CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

Fundado em 28 de Setembro de 1998

26 de agosto de 2016

Quarto de despejo: Diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus

Olá queridos!
Para complementar a postagem de leitura de novembro, trago o post que fiz no meu blog Mar de Variedade, sobre esse livro.

Esse foi um dos livros lidos no Clube de Leitura #Leia Mulheres. 
Esse livro infelizmente está esgotado. Ou você compra no sebo ou tenta conseguir algum arquivo em pdf.
Gostei muito da leitura!


Sinopse: Diário da Carolina, refente ao seu dia a dia, durante alguns anos, quando morava na favela do Canindé, em São Paulo.  O diário foi destaque na Revista O Cruzeiro, de 1959. No ano seguinte foi publicado o livro, com a ajuda do  jornalista Audálio Dantas.




Adoro ler histórias que mexam comigo, que toquem fundo a alma e o coração. E é o caso desse livro.
O legal de participar de um clube de leitura é a possibilidade de ler livros que talvez você não se interessasse em ler se não fosse o clube. Gosto de sair da minha zona de conforto.
Acho quase impossível alguém ler esse livro e não se sentir tocado de alguma forma.
A Carolina, na sua simplicidade e extrema pobreza, relata o seu dia a dia em alguns cadernos. O editor do livro não retirou os erros de português, então, o diário se torna ainda mais realista.
O título Quarto de despejo se deve ao fato de Carolina considerar as ruas e seus prédios como sala de visitas e a favela, com seus barracões, o quarto de despejo.
Ela conta a vida que leva com seus três filhos, sendo negra, mãe solteira, e vivendo em uma favela sem qualquer infraestrutura.
Ela precisa carregar água todos os dias. Nem sempre tem o que comer. Há dias em que só tem o almoço, às vezes, só o jantar. E há aqueles dias em que precisa procurar comida no lixo para ela e os filhos.
Ela relata as confusões entre alguns moradores, as brigas de casais, os vícios, principalmente o alcoolismo presente em algumas famílias.
Apesar de viver em um ambiente nada favorável, ela tenta não se envolver nas confusões da favela, está sempre lendo e escrevendo em seus diários. 
Ela é uma mãe exemplar e se entristece toda vez que não tem comida para dar aos seus filhos.
A autora encontrou na escrita uma fuga para a vida difícil que levava. Chegou a pensar em se suicidar, pois, em alguns momentos, achava que não valia mais a pena viver diante da miséria.
Ela não tinha o direito nem de ficar doente, pois era catadora de papel e ferro, e dependia do trabalho de cada dia para ter o que comer, além de não ter condição financeira para comprar remédios. 

"Resolvi tomar uma media e comprar um pão. Que efeito surpreendente faz a comida no nosso organismo! Eu que antes de comer via o céu, as arvores, as aves tudo amarelo, depois que comi, tudo normalizou-se aos meus olhos."


Ela consegue mostrar nesse diário que você pode fazer diferença e ser uma pessoa de bem, mesmo morando em um lugar totalmente desfavorável e vivendo na miséria. 
Um fato interessante é que a Carolina tinha orgulho de ser negra, mesmo com todo preconceito que sofria. E era muito sábia ao falar que não entendia por que o branco poderia se sentir superior ao negro, se ambos ficavam doentes da mesma forma e sofriam dos mesmos males. 
Sei que nem todo mundo gosta desse tipo de livro, por ser um diário, em que há partes um pouco repetitivas, mas eu gostei muito de ter a oportunidade de conhecer um pouco mais de perto sobre a realidade de uma favela de São Paulo, nos anos 50. 
A Carolina também publicou outros livros. Espero ter a oportunidade de lê-los. 
Recomendo!

24 de agosto de 2016

Em Outubro no CLIc - A tragédia brasileira: Sérgio Sant'Anna



A garota devolve a Cristo um sorriso puro de dentes branquíssimos e é esse sorriso que exorciza de verdade o Demônio, que pode ser visto num relance, a afastar-se de Cristo na forma de uma velha beata e corcunda que sai de cena resmungando, com o rosto escondido por um xale.  Cristo percebe, nesse momento, que o Demônio era uma presença dentro dele próprio e não da garota.


Já com Buda não pode haver Demônio, pois ele próprio é, simultaneamente, Deus e o Demônio. Não lutando contra ou a favor de um ou de outro, Buda permite que os dois opostos dentro de si estejam conciliados e não em conflito.



A alavanca de mudança é um símbolo fálico. (Freud)



Também diante de Buda, agora, no espaço cênico, passam guerreiros. São guerreiros chineses e dirigem-se a derrubar uma dinastia. Vêem Buda, a princípio, com o desprezo com que o forte examina o fraco. Por puro tédio, ou crueldade, um daqueles guerreiros aproxima-se de Buda, desembainha a espada e pensa em atravessar com ela as carnes flácidas de Buda. Buda, que sabe ler a alma de um homem, pressente o perigo, mas se limita a cheirar uma flor e, nesse instante limítrofe da morte, descobre novas sutilezas na fragrância da flor. Pois é a possibilidade de morrer que faz Buda tornar-se ainda mais atento, embora sem intencionalidade, a seus sentidos. E ele sorri para essa nova oportunidade de penetrar no âmago da vida. Buda sopra a flor e suas pétalas voam ao vento. Buda sabe que nenhum homem é tão forte que não se defronte um dia com algo mais forte do que ele. E, como as pétalas de uma flor, às vezes a maior força de um homem é deixar-se ir, carregado pelo vento. 
O guerreiro chinês dá uma gargalhada, porque captou num relance a mensagem de Buda. Ele e seus companheiros, agora, estarão carregando Buda consigo para a China e o Japão e, sendo guerreiros, serão como uma revitalização de Buda. Atravessarão impiedosos os inimigos com as armas e, ainda assim, serão como Buda. Buda é todos os homens e assim passa por todas as provações e sentimentos deste mundo; deve-se sentir como o vencedor e como o vencido. Deve descer ao inferno, como Cristo em suas dúvidas, e ser o espectador e participante de acontecimentos tão terríveis quanto o de uma criança que perdeu os pais e mutilou-se numa guerra que não é sua. E que permanece ali, à margem, desamparada e sem nenhuma probabilidade de ter esperança. Mas é também nesse terreno que pode germinar a paz, o Nirvana, de Buda. Antes, porém, sentirá o gordo Mestre, diante de tal espetáculo, o desespero e a revolta contra o Poder Supremo. Até que, por exaustão, conheça que não há Poder Supremo a dirigir o Grande Espetáculo e que Deus - ele próprio, Buda - é apenas o fluir assim, eterno, daquilo que é comparado a um rio. 

Gregor Samsa
Maomé e seus seguidores, ao contrário, combaterão pelos tempos afora o Mal e o Demônio, como se fosse possível aniquilá-los um dia. No Corão busca Maomé, através da certeza, a morte de toda angústia. Sem se dar conta de que o Mal e o Demônio se encaravam dentro dele mesmo e que, para destruí-los, deveria degolar a própria cabeça e não dos infiéis. 


Maomé e seus discípulos jamais beberão uma gota de vinho, porque esse vinho soltaria o Demônio tão sufocado dentro deles e os deixaria enlouquecidos. 

le-buveur-toulouse-lautrec
"Estou me acostumando com a ideia de considerar todo ato sexual como um processo em que quatro pessoas estão envolvidas" - (Freud)


O poeta é aquele que em primeiro lugar decifra, mergulha, (n)aquilo que ainda se encontra invisível para seus semelhantes. 

Na foto o Cliceano que indicou o romance-teatro
Entreatos
Dezoito anos depois, A Tragédia Brasileira, de Sérgio Sant’Anna, é uma representação quase perfeita do país nas últimas décadas  
A primeira impressão provocada por A Tragédia Brasileira, de Sérgio Sant’Anna, é a de que estamos diante de uma obra datada. Com uma trama que se passa em 1962, o livro foi publicado com uma tiragem reduzida pela Editora Guanabara em 1987 — um tempo em tudo distante do que vivemos agora, em 2005. A passagem do tempo, entretanto, acaba contando a favor deste livro definido como um “romance-teatro”, numa feliz convergência entre suas técnicas narrativas, o acaso do mercado editorial e a própria história do Brasil nestas últimas quatro décadas.
Dividido como uma peça de três atos, o livro tem justamente nas suas várias gradações, internas ou externas, seu elemento-chave. No primeiro ato, predomina a linguagem teatral, embora seja evidente que o palco a que Sant’Anna recorre não se presta à representação cênica; ele é uma fórmula que serve para agregar novos recursos à narrativa. É por meio dessa dramaturgia imaginária que se conta, logo de início, a história do atropelamento da menina de 12 anos Jacira, morta pelo personagem do Motorista quando lhe despontavam os pequeninos seios, surgiam as penugens púberes, manchava-se o vestido de sangue pela primeira vez.
Não faltará o erotismo típico de Sant’Anna, que vai de um tom rodriguiano de dessacralização da inocência até um mais provocador, com um pouco de pedofilia, e resvala em sugestões de necrofilia. Aqui e ali, apresenta-se um pouco daquele país que saía do pós-desenvolvimentismo de JK, preocupado com a contusão de Pelé na Copa do Chile e em dúvida se a solução para o Brasil estava nas mãos de Deus ou nas dos militares. Perguntas de quem se pôs a escrever duas décadas depois, quando já se tinha passado pela ditadura e o país do futebol andava meio traumatizado com o jejum de títulos.
Novas possibilidades, então, vão surgindo. À medida que Sant’Anna investe mais na prosa, desenham-se outros cenários e personagens. No segundo ato, Jacira se confunde com a atriz que a representa; o Negro misterioso, que espreitava a menina de um terreno baldio, reaparece como contra-regra; e o melancólico e apaixonado Poeta Roberto, que de sua janela viu a tragédia, mostra ser, em parte, uma idealização pessoal do demasiadamente humano Autor-Diretor, que é, lá pelas tantas, um eco do próprio Sant’Anna.
A partir do terceiro ato, a encenação se apresenta mais como ideia, e é quase como um romance de ideias que se cria um terceiro nível de ficção, em que já não há mais limites: unem-se as pontas da dramaturgia e da prosa, da representação e da “realidade”. Como num círculo, voltamos à tragédia por meio de Maria Altamira, Virgem pura transformada em estrela radiante no momento em que estava também prestes a deixar a infância, atropelada por um Motorista de caminhão na Belém-Brasília — um dos símbolos de uma já antiga concepção de progresso e, também, esboço de metáfora religiosa.
Já aqui, na própria narrativa, as perguntas são outras. E hoje, quase 20 anos depois de o livro ter sido escrito, temos tantas outras a acrescentar. No ato que encerra as três épocas da história da obra, a tragédia persiste. Orgulhosos de um futebol pentacampeão, também nos vemos — arrasadas de vez quaisquer ilusões políticas construídas desde os anos 80 — sem rumo. É como se Jacira renascesse e morresse perpetuamente, deixando no céu a luz de uma estrela incerta, que talvez leve a um lugar que não este.
BRAVO!, outubro de 2005
© Almir de Freitas




Existe algo à beira da possessão demoníaca no Islã. Como se o Fundador fosse um dos anjos aliados de Lúcifer que no último momento se houvesse contido. Esse anjo se embevecera com a arrogância de Lúcifer e sua beleza feminina, mas teve medo de Deus e do castigo. E também de um desejo seu, inexplicável e tido como terrível: o desejo da treva total que há dentro de um regaço feminino antes de um homem haver nascido. Mandou então que se cobrisse a beleza feminina e a rotulou para sempre como impura. Enquanto eles próprios, os homens muçulmanos, estarão condenados a cavalgar loucamente pelos tempos afora, brandindo a espada contra os infiéis. Fugindo, talvez, no eco das patas de seus cavalos, da parte de seu corpo e alma que é mulher.





23 de agosto de 2016

A menina que roubava livros - Markus Zusak


"Se o Clube de Leitura Icaraí leu...



... vamos filmá-lo!"



Sucesso garantido!



Caro Leitor, qual a cor de tua alma? Teus olhos revelam algo sobre o que brilha em teu interior? Que livro roubarias do inferno se este um dia te atormentasse? Qual a música que ouves em teus sonhos? Que segredo guardas no teu porão? Que respostas são essas que não ousas confessar a ti mesmo? Venha, vamos tomar de assalto o pomar da existência antes que as intempéries nos expulsem ou nos recolham para longe do que nos é mais querido.

Em fevereiro o Clube de leitura Icaraí lê “A Menina que Roubava Livros”, do australiano Markus Frank Zusak. O livro conta a estória de Liesel Meminger, menina que é entregue pela mãe aos cuidados de uma família adotiva que habita a periferia de Munique, Alemanha, durante a segunda Guerra Mundial. Filho de mãe e pai nascidos na Alemanha e Austria, na época da Segunda Guerra, o jovem escritor conta que cresceu ouvindo histórias a respeito da Alemanha Nazista e sobre judeus marchando pela pequena cidade alemã de sua mãe. Em entrevista, Zusak conta que partes do livro são inspiradas em fatos reais, como fragmentos da história de vida de sua mãe alemã, que cresceu sob os cuidados de uma família adotiva e nunca chegou a conhecer o próprio pai. E, assim como Liesel, que desenvolveu adoração por livros, Zusak brinca contando já ter “furtado” alguns livros de biblioteca na época de estudante.


"Livro comprado ou roubado
ajuda a gente a viver.
Pois estando ao nosso lado,
o mal nos leva a esquecer."

Após uma seqüência de livros que tratam de Guerras devastadoras, como a Guerra Civil em Moçambique, abordada por Mia Couto, em “O Outro Pé da Sereia”; e a Guerra da Coréia, por Philip Roth, em "Indignação"; é razoável temer outro laboratório, que nos leve a nova viagem a um período tão duro quando o da Segunda Guerra Mundial (mesmo após um agradável intervalo de “Pequenos Amores”). Mas a leitura de “A Menina que Roubava Livros” surpreende. O romance não é contado nem a partir da visão do Holocausto (“A Vida é Bela”, de Roberto Benigni – comédia dramática), nem das entranhas do Nazismo (“A Queda! As Últimas Horas de Hitler”, Oliver Hirschbiegel – drama). Em seu livro, Zusak tenta mostrar outro lado da Alemanha Nazista, a história de alemães comuns (“Alemanha, Mãe Pálida”, de Helma Sanders-Brahms), não dominados pelo ‘carisma’ e poder de seu líder e seus discursos. A versão dos que buscam “O Coração Informado” (cf. Bruno Bettelheim).

...o livro do mês faz referências aos holocaustos mas a ênfase, na minha maneira de ver, é no poder da leitura para enfrentar qualquer mal que seja. Os alemães eram queimadores de livros e uma menina alemã analfabeta, então, os salvava. O livro era sua esperança de vida contra os idealistas sem compaixão de uma sociedade “perfeita”. A Menina queria roubar a vida dos escombros e horrores do nazismo. A vida pode estar desmoronando e quando tudo parece perdido, um livro pode nos mostrar a saída. O livro mostra a tragédia nazista pela óptica de alemães. Particularmente, nunca tinha visto nada parecido.

Embora faça sucesso entre os jovens leitores, A “Menina que Roubava Livros” é leitura para adultos. Parte da mensagem é sobre o poder das palavras e da propaganda, o que nos remete a um questionamento já feito em leitura anterior: até onde, poderes dirigentes de um Estado de massa social, econômico e político são capazes de manipular a mente de um indivíduo, de uma sociedade? É fato que o ambiente pode influir, e de fato influi, em aspectos importantes do comportamento e da personalidade do homem. Mas, fugindo ao que diz o ditado: “o que os olhos não vêem o coração não sente”, é necessário “o coração informado” para o desenvolvimento e exercício de senso crítico. E se o homem nem sempre pode ser decisivo no que diz respeito ao que ele é e será dentro da sociedade, independente desta, que ao menos este seja capaz de usufruir de sua liberdade de pensamento e resguardar algum tipo de identidade e dignidade, junto a manutenção de valores importantes para si.







"Guarda chuva, guarda sol,
guarda tudo, até lembrança;
guarda sonhos de arrebol
desde que era criança."






Através de Liesel, conhecemos crianças e adultos que desafiavam as regras e ajudavam uns aos outros, 'vivenciamos' o amor entre estranhos, o céu queimar após um ataque aéreo, a emoção e coragem de resgatar um livro prestes a ser queimado em sessão pública por oficiais nazistas, a dor de famílias separadas. Engana-se, contudo, quem pensa que a leitura é mórbida e assustadora. Uma particularidade, torna o livro de Zusak muito interessante: é a Morte quem narra a história. Com um diferencial, que traz luz à leitura: nesta estória, é a morte que tem medo de nós. Zusak brinca com nossa tendência a ver “guerra e morte juntos, como se fossem melhores amigas”.

"I think war is more like the boss at death's shoulder, always wanting more work to be done. Death's as confused about everything as us." ("Eu acho que a guerra é mais como o patrão no ombro da morte, sempre querendo mais trabalho a ser feito. A morte é tão confusa sobre tudo como nós.") (Markus Zusak, The Sydney Morning Herald )

E assim, a história da Alemanha Nazista é contada através dos olhos de um(a) simpático(a) e bem humorado(a) ceifador(a), assombrado(a) pelas ações dos seres humanos. Nós, que ambiguamente podemos ser tão belos e tão feios.

A reunião ocorreu em 04/02/2011. Nela, reinou a diversidade de idades, opiniões, conhecimentos, vontades etc. Tivemos participantes de 12 a mais anos. Foi muito bom ver o entusiasmo dos jovens com suas leituras. Muito bom tê-los por perto. Dentre as curiosidades, fomos alertados para a inadequação do verbo ‘roubar’, utilizado na tradução do original em inglês para o português. Rigorosamente esperaríamos o uso do verbo ‘furtar’, visto nunca haver violência nos atos de Liesel. Assim, teríamos ‘A Ladra de Livros’ ou ‘A Menina que Furtava Livros’, mas talvez não parecesse belo aos ouvidos... Belo, na verdade, foi comprovar que opiniões contraditórias podem ser complementares. Tivemos exaltação da beleza poética do livro, seguida por crítica ferrenha a sua linguagem e conteúdo literário sem que uma anulasse o valor da outra, mas ao contrário se somassem, ampliando nossa visão para o que lemos. Notamos que nossa leitura é limitada, uma vez que podemos não ter o rigor técnico/literário, a sensibilidade poética, ou a devida atenção para a linguagem e semântica que felizmente muitos de nossos amigos carregam em suas bagagens, mas, ao ouvi-los, aprendemos. O clube é prova de que nossa maior riqueza pode estar na diferença, na não imposição de regras preconceituosas, na liberdade de escolhas. Viva a diversidade!





22 de agosto de 2016

Santa Trindade: Luiz Gavri


                         
                                      a Bernini.

Próton, elétron e neutron enganam.
Pois, a carga maior é de quem junta.
É o terceiro incorporado
Que não anula os opostos.

Lolita nunca teve orgasmos
Em Santa Tereza, ao contrário,
Mais que múltiplos,
Eram permanentes.

Santa contradição.
O Filho sem Pai,
O Espírito no anjo.
Bendita seta inflamada.

(Niterói,11/08/13)


21 de agosto de 2016

a máquina de fazer espanhóis: valter hugo mãe


Nosso protagonista do mês, sob a gravidade de seus 84 anos de idade, enxerga o mundo todo em letras minúsculas. Quando o texto sai da esfera do Sr. Silva como, por exemplo, no capítulo sobre o ídolo peruano Teófilo Cubillas, que jogou no Futebol Clube do Porto entre 1974 e 1976, o texto volta ao que seria de se esperar, com frases e nomes próprios iniciando com letras maiúsculas. Na minha opinião, deveria ter permanecido com letras minúsculas porque o Sr. Cubillas estava naquela vergonhosa derrota da seleção peruana para a Argentina de 6x0, que desclassificou a seleção canarinho. Um verdadeiro episódio de ficção!

Quando a mulher do Sr. Silva vira metafísica, nosso anti-herói lamenta, inicialmente, não viver em um admirável mundo novo, para que a dor da perda não o oprimisse de forma tão desumana, como estava sendo viver em um mundo sem Laura.  Por isso é que  esses relacionamentos emocionais intensos ou prolongados  são proibidos e considerados anormais no admirável mundo novo de Huxley: poupa esses tormentos das perdas. O Sr. Silva maldiz suas memórias, e a saudade que sente, comparando-as a uma opressão fascista. No entanto, ao encontrar no asilo da Feliz Idade um personagem de um poema de Pessoa,  o Esteves sem metafísica, ele flerta inicialmente com a metafísica, para em seguida aceitar que o que lhe resta é a companhia de novos amigos e de seus próprios pesadelos.


"Com a morte, tudo o que respeita a quem morreu devia ser erradicado, para que aos vivos o fardo não se torne desumano, esse é o limite, a desumanidade de perder quem não se pode perder..."






O Sr. Silva costumava ter pesadelos onde abutres devoravam seu corpo. Lembrei-me da premiada fotografia de Kevin Carter, que mostra que o pesadelo do nosso herói do mês não é tão metafísico assim. Escusa-se de falar a referência à obra prima de Hitchcock.


(photo: nelson d'aires) as gralhas grassam

         
          TABACARIA 
                   (Álvaro de Campos, 15-1-1928)
           
        Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
        ...
        Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu. Estou hoje dividido entre a lealdade que devo À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora, E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro. 
         ...
        (Come chocolates, pequena; Come chocolates! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates. Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria. Come, pequena suja, come! Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes! Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho, Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.) 
        ...
          Essência musical dos meus versos inúteis, Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse, E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte, Calcando aos pés a consciência de estar existindo, Como um tapete em que um bêbado tropeça Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada. 
          Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta. Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada E com o desconforto da alma mal-entendendo. Ele morrerá e eu morrerei. Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos. A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também. Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta, E a língua em que foram escritos os versos. Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu. Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas, 
          ...
          Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?) E a realidade plausível cai de repente em cima de mim. Semiergo-me enérgico, convencido, humano, E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário. 
           ...
           (Se eu casasse com a filha da minha lavadeira Talvez fosse feliz.) Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela. O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?). Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica. (O Dono da Tabacaria chegou à porta.) Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me. Acenou-me adeus, gritei-lhe , e o universo Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.


        Periodista Digital
        "- sabes que os peixes tem uma memória de ... 3 segundos... é por isso que não ficam loucos dentro daqueles aquários sem espaço, porque a cada 3 segundos estão como num lugar que nunca viram e podem explorar. devíamos ser assim, a cada 3 segundos ficávamos impressionados com a mais pequena manifestação de vida, porque a mais ridícula coisa na primeira imagem seria uma explosão fulgurante da percepção de estar vivo. compreendes. a cada 3 segundos experimentávamos a poderosa sensação de vivermos, sem importância para mais nada, apenas o assombro dessa constatação.  
        Corvos - Lucio Bouvier
        - seria uma pena que não voltasse a se lembrar de mim, sr. silva, não gosto dessa teoria dos peixes, porque assim não se lembraria de mim.
        ...
        estava no ponto peixe. o glorioso ponto peixe a partir do qual o destino nos começa a ser irrelevante. encaramos as coisas com o mesmo drama com que em segundos o esquecemos e nos esperançamos de alegria por outro motivo qualquer, sem saber por quê."


        "... Muitos mentem sem pudor para não se deixarem humilhar, pouco importava tudo isso porque tão na extremidade da vida eram todos a mesma coisa, um conjunto de abandonados a descontar pó ao invés de areia na ampulheta do pouco tempo".


        Para ler carta enviada a Valter Hugo Mãe por uma leitora do CLIc acesse: http://ritamagnago.blogspot.com/2011/08/carta-enviada-ao-valter-hugo-mae.html

        A carta-resposta do autor está em http://ritamagnago.blogspot.com/2011/09/resposta-do-meu-dileto-escritor.html



        Alguém aí sabe como tirar o fascismo das pessoas?

        Leia este livro.


        20 de agosto de 2016

        Erótico: Clara Nascimento







         Emily Dickinson,
        Phil Z Clitzdaughter,
        E.E. Cummings.
        I touch myself.

        You feel me.
        Skin to skin,
        Tongue to tongue.
        It needs two to tango,
        You grab me by the waist
        I slightly bend forward,
        What move is this,
        Who dares to tell?

        One leg up,
        Curled around your hip,
        I press you close to mine.
        Eyes that gaze in a well
        As deep as the desire.

        What is this dance to me?
        A flame that burns from inside out.

        What is this flavour wire to you?
        A land of lust and lost souls.

        19/08/16





        19 de agosto de 2016

        Livro: O Verão sem homens, de Siri Hustvedt

        Olá queridos!
        Esse é o post que fiz no meu blog Mar de Variedade sobre o livro do mês.

        Essa foi a leitura do mês do Clube de Leitura Icaraí



        Sinopse da Companhia das Letras:

        "Mia e Boris são casados há trinta anos. Ela é filósofa e poeta. Ele, neurocientista. Sem nenhum aviso, ele decide que é momento de dar um tempo no relacionamento. A pausa tem nome completo e endereço - é francesa, vinte anos mais jovem, colega de laboratório dele. Mia tem um colapso nervoso. Passa uma semana e meia internada no hospital. Quando volta para seu apartamento no Brooklyn, em Nova York, não consegue se sentir em casa. Decide passar as férias de verão em sua cidadezinha natal, em Minnesota. É lá que vive sua mãe, em um condomínio para pessoas idosas. Ela aluga uma casinha para a temporada, com um quintal com vista para um milharal, oferece uma oficina de poesia para estudantes locais e parte para sua jornada rumo ao interior.Uma vez lá, Mia toma contato com as amigas da mãe, com as meninas da oficina e suas interações marcadas por uma feroz rivalidade, e também com a nova vizinha, uma jovem mãe de duas crianças pequenas, casada com um homem ausente, estressado e agressivo. A partir da convivência com essas mulheres ao seu redor, e longe da sombra das figuras masculinas que marcaram sua vida, Mia enfim atinge a serenidade para reavaliar sua trajetória e encontrar suas próprias respostas."


        Para ser bem sincera, essa leitura não me "prendeu". Demorei bastante para concluí-la. Os amigos do clube me ajudaram muito com seus ótimos comentários no dia da reunião. 
        Claro que isso é muito pessoal. Muitas pessoas gostaram do livro e acho que sempre vale a pena ler e tirar suas próprias conclusões. 
        O livro não fala só da pausa que Boris pediu para Mia. Esse é o ponto inicial do livro. 
        Após essa "separação", Mia, que teve um colapso e até ficou internada em uma clínica psiquiátrica por um breve período, decide passar o verão na cidade de sua mãe, que vive em um condomínio de idosos. E lá ela faz amizade com as amigas de sua mãe, que participam do Clube do livro. 
        Mia aluga uma casa e oferece uma oficina de poesia, onde vai conhecer várias adolescentes e enfrentar o problema de bullying das meninas da classe com uma delas. 
        Ela continua a falar com seu "ex-marido" por mensagens. E fica sabendo de tudo que está acontecendo com ele, através de sua filha. 
        Quem gostou do livro, destacou que ele pode parecer um livro "raso" que só aborda o relacionamento de Mia e Boris, mas ele vai muito além. Concordo com isso. 
        Através das conversas entre Mia, sua mãe e as amigas dela, conhecemos um pouquinho da realidade de quem já envelheceu, seus problemas e sonhos. 
        Por outro lado, na oficina de poesia, encontramos a realidade de adolescentes, que às vezes podem ser cruéis, precisando de um direcionamento. 
        A Mia convive também com a Lola, jovem mãe de duas crianças, que tem um marido agressivo. Portanto, são abordadas relações amorosas e de amizade. Além de problemas conjugais de vários tipos. 
        Imagino que terminar ou dar um tempo em um casamento de trinta anos não seja fácil, tanto que a Mia teve um colapso nervoso. E no decorrer do livro, veremos o desenrolar dessa história entre Boris e Mia.

        "Você se lembra, escrevi para Boris, uma noite há dois anos quando a gente percebeu que tinha pensado exatamente a mesma coisa, não era uma coisa nada óbvia, uma ideia bem excêntrica, aliás, que nos ocorreu a partir de um mesmo catalisador, e então você disse: 'Sabe, se a gente vivesse mais cem anos juntos, será que chegaríamos a virar a mesma pessoa?'. Ton Amie, Mia." (p.110)

        Boa leitura!

        18 de agosto de 2016

        Revivendo leituras passadas - Sidarta: Hermann Hesse

        Terá sido apenas uma coincidência estarmos lendo SIDARTA e ao mesmo tempo sermos "apresentados" a um Papa tão humano?

        Estamos lendo SIDARTA, e, ao mesmo tempo nos deparamos com um ser amável, totalmente ligado e preocupado com as dores da humanidade, um Papa (finalmente) voltado para o social.

        Esperemos que, independentemente da religião, essas sementes germinem...

        Vera Lúcia Schubnell Freire

        * * *

        Na verdade estamos ligados às sintonias do Universo e concordo com a Vera que a escolha de Sidarta não foi casual com o momento que recebemos um importante líder religioso do Planeta.

        (R)




        "Quando foi alcançado o número de votos que me faria Papa, aproximou-se de mim o cardeal brasileiro Dom Cláudio Hummes, me beijou e disse: "Não te esqueças dos pobres". Em seguida, em relação aos pobres, pensei em São Francisco de Assis. Depois pensei nos pobres e nas guerras. Durante o escrutínio cujos resultados das votações se punham "perigosas" para mim, veio-me um nome no coração: Francisco de Assis. Francisco, o homem da pobreza, da Paz, que ama e cuida da criação, um homem que transmite um sentido de Paz, um homem pobre. Ah! Como gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres."


        Papa Francisco - 16 de março - Aula Paulo VI (sala de audiências papais) - Roma




        * * *

        Tudo voltava, todos os sofrimentos que não tivessem encontrado uma solução final.

        A roda do samsara

        Govinda — pensou, sorrindo. — Tais pessoas ficam gratasapesar de poderem, elas mesmas, reivindicar gratidão. Todas elas são submissas, querem ser amigas, gostam de obedecernão gostam de pensar muito. Esses homens são verdadeiras crianças.


        ..aprendi com o rio:  tudo volta.  ...que tua amizade seja meu salário...

        Olha, há mais uma coisa que a água já te mostrou:  que é bom descer, abaixar-se, procurar as profundezas

        - senti que a percepção do Universo circulava em mim como meu sangue.



         "Fraternidade"

        E se agora, neste instante,
        nos olharmos com um sorriso
        e apertarmos nossas mãos,
        buscando a divina essência
        que é comum a todos nós,
        então, fraternos nós somos
        e verdadeiros Irmãos.

        (Elenir)

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        Yes se inspirou em Sidarta de Hesse para escrever a letra de "Close to the edge"
         
             "L’intérêt passionné de Hermann Hesse pour l’Extrême Orient était une tradition de famille. Son grand-père puis ses parents avaient tous longtemps vécu en Inde au service de la Mission protestante de Bâle, y avaient appris les langues locales, s’étaient familiarisés avec les coutumes et la pensée du pays. L’un de ses cousins, Wilhelm Gundert (1880-1971), était un savant de premier plan, établi au Japon, spécialiste du bouddhisme zen.

             Dès son enfance, Hesse avait ainsi fait la connaissance de l’Asie par des conversations éclairées et par la lecture des meilleurs livres. Rien d’étonnant à ce que le futur auteur de Siddhartha et du mythique Voyage en Orient ait désiré connaître à son tour physiquement quelques-uns des pays qui nourrissaient déjà une si grande part de son imagination et de sa philosophie."

        (http://www.jose-corti.fr/titresetrangers/carnets-indiens.html)

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        Tu Hi Meri Shab Hai

        Tu hi meri shab hai subha hai tu hi din hai mera

        Tu hi mera rab hai jahaan hai tu hi meri duniya

        Tu waqt mere liye main hoon tera lamha

        Kaise rahega bhala hoke tu mujhse judaa


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        Avant la naissance de Krishna, Vishnou révélant sa divinité à Vasudeva et Devaki. National Museum, New Delhi. Basé sur l'histoire du Bhagavata Purana, Bikaner, Rajasthan, vers 1725.






        Disse Sidarta: " [...] tenho para mim que o amor é o que há de mais importante no mundo. Analisar o mundo, explicá-lo, menosprezá-lo, talvez caiba aos grandes pensadores. Mas a mim me interessa exclusivamente que eu seja capaz de amar o mundo, de não sentir desprezo por ele, de não odiar nem a ele nem a mim mesmo, de contemplar a ele, a mim, a todas as criaturas com amor, admiração e reverência."




        Om é o arco; alma é a seta
        Brama é o alvo da seta:
        Cumpre feri-lo constantemente

        O CLIc chega ao Nirvana
        Que todos possam alcançar a Paz do Universo, deixo vocês mergulhados no Om. (R)



        Uma porta após outra abre-se diante de ti. Como se explica isso? Dispões, por acaso, de algum feitiço?

        Olha, Kamala: uma pedra que atirares na água, dirige-se ao fundo pelo caminho mais rápido. O mesmo sucede cada vez que Sidarta tem um objetivo, um propósito. Sidarta não faz nada. Apenas espera, pensa e jejua. Mas passa através das coisas deste mundo como a pedra passa pela água, sem mexer-se, sentindo-se atraído, deixando-se cair. Sua meta puxa-o para si, uma vez que ele não admite no seu espírito nada que se possa opor a ela. Eis o que Sidarta aprendeu dos samanas. É aquilo que os tolos chamam de feitiço e que na opinião deles é obra dos demônios. Nada é obra dos demônios, já que não há demônios. Cada um pode ser feiticeiro. Todas as pessoas são capazes de alcançar os seus objetivos, desde que saibam pensar, esperar, jejuar. 


        * * *

        O que é a meditação? O que é o abandono do corpo? Que significa o jejum? E a suspensão do fôlego? São modos de fugirmos de nós mesmos. São momentos durante os quais o homem escapa à tortura de seu eu.

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        Leitura jovem no CLIc

        "Hermann Hesse é o maior escritor do século XX"
        San Francisco Chronicle



        Iluminação no CLIc


        Sidarta, na minha estante,
        passou anos escondido,
        mostrou-se a mim, e num instante
        sussurrou "Sou o escolhido".

        (Ilnéa)





        "Toda a vida de Hesse, até o último dia, foi uma série de fugas" escreveu Otto Maria Carpeaux, na orelha a 1a edição de "Sidarta". "E cada uma das fugas foi uma volta..."

        ... e há mais... muito mais!

        Fomos, e somos, verdadeiramente um grupo... ou diria "maravilhosa familia".

        Abraços ... num só abraço,

        Abraço enoooorme... !!!!!!!!!!!!!!

        Ilnéa

        17 de agosto de 2016

        O grito libertador: Elenir


        Udi Peled


        No palco verde, gramado,
        homens valentes, velozes,
        em bela coreografia,
        disputam a soberana:
        A bola.

        Correm, caem, chutam, brigam.
        A plateia brada, berra,
        e com seus olhos nervosos,
        acompanha a caprichosa:
        A bola.

        Atento, no seu quadrado,
        o goleiro assiste ao jogo,
        agarrando-a com bravura
        se ela tenta entrar na rede:
        A bola.

        O Professor se levanta.
        Ora de cara fechada,
        ora aberta num sorriso,
        se desesperando grita:
        Na bola!

        E é ele, um quase menino,
        que ao recebê-la em seus pés,
        faz magia, se diverte,
        dança, roda, dribla, chuta:
        Goool !

        A torcida, agora, vibra,
        alegre, entusiasmada,
        e sacudindo as bandeiras
        vai repetindo o refrão:
        Campeão! É campeão!