CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

30 de junho de 2012

Infâmia


Infâmia: Ana Maria Machado

Oi Grupo.
  
Para a próxima votação gostaria de sugerir "Infâmia", de Ana Maria Machado. É um livro bastante interessante. Como o próprio título sugere, a autora aborda uma característica comum ao homem: a calúnia, a difamação, o ato de distorcer palavras ou ações de terceiros pelas razões mais diversas possíveis (obter atenção, sentir-se dono da razão, ou em casos mais graves, obter algum favorecimento em forma de poder, projeção social, bens materiais, etc. Existem inúmeros casos, que vão dos mais inocentes à pura maldade).

Acredito que o tema dê margem a boas discussões, visto que sua abordagem é ampla. A história da humanidade é rica em casos infames que antecedem os tempos bíblicos. A política é abundante em escândalos deste gênero. E não só homens públicos, mas cidadãos comuns, independente da classe econômica e nível cultural, ou seja, nós, podemos ser testemunhas, vítimas ou autores de ações levianas e julgamentos apressados de terceiros.

Ana Maria Machado é inteligente, crítica, atuante, ponderada e apresenta ao leitor muito mais que a argumentação moral. Ela estimula a reflexão, a deixar o mundo da ficção, a cegueira, e enxergar a realidade (“ser capaz de não me excluir do real ao ser intruso no fictício”).

            "Gosto muito de ser intruso assim. Junto a cada um. Com suas razões próprias. Uma oportunidade de tentar entender melhor a natureza humana. Sempre gostei.

            Como posso ter me perdido tanto, ao ponto de não ter conseguido fazer isso com minha filha? Só porque não era um personagem feito de palavras?"

O livro apresenta ainda mais. Ao longo da narrativa a autora brinda o leitor com arte na forma de música, pintura, escultura e principalmente literatura. Muita literatura, com belíssimas citações, que estimulam nossa curiosidade e nos fazem aprender mais sobre o mundo, o Brasil e, em particular, a cidade do Rio de Janeiro e sua cultura.

Infâmia é um livro atual, popular, intelectual, brasileiríssimo. Uma leitura que faz diferença. Além disso, o tema e estilo fogem do que  temos lido e dos livros que estão na lista de leitura. Acho que seria bem legal lê-lo com o Grupo. Como eu havia comentado no último mês, há tempos estou curiosa para ler este livro, mas com a regra do revezamento valendo, só agora pude sugerir sua leitura. Deixo aqui a sugestão, torcendo para que mais gente se interesse e assim, quem sabe, possamos ler juntos em Novembro.


PS: Depois de “Infâmia” eu sugeriria “Cabine Individual”, da escritora Gracinda Rosa. É um livro gostoso de ler e acredito que gere uma discussão gostosa.  


Sobre a autora:

A carioca Ana Maria começou como pintora e estudou no Museu de Arte Moderna. Participou de várias exposições, enquanto estudava Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde se formou. Ela desistiu da carreira de pintora e passou a dar aulas, além de escrever e traduzir artigos para jornais e revistas.

Ativista política, foi presa e perseguida durante a ditadura militar. Em 1969, partiu para o exílio na Europa. Lá, trabalhou na revista Elle, na BBC de Londres, lecionou na Sorbonne de Paris, onde conclui sua tese de mestrado sob a orientação do mestre Roland Barthes. Voltou ao Brasil em 1972 e trabalhou no Jornal do Brasil e, durante sete anos, foi chefe de reportagem da Rádio JB.

Em 1980, Ana Maria deixou o jornalismo para se dedicar exclusivamente aos livros.”

“A escritora recebeu alguns dos mais importantes prêmios da literatura, como o "Jabuti", em 1978; o "Casa de las Americas", em 1981; e, no ano 2000, o prêmio "Hans Christian Andersen", considerado o Nobel da literatura infantil.” Em 2001, recebeu o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto da obra.
“Desde 2003, ela pertence à Academia Brasileira de Letras, tornando-se primeira imortal eleita com uma significativa obra dedicada ao público infanto-juvenil.” Em 2012 tornou-se presidenta da Academia.




Trechos da fala de Ana Maria Machado em entrevista a Conexão Roberto D'avila:

"Infâmia é uma palavra bem forte porque é uma realidade bem forte."

"[...] prejudicar na fama, no nome , no renome, naquilo que a pessoa tem de mais precioso, que é onde ela se identifica. A Infâmia ataca de maneira covarde pela calunia, certamente neste tipo de território sagrado de cada um, da alma de cada um."

"[...] a facilidade com que alguém cria uma série de coisas parecendo que é documento e na verdade não é, só para prejudicar alguém, para avançar seus próprios interesses, isso é um traço da nossa política e da nossa história que a gente tem que olhar com muita atenção [...] nós temos sistematicamente em períodos pré-eleitorais, [...] Isso é uma coisa infame. É um traço doente."

"[...] e eu acho que existe outra coisa também, que eu também abordo no livro, que é a infâmia individual, a fofoca dirigida contra alguém pela maldade ou casos específicos por interesse."




29 de junho de 2012

Hot debate: Escatombe

            
Carlos Rosa Moreira
            Ângela terminou comigo. Me arrasou. Caminho sem eira nem beira por essa calçada escura, circundando a praça cujas grades me parecem lúgubres e ameaçadoras, claro aviso de perigo. Cá estou ao léu, sujeito aos perigos que a grade mostra que a cidade tem. Pelo menos assim me parece. Deve ser porque estou perdido, uma alma perdida.
            Eu morava com Ângela. Ela gostou de mim e me cedeu um espaço de seu pequeno apartamento no centro. Sou do interior, pouco sabia do Rio, mas conheci Ângela na faculdade e acabamos juntos. Ângela gostou de mim, mas não precisa de mim, é independente e forte. Tudo corria tão bem... Ela soube que eu havia comido a Margarete. Alguém de olhar enviesado contou a ela. Foi uma discussão sem tamanho. No fim, descabelada de tanto falar, ela me mandou sair. Em plena noite do Rio. Um rapaz do interior, com o coração prestes a explodir, sem dinheiro, andando pelo centro do Rio... Acho até que foi má, poderia ter esperado o dia seguinte.
            Vou andando sem direção ao longo dessas grades que parecem não ter fim. Numa pequena praça ao lado, um mendigo enraba outro. O enrabado está de quatro, com a cabeça apoiada num monumento; os movimentos do seu colega empurram seu corpo para frente e, de vez em quando, ele passa a mão na testa que bate contra o monumento. O que está enrabando faz movimentos ligeiros. Olhando de longe, parece uma trepada de macacos que vi num filme sobre a natureza. O comedor movimenta-se rápido, vira a cabeça de um lado para outro e continua frenético na enrabação. Eu vou andando. Há um cheiro ruim no ar, odores de fezes e de urina. Atravesso a rua. Passam alguns carros, a maioria táxis e um ou outro ônibus. Existem poucas pessoas na noite. Alguns retardatários retornam para casa após o trabalho, são pessoas diurnas, comuns, que passam atentas e apressadas; os seres noturnos são identificados porque perambulam feito predadores, vão mas voltam, esperam... Me preocupo com a  mochila velha com minhas coisas, são meus únicos bens. Ângela não precisava ter feito isso, eu não sou daqui, não conheço nada direito... Toco em frente. Próximo à Glória, um grupo de travestis alegra a calçada. Tem um alto, muito branco, cabeleira negra, pernudo, bocão pintado, parece-se com uma atriz da televisão. Veste um capotão escuro que abre para cada carro que passa, exibindo a calcinha minúscula e os seios duros. Mais adiante, um carro bacana está parado junto ao meio-fio. Um homem de cabelos pintados está em pé ao lado da janela do motorista. Tem o pau para fora, um pau enorme que brota da bermuda arrochada e adentra a janela do motorista. Eles conversam e o motorista sorri e alisa o pau. Numa esquina, a viatura policial me dá alívio. Há algo de sossegador no ar, dado pela presença da polícia e pela luz de um carrinho de cachorro-quente. Lá atrás o sinal abriu; carros passam no rumo sul. Eu também vou indo, adentrando a noite, seguindo no escuro. Adiante parece haver somente a noite. Deixo para trás o que penso ser a última vida: um travesti muito louro, encarapitado sobre uma lata de lixo. Usa um biquíni de lantejoulas azuis e faz meneios, caras e bocas sobre a lata de lixo. Aquilo me encheu de tristeza. Pobre dama da noite, pobre Marylin. Devia ter mexido com ela, devia tê-la chamado de Marylin. A tristeza do que é Marylin soma-se à minha, e a minha são duas: a de ter perdido Ângela e a de ser um coitado na noite do Rio. Penso no interior, no cheiro noturno que desce das matas para a cidade, um cheiro fresco de orvalho. Nessa noite do Rio, o cheiro é de poeira preta de asfalto misturada às fezes de gente e de bicho. Não há ninguém onde estou. Atravesso uma praça áspera, sem árvores, iluminada. Não sei se tenho mais medo da luz ou do escuro. A luz mostra a solidão em que me encontro; no escuro, pelo menos, há alguma expectativa, nem que seja de encontrar a luz! Vou andando e passo em frente ao hotel onde comi Margarete. Penso naquele momento, no corpo bonito de Margarete, nos seus gemidos. De repente, o rosto de Ângela aparece. Ângela é magrinha, nervosinha, mas é dela que eu gosto. Dá vontade de chorar quando penso que pode arrumar outro.
            Tem uma mendiga em pé dentro de um jardinzinho na calçada. Está fazendo cocô sem ter tirado a saia molambenta. O cocô desce meio mole pelas pernas ou cai em pelotas sobre a grama do jardinzinho. Fiquei com um nojo danado. Pobre mendiga. Pobre mulher. Na minha opinião deveria ser lei: “Não negarás ao semelhante a possibilidade de conhecer as coisas mais finas e bonitas; todo ser humano terá direito de viver a vida com as lindezas que a vida tem; a toda pessoa será oferecida a oportunidade de livrar-se do embrutecimento, pois a vida é só agora, quem não viveu, não tem mais”.
            Tadinha... Podia estar limpinha, vaidosa, com as unhas pintadas, cheia de sonhos e desejos, mas tá aí, fazendo cocô... Será que algum dia ela fez cocô numa privada, dentro de um banheiro bonito como aquele do hotel onde comi Margarete? Tomara que tenha feito, meu Deus, tomara! Sou um simplório, estou muito sensível e me vem lágrimas por causa daquele ser humano, aquela irmã transformada em zumbi. Será que nunca a vi? O que faz a perda de um amor...
            Atinjo luzes e me sinto bem com o movimento da rua. Vou olhando, pois é bom ver se há algum canto para dormir; uma marquise, um banco de praça... Lá na frente é o Catete. Catete de Rubem Braga. Eu não conheço nada aqui, só sei do Rubem Braga e do que ele escreveu sobre o Catete. Paro numa esquina, estou perdido, quero Ângela. Me dá um desespero danado imaginar que estou aqui no Catete! A polícia prende um moleque. É um pretinho miúdo e magrelo. O policial dá-lhe uns safanões e planta a mão que estala no coquinho crespo. O moleque sai aos trambolhões e cai aos pés de uma pilastra. Há uma debandada nervosa de pequenos seres escuros, magros e ligeiros, que se acalmam quando se põem a segura distância. O camburão parte, atingindo a noite com a sirene perturbadora. Meninos e meninas voltam a se agrupar como se fossem um cardume após a partida do predador. Começo a ter um pensamento positivo; começo a pensar em Margarete. Foi bom comer Margarete. Ela mora em Copacabana, e eu aqui, durango kid no Largo do Machado. Vou para Copacabana. Margarete só tem celular e não me lembro do número. O jeito é ir andando, ver o que pode dar. E vou andando, varando ruas, túneis, me borrando na noite do Rio de Janeiro.
            Uma vez, vi um filme sobre o fundo do mar à noite. Todo mundo devora todo mundo. Muitas criaturinhas lindas, coloridas, aparentemente pacíficas, são predadores vorazes que, por sua vez, tornam-se presas de outros predadores. O Rio à noite parece com o fundo do mar que vi no filme. Se essa comparação é certa, eu deveria estar num grupo como os peixes num cardume. É assim que os fracos se protegem, escorando-se uns aos outros e cada um rezando para não ser o primeiro. Ainda bem que eu penso. E tenho em que pensar e o que comparar.
            Acabei de chegar a Copacabana. O edifício de Margarete é bem no começo. Tomara que ela queira, tomara que pinte. Vai ser bom demais... Tomara, tomara...
            Toco o interfone. O coração soca meu peito.
            ‒ Er... Oi, sou eu, desculpe chegar assim... Quis telefonar, mas não deu, estava passando... Sei que posso ter chegado em má hora...
            ‒ Sobe.
            ‒ Posso?
            ‒ Vem.

On Chesil Beach


"To her relief, he caught the prompt and resorted to the familiar form of stupidity. He said solemnly, 'You have a lovely face and a beautiful nature, and sexy elbows and ankles, and a clavicle, a putamen and a vibrato all men must adore, but you belong entirely to me and I am very glad and proud'."


Na Praia

Tabu, tradição
a criação, educação rígidas
não assistem à obra do vento
nunca veem os salgueiros fazerem reverências
e erguerem-se novamente
faceiros e belos como antes.

Jovens levam nos bolsos
o medo de falhar
de perder o conceito
de fragmentar-se
de não corresponder ao espelho
(imagem que o outro tem de si)

Por dentro
conflitos inteiros
sentimentos confusos
sonhos e voz trancados
e nenhuma porta entreaberta
a salvar o amor.
Vergonha de admitir
o que não se sabe
o que se pensa
o que se gosta.

Simples verdades salvariam
mil corpos da dor.

(Rita Magnano)


27 de junho de 2012

Club Moon






Do we really need the Moon?
I do think it's controverse...
but for me, just keeping tuned,
she is the night queen of my verse.

(I, 20/06/2012)

Créditos de imagen: NASA/JPL-Caltech

"A Voyager 1, a sonda que foi enviada ao espaço pela Nasa em 1977, tornou-se recentemente o primeiro objeto construído pelo homem a alcançar a fronteira do sistema solar. A Agência Espacial Norte-Americana anunciou que segue recebendo dados da sonda e confirmou um aumento do recebimento de partículas carregadas, provenientes de fora do sistema solar. É possível que em um futuro próximo, a sonda comece a testemunhar mudanças nas forças magnéticas e gravitacionais.

Esta nave robô é o objeto mais distante da Terra e encontra-se atualmente a 18 bilhões de quilômetros do Sol, viajando a uma velocidade de 17 quilômetros por segundo. A informação enviada por ela leva 16 horas para chegar até as antenas receptoras na Terra. A Voyager 1 leva no seu interior uma mensagem de humanidade escrita por Carl Sagan, destinada a uma cultura extraterrestre que possa decodificá-la." (Grupo Astronomia - Facebook)



26 de junho de 2012

Clube da Felicidade




A menina sorria com as flores
abertas a oferecer 
a beleza do que é.
Cresceu como as árvores,
em sólido solo de gente.
Já grande, encontrou seu amor
mas nunca pensou em ver
seu sorriso negativado.

Fotografou então a alegria pela vida
por letras de tantas palavras bonitas
que soube juntar no papel,
até que as palavras quiseram voar como ela
saindo da boca qual pássaros
a espalhar bem querer em sementes 

E ela precisou de toda coragem
para reconstruir a casa que ruiu
e erguer ainda outros novos pilares
de aprender e fazer com prazer

A moça voltou a sorrir
e hoje faz a alegria de muitos
em versos e prosas do bem existir.

(Rita Magnago)



25 de junho de 2012

Urgências, Carências e Permanências


Ilnéa País de Miranda

Sob a marquise de uma revendedora de pneus na esquina movimentada, uma família ainda dorme em sua “casa”. Alguém lhes deixou até um carrinho de bebê junto aos restos de comida esquecidos nos pratos descartáveis. A cidade, que de há muito já acordou, vai ao encontro de seus afazeres como pode. E, como pode, procura não tomar conhecimento da cena. Se possível, melhor nem sentir o cheiro.Quem são essas pessoas? Quem as exclui? A quem interessa mantê-las excluídas? E quem, realmente, se interessa por elas?

Urgências exigem medidas rápidas e eficientes. Carências precisam ser remediadas. Secas ou enchentes, prédios que desabam por incompetência ou cupidez dos (ir)responsáveis, e as conseqüências de tudo isso exigem atitudes direcionadas e imediatas. Então, que se tomem tais atitudes de emergência. 

Mas por que manter a ditadura de uma custódia que impede pessoas de se tornarem cidadãs orgulhosas de si mesmas e de sua capacidade de competir por trabalho, por uma vida digna por seus próprios méritos? Por que impedir que se reconheçam como iguais? Essa caridade dúbia mantêm-nas exatamente onde estão; pior que isto, reafirma que aquilo é o que são:- sem terra, sem teto, sem pátria, sem direitos.

Ajudar o próximo será tão somente alimentar quem tem fome? e dar um cobertor para cobrir do frio ainda que a temperatura ambiente seja, com freqüência, neste nosso país tropical, mais amena que a postura alienada de muitos, e menos perversa que o desconhecimento das reais necessidades daqueles que são “carinhosamente” chamados “irmãos”? Já estão alimentados? Pois que fiquem onde estão esperando pelo próximo caridoso prato. Não faz frio? Pois que usem o cobertor para cobrir a vergonha que não deve ficar exposta e da qual poucos se dão conta: a vergonha que com certeza sentem da impossibilidade de cuidar de si mesmos e de suas famílias.

Carregar no colo quem não pode andar, dar suporte a quem precisa, mostrar o caminho a quem o desconhece, tudo isso é absolutamente legítimo. Mas não se pode impunemente impedir alguém de caminhar sozinho. Isso é no mínimo retardar o crescimento: é manter na ignorância a potencialidade ou até a genialidade. 

Humilhados por uma ajuda humanitária discutível, ofendidos por uma bondade mal fundamentada, que adormeçam sob o cobertor, enquanto, em nome da caridade se lhes rouba o direito à cidadania, acobertados pelo cruel e imoral eufemismo do “anonimato.” e da necessidade.


(Ilnéa é escritora e participante do nosso clube de leitura Icaraí desde Outubro de 2008. Seu livro "Eu Menina Toda Prosa... e alguma Poesia" será tema do debate no clube em Setembro de 2012. Enquanto Setembro não vem, nossos leitores podem degustar um pouco de sua prosa.)


22 de junho de 2012

Open Letter to an anonymous reader of Ulysses


"Could you read the part where Stephen envisions life outside Dublin, again?"

Hi Dude,

I'm happy to receive your opinion and sum up of the book. As a woman I feel flattered by discovering this side of James Joyce. One of our friends, who managed to read the whole book - so far I have not - said the last 55 pages show a woman speaking on and on as if she was a modern-day woman. There are no significant differences on speech, even though the book was written 90 years ago. This friend did not point out that Bloom´s wife betrayed him and, besides not suffering revenge or punishment due to that fact, she was asked to marry him again. Beautiful, pure, truly an example of how we can achieve a better world by accepting each other´s faults, at least in our own houses.

Thank you for participating,
Best wishes,

Rita Magnago

12 de junho de 2012

O delírio do verbo


Diz Manoel de Barros que “O delírio do verbo estava no começo, lá, Onde a criança diz: / eu escuto a cor dos passarinhos.” O Verbo delira porque a criança muda o sentido do verbo. “A criança não sabe que o verbo escutar não / Funciona para cor, mas para som.” Criança tem disso, às vezes cria poesia na confusão dos sentidos que ainda não é capaz de distinguir e no seu olhar de ver ainda um mundo encantado. Aí aparece um adulto sabichão e lhe diz: “Não, pequenino (ou pequenina), está errado, o certo é vejo a cor dos passarinhos”, banalizando a frase e matando a poesia. É mais ou menos parecido com a queixa do poeta no “Livro das Ignorãnças”:

“O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa  / era a imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás de casa. / Passou um homem depois e disse: Essa volta / que o rio faz por trás de sua casa se chama / enseada. / Não era mais a imagem de uma cobra de vidro / que fazia uma volta / atrás de casa. / Era uma enseada. / Acho que o nome empobreceu a imagem.”

O ofício do poeta, isto creio eu, impulsiona-o a buscar na palavra o significado para além do senso comum. “ O sentido normal das palavras não faz bem ao poema. Nomear algo com o óbvio nome a que é identificado mata a magia da imagem poética ou o modo de ver o mundo para além da realidade mesma das coisas. Porque não pode a criança dizer que “o passarinho bebe o ar para poder voar”, como dia desses ouvi da boca de um pequenino? Um dia essa criança há de descobrir que ar não se bebe e que passarinho voa por outros motivos, mas devíamos ajudá-la a preservar este modo poético de ver com outros olhos e com outros sentidos o voo dos pássaros.  Que ela entenda o motivo científico para o voo, mas sem perder a ternura poética do olhar, jamais. E isto serve para outras quaisquer realidades.

Mas por que falo de crianças, palavras e principalmente poesia se não sou poeta? Porque quando criança eu roubava os cadernos da minha irmã mais velha. Mas creiam-me, era por amor à palavra. Eu os roubava porque queria passar folha por folha para ver as linhas escritas e me enamorar daquelas palavras desenhados pela mão da minha irmã. Eu sabia que naquelas linhas certinhas, as palavras que formavam aqueles textos queriam dizer alguma coisa. Imaginava que histórias podiam conter ali, e desejava ardentemente aprender a ler e a escrever. Um dia uma idéia me veio à cabeça. Nem desconfiava de que seria uma idéia perigosa, capaz de despertar os instintos mais primitivos da minha irmã e colocar em risco minha integridade física. No verso das folhas que só tinham a frente escrita, seguindo as sombras das letras, eu desenhava uma a uma cada palavra, cada frase, o texto inteiro. Escrevia antes de aprender a escrever, mas não imaginava que escrevia ao contrário, invertendo as palavras, as frases o texto todo. Desdizendo o que estava dito, desescrevendo o que estava escrito. Fazia isto imaginando que escrevia mesmo, e inventava mil histórias escritas ao contrário. Essa paixão primitiva pela palavra (eu devia contar nove ou dez anos de idade) deve ter sido a causa do meu aprendizado da palavra fora da escola. Quando finalmente ingressei no espaço formal do aprendizado eu já tinha quase doze anos. Já sabia ler e escrever como nenhum outro alfabetizado. Mas aconteceu algo ruim, a escola acabou sendo o espaço do sepultamento desse amor a palavra, da liberdade de imaginar o que elas podem dizer, ou desdizer, e da vontade de ser um contador de histórias, de inventar mil aventuras nas linhas retas do caderno. Na escola, a palavra havia se tornado coisa séria demais e já não era mais permitido delirar o verbo e brincar com as palavras, porque a senhora gramática não permitia tal coisa. A gramática tem seu valor e deve ser ensinada, mas não se pode engessar a criança no formalismo da língua. Imagino quantos poetas e contadores de histórias não são assassinados já na infância, ao entrar para a escola. A escola precisa dar essa liberdade à criança, a de delirar o verbo e continuar a ver o mundo colorido da palavra com o olhar do poeta, que consegue ver o que ninguém vê, como bem dito por Ulisses Tavares: “Olha de novo: não existem brancos, não existem amarelos, não existem negros: somos todos arco-íris.”

Agora, mais de duas décadas passadas, o Clube de Leitura Icaraí me despertou novamente o prazer da palavra, não somente como leitor. Tenho pouco a pouco procurado o caminho de volta ao começo, para ser criança novamente e reaprender a delirar os verbos.  

Um grande abraço,
Antonio R

7 de junho de 2012

Debate: Escolha dos Livros no CLIc



No debate realizado em Maio de 2012, a sessão plenária do clube de leitura decidiu alternar a nacionalidade de autores dos livros a serem escolhidos entre brasileiros e estrangeiros. Com o intuito de esclarecer ao máximo a questão, passamos a veicular as opiniões dos protagonistas e interessados nesta discussão:


Achei a ideia interessante e tb, não custa experimentar.
Sugiro que em vez de autor nacional, seriam autores de lingua portuguesa, pois ampliaria nossos conhecimentos desta vasta faixa de paises co-irmãos nas origens.

Ceci

* * *

Também acho interessante mergulhar mais a fundo em nossa literatura, desde que nesta dinâmica cíclica, sem fechar também espaço para grandes obras de fora, mas eu tenho em mim também essa curiosidade em saber mais sobre nossos autores e ver suas obras discutidas em nosso excelente grupo, e como foi  o que venceu, acho que, bem mais do que nacionalismo, foi isso que mobilizou a maioria - a simples curiosidade nessa estética/forma de escrever de alguns autores brasileiros, que não passaram por tradução e que, assim, além da estória/conteúdo, tenham uma forma interessante para ser conhecida melhor... pelo menos falo por mim, eu tenho essa curiosidade.

Fernando

* * *

Já que esse debate foi, de certa forma, reaberto, ao introduzir-se a dúvida "Só brasileiros X Autores de Língua Portuguesa", coloco à consideração dos prezados amigos o seguinte:

  1. Creio que a (boa) ideia de lermos periodicamente autores nacionais deve-se ao interesse de não descuidarmos do conhecimento e de debatermos sobre a literatura brasileira, que trataria de nossa realidade com mais precisão - o que constatamos na bela leitura recente de Lima Barreto. Essa foi a intenção, acredito. Então, nesse caso, não tem nada a ver misturar os excelentes autores portugueses, moçambicanos, etc, nesse rol, pois, por melhores que sejam, não atendem a esse objetivo de conhecermos a nossa própria expressão escrita sobre a nossa realidade, ou a percepção brasileira sobre a nossa e outras realidades.
  2. Dito isso, creio que os demais autores de língua portuguesa ainda se inserem entre os estrangeiros, de ponto de vista de seus pontos de vista sobre o mundo e as pessoas, por mais que tenhamos a afinidade da língua.
  3. Mas, contudo, porém, todavia... creio que a "estatização" (eu diria "nacionalização") foi exagerada. 50/50 me parece um índice bem alto. Penso que 1/3 (pré-fixados) estaria de bom tamanho. Em um ano, leríamos pelo menos 4 autores brasileiros. Nos outros 8 estariam para votação os de todos os outros países, inclusive os de língua portuguesa.

Só estou submetendo essas sugestões por conta de perceber que ainda há uma ânsia em aprimorar o espírito do que foi votado na última assembleia... digo, reunião.

Newton

* * *

Por que será que o Cinema Nacional criou leis de proteção , exigência de um percentual de filmes brasileiros para  exibição?

Será que  as mídias protegem alguns grupos e autores?  Haverá corporativismos?

Elô

* * *

Oi Elô, Fátima, Elenir... todo o grupo!

Elô, a "proteção" ao cinema nacional - que atualmente nem sei se existe - se justifica, em minha opinião, porque se trata de uma guerra comercial onde a "concorrência" é nada mais nada menos do que a poderosa indústria cinematográfica americana. É um "rolo compressor" e, penso, nenhum setor econômico nacional deveria ser submetido a tal massacre, pois isso tira qualquer chance de crescimento. Como criar e produzir se não haverá salas para exibição? Como sobreviver se seu produto não consegue ser vendido? Repare que esse rolo compressor, nos filmes, não se implanta pela qualidade, mas sobretudo pela força do dinheiro. Há qualidade, por certo, no cinema americano, mas o aspecto massacrante não fica por conta de um Woody Allen e de outros grandes cineastas, mas sim dos filminhos bem banais, violentos, babaquaras, que nada acrescentam em termos culturais (ou, pior, acrescentam a ideologia da banalização da morte, da violência vazia ou de super-heróis salvadores do mundo, oh, grandes e indispensáveis americanos! o que seria de nós sem eles!).

O caso da Literatura nacional é um pouco diferente, ainda mais no nosso âmbito do CLIc. É certo que, ao entrarmos numa grande livraria, como a Saraiva por exemplo, vemos nas vitrines, gôndolas, ilhas e prateleiras que, dos expostos em destaque, 99% são "best sellers" americanos e alguns europeus. Os livros nacionais expostos, em 101% dos casos, não integram a chamada Literatura Brasileira, nem antiga nem recente. Os poucos nacionais expostos são biografias, ou livros de História, ou livros religiosos... Ficção nacional, romances, contos... raros! E poesia brasileira, já foi tempo, não mais!

Ainda assim, pelo menos as editoras ainda publicam os brasileiros. Resta saber se essa falta de exposição nas livrarias permitirá que continuem a fazê-lo, já que editoras precisam vender os livros que editam. E vender sem expor o produto é praticamente impossível.

Uma das inúmeras vantagens de se fazer parte de um Clube de Leitura como o CLIc é justamente a indicação dos livros a serem lidos. Alguns ou vários desses livros lidos talvez muitos de nós ignorasse, senão a existência, pelo menos a qualidade convidativa à leitura. Muitos são livros que estão "escondidos" nas livrarias. Como teríamos acesso a eles sem o Clube? Como conheceríamos novos autores? Quem nos indicaria a leitura? Um parente? Um vizinho? Isso poderia acontecer numa escala mínima. Em geral ficaríamos à mercê de críticas de jornal (cada vez mais raras ou direcionadas) ou da propaganda das editoras, também questionáveis.

Enfim, estaríamos como os demais leitores, navegando quase aflitos pelas livrarias que "nos apresentam" produtos que nem sempre nos interessam de verdade.

Penso que, num grupo qualificado como o CLIc, essa "obrigatoriedade" de revezamento autor nacional X autor estrangeiro não é tão fundamental, dado que sempre teremos pessoas informadas e sensíveis a nos indicar excelentes livros brasileiros, argumentando com competência para nos convencer o voto. Mas entendo a boa intenção da proposta, que nos "obriga" a vasculhar os nacionais tão "escondidos" pelas livrarias, esquecidos pela mídia, enfim, nos coloca na trincheira de uma luta justa pelo que é nosso e mereceria ser muito mais exposto e propagado pelos agentes culturais e mídia em geral.

Enfim, de uma forma ou de outra, fazer parte do CLIc é muito bom!

Abs,

Newton

* * *

Prezado Concièrge,

Sim, o que eu apoio, e a Ceci também e Dília, assim entendi, é que disputem juntos os escritores de língua portuguesa, mas confesso que apoio mais isso porque acho a proporção 1/1 demasiada. Se, como Newton falou, a proporção fosse de 1/3, aí pra mim estaria bom que na vez do 1 fossem só os brasileiros.

Obrigada pela atenção,

Rita

* * *

Tendo em vista, as opiniões divergentes no nosso grupo, quanto à escolha dos livros nacionais e estrangeiros, alternadamente, ou independente da língua, sem imposição de regras, gostaria de transcrever a reflexão de Italo Calvino, no discurso que proferiu na Universidade de Harvard, ao iniciar o ciclo de seis palestras no ano letivo de 1985-86 para as quais foi convidado, decidindo-se pelo tema: "alguns valores literários que mereciam ser preservados no curso do próximo milênio":

"Minhas reflexões sempre me levaram a considerar a literatura como universal, sem distinções de língua e caráter nacional, e a considerar o passado em função do futuro; assim farei também nessas aulas. Não saberia agir de outra forma."
Abraços.

Elenir

* * *

Mundo, mundo, vasto mundo... literário.
1. autores de outros idiomas
2..autores de língua portuguesa
3.nacionais.
Não tive intenção de que fosse um brasileiro alternado com um de língua estrangeira simplesmente. Por isso, pensei em 1 terço. Deixaria mesmo espaço para os autores de cultura afro e portuguesa, Brasil, e outros idiomas. Mas sei que sendo um bom livro,de qualquer idioma, será  uma delícia.

Elenir, gostei de ter expressado assim seu pensamento, embora discuta certos pontos do Clube. Não queremos discriminações, mas sim oportunidades para a dita  Lit Brasileira.

Bjs , amada!

Elô

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Caríssima Elô,

Deixemos que as oportunidades surjam naturalmente. Quando um de nós ler um livro de autor nacional que nos impactou e  nos deixou com vontade de ler outros da mesma autoria, certamente iremos sugeri-lo e será o escolhido. Aconteceu com os de Lima Barreto, Graciliano Ramos, Carlos Rosa, Machado de Assis, Caio Abreu, Gracinda Rosa, Dalcídio Jurandir e tantos outros. Tudo vai dar certo. A literatura merece.

 Sedutora e fascinante,
 ela chegou pra ficar.
 Palavra, meu par constante
 que me ajuda a caminhar.

Beijos.
Elenir

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Olá Elenir,

concordo muito com o seu pensamento e a reflexão de Calvino está perfeita. Que diferença faz se um bom livro faz bater mais rápido o nosso coração; se podemos escutar os sons, apalpar o mundo e celebrar a vida? Afinal, nosso objetivo é procurar, ler e discutir um bom livro, seja nacional ou estrangeiro, sem imposição de regras...
1 abraço,

Norma

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Olá, meninas Elenir, Norma e grupo!

Desculpem por querer argumentar, mas não concordo que a observação do Calvino seja suficiente para pensar que o livro em si nos basta e nem acho que esta observação derruba/desmerece/desconsidera/ ou mesmo põe um ponto final à discussão sobre a importância da leitura de obras clássicas e dos autores nacionais.

Não que eu ache que basta "qualquer" autor nacional, mas quando pego um livro, mesmo concordando que a literatura é universal, eu me interesso e procuro saber o que há para além dele: o autor, a sua história, a sua nacionalidade, a história que ele tem ou não com o seu país, a originalidade e a forma como escreve, o texto, a narrativa, enfim, não acho que Calvino descartou tudo isso quando disse que a literatura é universal.

O próprio Calvino escreveu um livro imperdível que é "Por que Ler os Clássicos", que nos convida a refletir sobre as diversas facetas de um clássico e depois o próprio autor nos apresenta os seus próprios clássicos. Este livro é um clássico que todo leitor que crê ser a literatura universal deveria ler. Foi um livro que me ajudou a ser cada vez mais seletiva, pois afinal, nós não temos tempo de ler tudo que deveríamos e gostaríamos nem neste e nem no próximo milênio.

Beijinhos e viva a literatura da língua portuguesa!

Lilian

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Elenir: Parabéns pela delicada, mas corajosa informação que não é só do Calvino! É sua e também de muitos amigos! A literatura brasileira é ÚNICA, eu pelo menos adoro! Mas, às vezes, nós ficamos tão identificados com o mundo que conhecemos ou que ouvimos falar desde criança, que cansa!! E gosto da antropofagia!!!!!! Temos que misturar todas as culturas. A forma de pensar de outros lugares é uma viagem, tal como arrumamos as malas para irmos além das fronteiras do nosso mundo, meio conhecido. Mesmo assim, aqui ninguém nega a ESTÉTICA E ESTILO da nossa literatura brasileira!!!!!!!!!!!!!  Se eu pudesse e suportasse as dores leria todos os dias: Clarisse, Adélia, G. Rosa, Nélson R., M. de Assis, Manuel de Barros, e outras dezenas. Aliás, aqui que falam de coisas tão estrangeiras, não é?? Como disse bem a Norma, direito a votação, pois estamos em grupo e brindarmos a vida!!!! O QUE DEVEMOS FICAR EXTREMAMENTE PREOCUPADOS É COM A QUALIDADE DO ARTISTA, ou melhor, com a qualidade do livro em questão!!!!! Mas mesmo assim, como podemos influir os outros, naquilo que achamos estético????? Teríamos que fazer um curso de Literatura, no mínimo, um mestrado. ESSE NÃO É O OBJETIVO DO GRUPO, PENSO EU, MAS NÃO ESTOU AQUI PARA BRIGAR POR NADA!!!!!!!!!!!!  O Benito, querido, mostrou para mim, em poucas palavras, se eu  conhecesse mais a literatura para escrever um romance que o Benites também comentou a beleza, eu talvez gostasse mais do livro. MAS NÃO SENDO DA ÁREA, FICA MAIS DIFÍCIL. No entanto, vou reler, pois acredito em quem fez um doutorado em literatura, e conhece mesmo!!!!!!!!!!

Bom feriado, saudades e beijos a todos. Especial abraço para as corajosas: Elenir, Rita, Norma, e outras que pensam, mas deixam para falar na reunião.

Fátima

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Caros CLIc-leitores,
Por falar em universalidade da literatura, eu tenho esperanças de que a nossa literatura entre numa nova era. Há um crescente interesse pela literatura brasileira e muitas coisas estão acontecendo. Machado de Assis entrou no último mês de maio para a lista de clássicos no Japão, com a tradução de seu "Brás Cubas". O Brasil será o país homenageado ano que vem na famosa Feira de Frankfurt, e até 2020 o Brasil investirá 12 milhões num programa de traduções da literatura brasileira, da FBN, e que tem como propósito divulgar nossa literatura no exterior. O Itaú Cultural já havia criado em 2007 o Conexões Itaú Cultural, um programa ambicioso para fazer o "Mapeamento da Literatura Brasileira" no mundo [veja aba INFO deste blog]... E já foi inclusive realizada uma grande pesquisa com resultados muito interessantes.


É pouco ainda, mas já há algum movimento...

Antonio R

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Oi Grupo,
Vamos refazer a votação sobre a obrigatoriedade de revezamento de livros nacionais e estrangeiros? Achei que a votação da reunião foi desorganizada, confusa, feita às pressas nos últimos minutinhos, quando o pessoal já estava se levantando, pronto para ir embora. A nova votação poderia ser feita aqui, por email, ou na próxima reunião... Se a decisão se confirmar, tudo bem, mas tenho dúvidas quanto à legitimidade do resultado de maio.  
Ao meu ver a obrigatoriedade da adoção de autores brasileiros é desnecessária e foge o conceito de liberdade de escolha, que sempre vi no grupo. Penso ser  mais adequado a grupos de estudo direcionados à literatura brasileira, o que não é o caso.  Não se trata de não querer ler nossos autores, ao contrário, mas é bom ter a liberdade de decidir quando fazê-lo.  Eu mesma estou  há tempos super curiosa para ler "Infâmia", da atualíssima Ana Maria Machado. Mas com a regra do revezamento valendo, não posso sugerir a leitura neste mês, só no seguinte! A regra até nos impede de ler dois brasileiros em seguida, se for o desejo da maioria.
Sempre lemos autores brasileiros e quando não lemos é porque a maioria opta por algo diferente. Isso é legítimo e enriquecedor. Como a citação do Calvino que a Elenir trouxe diz, a Literatura é universal.  Legal nos aproximarmos de nossa cultura, mas também é legal viajar e conhecer as diferentes culturas existentes no planeta em que vivemos.  Acho que a preocupação deve ser quanto a boas sugestões de leitura.
Meu voto é pela liberdade de escolha e voto em "Infâmia", de Ana Maria Machado.

Cintia

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Cintia, querida, tudo bem?

Acho muitíssimo apropriada sua colocação e também voto por tirar os grilhões do grupo. Que o grupo possa, como sempre, votar dentre os sugeridos, podendo até optar pela leitura de livros nacionais por 12 meses consecutivos, caso seja a escolha da maioria.
Também não vejo porque não fazermos a votação por aqui.  Portanto, voto com você, pela total liberdade de escolha e opto pela votação via internet.  Caso este tipo de votação não venha a ser aceita, e caso eu falte à reunião na qual a votação ocorra, desde já nomeio você (‘tadinha), minha procuradora, pra votar na proposta de liberdade total para o grupo.

Beijos,
Rose

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Oi Cintia, assim como a Rose, achei ótima sua sugestão. Eu aliás já tinha perguntado no blog do clube, depois que Evandro colocou a postagem com o simpático e-mail da Elenir, quando faríamos nova votação a respeito, e ia mesmo propor na próxima reunião, mas se puder ser por aqui, tanto melhor.

Meu voto é pela livre escolha pelos exatos mesmos motivos tão bem explanados por você.
Beijos,

Rita Magnago

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