CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

1 de agosto de 2020

Infâmia: Ana Maria Machado





Ana Maria Machado estará no CLIc em 1 de março para debater "Infâmia". 
Transmissão pela Web - ao vivo 
(clique aqui)
Imperdível!


Ana Maria Machado, atual presidenta da Academia Brasileira de Letras (ABL), que desde 2003 ocupa a cadeira número 1 da ABL, é considerada pela crítica uma das mais importantes escritoras brasileiras contemporâneas.
Em seu romance "Infâmia", Ana Maria Machado faz uma releitura de duas histórias bíblicas  na realidade brasileira atual: as infâmias sofridas pela casta Suzana e por José em terras do Egito. Ao contrário das edificantes histórias bíblicas protagonizadas pelo profeta Daniel e por José, filho de Jacó, as infâmias brasileiras acabam em tragédias: Custódio, funcionário público, um José moderno, tem sua honra destruída ao detectar indícios de corrupção na repartição onde trabalha. Cecília, a Suzana moderna, uma brasileira difamada pelo próprio marido e silenciada pelo formalismo protocolar das relações internacionais, torna-se vítima do que poderíamos chamar de um apedrejamento moral.
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Resumo da história de José: José foi vendido pelos próprios irmãos como escravo a mercadores e posteriormente adquirido por Potifar, comandante da guarda do faraó egípcio. José logo ganhou a confiança de Potifar, passando a ser responsável pelos negócios da casa deste. Foi então que José passou a sofrer o assédio da esposa do comandante, que convidou-o a deitar-se com ela. José recusa veementemente trair seu senhor pois este lhe confiara tudo em sua casa, menos a própria esposa. Continuou a mulher em suas tentativas até que, certo dia, estando sozinhos, ela mais uma vez insistiu. José fugiu, mas ela segurou-lhe a capa, que ficou em sua mão. A mulher então, gritando, fez vir a si os homens da casa e, apresentando a capa de José como prova, acusou-o de tentar levá-la para a cama. Quando Potifar chegou em sua casa, a esposa anônima repetiu-lhe a história engendrada e este encolerizou-se. José foi então enviado para a prisão.

Para conhecer a história da casta Suzana, leia postagem anterior do blog clicando aqui

Trecho da entrevista de Ana Maria Machado ao Conexão Roberto D'Ávila, exibido em 19 junho de 2011 pela TV Brasil (extraído do Especial de Ano Novo - Conexão Roberto D'Ávila - 2012):

* * *

Opiniões dos Leitores:



WB:



Cês estão gostando de nossa leitura atual? Da Ana Maria Machado eu só havia lido Alice e Ulisses, e isso já faz tanto tempo que não lembro chongas. Estou apreciando Infâmia. O texto flui muito bem, com bastante naturalidade, não dá vontade de parar.



Um detalhe sobre a edição que eu tenho: apesar de as páginas serem meio escuras, não me parecem feitas com papel reciclado (a Rita havia dito que eram, acho), pois não vi nenhuma referência a isso nos dados sobre a publicação. Será  se a colega se equivocou ao nos dar a informação?

* * *

Rose T

O que eu tenho a dizer é que estou amando Infâmia!!! Quase no final!!!!

* * *



Rita:



Sobre Infâmia, eu achei que era papel reciclado sim, não só pela cor como também pela textura, e como no dia da votação eu já tinha comprado mas ainda não tinha lido, na ânsia de defender o voto falei até do cheiro, lembra? Foi mais no estilo brincadeira, mas se colar é bom, sabe como é? 

Agora, falando sério, o papel que importa do livro é a grande reflexão que ele nos leva a fazer sobre nossas atitudes, a crença absurda numa imprensa comprada e descompromissada com a verdade, as consequências de uma frase leviana para toda a vida de quem foi caluniado. Fico feliz que tenha defendido a proposta original da Cintia, uma excelente leitura.

... Nunca tinha parado para pensar nas respectivas primeiras-damas, mas talvez povoasse meu imaginário a ideia de uma vida boa, sem preocupações financeiras, um pouco de glamour. Ana Maria nos traz o outro lado, o casamento de aparências, o rigor do comportamento esperado, as regras que se aplicam ao marido e à mulher, bem diferentes, a opressão sofrida pela filha do embaixador, também ela casada com um embaixador, a depressão subsequente, a manipulação do marido, sua crueldade, a covardia de ambos, o medo da mulher, a falta de visão de alternativas, a opção derradeira. Muita sujeira por baixo do tapete.



Transpondo para outras realidades, para as que conhecemos, inclusive a nossa, o que encontramos de comum? Esse é o cerne da questão que me interessa. O livro ratifica minha opinião de que não devemos compactuar com nada que nos traga infelicidade, não esconder os problemas, discuti-los, tentar uma solução que não maltrate o coração, mas se não der, partir para outra, sem a preocupação paralisante do que os outros vão pensar. Isso é um atraso que pode ser fatal e o tempo, sabemos, não para.



* * *


Oi Rita


Essa possibilidade de ter uma ótica não imaginada é que nos engrandece e flexibiliza, que nos minimiza a chance de cometer infâmias. Clarice Lispector viveu esta situação como esposa de diplomata e nos deixou registrado sua angústia e desamparo. 

Quanto à sujeira por baixo do tapete, a sensação é de uma terrível impotência.  O verso que traduz o sentimento é do Quintana: "há tanta coisa para denunciar, mas a quem?".   Acredito que o Papa diria a mesma coisa...

Durante a leitura do livro, fiquei lembrando também da estratégia do Amós Oz: perceber a normalidade em meio à anormalidade, escrever sobre pessoas comuns e seu cotidiano em situações limites para que a poesia e a arte prevaleçam, para não dar vitória à opressão. Como é difícil adotar este olhar que busca a luz...  

Já acabei a leitura e estou preparando o bastão da fala...

Considerei o livro um compartilhar, uma denúncia, uma  crítica feroz, um reconhecimento do quanto estamos imersos em sistemas desumanos, que incapacitam o restabelecimento da vida e a dignidade perdidas.

O considerei um convite ao olhar mais sistêmico, ao questionamento socrático. Manoel de Barros como antídoto: “só dez por cento é mentira, o resto é invenção”; “as coisas jogadas fora tem grande importância, como um homem jogado fora...”; “é preciso desver o mundo, é preciso transver o mundo.”

As duas primeiras infâmias trazidas na narrativa foram desconstruídas com perguntas simples que tornavam óbvia a farsa e estancaram a fértil criatividade para o mal.

Uma das expressões que mais me impactaram foi a da “êxtase da santidade”: aquele estado que parece autorizar cada um a julgar o outro de forma hipócrita.

Agradeço à Cinthia pela indicação, perseverança e atitude ao convidar a autora.  Seu rico caminho literário transparece na escrita do livro, por exemplo, ao citar a lucidez da cegueira na literatura... como foi bom reler uma frase do Saramago: “A única coisa mais terrível que a cegueira é ser a única pessoa que consegue ver.” (p. 156).

Gostei da ênfase à importância do contexto: “A descontextualização é uma forma de desonestidade intelectual.” (p. 65). Fez-me lembrar de um trecho do “O lobo da estepe" de Hermann Hesse (1995, Vozes, p. 26):

“Um homem da Idade Média condenaria totalmente o nosso estilo de vida atual como algo muito mais cruel, terrível e bárbaro.  Cada época, cada cultura, cada costume e tradição têm o seu próprio estilo, têm sua delicadeza e sua severidade, suas belezas e crueldades, aceitam certos sofrimentos como naturais, sofrem pacientemente suas desgraças.”

Ainda desejo destacar outros pontos preciosos encontrados no livro, o que farei em breve.

Boa tarde a todos!

Cris


A trégua: Mario Benedetti

O que achou quem leu?


1- "Grande livro/leitura, uma lição de vida! Eu não sei o que eu vi neste livro em especial, mas tive todos os sentimentos através da leitura. A ansiedade com a aposentadoria, uma certa impotência no relacionamento com os filhos... não vou falar mais porque muitos estão lendo neste exato momento. Temas maravilhosos a abordar." - Sonia;

2- "Gostei muito. Para mim, ele está entre os melhores livros lidos no CLIC." - Elenir;

3- " Livro bom demais!" - Rosa;

4- " Passagens memoráveis que o livro tem!" - Evandro

5- Já li e gostei muito. Nos faz refletir sobre a solidão dos idosos. (Zilka)

6- Não atendeu às minhas expectativas. (Rose);

7- "Estou encantada com a leitura . Excelente livro . Gostei muito Poema" (Rita)

8- Meu Deus. Meu Deus. Meu Deus. Meu Deus. Meu Deus. Meu Deus. Meu Deus. Por que não me avisaram? Povo cruel, insensível. Fui dormir arrasado, moído, como se eu estivesse de verdade ali, naquela história, empaticamente ligado a Santomé. Não quero mais falar sobre o livro. Estou exaurido após uma leitura de dois dias, e estou aborrecido, chateado. Terminei ontem, às 22:00h, depois de ler mais de 100 páginas de um fôlego só. Não sei o que aconteceu, fui tomado por uma "compulsão emocional" depois do "Meu Deus". Que livro! Estava na minha estante há mais de um ano essa preciosidade. Como se dizia lá na minha terra, na minha infância, o livro me buliu todo. Não sei quem o indicou, mas agradeço profundamente. Hoje amanheci outro, já não sou o mesmo que começou a ler o livro. E isso é fantástico. Isso é a literatura! (Antonio)

9- Destaco as seguintes passagens - "Tomara que se sinta ao mesmo tempo protetor e protegido, uma das mais agradáveis sensações que o ser humano se pode permitir." e "...quando essa solidão se transforma em rotina, ele vai perdendo inexoravelmente a capacidade de sentir-se sacudido, de sentir-se viver. Mas vem Avellaneda e faz perguntas, e, sobre as perguntas que ela me faz, eu me faço muitas mais, e então sim, agora sim, sinto-me vivo e sacudido." (Vera);





Amor aos oitenta
é tudo o que eu gostaria.
Trégua em minha vida.
(Elenir)


As provocações de Antonio:

1ª) “Na segunda parte do meu festim, entram os jornais.


Há dias em que compro todos. Gosto de reconhecer suas constantes. (...). Como são diferentes e como são iguais! Entre eles, jogam uma espécie de truco, enganando uns aos outros, fazendo-se sinais, trocando de parceiros. Mas todos se servem do mesmo maço, todos se alimentam da mesma mentira. E nós lemos, e, a partir dessa leitura, acreditamos, votamos, discutimos, perdemos a memória, esquecemos generosa e cretinamente que eles hoje dizem o contrário de ontem, que hoje defendem ardorosamente aquele de quem ontem disseram coisas terríveis, e, o pior de tudo, que hoje esse mesmo aquele aceita, orgulhoso e ufano, essa defesa. (...). Para ver os jornais, é preciso baixar os olhos.”

2ª) “A trégua” é tem seu argumento central orientado pela questão do tempo. E por isso mesmo invoca a questão da memória e indaga sobre as incertezas e fragmentações a que as recordações estão sujeitas no transcorrer do tempo. O que recordamos tem o que de real?  

Aqui, e nunca me canso de lembrar, podemos invocar a magnífica frase de Gabriel Garcia Marquez: 

“A vida não é a que a gente viveu e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la”

A provocação de Benedetti fica por conta da frase: 
“Afinal, a memória importa alguma coisa?” 

Blanca, a filha de Santomé, pode nos indicar uma pista: 
“Às vezes me sinto infeliz, só por não saber do que tenho saudade”





 “Ela me dava a mão e nada mais faltava. Bastava para que eu me sentisse bem acolhido. Mais que beijá-la, mais que dormirmos juntos, mais do que qualquer outra coisa, ela me dava a mão e isso era amor." (A trégua: Mario Benedetti)



“(...) a vida é muitas coisas (trabalho, dinheiro, sorte, amizade, saúde, complicações), mas ninguém vai me negar que, quando pensamos nessa palavra Vida, quando dizemos, por exemplo, que “nos apegamos à vida”, estamos fazendo com que seja assimilada por outra palavra mais concreta, mais atraente, mais seguramente importante: estamos fazendo que seja assimilada pelo Prazer. Penso no prazer (qualquer forma de prazer) e estou certo de que isso é a vida.”




Egoísmo


Espaço vazio

O ócio da aposentadoria
deixou-me assim
Perdoa-me, não é isso...
Sinto a sua falta
Na memória, os seus movimentos
palavras, momentos
Na garganta, um nó
Lágrimas nos olhos
Eu pensei só em mim
Num futuro que não veio
que não vivi
Eu fui egoísta
A morte a levou... esta palavra forte
assim, sem dizer nada
Doçura no olhar
sensibilidade nas palavras
Eu queria ter sido mais intenso
como se vivesse o último dia da vida
e quisesse aproveitar tudo
mas não foi possível

Sonia Salim 23/02/16




Fonte: Focus Portal Cultural

23 de Setembro

Meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus!








Es evidente, Dios me concedió un destino oscuro. Ni siquiera cruel. Simplemente oscuro.









Um grande amor pode ser uma trégua na vida


Escrito em formato de diário e com fina ironia, 'A trégua' traz a história de Martín Santomé, um 'homem maduro, de muita bondade, meio apagado, mas inteligente'. Prestes a completar 50 anos, viúvo há mais de vinte, Santomé mora com os três filhos. Não se relaciona bem com nenhum deles, tem poucos amigos e mantém uma rotina monótona e cinzenta. No diário, conta os dias que faltam para a aposentadoria; mas não tem idéia do que fará assim que se livrar do trabalho maçante. Seu destino, no entanto, mudará quando conhecer Laura Avellaneda, uma jovem discreta e tímida contratada para ser sua subalterna. Com ela, Martín Santomé voltará a conhecer o amor, numa luminosa trégua para uma vida até então triste e opaca. Mas será que essa relação conseguirá ir adiante? Muito mais do que uma história de amor, 'A trégua' é um questionamento sobre a felicidade e um retrato às vezes bem-humorado, às vezes ferino, dos difíceis relacionamentos humanos.







Palacio Salvo - Montevideo



Leia o livro aqui

31 de julho de 2020

Livro: A Trégua, de Mario Benedetti

Olá queridos!
Estou reproduzindo o post que fiz no meu blog Mar de Variedade
Esse é o livro do mês do Clube de Leitura Icaraí. A reunião acontecerá na segunda sexta do mês.
Benedetti é considerado um dos mais importantes escritores uruguaios da atualidade. 
Foi o primeiro livro do autor que li. Gostei muito!


Sinopse

"Publicado em 1960, A Trégua é o mais famoso romance de Mario Benedetti e uma das obras mais importantes da literatura latino-americana contemporânea. Escrito em formato de diário e com fina ironia, o livro conta a história de Martín Santomé, um "homem maduro, de muita bondade, meio apagado, mas inteligente".
Prestes a completar 50 anos, viúvo há mais de vinte, Santomé mora com os três filhos. Não se relaciona bem com nenhum deles, tem poucos amigos e mantém uma rotina monótona e cinzenta. No diário, conta os dias que faltam para a aposentadoria; mas não tem idéia do que fará assim que se vir livre do trabalho maçante.
Seu destino, no entanto, mudará quando conhecer Laura Avellaneda, uma jovem discreta e tímida contratada para ser sua subalterna. Com ela, Martín Santomé voltará a conhecer o amor, numa luminosa trégua para uma vida até então triste e opaca."


O livro são relatos do diário de Santomé, que está contando os dias para se aposentar.
O diário começa no dia 11 de fevereiro e termina no dia 28 de fevereiro do ano seguinte.
A leitura é bem fluida. Dá para ler o livro em pouco tempo.
Santomé ficou viúvo bem jovem. Ele tem relações amorosas passageiras. Seus dias passam sem qualquer emoção.
Ele tem três filhos: dois meninos e uma menina. Ele não é muito próximo dos filhos. Santomé tem uma relação um pouco melhor e de maior cumplicidade com a filha Blanca.
O diário consegue expor seus sentimentos com relação aos filhos, bem como a relação não tão harmoniosa dele com os mesmos. O livro consegue descrever bem os conflitos entre eles. 
Tudo parece muito monótono em sua vida, isso até ele conhecer a nova funcionária, que será sua subalterna: Avellaneda. Ela é uma jovem tímida, que desperta o seu interesse, apesar da diferença de idade. 
Sua vida passa a ter brilho quando esse sentimento por Avellaneda cresce e eles começam a se conhecer melhor. 
Achei que o livro conseguiu transmitir muito bem os sentimentos de Santomé pelas pessoas à sua volta, além de conseguir retratar o seu cotidiano, os conflitos e a mudança da sua vida com um amor.
O autor conseguiu, através do diário de um viúvo prestes a se aposentar, descrever sentimentos e emoções dos personagens. 
Boa leitura! Recomendo!



30 de julho de 2020

Crime e castigo (Преступление и наказание)

Crime e Castigo: Fiódor Dostoiévsky - 25/06/2009(excepcionalmente em uma quinta-feira) para participação especial do prof. Paulo Bezerra, tradutor da obra.

"É de grande importância, na tradução de um escritor genial ..., estar bastante familiarizado com o autor e sua obra como um todo e tentar ser, ao máximo, fiel à sua linguagem e à sua maneira de escrever, para que o leitor possa, através delas, percebê-lo e entender os seus objetivos. Conseqüentemente, se sua linguagem é coloquial, ..., é indispensável usar a mesma linguagem coloquial na tradução. Cabe, no entanto, ter bem claro em mente que uma tradução nunca pode ser perfeita, pois são distintas as índoles das línguas em questão e há, às vezes, coisas intraduzíveis, armadilhas a serem vencidas,  como  é o caso dos puns - jogos de palavras - tão usuais entre os escritores de língua inglesa, como Shakespeare e Joyce. Puns ou jogos de palavras cada língua tem os seus, e eles são intransferíveis, precisando ser, portanto, de uma certa forma contornados, sempre que possível, sem alterar o sentido dado pelo autor ao contexto. 
...
São essas dificuldades, entre outras, que tornam maior o desafio de traduzir uma obra..., e somente o leitor poderá testemunhar se o meu objetivo de divulgar ... foi alcançado, ao se aventurar comigo nesta jornada..."
(Bernardina da Silveira Pinheiro, em tradução de Ulisses, de James Joyce)




26 de julho de 2020

Mapa astral do Clube de Leitura Icaraí: Rosemary Timpone






Bom dia Clube!

Esse é o nosso mapa. Como disse, não sei analisar o mapa de um grupo, pois o mapa do clube é o conjunto de todos nós.

Vou aprender a interpretar aqui junto de vocês.

Vamos ao básico. O clube é libriano. Esse sol é tocado por Mercúrio, planeta da comunicação, dos pensamentos.

Esse sol está na casa 6. Em um mapa de uma pessoa a casa 6 é a casa das rotinas e da saúde, entre outras coisas. Vou precisar de um insight para fazer esse link do sol na 6 do Clube.

Tem outras coisas também que são tão fortes como o sol no mapa do Clube, uma delas é o Netuno angular no ponto mais alto do mapa. Em astrologia mundial, tema que não domino, o Meio do Céu mostra o representante de um país. Então, intuo aqui que esse Meio do Céu vai mostrar um pouco de quem nos dirige, nosso Concierge. Vou refletir um pouco sobre como essa direção que se autodenomina Concierge, a pessoa que guarda uma casa importante, não traduziria como porteiro.
Bem, Netuno é o planeta das artes, tudo a ver, né?

Outro ponto importante do mapa é o Ascendente. O nosso é Áries, temos iniciativa e vamos pra cima dos nossos objetivos, mas, temos em cima desse ascendente o planeta Saturno, que é angular e confere características especiais é muito importantes na personalidade do grupo, entre elas a seriedade, o compromisso com o trabalho.

Por enquanto é isso, agora tenho o olhar de astróloga para o grupo.


25 de julho de 2020

Boas lembranças.



Há 1 ano atrás (14/06/2019). 

Boas lembranças. 

Infelizmente a Gruta Di Capri fechou. 

Agora vamos ter que escolher algum local tão legal quanto. 

Mas tem vários. 

Abs (Eduardo)


Um grupo de peso: Eloisa

Café Tortoni


Dia das saudades. Viu o que você fez, Eduardo?




24 de julho de 2020

"O outono do patriarca" de GGM no CLIc-Rio



O livro preferido de Gabriel García Márques


"o patriarca ao fim de tantos anos de ilusões estéreis havia começado a vislumbrar que não se vive, que porra, sobrevive-se, aprende-se muito tarde que até as vidas mais longas e úteis não chegam para nada mais que para aprender a viver (...)".





O livro "O outono do Patriarca" conta a história fictícia de um ditador solitário, velho e sem nome, que governa um país nas Caraíbas na América Latina, com todos os traços de um “ditador” para governar seu país. Há toda uma descrição do local e das discussões a respeito principalmente da vida e personalidade deste ditador, sendo ele realmente fora do comum desde sua idade (que não é apresentada ao certo) até o número de filhos espalhados por vários países, e é claro sua incomum maneira de governar, pois, nunca precisou de seus ministros para nada, com exceção somente do Ministro da Saúde, que inclusive era seu médico pessoal, mas nunca o curou de seu problema nos testículos.

A história faz - se refletir a respeito da figura central que presidentes de jeitos autoritários adotam com relação a sua postura, sem deixarem transparecer pessoas com sentimentos normais. O personagem central a todo o momento tenta "esconder" este seu lado humanizado, só deixando ser realmente "normal" em duas situações: com relação a sua mãe e seu verdadeiro amor, a moça de nome Manuela Sanchez. Com uma série de dúvidas a respeito de si mesmo principalmente depois que passou anos no poder, sua principal preocupação era de como a nação se comportaria caso ele morresse. E ele resolveu usar o seu sósia Patrício Aragonés, para simular a sua morte. Ele observa poucas manifestações de carinho com sua morte. A população invade o seu palácio presidencial e comemora a liberdade de todos os cidadãos. Depois de todas as cenas observadas, ele resolve vingar – se.


Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/resenha-do-livro-o-outono-do-patriarca/118066/#ixzz3K25oer3h






... quem está aí, perguntou estremecido pela certeza de que alguém o havia chamado no sonho por um nome que não era o seu, Nicanor, e outra vez Nicanor, alguém que tinha o poder de se meter em seu quarto sem tirar as aldravas, porque entrava e saía quando queria atravessando as paredes, e então viu, era a morte meu general, a sua, vestida com uma túnica esfarrapada de fibra de penitente, com a foice de cabo na mão e o crânio semeado de rebentos de algas sepulcrais e flores de terra na fissura dos ossos e os olhos arcaicos e atônitos nas órbitas descarnadas, e só quando a viu de corpo inteiro compreendeu que o chamasse de Nicanor Nicanor que é o nome com que a morte nos conhece a todos os homens no instante de morrer...


... havia sido quando menos o quis, quando ao fim de tantos e tantos anos de ilusões estéreis havia começado a vislumbrar que não se vive, que porra, sobrevive-se, aprende-se muito tarde que até as vidas mais longas e úteis não chegam para nada mais que para aprender a viver... (p. 259)






"… que se lhe havia perguntado por que você anda com essa merda, porra, por que quer morrer, e o forasteiro lhe havia respondido sem o menor vestígio de pudor que não há glória mas alta que morrer pela pátria, excelência, e ele lhe replicou sorrindo de pena que não seja bobo, rapaz, a pátria é estar vivo, disse-lhe, é isto, disse-lhe, e abriu o punho que tinha apoiado na mesa e mostrou-lhe na palma da mão esta bolinha de vidro que é algo que se tem ou não se tem, mas que só aquele que a tem a tem, rapaz, isto é a pátria, disse, enquanto o despedia com palmadinhas nas costas sem lhe dar nada, nem sequer o consolo de uma promessa, e ao ajudante de ordens que lhe fechou a porta ordenou que não voltassem a molestar a esse homem que acaba de sair, nem sequer percam tempo vigiando-o, disse, ele tem as pernas bambas, não serve. Nunca mais voltamos a ouvir dele frase igual àquela até depois do ciclone quando proclamou uma nova anistia para os presos políticos e autorizou a volta de todos os desterrados menos os homens de letras, naturalmente, esses nunca, disse, eles vivem com as pernas bambas como os maricas no tempo de muda, de modo que não servem para nada senão quando servem para alguma coisa, disse, são piores que os políticos, piores que os padres, imaginem, mas que venham os demais sem distinção…"



...havia completado 100 anos pelos tempos em que o cometa voltou a passar...

... en la sala en penumbra del remanso secreto de Manuela Sánchez bajo la vigilancia implacable de la madre que tricotaba sin respirar, pues era para ella que compraba las máquinas de ingenio que tanto entristecían a Bendición Alvarado, trataba de seducirla con el misterio de las agujas magnéticas, las tormentas de nieve del enero cautivo de los pisapapeles de cuarzo, los aparatos de astrónomos y boticarios, los pirógrafos, manómetros, metrónomos y giróscopos que él continuaba comprando a quien quisiera vendérselos contra el criterio de su madre, contra su propia avaricia de hierro, y sólo por la dicha de gozarlos con Manuela Sánchez, le ponía en el oído la caracola patriótica que no tenía dentro el resuello del mar sino las marchas militares que exaltaban su régimen, les acercaba la llama del fósforo a los termómetros para que veas subir y bajar el azogue opresivo de lo que pienso por dentro, contemplaba a Manuela Sánchez sin pedirle nada, sin expresarle sus intenciones, sino que la abrumaba en silencio con aquellos regalos dementes para tratar de decirle con ellos lo que él no era capaz de decir, pues sólo sabía manifestar sus anhelos más íntimos con los símbolos visibles de su poder descomunal como el día del cumpleaños de Manuela Sánchez en que le había pedido que abriera la ventana y ella la abrió y me quedé petrificada de pavor al ver lo que habían hecho de mi pobre barrio de las peleas de perro, vi las blancas casas de madera con ventanas de anjeo y terrazas de flores, los prados azules con surtidores de aguas giratorias, los pavorreales, el viento de insecticida glacial, una réplica infame de las antiguas residencias de los oficiales de ocupación que habían sido calcadas de noche y en silencio, habían degollado a los perros, habían sacado de sus casas a los antiguos habitantes que no tenían derecho a ser vecinos de una reina y los habían mandado a pudrirse en otro muladar, y así habían construido en muchas noches furtivas el nuevo barrio de Manuela Sánchez para que tú lo vieras desde tu ventana el día de tu onomástico, ahí lo tienes, reina, para que cumplas muchos años felices, para ver si estos alardes de poder conseguían ablandar tu conducta cortés pero invencible de no se acerque demasiado, excelencia, que ahí está mi mamá con las aldabas de mi honra, y él se ahogaba en sus anhelos, se comía la rabia, tomaba a sorbos lentos de abuelo el agua de guanábana fresca de piedad que ella le preparaba para darle de beber al sediento, soportaba la punzada del hielo en la sien para que no le descubrieran los desperfectos de la edad, para que no me quieras por lástima después de haber agotado todos los recursos para que lo quisiera por amor, lo dejaba tan sólo cuando estoy contigo que no me quedan ánimos ni para estar, agonizando por rozarla así fuera con el aliento antes de que el arcángel de tamaño humano volara dentro de la casa tocando la campana de mi hora mortal, y él se ganaba un último sorbo de la visita mientras guardaba los juguetes en los estuches originales para que no los haga polvo la carcoma del mar, sólo un minuto, reina, se levantaba desde ahora hasta mañana, toda una vida, qué vaina, apenas si le sobraba un instante para mirar por última vez a la doncella inasible que al paso del arcángel se había quedado inmóvil con la rosa muerta en el regazo mientras él se iba, se escabullía entre las primeras sombras tratando de ocultar una vergüenza de dominio público que todo el mundo comentaba en la calle, la propalaba una canción anónima que el país entero conocía menos él, hasta los loros cantaban en los patios apártense mujeres que ahí viene el general llorando verde con la mano en el pecho, mírenlo cómo va que ya no puede con su poder, que está gobernando dormido, que tiene una herida que no se le cierra, la aprendieron los loros cimarrones de tanto oírsela cantar a los loros cautivos, se la aprendieron las cotorras y los arrendajos y se la llevaron en bandadas hasta más allá de los confines de su desmesurado reino de pesadumbre, y en todos los cielos de la patria se oyó al atardecer aquella voz unánime de multitudes fugitivas que cantaban que ahí viene el general de mis amores echando caca por la boca y echando leyes por la popa, una canción sin término a la que todo el mundo hasta los loros le agregaban estrofas para burlar a los servicios de seguridad del estado que trataban de capturarla, las patrullas militares apertrechadas para la guerra rompían portillos en los patios y fusilaban a los loros subversivos en las estacas, les echaban puñados de pericos vivos a los perros, declararon el estado de sitio tratando de extirpar la canción enemiga para que nadie descubriera lo que todo el mundo sabía que era él quien se deslizaba como un prófugo del atardecer por las puertas de servicio de la casa presidencial, atravesaba las cocinas y desaparecía entre el humo de las bostas de las habitaciones privadas hasta mañana a las cuatro, reina, hasta todos los días a la misma hora en que llegaba a la casa de Manuela Sánchez cargado de tantos regalos insólitos que habían tenido que apoderarse de las casas vecinas y derribar paredes medianeras para tener donde ponerlos, así que la sala original quedó convertida en un galpón inmenso y sombrío donde había incontables relojes de todas las épocas, había toda clase de gramófonos desde los primitivos de cilindro hasta los de diafragma de espejo, había numerosas máquinas de coser de manivela, de pedal, de motor, dormitorios enteros de galvanómetros, boticas homeopáticas, cajas de música, aparatos de ilusiones ópticas, vitrinas de mariposas disecadas, herbarios asiáticos, laboratorios de fisioterapia y educación corporal, máquinas de astronomía, ortopedia y ciencias naturales, y todo un mundo de muñecas con mecanismos ocultos de virtudes humanas, habitaciones canceladas en las que nadie entraba ni siquiera para barrer porque las cosas se quedaban donde las habían puesto cuando las llevaron, nadie quería saber de ellas y Manuela Sánchez menos que nadie pues no quería saber nada de la vida desde el sábado negro en que me sucedió la desgracia de ser reina, aquella tarde se me acabó el mundo, sus antiguos pretendientes habían muerto uno después del otro fulminados por colapsos impunes y enfermedades inverosímiles, sus amigas desaparecían sin dejar rastros, se la habían llevado sin moverla de su casa para un barrio de extraños, estaba sola, vigilada en sus intenciones más ínfimas, cautiva de una trampa del destino en la que no tenía valor para decir que no ni tenía tampoco suficiente valor para decir que sí a un pretendiente abominable que la acechaba con un amor de asilo, que la contemplaba con una especie de estupor reverencial abanicándose con el sombrero blanco, ensopado en sudor, tan lejos de si mismo que ella se había preguntado si de veras la veía o si era sólo una visión de espanto, lo había visto titubeando a plena luz, lo había visto masticar las aguas de frutas, lo había visto cabecear de sueño en la poltrona de mimbre con el vaso en la mano cuando el zumbido de cobre de las chicharras hacía más densa la penumbra de la sala, lo había visto roncar, cuidado excelencia, le dijo, él despertaba sobresaltado murmurando que no, reina, no me había dormido, sólo había cerrado los ojos, decía, sin darse cuenta de que ella le había quitado el vaso de la mano para que no se le cayera mientras dormía, lo había entretenido con astucias sutiles hasta la tarde increíble en que él llegó a la casa ahogándose con la noticia de que hoy te traigo el regalo más grande del universo, un prodigio del cielo que va a pasar esta noche a las once cero seis para que tú lo veas, reina, sólo para que tú lo veas, y era el cometa. 



Latinista e general Lauraro Muñoz
com o coração fendido pelo amor perdido

Fue una de nuestras grandes fechas de desilusión, pues desde hacía tiempo se había divulgado una especie como tantas otras de que el horario de su vida no estaba sometido a las normas del tiempo humano sino a los ciclos del cometa, que él había sido concebido para verlo una vez pero no había de verlo la segunda a pesar de los augurios arrogantes de sus aduladores, así que habíamos esperado como quien esperaba la fecha de nacer la noche secular de noviembre en que se prepararon las músicas de gozo, las campanas de júbilo, los cohetes de fiesta que por primera vez en un siglo no estallaban para exaltar su gloria sino para esperar los once golpes de metal de las once que habían de señalar el término de sus años, para celebrar un acontecimiento providencial que él esperó en la azotea de la casa de Manuela Sánchez, sentado entre ella y su madre, respirando con fuerza para que no le conocieran los apuros del corazón bajo un cielo aterido de malos presagios, aspirando por primera vez el aliento nocturno de Manuela Sánchez, la intensidad de su intemperie, su aire libre, sintió en el horizonte los tambores de conjuro que salían al encuentro del desastre, escuchó lamentos lejanos, los rumores de limo volcánico de las muchedumbres que se prosternaban de terror ante una criatura ajena a su poder que había precedido y había de trascender los años de su edad, Sintió él peso del tiempo, padeció por un instante la desdicha de ser mortal, y entonces lo vio, ahí está, dijo, y ahí estaba, porque él lo conocía, lo había visto cuando pasó para el otro lado del universo, era el mismo, reina, más antiguo que el mundo, la doliente medusa de lumbre del tamaño del cielo que a cada palmo de su trayectoria regresaba un millón de años a su origen, oyeron el zumbido de flecos de papel de estaño, vieron su rostro atribulado, sus ojos anegados de lágrimas, el rastro de venenos helados de su cabellera desgreñada por los vientos del espacio que iba dejando en el mundo un reguero de polvo radiante de escombros siderales y amaneceres demorados por lunas de alquitrán y cenizas de cráteres de océanos anteriores a los orígenes del tiempo de la tierra, ahí lo tienes, reina, murmuró, míralo bien, que no volveremos a verlo hasta dentro de un siglo, y ella se persignó aterrada, más hermosa que nunca bajo el resplandor de fósforo del cometa y con la cabeza nevada por la llovizna tenue de escombros astrales y sedimentos celestes, y entonces fue cuando ocurrió, madre mía Bendición Alvarado, ocurrió que Manuela Sánchez había visto en el cielo el abismo de la eternidad y tratando de agarrarse de la vida tendió la mano en el vacío y el único asidero que encontró fue la mano indeseable con el anillo presidencial, su cálida y tersa mano de rapiña cocinada al rescoldo del fuego lento del poder. Fueron muy pocos quienes se conmovieron con el transcurso bíblico de la medusa de lumbre que espantó a los venados del cielo y fumigó a la patria con un rastro de polvo radiante de escombros siderales, pues aun los más incrédulos estábamos pendientes de aquella muerte descomunal que había de destruir los principios de la cristiandad e implantar los orígenes del tercer testamento, esperamos en vano hasta el amanecer, regresamos a casa más cansados de esperar que de no dormir por las calles de fin de fiesta donde las mujeres del alba barrían la basura celeste de los residuos del cometa, y ni siquiera entonces nos resignábamos a creer que fuera cierto que nada había pasado, sino al contrario, que habíamos sido víctimas de un nuevo engaño histórico, pues los órganos oficiales proclamaron el paso del cometa como una victoria del régimen contra las fuerzas del mal, se aprovechó la ocasión para desmentir las suposiciones de enfermedades raras con actos inequívocos de la vitalidad del hombre del poder, se renovaron las consignas, se hizo público un mensaje solemne en que él había expresado mi decisión única y soberana de que estaré en mi puesto al servicio de la patria cuando volviera a pasar el cometa, pero en cambio él oyó las músicas y los cohetes como si no fueran de su régimen, oyó sin conmoverse el clamor de la multitud concentrada en la Plaza de Armas con grandes letreros de gloria eterna al benemérito que ha de vivir
para contarlo, no le importaban los estorbos del gobierno, delegaba su autoridad en funcionarios menores atormentado por el recuerdo de la brasa de la mano de Manuela Sánchez en su mano, soñando con vivir de nuevo aquel instante feliz aunque se torciera el rumbo de la naturaleza y se estropeara el universo, deseándolo con tanta intensidad que terminó por suplicar a sus astrónomos que le inventaran un cometa de pirotecnia, un lucero fugaz, un dragón de candela, cualquier ingenio sideral que fuera lo bastante terrorífico para causarle un vértigo de eternidad a una mujer hermosa, pero lo único que pudieron encontrar en sus cálculos fue un eclipse total de sol para el miércoles de la semana próxima a las cuatro de la tarde mi general, y él aceptó, de acuerdo, y fue una noche tan verídica a pleno día que se encendieron las estrellas, se marchitaron las flores, las gallinas se recogieron y se sobrecogieron los animales de mejor instinto premonitorio, mientras él aspiraba el aliento crepuscular de Manuela Sánchez que se le iba volviendo nocturno a medida que la rosa languidecía en su mano por el engaño de las sombras, ahí lo tienes, reina, le dijo, es tu eclipse, pero Manuela Sánchez no contestó, no le tocó la mano, no respiraba, parecía tan irreal que él no pudo soportar el anhelo y extendió la mano en la oscuridad para tocar su mano, pero no la encontró, la buscó con la yema de los dedos en el sitio donde había estado su olor, pero tampoco la encontró, siguió buscándola con las dos manos por la casa enorme, braceando con los ojos abiertos de sonámbulo en las tinieblas, preguntándose dolorido dónde estarás Manuela Sánchez de mi desventura que te busco y no te encuentro en la noche desventurada de tu eclipse...





A Primavera chegou e está próximo nosso 3º Encontro do CLIc-Rio, com debate sobre a obra de Gabo,  "O outono do Patriarca".

Literatura, gastronomia, caminhada...  o resto a gente inventa.



Ponto de Encontro: Café "La Bicyclette" - Jardim Botânico

Data: 29/11/2014 - Sábado

Hora: 12:00 h

Programe-se




... descobriu no transcurso de seus anos incontáveis que a mentira é mais cômoda que a dúvida, mais útil que o amor, mais perdurável que a verdade, havia chegado sem espanto à ficção de ignomínia de mandar sem poder, de ser exultado sem glória e de ser obedecido sem autoridade quando se convenceu no rastro de folhas amarelas do seu outono... que estava condenado a não conhecer a vida senão pelo revés, condenado a decifrar as costuras e a corrigir os fios da trama e os nós da urdidura do gobelino de ilusões da realidade sem suspeitar nem mesmo muito tarde que a única vida visível era a de mostrar, a que nós víamos deste lado... de pobres onde estava o rastro de folhas amarelas dos nossos incontáveis anos de infortúnio e nossos instantes inatingíveis de felicidade... nunca soubemos... se foi apenas uma mentira da imaginação, um tirano de mentira que nunca soube onde estava o avesso e onde estava o direito desta vida que amávamos com uma paixão insaciável que o senhor não se atreveu sequer a imaginar por medo de saber o que nós sabíamos de sobra que era árdua e efêmera mas que não havia outra... (p. 259-260)