CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

22 de junho de 2017

Silversun Pickups - Lazy Eye


I've been waiting;
I've been waiting for this moment all my life
but it's not quite right.

And this 'real',
It's impossible if possible;
At who's blind word,
So clear but, so unheard.

I've been waiting,
I've been waiting for this silence all night long;
It's just a matter of time.

To appear sad,
With the same 'ol decent lazy eye;
Fixed to rest on you,
Aim free and so untrue.

Everyone's so intimately rearranged
Everyone's so focused clearly with such shine

Everyone's so intimately rearranged
Everyone's so focused clearly with such shine

Lost and loaded
Still the same 'ol decent lazy eye
straight through your gaze
That's why i said i relate
I said we relate
It's so fun to relate

It's the room, the sun and the sky
It's the room, the sun and the sky

I've been waiting
I've been waiting for this moment...

 

19 de junho de 2017

A trovadora do CLIc, I, e o "espreitador de estrelas"...



No meio da madrugada
A Lua, e o céu tão bonito,
Lembraram-me, sou tua amada…
... sonhei o que estava escrito.





Espreitando o céu de estrelas,
silêncio morno na rua,
descobri o dom de vê-las
tecendo um véu para a lua.



No escuro do céu
Bailando a Lua passeia
Prima bailarina. 




No céu, bela lua cheia,
detrás de nuvens escuras,
mais longe o Sol se incendeia,
iluminando loucuras.


18 de junho de 2017

A mãe sob a lente de aumento - A Filha Perdida

​"Que bobagem é pensar que é possível falar de si mesmo aos filhos antes que eles tenham pelo menos cinquenta anos. Querer ser vista por eles como uma pessoa e não como uma função. Dizer: sou sua história, vocês começam comigo, escutem, pode ser útil."

A mãe sob a lente de aumento.

Vontades. Premências. Desejos. Fraquezas. Dores. Angústias.
Elena Ferrante traz a mãe e suas necessidades em um tom quase rascante em "A Filha Perdida". Sem medo de julgamento, Leda se descortina diante do leitor e traz à tona segredos da maternidade talvez partilhados por dezenas, centenas, milhares de mulheres em silêncio.
O totem da mãe perfeita surge colorido na relação Nina-Elena, para ser desconstruído paulatinamente aos olhos de Leda, que, ao mesmo tempo, também se desconstrói diante de Nina para que ela possa observar por si mesma - caso consiga - quão pujante é a maternidade imperfeita.
E, como pano de fundo, a traição feminina é colocada à prova, livre de moralismos, de achismos, de ismos quaisquer que a possam destituir da sua força e poder, legítimos ou não. Isso fica a cargo da leitura e do leitor.

Um livro que irrita, que provoca, que emociona, que traz à tona recordações antigas e desejos outrora vividos (ou não), “A Filha Perdida” é uma leitura ímpar e marcante. Inesquecível.

17 de junho de 2017

Revivendo leituras passadas - Grande Sertão: Veredas



"Tão bem, conforme. O senhor ouvia, eu lhe dizia: o ruim com o ruim, terminam por as espinheiras se quebrar – Deus espera essa gastança. Moço!: Deus é paciência. O contrário, é o diabo. Se gasteja. O senhor rela faca em faca – e afia – que se raspam. Até as pedras do fundo, uma dá na outra, vão-se arredondinhando lisas, que o riachinho rola. Por enquanto, que eu penso, tudo quanto há, neste mundo, é porque se merece e carece. Antesmente preciso. Deus não se comparece com refe, não arrocha o regulamento. Pra quê? Deixa: bobo com bobo – um dia, algum estala e aprende: esperta. Só que, às vezes, por mais auxiliar, Deus espalha, no meio, um pingado de pimenta...

Haja? Pois, por um exemplo: faz tempo, fui, de trem, lá em Sete-Lagoas, para partes de consultar um médico, de nome me indicado. Fui vestido bem, e em carro de primeira, por via das dúvidas, não me sombrearem por jagunço antigo. Vai e acontece, que, perto mesmo de mim, defronte, tomou assento, voltando deste brabo Norte, um moço Jazevedão, delegado profissional.Vinha com um capanga dele, um secreta, e eu bem sabia os dois, de que tanto um era ruim, como o outro ruim era. A verdade que diga, primeiro tive o estrito de me desbancar para um longe dali, mudar de meu lugar. Juízo me disse, melhor ficasse. Pois, ficando, olhei. E – lhe falo: nunca vi cara de homem fornecida de bruteza e maldade mais, do que nesse. Como que era urco, trouxo de atarracado, reluzia um cru nos olhos pequenos, e armava um queixo de pedra, sobrancelhonas; não demedia nem testa. Não ria, não se riu nem uma vez; mas, falando ou calado, a gente via sempre dele algum dente, presa pontuda de guará. Arre, e bufava, um poucadinho. Só rosneava curto, baixo, as meias-palavras encrespadas. Vinha reolhando, historiando a papelada – uma a uma as folhas com retratos e com os pretos dos dedos de jagunços, ladrões de cavalos e criminosos de morte. Aquela aplicação de trabalho, numa coisa dessas, gerava a ira na gente. O secreta, xereta, todo perto, sentado junto, atendendo, caprichando de ser cão. Me fez um receio, mas só no bobo do corpo, não no interno das coragens. Uma hora, uma daquelas laudas caiu – e eu me abaixei depressa, sei lá mesmo por que, não quis, não pensei – até hoje crio vergonha disso – apanhei o papel do chão, e entreguei a ele. Daí, digo: eu tive mais raiva, porque fiz aquilo; mas aí já estava feito. O homem nem me olhou, nem disse nenhum agradecimento. Até as solas dos sapatos dele –só vendo – que solas duras grossas, dobradas de enormes, parecendo ferro bronze. Porque eu sabia: esse Jazevedão, quando prendia alguém, a primeira quieta coisa que procedia era que vinha entrando, sem ter que dizer, fingia umas pressas, e ia pisava em cima dos pés descalços dos coitados. E que nessas ocasiões dava gargalhadas, dava... Pois, osga! Entreguei a ele a folha de papel, e fui saindo de lá, por ter mão em mim de não destruir a tiros aquele sujeito. Carnes que muito pesavam... E ele umbigava um princípio de barriga barriguda, que me criou desejos... Com minha brandura, alegre que eu matava. Mas, as barbaridades que esse delegado fez e aconteceu, o senhor nem tem calo em coração para poder me escutar. Conseguiu de muito homem e mulher chorar sangue, por este simples universozinho nosso aqui. Sertão. O senhor sabe: sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado! E bala é um pedacinhozinho de metal...

Tanto, digo: Jazevedão – um assim, devia de ter, precisava? Ah, precisa. Couro ruim é que chama ferrão de ponta. Haja que, depois – negócio particular dele – nesta vida ou na outra, cada Jazevedão, cumprido o que tinha, descamba em seu tempo de penar, também, até pagar o que deveu – compadre meu Quelemém está aí, para fiscalizar. O senhor sabe: o perigo que é viver... Mas só do modo, desses, por feio instrumento, foi que a jagunçada se findou. Senhor pensa que Antônio Dó ou Olivino Oliviano iam ficar bonzinhos por pura soletração de si, ou por rogo dos infelizes, ou por sempre ouvir sermão de padre? (...)”





Tudo fazia com um realce de simplicidade, tanto desmentindo pressa, que a gente só podia responder que sim.

Coração de gente — o escuro, escuros”.




No dia 26 de março de 2010, os participantes do Clube deLeitura se reuniram na reitoria da UFF para debater sobre o livro do mês. A obra escolhida foi Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. O encontro de março foi o primeiro a acontecer no terceiro andar do prédio, na Sala dos Conselhos. Lá, os leitores puderam falar sobre suas impressões, sensações e compartilhar pontos de vista acerca da obra.



Composição EdUFF para a reunião de março.


Viver é atravessar um terreno sem salvaguardas. Sem garantias. Sem proteção. Sobreviver as quedas é uma experiência ciclônica, um turbilhão atravessando o ser em alta velocidade. Os golpes e as quedas se repetem e se repetem... 
No entanto, apostando sempre no SER, penso que no meio, no entremeio da vida selvagem, pode-se também encontrar mansidão.
(Niza)


16 de junho de 2017

Eles estão de volta no CLIc - Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa

17/08/2017
19:00h

Varanda do Teatro da UFF

“Diadorim levantou o braço, bateu mão. Eu ia estugar, esporeei, queria um meio-galope, para logo alcançar os dois. Mas, aí, meu cavalo f’losofou: refugou baixo e refugou alto, se puxando para a beira da mão esquerda da estrada, por pouco não deu comigo no chão. E o que era que estava assombrando o animal, era uma folha seca esvoaçada, que sobre se viu quase nos olhos e nas orêlhas dele. Do vento. Do vento que  vinha, rodopiado. Redemoinho: o senhor sabe – a briga de ventos. O quando um esbarra com o outro, e se enrolam, o dôido espetáculo. A poeira subia, a dar que dava escuro, no alto, o ponto às voltas, folharada, e ramarêdo quebrado, no estalar de pios assovios, se torcendo turvo,
esgarabulhando. Senti meu cavalo como meu corpo. Aquilo passou, embora, o ró-ró. A gente dava graças a Deus. Mas Diadorim e o Caçanje se estavam lá adiante, por me esperar chegar. – “Redemunho!” – o Caçanje falou, esconjurando. – “Vento que enviesa, que vinga da banda do mar…” – Diadorim disse. Mas o Caçanje não entendia que fosse: redemunho era d’Ele – do diabo. O demônio se vertia ali, dentro viajava. Estive dando risada. O demo! Digo ao senhor. Na hora, não ri? Pensei. O que pensei: o diabo, na rua, no meio do redemunho…Acho o mais terrível da minha vida, ditado nessas palavras, que o senhor não deve nunca de renovar. Mas, me escute. A gente vamos chegar lá. E até o Caçanje e o Diadorim se riram também. Aí, tocamos.” (p.262)





NONADA!

O alemão Berthold Zilly foi o tradutor da última versão de Grande Sertão para o alemão. Quando estava em processo de tradução, o "Jornal Cândido", da Biblioteca Pública do Paraná, publicou uma entrevista com ele, que já havia traduzido para o alemão "Lavoura Arcaica", Os sertões e "O triste fim de Policarpo Quaresma. Deixo aqui a pergunta sobre a questão da palavra "nonada": 

- A primeira palavra de Grande sertão: veredas é “nonada”, um termo que tem um significado enigmático na boca de Riobaldo. O senhor poderia explicar como verterá ao alemão esse tipo de palavra, que, ao longo das mais de seiscentas páginas do livro, se prolifera?


- “Nonada” realmente é uma palavra-chave, com seis ocorrências no total em Grande sertão: veredas, a primeira abrindo o romance e a última, de certa maneira, fechando-o, já que ocorre na penúltima linha da última página. Esta palavra constitui, além disso, o antônimo ao último sinal gráfico do livro, que é o símbolo do infinito. Assim, o movimento da trama e das ideias de certa maneira vai do quase nada ao infinito. Assim como muitas outras palavras e frases do livro, esta é por um lado coloquial e quase banal, tão banal quanto o sentido dela, ou seja: “coisa sem importância, um quase nada”, sendo por outro lado palavra estranha, rara, enigmática, principalmente no início, sendo esclarecida depois, parcialmente, pelo contexto. Esta tensão entre o corriqueiro, o popular, o cotidiano por um lado e o estranho, o enigmático, o hermético, por outro lado, é também uma característica do romance todo. Aliás, diferentemente de muitas outras palavras do livro, esta não é um neologismo rosiano, pois é uma palavra popular e meio antiquada, caída em desuso hoje, que se encontra em vários autores do século XIX e do início do século XX, inclusive em Os sertões, de Euclides da Cunha. Como vou traduzi-la? Ainda não sei, estou procurando uma expressão mais ou menos equivalente que também seja curta e concisa, popular, meio datada, e que tenha, no plano sonoro, pelo menos um elemento repetitivo, já que “nonada” tem até dois fonemas repetidos, o “n” e o “a”. Infelizmente, em alemão não temos uma palavra equivalente em termos semânticos, estilísticos e fonéticos, diferentemente do italiano, que tem “nonnulla”, ou o francês, que tem “que nenni”, e também não posso fazer o que fizeram os tradutores para o espanhol, que simplesmente mantêm “nonada”, que é neologismo em espanhol, mas que funciona nesse idioma, já que tem aí uma qualidade auto-explicativa. Em quatro das seis ocorrências, a palavra “nonada” constitui uma frase, o que não facilita a tarefa do tradutor. Estou cogitando diversas soluções, mas nenhuma me agrada muito. Antes de tomar uma decisão sobre a tradução desta palavra introdutória do livro todo, tenho que ver como os possíveis equivalentes funcionam nas outras cinco ocorrências de “nonada”. Pois quando a gente traduz uma palavra-chave com várias ocorrências, a gente deve tentar manter essa isotopia, ou seja, a igualdade do meio expressivo em todas as suas ocorrências, para que ele possa ser identificado pelo leitor do texto-alvo como elemento estruturador e orientador, função que tem no texto de partida e que o tradutor precisa respeitar. Em outras palavras: é desejável traduzir “nonada”, nas suas seis ocorrências, sempre de modo idêntico.





Viver - não é? - é negócio muito perigoso!




Num momento, despirar: Clara Nascimento





Cada momento, 
um beijo dos deuses. 
Cada suspiro, 
um desejo por tuas mãos. 
Cada lambida no meu ombro, 
uma lembrança do teu gosto na minha boca. 
Cada pôr do sol tocando o rio, 
um canto da natureza 
A me tontear com o grito Infinito de teu nome. 

28/11/2016





DESPIRAR 

Pra que pirar 
Se quando entras no meu sistema 
Posso inspirar, 
expirar,
Escolher mais plena respirar 
E contigo transpirar? 

24/11/2016






12 de junho de 2017

Eventos literários em Niterói-RJ, em março

Olá queridos!

Vou reproduzir o post do meu blog Mar de Variedade.

Esse mês teremos ótimos eventos literários em Niterói.

Eu vou falar por ordem cronológica.

O primeiro é a reunião do Clube de Leitura Icaraí-CLIc, clube do qual faço parte, onde será debatido o livro Germinal, de Émile Zola, no dia 16/03/17, de 19h às 21h, na varanda do cine arte UFF, com entrada franca. O evento é aberto ao público. 
Endereço: Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí, Niterói-RJ. 


O segundo é o Literatura na Varanda. Eu já participei de duas edições e gostei muito!

Literatura na Varanda - 4ª edição
Tema “Lima Barreto – literatura e denúncia”
Data: 18 de março (sábado)
Horário: das 16 às 19 horas (3 horas de duração)
Entrada franca (Colabore doando 1 livro)
Local: Parthenon Centro de Arte e Cultura
Endereço: Rua General Andrade Neves, 40 - Centro - Niterói
Telefone: (21) 2722-2256
Cronograma:

16h - 17h (1 hora): debate

intervalo de 15 min.

17:15h - 18:15h (1 hora): recital de poesias

intervalo de 15 min

18:30h – 19h (30 min): encerramento com a apresentação musical

Projeto Literatura na Varanda - bimestral




E por último, mas não menos importante, no dia 26/03/17, o Clube de Leitura Leia Mulheres-Niterói-RJ, do qual faço parte, irá debater o livro Persépolis, de Marjane Satrapi, de 18h às 20h, no Bizu bizu, no Reserva Cultural de Niterói. Entrada franca.
Endereço: Av. Visconde do Rio Branco, nº 880, São Domingos, Niterói-RJ. 




Participem! 

Dia dos namorados




11 de junho de 2017

Começa o inverno...



Para saudar o inverno (inicio em 21/06), envio-lhes meu Haicai:

No inverno gelado,
a palavra me acompanha
e se faz lareira.

Abraços.
Elenir


E, para quem ama os cachorros, igual ao homem do romance do mês



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