista

"O vocábulo ficção vem do latim fictione(m), que por sua vez derivou-se de "fingere", e significa ato ou efeito de fingir, imaginar, simular. Encerra, portanto, a ficção, o próprio núcleo do conceito de Literatura: literatura é ficção. Neste caso, qualquer obra literária (conto, romance, novela, soneto, ode, comédia, tragédia) constitui a expressão dos conteúdos da ficção. Entretanto, empregamos, costumeira e restritivamente, o termo ficção para designar a prosa literária, isto é, a prosa de ficção." (Ricardo Sérgio - www.ricardosergio.net)


Hmmm... essa ficcionista, não sei não!

"Durante a história do Brasil, não foram poucos os conflitos armados vivenciados pelos brasileiros. Um desses se deu na divisa entre Santa Catarina, Paraná e Argentina, foi a chamada Guerra do Contestado."



O Monge José Maria – Conselho de Guerra
Obra de Willy Alfredo Zumblick

"P; Não particularmente, é só para ir construindo cenas e personagens, já te disse.
N: Mas não esquece que construir um personagem é também destruir um conceito, trabalha isso com os babacas dos teus leitores.

P: De qualquer maneira, Nikki, escrever é um ato de resistência à linguagem comum, não vou repetir bobamente o que você narra.
N: Então vai te foder!!

P: Sinceramente, Nikki, vou ver se relevo no texto essa grosseria que você acaba de dizer.
N: Grosseria?

P: É . Indelicadeza e descortesia.
N: Então interprete como você e seus leitores acharem melhor. Vai plantar batatas talvez seja menos inconveniente... rsrsrsrsrs"



A que verdade pertence a ficção?





Duas visões 


Em "A ficcionista" lemos:


"Não pegaram ninguém?
Uma caminhonete vermelha dessas último tipo, exuberante, foi parada. Com certeza o veículo denunciado. Quatro passageiros saíram do carro com as mãos para o alto. Os policiais apontavam pistolas e metralhadoras. Na verdade, senti forte emoção pela ideia de tribo, de grupo, de manada, entende? Pelo conceito de nação que os mais de vinte motoqueiros demonstravam para a plateia curiosa. São cenas dessa natureza que me confirmam o fascínio pelo conceito de comunidade, só que ainda não estava claro para mim. Hoje tenho certeza, como te disse há pouco, que as nossas angústias e depressões não vêm de dentro. A história pessoal da gente é pequena comparada às balas traçantes e transfixantes recebidas de fuzis alheios. O mundo exterior é que nos fragiliza. Em grupo reagimos com mais eficácia."


Enquanto que em "a ausência que seremos", de héctor abad, podemos ver o outro lado da moeda:


"não cometi aquele ato idiota e brutal por decisão própria nem por pensar nada de bom ou de mau sobre o povo judeu, mas por puro espírito gregário. Talvez seja por isso que, depois de adulto, fujo de grupos, partidos, associações e manifestações públicas; de todo e qualquer tipo de ajuntamento que possa me levar a pensar, não como indivíduo, mas como massa, e a tomar decisões, não por reflexão e avaliação pessoal, e sim por essa fraqueza que vem da vontade de pertencer a uma manada ou a um bando. "







Uma mistura de espiritualismo cristão e paganismo, uma nova religião do universo. O subjetivo e o universal se abraçando, se beijando numa grande festa carnal e mística.


É essa a tua filosofia que atrai tanta gente?

É. E que te atraiu também.


Tento encontrar a paixão, Nikki, só ela pode afastar a razão mortífera. Só então o impulso do coração pode aflorar livre, o amor puro, Dante e Beatriz, Petrarca e Laura, saca?


Entendi.



Hino à morte, Nikki, o amor de Novalis por Sophie, dá para entender? Um astro noturno brilhando sempre para os amantes, sempre. É o luto derrotado pelo amor, a morte derretida, transformada em pó.



Aparados da Serra: Divisa Santa Catarina & Rio Grande do Sul 



"Para você, aquela beleza toda te deixava deprimida ao pensar na condição humana?


Pode parecer estranho, mas aquela comparação, a gente do tamanho de uma formiguinha, nos fazia bem, relativizava a nossa vida, as nossas virtudes, os nossos deslizes, os nossos medos. E principalmente, relativizava o tempo, como se as pedras acrescentassem nós vamos ficar para sempre, vocês vão durar pouco, logo, logo serão barro. E nós, em profundo e respeitoso silêncio, concordávamos resignados. Drogas, dinheiro, moral, poder, guerras, identidades, traições, tudo parecia ridículo comparado com a grandiosidade do cenário.”








Breve entrevista com Godofredo de Oliveira Neto.

- Com as lições do Brasil homenageado em Frankfurt, como você entende o seu "A ficcionista" (Imã Editorial) na literatura contemporânea e como se estabelece a questão do cânone?

Godofredo: A literatura de hoje é extremamente variada, esse é um ponto importante. A personagem Nikki do A ficcionista abraça um humanismo crítico, ou seja, ela não opta pela cultura brasileira hegemônica, nem abraça um relativismo cultural que guetifica as ideologias e as culturas. A narradora busca um horizonte de expectativa. Tenta entender as diferenças mantendo a sua opção de vida. Descreve mais as diferenças do que as julga. Legitima assim a variedade em tudo.

- Como estabelecer então um cânone?

Godofredo: Um é optar pela ideia de herança cultural, que é o que o universo acadêmico normalmente faz, e daí estabelecer esse cânone, ainda que em progresso. Outro é entender que , em função das variedades e do fim das escolas literárias, não é possível estabelecer cânones únicos.



Livro em foco

Godofredo
de Oliveira 
Neto
Um escritor em busca de histórias, ideias, acontecimentos, vida. Uma mulher cheia de histórias, ideias, acontecimentos, vida. Com hora marcada e valor combinado, os dois estabelecem um acordo entre escritor e personagem. E durante dez dias é travado e registrado o conflito entre fato e verossimilhança, desejo e delírio, relato e devaneio. Uma ficcionista construída pela própria vida. Drogas, messianismo, assalto, polícia, música, sexo, amizade, espiritualidade, loucura, morte. Godofredo de Oliveira Neto é autor de nove romances. Premiado no Jabuti 2006 com o livro Menino oculto, é autor de O Bruxo do Contestado e Amores Exilados.



Interaja com o autor pelo campo de comentários desta postagem ou pelo Facebook


Debate contará com a presença do escritor Godofredo de Oliveira Neto em Janeiro



A morte de Sardanapalo - Delacroix


23 de dezembro de 2014

E eu estou procurando o Natal...: Ilnéa Miranda




Procuro incessantemente
o Natal que eu conheci
cheio de sonho e presente...
mas, penso, já me esqueci.

Esqueci, era pequena,
e fui pequena, não nego,
por muitos anos, serena,
às lendas do conto cego.

Cego por que eu não sabia
da verdade por detrás
das mentiras que dizia
dos verdadeiros Natais.

Naquele tempo, por certo,
a historia era mais bonita
do menininho, que esperto,
já saia "bem na fita".

E eu punha na janela
o meu sapatinho mais novo
pois Noel chegava a ela
deixando coisas pro povo.

Ah, que santa encantaria
ah, Deus,que inocência plena
ah, Jesus, como eu queria,
ter meu Natal de pequena.

E terminando, talvez,
o meu desejo calado,
desejo a todos vocês
algum Natal do passado.

Abraço Natalino, apesar de tudo, e a pesar o tudo,
Ilnéa

21 de dezembro de 2014

Em Junho de 2015, no CLIc-Rio - O jogo da amarelinha: Julio Cortázar

"Andávamos sem nos procurar, mas sabendo sempre que andávamos para nos encontrar" 

 Cortázar em 1970 no deserto de Zabriskie Point,
Death Valley (EUA), 
cenário do filme de Michelangelo Antonioni

Foto: Rose T

 Enfim leremos "O jogo da amarelinha" de Julio Cortázar, mas será no CLIc-Rio. 




 Amarelinha

Vejo sulcos na calçada...
Eles me fazem lembrar
a amarelinha da infância,
a casquinha de banana
caminhando à minha frente
e eu feito um saci branquinho
saltando em uma perna só.
Equilibrista, então era,
cheia de graça a pular,
e a gurizada gritando:
"Cuidado que vai pisar!"

Trago sulcos na minha alma...
Estes não pude evitar!
Pisei em todas as linhas
que encontrei ao caminhar.
Já não mais tinha equilíbrio
para delas me afastar,
e nem havia guris
gritando pra me alertar!

Beijos.

Elenir


20 de dezembro de 2014

Quatro Cliceanos entre os finalistas do Prêmio UFF de Literatura




As quatro Cliceanas
Em sua oitava edição, nesta quarta-feira, dia 17 de dezembro, a cerimônia de entrega do Prêmio UFF de Literatura voltou a ser realizada no teatro da universidade. Reinaugurado este ano depois de uma grande reforma, o espaço abriu as portas para o evento, no qual são revelados os nomes dos vencedores do já tradicional concurso literário, que, este ano, se inspirou na Copa do Mundo, com o tema “Aquele dia, aquele jogo”.

Destaques para:

  1. Benito Petraglia: 1º lugar na categoria Conto;
  2. Carlos Benites: 2º lugar na categoria Conto;
  3. Rita Magnago: 3º lugar na categoria Crônica;


Enfim brilhou a estrela do Benito

Novaes/, Rita, Benito & Benites


Com tradução simultânea para Libras, a cerimônia de entrega do 8º Prêmio UFF de Literatura será realizada no dia 17 de dezembro, às 18h, no Teatro da UFF, Reitoria, Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí, Niterói. O concurso deste ano teve como tema “Aquele Dia, Aquele Jogo”, utilizando o futebol como inspiração. As poesias, contos e crônicas dos autores selecionados integrarão a antologia a ser lançada neste dia, quando será conhecido o resultado final do concurso literário promovido pela Editora da Universidade Federal Fluminense (Eduff).


Os vencedores de cada categoria – conto, crônica e poesia – ganharão um notebook, além do Troféu Itapuca. Realizado em âmbito nacional, o prêmio contou com textos inéditos em forma impressa ou eletrônica. 



O Prêmio UFF de Literatura tem o patrocínio da Fundação Euclides da Cunha e da Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro, e apoio da Pró-Reitoria de Extensão da UFF e da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria.

19 de dezembro de 2014

A Dieta da Mente - Dr. David Perlmutter



A DIETA DA MENTE  

a surpreendente verdade sobre o glúten e os carboidratos 
os assassinos silenciosos do seu cérebro

Dr. David Perlmutter com Kristin Loberg





Minhas impressões de leitura e questionamentos aos leitores


                                                    “Em casa, eu só sirvo comida cuja história eu conheço.”  Michael Pollan


Nas primeiras páginas do livro, A Dieta da Mente, o Dr. David Perlmutter nos faz voltar ao passado e travar  uma conversa com o homem paleolítico contando como é a nossa vida hoje. Tecnologia de ponta, alimento em abundância, a saúde com os avanços todos e também as doenças modernas. O homem do passado teria dificuldade de entender tudo isso. Diabetes? Obesidade? Doença cardíaca? O que é isso? Eles não conseguiriam entender nada disso.

Uma dieta sem glúten pode resolver a sua dor de cabeça. Você já pensou nisso?

Você que trate de ler, estudar e encontrar os caminhos para uma saúde melhor. Perceba os paradigmas e quebre-os se possível! Ou você acha que alguém vai fazer isso por você?

São 60 anos de exaltação dos carboidratos em detrimento das gorduras saturadas. Um dia toda essa farsa poderá acabar e para isso é preciso buscar o conhecimento, um mínimo de percepção fará o castelo desmoronar. Pelo menos na sua vida.

Você tem a "doença do fígado gorduroso" e pensa que deve evitar as gorduras, não é mesmo? Açúcar, frutose, você ingere de montão! Carboidratos, você manda para dentro! Será que isso está certo? Não seria isso a causa de sua doença? Pergunte ao seu médico sobre a demora de sua cura! Seja questionador!

Querem saber por que a epidemia da obesidade se instalou em muitos lugares do mundo? Porque nós nos empanturramos de carboidratos em detrimento das boas gorduras. O contrário é o que o nosso organismo reconhece; comer mais das boas gorduras e uma dieta pobre em carboidratos. Isso emagrece!

O óleo de coco, MCT (triglicérides de cadeia Média), é importante no tratamento de Alzheimer.

Estar no lugar certo na hora oportuna é algo maravilhoso! E isso aconteceu com aquele menino de quatro anos, Stuart, que recebeu um diagnóstico de TDHA e a mãe preferiu os conselhos do Dr. David Perlmutter. Ao saber da sensibilidade ao glúten, fez a dieta correta e ocorreram mudanças na vida daquela criança.

O que você tem a perder numa dieta sem glúten? Talvez a sua dor de cabeça! Sim, aquela que te inferniza todos os dias.

Quer um poderoso anti-inflamatório? Exercite-se! E mais... O movimento físico é vital para o cérebro.


Se isso não é rotina na sua vida, comece a repensar a possibilidade: luz – dia, levante-se / escuro – noite, vá dormir! Porque o ciclo ou ritmo circadiano comanda a nossa vida e saúde.

Uma boa noite de sono prevê benefícios à saúde do cérebro e do corpo como um todo. Os que trabalham à noite têm mais probabilidade de adquirir doenças, pelo sono acidentado, irregular. E falando em sono, quem entra em cena é a 'leptina", um importante hormônio que coordena as respostas inflamatórias do corpo entre muitas outras coisas. Você sabe onde "mora" a leptina? Nas células adiposas. A queda da leptina aumenta a fome. E o sono, onde entra nessa história? Pois é, a privação do sono provoca a queda da leptina. Daí, já viu, né, a fome monstro que vai aparecer. Tenha uma boa noite de sono, equilibre o nível de leptina!

O sono, sem a intervenção de medicamentos é o melhor para o cérebro porque controla uma série de hormônios. 

O autor apresenta um programa dietético de 4 semanas de baixo carboidrato que poderá deixar o seu exame de sangue mais equilibrado. Transtornos mentais, condições neurológicas crônicas, TDAH e outras doenças podem ficar só no seu passado ou serem minimizados os sintomas. E o seu cérebro poderá trabalhar na capacidade máxima. 


No livro tem receitas, cardápios e  um programa alimentar de 4 semanas: Foco na comida – Foco nos exercícios – Foco no sono – Permanência dos novos hábitos.

Inicie o seu dia com ovos! O alimento mais perfeito. Com essa você não contava, não é mesmo?

Então, você morre de medo do colesterol alto? Pois saiba, o seu fígado fabrica mais de  80% do colesterol medido no exame de sangue. Talvez, nem o seu médico saiba do “mito do colesterol”. Sim, nós fomos enganados! O colesterol, normalmente, não tem nada a ver com os problemas cardiovasculares. Duvida? Vá pesquisar!

Manter a saúde do cérebro é muito importante porque se ele fica debilitado todo o corpo vai sentir, dificultando uma vida plena e feliz.


Algumas frases do livro, A Dieta da Mente  -  Dr. David Perlmutter: 


“Cada refeição deve conter uma fonte de gorduras e proteínas saudáveis.”

“O exercício ideal e abrangente deve conter uma mistura de treinamento cardiovascular, de força e alongamento.”

“Quanto mais você se movimenta ao longo do dia, mais o seu cérebro tem a ganhar. “

"Mas tenha em mente que um modo de vida livre do glúten e dos carboidratos em excesso é, na minha opinião, o mais pleno e gratificante que existe."

"Para muitos, a saúde pode não ser a coisa mais importante na vida. Mas, sem ela, nada mais importa. E quando você tem saúde, quase tudo é possível."

"Nem sempre é possível controlar o que é posto nos produtos, mas você pode controlar o que é posto no seu prato." David Perlmutter

                                          


Obs.: Esses questionamentos são para aguçar  a sua curiosidade de leitura e conhecimento. 
          Faça exames periódicos. Não deixe de consultar o seu médico! Converse com ele!


18 de dezembro de 2014

"On the Road": geração "beat" no Clube de Leitura Jovem


Última reunião do Clube Jovem em 2015 - On the road: Jack Kerouac


Constelação da Ursa Maior


Assim, na América, quando o sol se põe, eu me sento no velho e arruinado cais do rio olhando os longos, longos céus acima de Nova Jersey, e consigo sentir toda aquela terra crua e rude se derramando numa única, inacreditável e elevada vastidão, até a costa oeste, e a estrada seguindo em frente, todas as pessoas sonhando naquela imensidão, e em Iowa eu sei que agora as crianças devem estar chorando na terra onde deixam as crianças chorar, e você não sabe que Deus é a Ursa Maior? A estrela do entardecer deve estar morrendo e irradiando sua pálida cintilância sobre a pradaria, reluzindo pela última vez antes da chegada da noite completa, que abençoa a terra, escurece todos os rios, recobre os picos e oculta a última praia, e ninguém, ninguém sabe o que vai acontecer a qualquer pessoa, além dos desamparados andrajos da velhice. Penso então em Dean Moriarty, penso no velho Dean Moriarty, o pai que jamais encontramos, penso em Dean Moriarty.








"Oh, Senhor,
que haverei de fazer?
Para onde irei?"
Fiquei acordado. Os galos começaram a anunciar a chegada da aurora. Mesmo assim, não havia vento, nem brisa, nem orvalho, apenas o peso do próprio Trópico de Câncer, que nos mantinha esmagados na superfície da Terra, onde tremíamos e à qual pertencíamos. Nos céus não havia o menor sinal do alvorecer. De repente, escutei cães latindo furiosamente na escuridão, e ouvi então o débil clip-clop dos cascos de um cavalo. Ele se aproximava cada vez mais. Que doida espécie de cavaleiro noturno era aquele? Então, vislumbrei a seguinte aparição: um cavalo selvagem, branco como um fantasma, surgiu trotando pela estrada direto em direção a Dean. Atrás dele, cães uivavam e latiam. Não conseguia vê-los, eram velhos cães da selva, mas o cavalo era alvo como a neve, e imenso, quase fosforescente e facilmente visível. Não temi por Dean. Ò cavalo o viu, trotou bem ao lado de sua cabeça, passou pelo carro como se ele fosse uma embarcação fenícia, relinchou mansamente e continuou em direção à cidade, perseguido pelos cães, mergulhando outra vez na floresta, e tudo o que pude ouvir foi o som cada vez mais distante de seus cascos, desaparecendo debilmente na mata espessa. Os cães desistiram e se sentaram, lambendo a si próprios. O que era aquele cavalo? Que espírito mítico, que fantasma? Quando Dean acordou, contei-lhe tudo. Ele achou que era apenas um sonho. Então, lembrou-se vagamente de que também havia sonhado com um cavalo branco, e eu lhe assegurei que não fora apenas sonho. 






”— Oh raios, teremos de atravessar essa selva sem faróis, pense no horror que será, só poderei ver alguma coisa quando passar outro carro, mas por aqui simplesmente NUNCA passam carros! portanto, também não há luzes. Oh meu Deus, o que faremos?”

”— Ora, vamos em frente. Ou será que devemos voltar?”

”—Não, jamais, jamais! Vamos em frente! Consigo ver um pedacinho de estrada. Vamos nessa!” Mergulhamos naquele abismo de trevas, a escuridão primordial, entre o estrépito dos insetos, e, então, sentimos um cheiro rançoso, quase podre, e nos lembramos que o mapa indicava que, logo abaixo de Gregória, começava o trópico de Câncer. "Estamos num novo trópico. Não estranhem o cheiro. Respirem fundo." Botei a cabeça para fora da janela; insetos se esborrachavam contra a minha cara; quando coloquei meus ouvidos no vento, ouvi um silvo intenso...





On the Road, livro mais popular do escritor americano Jack Kerouac, será o tema do debate de dezembro do Clube de Leitura Jovem. Conhecida como uma das principais obras do beatnik, a narrativa – que mistura transgressão, lirismo e loucura – tornou-se um clássico contemporâneo e serviu de inspiração para outros movimentos culturais. O evento, que reúne jovens e adolescentes amantes da literatura, ocorre no dia 18, a partir das 18h, na Livraria Icaraí (Rua Miguel de Frias, 9, em Niterói). A entrada é gratuita.
On the Road traz a história de Sal Paradise, que resolve embarcar em uma viagem de carro pelo interior dos Estados Unidos junto com alguns amigos. Os personagens se lançam em uma aventura passando por diversos estados, circulando entre diferentes classes sociais, na busca pelo autoconhecimento e pela liberdade. O grupo vive de forma intensa e sem compromissos, se entregando às drogas e ao sexo, transgredindo as ideias rígidas de moral e do comportamento bem aceito na sociedade americana da década de 1940. Lançado em 1957, o livro marcou uma época e atravessou gerações, se tornando uma das obras mais importantes de contracultura, e a narrativa de Kerouac segue conquistando jovens.

Hipster, geek ou nerd: onde está você na cadeia evolutiva?

11 de dezembro de 2014

Aluguel de e-books. Você acha uma boa ideia?

Uma gigante do mercado de livros, a Amazon, lança hoje, 11 de dezembro, um serviço novo: aluguel de até 10 livros por vez ao preço de R$ 19,90/mês. Se quiser outro livro, vai devolvendo o que já leu na mesma proporção.


A novidade chega no momento de férias da garotada e o bom é que os primeiros 30 dias são grátis. Dá pra gente experimentar e ver como flui na prática, que livros encontraremos por lá, se é muito cansativo ler em kindle ou aplicativos para iOS e Android. O que te parece? Deixe sua opinião no campo comentários.

Para ler a íntegra da matéria, clique aqui

8 de dezembro de 2014

CLIc-teen - On the road: Jack Kerouac

"Sal, Deus acaba de chegar!"







... Agora eu não tinha nada nem ninguém.

Perambulei catando baganas nas calçadas. Cruzei por um boteco na rua Market e a mulher que estava lá dentro me lançou um olhar terrível enquanto eu passava; era a proprietária, aparentemente ela pensou que eu fosse entrar ali
armado de pistola e assaltar o botequim. Caminhei um pouco mais. Subitamente me ocorreu que ela tinha sido minha mãe uns duzentos anos atrás na Inglaterra e eu, seu filho salteador, retornando do cárcere para assombrar seu honesto ganha-pão na taverna. Enregelado pelo êxtase, estanquei na calçada. Olhei para a rua. Não conseguia saber se era mesmo a Market ou a rua do Canal em Nova Orleans; afinal ela ia dar na água, água ambígua e universal, exatamente como a rua 42 em Nova York, que também leva em direção à água, de modo que você nunca sabe bem onde está. Pensei no fantasma de Ed Dunkel se arrastando pela Times Square. Eu delirava. Quis voltar e dar uma espiada na minha estranha mãe dickensiana no boteco. Eu tremia da cabeça aos pés. Era como se um pelotão inteiro de memórias me conduzisse de volta a 1750, na Inglaterra, só que agora eu estava em São Francisco, em outra vida, noutro corpo. "Não", parecia gritar aquela mulher, com seu olhar aterrorizado, "não volte para atormentar sua mãe honesta e trabalhadora. Você já não é mais meu filho, assim como seu pai, meu primeiro marido. Aqui, esse grego generoso se apiedou de mim" (o proprietário era um grego de braços peludos). "Você é mau, com tendências à baderna e à bebedeira e, o que é pior, ao roubo infame dos frutos do meu humilde trabalho nesta taverna. Oh, filho! Você jamais se ajoelhou e rezou pela remissão de todos os seus pecados e más ações? Pobre menino! Suma daqui! Não amedronte mais meu espírito; eu fiz bem em te esquecer. Não reabra velhas feridas; que seja como você nunca tivesse voltado e me encarado - jamais houvesse visto minha humilde labuta, meus parcos centavos penosamente batalhados - os quais está sempre ávido para agarrar, sempre pronto
para roubar, oh, desalmado, maldoso e sombrio filho da minha própria carne. Meu filho! Meu filho!" (...) E por um instante alcancei o estágio do êxtase que sempre quis atingir, que é a passagem completa através do tempo cronológico num mergulhar em direção às sombras intemporais, e iluminação na completa desolação do reino mortal e a sensação de morte mordiscando meus calcanhares e me impelindo para frente como um fantasma perseguindo seus próprios calcanhares, e eu mesmo correndo em busca de uma tábua de salvação de onde todos os anjos alçaram vôo em direção ao vácuo sagrado do vazio primordial, o fulgor potente e inconcebível reluzindo na radiante Essência da Mente, incontáveis terras-lótus desabrochando na mágica tepidez do céu. Eu podia ouvir um farfalhar indescritível que não estava apenas nos meus ouvidos, mas em todos os lugares, e não tinha nada a ver com sons. Percebi ter morrido e renascido incontáveis vezes, mas simplesmente não me lembrava justamente porque as transições da vida para a morte e de volta à vida são tão fantasmagoricamente fáceis, uma ação mágica para o nada, como adormecer e despertar um milhão de vezes na profunda ignorância, e em completa naturalidade. Compreendi que somente devido à estabilidade da Mente essencial é que essas ondulações de nascimento e morte aconteciam, como se fosse a ação do vento sobre uma lâmina de água pura e serena como um espelho. Senti uma satisfação suave, serpenteante como um tremendo pico de heroína numa veia principal; como aquele gole de vinho que te traz um arrepio de satisfação num fim de tarde; meus pés se arrepiaram. Pensei que ia morrer naquele exato instante. Mas não morri e caminhei uns sete quilômetros, catei dez longas baganas e as levei para o quarto de Marylou no hotel e derramei os restos de tabaco no meu velho cachimbo e o acendi.

Eu era jovem demais para perceber o que havia se passado. (...) Acrescente neblina, neblina úmida que te deixa faminto, e o pulsar do néon da noite suave, o crepitar dos saltos altos das beldades, pombas brancas na vitrine de uma mercearia chinesa... Foi nesse estado que Dean me encontrou quando finalmente decidiu que valia a pena me salvar.”





Eu não sabia o que estava acontecendo comigo e de repente percebi que era apenas a erva que estávamos fumando. Ela me fazia pensar que tudo estava prestes a acontecer - aquele momento em que você sabe tudo e tudo fica decidido, para a eternidade. (p.164)





"‘Agora saca só esse pessoal aí da frente. Estão preocupados, contando os quilômetros, pensando onde irão dormir essa noite, quanto dinheiro vão gastar em gasolina, se o tempo estará bom, de qualquer maneira chegarão onde pretendem - e quando terminarem de pensar já terão chegado onde queriam, percebe? Mas parece que eles têm que se preocupar e trair suas horas, cada minuto e cada segundo, entregando-se a tarefas aparentemente urgentes, todas falsas; ou então a desejos caprichosos puramente angustiados e angustiantes, suas almas realmente não terão paz a não ser que se agarrem a uma preocupação explícita e comprovada, e tendo encontrado uma, assumem expressões faciais adequadas, graves e circunspectas, e seguem em frente, e tudo isso não passa, você sabe, de pura infelicidade, e durante todo esse tempo a vida passa por eles e eles sabem disso, e isso também os preocupa num círculo vicioso que não tem fim."



On the road with Jack Kerouac


Oh, meu Deus, que desânimo!


Embora Gene fosse branco, havia algo da sabedoria de um velho negro experiente nele, e algo que lembrava demais Elmer Hassel, o viciado de Nova York, mas era como se fosse um Hassel das estradas de ferro, um épico Hassel andarilho, cruzando e tornando a cruzar a nação anualmente, o Sul no inverno, o Norte no verão, apenas porque não havia nenhum lugar onde pudesse permanecer sem cair no tédio e também porque não havia lugar algum para ir senão todos os lugares, rodando sempre sob as estrelas, especialmente as do Oeste (sic).





... porque para mim, pessoas mesmos são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações em cujo centro fervilhante - POP! - pode-se ver um brilho azul e intenso até que todos "aaaaaaah!" Como é mesmo que eles chamavam esses garotos na Alemanha de Goethe? 





À noite, nesta parte do Oeste, as estrelas, como eu já as tinhas visto no Wyoming, são enormes como fogos de artifício e tão solitárias como o Príncipe do Dharma, que perdeu seu percurso ancestral e viaja por todos os lugares, no espaço, na cauda da Ursa Maior, tentando reencontrá-lo. Assim, giravam as estrelas lentamente sob a maquinaria da noite e então, muito antes do nascer do Sol,... (p. 273)



O homem que escreveu a Bíblia beat

Sal Paradise é o narrador de 'On the road - pé na estrada'. Ele vive com sua tia em Nova Jersey, Estados Unidos, enquanto tenta escrever um livro. Em Nova Iorque, conhece um andarilho de Denver de personalidade magnética chamado Dean Moriarty. Dean é cinco anos mais novo que Sal, mas compartilha o seu amor por literatura e jazz e a ânsia de correr o mundo. Tornam-se amigos e, juntos, atravessam os Estados Unidos, de New Jersey até a Costa Oeste, deparando-se com os mais variados tipos de pessoas, numa jornada que é tanto uma viagem pelo interior de um país pela Rota 66 quanto uma viagem de auto-conhecimento - de uma geração assim como dos personagens.









A Reunião de dezembro será 18/12/2014, quinta feira, às 18:00h.

Livraria Icaraí: Rua Miguel de Frias, 9, anexo - Icaraí, Niterói/RJ



A santidade w.c. fieldiana