CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

CLÁSSICOS



Você gostaria de ler clássicos da literatura universal no seu ritmo e em conjunto com outros leitores para saborear melhor as leituras, trocando ideias com eles e fazendo novas amizades? Você também é daqueles que sempre deixam essas leituras para uma melhor hora, quando houver mais tempo, o que nunca acontece, perdendo a oportunidade do aprendizado que essas obras trazem para a nossa vida e as descobertas que fazemos com a leitura solidária em um grupo? “Dom Quixote”, “As Mil e Uma Noites”, “Guerra e Paz”, “Os Miseráveis”, “Ilíada”... A vantagem de fazer parte de um grupo de leitura é que podemos unir o útil ao agradável. O Clube de Leitura Icarai incluiu os grandes clássicos na sua agenda de leituras e se você quiser aderir, basta entrar em contato conosco.

Estamos Lendo: Livro das Mil e Uma Noites




Na noite seguinte, Dinarzad disse para a irmã: "Por Deus, maninha, se você não estiver dormindo, continue para nós a história". Sahrazad respondeu: "Com muito gosto e honra".

Este volume traz as 170 primeiras noites, com introdução de Mamede Mustafa Jarouche. Nela, o tradutor conta a história das supostas fontes em persa e sânscrito que teriam sido a base para o livro. A edição apresenta notas sobre aspectos linguísticos ou que explicam o cotejo entre manuscritos e edições árabes, além de anexos, com traduções de passagens do livro que possuem mais de uma redação, e que servem de elementos de comparação para o leitor interessado na história da constituição do próprio 'Livro das mil e uma noites'.

E a aurora alcançou Sahrazad, que parou de falar. Dinarzad lhe disse: "Maninha, como é agradável e insólita a sua história", e ela respondeu: "Isso não é nada perto do que irei contar-lhes na próxima noite, se acaso eu viver e for poupada".

Vol. 1 - Fale com quem já terminou de ler: Fatmah, Ellias, Lis, Eloisa  

Vol. 2 - Fale com quem já terminou de ler: Eloisa  

Vol. 3 - Fale com quem está lendo: Eloisa


Assista à entrevista com o tradutor na Tertúlia SESC Pompeia.


Ulisses - James Joyce

"... Sei que tentaram dissuadir Joyce de publicar quase tudo que escreveu, e sei que Virginia Woolf considerou o Ulisses uma grande bobagem, ela que é tida como uma ótima escritora,  e os grandes escritores deveriam ser capazes de reconhecer uns aos outros, não é?" (Epifania, Paul Marcel)


Quando você partir, em direção a Ítaca,
que sua jornada seja longa,
repleta de aventuras, plena de conhecimento.

Não temas Laestrigones e Ciclopes nem o furioso Poseidon;
Você não ira encontrá-los durante o caminho, se
o pensamento estiver elevado, se a emoção
jamais abandonar seu corpo e seu espírito.

Laestrigones e Ciclopes, e o furioso Poseidon
não estarão no seu caminho
se você não carregá-los em sua alma.
se sua alma não os colocar diante de seus passos.

Espero que sua estrada seja longa.
Que sejam muitas as manhãs de verão,
que o prazer de ver os primeiros portos
traga uma alegria nunca vista.
Procure visitar os empórios da Fenícia
Vá às cidades do Egito,
aprenda com um povo que tem tanto a ensinar.
Não perca Ítaca de vista
pois chegar lá é seu destino.

Mas não apresse seus passos;
é melhor que a jornada demore muitos anos
e seu barco só ancore na ilha
quando você já tiver enriquecido
com o que conheceu no caminho.

Não espere que Ítaca lhe dê mais riquezas.
Ítaca já lhe deu uma bela viagem;
sem Ítaca, você jamais teria partido.
Ela já lhe deu tudo, e nada mais pode lhe dar.

Se no final, você achar que Ítaca é pobre,
não pense que ela lhe enganou.
Porque você tornou-se um sábio, viveu uma vida intensa,
e este é o significado de Ítaca.

(Konstantinos Kavafis)


Começamos com Ulisses. Foi dada a largada e alguns já vivenciam este dia, que nos é contado por James Joyce. Uma vez que o livro é extenso, nossa meta quanto ao prazo de leitura é maior. Ainda não está decidido, se discutiremos o livro em maio ou em julho. Nossa intenção é gradualmente acrescentar a esta página, informações, comentários e links que possam ser de interesse para os que lêem conosco.

"Um dia na vida da Humanidade. Se fosse possível laçar o tempo ou capturar o Infinito, poderíamos dizer que James Joyce o conseguiu em seu livro. Um dia comum — 16 de junho de 1904 — na vida de pessoas comuns — irlandeses, como ele — numa cidade comum, Dublin. Só o romance é incomum. Quando foi publicado, em 1922, por uma modesta editora de Paris, a Shakespeare and Co., os críticos mais atentos disseram que aquele era ''um romance para acabar com todos os romances''. Não desejavam, com isso, anunciar o fim da literatura, mas sugerir que, a partir dali, nenhum romancista lúcido poderia se contentar em narrar histórias com princípio, meio e fim. Joyce, desconhecendo Freud, devastou os subterrâneos do inconsciente; antes mesmo que o cinema, criou novas técnicas revolucionárias para a narrativa; e, sem ser um filósofo, abriu perspectivas para a compreensão da História como um círculo sem começo nem fim."

O romance transcorre em Dublin, na Irlanda, no dia 16 de junho de 1904 (mais precisamente, a narrativa começa às 8h da manhã e termina às 2h da madrugada). Nele, acompanhamos o jovem poeta e filósofo Stephen Dedalus, e, paralelamente, o publicitário Leopold Bloom, num atribulado dia em que perambulam por Dublin. Em determinado momento, Bloom, que sofre com a perda do filho, ajuda Stephen, que por sua vez, tem problemas com seu próprio pai. O romance termina com o retorno de Bloom à sua casa e o reencontro com a esposa Marion, ou melhor, Molly Bloom, cantora que comete adultério com seu empresário.


Ler Ulisses é um desafio. Uma espécie de Odisséia, permeada por obstáculos que visam nos convencer a parar em determinado ponto, desistir, nos desviar de nossa meta. Somos os marujos que acompanham Ulisses (o de Homero) em sua viagem. Melhor dizer, desejamos ser o próprio Ulisses, pois só ele atinge o objetivo final de retornar a Ítaca. (Em nosso caso, alcançar o episódio 18 do Ulisses de James Joyce). A leitura de Ulisses não é simples, e, num primeiro momento, nem cativante. Ulisses é mundialmente conhecido como uma obra revolucionária, que exerceu imensa influência sobre a literatura moderna. Porém, a genialidade com a qual a obra é descrita não é explicita (não à primeira vista), ao menos para leitores “turistas”, que não têm bagagem literária ou intimidade com os clássicos referências. A boa notícia (ou não!) é que esta sensação não é só nossa. Joyce é um autor que instiga, provoca e incomoda.

Estamos sempre envoltos em cultura de massa, de assimilação rápida e fácil, de estrutura repetitiva. Então nos deparamos com um texto carregado de referências, inovador a cada capítulo, que não lhe permite a criação de uma base estável de compreensão.
(Lielson Zeni – Impressões de leitura)

O livro não tem uma trama distinta - uma sucessão de obstáculos que o herói deve enfrentar na busca de um final feliz. Não existe um narrador onisciente, pronto para guiar o leitor, descrevendo os personagens e seu ambiente, fornecendo detalhes, resumindo os acontecimentos e explicando, aqui e ali, o significado moral da história.
(Literatura casca grossa - O Bibliotecário)

Ulisses não nos permite uma leitura distraída. Se não está acompanhando. Pare e volte num melhor momento. Uma das razões para tal é o uso da técnica conhecida como "fluxo da consciência" – forma narrativa que busca seguir livremente a linha tortuosa do pensamento das personagens. Técnica essa, consolidada por Joyce. (cf. Jerônimo Teixeira, em “Quem tem medo de James Joyce?” ). Temos a sensação de uma linguagem confusa. Joyce nos faz mergulhar não somente no dia, mas nos pensamentos das três personagens principais, que então passam a ser narradores. Não há aviso prévio das ramificações de raciocínio, de quais diálogos são fragmentos de lembranças, quais são presente, e chega o momento em que não temos mais certeza se o narrador é o mesmo, onde está e sobre qual assunto está tratando. Uma vez conscientes da utilização desta narrativa, temos um ponto a nosso favor na leitura de Ulisses.

Joyce incomoda por pedir uma atenção não convencional, por exigir uma sensibilidade de leitor que vai muito além do trivial. Incomoda a ponto de você entender quase nada.
(Lielson Zeni – Impressões de leitura)

Outro ponto a favor é já ter lido as obras de referência, como “A Odisséia” (Homero), “Um Retrato do Artista Quando Jovem” e “Dublinenses” (James Joyce), “Hamlet” (Shakespeare)”, “A Divina Comédia” (Dante Aligheri) etc. Aqui, uma pausa: “Um Retrato do Artista Quando Jovem” é uma obra semi-autobiográfica de Joyce que descreve os primeiros anos da vida de Stephen Dedalus (Joyce). O conhecimento prévio destas obras permite maior aproveitamento e prazer na leitura, uma vez que é possível fazer correlações e compreender melhor a obra e a dita genialidade de Joyce. Ulisses é obra de qualidade literária e conteúdo. Porém, a não leitura destes clássicos não deve ser um empecilho para ler Ulisses. Uma vez que não se anseie tornar especialista em Joyce, não creio ser essencial. Não vai impedi-lo de apreciar a leitura (O que acontece, arrisco dizer, já a partir das primeiras cem páginas. Acredite!). Na mesma linha de leituras recomendadas, vale lembrar que há, ao fim do livro, algumas notas que facilitam a leitura. É bom acompanhá-las à medida que se lê.

"Um homem de gênio não comete erros. Seus erros são voluntários e são portais de descoberta."
(Ulisses, episódio 9 - James Joyce)

Para quem está muito perdido na leitura e não se importa em conhecer o final da trama, é interessante também assistir as versões de Ulisses em DVD (“A Alucinação de Ulisses”, de 1967, e “Bloom”, de 2003). Não resolverá nossos dilemas em relação à leitura, mas, ouso dizer que vale à pena assistir o filme, mesmo antes de concluir o livro, pois ele nos dá noção do porque da estrutura do livro parecer-nos tão caótica.

Gostamos de Ulisses, pois nele Joyce descreve de forma extremamente honesta a natureza humana. Bem, ‘honesto’ é um adjetivo que não representa o modo de Joyce escrever. Como disse Edmund Wilson, em Ulisses, cada personagem é uma sala, uma casa, uma cidade na qual o leitor pode se mover e nos vemos num mundo povoado por diferentes experiências de vida. A narrativa do fluxo da consciência permite que isto seja feito de modo surpreendentemente fiel, respeitando o modo de ser de cada personagem: os pensamentos de Bloom têm conotação rápida (pequenas ideias estratificadas jorrando continuamente em todas as direções, com a flexibilidade e a complexidade de uma mente ágil e alerta), o jovem intelectual Dedalus tem sua mente rica em belas imagens e complexas especulações, com freqüentes citações a Hamlet; já Molly... (bem ainda não cheguei aos pensamentos de Molly, mas li que ela tem um padrão semelhante a ondas do mar).

Confira o vídeo abaixo com depoimento de um mestrando cujo objeto de pesquisa é o livro ULYSSES de James Joyce.









Localizando a Irlanda



Dublin é capital e maior cidade da Irlanda e é minuciosamente descrita por Joyce em Ulisses, através de suas personagens, que percorrem diversos pontos da cidade, caminhando pela praia, visitando biblioteca, cemitério, jornal, bordel, e bares. Neste sentido, Joyce é uma espécie de Machado de Assis Irlandês.






Acompanhe Ulisses no Twitter: http://twitter.com/#!/11ysses

Contacte os leitores que concluíram a leitura para saber o que acharam da leitura:  Gracinda, Angela Ellias, Evandro, Cintia


Para mais informações sobre Ulisses, acesse o blog do Joe


6 comentários:

  1. Para quem lê Ulisses, vale muito à pena assistir Bloom. Mas se você assiste Bloom pensando em entender Ulisses, vai sentir imensa necessidade de ler Ulisses para entender Bloom (última frase roubada). Não existe vida fácil!

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  2. “Consegui vencer um dos maiores desafios que enfrentei nos últimos tempos: chegar à última página de "ULISSES", de James Joyce, tradução de Antônio Houaiss, 16a edição, 957 páginas. Concluí essa façanha na quarta-feira de cinzas, 09 de março de 2011.

    "ULISSES" é um livro muitíssimo comentado - sua difícil leitura é unanimidade entre seus leitores, intelectuais ou não, escritores, literatos, amantes da leitura como nós do Clube e por aí vai.

    Hoje mesmo me chamou a atenção no "Segundo Caderno" de O Globo, a Claudia Costin, da área da Educação, relatar que está lendo "ULISSES" e ela diz: "... É um livro difícil. Preciso consultar um roteiro para compreender melhor a linguagem, mas já estou nos últimos capítulos."

    Dizem também que James Joyce é genial, que subverteu os cânones linguísticos, que fez um romance que derruba todos os demais romances(?). Que James Joyce me perdoe mas ainda bem que existem outros romances bem diferentes de "ULISSES". É claro que respeito as opiniões contrárias às minhas (Gabito reverencia ULISSES de forma contundente), mas para mim o "prazer pela leitura" é o que conta e foi exatamente esse "prazer" que eu não encontrei na leitura de ULISSES.

    Entretanto, para minha realização um tanto o quanto vaidosa, consegui chegar ao final do livro com a sensação de alívio por ter perseverado na leitura. Insisti porque queria (ao ler qualquer referência ao livro ou a James Joyce) dizer pra mim mesma que eu conhecia essa obra tão referenciada.

    Apesar de ter achado as 957 páginas um conjunto de ideias desencontradas e confusas, tenho que admitir que algo no estilo de James Joyce me encantou, quando escreve palavras de forma diferente e se utiliza de frases da linguagem coloquial em diversas partes do livro. É a tal subversão às normas linguísticas. Mas penso eu, precisava fazer esse TIJOLÃO para mostrar essas subversões???

    Grifei muitas palavras e expressões criadas por JJ. Dentre essas, vou citar apenas algumas :

    (pg.128) "Alguém aqui viu Kelly? Cá é dois-eles ipsilone?"
    (pg.164) "Clientela minguando. Um quepodiatersido."
    (pg.174) "Salvar príncipes é coisa para muito obrigado."
    (pg.270) "Ela está jacente em completa rigidez nesse quaseperfeito leito ..."
    (pg.278) "Depois de Deus, Shakespeare foi quem mais criou".
    (pg.355) "... comoéquesechama ..."
    (pg.362) "Chato isto, Bloom chateado tamborilava gentilmente com dedos de eu estou agora pensando sobre o mata-borrão achatado que Pat trouxera."
    (pg.664) "Preparaste teu quaseperfeito leito ..."
    (pg.704) "aelegantemulhercasadaqueesfregouamplotraseironelenobondedeClonkea..."
    Depois dessa aglutinação de palavras da pág. 704, vou ficando por aqui.

    Plagiando nossa amiga Gracinda Rosa (e copiando o estilo JJ) terminei Ulisses COMCARADEPONTODEINTERROGAÇÃO. E, pegando o gancho dela também, valeu a leitura (e o esforço para tal) pois, afinal, quando eu ler qualquer referência à essa obra e ao seu autor, vou sentir aquela satisfação de saber do que se trata, mesmo não tendo assimilado quase nada do seu contexto.

    Desculpem a minha ignorância em não conseguir apreciar essa obra clássica. Ainda não estou preparada. Quem sabe eu consiga quando chegar aos oitenta anos ???

    Carinhoseabraçosfraternosalájamesjoyce
    Angela Ellias

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  3. http://www.tvaovivo.net/sescsp/tertulia/default_08-09.aspx

    Sobre Mil e Uma Noites!
    Elô

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  4. este club e muiiiiitttto shou.

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  5. Que noticias me dão da reunião dos Classicos? Algumas pessoas têm perguntado por ela. Os novos leitores prosseguiram em sua leitura das Mil e uma noites?

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