CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

17 de fevereiro de 2017

A noite das garrafadas

Por Wagner Medeiros Junior
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A decisão de permanecer no Brasil e declarar a independência de Portugal deu a D. Pedro I uma imensa popularidade. Entretanto, não demorou muito para que o prestígio alcançado fosse transformado em um sentimento de forte repúdio. A mudança no humor dos brasileiros começou a acentuar-se logo após a instalação da Assembléia Geral Constituinte, em 3 de maio de l823, com o embate de temas que intencionavam limitar o poder do Imperador, tal como conceder maior autonomia às províncias. Então, no mês de novembro, D. Pedro decide-se por dissolver, pela força, o parlamento Constituinte.
A primeira Constituição brasileira, de 1824, acabou por ser elaborada por um seleto grupo ligado ao governo, sem a participação do parlamento. Isto elevou ainda mais a animosidade nativista contra a centralização do poder e os privilégios sociais e econômicos dos portugueses. Depois emergiram a relação escandalosa do Imperador com a sua concubina, Domitila de Castro; a repressão violenta aos ativistas da Confederação do Equador; os desgastes com a Guerra da Cisplatina e a morte da Imperatriz Dona Leopoldina, após um largo período de sofrimento e humilhação e junto à corte.
Em 1830, a imprensa liberal e nacionalista já não dava mais tréguas a D. Pedro I. Cada ato do governo era invariavelmente questionado; cada ação dita como autoritária, vista com grande desconfiança. Ninguém perdoava o envolvimento do Imperador com os portugueses e nas questões políticas de Portugal. Neste quadro, no mês de novembro é assassinado em São Paulo o jornalista liberal Líbero Badaró, ferrenho defensor do Federalismo. A suspeição de crime de mando recaiu sobre os partidários de D. Pedro, sobrando-lhe sobre os ombros uma sombra da imputação da culpa.
O jornalista e historiador potiguar Tobias do Rego Monteiro (1866-1952), em sua obra “História do Império: O Primeiro Reinado”, resume o estágio a que chegou, em março de 1831, a animosidade dos brasileiros contra D. Pedro, ao descrever que por onde ele passava “gritavam-lhe vivas acintosos, vociferavam-lhe pragas, permitiam-se interpelá-lo, desconhecê-lo. Sua reputação desfazia-se, seu prestígio desmascarava-se, sua influência aniquilava-se, sua autoridade diluía-se”. O povo perdia-lhe o respeito!
No mês de fevereiro desse ano, D. Pedro viajou para Minas Gerais buscando reencontrar o apoio popular que alcançara em viagem anterior, depois da Independência. Entretanto, em cada lugar que passava era hostilizado pelo povo. Quando chegou a Ouro Preto não foi diferente, pois encontrou a população estampando faixas negras alusivas ao luto pela morte de Badaró e sinos repicando em protestos. Tais acontecimentos corroboraram para que o Imperador encurtasse a viagem e começasse a pensar na renúncia.
Então, os portugueses absolutistas ao lado dos conservadores brasileiros, resolvem organizar uma grande recepção a D. Pedro I em alusão ao seu retorno ao Rio de Janeiro. Por todos os logradouros onde passaria o cortejo imperial as casas foram enfeitadas. Todavia, a animosidade era tão grande que os opositores brasileiros, na noite de 13 de março, reagiram quebrando as luminárias e apedrejando as casas dos portugueses. Garrafas também partiam de ambos os lados! O conflito se estendeu por três dias, com focos espalhados nas principais ruas do Rio de Janeiro.
Depois dessa agitação a sorte de D. Pedro parecia selada. Mesmo assim, ele ainda tentou se reaproximar dos liberais brasileiros realizando mudanças em seu ministério, mas pela própria nacionalidade portuguesa e radicalismo de seus desafetos, todos os esforços foram em vão. Os agravos persistiram até o dia da abdicação ao trono, em 7 de abril de 1831. Com altivez, o Imperador D. Pedro I pagou o preço da impetuosidade de sua juventude, em um momento em que o Brasil buscava firmar sua nova identidade, soberana, como país independente.

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Preto no Branco por Wagner Medeiros Junior


16 de fevereiro de 2017

A rainha Ginga: José Eduardo Agualusa


A roda do mundo não para nunca.
TUDO SÃO COMEÇOS

Para os amigos que não puderam estar presentes à reunião, de 12/05, transcrevo o trecho do romance  que foi marcado, entre outros,  por todos os presentes (pág.121) e creio que por vocês também:
"...o amor exige uma espécie de cegueira. Amamos não quem os nossos olhos enxergam, mas quem o nosso coração demanda. O ser amado é, quase sempre, uma invenção indulgente de quem ama."
Desejo que seus olhos e corações vejam, igualmente, o ser amado. Sem engano.

Bjs.

Elenir




“Sabendo que muitos dos Bantos eram embarcados para Pernambuco durante o início do século XVII, parece ser razoável supor que muitos deles pudessem ter sido aliados ou partidários de Nzinga, ou que, esporadicamente tivessem ouvido falar de sua fama. Se tal fosse o caso, isso nos forneceria uma importante explicação para a persistência da imagem de Nzinga no Nordeste do Brasil e, possivelmente, para parte da resistência afro-brasileira em certas regiões.” (Glasgow, p. 141)



DEU NO FOCUS PORTAL CULTURAL - CLIc na imagem

Os portugueses sempre foram mais africanos do que europeus.


Donana de Jânsen


Conquistei o paraíso, mas mordeu-me a serpente.





Os flamengos gostam tanto de beber que mesmo com a corda no pescoço, no patíbulo, são capazes de brindar ao carrasco e de partilhar com ele o derradeiro copo, de forma que se vão deste mundo borrachos e cantando. 

“O Inferno, de resto, não é tanto uma soma de tormentos, e sim a ilusão de que tais tormentos nunca cessam. O Inferno é eterno, ou não seria Inferno. tenho para mim que a principal diferença entre o Inferno e o Paraíso é que no Inferno nos pesa o tempo, o tempo todo, enquanto no Paraíso não se sofre dele.” 


«Meus senhores holandeses: o meu camarada, o índio Filipe Camarão, não está aqui; mas eu respondo por ambos. Saibam Vossas Mercês que Pernambuco é Pátria dele e minha Pátria, e que já não podemos sofrer tanta ausência dela. Aqui haveremos de perder as vidas, ou haveremos de deitar a Vossas Mercês fora dela.»





Os esparciatas educavam os filhos para a guerra. Eles espancavam os filhos para os fortalecerem. Os jagas também. Os esparciatas incentivavam os  rapazes a roubar comida. Se fossem apanhados seriam castigados não por terem roubado, mas por se terem deixado capturar.  Também os jagas incentivavam os filhos a  roubar gado e outros bens. Os esparciatas cultivavam a deusa Ártemis e houve um tempo que passaram a chicotear os meninos em seu altar. 



Maurício de Nassau

Principais realizações no período em que administrou a região conquistada pelos holandeses no Nordeste brasileiro:



Estabeleceu uma situação de boas relações entre holandeses e brasileiros (latifundiários e comerciantes);

- Melhorou o sistema de produção de açúcar no Nordeste;

- Diminuiu tributos dos senhores de engenho de Pernambuco; 

- Modernizou urbanisticamente a cidade de Recife, construíndo canais, diques, pontes, palácios, etc;

- Criou, Zoológico, Museu Natural e Jardim Botânico em Recife;

- Modernizou e melhorou a qualidade de serviços públicos na cidade como, por exemplo, coleta de lixo e bombeiros.






Muito mais tarde, enquanto envelhecia, compreendi que o amor exige uma espécie de cegueira. Amamos não quem os nossos olhos enxergam, mas quem o nosso coração demanda. O ser amado é, quase sempre, uma invenção indulgente de quem ama. 



Vista da Cidade Maurícia e Recife

Frans Janszoon Post
Cidade Maurícia hoje

Estou velho. 
Nesta altura da minha vida só a loucura me entusiasma. 
Ah! A loucura que o amor inflama. 



Cipriano defendia, como Valentino de Alexandria e outros panteístas, que tudo o que existe é Deus, incluindo cada homem e cada pedra, e que esse Deus que somos todos não é nem bom nem mau, ou é tudo isso sem distinção e alheadamente. 

Deus, disse-me Cipriano, é o que somos dormindo. — Todas as coisas têm o seu Deus — acrescentou. — Estamos cercados por Eles. 

Fiquei durante muito tempo pensando naquilo. Imaginando cada homem, cada ser, segregando o seu próprio deus a partir de algum órgão escondido sob a pele da alma: o grave Deus das corujas. O hábil Deus das cobras. O Deus generoso dos quintais. O Deus traiçoeiro das adagas. O Deus zebrado das zebras. O Deus tagarela dos corvos e dos advogados. O humilde Deus dos pardais. O Deus insalubre dos pântanos. O Deus cabisbaixo dos canalhas. O pálido Deus das osgas. O rápido Deus das tormentas. O líquido Deus dos peixes. O áspero Deus dos sertões. O cálido Deus das praias. O ressequido Deus dos cactos. O esquivo Deus dos jaguares. O Deus perfumado dos jasmins. 








A verdade é aquilo que está exposto.

Deus é o que somos dormindo.

13 de fevereiro de 2017

A Matemática e a Mona Lisa: Bulent Atalay


Eu gosto da relatividade e das teorias quânticas
porque não as entendo
e elas me fazem sentir como se o espaço se remexesse
tal qual um cisne que não consegue parar,
recusando-se a ficar quieto e ser medido;
e como se os átomos fossem uma coisa impulsiva,
sempre a mudar de ideia.
[poemas - amores perfeitos - D. H. Lawrence]


D. H. Lawrence


"Flexner foi designado o primeiro diretor do IAS (Instituto of Advanced Study), e um de seus projetos iniciais seria tentar recrutar Albert Einstein, já então reconhecido como o mais famoso cientista vivo. Flexner voltou de imediato para Oxford, onde encontrou Einstein "matando o tempo entre um emprego e outro" e lhe ofereceu um cargo na nova instituição. Einstein respondeu que tinha propostas da Universidade de Princeton, da Universidade de Oxford e do Caltech para ingressar em seus corpos docentes, mas que ainda estava indeciso. Acrescentou que tendia mais para Princeton (a primeira instituição acadêmica a ter aceitado a relatividade). "Mas", perguntou Einstein, "eu não precisaria lecionar nessa instituição do senhor?" (Einstein era um professor notoriamente ruim.) Flexner lhe garantiu que não, e Einstein aceitou o emprego. "Quanto o senhor pretende receber?", quis saber Flexner. Einstein, com sua considerável habilidade matemática, respondeu que 3 mil dólares por ano estaria perfeito. "Isso não será possível", retrucou Flexner. "Estamos pagando 16 mil a todo mundo. O senhor deveria receber pelo menos isso. " Einstein reclamou: "Os 3 mil já seriam suficientes". Flexner, com relutância, concordou em pagar apenas aquilo. Mas, felizmente para a família de Einstein, a esposa do cientista renegociou o salário, e Einstein já começou ganhando os 16 mil usuais."



Para veres um mundo num grão de areia
E um céu numa flor do campo,
Segura o infinito na tua mão
E a eternidade por uma hora.

(William Blake)

Lentes gravitacionais

A SINA DO SUCESSO PRECOCE

A idade, claro, é um tremor febril
Que todo físico precisa temer.
Para ele, melhor será estar morto do que vivo
Depois que passar dos trinta.
(Paul Dirac)

Quem não deu sua maior contribuição à Ciência antes dos trinta anos não a dará jamais. (Einstein)

(A música é outro campo em que se manifesta o mesmo padrão; outro é a poesia lírica, ao contrário, por exemplo, da ficção romanesca)




A simplicidade é o último grau de sofisticação. (Leonardo da Vinci)



Embora grande parte da composição tenha sido produzida por Verrocchio, o anjo da esquerda, que segura alguma roupa, foi totalmente pintado por Da Vinci. Alguns autores dizem que o pássaro também pode ser obra dele. Além de Da Vinci, Verrocchio contou com a colaboração de Botticelli para a produção da obra.

Virgem dos Rochedos

Leonardo da Vinci se destacou como cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta, músico e ainda foi conhecido como o precursor da aviação e da balística... ufa, como se diz: "precisa dizer mais?"


A lemniscata de Bernoulli



Parafuso de Arquimedes
Também chamado de bomba parafuso, sua função é de elevar líquidos. Além de líquidos, também pode servir como ferramenta de elevação de lama, esgotos e até pequenos resíduos sólidos, como grãos.
Seu nome é referência ao seu inventor, o grego Arquimedes, embora existam alguns indícios de que ele já havia sido criado antes. Até hoje, o feito é muito curioso, pois seu funcionamento consiste em nada mais, nada menos do que desafiar a própria gravidade. Com uma peça que, constantemente fica fazendo o movimento do rodear de um parafuso, ao redor de uma espécie de cilindro principal.
Muitas pessoas desconhecerem sua existência e, por conseguinte, sua funcionalidade. Por isso, é importante ressaltarmos sua importância no desenvolvimento de grandes estruturas urbanas. Em metrópoles como a cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, o parafuso de Arquimedes é usado para bombar os esgotos até os emissários submarinos.
Em diversos experimentos químicos, ele é aplicado para que algumas etapas mais complexas do processo possam ser realizadas. Por isso, para quem gosta de inventar ou complementar coisas, é interessante saber como funciona este equipamento tão inteligente.
Em indústrias de alimentos, o parafuso de Arquimedes também é muito aproveitado. Sua função no processo de transformação, é de elevar os grãos até a etapa determinada para a produção.
Apesar de sua excelência mecânica, é um item simples e lógico. (fonte)

Falsificadores de Arte são artistas (?!)

Han van Meegeren's Fake Vermeers: Ceia de Emaús


Proporção áureanúmero de ouronúmero áureosecção áureaproporção de ouro é uma constante real algébrica irracional denotada pela letra grega \phi (PHI), em homenagem ao escultor Phideas (Fídias), que a teria utilizado para conceber o Parthenon, e com o valor arredondado a três casas decimais de 1,618. Também é chamada de se(c)ção áurea (do latim sectio aurea), razão áurearazão de ouromédia e extrema razão (Euclides)divina proporçãodivina seção (do latim sectio divina), proporção em extrema razão ,divisão de extrema razão ou áurea excelência. O número de ouro é ainda frequentemente chamado razão de Phidias.
Desde a Antiguidade, a proporção áurea é usada na arte. É frequente a sua utilização em pinturas renascentistas, como as do mestre Giotto. Este número está envolvido com a natureza do crescimento. Phi (não confundir com o número Pi \pi), como é chamado o número de ouro, pode ser encontrado na proporção dos seres humanos (o tamanho das falanges, ossos dos dedos, por exemplo) e nas colmeias, entre inúmeros outros exemplos que envolvem a ordem do crescimento.
Justamente por estar envolvido no crescimento, este número se torna tão frequente. E justamente por haver essa frequência, o número de ouro ganhou um status de "quase mágico", sendo alvo de pesquisadores, artistas e escritores. Apesar desse status, o número de ouro é apenas o que é devido aos contextos em que está inserido: está envolvido em crescimentos biológicos, por exemplo. O fato de ser encontrado através de desenvolvimento matemático é que o torna fascinante. 


Os 2 outros únicos retratos femininos pintados por Leonardo da Vinci (1452-1519)

Ginevra de´ Benci, c. 1474-1478
óleo sobre madeira
National Gallery of Art, Washington, D.C., USA

Dama (Cecília Gallerani) com arminho  - 1491
óleo sobre madeira
Muzeum Czartoryskich (Cracóvia)



Emprestaram-me o livro "A Matemática e a Mona Lisa" para ler. Tenho certa precaução contra a mania que temos de querer ler nas entrelinhas de tudo que existe ao nosso redor, principalmente quando se usa um instrumento poderoso como a matemática para balizar o modo de ver as coisas. Creio que muitas das relações geométricas amostradas não devem ser exatamente a do número áureo, mas próxima dele, e apenas as que assim se relacionam são exibidas. Bem, estou lendo o livro para não alegarem que estou tendo ideias preconcebidas, mas resultado não está sendo diferente do esperado: o autor tentar enquadrar a criação artística dentro de um hipotético a priori matemático e que a consciência deste artifício é que torna o artista genial. Humpf!




12 de fevereiro de 2017

Um ouriço

Em 27 de março de 2009, o clube de leitura se reuniu para discutir “A Elegância do Ouriço”, da francesa Muriel Barbery. As trocas de mensagens tiveram como assinatura o entusiasmo contagiante dos participantes do clube.

A estória contada em “A Elegância do Ouriço” gira em torno de Renée, mulher de meia-idade que trabalha como concierge (zeladora) de um luxuoso prédio num elegante bairro parisiense, e de Paloma Josse, uma adolescente rica de 12 anos. Ambas, Renée e Paloma, cada qual por razões próprias, vivem vidas reclusas, isoladas, como ouriços. Renée teme seguir o destino dos marginalizados (pobre, sem beleza nem charme) e, numa mistura de auto-proteção e conformismo por pensar não ser possível mudar o destino, vive uma vida clandestina, que é seu alento. Por trás de uma aparência ranzinza e desconfiada, protege um espaço interior, cheio de cultura e requinte, de devoção à arte e à literatura. Já Paloma, uma esperta mocinha de personalidade rica e autêntica, mostra-se sempre calada e pensativa, e dedica seu tempo à duas séries de anotações: pensamentos profundos e o diário do movimento do mundo. “Vidas atrás de espelhos” é o emblema dos personagens principais e do universo no qual vivem. Porém, a vida de ambas muda com a chegada de um novo morador ao prédio, o rico e misterioso Kakuro Ozu. Kakuro consegue ultrapassar a barreira do espelho e enxergar, mais do que a si mesmo, mas às pessoas que existem em Paloma e Renée. Kakuro é chamado um “estranho no ninho”: “...uma pessoa de fora, que não precisa nem saber, nem se limitar às regras sociais estabelecidas, ele consegue estender sua amizade às duas mulheres ... quebrando as rígidas convenções sociais dentro do condomínio.” Além de alusão à arte, literatura e filosofia, o livro contem fortes críticas sociais e as protagonistas do romance mostram um sarcasmo tipicamente francês.

Ao longo do mês de leitura, “A Elegância do Ouriço” foi elogiada de modo entusiasmado por grande parte dos leitores do grupo:

“… a leitura foi um presente . Tamanha sofisticação e delicadeza do início ao fim.”

Este livro exprime a arte em diferentes palavras, em diferentes formas.”

“… não esperava me apaixonar pela narração na primeira hora de leitura.”

Achei muito sutil essa construção de idéias e palavras, me encantou essa alegoria.”

A escritora Barbery foi meio médica neste livro, usando tão bem sua inteligência, suas palavras.”

A Elegância do Ouriço é realmente uma elegância de texto e uma leitura muito gostosa. Estou achando fantástico.”

A leitura flui naturalmente e quando vemos, já acabou.”

Estou muito emocionado… o mergulho que fiz neste livro tão delicado e bonito. Desde o preâmbulo ('Marx', que também mudou totalmente a minha visão do mundo, como o jovem Pallières), o livro me envolveu numa espécie de curiosidade, encanto e perplexidade.”

“… terminei de ler o livro ontem e - what a book, hein, my friend!!! Em função certamente dele, meu dia hoje foi diferente. Situações outrora vistas e sentidas como corriqueiras, enfanhonhas ou mesmo desagradáveis, tiveram um novo significado.”

O texto é divertido, é profundo, é belo. Feliz por ter lido!

Quanta coisa aprendi nestes dias de leitura!!!!!!!!!!!! Que maravilhoso foi poder viver isto intensamente com este grupo.”

Agradeço ao grupo de leitura por pôr em meu caminho um livro tão bonito!
Um marco dentre as leituras do clube, “A Elegância do Ouriço”, foi chamada por alguns de “memorável”. O romance de Barbery foi tão envolvente, que muitos dos leitores se sentiram instigados a procurar ler ou conhecer algumas das obras artísticas, literárias e filosóficas citadas no livro. A temática artística do livro foi: pintura holandesa, livros de autores russos, cinema japonês (“As Irmãs Munakata” (“Munakata Shimai”), com direção de Yasujiro Ozu), gastronomia japonesa e francesa com toque português. Apesar do requinte artístico, a narrativa não mostra esnobismo por parte das personagens principais. Renée ouve os clássicos Mozart, Gustav Mahler, Sebastian Bach, Frideric Handel, assim como o hip hop e rapper do francês Mc Solaar (1969- ). Ouriços, ou não, a discussão foi de um requinte singular!

A personagem Reneé cita pintores do período barroco, como Willem Claesz Heda (1594 - 1680), Pieter Claesz (1596/1597 - 1660), Willem Kalf (1622 - 1693) e Osias Beert (1580 - 1624), todos holandeses que, dentre outros, brincam com o tema da mesa arrumada para refeição. Em particular, as obras do Willem e Pieter Claesz são muito semelhantes em estilo. Em um dos trechos, Renée descreve de modo emocionado a reprodução de um quadro de Pieter Claesz, exposta na entrada do apartamento de Ozu. Numa tentativa de vivenciar o ambiente do livro, alguns leitores se lançaram na procura da obra, mas logo descobriram que achar o quadro do rico e encantador senhor japonês poderia ser um exercício enlouquecedor, visto que existem muitas variedades do gênero natureza-morta (“still life”), com breakfasts e banquetes para todos os gostos: com nozes, ostras (com ou sem limaozinho), cerveja, presunto, peixe, caranguejo, sem pãozinho. Ao final, exceto pelas pimentinhas num pratinho de estanho, a mesa arrumada para uma refeição leve, de ostra e pão, de Pieter Claesz, parece ter sido encontrada como descrita no livro.


Pintura à óleo de Pieter Claesz (1597 - 1661), do gênero natureza-morta (“still life” - obra de 1633). Tentativa de encontrarmos a reprodução do elegante Kakuro. É possível que na reprodução de Kakuro Ozu, o artista quis dar um toque particular e não pôs as pimentinhas num pratinho de estanho.


Outras obras vivenciadas pelos leitores, foram Moça com Brinco de Pérola, de Johannes Vermeer (1632 - 1675), e O Homem na Latrina, de Bacon, ambos mencionado no romance por Paloma. Moça com Brinco de Pérola é por vezes referido como a “Mona Lisa do Norte” ou “Mona Lisa Holandesa” e há filme e livro (“Girl with a Pearl Earring”, de Tracy Chevalier) de mesmo nome inspirados na pintura.

A arte no esporte foi vivenciada através do Haka, dança tradicional dos Maori, da Nova Zelândia. De movimento vigorosos e ritimados, a dança é assinatura do time de rugby neozelandês, que faz a performance antes de partidas internacionais (Haka é AWESOME!!).

Em relação à música, o clube ouviu Dido and Aeneas, de Henry Purcell, (a mais bela obra de canto do mundo, segundo a ouriço), o Confutatis do Réquiem, de Mozart (a música que quase mata Renée de susto no banheiro do Sr. Ozu), e Erik Satie (música que Paloma e Kakuro ouvem ao piano no final do livro).

Finalmente, fomos apresentados à obra poética de Bashô, o poeta preferido de Paloma, e pela primeira vez o clube falou sobre haicais:

Antes eu não entendia como um haicai poderia ser considerado poesia, mas hoje percebo que a imagem nele contida expressa mais do que mil palavras.”

Num atalho da montanha
Sorrindo
uma violeta
(Matsuo Bashô)

terceto com 5, 7 e 5 sílabas métricas”:


O que é haicai?
É o brilho das estrelas
na gota de orvalho...

What is a haiku?
It is the dazzling of stars
in a drop of dew...
(Luiz Antonio Pimentel)
No dia da reunião, o entusiasmo dos participantes foi tamanho, que esta se tornou uma verdadeira celebração, externando o que antes estava no livro. A conversa foi regada a vinho tinto e camembert; torradas e patêzinhos, chás e gourmandise française (“tuiles aux amandes”, “madeleines”, “glutofs”, “mediants” de chocolate preto e “tarteletes”. Só faltou geléia de mirabela, a qual ficou na fenomenologia). Foi um dos mais festivos e animados encontros, além de agradável e descontraído. Os que não puderam comparecer sentiram ter perdido um daqueles momentos que Paloma registraria no seu "diário do movimento do mundo":

Sinto não ter estado com vocês. Preparei-me para a festa, mas a vida é imprevisível... deixei rolar pela face uma singela lágrima...”
Quanto às críticas ao livro, alguns participantes citaram o excesso de maturidade da personagem Paloma:

Uma garotinha de 12 anos citar Roman Jakobson, é brincadeira!!!!!!

Eu fiquei impressionada com a leitura de Paloma! Eu aos 12 anos era só poeira... e olha que ainda não cheguei nem perto de ser (ou ter sido) estrela!
O livro também foi indagado como auto-ajuda por gerar reflexões ao abordar questões fundamentais, que todos nós formulamos, e respondemos de modos tão distintos:

Qual o sentido da vida? Que conhecemos do mundo? O que te move? O que fazemos de manhã? Por que ficar nesse mundo? Qual a natureza da consciência humana?

“... fatalismo estarrecedor… O nome desse livro deveria ser “O fel da vida”. Adorei!

Quando se é um peixe vermelho no aquário, é preciso da camélia para criar a vacuidade para podermos responder a questão de Paloma: a vida tem algum sentido?
Para alguns a resposta a estas perguntas é muito simples :

“... a vida faz toda sentida”!
Em outubro de 2008, Le Hérisson, filme inspirado no livro, estreiou nas telinhas de Paris, sob direção da jovem cineastra Mona Achache. Nos papeis principais Josiane Balasko (Renée), Garance Le Guillermic (Paloma), Togo Igawa (de “Memórias de uma Gueixa”, fazendo Kakuro), Anne Brochet e Ariane Ascaride. Será bom?

A “Elegância do Ouriço” está entre os poucos romances lidos pelo grupo, que tem uma mulher como autora.

Recomendadíssimo!!!!!!!!!!!!

11 de fevereiro de 2017

A Bagaceira, de José Américo de Almeida

Olá queridos!
Segue a reprodução do post que fiz no meu blog Mar de variedade. 
Esse foi o livro do mês de fevereiro do Clube de Leitura Icaraí.

Sinopse da Amazon.com.br: “Considerado o marco inicial da segunda fase do Modernismo brasileiro, A bagaceira inaugura o ciclo do “romance nordestino” dos anos 1930. Obra-prima do romance regionalista moderno, a história se passa entre 1898 e 1915, os dois períodos de seca. O enredo central gira em torno do triângulo amoroso entre Soledade, Lúcio e Dagoberto. Soledade, menina sertaneja, retirante da seca, chega ao engenho de Dagoberto, pai de Lúcio, acompanhada de vários retirantes: Valentim, seu pai, Pirunga, seu irmão de criação, e outros que fugiam da seca. Lúcio e Soledade acabam se apaixonando. Mas a relação entre os dois ganha ares dramáticos quando Dagoberto violenta Soledade e faz dela sua amante. A tragédia de amor serve ao autor, político paraibano, puramente como pretexto para denunciar os problemas sociais econômicos do Nordeste, os dramas dos retirantes das secas e da exploração do homem em um injusto sistema social. Explorando os mesmos temas, o baiano Jorge Amado, a cearense Rachel de Queiroz, o alagoano Graciliano Ramos e o também paraibano José Lins do Rego desenvolveram a mesma literatura ficcional crítica e revolucionária.”



Para ser bem sincera, embora reconheça a importância desse romance regionalista, a leitura não me agradou.
A maioria dos participantes do clube gostou da leitura e destacou partes poéticas na história, considerando que a poesia também está presente em situações de dor.
Achei a leitura difícil, pois, embora o livro contenha um glossário ao final (na minha edição de sebo), nem todas as palavras e expressões estão ali. Considero que o livro tem um certo excesso de expressões regionalistas, o que torna a leitura cansativa. Sempre gostei de ler livros regionalistas, como alguns de Jorge Amado, que também utiliza algumas expressões, mas sem exagerar. Esse excesso, para mim, retirou o prazer da leitura.
Volto a dizer que reconheço a importância desse romance e o que não me agrada pode agradar e muito a outros leitores.  
No romance, há um confronto entre os nordestinos dos engenhos e os do sertão.
Bagaceira, no glossário, significa 1: pátio das fazendas onde são depositados os detritos da cana moída; 2: o próprio ambiente (moral) dos engenhos: moleque de bagaceira, por exemplo.
Valentim, sua filha Soledade e o afilhado Purunga e outros saem de uma fazenda na zona do sertão, fugindo da seca. Representam os sertanejos. Vão para as regiões dos engenhos.
Dagoberto representa o senhor de engenho e toda a sua autoridade. Sua mulher falecera por ocasião do nascimento do filho Lúcio. Este se apaixona por Soledade, que acaba sendo seduzida por seu pai, Dagoberto.

“Nesse ambiente afrodisíaco, nutria um amor sem carnalidades, um idílio naturista, com o sabor acre de fruta de vez junto aos abandonos e aos modos de indiferença ou de entrega dessa mulher perturbadora que alvoroçava todo o Marzagão.” (p. 78 da edição do Círculo do livro)
O Lúcio representa um rapaz urbano. Ele estuda e se forma em Direito. E terá uma visão diferente, quando herdar o engenho do pai, buscando melhores condições de habitação para os trabalhadores. Ele é idealista e sonhador.
Um trecho do livro que achei bacana está no capítulo O julgamento e fala de justiça:
“Justiça falível, és a balança de dois pesos que só não pesam nas consciências! Como eu quisera que fosses cega, de verdade, não pela tua ignorância, mas pela imparcialidade!O mau juiz é o pior dos homens.Se o juiz tiver de pecar, seja, pelo menos, humano. Peque pelo amor que é a liberdade e não pelo ódio que é a justiça mais grosseira...Vingue em cada absolvição de um miserável a impunidade dos grandes criminosos!...” (p. 146/147).
Enfim, o livro aborda vários assuntos: a seca do nordeste, a exploração pelo senhor de engenho, a submissão dos trabalhadores, a vida urbana do filho de um senhor de engenho, estupro, entre outros temas. É um importante livro para o Modernismo brasileiro.


Boa leitura!

10 de fevereiro de 2017

Quarto de despejo: Carolina Maria de Jesus









Morro da favela









O povo brasileiro só é feliz quando está dormindo





Muito bem, Carolina!




Eu ouvi dizer que o General Teixeira Lot não vai enviar tropas para o Oriente Medio. Se for assim creio que devemos considerar e venerar nosso general que já demonstrou seu desvelo pelo povo e o paíz.

Amarelo é a cor da fome

a voz dos que não têm a palavra


Carolina Maria de Jesus - foto: Arquivo Audálio Dantas

A Bíblia não manda ninguém casar.

Manda crescer e multiplicar.






9 de fevereiro de 2017

A Bagaceira: José Américo de Almeida

"ALEGRIA DE POBRE É MAU AGOURO."





"Tudo se desfaz, menos os elos nativos que prendem o homem à terra. 
O homem será sempre o prisioneiro de sua origem".




"Passavam fitas naturais nas auroras e nos ocasos miraculosos. Havia música de graça nos coretos do arvoredo. Perfume de graça em cada floração. E o sol fazia-lhes visitas médicas entrando pelos rasgões dos tugúrios." 

Na verdade, ele não descrevia a natureza. Ele pintava a natureza. José Américo não era apenas um romancista. Era um poeta e um pintor. Ele pintava com as palavras. (Elenir)





Muita vez sonhei assim, em menino, embalado na rede em casa dos avós paternos. Menino cujo futuro era ainda uma promessa vaga, uma bolha frágil, uma estrada incerta...



“E meteram-se na rede que, parada, é feita para se dormir; mas, aos embalos, a voar, é feita para sonhar”.  A bagaceira, p. 108.



Engenho Mazagão e o pátio da bagaceira



O JULGAMENTO

O dr. Marçau entrou a orar neste tom:

— O promotor acusou o réu em nome da sociedade e eu acuso a sociedade em nome do réu .

Quem é mais criminoso — o réu que matou um homem ou a sociedade que deixou por culpa sua morrerem milhares de homens?

E, antes de ser réu , ele é vítima da falta de solidariedade da raça.

A seca chegou a aprazar suas irrupções com a lei da periodicidade . Todo mundo tinha a previsão da catástrofe em datas fatais. E os poderes públicos não a atalharam; não procuraram corrigir os acidentes da natureza incerta que dá muito e tira tudo de uma vez . Essa vitalidade aleatória ficou, até hoje, à espera da intervenção racional que demovesse os obstáculos do seu aproveitamento e fixasse o sertanejo no sertão .
Dispersou-se o povo sedentário e esfacelou-se a família...

— O advogado não pode continuar a atacar os poderes públicos! — advertiu o presidente do tribunal do júri , com a ajuda da campainha enérgica.

Lúcio abreviou a eloqüência forense:

— Eu dou por terminada esta função teatral que avilta a dignidade dos réus, cara a cara, para formar a consciência dos julgamentos espontâneos . . .

Justiça de . . . nulidades é a definição da inópia que só enxerga fórmulas no papel selado dos autos , em vez de uma alma encarcerada nestas fórmulas, da mesma maneira que está presa na cadeia. Não sabe que cada processo é uma palpitação da natureza humana. Atende menos a esse problema moral que à meia-língua das testemunhas.

Justiça falível, és a balança de dois pesos que só não pesam nas consciências! Como eu quisera que fosses cega, de verdade , não pela tua ignorância, mas pela imparcialidade!

O mau juiz é o pior dos homens. Se o juiz tiver de pecar , seja, pelo menos, humano. . Peque pelo amor que é a liberdade e não pelo ódio que é a injustiça mais grosseira. . .

Vingue em cada absolvição de um miserável a impunidade dos grandes criminosos! . . .

(Valentim foi absolvido por perturbação de sentidos e de inteligência.. . dos jurados . )

"Pobre de barriga cheia, Deus te livre!"
Os herdeiros dos passeios pelos shoppings não viram isso que José Américo de Almeida conta em A Bagaceira (p. 76): “Ele forcejava em interessar o coração de Soledade na assistência social aos moradores da fazenda de cana-de-açúcar. Entravam nas bibocas e ela nauseava. Santo Deus! Os guris lazarentos embastidos [cobertos] de perebas não paravam de coçar as sarnas eternas e pareciam laranjas onde enfiaram dois palitos. Mas não choravam, não sabiam chorar. Soledade saia aos engulhos. Não havia choça paupérrima que não tivesse um cachorro gafo. Era o sócio da fome. Os pobres só comiam capim, pastavam como carneiros. Mordiam a própria perna como se fosse um osso para roer”. (Fonte)
O catatau será em fevereiro, não perca!
— Sique! sique! — estumava o dono da casa , com os dentes cerrados, baixinho. Só pelo gosto de se levantar e gritar da porta: Desse modo, descontava o servilismo irremissível.   
 — Ca . . . chor ro ! ' chor ro !  E, num grande entono: 

— Já se deitar!

Voltava a sentar-se com um ar de quem mandou e foi obedecido. 






Eu sofria na minha inocência com pena dos bichos que se amavam. Amor de arranhaduras, de coices e dentadas. E, enfim, creio que os beijos doem muito mais.

Tô com vontade de beijar . Daqueles beijos que deixam cicatrizes na alma. Quero sorver o aroma carnal que se bebe em beijos.

Há muitas formas de dizer a verdade.
Talvez a mais persuasiva seja a que tem aparência de mentira.




Não há deserto maior que uma casa deserta

Você não vem na minha casa, eu não vou na tua.


Resumo do livro “A Bagaceira” de José Américo de Almeida (Spoiler)

O romance se passa entre 1898 e 1915, os dois períodos de seca. Tangidos pelo sol implacável, Valentim Pereira, sua filha Soledade e o afilhado Pirunga abandonam a fazenda do Bondó, na zona do sertão. Encaminham-se para as regiões dos engenhos, no brejo, onde encontram acolhida no engenho Marzagão, de propriedade de Dagoberto Marçau, cuja mulher falecera por ocasião do nascimento do único filho, Lúcio. Passando as férias no engenho, Lúcio conhece Soledade, e por ela se apaixona.
O estudante retorna à academia e quando de novo volta, em férias, à companhia do pai, toma conhecimento de que Valentim Pereira se encontra preso por ter assassinado o feitor Manuel Broca, suposto sedutor e amante de Soledade. Lúcio, já advogado, resolve defender Velentim e informa o pai do seu propósito : casar-se com Soledade. Dagoberto não aceita a decisão do filho. Tudo é esclarecido : Soledade é prima de Lúcio, e Dagoberto foi quem realmente a seduziu. Pirunga, tomando conhecimento dos fatos, comunica ao padrinho (Valentim) e este lhe pede, sob juramento, velar pelo senhor do engenho (Dagoberto), até que ele possa executar o seu "dever": matar o verdadeiro sedutor de sua filha. Em seguida, Soledade e Dagoberto, acompanhados por Pirunga, deixam o engenho e se dirigem para a fazenda do Bondó. Cavalgando pelos tabuleiros da fazenda, Pirunga provoca a morte do senhor do engenho Marzagão, herdado por Lúcio, com a morte do pai. Em 1915, por outro período de seca, Soledade, já com a beleza destruída pelo tempo, vai ao encontro de Lúcio, para lhe entregar o filho, fruto do seu amor com Dagoberto.

Fonte: Resumos para o ENEM