CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

22 de setembro de 2018

Primavera: Elenir / Outras primaveras: Everardo






Amanhece...
Pela minha janela, uma brisa suave                        
traz o cheiro gostoso da terra
lavada pela chuva da noite.
Acalma o  meu corpo...
Acaricia a minha alma...
Desperta- me para a vida.                                            
                                                                         As árvores despem-se
                                                                         de suas folhas e nuas
                                                                         recebem  o outono.    

Chega a primavera!
     Cores, aromas e flores.
       Só minha alma inverna.



Por todos tão esperada
ei-la que surge sorrindo.
Trazendo cor e alegria
com muitas flores se abrindo
Nos ramos brincam os pássaros 
e as crianças no jardim.
O mundo fica mais belo
Que bom fora sempre assim!
Há mais doçura na brisa
e doce é o perfume do ar.
Os que brigam fazem pazes
pois é tempo de se amar.
Não! Não pensem que isto é sonho,
que se trata de quimera.
É tempo de nós saudarmos
a querida PRIMAVERA!

(Elenir)

.
* * *

outras primaveras

no ermo campo do céu
onde não ousa medrar
um espinho, espelho meu
na primavera no mar

na tristeza de Orfeu
que Eurídice foi buscar
no mais longo e escuro breu
– setembro não vai chegar

espelho, espelho meu
que nada pode espelhar
do ermo campo do céu
à primavera no mar

(Everardo)

(12/09/2012, d.)

Abraços (nada pessimista) a todos,


19 de setembro de 2018

Poemas: Riva Silveira




Reencontro

Fruto proibido 
Amor incompreendido.
Desiludido estou
Sem saber o que se passou
Fechado o céu ficou.
Não  quero saber quem errou
E me decepcionou
Nesse deserto meu coração secou. 
Mas uma razão para enfrentar essa luta  vou achar.
As feridas vou guardar
E tudo ao se transformar
Com a vida vou me casar
A  chuva meu coração vai molhar
Cheiro de flor vou exalar.
Vivendo agora então 
No céu estrelas vão querer me iluminar
E com coragem nessa luta vou  caminhar.





Inspiração

Suspiro
Brisa refrescante
Luz refletindo                                         Sol escaldante
Mãos acalentando 
Abraço sincero
Assim eu sinto...
Borboletas voando
Tons colorindo 
Flores se abrindo 
Olhar penetrando 
Assim eu vejo...
Cheiro de mel
Gosto do fruto
Doces palavras 
Beijo molhado 
Assim eu desfruto...
Tudo perfeito 
Tudo inteiro
Assim eu desejo...
Então me inspiro.




16 de setembro de 2018

Estamos lendo - Machado: Silviano Santiago






"O que é o cérebro humano senão um palimpsesto natural e poderoso?" 
(Thomas de Quincey)





"Para assimilar e explicar a delicadeza da carência afetiva masculina."






Um chapéu para viagem: Zélia Gattai


Pablo Neruda

O chapéu era todo um sistema de comunicação. Usado de forma normal, revelava dignidade. Inclinado para trás, indicava descontração e simplicidade. E, inclinado para a frente, exprimia mistério e sedução. Sem chapéu temos, além disso, de encontrar uma solução urgente para, por exemplo, quando estamos a cavalo e queremos despedir-nos de alguém ao longe. Antigamente, era só agitar o chapéu enquanto nos afastávamos, a caminho do pôr-do-sol.  (Ricardo Araújo Pereira)


Virgem da Capistola







9 de setembro de 2018

Livro e filme: Os Vestígios do dia, de Kazuo Ishiguro

Olá queridos!
Reproduzo o post que fiz no meu blog Mar de Variedade. 
Esse foi o livro de agosto do Clube de Leitura Icaraí. Que livro!

Sinopse da Folha: "O mordomo Stevens, já próximo da velhice, rememora as três décadas dedicadas à casa de um distinto nobre britânico, lord Darlington, hoje ocupada por um milionário norte-americano. Por insistência do novo patrão, Stevens sai de férias em viagem pelo interior da Inglaterra. O mordomo vai ao encontro de miss Kenton, antiga companheira de trabalho, hoje mrs. Benn. No caminho, recorda passagens da vida de lord Darlington e reflete sobre o papel dos mordomos na história britânica. Num estilo contido, o narrador-protagonista acaba por revelar aspectos sombrios da trajetória política do ex-patrão, simpatizante do nazismo, ao mesmo tempo que deixa escapar sentimentos pessoais em relação a miss Kenton, reprimidos durante anos."



Que livro mais encantador! Adorei a escrita do Kazuo Ishiguro, vencedor do Nobel de Literatura do ano passado. 
Nesse livro, o Mordomo Stevens aceita a proposta de seu novo patrão de sair de férias no carro de seu empregador. 
Como só pensa em trabalho, O Mordomo vai atrás de Miss Kenton, que foi governanta da casa, na época em que o patrão era Lord Darlington, simpatizante do nazismo, para tentar trazê-la de volta. 
Ele deixa transparecer seu afeto por ela, que não era só de amizade. 
Ele sai de carro pelo interior da Inglaterra e vai revivendo toda a história como mordomo daquela casa. 
Nós leitores conseguimos saber o que se passa na cabeça do mordomo, que é o narrador, com riqueza de detalhes, e conseguimos entender seus sentimentos.
Ele era extremamente fiel ao seu patrão, não questionava nada, mesmo que fosse uma ordem descabida, era muito profissional, e colocava a vida de seu empregador até mesmo acima da sua, pois acreditava que assim estava desempenhando de forma digna o seu trabalho.  Portanto, acabava não tendo vida pessoal e deixou passar a oportunidade de viver um grande amor. Não vou falar mais do que isso para não dar spoiler. 
"Dei trinta e cinco anos  de minha vida a serviço de Lord Darlington. E certamente não seria injustificado afirmar que durante esse tempo estive, nos termos mais exatos, 'vinculado a uma casa de distinção'." (p. 143)
O filme:
Está disponível na Netflix. Achei o filme bem fiel ao livro, mas não conseguimos ter as percepções que o livro nos passa com a maestria do autor, pois, realmente, entramos nos pensamentos do mordomo Stevens, que é o narrador, no livro, o que não acontece no filme. Mas o filme também é muito interessante e conta com os excelentes atores Anthony Hopkins e Emma Thompson. 

Recomendo ambos!

6 de setembro de 2018

Ele voltou no Clube de Leitura Jovem - O Apanhador no Campo de Centeio: J. D. Salinger

26/06/2014
Quinta feira
18:00h

Livraria Icaraí





  • Holden Caulfield fica imaginando uma porção de garotinhos brincando num campo de centeio que tem um precipício e só ele por perto pra tomar conta e não deixar as crianças caírem. Assim como Holden, tem alguma maluquice parecida que você gostaria de fazer?
  • A turma jovem está gostando de escolher livros em que o protagonista sofre um breakdown nervoso. A exemplo de "as vantagens de ser invisível", o protagonista acaba sendo internado numa clínica de assistência psicológica. No livro anterior, o trauma de Charlie parece ter sido um abuso sexual por parte da própria tia e no caso de Holden, em o apanhador no campo de centeio, o trauma pode ter vindo da morte prematura de seu irmão Allie com apenas 11 anos de idade. 
  • Se a garota pede pra você parar, como podemos saber se ela quer mesmo que a gente pare ou se ela está com medo das consequências e que, no fundo, o que ela quer é apenas que fique claro que a responsabilidade do que acontecer é toda nossa? 
  • O eixo da história de Holden se forma através dos personagens Allie, Phoebe e as crianças do campo de centeio. Ele não pôde fazer nada por Allie, mas ele não abandonará Phoebe e não quer que nenhum mal aconteça às crianças que brincam no campo de centeio. 



O Apanhador no Campo de Centeio (releitura), de Jerome David Salinger. A reunião ocorreu no dia 06/08/2010.

Que leitura boa o Apanhador no Campo de Centeio! É de um humor juvenil revigorante. Como são belos os jovens revoltados! Uma viagem no tempo... Ah, se eu tivesse lido este livro aos 16 anos! Em vez de “le concierge”, hoje eu seria “le syndic” do Clube de Leitura! 

Na Sexta do Apanhador houve ótimas surpresas, mostrando como o vigor desse livro o mantém atual até os dias de hoje. Ou seja, a obra de Salinger é, definitivamente, um clássico. Mas o vocabulário da tradução, como bem observou o exegeta do clube, é datado. Foi feito um apanhado de todas as gírias usadas no livro e se nota claramente a influência das gírias nacionais na tradução da obra. 
 
O livro mostra que o fenômeno do bullying não é um fenômeno recente nas escolas. Ora, pois, se não for bullying o que a gang de Phil Stabile faz com James Castle no capítulo 22, levando-o a se lançar da janela para a morte. Eu também testemunhei bullying desde que entrei no jardim de infância, lá nos idos de 60! Tinha sempre um valentão na sala que tentava impor sua “lei”. 
 
Meu Deus, que temeridade esses jovens feito folha seca ao vento! Ainda bem que eles têm em si uma força e uma convicção originais que nos escapam a compreensão e que contamos que lhes sejam útil em última instância. Que façam bom uso dela, é o que podemos torcer, e orientar quando possível. A gente tem que confiar um pouco na educação que lhes demos. 
 
What's the size of your mind?” Esqueci de perguntar aos presente como isso foi traduzido, mas é uma questão interessante que é levantado n'O Apanhador ... Cada um dá a sua resposta, mas só de pensar sobre o assunto nos ajuda a nos conhecer melhor. 

Divulgação da EdUFF para a reunião de agosto.
Pelo visto na reunião, teve gente que sabia para onde vão os patos (selvagens) no inverno. Isso para não falar nas referências metonímicas.  

Mr. Antolini, era gay, pedófilo ou agiu paternalmente com Hölden? Seus conselhos me pareceram bons. A gente nunca sabe com certeza o que vai acontecer até que aconteça! Esse tema taboo foi tratado com reserva nas discussões.

Até breve, folks.


 


4 de setembro de 2018

Vermelho Amargo: Bartolomeu Campos de Queirós


"A vida é um fio, 
a memória é seu novelo.
Enrolo--no novelo da memória--
o vivido e o sonhado.
Se desenrolo o novelo da memória,
não sei se tudo foi real
ou não passou de fantasia."
( Bartolomeu Campos de Queirós)





O vermelho, cor tão quente,
é atribuído à paixâo.
E ao ódio, bem diferente,
se ele habita o coração.
(Elenir)

* * * 

Vermelho é paixão
e sangue também. Com ódio
fatiava o tomate.

Fatias que expunham
o ódio só tragado pelo
intruso ao amor.

Pontuando o céu,
uma virgula existia.
Leve passarinho.
(Elenir)




"A mãe partiu cedo — manhã seca e fria de maio — sem levar o amor que diziam eu ter por ela. Daí, veio me sobrar amor e sem ter a quem amar. Nas manhãs de maio o ar é frio e seco, assim como retruca o coração nos abandonos. Ela viajou indignada, por não ser consultada. Evadiu-se, sem suplicar um socorro. Nem murmurou um “com licença” — eu confirmo — para adentrar em outra vida, como nos era recomendado. Já não cantava, sobrevivia isenta, respirando o medo pelo desconhecido. A mão da morte soterrou até sua sombra. Foi um adeus inteiro, definitivo, rigoroso, sem escutar nosso pesar. Eu pronunciava, seguidamente, a palavra amor, amor, sem ter a presença amada."






O tempo ancora no corpo da gente!

Toda memória é fantasiosa!

O que não foi esquecido merece ser repensado...

Sempre que a gente escuta o silêncio, a poesia se manifesta!

 ...A madrasta retalhava um tomate em fatias, assim finas capaz de envenenar a todos. Era possível entrever o arroz branco do outro lado do tomate, tamanha a sua transparência. Com a saudade evaporando pelos olhos, eu insistia em justificar a economia que administrava seus gestos. Afiando a faca no cimento frio da pia, ela cortava o tomate vermelho, sanguíneo, maduro como se degolasse um de nós. 

"Eu suspeitava que o embaraço das letras amarrava segredos
que só o coração decifra. Mas uma certeza me vigiava: ler
era meu único sonho viável."

(Lilian)




VERMELHO DE PAIXÃO

O tomate diário
em finas fatias
indicava o quanto de fome
ali havia.

O vermelho alcoólatra,
cor da vergonha,
instigava a criança:
vai, garoto, sonha!

A família, a madrasta,
a faca e a fome
que diminui sua presença
a cada filho que some.

Há mais tomate no prato
a cada um que se vai,
mas o amor pela mãe, este
nunca se esvai.

(novaes/)


DOR

Ficou no peito um tipo de amargor

Talvez pelo grito contido da dor
A cada dia denunciado no olhar
Não sei, mas chorei sem lágrimas
Acho que o tempo frio e seco
Impediu que desprendessem
Há sentimentos, mas calados

De um amor assim isolado
Que mudo vive sufocado
Surgindo em prosa e verso
Solitário, contundente, cruel
Ensurdecedor

Sonia Salim




Janeiro... Vermelho Amargo,
seja lá isso o que for!
Quem sabe um sorriso largo
adoce o beijo... e a cor? 

(I)




O que há dentro de mim,
e dentro de mim esqueço,
sou eu, vestindo em carmim,
esse eu... que desconheço. 

( I )



Nascer é entrar em um trem,
sem se saber o destino.
Sem bilhete de viagem
e uma só baldeação.
(Elenir)



No vermelho do tomate
a degola diária do desamor
no cheiro desinfetante do ar
a omissão do sentimento
que eu não conhecia
fantasia de esperança
teimando em vestir-me
daquilo que me era maior
e não cabia.
Rubro espelho
onde não me reconhecia
memórias de aromas e amoras
furtadas em alheia menina dos olhos
quero ser o livro
quero ter o sonho
quero tecer rendas
em bifes espancados
e cheirar alecrim
sentir a comida leve
como os passos do gato
.



"Oh, anda, desanda a roda
deixa a roda desandar...
Evandro, vermelho é moda
com ele vamos trovar...

(Ilnéa)


Vermelho amargo, acridoce...
eu soube dentro de mim,
que o que era doce… acabou-se:

nunca mais amei assim. 

(I, 19/11/2012)


Preencher um dia é demasiado penoso se não me ocupo das mentiras.

Ser gente Vermelho Amargo,
ser gente triste ou contente,

é gente que "joga largo",

tantinho, assim... diferente!



(I... "gorinha")


19 de agosto de 2018

CANTOS A QUEM ME ESQUECEU -Ilnéa País de Miranda


E o que me importam esses anos tantos
Se o que importa é só viver a vida...
Deixar viver esses meus sonhos quantos
Virar história e dela ser guarida.
O que me importam as lágrimas, os prantos
Dos quais guardei o gosto que intimida
E de escutar soturnos acalantos
de cuja história até Deus duvida.
Sei que embalada pelos meus quebrantos
A minha história por mim concebida
Revela um pouco desse pranto meu.
Mas se pontuada por doces encantos
A vida passa, inteira, comovida,
Cantando cantos a quem me esqueceu.
(I, em algum passado)

18 de agosto de 2018

(Há 3 anos) Os Miseráveis nos leva a Paris.






Olha quem vai estar lá!
Dom Pedro II & Victor Hugo


Um grupo se formou para uma pequena exploração.

Vamos visitar a Casa de Victor Hugo, e  lugares mencionados na obra em Setembro

Encontraremos a atmosfera de Os Miseráveis nessa cidade charmosa que a todos encanta.

Não perca!!! 

Em breve, o CLIc se encontra no Café Victor Hugo, em Paris

Avant, mes amis!