CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

23 de maio de 2017

Estamos lendo - A filha perdida: Elena Ferrante


- Posso fazer uma pergunta íntima?
- Vamos ver.
- Por que você deixou suas filhas?
          Pensei, procurei uma resposta que pudesse ajudá-la.
- Eu as amava demais e achava que o amor por elas impedia que eu me tornasse eu mesma.









“Que bobagem é pensar que é possível falar de si mesmo aos filhos antes que eles tenham pelo menos cinquenta anos. Querer ser vista por eles como uma pessoa e não como uma função. Dizer: sou sua história, vocês começam comigo, escutem, pode ser útil.”





20 de maio de 2017

Nas nuvens: Vera Freire




Hoje não vejo o Cristo.
Abro, como sempre, minha janela.
Ele não está.
O dia amanheceu chorando...
As nuvens densas contornam as montanhas.
Elas O abraçam, 
Envolvendo, protegendo.
Existe no ar um convite ao recolhimento.
Gosto de dias chuvosos, eles nutrem minha melancolia.
Existe vida lá fora.
Aqui dentro apenas lembranças.
Na janela pingos de lágrimas brilham.


Vozes do CLIc


Não consigo me concentrar nas palavras
Ruídos intensos penetram na penumbra
Corpos se estendem e trazem seu gritos para a rua
O Caos se instala
Minha cabeça confusa se mescla ao cenário conturbado
Outro instante parado no ar
Outra cena submergindo da lama
Ah! Meu país.!..por onde andas?
Lama...só lama......treme  o temor de temer a treva

Luz????

(Ceci)




Caos se instalando. 
Cenário conturbado.
Lama. 
Trevas. 
Há luz no fim do túnel? 

(Elenir)

17 de maio de 2017

Revivendo leituras passadas - Grande Sertão: Veredas


Tudo fazia com um realce de simplicidade, tanto desmentindo pressa, que a gente só podia responder que sim.

Coração de gente — o escuro, escuros”.




No dia 26 de março de 2010, os participantes do Clube deLeitura se reuniram na reitoria da UFF para debater sobre o livro do mês. A obra escolhida foi Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. O encontro de março foi o primeiro a acontecer no terceiro andar do prédio, na Sala dos Conselhos. Lá, os leitores puderam falar sobre suas impressões, sensações e compartilhar pontos de vista acerca da obra.



Composição EdUFF para a reunião de março.


Viver é atravessar um terreno sem salvaguardas. Sem garantias. Sem proteção. Sobreviver as quedas é uma experiência ciclônica, um turbilhão atravessando o ser em alta velocidade. Os golpes e as quedas se repetem e se repetem... 
No entanto, apostando sempre no SER, penso que no meio, no entremeio da vida selvagem, pode-se também encontrar mansidão.
(Niza)


16 de maio de 2017

Desespero: Sonia Salim


Edvard Munch - Desespero


Estou movida por uma grande angústia
e tomada pelo desespero
que emana de minha alma

Nas minhas veias flui melancolia

A desolação tomou conta de mim inteiramente

Não fossem os diálogos de nossos olhos
ao suicídio, eu já teria sucumbido
esse silencioso devorador de vidas

Talvez o meu coração seja ambíguo
duvidoso e direcionado a contradições

Ou essa paixão tenha sido voraz
incapaz de conviver com o medo
da separação e do vazio

Frustrações imaginárias...

Oh, meu grande amor!

Ensina-me a estabilizar o desespero
através do brilho do seu olhar

Eu não quero morrer!



      Sonia Salim



Poema feito a partir da leitura do livro 1934, Alberto Moravia, 
debatido no Clube de Leitura em Outubro de 2013.




13 de maio de 2017

Livro: A filha perdida, de Elena Ferrante

Olá queridos!
Segue o post que fiz no meu blog Mar de Variedade sobre esse livro, que li recentemente no Clube Leia Mulheres Niterói, e que será o livro de junho do CLIc.

Já desejávamos ler algum livro da Elena Ferrante, que é uma das autoras mais comentadas do momento. Ela utiliza esse pseudônimo, mas não divulga a sua identidade. Até pode ser um homem.
Bem, escolhemos esse livro, pois não queríamos ler um livro que fizesse parte de uma série, como é o caso de A amiga genial. 
Então, escolhemos esse que é avulso, embora tenha um infantil (Uma noite na praia), que é meio como uma continuação desse. 


Sinopse da Amazon: "Da autora de A amiga genial e História do novo sobrenome, um romance feminino e arrebatador.
“As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender.” Com essa afirmação ao mesmo tempo simples e desconcertante Elena Ferrante logo alerta os leitores: preparem-se, pois verdades dolorosas estão prestes a ser reveladas.
Lançado originalmente em 2006 e ainda inédito no Brasil, o terceiro romance da autora que se consagrou por sua série napolitana acompanha os sentimentos conflitantes de uma professora universitária de meia-idade, Leda, que, aliviada depois de as filhas já crescidas se mudarem para o Canadá com o pai, decide tirar férias no litoral sul da Itália. Logo nos primeiros dias na praia, ela volta toda a sua atenção para uma ruidosa família de napolitanos, em especial para Nina, a jovem mãe de uma menininha chamada Elena que sempre está acompanhada de sua boneca. Cercada pelos parentes autoritários e imersa nos cuidados com a filha, Nina parece perfeitamente à vontade no papel de mãe e faz Leda se lembrar de si mesma quando jovem e cheia de expectativas. A aproximação das duas, no entanto, desencadeia em Leda uma enxurrada de lembranças da própria vida — e de segredos que ela nunca conseguiu revelar a ninguém.
No estilo inconfundível que a tornou conhecida no mundo todo, Elena Ferrante parte de elementos simples para construir uma narrativa poderosa sobre a maternidade e as consequências que a família pode ter na vida de diferentes gerações de mulheres.
Elena Ferrante se tornou especialmente conhecida pela série napolitana, cujos dois primeiros volumes, A amiga genial e História do novo sobrenome, já foram publicados com grande sucesso no Brasil.
Best-seller internacional, Ferrante tem livros lançados em mais de 30 países.
“A prosa de Ferrante é extraordinariamente franca, direta e inesquecível.” Publishers Weekly
“Um romance brutalmente sincero sobre a ambivalência da maternidade. ” The New Yorker
Outro livro da autora: Uma noite na praia."



Já começo dizendo que gostei muita da leitura e da forma fluida como essa autora escreve.
Embora a história pareça simples, pois utiliza o tema maternidade, não tem nada de simples. Rs. Os temas são abordados de forma profunda. 
A escrita da autora me lembrou a Clarice Lispector, pois, através de uma determinada situação, a personagem/narradora se lembra de situações do passado e isso desencadeia uma série de atitudes. 
A Leda, nossa personagem principal e narradora, vai passar as férias na praia, no sul da Itália. Suas filhas, já adultas, estão morando com o pai, em Toronto, no Canadá.
A Leda começa a narrar os seus dias na praia e, ao passar a observar uma família napolitana, entre elas uma mãe com sua filha com a boneca e a tia grávida da menina, ela começa a pensar nela como mãe.
O que pode chocar alguns é a coragem da escritora ao abordar a maternidade de uma forma muito sincera pela narradora da história. 
A forma da Leda se comportar, sem se preocupar com o que as pessoas à sua volta vão pensar, é muito interessante. Quando pediram para ela mudar de lugar na praia, ela se negou sem qualquer constrangimento.
"A senhora não vai mudar de lugar?-, respondi bruscamente, com uma seriedade hostil: não, estou bem aqui, lamento, mas não estou com vontade nenhuma de mudar de lugar." (trecho do livro)
Ela confessa para essa família em algum momento da história que abandonou as filhas com o pai. Não senti muita culpa nela.
O livro nos faz refletir: por que julgamos esse tipo de atitude? Por que achamos que as mães têm que ser heroínas? 
O livro desmistifica um pouco o papel de mãe. Vai mostrar uma mãe com erros e acertos, confessando coisas que muitas mães gostariam de confessar, mas não fazem por medo do julgamento da sociedade. É tapa na cara esse livro!
O tema central é a maternidade, mas o livro aborda outros assuntos, como relacionamento marido/mulher, comportamento, entre outras coisas. 
Essa é uma degustação do livro. Ele deve ser lido, pois há muitas questões a serem pensadas e debatidas. 
Quero muito ler outros livros dessa excelente autora.


Recomendo!

9 de maio de 2017

Literatura na Varanda festeja a sua 5ª edição homenageando Clarice Lispector




Um encontro que mescla literatura, música e performances poéticas. Assim será a quinta edição do projeto Literatura na Varanda que nasceu em agosto do ano passado. No evento deste sábado (20), a escritora Mariney Klecz vai analisar a obra de Clarice Lispector (1920 – 1977).

Perto do coração selvagem (1943); A paixão segundo G. H. (1964); Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres (1969); Água viva (1973); Um sopro de vida (1978); A hora da estrela (1977); Laços de família (1960); Felicidade Clandestina (1971) e A Bela e a Fera (1979) integram a lista das produções literárias mais conhecidas da escritora Clarice Lispector, nascida na Ucrânia.

Mariney Klecz escreve poesias, contos e livros infantis. Autora do livro "SOS Floresta" em sua 2ª edição, participou de várias antologias. Pertence à Arcádia Brasílica de Artes e Ciências (no Rio de Janeiro), à Associação Niteroiense de Escritores e à Academia de Letras da Região Oceânica de Niterói. É cofundadora e diretora do Centro Literário e Artístico da Região Oceânica de Niterói (CLARON).

A poetisa Nathália Reina também colabora com o bate papo clariceano. Formada em Direito pela UFRJ, professora de francês, atriz e poeta, Nathália tem como uma das suas paixões a literatura. A imersão nas obras de Clarice se deu logo no início da adolescência, a partir do encantamento e afinidade pela subjetividade da autora. Em seu blogue Palavrinha (blog: http://nathaliareina.blogspot.com), criado há nove anos, são registrados pensamentos e questionamentos diversos.

Formada desde abril do ano passado, a banda niteroiense Sirius Beta apresenta um show acústico ao final da noite. Com influências musicais do rap, rock, MPB, jazz-samba e jazz funk, os músicos Larrubia (vocal), Fernando Malheiros (guitarra), Cícero Leitão (contrabaixo) e Felipe Soares (bateria) participaram recentemente da gravação do primeiro vídeo clipe do grupo.



Literatura na Varanda – 5ª edição:

Data: 20 de maio (sábado)
Horário: das 15 às 18 horas (3 horas de duração)
Entrada franca (Colabore doando um livro)
Local: Curso Animator
R. Visc. de Morais, 255 - Ingá - Niterói (próximo ao colégio público Aurelino Leal e em frente à academia de ginástica Paulo Menezes). 

Mais informações através do link do evento no Facebook:
https://www.facebook.com/events/1664488140527488/

7 de maio de 2017

Participe e ganhe o livro "A Experiência"

Publique aqui no Blog suas impressões sobre o livro do mês no Clube de Leitura de Icaraí 

Frankenstein




ou sobre os romances

O Desaparecimento: Rudolf Bickel


ou


               O homem que vendia ilusão: Rudolf Bickel






e concorra a um exemplar do livro 


                   "A Experiência" de Rudolf Bickel






Escreva uma resenha do livro do mês do CLIc (Frankenstein: Mary Shelley) ou sobre os romances "O desaparecimento" ou "O homem que vendia ilusões", ambos de Rudolf Bickel com pelo menos 350 palavras para postagem aqui, no blog do Clube de Leitura Icaraí, e concorra ao livro "A Experiência" de Rudolf Bickel. Envie sua resenha para grupo-de-leitura-agora-na-uff@googlegroups.com (se você é membro do Clube) ou conciergeclic@gmail.com até 9/5/2017, 2 dias antes do debate de "Frankenstein" que será no dia 11/05/2017.


(Exemplar gentilmente cedido pelo autor. Será entregue no dia do debate de Maio, no dia 11/5/17, às 19:00 h, na Varanda do Centro de Artes UFF.)



Outras obras de Rudolf Bickel: 







Rudolf Bickel – Nasceu no Rio de Janeiro, em 07/08/1942. Formado em Direito, pela Universidade Gama Filho (UGF/RJ) e em Contabilidade – Sindicato dos Contabilistas do Município do Rio de Janeiro. Atuou como auxiliar de contabilidade, oficial de diligências, escrivão de polícia e delegado estadual. Publicou os livros As Andanças de um Viajante e O Homem que Vendia Ilusão e A Experiência, entre outros.













6 de maio de 2017

Eventos marcantes que participamos


Teatro Nô no Clube da Felicidade:

CAEx: Clube das Almas Execráveis



Fantasma no CLOu:





 Em 'Fantasma', testemunha de crime é uma sem-teto frágil e sonhadora.

Novo livro de Luiz Alfredo Garcia-Roza dá visibilidade a personagens habitualmente desprezados

 "O Sr. Garcia-Roza, como eu deveria ter esperado, não é exatamente 'o autor de romances policiais protocolar', mas um híbrido mais interessante entre a análise incessante de personagens e a pura movimentação narrativa." (R.)


Crepúsculo dos Ídolos: Friedrich Nietzsche, no "Filosofia em Casa":


Este livro, que serve de introdução à forma de pensar nietzschiana, é sobretudo, fruto da seguinte constatação do autor -'Há mais ídolos do que realidades no mundo'. A partir disso, Nietzsche põe-se a aniquilar tudo aquilo que julga serem ídolos falsos, ocos e decadentes. Ele parte do pensamento de Sócrates, destrói ídolos da sua época, como o sistema educacional alemão, escritores em voga, anarquistas, socialistas e progressistas, sem nunca deixar de atacar a metafísica.


Homem Comum: Philip Roth na Reunião Mensal do Clube




Clube da Lua: Baile do Bóson de Higgs

Baile da Lua
O Cão de Higgs

Para celebrar a descoberta da partícula de Deus, o clube da lua está planejando um tremendo baile.








Clássicos CLIc - Livro das Mil e Uma Noites: Tradução Jarouche

Degustação de doces distintos e estéticos, harmonizado com vinho branco, sobremesa gourmet, chef francês, com degustação literária, etc.



A fragrância é almíscar; as faces, o firmamento,
os dentes, estrelas; a saliva, vinho;
a esbelteza, celeste; os quadris, duna;
os cabelos, noite; o rosto, quarto crescente.