CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

27 de abril de 2017

Criatividade para o século XXI: Amit Goswani


A realidade se efetiva a partir das possibilidades que a consciência tem a sua escolha.





23 de abril de 2017

Brás Cubas & Virgília: Mr. EPA

Brás Cubas: Então? 




Virgília: Espere um pouco mais. 




Brás Cubas: Está bem


Como prefira 




Virgília: Ah! 




Brás Cubas: Por mim não terminava nunca. 




Virgília: É um momento único.


Não te parece que está indo muito rápido? Devagar, vai

Quanto mais lento, melhor



Brás Cubas: Difícil resistir

Como é bom! A gente não quer que acabe mesmo

Deus, meu! Me segura

Que espetáculo!




Virgília: Vamos voltar mais vezes? 




Brás Cubas: Claro! 




Virgília: Olha a Lua! 






22 de abril de 2017

Livro: Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis e filme

Olá queridos!
Reproduzo o post do meu Blog Mar de Variedade. 
Esse foi o livro do mês do Clube de Leitura Icaraí. Gostei muito!

Sinopse: Brás Cubas, após a sua morte, faz uma retrospectiva de toda a sua vida com os leitores. 


Esse livro é um clássico da Literatura Brasileira. É o primeiro romance da fase realista de Machado de Assis. 
Ele costuma ser leitura obrigatória nas escolas e costuma cair no vestibular. Confesso que ler um livro dele na fase adulta, com mais maturidade, me trouxe grande prazer na leitura. 
Brás Cubas começa sua narrativa contando que faleceu com 64 anos, solteiro, com cerca de trezentos contos, o que era considerado rico. 
Ele foi um cara de família rica, portanto, não precisava trabalhar, mas buscava títulos. Teve algumas histórias de amor, mas seu grande amor foi Virgília. 
Embora a vida de Brás Cubas não tenha sido espetacular, Machado de Assis conseguiu fazer uma narrativa sobre a vida dele muito interessante. O narrador interage com o leitor o tempo todo. 
Na obra, percebemos as nuances de cada personagem. Conseguimos fazer uma análise de cada um.
O livro também é uma crítica à sociedade, pois mostra a classe burguesa em busca de títulos de nobreza, além de casamentos por interesse, traições, etc. 
É uma ótima leitura!
Recomendo!

Sobre o filme:
Ele pode ser encontrado no youtube. O protagonista é vivido na fase mais velha pelo Reginaldo Faria e, na fase mais jovem, por Petrônio Gontijo. Achei bem fiel ao livro, de forma mais resumida. Muito bom também! Recomendo!

21 de abril de 2017

a máquina de fazer espanhóis: valter hugo mãe

Discurso de um jovem militante contra o regime de Salazar, em "A máquina de fazer espanhóis", de Valter Hugo Mãe, p. 150. Mantida a grafia original do texto todo em minúsculas:
.
"sabe, senhor silva, é preciso que se suje o nome de salazar para todo o sempre. é preciso que o futuro lhe reserve sempre a merda para seu significado, para que os povos se recordem como foi que um dia um só homem quis ser dono das liberdades humanas, para que nunca mais volte a acontecer que alguém se suponha pai de tanta gente. este tem de ser um nome de vergonha. o nome de um porco. para que ninguém, para a esquerda ou para a direita, volte a inventar a censura e persiga os homens que têm por natureza o direito de serem livres."


Nosso protagonista do mês, sob a gravidade de seus 84 anos de idade, enxerga o mundo todo em letras minúsculas. Quando o texto sai da esfera do Sr. Silva como, por exemplo, no capítulo sobre o ídolo peruano Teófilo Cubillas, que jogou no Futebol Clube do Porto entre 1974 e 1976, o texto volta ao que seria de se esperar, com frases e nomes próprios iniciando com letras maiúsculas. Na minha opinião, deveria ter permanecido com letras minúsculas porque o Sr. Cubillas estava naquela vergonhosa derrota da seleção peruana para a Argentina de 6x0, que desclassificou a seleção canarinho. Um verdadeiro episódio de ficção!

Quando a mulher do Sr. Silva vira metafísica, nosso anti-herói lamenta, inicialmente, não viver em um admirável mundo novo, para que a dor da perda não o oprimisse de forma tão desumana, como estava sendo viver em um mundo sem Laura.  Por isso é que  esses relacionamentos emocionais intensos ou prolongados  são proibidos e considerados anormais no admirável mundo novo de Huxley: poupa esses tormentos das perdas. O Sr. Silva maldiz suas memórias, e a saudade que sente, comparando-as a uma opressão fascista. No entanto, ao encontrar no asilo da Feliz Idade um personagem de um poema de Pessoa,  o Esteves sem metafísica, ele flerta inicialmente com a metafísica, para em seguida aceitar que o que lhe resta é a companhia de novos amigos e de seus próprios pesadelos.


"Com a morte, tudo o que respeita a quem morreu devia ser erradicado, para que aos vivos o fardo não se torne desumano, esse é o limite, a desumanidade de perder quem não se pode perder..."






O Sr. Silva costumava ter pesadelos onde abutres devoravam seu corpo. Lembrei-me da premiada fotografia de Kevin Carter, que mostra que o pesadelo do nosso herói do mês não é tão metafísico assim. Escusa-se de falar a referência à obra prima de Hitchcock.


(photo: nelson d'aires) as gralhas grassam

         
          TABACARIA 
                   (Álvaro de Campos, 15-1-1928)
           
        Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
        ...
        Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu. Estou hoje dividido entre a lealdade que devo À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora, E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro. 
         ...
        (Come chocolates, pequena; Come chocolates! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates. Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria. Come, pequena suja, come! Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes! Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho, Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.) 
        ...
          Essência musical dos meus versos inúteis, Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse, E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte, Calcando aos pés a consciência de estar existindo, Como um tapete em que um bêbado tropeça Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada. 
          Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta. Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada E com o desconforto da alma mal-entendendo. Ele morrerá e eu morrerei. Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos. A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também. Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta, E a língua em que foram escritos os versos. Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu. Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas, 
          ...
          Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?) E a realidade plausível cai de repente em cima de mim. Semiergo-me enérgico, convencido, humano, E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário. 
           ...
           (Se eu casasse com a filha da minha lavadeira Talvez fosse feliz.) Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela. O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?). Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica. (O Dono da Tabacaria chegou à porta.) Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me. Acenou-me adeus, gritei-lhe , e o universo Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.


        Periodista Digital
        "- sabes que os peixes tem uma memória de ... 3 segundos... é por isso que não ficam loucos dentro daqueles aquários sem espaço, porque a cada 3 segundos estão como num lugar que nunca viram e podem explorar. devíamos ser assim, a cada 3 segundos ficávamos impressionados com a mais pequena manifestação de vida, porque a mais ridícula coisa na primeira imagem seria uma explosão fulgurante da percepção de estar vivo. compreendes. a cada 3 segundos experimentávamos a poderosa sensação de vivermos, sem importância para mais nada, apenas o assombro dessa constatação.  
        Corvos - Lucio Bouvier
        - seria uma pena que não voltasse a se lembrar de mim, sr. silva, não gosto dessa teoria dos peixes, porque assim não se lembraria de mim.
        ...
        estava no ponto peixe. o glorioso ponto peixe a partir do qual o destino nos começa a ser irrelevante. encaramos as coisas com o mesmo drama com que em segundos o esquecemos e nos esperançamos de alegria por outro motivo qualquer, sem saber por quê."


        "... Muitos mentem sem pudor para não se deixarem humilhar, pouco importava tudo isso porque tão na extremidade da vida eram todos a mesma coisa, um conjunto de abandonados a descontar pó ao invés de areia na ampulheta do pouco tempo".


        Para ler carta enviada a Valter Hugo Mãe por uma leitora do CLIc acesse: http://ritamagnago.blogspot.com/2011/08/carta-enviada-ao-valter-hugo-mae.html

        A carta-resposta do autor está em http://ritamagnago.blogspot.com/2011/09/resposta-do-meu-dileto-escritor.html



        Alguém aí sabe como tirar o fascismo das pessoas?

        Leia este livro.


        18 de abril de 2017

        Chove! - Vera L. S. F.




        A chuva cai.
        Dentro de mim existe apenas solidão.  
        Sofro, sofro profundamente a perda de um amor.
        Recordo, e no meio de tantas lembranças existe a dor dos dias já vividos.
        Vejo, você e eu, de repente, um nada.
        Imagino, a solidão de uma alma.
        Sinto, a dor de uma saudade.
        Deixo, toda uma tristeza.
        Fico, com uma imensa desilusão. 
        Espero, a alegria há muito 
        esquecida.
        Parto, em busca de paz, de um sorriso, de vida.
        Em busca de um amor.



        Escrito em 31- 12 - 65.



        11 de abril de 2017

        A Páscoa é para todos: Érika Rossetto

        Aos amigos cristãos,

        Nesse fim de semana, cristãos do mundo todo celebram a páscoa. Em minha opinião, essa é a celebração mais importante do cristianismo, pois nessa data lembramos a consumação do amor de Cristo. 

        Livro do mês de Abril
        Coincidentemente, essa semana estou lendo um livro (O sol é para todos: Harper Lee) que trata de várias facetas das relações humanas, dentre elas ilustra como somos capazes de deturpar valores cristãos para justificar comportamento embasado em preconceito, discriminação e vários outros aspectos da mesquinhez humana. 


        Embora esse livro seja ambientado em uma cidade pequena do Alabama de décadas atrás, o mesmo comportamento ainda é muito comum em nossa sociedade, ficando muito evidente nas redes sociais. 


        Cada vez que vejo uma publicação que dissemina o ódio, a intolerância, a crueldade, a falta de antipatia fico muito decepcionada fico pensando: o que está por traz disso? Quando esse tipo de atitude vem de alguém que se declara cristão, fico então triste e me pergunto onde está o amor ao próximo que Cristo ordenou? 

        Não é meu objetivo julgar ninguém. Apenas gostaria de convidar os amigos a refletirem comigo sobre quais frutos apresentamos aos outros? Será que damos bons frutos, aqueles através dos quais Jesus disse que reconheceriam os que são deles?

        Que a páscoa sirva para lembrarmos do amor de Cristo e também para avaliar se estamos praticando seu segundo maior mandamento: ame o próximo como a ti mesmo. Será que dentro desse mandamento há espaço para desrespeito e intolerância com aqueles que pensam, vivem ou são diferentes?

        Que cada um examine-se a si mesmo"

        Feliz páscoa a todos e que a paz de Cristo esteja conosco sempre!


        9 de abril de 2017

        Cem Culpas: maria tereza penna




        Lua - Planeta Sonho... Satélite de Cristal!
        Que pode ferir, marcar ou refletir num transporte de fumaça...
        E se tornar em rocha firme em direção ao alto!...

        (maria teresa penna)



        R$ 30,00 - peça o seu, CLIC  aqui


        Sobre o livro: "Seus poemas são músicas que se transformam em imagens e textos. Tudo é imagem e som. A cadência faz com que o ritmo se organize em música, o primitivo que nasce no coração, nas batidas da emoção. Poesia atual - inspirada, emocionada, amorosa - uma poesis feminina. Fruta madura, escrita pronta para o colhimento. Vai do eu ao eu. Plantada e tecida com mãos de fibras de bananeiras e bananais. Uma poesia de mulher que cria e participa com e sobre vários matizes saídos desse caleidoscópio do vivido em Geraes."

        "Seus poemas encantam ao mesmo tempo que traz a realidade para analisarmos e refletirmos de forma profunda, olhando para dentro de nós e vivenciando os fatos que estão perto, nos envolvem e que nos tocam o coração." (Sonia Salim)



        Sobre a autoraPoeta, artista plástica, publicitária, designer gráfica e multimídia, produtora cultural. blogueira interessada em Arte e Sustentabilidade. 

        "Maria Tereza sustenta a palavra com generosidade e beleza. CEM CULPAS traz o que de melhor ela tem resgatado nos últimos tempos, tanto na vida exterior, pela observação quanto olhando para dentro de si e buscando na alma as melhores palavras para compor o seu vasto mundo poético.

        Quando nos colocamos diante do livro podemos perceber a sua alma de artista, pois todo o trabalho foi elaborado por ela com a maior dedicação e talento para o deleite dos leitores. É uma mulher preocupada com a sustentabilidade e trabalha para que isso seja de fato realizado na comunidade em que vive."





                           Valsa Para Uma Lua Cheia


        Lá estava ela
        Branca
        Redonda
        Se esvaindo em Luz!... 

        E  nuvens vaporosas
        Macias
        Bailantes
        Delicadas
        Suavemente
        Em movimento andante
        Desenhavam arabescos
        Buscando seu quinhão de brilho.

        Ela parecia  valsar
        displicentemente
        Deslizante
        Escorregando
        Tangentemente Impalpável
        Em inigualável Estado de Graça

        Lá estava ela
        Redondamente farta aleitava
        Prenha de fogo abrilhantava
        Desprendendo lava...

        Eu aqui ardendo em febre
        De mil ampere
        Olhava ela
        Purgando em lastros
        Pela  trilhadela

        Quase me derreto
        Nesse dueto...

        Em seu fulgor me abraso
        Acalmando chamas

        Aplacando dramas
        Crepitando anseio
        De ilusão e devaneio
        Dançando sigo
        Sorvendo luz
        Morrendo n’alma






        6 de abril de 2017

        Livro: Frankenstein, de Mary Shelley

        Olá queridos!
        Li esse livro no ano passado e gostei muito, por isso indiquei para o CLIc. Será nossa leitura em maio. Espero que gostem tanto quanto eu. Segue o post que fiz na época no meu blog Mar de Variedade
        Esse foi o livro lido no mês de outubro no Clube de leitura Leia Mulheres de Niterói-RJ.
        Vocês poderão obter mais informações na página do grupo no facebook. 
        Temos escolhido livros temáticos. Então, outubro, que é mês de halloween, escolhemos um livro com esse tema de terror.
        O livro me surpreendeu positivamente. Achei fantástico.

        Sinopse: O livro conta a história de Victor Frankenstein, que vai estudar na Universidade de Ingolstadt, e fica fascinado com os conhecimentos que adquire. Acaba criando um ser monstruoso. 



        Na introdução ao livro, a autora nos conta que o livro começou meio como uma brincadeira, pois certo dia na Suíça, quando chovia muito, Lord Byron sugeriu que cada um dos presentes escrevesse uma história de fantasmas. Daí surgiu esse clássico do terror.
        O livro começa com cartas de um capitão, Robert Walton, à sua irmã Margaret contando suas aventuras no mar em direção ao Polo Norte. 
        Walton acaba salvando Frankenstein, que lhe conta sua história: que era de Genebra; que seus pais adotaram a órfã Elizabeth; que, aos 17 anos, seus pais resolveram mandá-lo para a Universidade de Ingolstadt; que sua mãe faleceu e, no leito de morte, falou que gostaria de ver a união de Frankenstein e Elizabeth; que na Universidade passou a se dedicar às ciências naturais; que o professor Waldman exprimia cordial entusiamo com o seu sucesso; que, após dias de trabalho, tornou-se capaz de conferir vida à matéria morta; que, após dois anos de trabalho, criou um monstro, tendo se arrependido da sua criação.

        "(...)como é perigoso adquirir saber, e quão mais feliz é o homem que acredita ser a sua cidade natal o mundo, do que aquele que aspira a tornar-se maior do que a sua natureza permite." (trecho do livro)

        A leitura do livro é fluida. A escrita da autora é poética. Apesar de ser um livro clássico de terror, conseguimos ver poesia em sua escrita. 
        A autora conseguiu criar uma história bem original para a época, sobre esse ser que é criado da montagem de partes de pessoas mortas. O Victor Frankenstein, ao se deslumbrar com o conhecimento que adquire, quer "brincar" de ser Deus, criando um ser monstruoso, mas se arrepende após a criação e passa a questionar sobre a aquisição de conhecimento pelo homem.
        O livro acaba trazendo muitas reflexões. Podemos analisar o relato do Victor e também do monstro que não se chama Frankenstein, como muitos acreditam. 
        O monstro narra para o seu criador que tentou fazer o bem, mas que as pessoas não o aceitavam, por causa da sua aparência, o que fez com que se tornasse mau. Uma outra discussão boa também: essa questão de darmos tanta importância à aparência. 
        Não posso contar mais do que isso para não dar spoiler, mas vou recomendar muito o livro, pois a leitura é incrível, assim como toda a história. 
        Recomendo!

        Sobre o filme:




        Há algumas adaptações para o cinema. Eu assisti ao filme Frankenstein de Mary Shelley. Eu não gostei muito da adaptação. Além de terem modificado um pouco a história, achei que o filme não teve todo o encanto que a leitura do livro proporciona. É um filme razoável!

        O jardineiro fiel: John Le Carré





        Tempo de flores: Elenir Teixeira

             Por todos tão esperada
                      ei-la que chega sorrindo!
             Trazendo cor e alegria
             com muitas flores se abrindo!

            A brisa fica mais doce
            e doce é o perfume do ar.
           Os que brigam fazem pazes
           pois é tempo de se amar.

          Nos ramos brincam os pássaros
          e as crianças no jardim.
                  O mundo fica mais belo,
                  que bom fora sempre assim!

        Não! Não pensem que isto é sonho,
        que se trata de quimera!
        Hoje, estamos saudando
        a querida PRIMAVERA!


        (Elenir - a jardineira fiel do CLIc)


        Tessa foi inspirada na ativista francesa de direitos humanos Yvette Pierpaoli, a quem o autor dedica o romance, porque ela "viveu e morreu sem dar a mínima."



        O Fiel Jardineiro, por Fábio J.

        Dediquei estes últimos dias ao descanso completo e à alienação social. Precisava. Aumentei, por isso e para isso, o tempo de leitura... e que bem que soube.
        Acabei hoje de ler O Fiel Jardineiro, romance absorvente e majestoso, portador duma carga emotiva e humana simples, bela e, apetece-me escrever, assustadora. Ilógico? Talvez. Talvez porque neste livro diferentes realidades caminhem lado a lado, ombro a ombro, nenhuma mais real do que a outra: egoísmo e fidelidade.
        Neste livro John le Carré, autor britânico que há muito queria experimentar, apresenta ao leitor Justin Quayle, um funcionário da Alta Comissão Britânica no Quénia. A acção começa com o misterioso assassínio de Tessa, sua esposa, e o desaparecimento de Bluhm, amigo desta. Insatisfeito com as investigações oficiais, corruptas e tendenciosas, Justin decide esclarecer ele próprio em que circunstâncias a sua esposa foi morta e quem teria razões para se querer ver livre dela e do seu amigo, activistas de organizações humanitárias.
        Cedo Justin se apercebe que entrar no universo profissional de Tessa, até então desconhecido, seria travar as mesmas batalhas que esta travou e correr os mesmos riscos que esta correu. Movido pela fidelidade e querendo descobrir quem realmente era Tessa Justin não se deixa intimidar. Durante as suas pesquisas vai descobrindo os fios de uma trama internacional de corrupção, na qual a poderosa industria farmacêutica tece um perigoso novelo de interesses e estratégias.
        Embora a narrativa seja sempre aprazível e cativante, inicialmente a história desenrola-se duma forma um tanto ou quanto lenta. No entanto, mesmo nestes momentos, é difícil parar de ler, já que o surrealismo dá brilho à obra, dá-lhe dinamismo. Mais à frente, é a emoção de uma boa conspiração e de uma luta desesperada pela descoberta e justiça que fortalece a narrativa e nos tira o ar dos pulmões.
        Acima de tudo é uma obra muito, muito bem escrita, muito credível e perturbadora. A relação Justin-Tessa é-me pessoalmente marcante; admirável diria. As personagens e organizações são assustadoramente reais. O fim é... o fim é soberbo.
        Da leitura fica o meu medo face ao Homem e à sua falta de valores. E a vontade; a vontade de conhecer, agir e gritar.
        Muito recomendável.

        Frésias amarelas

        "O Jardineiro Fiel é considerado pela crítica especializada um dos melhores romances de John Le Carré, autor de sucessos como O Espião que Saiu do Frio, O Alfaiate do Panamá e A Casa da Rússia. O livro conta a história de Justin Quayle, um diplomata inglês e jardineiro amador nas horas vagas. Justin e sua mulher, Tessa, vivem na África. A esposa do diplomata parece ser o seu oposto. Conhecida como a Princesa Diana dos pobres africanos, Tessa é uma raridade: uma advogada que acredita na justiça. Durante uma missão misteriosa, a jovem inglesa é assassinada brutalmente perto do Lago Turkana, no norte do Quênia. Seu companheiro de viagem, um médico que trabalha junto a ONGs internacionais desaparece da cena do crime sem deixar vestígios. Com isso, Justin parte em uma odisseia pessoal na busca dos responsáveis pelo assassinato e da verdadeira história de sua própria esposa. O Jardineiro Fiel não é apenas a história de como a ambição e a ganância de certos homens dominam o mundo. É também uma história de amor: enquanto observamos Justin Quayle assumindo para si a causa que era de sua mulher, percebemos que a esperança sempre existirá e que o amor, realmente, remove montanhas."




        AMOR A QUALQUER PREÇO




        EUA testarão vacina experimental contra ebola em humanos


        Reguladores da indústria farmacêutica dizem não ser ético inocular em humanos hoje afetados na África vacinas que ainda não passaram por todas as fases de experimentação.

        "Este argumento - de que não é ético usar vacinas sem licença - é simplesmente estapafúrdio", disse Walsh à AFP, acrescentando que o NIAID está há uma década trabalhando nesta vacina. "O ético é tratá-los, vaciná-los. É o que seria lógico. O escandaloso é que não o façamos", disse.

        Leia todo o artigo CLICando aqui!

        Leia também:  EUA retiram da África dois americanos doentes de ebola


        Garotas olham para poster distribuído pela Unicef sobre formas de prevenir a propagação do ebola


        Que mundo grosso, gente avara,

        – E mais e mais sem mais sabor!

        Diz de você... o quê, amor?

        Que não tem vergonha na cara.



        Mundinho avaro, mundo cego,

        Sempre disposto a julgar mal.

        Seu beijo doce é meu apego,

        Sem falar na ardência final.




        Seu desejo de me ferir é apenas o reverso de desejos diferentes, mais construtivos. 


        • "Tessa foi assassinada para que se calasse.
        • Quem quer que ataque a indústria farmacêutica está sujeita a ter a garganta cortada.
        • Algumas empresas farmacêuticas são negociantes de armas sob vestes reluzentes.


        "Tessa distinguia absolutamente entre a dor observada  a dor compartilhada. A dor observada é dor jornalística. É dor diplomática. É dor da televisão, e passa assim que você desliga o abominável aparelho. Aqueles que observam o sofrimento e nada fazem a respeito, na visão dela, não eram melhores do que aqueles que o afligiam." (p. 151)


        "Um Estado deixa de ser um Estado quando deixa de atender às suas responsabilidades essenciais, a saber:


        • sufrágio eleitoral;
        • proteção à vida e à propriedade;
        • justiça, saúde e educação para todos;
        • manutenção de uma infraestrutura administrativa saudável;
        • estradas, transportes, esgotos, etc.
        • coleta equitativa de impostos;
        • ..." (p. 138)



        "O Tempo entre Costuras" - María Dueñas


        Quando estou entre costuras
        não sinto o tempo passar.
        Os sofrimentos e agruras
        vão pousar noutro lugar.



        Semana de reunião, os comentários sobre o livro começam a pipocar na caixa de entrada de emails dos participantes do clube de leitura, feito mísseis então inexistentes durante a guerra civil espanhola, cenário do romance do mês. É verdade que a segunda guerra mundial também surge como pano de fundo da estória, pela intensa participação nazista nas forças de apoio ao generalíssimo Franco. Sira Quiroga, a protagonista do romance, dublê de espiã e costureira, transita entre diversos personagens históricos desse período e sua vida reflete bem a conturbação da Europa em geral e da Espanha em particular. Estende sua aventura ainda pelo Marrocos e Portugal de Salazar, contando com uma intensa interferência inglesa no decorrer dos acontecimentos, uma vez que suas ações passaram a ser comandadas pelo serviço secreto britânico a partir de um certo momento. María Dueñas constrói uma trama interessante que sugere que os fatos históricos, em última instância, podem ser determinados por pessoas anônimas que não chegam a ter seus nomes registrados na história, que embora invisíveis, enquanto trabalham em suas atividades rotineiras, influenciam ativamente aqueles que decidem de fato os destinos do mundo.

        Como sempre, as opiniões entre os participantes do clube têm sido bastante díspares, havendo desde aqueles que acham que Sira não passa de uma Sabrina espanholada a aqueles mais apaixonados que atribuem a Sira um destino bem melhor, sugerindo que nossa heroína representa a verdadeira essência feminina: “elegante, corajosa, inteligente, audaciosa, sedutora, leal, amorosa, Mulher.”

        Não perdemos por esperar a próxima sexta-feira!

        E ela veio! Duas horas entre costuras de pequenos retalhos de ideias e conceitos diversos que nos permitem seguir a confecção de nossa bagagem de leituras. Na reunião, as opiniões sobre o livro foram bastante antagônicas e divergiram de modo quase equilibrado (50 a 50%). De modo geral, o conteúdo de 'O Tempo entre Costuras' foi elogiado por proporcionar aprendizado em termos de costumes e história. A autora expôs estes temas de forma abrangente e agradável, o que nos levou a especular se este não seria seu 'carro chefe', ou seja, o livro parece ter sido construído a partir de uma pesquisa, onde as personagens são elementos introduzidos a fim de preencher a trama.


        Na era do ipad, relembramos nossas antigas aulas de datilografia (para quem as teve) através da italiana Hispano-Olivetti Lettera 35, pretexto para a sentença de morte de um futuro em comum entre Sira e Ignacio.


        Quanto a Sira, alguns leitores a acharam uma personagem vazia, imatura, simplória, facilmente manipulada, enquanto outros a leram como uma mulher corajosa, decidida e à frente de seu tempo. O final do livro, também variou de “horrível!” a “um grande barato!” ou “Dez!” 'O Tempo entre Costuras' foi uma leitura de altos e baixos.

        A mudança abrupta na estória a partir da segunda metade do livro (ou pouco mais adiante para alguns) deu pano para manga. Esta mudança foi dita ter transparecido uma sensação de súbita desumanização da personagem principal, não compatível com a narrativa da primeira parte do romance, passando a sensação de haver dois livros em um só. Uma leitora descreveu o desconforto como 'não conseguindo acompanhar a personagem e não querendo que ela a acompanhasse!'. Em defesa de 'O Tempo entre Costuras', comentou-se sobre um processo de amadurecimento pelo qual passa a personagem principal, o que explica a mudança natural de caminhos na estória. A construção deste processo de amadurecimento parece ter sido o problema.

        A linguagem e estilo de escrita foram vieses à parte. Ao ceder a narrativa em primeira pessoa à personagem principal, María Dueñas, segue a 'escola dos estilistas', utilizando-se de frases longas e descrições detalhadas de ambientes, vestimentas e outros pormenores, o que resulta em um estilo de leitura requintado (a modo Proustiano). A autora, porém, não é sempre feliz ao utilizar esta ferramenta, que às vezes se mostra excessiva e repetida. Como resultado, o que deveria revelar o bom gosto da personagem (com ares de sofisticação e elegância), ocasionalmente, acaba por retirar a fluidez da leitura lembrando-nos sobre sua existência e revelando-nos suas intenções.






         "O tempo, entre costuras,

        alinhava seus recados;


        faz de n
        ós, entre molduras,


        mosaicos desengon
        çados."