CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

23 de fevereiro de 2018

Livro - Clube de Leitura Icaraí: 15 anos entre livros




Categoria: Literatura, Letras e Artes
Nome: Clube de Leitura Icaraí: 15 anos entre livros
Organizadores: Evandro de Andrade e Cintia Campos
Ano: 2014
Preço:  30,00
Páginas: 208p.
Peso: 315g
ISBN: 978-85-228-0978-3

Resenha: Depois de 15 anos e 132 obras lidas e debatidas em encontros periódicos, o Clube de Leitura Icaraí lança seu primeiro livro comemorativo. Construída de forma colaborativa, a brochura reúne o registro da história e do funcionamento do grupo, além de coletânea com textos inéditos assinados por seus membros. O objetivo é compartilhar experiências e incentivar a criação de novas confrarias. Dividida em três partes principais, a obra começa com breves discussões sobre temas pertinentes, como o papel da literatura e dos livros, as diferentes formas de ler e o valor da leitura em grupo. Segue apresentando o Clube de Leitura Icaraí, sua história, a dinâmica das reuniões, os canais de comunicação (o grupo mantém um blog e está presente noFacebook e no Twitter), a escolha dos livros, o que já foi lido, os desdobramentos, os participantes, o papel do moderador e vários depoimentos de seus membros. Na segunda seção, há uma pequena amostra da produção literária inspirada em obras debatidas, o que demonstra como a leitura pode desenvolver a criação de novos textos.


Sumário


Introdução


Clube de Leitura

1. Visão geral

Livro e literatura
O leitor comum
Leitura colaborativa


2. Sobre o clube

Um olá do Clube de Leitura Icaraí
Este Clube tem história
A dinâmica das reuniões
O bastão da fala: Cristiana Seixas
Outros canais
            Blog
            Clube de discussão por e-mail
            Redes sociais
A escolha dos livros
O que já lemos
Os preferidos do CLIc
Desdobramentos
            Na Bienal do Livro em 2009
            Reuniões com autores
            Reuniões com autores pela web
            Presença de especialistas


3. Prazer em ler você

Os participantes
Um, dois, três concierges... quatro, cinco, seis concierges


4. Um clube que se lê

Caminhos, por Adriana Marins
Nova elegância do ouriço, por EloisaHelena
Clube de leitura e de vida!, por Emmanuel Paiva de Andrade
Um encontro com o Clube, por Rita Magnago
As muitas formas de ler, por Rita Magnago
Um caso de amor? Adivinhe, por Vera Lúcia Schubnell Freire

Sobre leituras do Clube

CLIc, por Adriana Marins
O evangelho segundo José, por Antonio R.
A palavra âncora, por Cristiana Seixas
Haicais, por Elenir Moreira Teixeira
A caixa-preta, obra de Amós Oz, por Luzia Pereira Velloso
Vida barata, por novaes/
Livro do desassossego, por Rita Magnago


Antologia
Tema 1 – Texto Coletivo

Meu carnaval preferido, organização por Rita Magnago

Tema 2 – Produção Livre

Terna lucidez, por Adriana Marins
Silêncio dos ventos, por Ilnéa País de Miranda
Espelho, por Adriana Marins
Dicotomia do sentimento, por Fernando Luís Pereira Robles
... para o amor voar bonito, por Ilnéa País de Miranda
Fado, por Luiz Gavri
Um ser devorado por Cronos, por Neide Peixoto
In memoriam, por Niza Monteiro
Em paz, por Rita Magnago
Aquarela, por Sonia Salim
Alma poeta, por Vera Lúcia Schubnell Freire
Asas, por GracindaRosa
A criação de Carlos, por Fernando Luís Pereira Robles
Beijos ternos e cheios de esperança, por Vera Lúcia Schubnell Freire
A menina que vendia livros ? ou a menina (da) Travessa, por Carlos Benites
Natureza viva, por Carlos Rosa Moreira
Cinco e cinquenta e um, por Luiz Gavri
No elevador, por Benito Petraglia
Memórias, por CeciLohmann
Uma paixão, por Cícero Coelho Lapa
As cartas, por Elenir Moreira Teixeira
Há mais coisas entre o céu e a terra... nos jardins de outrora, por Eloisa Helena
Os coveiros, por Hélio José Lima Penna 
Um conto mineiro, pór Joana Lapa
As fúrias, por Niza Monteiro
Um dia inesquecível, por novaes/
Felicidade suprema, por Rita Magnago






20 de fevereiro de 2018

Olhos D'água, de Conceição Evaristo, e evento

Olá queridos!
Segue post que fiz no meu blog Mar de Variedade no ano passado.
Em fevereiro, iremos debater sobre esse livro no CLIc.

No dia 17 de maio, participei do Evento Encontros Malê na Travessa - CCBB, com Conceição Evaristo. 
Acabei de ler o seu livro "Olhos D'água" e amei.
O bate-papo foi muito interessante, com participação da plateia. 
A Conceição citou a escritora Carolina Maria de Jesus e falou da importância da sua obra.
Falou também que a vivência de cada autor influencia ao escrever seus livros. 
Ao final do bate-papo, ela autografou seus livros. Foi um evento incrível!






Sinopse: conjunto de contos, onde são abordados temas como: feminismo, preconceito racial, pobreza, vida na comunidade.



Eu amei os contos. Claro que gostei mais de uns que de outros. A escrita da Conceição é muito boa. Cada conto que li, eu mergulhei na história. Ela escreve com tanta sensibilidade e verossimilhança, que não tem como você não ficar totalmente absorto na narrativa.
Lendo a biografia da autora que nasceu em uma favela da zona sul de Belo Horizonte, percebemos o quanto a autora colocou um pouco de sua vivência em cada conto. 
Segue um trecho do primeiro conto, que dá título ao livro:
"Lembro-me que muitas vezes, quando a mãe cozinhava, da panela subia cheiro algum. Era como se cozinhasse, ali, apenas o nosso desesperado desejo de alimento. As labaredas, sob a água solitária que fervia na panela cheia de fome, pareciam debochar do vazio do nosso estômago, ignorando nossas bocas infantis em que as línguas brincavam a salivar sonho de comida." (p. 16)

Muito impactante esse trecho, não? E, apesar de triste, a forma como a autora escreve tem certa poesia.
Pretendo ler outros livros da autora.


Recomendo! 

10 de fevereiro de 2018

Run: Foo Fighters




Run by Foo Fighters on VEVO.


Recordando o Bloomsday 2015 - debate sobre a obra Ulysses, de James Joyce


Debate ocorreu na Livraria da Travessa da Rua Sete de Setembro


Salve o Bloomsday 2015!!!



"Senhoras e senhores,

Aproxima-se o Bloomsday. 

Nem todos teremos lido, nem todos teremos sequer começado... mas, como eu tinha comentado recentemente, seria importante tirarmos Ulisses do nosso sistema. Tem sido um longo caminho e, se como diz Anthony Burgess, Ulisses é um livro com o qual conviver, menos do que ler de um fôlego, qual fosse um romance policial, nunca deixaremos de lê-lo, em ocasiões diferentes, refletido em outros livros, refletido no impacto que teve na literatura ocidental e na forma continuará influenciando a crítica e o público na apreciação geral da literatura. 


Isso tudo fica muito pomposo... na verdade, na minha tentativa de ler Ulisses sem todo o peso da fortuna crítica envolvida, tenho até me divertido bastante. Mas tenho procurado usar o estatuto da "convivência", alternando-o com outras leituras, buscando uma certa leveza onde o tempo todo sugerem-nos solenidade e estudo dileto. 

Sou, por princípio, contra a teorização antes que o fenômeno tenha se concretizado. Sou contra o boato antes do fato. Só leio introduções e prefácios de literatura depois que os livros tiverem sido lidos. E assim procurei fazer com o Ulisses. Acho que ainda sigo a melhor forma. 

Assim sendo, estamos todos marcados para terça-feira, dia 16, para o nosso pequeno passeio no parquinho dublinense."

(Pedretti)


"Este é o livro ao qual todos somos devedores, e do qual nenhum de nós pode escapar"- T.S. Eliot

Com o épico Ulisses, sua obra maior, o irlandês James Joyce revolucionou o romance moderno. Transcorrido em um único dia - 16 de junho de 1904 - e em uma só cidade - Dublin -, o enredo de Ulisses consegue abarcar toda a gama das emoções e experiências humanas, que o leitor vivencia pelo olhos, ouvidos e entranhas de personagens inesquecíveis, como Leopold Bloom, Stephen Dedalus e Molly Bloom. 

Esta tradução de Ulisses, primorosamente concebida pela professora Bernardina da Silveira Pinheiro ao longo de sete anos de trabalho, tem a intenção de restituir o grande feito literário do século XX a quem de direito: o leitor. Com o mesmo registro coloquial do inglês usado por Joyce, mas sem abrir mão da riqueza linguística que o consagrou, a linguagem empregada nesta edição privilegia uma dimensão mais humana da obra-prima do autor, tornando-a acessível ao maior número possível de leitores.

James Joyce demorou sete anos para escrever Ulisses (de 1914 a 1921). Nesse período, atravessou a Primeira Guerra Mundial, passou por complicações financeiras e teve problemas de visão. Após terminá-lo, enfrentou ainda sérias dificuldades para publicá-lo. Depois de ser recusado no Reino Unido e nos Estados Unidos - onde foi considerado obsceno -, o livro foi finalmente editado em 1922 por uma pequena livraria em Paris, a Shakespeare & Company (foto ao lado), da norte-americana Sylvia Beach. Ulisses seria ilegal nos Estados Unidos até 1934, e só seria liberado no Reino Unido três anos mais tarde. 

Nele, intercalam-se as trajetórias de dois personagens principais, Leopold Bloom e Stephen Dedalus, pelas ruas de Dublin ao longo de um único dia, 16 de junho de 1904. Sua estrutura e referências remetem à Odisséia, épico de Homero sobre as peripécias de Ulisses (Odisseu, para os gregos) em sua jornada de volta a Ítaca. "Bloom é Ulisses vivendo suas pequenas aventuras em Dublin; Stephen Dedalus é Telêmaco em busca de um pai; Molly Bloom é ao mesmo tempo a iludida Calipso e a fiel Penélope", escreveu Anthony Burgess, para quem "Ulisses é um livro para se ter, com que se conviver".





"Sombras vegetavam silentes na paz da manhã flutuantes da escada ao mar para onde olhava. Na praia e mais além embranquecia o espelho d´água, pisado por pés lépidos e leves. Seio branco do mar turvo. Parelhas de pulsos, dois a dois. Mão tangendo as cordas de harpa fundindo-lhe os acordes geminados. Palavras pálidas do pélago aos pares rebrilhando na turva maré" (pág. 105)


Bloomsday 2012 - Sim, nós do CLIc lemos!


"Sozinha, um instante de verdade:
não gosto de Joyce
não entendo a forma
a forma
que forma
estilo nascido para marcar diferença."

                (Reflexão II - Rita Magnago)


" - Empresta aí esse teu portameleca para limpar a minha navalha...Uma nova cor pra paleta dos nossos poetas irlandeses: verderranho. Quase dá para sentir o gosto, não? Subiu novamente até o parapeito e mirou por sobre a baía de Dublin, seus claros cabelos de carvalhopálido mexendo leves. Meu Deus... o mar verderranho, o mar encolhescroto." (págs 99/100)


NOSSO CLUBE DE LEITURA ICARAÍ JÁ LEU! SE VOCÊ PERDEU O EMBARQUE OU NAUFRAGOU NO PERCURSO, AGORA TEM UMA NOVA CHANCE NO CLUBE DA SETE. LEIA A CONVOCATÓRIA DO LIVREIRO ROBERTO PEDRETTI DA LIVRARIA DA TRAVESSA EMITIDA EM 18 DE AGOSTO DE 2014.





"Adotar Ulisses como nossa leitura de 4 de dezembro de 2014 consiste em dizer que, a partir de hoje, temos 108 dias para, se não o lermos integralmente, ao menos o bastante para tornar a reunião proveitosa.

Não é um feito inédito: nas reuniões dos clubes de todo o Brasil, conheci mediadores de 3 clubes que o tinham adotado - dois em São Paulo e um em Florianópolis. O ponto comum entre as impressões dos mediadores destes clubes foi de que as reuniões foram... inesperadas. O que quer dizer que levaram a caminhos muito distantes do que se poderia esperar da usual fortuna crítica solene que se agarrou ao romance feito craca e que não nos deixa fruir dele livemente, mas apenas pelo filtro de interpretações já consagradas. Ou seja: as reuniões foram boas porque as pessoas miraram "o livro" e não "a crítica". 


Há cerca de dois anos, Paulo Coelho disse numa entrevista que "Ulisses" tinha sido mais danoso que benéfico para a literatura universal. Acho um ponto de vista filistino um pouquinho exagerado, ainda mais partindo de alguém que se esbalda em ser o mais traduzido escritor brasileiro. Mas eu entendo o que ele quis dizer, e não está de todo errado: a unanimidade sacralizante que caiu sobre James Joyce (assim como sobre Shakespeare, Faulkner, Beckett, Proust e toda a literatura russa do século XIX) criou uma barreira quase intransponível para aqueles que quisessem fazer a coisa mais prosaica para as quais aqueles textos tinham sido pensados: lê-los. Não se imagina o ser humano civilizado e artistizado sentando confortavelmente em sua poltrona no fim do dia, tirando os sapatos, e entregando-se à leitura de um dos volumes de "Em Busca do Tempo Perdido" - ele precisa sentar-se, isso sim, à escrivaninha, cercado por notas e literatura de referência às pilhas, para começar o "estudo", e não a leitura. Assistir a uma peça de Shakespeare virou, no nosso tempo, um marco de solenidade esnobista tão consagrado que praticamente ninguém mais sabe o que está acontecendo no palco (às vezes nem os atores) - todos estão ali sentados na plateia "pelo significado cultural do evento", decorando frasezinhas aqui, citando outros autores ali, até o ponto de não nos permitirmos mais rir em suas comédias ou chorar em suas tragédias.



(Não sou fã do filme "Shakespeare Apaixonado", de 1998, que no geral é meio bobo e desperdiça um trabalho de produção sensacional, mas tenho que admitir que a tomada da estreia de Romeu e Julieta no Globe Theatre é matadora: ali, gente muito simples, alguns sujos do trabalho nas granjas, outros inclusive com animais domésticos no colo, assistia à peça pela "história que era contada", e se emocionavam. Sugiro a todos rever estas cenas e refletir sobre o que sobrava em um trabalhador rural analfabeto do seculo XVI que nos falta hoje). 



Acho que esse é o tipo de trabalho de desprendimento que podemos aplicar a Ulisses. Esqueçamos, ao menos num primeiro momento, sua fama de difícil. seus meandros criptografados, suas sutilezas intransponíveis. Acho que devemos, ao menos para esta reunião, seguindo o exemplo dos grupos que discutiram-no, abri-lo como abriríamos qualquer livro quando "lhe damos uma chance". "Vamos ver se vou gostar desse aqui..." é o que dizemos geralmente quando nos deparamos com um autor desconhecido ou com recepções mistas. E todo autor, até onde sei, gosta de pensar em seu leitor fazendo este movimento, rumo ao desconhecido, com o benefício de parar e chamá-lo de insuportável quando bem entender.



Na minha visão muito particular sobre Literatura, acho que uma obra de ficção deve bastar-se a si mesma para engajar o leitor. Ela pode ultrapassar este momento, ser muito mais significativa que ele, e isso faz os "bons" livros passarem a ser "grandes" livros. Mas entre o prazer do leitor e o labor do estudioso não deveria haver descontinuidade."







E DEPOIS... JUNTE-SE A NÓS!!!




NO

BLOOMSDAY

16 DE JUNHO DE 2015

18:00 h




R. Sete de Setembro, 54 - Centro, Rio de Janeiro - RJ, 20050-009
Telefone:(21) 3231-8015


Contato: Roberto Pedretti

6 de fevereiro de 2018

Conto de Carnaval 2018






Os confetes,  como uma chuva de alegria, iam displicentemente  nos envolvendo. Eu, muito tímida,  me escondia atrás  das serpentinas  coloridas. Foi, então, que um Pierrot de olhos verdes me notou ali meio escondida. Deu um sorriso e me chamou para dançar... Estava dançando bem animada,  quando reparei... Um moreno de olhos negros profundos, um pirata me observava. Vagamente lembrei de sua fisionomia... pra ser sincera,  o reconhecimento foi imediato. Era o atrevido da Amaral Peixoto. O mesmo que me levantara um fio de cabelo, arrepiando-me a nuca.. O ar de libertação escondido por trás da máscara me contagiou. Embalada em um ritmo viciante, dancei e cantei ao luar. Quando dei por mim, as horas passaram voando, mas… a festa apenas começara e eu já estava dividida entre o Pierrot de olhos verdes e o pirata de olhos negros profundos, um autêntico Arlequin daqueles que só aparecem para nos azarar, e como sabem mexer com a gente esses danados! Contudo a minha exaltação durou pouco!  O Pierrot tinha a sua Colombina, e não era eu!  A dama com o vestido esvoaçante colorido aproximou-se no meio da multidão e enlaçou-se no pescoço do Pierrot! Mas,ao me encaminhar, muito animada, em direção daqueles estonteantes olhos... Mesmo sabendo que piratas são saqueadores e infiéis e que a fantasia revela muito mais do que apenas a folia do Carnaval: viva a alegria que vira cinzas no final! Ainda assim, antes das cinzas, o fogo da emoção e do encantamento está aceso prevendo aventuras por entre serpentinas e confetes. Corri para meu pirata saqueador tentando esquecer o lindo olhar esmeralda do Pierrot. Dançávamos rodopiando pelo salão, eu e meu pirata, mas às vezes esbarrávamos  noutro par de enamorados e fortuitamente meus olhos procuravam os do Pierrot, que dissimulava não perceber... Aqueles olhos... Onde eu já vira aqueles olhos cor de esmeralda? Não eram olhos passíveis de esquecimento, entretanto, diariamente cruzava  com pessoas: professores, alunos, funcionários da universidade. Pessoa que iam e vinham em minha rotina  caótica de trabalho. Esqueci-os então. Pensei em mim flutuando no salão, na noite que passava como uma brincadeira excitante, nos meus desejos tão romanescos. Segura de mim, senti que nada mais importava além da minha alegria de carnaval. Então, abri meus olhos e percebi... Essa mulher toda dourada, que surgiu do nada, para meu sonho acordar. Por um instante me senti covarde, mas, num rompante de coragem, continuei a rodopiar pelo salão. Meus olhos procurando meu pirata marrom, alto, forte e sedutor. Quando percebi, ele estava na minha frente, com seus olhos negros profundos , penetrantes, desvendando meus segredos... Deslizando pelo salão como uma serpente com seu chocalho de paetês e lantejoulas, como num passe de mágica, surgiu uma piriguete arrastando os olhares de todos a sua volta, inclusive de meus dois cortesãos, irresistivelmente, uma aventureira desestabilizando minha frágil segurança recém conquistada. Era certamente uma provação, que me fez lembrar de um outro momento da minha vida que sempre voltava à baila nas situações de fortes emoções. É a vida nos confrontando em todos os momentos. A segurança e a alegria, o encantamento e a leveza de alma não resistiram e os pensamentos começaram a ofuscar o brilho dos meus olhos. Por questão de segundos um desmaio teria jogado o meu corpo ao chão. Eu resisti, firmei as pernas com todas as minhas forças e consegui afugentar para bem longe a nuvem negra que queria sequestrar meus momentos felizes. Eram sombras de outros carnavais, momentos de tristeza e traição.

Autores: Vera, Andreia, Eloisa, Elena, Evandro, Adriana, Mariney, Hilda, Foucault, Sol e Sônia. 


2 de fevereiro de 2018

A Jangada de Pedra, de José Saramago

Olá queridos!
Vou reproduzir o post do meu blog Mar de Variedade.
Vou falar minhas impressões sobre o livro A Jangada de Pedra, do José Saramago, lido no Clube de Leitura Icaraí.



Sinopse da Companhia das Letras:
"Racham os Pirineus, a Península Ibérica se desgarra da Europa. Transformada em ilha - Jangada de Pedra -, navega à deriva pelo oceano Atlântico.
A esse espetacular acidente geológico somam-se outros insólitos que unem os quatro personagens principais do romance numa viagem apocalíptica e utópica pelos caminhos da linguagem e, por meio dela, pelos da arte e da cultura peninsulares.
A ínsula ibérica vagueia ao acaso de um mar tecido de muitos mitos e história.
A história dos povos ibéricos, José Saramago a conta e reconta pela memória de um narrador, múltiplo de si mesmo e dos personagens cujas andanças acompanha.
Os mitos se costuram nas pedras da fratura de que se fez a jangada. Neles se recuperam as crônicas, peregrinações de heróis anônimos ou notórios da identidade ibérica, todos notáveis, D. Quixote entre uns, os peregrinos de Santiago de Compostela na Idade Média entre outros.
Narrativa perfeita na qual os fantasmas do inconsciente pousam familiarmente no cotidiano; surrealismo vigoroso que torna o incomum realidade, criando as condições oníricas para virar o mundo às avessas e, então, contar-lhe, com ironia e graça, os transtornos de erros e acertos, de enganos e desenganos.
Posto assim ao contrário de si mesmo e de suas aparentes e reais firmezas, o mundo abre-se para a aventura ficcional da desconstrução das certezas das palavras e dos objetos; deixa-se viajar no estranhamento que daí decorre; reencontra-se em signos velhos e cristalizados: signos novos contudo, nos enigmas em que se tornam, reveladores também nas fantásticas soluções narrativas que desencadeiam.
Carlos Vogt"

Gosto do Saramago. Adorei As intermitências da morte.
Infelizmente, não gostei dessa leitura, embora se trate de uma prosa poética, muito bem descrita na sinopse da Companhia das Letras.
Como sabemos, a escrita do autor não tem muita pontuação, os parágrafos são grandes. Soma-se a isso, nesse livro, uma narrativa que mistura ficção e um pouco de história do mundo, onde há um grupo de amigos que viajam pelo mundo e vão contando sobre os principais acontecimentos da história, utilizando muitas metáforas. 
A narrativa ficou um pouco confusa e cansativa. Isso na minha modesta opinião. Sei que há muita gente que adorou esse livro. Saramago sempre é uma boa escolha. 
Quem quiser comentar ou discordar, fique à vontade. 



Boa leitura!