CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

28 de fevereiro de 2016

Modernidade líquida: zygmunt bauman





O “exílio” em discussão não é necessariamente um caso de mobilidade física, corporal. Pode envolver trocar um país por outro, mas não obrigatoriamente. Como disse Christine Brooke-Rose (em seu ensaio “Exsul”), a marca distintiva de todo exílio, e particularmente do exílio do escritor (isto é, o exílio articulado em palavras e assim transformado em uma experiência comunicável) é a recusa a ser integrado — a determinação de situar-se fora do espaço, de construir um lugar próprio, diferente do lugar em que os outros à volta se inserem, um lugar diferente dos lugares abandonados e diferente do lugar em que se está. O exílio é definido não em relação a qualquer espaço físico particular ou às oposições entre vários espaços físicos, mas por uma posição autônoma assumida em relação ao espaço como tal.

...


A resoluta determinação de permanecer “não-socializado” o consentimento a integrar-se apenas sob a condição de não-integração; a resistência — muitas vezes penosa e agoniante, mas em última análise vitoriosa — à grande pressão do lugar, tanto o antigo quanto o novo; a áspera defesa do direito de julgar e de escolher; a adesão à ambivalência ou a invocação dela — essas são, podemos dizer, as características constitutivas do “exilado”. Todas elas — note-se — referem-se a atitudes e estratégias de vida, à mobilidade espiritual mais que à física.
...
A velocidade, no entanto, não é propícia ao pensamento, pelo menos ao pensamento de longo prazo. O pensamento demanda pausa e descanso, “tomar seu tempo”, recapitular os passos já dados, examinar de perto o ponto alcançado e a sabedoria (ou imprudência, se for o caso) de o ter alcançado. Pensar tira nossa mente da tarefa em curso, que requer sempre a corrida e a manutenção da velocidade. 
"A imagem de nosso destino não nos abandona quando lhe damos as costas" - Max Scheler


 

Se a ética do trabalho pressiona por uma extensão indefinida do adiamento, a estética  do consumo pressiona por sua abolição. Vivemos, como disse George Steiner,  numa "cultura de cassino'; e no cassino a chamada nunca muito distante de "rien ne  va plus" coloca o limite à procrastinação; se um ato merece recompensa, a recompensa  é instantânea. Na cultura do cassino, a espera é tirada do querer, mas a satisfação do  querer também deve ser breve; deve durar apenas até que a bolinha da roleta  corra de novo, ter tão pouca duração quanto a espera, para não sufocar o desejo, que  deveria preencher e reinventar - desejo que é a recompensa mais ambicionada  no mundo dominado pela estética do consumo. 








Em vez disso, o trabalho adquiriu - ao lado de outras atividades da vida - uma  significação principalmente estética. Espera-se que seja satisfatório por si mesmo  e em si mesmo, e não mais medido pelos efeitos genuínos ou possíveis que traz a  nossos semelhantes na humanidade ou ao poder da nação e do país, e menos ainda à  bem-aventurança das futuras gerações. Poucas pessoas apenas - e mesmo assim  raramente - podem reivindicar privilégio, prestígio ou honra pela importância e  beneficio  comum  gerados pelo trabalho que realizam. Raramente se espera que o trabalho "enobreça"  os que o fazem, fazendo deles "seres humanos melhores' e raramente alguém é  admirado  e elogiado por isso. A pessoa é medida e avaliada por sua capacidade de entreter e  alegrar, satisfazendo não tanto a vocação ética do produtor e criador quanto as  necessidades e desejos estéticos do consumidor, que procura sensações e coleciona  experiências. 


Exercício é bobagem. Se você for saudável, não precisa dele. Se for doente, não o fará. (Henry Ford)

Quando nossos negócios prosperam, nossos amigos são verdadeiros e nossa felicidade está assegurada. (Ambroise Bierce)

A história é mais ou menos uma bobagem. Nós não queremos tradição. Queremos viver no presente e a única história digna de interesse é a história que fazemos hoje. (Henry Ford)

Os homens se parecem mais com seus tempos do que com seus pais. (Guy Debord)

Solidão e silêncio nos conduz a um mundo de inseguranças e incertezas.

A não autenticidade do eu supostamente autêntico está inteiramente disfarçada pelos espetáculos de sinceridade.

A identidades são oscilações contínuas.

Formas fugazes de associação são mais úteis para as pessoas que conexões de longo prazo. (Sennet)


Panóptico pós moderno




O arquétipo dessa corrida particular em que cada membro de uma sociedade de  consumo está correndo (tudo numa sociedade de consumo é uma questão de escolha,  exceto  a compulsão da escolha - a compulsão que evolui até se tornar um vício e assim não é  mais percebida como compulsão) é a atividade de comprar. Estamos na corrida  enquanto andamos pelas lojas, e não são só as lojas ou supermercados ou lojas de  departamentos ou aos "templos do consumo" de George Ritzer que visitamos. Se  "comprar"  significa esquadrinhar as possibilidades, examinar, tocar, sentir, manusear os bens à  mostra, comparando seus custos com o conteúdo da carteira ou com o crédito  restante nos cartões de crédito, pondo alguns itens no carrinho e outros de volta às  prateleiras - então vamos às compras tanto nas lojas quanto fora delas; vamos às compras na rua e em casa, no trabalho e no lazer, acordados e em sonhos. O que quer que façamos e qualquer que seja o nome que atribuamos à nossa atividade, é que nossa "política de vida" está escrito deriva da pragmática do comprar. 


Procurar exemplos, conselho e orientação é um vício: quanto mais se procura, mais se precisa e mais se sofre quando privado de novas doses da droga procurada... A Maratona de Londres tem um fim, mas a outra corrida - para alcançar a promessa fugidia e sempre distante de uma vida sem problemas - uma vez iniciada, nunca termina.




A individualização é uma fatalidade, não é uma escolha.

Thatcher: não existe essa coisa de sociedade

A maneira como se vive é uma solução biográfica das nossas contradições sistêmicas. 


A nau dos loucos: Albrecht Dürer


As principais técnicas do poder são agora a fuga, a astúcia, o desvio e a evitação, a efetiva rejeição de qualquer confinamento territorial, com os complicados corolários de construção e manutenção da ordem, e com a responsabilidade pelas conseqüências de tudo, bem como com a necessidade de arcar com os custos.



não acreditamos mais no mito da existência de fragmentos que, como peças de uma  antiga estátua, estão meramente esperando que apareça o último caco para que todas  possam ser coladas novamente para criar uma unidade que é precisamente a mesma  que a unidade original. Não mais acreditamos numa totalidade primordial que existiu  uma vez, nem numa totalidade final que espera por nós numa data futura. (Deleuze e Guattari)








25 de fevereiro de 2016

Doce Canção: Elenir Teixeira

(Para Anna,minha neta,aos cinco anos. Morou dez em Minas)





Eu vi uma estrelinha nova

piscar pra mim lá no céu,

de ti trazia notícias,

desfiando um carretel.


Disse que tu cresces linda,

que já sabes escrever,

e mais coisas disse ainda

que só me deram prazer.


Que tu tens em Lambarí

um amor de cachorrinho,

que é bonito e até sorri

e que se chama Floquinho.


Falou dos teus amiguinhos,

da Lú, Marcelo e Gabi,

que também são bonitinhos

e do bem que querem a ti.


Depois de muito falar,

a estrelinha se calou.

Sono, falei a pensar,

já foi dormir e apagou.


Tudo o que ela me contou 

ouvi com meu coração,

e esses versos que te dou

são   minha “Doce canção”.


24 de fevereiro de 2016

A mente organizada: Daniel J. Levitin



John Robinson Pierce

John Robinson Pierce, the former director of research at AT&T Bell Telephone Laboratories. Born in Des Moines, Iowa in 1910, Pierce was the first to evaluate the various technical options in satellite communications and assess the financial prospects. In 1952, he published an article in Astounding Science Fiction in which he discussed the potential benefits of satellite communications. Coined the term "transistor", instrumental in the development of Telstar 1, and wrote science fiction under the nom de plume J.J. Coupling. A few years later, Pierce greatly assisted in the creation of the first artificial communication satellite, ECHO. Pierce died from pneumonia complications on April 2, 2002 at the age of 92. (Wikipedia)




Teste o seu nível de ATENÇÃO!

(Quantos passes são dados pelos jogadores de camiseta branca?)





Esses carros parecem ter tamanhos diferentes. Mas acredite, eles têm tamanhos idênticos. A ilusão de Ponzo funciona porque nosso cérebro julga o tamanho de um objeto se baseando na distância percebida. O terceiro carro parece mais longe, e consequentemente parece muito maior.





23 de fevereiro de 2016

O Poder do Agora: Eckhart Tolle

Os seres humanos têm vivido enredados pelo sofrimento por séculos, desde que caíram do estado de graça, penetraram no domínio do tempo e da mente, e perderam a percepção do Ser.


O prazer sempre se origina de alguma coisa externa a nós, ao passo que a alegria nasce do nosso interior... O amor verdadeiro não permite que você sofra. Como poderia? Não se transforma em ódio de repente, assim como a verdadeira alegria não se transforma em sofrimento. Antes de atingirmos a iluminação, antes mesmo de nos libertarmos de nossas mentes, podemos ter lampejos de alegria autêntica, de um amor verdadeiro ou de uma profunda paz interior, tranquila mas intensamente viva. Esses são aspectos da nossa verdadeira natureza, em geral obscurecida pela mente. Mesmo dentro de uma relação 'normal' de dependência, é possível haver momentos em que podemos sentir a presença de algo genuíno, incorruptível. Mas serão somente lampejos, a serem logo encobertos pela interferência da mente. Você poderá ficar com a impressão de que teve alguma coisa muito valiosa mas a perdeu, ou a sua mente pode lhe convencer de que tudo não passou de uma ilusão. A verdade é que não foi uma ilusão e você também não perdeu nada. Esse algo valioso é parte de seu estado natural - pode estar encoberto mas nunca ser destruído pela mente. Mesmo quando o céu está totalmente coberto, o sol não desapareceu. Ainda está lá, por trás das nuvens. 


O Ser está vivo!


"Deus está morto. Deus continua morto. E nós o matamos...” (Nietzsche)


"ATENÇÃO

O Mundo não muda quando mudamos de figurino, de maquilagem e de gosto musical, vestindo coisas mais alegres e adotando cantores mais "pra cima".

Não muda quando decidimos dizer que está tudo bem pra que nada nos incomode ao longo de mais um dia.


Não muda quando dizemos EU ME AMO vinte quatro horas por dia como um mantra de narcisismo pra nos proteger do auto-conhecimento, que é sempre doloroso.


Não muda quando tomamos mais um Lexotan, senão temporariamente. A ansiedade volta, e no fundo dela pode haver alguma verdade que estamos querendo recalcar.


PORTANTO: Qualquer livro de auto-ajuda vai te dizer tudo isso aí ou variantes e, se você os lê compulsivamente, um atrás do outro, e ainda não percebeu isso, precisa DESPERTAR URGENTEMENTE."


(Chico Lopes)





21 de fevereiro de 2016

CIRANDA: Elenir Teixeira





Luar atrevido!

Invade meu quarto,

não pede licença,

cobrindo de cinza

meu corpo quebrado, 

meu fogo apagado,

me leva de volta 

a antigos luares...

“Terezinha de Jesus de uma queda foi ao chão...”


Crianças tão puras! 

Alegres, felizes,

abriam a roda, 

cantavam a rodar.

Ouvido de longe, 

envolto nas cinzas,

seu canto era reza, 

rezada ao luar.


Dispersaram-se os meninos ...

Pai Francisco também foi 

carregando o violão.


Sozinha no seu rochedo, 

sem condes, nem generais,

a viúva chora em vão.


Ficaram murchas as rosas 

que foram belas um dia,

e a mão direita vazia.


A mineirinha de Minas, 

faceira em seu rebolar,

para viver rebola agora.


Costurando essas lembranças,

fecho meus olhos cansados...

Novamente se abre a roda

e a ciranda continua:


“Ciranda , Cirandinha, vamos todos cirandar ...”

Ah, se eu pudesse dar meia-volta!...







“Eu sem você sou só desamor. 
Um barco sem mar, um campo sem flor. 
Tristeza que vai, tristeza que vem. 
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém...”  

(Vinicius de Moraes)

20 de fevereiro de 2016

Um diálogo sobre livros e adegas


Umberto Eco: 5 de janeiro de 1932 - 19 de fevereiro de 2016

"Jean-Philippe de Tonnac: Em todo caso, vocês conseguiram tirar definitivamente a culpa de todas as pessoas que possuem em suas prateleiras um monte de livros que não leram e nunca lerão!

Jean-Claude Carrière: Uma biblioteca não é obrigatoriamente formada por livros que lemos ou livros que um dia leremos, é fundamental esclarecer isso. São livros que podemos ler. Ou que poderíamos ler. Ainda que jamais venhamos a lê-los.

Umberto Eco: É a garantia de um saber.

Jean-Philippe de Tonnac: É uma espécie de adega. Não é recomendável beber tudo.

Jean-Claude Carrière: Também formei uma excelente adega e sei que vou deixar garrafas espetaculares para os meus herdeiros. Em primeiro lugar, porque bebo cada vez menos vinho e compro cada vez mais. Mas sei que, se me desse vontade, poderia descer à minha adega e enxugar minhas melhores safras. Compro vinhos en primeur. O que significa que você os compra no ano da colheita e os recebe três anos depois. O interessante é que, caso se trate de um Bordeux de qualidade, por exemplo, os produtores os guardam em tonéis, depois em garrafas, nas melhores condições possíveis. Durante esses três anos, seu vinho se aprimora e você evitou bebê-lo. É um ótimo sistema. Três anos depois, você em geral esqueceu que tinha encomendado aquele vinho. Você recebe um presente de você para você. É delicioso.

Jean-Philippe de Tonnac: Não poderíamos fazer a mesma coisa com livros? Deixá-los de lado, não obrigatoriamente numa adega, mas deixá-los amadurecer.

Jean-Claude Carrière: Em todo caso, isso combateria o chatíssimo "efeito de novidade" que nos obriga a ler porque é novo, porque acaba de ser publicado. Por que não guardar um livro "de que estão falando" e ler três anos mais tarde? É um método que uso muito com filmes.... "

("Não contem com o fim do livro" - Jean-Claude Carrière e Umberto Eco)

18 de fevereiro de 2016

Bilac vê estrelas: Ruy Castro








Esse é o cara!



Resolvi pentear macaco


A nação tinha que ser parte dessa história





Satânia (...)

Sobe... cinge-lhe a perna longamente; Sobe...- e que volta sensual descreve Para abranger todo o quadril!- prossegue, Lambe-lhe o ventre, abraça-lhe a cintura, Morde-lhe os bicos túmidos dos seios, Corre-lhe a espádua, espia-lhe o recôncavo Da axila, acende-lhe o coral da boca, E antes de se ir perder na escura noite, Na densa noite dos cabelos negros, Pára confusa, a palpitar, diante Da luz mais bela dos seus grandes olhos.
E aos mornos beijos, às carícias ternas, Da luz, cerrando levemente os cílios, Satânia os lábios úmidos encurva, E da boca na púrpura sangrenta Abre um curto sorriso de volúpia...




Dormes

XVIII

Dormes... Mas que sussurro a umedecida
Terra desperta? Que rumor enleva
As estrelas, que no alto a Noite leva
Presas, luzindo, à túnica estendida?

São meus versos! Palpita a minha vida
Neles, falenas que a saudade eleva
De meu seio, e que vão, rompendo a treva,
Encher teus sonhos, pomba adormecida!

Dormes, com os seios nus, no travesseiro
Solto o cabelo negro... e ei-los, correndo,
Doudejantes, sutis, teu corpo inteiro

Beijam-te a boca tépida e macia,
Sobem, descem, teu hálito sorvendo
Por que surge tão cedo a luz do dia?!




In Extremis

Nunca morrer assim! Nunca morrer num dia
Assim! De um sol assim!
Tu, desgrenhada e fria,
Fria! Postos nos meus os teus olhos molhados,
E apertando nos teus os meus dedos gelados...

E um dia assim! De um sol assim! E assim a esfera
Toda azul, no esplendor do fim da primavera!
Asas, tontas de luz, cortando o firmamento!
Ninhos cantando! Em flor a terra toda! O vento
Despencando os rosais, sacudindo o arvoredo...

E, aqui dentro, o silêncio... E este espanto! E este medo!
Nós dois... e, entre nós dois, implacável e forte,
A arredar-me de ti, cada vez mais a morte...

Eu com o frio a crescer no coração, — tão cheio
De ti, até no horror do verdadeiro anseio!
Tu, vendo retorcer-se amarguradamente,
A boca que beijava a tua boca ardente,
A boca que foi tua!

E eu morrendo! E eu morrendo,
Vendo-te, e vendo o sol, e vendo o céu, e vendo
Tão bela palpitar nos teus olhos, querida,
A delícia da vida! A delícia da vida!


Via-Láctea

XIV



Viver não pude sem que o fel provasse

Desse outro amor que nos perverte e engana:

Porque homem sou, e homem não há que passe

Virgem de todo pela vida humana.



Por que tanta serpente atra e profana

Dentro d'alma deixei que se aninhasse?

Por que, abrasado de uma sede insana,

A impuros lábios entreguei a face?



Depois dos lábios sôfregos e ardentes, 

Senti - duro castigo aos meus desejos -

O gume fino de perversos dentes...



E não posso das faces poluídas

Apagar os vestígios desses beijos

E os sangrentos sinais dessas feridas!



VENCENDO O AZUL
Desenho explicativo do pedido de patente do aerostato concebido por José do Patrocínio
Documento Memorial descritivo do aerostato Santa Cruz, datado de 1902
.

"Qu'ils sont drôles, ces brésiliens!"


Confeitaria Colombo da Gonçalves Dias - Centro do Rio

Quem foi José Carlos do Patrocínio? (Campos dos Goytacazes9 de outubro de 1853 — Rio de Janeiro29 de janeiro de 1905) foi umfarmacêuticojornalistaescritororador e ativista político brasileiro. Destacou-se como uma das figuras mais importantes dos movimentos Abolicionista e Republicano no país. Foi também idealizador da Guarda Negra, que era formada por negros e ex-escravos.

Fonte: Wikipedia





Súplica


Falava o sol. Dizia:

"Acorda! Que alegria

Pelos ridentes céus se espalha agora! 

Foge a neblina fria.

Pede-te a luz do dia,

Pedem-te as chamas e o sorrir da aurora!"



Dizia o rio, cheio

De amor, abrindo o seio:

"Quero abraçar-te as formas primorosas! 

Vem tu, que embalde veio

O sol: somente anseio

Por teu corpo, formosa entre as formosas!



Quero-te inteiramente 

Nua! quero, tremente,

Cingir de beijos tuas róseas pomas, 

Cobrir teu corpo ardente,

E na água transparente

Guardar teus vivos, sensuais aromas!"



E prosseguia o vento:

"Escuta o meu lamento!

Vem! não quero a folhagem perfumada; 

Com a flor não me contento!

Mais alto é o meu intento:

Quero embalar-te a coma desnastrada!"


13 de fevereiro de 2016

Livro: Bilac vê estrelas, de Ruy Castro

Como costumo fazer, reproduzo abaixo o post que fiz no meu blog Mar de variedade.

Olá queridos!

Nessa sexta, teve reunião do Clube de leitura Icaraí. Sempre acho as reuniões muito proveitosas. É importante e democrático ouvir as diversas opiniões. Nem todos gostaram desse livro. Eu gostei. E isso é o legal: podermos discutir sobre um livro, gostando ou não, e respeitando as opiniões diferentes. 

Vamos à sinopse: "Rio, 1903. Olavo Bilac, grande poeta e figura, é amigo do jornalista José do Patrocínio. Inspirado em Santos-Dumont, Patrocínio constrói um dirigível. Seu invento atrai a cobiça de dois aeronautas franceses. A soldo deles, uma infernal espiã portuguesa tenta seduzir Bilac e roubar o projeto. Mas Bilac não é dos que se deixam seduzir..."


Na minha opinião, um livro sempre acrescenta alguma coisa, mesmo que a gente não goste tanto. Também acho que um livro não precisa necessariamente ser uma obra-prima da literatura para tocar o coração das pessoas. Se o livro te toca de alguma forma e te ensina algo, já valeu a pena.

Esse livro é de aventura. Aborda personalidades como Olavo Bilac, José do Patrocínio, Santos Dumont, misturando fatos fictícios com fatos reais.

Eu pude relembrar alguns fatos históricos e aprender outros. Não sabia, por exemplo, que Patrocínio havia construído um dirigível.

Achei interessante o livro abordar, de forma detalhada, sobre as ruas do Rio, além de falar de lugares famosos como a Confeitaria Colombo, que era um ponto de encontro para alguns artistas. Pude imaginar esses lugares no Rio antigo, o que foi muito legal.

Enfim, se você busca um livro leve, de leitura agradável, no qual você ainda aprende um pouco sobre a história do Brasil, esse é o livro.

Recomendo!



A descoberta do Amor: Elenir



Ele teria uns 11 anos, quando me perguntou: "Vovó, como a gente sabe que está amando?"


Como vou dizer-lhe? pensei. E, por fim, encontrei a melhor forma. Querida, disse-lhe, você própria vai descobrir. 


Ouça-me.




O dia acordou tão leve
uma brisa sopra mansa
e os pássaros cantam mais.
Se espalha no ar um perfume
de jasmins e manacás.
As nuvens correm ligeiras
num brinquedo de pegar.
O rei sol tão generoso
vai surgindo atrás dos morros
para nos trazer calor.
Vejo as crianças brincando
e as vovós com terço orando
pela paz e pelo amor.
Brilha um brilho diferente
nos olhos de toda gente
que se abraça, fala e ri.
Ouço acordes bem tênues
e não sei de onde eles vêm.
Paro, penso e me pergunto:
por que a manhã diferente?
E uma voz me diz suave
do fundo do coração:
"Para que pensar, não penses,
vive e goza este momento
que te faz ver diferente
e depressa há de passar.
Pois se o mundo está cantando
e há luz no teu olhar,
está claro, muito claro,
descobriste o que é amar.



Lembranças...Deu-me vontade de compartilhá-las com vocês.

Ela hoje é uma jovem senhora e já me deu dois bisnetinhos.

Abraços para vocês.