CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

29 de agosto de 2015

Uma crônica sem rumo certo: Aquiles de Andrade


Estou com a cabeça tão desnorteada que não tenho mais vontade de escrever. Mas, como num círculo vicioso, não escrever me tira a vontade de ter vontade, que por sua vez, me afasta mais ainda de escrever. Por essa razão forço a barra, não quero ficar sem vontade de nada. Quando nada, preciso fazer alguma coisa pra passar o tempo, ou distrair meu cérebro. Pensando assim, peguei este laptop e comecei a escrever. Antes eu submeter meus pensamentos à minha vontade do que deixar que eles submetam a minha vontade, com maus pensamentos.
Quando falo que tenho tido maus pensamentos, as pessoas com quem converso, principalmente os filhos logo perguntam:  “Pai, que maus pensamentos são esses?”. Minha resposta invariavelmente é que nem eu mesmo sei dizer o que são, apenas posso dizer o que eles não são. Não são pensamentos concatenados, não se referem a tragédias, não se relacionam a pessoas. E como sempre acontece, na verdade, como sempre aconteceu desde que me entendo por gente, ponho-me a imaginar possibilidades, querendo encontrar alguma resposta científica, mesmo sem ser cientista ou sem fazer nenhum experimento científico concreto.
Reúno meu arcabouço imaginativo e, da mesma forma que faço quando leio alguma receita de remédio, lá vai o “doutor cientista” Aquiles emitir seus juízos acadêmicos. Imagino que o fato possa ser alguma anomalia no correto funcionamento dos meus neurônios, talvez já cansados de tanto trabalhar, que ficam se recusando a fazer a tarefa que devem fazer. Até consigo ser compassivo com eles, coitados, já trabalhando ininterruptamente há tantos anos.
Mesmo atordoado como costumo ficar, penso que não se trata exatamente de medos, que normalmente é o que os filhos devem estar imaginando quando insistem comigo para explicar o inexplicável dos pensamentos ruins. Sou plenamente consciente das limitações da pessoa idosa, no meu caso cerca de 84 anos. Ainda faço algumas caminhadas pelas ruas da cidade, prática que está ficando cada vez mais difícil devido às enormes varizes que tenho nas pernas.
Mas as varizes são apenas os mais aparentes dos problemas. Tenho outros distúrbios de circulação das veias e vasos, desde os pés até um pouco acima do joelho. A visão já deixa um pouco a desejar, a audição tem lá seus problemas, os órgãos internos costumam produzir sinais estranhos, os intestinos às vezes me pregam peças. Tomo remédio pra pressão, pra colesterol, pra varizes etc. Recentemente fiz uma lista de horários e pendurei no local mais visível para não esquecer de nenhum.
Mas o que tem me incomodado muito ultimamente, além de mucos intestinais são os lapsos de memória. Quando falo isso com algum dos filhos, logo vêm eles querendo minimizar o problema dizendo:  “ih... Pai!!“ eu também tenho isso”. Não duvido que eles também possam ter, mas, independente de qualquer coisa, este é o problema que incomoda. Estar falando com alguém e de repente faltar a palavra, esquecer os nomes das pessoas, levantar-se da cadeira para fazer alguma coisa e de repente se esquecer o que ia fazer, abrir a porta do apartamento para sair e comprar alguma coisa e de repente se esquecer o que ia comprar. Isso sem falar nos sobressaltos frequentes, levando as mãos nos bolsos da calça e perguntando “onde deixei meus documentos? onde deixei as chaves? que dia da semana é hoje? e do mês?  Esqueci de desligar o fogão? será que a água secou?”. Não têm fim os sobressaltos.

Recentemente comentando sobre essas coisas com um dos filhos ele disse: mas você não se esquece de lembrar que está sem memória. Donde se conclui que mesmo a ausência de algo sentido, tem a presença do conhecimento da ausência. Ou, como diz o Eclesiastes “para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus”. A minha falta de memória e os incômodos mucos intestinais, fazem parte do tempo que Deus me concede para aprender as coisas, é um filtro automático que ele me oferece pra aliviar os cansadinhos dos meus neurônios a não ter com que se preocupar.


23 de agosto de 2015

Judas: Amós Oz

Cântico dos Cânticos

Eis que és formosa, meu amor, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas entre as tuas tranças; o teu cabelo é como o rebanho de cabras que pastam no monte de Gileade.
Os teus dentes são como o rebanho das ovelhas tosquiadas, que sobem do lavadouro, e das quais todas produzem gêmeos, e nenhuma há estéril entre elas.
Os teus lábios são como um fio de escarlate, e o teu falar é agradável; a tua fronte é qual um pedaço de romã entre os teus cabelos.
O teu pescoço é como a torre de Davi, edificada para pendurar armas; mil escudos pendem dela, todos broquéis de poderosos.
Os teus dois seios são como dois filhos gêmeos da gazela, que se apascentam entre os lírios.
Até que refresque o dia, e fujam as sombras, irei ao monte da mirra, e ao outeiro do incenso.
Tu és toda formosa, meu amor, e em ti não há mancha.
Vem comigo do Líbano, ó minha esposa, vem comigo do Líbano; olha desde o cume de Amana, desde o cume de Senir e de Hermom, desde os covis dos leões, desde os montes dos leopardos.
Enlevaste-me o coração, minha irmã, minha esposa; enlevaste-me o coração com um dos teus olhares, com um colar do teu pescoço.
Que belos são os teus amores, minha irmã, esposa minha! Quanto melhor é o teu amor do que o vinho! E o aroma dos teus ungüentos do que o de todas as especiarias!
Favos de mel manam dos teus lábios, minha esposa! Mel e leite estão debaixo da tua língua, e o cheiro dos teus vestidos é como o cheiro do Líbano.
Jardim fechado és tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada.
Os teus renovos são um pomar de romãs, com frutos excelentes, o cipreste com o nardo.
O nardo, e o açafrão, o cálamo, e a canela, com toda a sorte de árvores de incenso, a mirra e aloés, com todas as principais especiarias.
És a fonte dos jardins, poço das águas vivas, que correm do Líbano!
Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que destilem os seus aromas. Ah! entre o meu amado no jardim, e coma os seus frutos excelentes!

Cânticos 4:1-16


Fonte

Boa tarde, CLIc-leitores,

Prezado Evandro, na postagem de JUDAS no blog do CLIc, mantendo a tradição, você encontrou a música Judas, da Lady Gaga. Gostei. Ficou boa. Mas temos o nosso imortal Cowboy fora da lei, o Rauzito, que tem exatamente uma música com este título: Judas. Seria justo que ela fosse também incorporada à postagem. Acho, inclusive, que ela possui essencialmente uma das teses do livro: 


"Parte de um plano secreto
Amigo fiel de Jesus
Eu fui escolhido por ele
Para pregá-lo na cruz

Cristo morreu como um homem
Um mártir da salvação
Deixando para mim seu amigo
O sinal da traição."


"Se eu não tivesse traído
Morreria cercado de luz
E o mundo hoje então não teria
A marca sagrada da cruz."


Link da música no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=nDrqvGXYTNI

Grande abraço,
Até logo mais,

Antonio





Esse é o Priest, não é o Iscariotes!!!

"Schmuel Asch meldet sich auf die Anzeige hin in der Rav-Albas-Gasse am Rand des Jerusalemer Viertels Sche’arei Chesed und lernt den 70-jährigen Gerschom Wald kennen, einen kultivierten Mann mit einem Bart wie Albert Einstein, der begeistert redet, doziert und diskutiert, jedoch kaum über Privates spricht. Im Haus lebt auch die 45-jährige Atalja Abrabanel, die in ungeklärter Beziehung zu Wald steht und deren Ausstrahlung und Unnahbarkeit den jungen Schmuel auf Anhieb fasziniert. Dieser nimmt die Anstellung an und leistet von nun an jeden Abend in der Bibliothek des Hauses Gerschom Wald Gesellschaft. Den restlichen Tag schläft er lang in seiner Mansarde, schlendert ziellos durch Jerusalem und bemüht sich, Atalja bei ihren raren Begegnungen näherzukommen. Er findet auch die Zeit, seine Studien über die jüdische Sicht auf Jesus von Nazaret fortzusetzen. Sein Besonderes Interesse gilt der Person Judas Ischariot, dessen vermeintlicher Verrat bis in die Gegenwart wirkt und das Verhältnis zwischen Christen und Juden bestimmt. Schmuel fragt sich, ob es nicht gerade Judas’ Loyalität war, die zum Verrat an seinem Lehrmeister führte."

Gasse im Jerusalemer Viertel Sche’arei Chesed


"10 MAIORES TRAIDORES DA HISTORIA"

  1. Ao lado de todo grande homem tem sempre um grande traidor. Se você não acredita nisso, este ranking lhe dá dez bons motivos para desconfiar dos amigos, caso, claro, você tenha planos de gravar seu nome nos livros de história.  

  2. 10 WANG JINGWEI CHINA GUERRA SINO-JAPONESA, DÉCADA DE 1930 Depois de participar do Kuomintang, movimento que lutava para unificar o país, Jingwei se revoltou e mudou para o lado inimigo justo quando a guerra da China contra o Japão pegava fogo, literalmente. Ele não apenas fez vista grossa para os avanços japoneses como conquistou a província de Nanquim para os novos amigos. Ao trocar a China pelo Japão, Wang Jingwei deixou de lado sua ideologia comunista para defender um país que fazia parte do grupo do Eixo, aquele mesmo que era comandado pela Alemanha nazista na Segunda Guerra.

  3. 9 ALDRICH AMES EUA DÉCADAS DE 1980 E 1990 Espião da mais famosa agência de inteligência americana, a CIA, Aldrich Ames se vendeu para a KGB, o serviço secreto da Rússia, durante a Guerra Fria. Por alguns milhões de dólares, o traíra vendia para os russos o nome daqueles que trabalhavam para os EUA. Descoberto depois de quase 15 anos de serviços prestados aos inimigos, ele foi condenado à prisão perpétua. A Rússia contratou um traidor para ser seu dedo-duro infiltrado na CIA, mas não perdoava traições. Pessoas delatadas por Ames não tinham perdão: muitas foram executadas antes mesmo de poderem se defender.

  4. 8 TOMMASO BUSCETTA ITÁLIA DÉCADA DE 1980 Foi um dos membros mais importantes da Cosa Nostra, a máfia italiana. E adivinhem onde ele enriqueceu? No Brasil, traficando drogas. Preso pela Polícia Federal em 1984 e deportado para a Itália, ele fez pinta de arrependido e entregou todo o esquema da máfia. Por colaborar com a polícia, Buscetta ganhou proteção especial e um salário para o resto de sua vida, que terminou em 2000, quando morreu de câncer. O italiano foi o primeiro traidor da máfia a ficar conhecido por quebrar o juramento de silêncio da organização. Ele se safou, mas a Cosa Nostra 'apagou' mais de dez pessoas de sua família

  5. 7 DOMINGOS FERNANDES CALABAR BRASIL  BRASIL COLÔNIA, SÉCULO 17 O único representante brasileiro da lista é considerado por muitos um dos primeiros traidores da história do país. Calabar era um senhor de engenho na capitania de Pernambuco e se aliou aos holandeses quando eles invadiram as terras brasileiras – na época, sob o domínio de Portugal. Como conhecia o território pernambucano como a palma de sua mão, ajudou em praticamente todas as conquistas da Holanda por estas bandas. Alguns historiadores questionam a fama de traidor de Calabar e alegam que ele lutou ao lado dos holandeses porque acreditava que, sem o domínio de Portugal, a pátria seria livre. 

  6. 6 AUGUSTO PINOCHET CHILE  DÉCADA DE 1970 No dia 25 de agosto de 1973, o presidente do Chile, Salvador Allende, escolheu um dos militares que considerava mais leais para assumir a chefia do Exército. Três semanas depois, Pinochet liderava um golpe militar para derrubá-lo e implantar uma ditadura que duraria 17 anos. Pinochet até ofereceu um avião para o presidente fugir, mas uma transmissão de rádio revelou que sua intenção era jogar Allende da aeronave em pleno vôo. Allende confiava tanto em Pinochet que, na manhã do dia do golpe, teria dito: 'Chamem Augusto, ele é um dos nossos'.

  7. 5 SILVÉRIO DOS REIS PORTUGAL  BRASIL COLÔNIA, SÉC. 18 Apesar de ser português, ele se tornou um dos traidores mais famosos do Brasil antes mesmo de o país se libertar de Portugal. Isso porque passou por cima logo do primeiro movimento de independência, a famosa Inconfidência Mineira. Para escapar das suas dívidas com a Coroa, ele entregou seu amigo Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. A conclusão todo mundo já sabe: o líder dos inconfidentes acabou enforcado e esquartejado. Além de ter suas dívidas perdoadas, o delator de Tiradentes ganhou uma pensão vitalícia do governo português e foi até mesmo recebido por dom João.

  8. 4 HEINRICH HIMMLER ALEMANHA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL (1939-1945) Abandonar os companheiros de luta e passar para o outro lado é considerado traição, independentemente do lado em que está lutando. Por isso, Himmler, o chefe da polícia nazista, está aqui. Afinal, quando ele percebeu que as chances de vencer a guerra eram praticamente nulas, não titubeou em abandonar Hitler e negociar uma rendição da Alemanha com os EUA e a Grã-Bretanha. Himmler tentou entregar a Alemanha para os Aliados em troca de sua liberdade. Mas não deu certo: ele foi considerado criminoso de guerra, foi preso e se suicidou.

  9. 3 MARCUS JUNIUS BRUTUS ROMA 44 A.C. Brutus certamente não foi o primeiro traidor da história, mas foi o primeiro a se tornar famoso. Depois de lutar pelo Império Romano, comandado pelo seu pai adotivo, Júlio César, ele se uniu a outro traíra, o general Cássio Longinus, para tomar o poder. Não bastasse a traição, o cara aceitou colocar em prática o plano de assassinar o 'papito'. Ao ser golpeado, César mandou a famosa frase: 'Até tu, Brutus?' Depois da traição, Brutus chegou a montar um exército para dominar o Império Romano, mas foi derrotado por Marco Antônio. Aí a consciência pesou e ele se suicidou.

  10. 2 TALLEYRAND-PÉRIGORD FRANÇA  REVOLUÇÃO FRANCESA, SÉCULO 18 Para o ministro das relações exteriores de Napoleão Bonaparte, 'traição é uma questão de datas'. Talvez por isso, Talleyrand não só tenha abandonado o imperador mas também mudado radicalmente de lado. Numa época em que a França espalhava pela Europa os princípios da revolução, ele organizou a deposição de Napoleão e a volta dos Bourbons para restaurar a monarquia. Depois da crocodilagem, Talleyrand trabalhou como embaixador de Luís XVIII, que sucedeu Napoleão, e representou a França no Congresso de Viena.

  11. 1. JUDAS ISCARIOTE GALILÉIA 33 ANOS APÓS O NASCIMENTO DE CRISTO Ele não traiu 'simplesmente' uma pátria, um partido ou uma ideologia. O mais famoso traidor da história é até hoje lembrado como o sujeito que deu uma rasteira no filho único do Todo-Poderoso. E pior: segundo a Bíblia, Judas entregou Jesus Cristo aos soldados romanos em troca de míseras 30 moedas de prata. Arrependido, o apóstolo tentou devolver o dinheiro e voltar atrás, mas já era tarde. Cristo foi crucificado e Judas, culpado, suicidou-se. Em algumas cidades do mundo, inclusive aqui no Brasil, existe o costume de 'malhar' o Judas no sábado de Aleluia (o que vem antes do domingo de Páscoa).
(Fonte)




Outras Traições Notáveis


Otelo e Iago - 1603

Desdêmona, esposa de Otelo, perdeu a vida por causa da traição de Iago (Desdemona, de Frederic Leighton)
O poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare sempre explorou a traição em suas peças: Rei Lear, Hamlet, Mac Beth… Mas foi a falsa amizade de Iago na peça “Otelo, o Mouro de Veneza” que se tornou a mais famosa de todas. Na história, Iago, alferes do general Otelo, se sente injustiçado quando seu comandante nomeia outro para o posto de tenente. Decide então se vingar, fazendo Otelo pensar que sua mulher, Desdêmona, o traiu. A trama funciona e, consumido pelo ciúme, o general acaba matando-a asfixiada. Quando descobre que tudo não passou de uma mentira de seu alferes, suicida-se.
URSS e Alemanha - 1941

Os ex-aliados Stalin e Hitler
Poucas traições foram tão grandiosas a ponto de envolver duas nações. União Soviética e Alemanha assinaram em 1939, às vésperas da Segunda Guerra Mundial, o Pacto Molotov-Ribbentrop, ou simplesmente Tratado de não-agressão germano-soviético. O pacto estabelecia que a Alemanha nazista de Hitler e a URSS de Stálin não iriam interferir uma na outra em termos bélicos. A ideia era que a Alemanha atacasse e anexasse a Polônia sem intervenções soviéticas, enquanto apoiaria uma invasão soviética à Finlândia. Ambos os ataques se concretizaram em 1939. Tudo parecia perfeito na amizade entre os dois regimes, até que, em 1941, sem grandes explicações, Hitler atacou os russos na Operação Barbarossa. A URSS, após tamanha traição, entrou de vez na guerra ao lado dos Aliados. O resto é história.





"E ao outro dia, como saíssem de Betânia, teve fome. E tendo visto ao longe uma figueira, foi lá a ver se acharia nela alguma coisa; e quando chegou a ela, nada achou, senão folhas, porque não era tempo de figos. E falando-lhe disse: Nunca jamais coma alguém fruto de ti para sempre; o que os discípulos ouviram. E no outro dia pela manhã, ao passarem pela figueira, viram que ela estava seca até as raízes."






Não se vira a outra face
Respeitada voz pública nos debates sobre o conflito israelo-palestino, o escritor Amós Oz deseja a paz - mas não quer conversa com o Hamas, grupo terrorista que governa Gaza
Durante a guerra em Gaza, em julho e agosto, o senhor disse que a ação militar israelense foi "excessiva mas necessária". Por quê? Quando Israel é bombardeado por uma chuva de mísseis, não se pode esperar que o país ofereça a outra face. Mas não era necessário destruir tantas casas em Gaza para repelir a agressão do Hamas. Isso poderia ter sido realizado de forma mais sutil e cautelosa.
Qual a perspectiva de paz duradoura? A razão profunda da tragédia em Gaza é o desespero. Quando eu era criança, minha avó me disse: "Nunca lute com um garoto que não tem nada a perder". É vital para Israel que Gaza deixe de ser esse garoto. Acredito que, se um Estado palestino existir na Cisjordânia, próspero e em paz com Israel, as pessoas de Gaza terão tanta inveja que derrubarão o Hamas. Traço esta linha: simpatizo com o sofrimento do povo de Gaza, mas desprezo o Hamas. Não pode haver solução de compromisso com quem prega o fim de Israel.
Qual a chance de uma solução de compromisso entre as atuais lideranças de Israel e da Autoridade Palestina? Não votei nem votarei no primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Seu governo é intransigente. Faltam-lhe empatia e imaginação, necessárias para a resolução de conflitos. E as mesmas qualidades faltam à Autoridade Palestina.

CLIC, NÃO ACREDITE





"Percorrei as ruas de Jerusalém,
olhai, perguntai;
procurai nas praças,
vede se nelas encontrais um homem,
um só homem que pratique a justiça
e que seja leal;
então eu perdoarei a cidade."
(Jeremias 5,1)






A principal tragédia dos homens não é que perseguidos e oprimidos aspirem a se libertar e se aprumar. Não. O grande mal é que os oprimidos anseiam secretamente por se tornar os opressores de seus opressores. Os perseguidos sonham em ser perseguidores. Os escravos sonham ser senhores. 





Nas escrituras sagradas judaicas está explícito que com a vinda do Messias acabarão o derramamento de sangue na Terra e um povo não brandirá a espada contra outro povo e não mais aprenderão a guerra. Essas são palavras do profeta Isaías. E desde os tempos de Jesus até hoje, em nenhum momento parou o derramamento de sangue em lugar algum. Isso e mais: no livro dos Salmos está dito explicitamente que o Messias vai baixar, isto é, vai governar do mar ao mar e do rio até o fim das terras. E Jesus não exerceu governo algum nem em vida nem após a sua morte. 





Nós dois, eu & você, procuramos algo que não tem dimensão. E como não tem dimensão, não vamos encontrar nem que procuremos até amanhã de manhã, e na noite seguinte e em todas as noites seguintes até o dia da nossa morte, e talvez até mesmo depois de nossa morte. 

photo by Garth Oriander

Falso, 
falso é o coração, 
e perverso, 
quem o compreenderá?


Sou gente


Durante seis horas o crucificado não tinha parado de gritar e de se lamentar. Enquanto sua agonia se prolongava, chorava e bradava e implorava, tal era a dor que sentia, e chamava repetidas vezes por sua mãe, chamava e tornava a chamar numa voz fraca e pungente, voz que parecia um choro de bebê mortalmente ferido e abandonado no campo, sozinho, para secar em sua sede e derramar o que lhe restava de sangue sob um sol causticante. Era um apelo desesperado, que subia e baixava e de novo subia, enregelando o coração, Mãe, Mãe, e depois veio um grito lancinante de dor, e novamente Mãe. E de novo o lamento pungente e depois dele um gemido fraco, prolongado, cada vez mais fraco, um lamento que durou até o último sopro.

... Uma nuvem preta de moscas agitadas desceu sobre os três crucificados e grudou-se a suas peles, voejando faminta sobre o sangue que corria das feridas dos pregos. Sobre os galhos das árvores próximas se espremia numa espera impaciente uma multidão de aves de rapinas pretas, grandes e pequenas, de bicos recurvados, pescoços calvos e penas eriçadas... Ao meio-dia o sol se derramava como chumbo derretido sobre a terra, sobre os crucificados e sobre a multidão de espectadores... Aqui e ali circulavam na multidão vendedores com bandejas de metal oferecendo aos berros doces, bebidas, figos secos, tâmaras, sucos de frutas... Muitos dos presentes haviam trazido comidas e bebidas, e as consumiam.




O amor é um evento íntimo, estranho e cheio de contradições, pois mais de uma vez nós amamos alguém por amor a nós mesmos, por egoísmo, por cupidez, por desejo físico, por vontade de dominar o amado e subjugá-lo, ou, ao contrário, devido a uma espécie de desejo de ser dominado pelo objeto de nosso amor, e geralmente o amor se parece muito com o ódio e é mais próximo dele do que o que imagina a maioria das pessoas.




Jesus foi um grande sonhador, talvez o maior dos sonhadores que jamais houve. Mas seus discípulos não foram sonhadores. Eles foram ávidos de autoridade, e seu fim, como o fim de todos que são ávidos de autoridade e poder no mundo, foi que se transformaram em derramadores de sangue.




Se eu tiver de escolher mil vezes entre o nosso sofrimento, esses antigos tormentos que são seus, meus e de todos nós, e as salvações e redenções do mundo, é melhor que deixem para nós toda a dor e a aflição e guardem para si os seus consertos do mundo, que sempre vem junto com corrupção, cruzadas ou jihad ou gulag ou guerras de Gog e demagog.


Eis o homem!

E você?

Descobriu ou encontrou?


Os pais do sionismo, calculadamente, tinham se utilizado das energias religiosas e messiânicas existentes no coração das massas judaicas em todas as gerações e mobilizado essas energias em proveito de um movimento político que em sua base era secular, pragmático e moderno.




O que não conseguimos por nós mesmos não nos será dado por caridade ou concessão.





Sentia uma doce quietude a envolvê-lo, como se finalmente tivesse voltado para casa, não à casa dos pais nem ao corredor escuro onde dormira todos os dias de sua infância, mas à casa que sempre desejara, a casa onde não estivera uma única vez, a casa dele, a verdadeira. A casa onde ele (não) vai todos os dias de sua vida.


3 de agosto de 2015

O visionário do Império

Por Wagner Medeiros Junior

Do palacete na Rua do Imperador - um dos mais luxuosos da capital do Império - avistava-se a residência oficial de D. Pedro II: o Palácio de São Cristovão. O palacete era o símbolo da ascensão de um menino nascido no Arroio Grande, na fronteira entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai, em 1813. Seu nome é Irineu Evangelista de Souza – Barão e Visconde de Mauá.
Irineu chegou ao Rio de Janeiro, aos nove anos, pelas mãos de um tio. Vinha com a guarda transferida pela mãe, Mariana de Jesus, por rejeição do padrasto - aos cinco anos havia perdido o pai, João Evangelista, assassinado por ladrões de gado. É empregado, então, como caixeiro do comerciante português Pereira de Almeida, em troca de comida e cama, como era comum à época. Aos 15 anos é promovido à guarda-livros, pela aptidão e conhecimento minucioso dos negócios.
Em 1829 o comércio de Pereira de Almeida é transferido ao escocês Ricardo Carruthers. Irineu percebe novas oportunidades e passa a dedicar o tempo vago aos estudos, inspirado nos conhecimentos do novo chefe. Carruthers, por sua vez, vê no jovem talento a capacidade para torná-lo gerente da casa Carruthers & Cia em 1834. Um ano depois, faz de Irineu, aos 24 anos, seu sócio, quando resolve retorna à Escócia.  
A primeira viagem de Irineu à Europa acontece em 1840, quando visita diversas indústrias e conhece o mundo das finanças e das grandes corporações inglesas, em um momento de superprodução e crise. Cheio de novas ideias, ainda em solo europeu, cria com os amigos a empresa Carruthers, De Castro & Cia, para captar dinheiro no mercado inglês e investir no Brasil. 
Nesse período, aqui predominava a crença escravocrata de que a riqueza só poderia ser produzida pela agricultura e pelo comércio. O trabalho era desprezado: uma atividade humilhante, destinada aos lacaios e escravos.
De volta ao Brasil as ideias estavam consolidadas. Irineu trabalha para remover as barreiras políticas e conceber e executar novos e ambiciosos projetos. Passo a passo, com prudência e moderação, passa a empreender cada um deles, sempre pensando em atender as expectativas dos sócios. Como aliado tem a motivação dos colaboradores e “uma política administrativa fora dos padrões brasileiros”, como diz Jorge Caldeira em “Mauá: Empresário do Império”.
Aos 40 anos Irineu Evangelista já era um homem abastado. Possuía uma fundição com 700 operários; um estaleiro no Brasil e outro no Uruguai; uma companhia de navegação no Amazonas; três estradas de ferro; bancos no Brasil, Inglaterra, França, Estados Unidos, Argentina e Uruguai; fábricas diversas, fundições e mineradoras; estâncias de criação de gado e empresas de comércio exterior. Era ainda concessionário da Companhia de Iluminação à Gás e de linhas de bonde. 
O montante dos negócios do Barão e Visconde de Mauá em 1867 chegava a 115 mil contos de reais, só comparável ao orçamento do Império, que era da ordem de 97 mil contos de reis.
Para administrar tantas empresas usava a política de descentralização, atribuindo responsabilidade de decisão aos gerentes e valorizando a remuneração do trabalho. Por isto, limitava a utilização de escravo a apenas quando faltasse alternativa. Neste caso, optava pelo aluguel, tratando igualitariamente o escravo com o trabalhador livre.
Contudo, para a sociedade escravocrata e a corte imperial brasileira, Mauá cometia a heresia do lucro. Seu universo de negócios era incompreendido e invejado, em um mundo em que os grandes empreendimentos estavam sob o controle do Estado, o que o fazia também intolerante. 

Visite o blog: 

Preto no Branco por Wagner Medeiros Junior

Judas: a via do entendimento ?

Judas foi o livro que escolhi para começar 2015. Cheguei a colocar o título em uma lista de amigo oculto, mas tirei, receosa de não ganhar, e comprei logo, tal minha ansiedade para ler meu segundo Amós Oz. Não decepcionou, muito pelo contrário. Foi um lindo início letivo, chamemos assim. Agora, terei o prazer de conversar sobre este delicioso romance com meus diletos companheiros de leitura.

Delicado em seus questionamentos, o autor nos conduz a um mundo possível, onde, apesar das diferenças, algumas até inconciliáveis, há de prevalecer, ao invés de estados de guerra e da extrema discrepância entre o poderio bélico israelense e as pedras e homens-bomba dos palestinos, o respeito e a boa vontade de entender o ponto de vista do outro.




Amos Óz nos chama a atenção também para outras questões, menos óbvias mas nem por isso menos importantes, como o papel da mulher na sociedade (pág 333 “Durante milhares de anos induzimos nós mesmos a acreditar que a mulher, por natureza, é completamente diferente de nós, diferente em tudo, de uma diferença total e absoluta. Quem sabe exageramos um pouco nisso?”) ou se Judas traiu ou não Jesus por dinheiro. Ainda ontem, revendo o filme “Planeta dos macacos: o  confronto”, e assistindo como o macaco do mal acusou os homens de terem atirado no líder, Cesar, quando o próprio o tinha feito, me lembrei de quantas vezes essa estratégia é usada pelos diversos países e como é fácil acreditar. Há que se ter os olhos abertos.

Por fim, o livro é poético, convidativo, muito gostoso de ler. Destaco uma passagem, na página 24: 

Sobre tudo pairava ali o silêncio de um frio anoitecer de inverno. Não era um silêncio do tipo dos silêncios transparentes que o convidam a se juntar, você também, a ele, mas um silêncio indiferente, muito antigo, um silêncio que jaz com as costas voltadas para você”.


Boa semana a todos,
Rita

2 de agosto de 2015

A arte de ser feliz: Elenir Teixeira

Leituras de referência:

Shalimar, o equilibrista: Salman Rushdie
Debate: 11 de setembro de 2015 - 19:00 h
Livraria Icaraí - Icaraí - Niterói

A festa da insignificância: Milan Kundera
Debate: 10 de julho de 2015 - 19:00 h
Livraria Icaraí - Icaraí - Niterói 




Na verdade, ser feliz é uma arte a ser cultivada em nosso dia a dia, como sugere Cecília no poema A arte de ser feliz ( disponível na internet  )


[...] Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes   encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro.

     [...] Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.

    [...] As vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar,   cumprindo seu destino. Eu me sinto completamente feliz.

    [...] Mas quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e, outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar para poder vê-las.

          

Queridos, estou certa de que vocês conseguem vê-las, e até muito mais, sentindo-se completamente felizes,  pois, segundo Milan Kundera, em seu belíssimo livro, "A festa da insignificância", coisas, aparentemente insignificantes, devem ser festejadas.


Abraços.

1 de agosto de 2015

A artista plástica FLÁVIA TAIANO e suas meninas


Inspirada no livro, Sobre Lagartas e Borboletas, a artista plástica Flávia Taiano fará a sua exposição no Centro Cultural Abrigo de Bondes, Niterói/RJ no dia 16 de setembro.











Curadoria: Teca Nicolau