CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

29 de março de 2016

Revivendo leituras passadas - A mulher que escreveu a Bíblia: Moacyr Scliar



(A eternidade e o desejo: Inês Pedrosa)


Prezados clic-leitores,

Foto do perfil de Antonio RodriguesPassando aqui para compartilhar um pouco das minhas impressões de  A mulher que escreveu a Bíblia com aqueles que por um motivo ou outro não puderam comparecer à reunião da última sexta-feira e para aprofundar algumas questões discutidas com amigos presentes. Uma reunião, diga-se, muito agradável e produtiva, como há muito eu não via. Perdoem-me quaisquer erros que porventura hajam na redação do texto, que foi digitado às pressas agorinha, antes da viagem de volta do trabalho. 


Nunca havia lido Moacyr Scliar. Foi uma boa experiência. A “Mulher que escreveu a bíblia” é leve e divertido. O escritor faz opção por uma linguagem “solta”, mesclando coloquialismos, estrangeirismos e palavras e expressões chulas.  Ou seja, embora a personagem-narradora seja catapultada quase 3 mil anos no passado, por meio de uma Terapia de Regressão, seu discurso é contemporâneo e informal. Só como nota, aquela palavrinha com a qual Benito nos aguçou a curiosidade geral, “dildo”, é estrangeira (inglesa) e é uma espécie de brinquedo sexual, um objeto de prazer que simula um pênis, como bem nos informou Benito, demonstrando um profundo conhecimento das eroticidades modernas e seus objetos de prazer.

Achei interessante a fonte de inspiração, textualmente admitida por Scliar: “The book of J”, um livro de autoria daquele que é considerado por muitos como o último grande crítico literário clássico em atividade, Herald Bloom. Nesse livro, Bloom defende a tese de que a Torá (os cinco primeiros livros do antigo testamento) teria sido escrito por uma mulher da corte do Rei Salomão, no século X antes de Cristo. Scliar toma emprestada essa tese e cruza com a tradição teológica que diz ter sido o Rei Salomão, após construir o seu suntuoso templo, a convocar um conselho de anciãos para escrever a história de Israel (a Bíblia ou, naquele momento da história, parte dela). Daí se dá uma série de importantes questões que me fazem discordar de alguns amigos leitores do Clube que classificaram a obra como entretenimento. O fato de trazer o riso (existe aí a questão do humor judaico, lembrando a origem do autor) e uma carga pesada de ironia e carnavalização do texto bíblico, não faz o livro menos sério em abordar questões como a inserção da mulher na sociedade, o patriarcalismo, o machismo, o poder político e religioso etc. Aqui concordo com a Prof. Rafaella Berto Pucca em seu trabalho para o “XI Congresso Internacional da ABRALIC, Tessituras, Interações, Convergências”, realizado em São Paulo, em Julho de 2008, que destaca um importante aspecto dessa obra de Scliar:


“Eis a justificativa de presenciarmos no segundo relato, ponto alto da obra, uma narradora protagonista que vê com os olhos da contemporaneidade suas experiências vividas em um tempo anterior. É o rever a História, recontá-la sob outros olhares; no caso do romance, refletindo a postura feminina frente ao discurso religioso-eurocêntrico que sempre a marginalizou. Em outras palavras, ao assumir a tarefa do registro, a narradora passa de objeto da vontade masculina, papel que lhe foi designado historicamente, para sujeito do próprio discurso, desconstruindo-se o significado tradicional de respeito e subserviência a uma verdade central, autoritária e incontestável. Temos, assim, o olhar ex-cêntrico fora do centro instaurador da ordem, o olhar das margens ou periferias do sistema que no caso é o de uma mulher como o de tantas outras caladas nas versões oficiais.”


Outra questão que me fez dialogar mais profundamente com o livro é a questão da “potência da escrita”, que foi o tema abordado de forma brilhante por nossa querida amiga e biblioterapeuta Cristiana Seixas. Ela destacou um fragmento, eu lhes deixo aqui outros que destaquei em minha leitura:


“Que emoção. Deus, que emoção. Eu olhava aqueles vacilantes traços com a satisfação  de  um  artista  contemplando  sua  obra-prima. “

“Sentia-me leve, solta, como se o ato de escrever, uma letra, uma única letra —  tivesse  me  libertado  de  um  passado  opressivo. “

“Bastava-me o ato de escrever.  Colocar no pergaminho letra após letra, palavra após palavra,  era  algo  que  me  deliciava. Não era só um texto que eu estava produzindo; era beleza, a beleza que resulta da ordem, da harmonia. Eu descobria que uma letra atrai outra, que uma palavra atrai outra, essa afinidade organizando não  apenas  o  texto,  como  a  vida,  o universo. “  


              Outra questão que me envolveu na narrativa foi a promoção do feminino, da mulher como protagonista e artífice de sua própria história. Aqui se insere, por exemplo, a discussão sobre a sexualidade feminina. Na reunião, um cliceano se referiu à protagonista como “safadinha”. Deduzo que isso se deve ao fato dela expressar seus desejos sexuais e satisfazê-los mesmo que solitariamente, caso do “dildo-pedra” que preenche seu vazio sexual, sua solidão de prazer. Ora, por que é vedado à mulher expressar seus desejos  e buscar a satisfação sexual se ao homem isso é permitido sem maiores traumas? Um dos elementos mais questionadores e subversivos implícitos na narrativa em relação a isso, a meu ver, é o fato de Salomão ter sido ensinado nas artes do sexo por um de suas concubinas. Depois há a rainha de Sabá, que se comportará na corte do rei com enorme liberdade sexual, incomum para a época, diria até improvável, mas que na narrativa ganha força contestadora. Além disso, há o caso da traição da concubina-professora, caso público não punido pelo rei, o que também não me parece provável essa aceitação do Rei diante de clara afronta à sua honra, o que só me parece compreensível como elemento contestador inserido na narrativa.

             Para fechar, uma questão levantada pelo nosso amigo cliceano Daniel Chutorianscy, que na reunião afirmou categoricamente que o centro do romance era a brochada do Rei Salomão. Embora tenha despertado boas gargalhadas e divertidos comentários, a questão pode ser refletida de forma um pouco mais séria, o que acredito ter sido mesmo a intenção do Daniel em relação ao caso da brochada. No meu caso, pensando um pouco sobre o romance, me dei conta de que esse foi o segundo episódio do livro em que a protagonista submete o poder do homem. Nesse caso o Rei Salomão perde sua potência sexual, sua virilidade de Rei possuidor de mil mulheres, que desaba diante de apenas uma. O primeiro momento foi quando a protagonista submete o poder da escrita exclusiva dos escribas na redação das sagradas escrituras e passa ela mesma a escrever a Bíblia. O terceiro momento se dá quando o Rei abdica de seu direito de jugar o pastorzinho, momento em que simbolicamente a mulher ascende ao trono e absolve o réu. A mensagem dessa cena talvez seja política.  O crime do jovem fora político, mas um crime político que envolvia uma obra do egocentrismo político do Rei, uma obra para inflar o ego de Salomão e eternizá-lo na história. Diante disso, a mulher rompe com essa lógica perversa do poder pessoal do Rei e concede liberdade ao jovem; e o Rei se submete a decisão da protagonista. E ao final, num lapso de liberdade, a mulher abandona o harém e a posse do rei e se lança ao mundo em busca de sua felicidade...


Um grande abraço a todos,

Antonio Rodrigues






Caro Antonio


Primorosa a sua análise sobre o livro em questão.

Por vários meses venho sendo impedida, por motivos que fogem ao meu controle,de comparecer aos agradáveis encontros do CLIC.

Vejo,no entanto,por infelicidade um aparte :"safadinha" em relação à liberdade da mulher em usar seu corpo buscando o próprio prazer,no caso,negado por sua "feiura".Isto não cabe mais.

Outro aspecto,a questão da "liberdade" da autora em escrever a Bíblia.Não houve esta liberdade.Ela foi obrigada a aceitar a versão dada pelos anciãos aos fatos bíblicos.A versão dela foi definitivamente CENSURADA.

AMEI o livro por sua contemporaneidade de linguagem e abordagem.

Mistura política,sexualidade,machismoXfeminismo numa linguagem franca,moderna e bem humorada.

E fica evidente um trabalho,do autor,em resgatar "direitos" que a mulher deve ter em relação a si mesma e sua posição na sociedade.

gde abraço a todos e espero estar presente aos próximos encontros.


Mariney





Bom dia, grupo

Antonio, adorei seu relato. Abordou todos os pontos principais e, à la Scliar, nos brindou com bom humor também, oportuno e inteligente.

Mariney, prazer em falar com você. Sobre a questão que vc trouxe da mulher ter tido sua versão da bíblia censurada pelos anciãos, sim, houve isso, mas gostaria de compartilhar algo que discutimos também na reunião, se não me engano foi na fala da Cris. A mulher teve que escrever nas entrelinhas, enfrentou a censura e transgrediu-a com criatividade e astúcia, passando de outro modo a mensagem original. Eu concordo com esta interpretação, e você?

Beijos a todos,
Rita 

Rita Magnago




Querido Antonio, 

parabéns por sua análise do livro do Moacyr Scliar: perfeita, nada a acrescentar! 

Fiquei entusiasmada quando o Grupo decidiu fazer a leitura do livro. Escrevi várias páginas para comentar, abordando as características mais marcantes para mim. Tenho sua obra completa, sou profunda admiradora desse grande escritor, um presente para a Literatura brasileira. 

Era meu amigo: nós nos conhecemos em evento acadêmico no Rio Grande do Sul. Trocamos idéias e a amizade foi imediata. Rimos muito quando ele foi convidado para tomar posse na Academia Brasileira de Letras: esperavam um discurso pomposo, mas ele conseguiu dizer tudo em poucas palavras, como os grandes sábios.

A questão da 'feiura' e da 'loucura' é tratada de forma inusitada, extremamente irônica, bem do jeito do Moacyr, não apenas na 'Mulher que escreveu a Bíblia', mas no 'Mistério da Casa Verde', 'Câmera na Mão, 'O Guarani no Coração', o premiado 'A orelha de Van Gogh', 'Sonhos Tropicais', 'Os Leopardos de Kafka', 'A Majestade do Xingu', entre outros livros. O feminismo e a importância da leitura, da escrita, são recorrentes, com uma visão crítica da política, da sociedade.

Ele prefaciou meu 18º livro, denominado 'Perplexidades & Similitudes' por sua escolha. O título original seria 'Arquivivo', mas ele achou que levaria leitores a pensar que era um livro sobre 'depressão', e sugeriu que o título fosse o nome de seu conto favorito. Rimos muito! 

Ele afirma no prefácio que o livro é um 'banquete literário, Literatura com L maiúsculo, que Clarice Lispector aplaudiria'. Achei um exagero! Mas quando ele morreu, resolvi publicar segundo sua orientação. 

Sinto muita saudade daquele jeito de viver que encantava não apenas sua família, os pacientes, mas todos os alunos, colegas, leitores, amigos. Parecia o Luís Antonio Pimentel, outro grande escritor brasileiro, que ainda está vivo e merece todas as homenagens.

Considero a leitura da obra de Moacyr indispensável para qualquer discussão sobre a verdadeira literatura brasileira. A importância de termos esse grupo de leitura é imensurável. E comentários como o seu estimulam mais ainda a ler e escrever: parabéns!

Tenha um ótimo Natal, com muita saúde, paz, alegria, felicidade! 

Abraço carinhoso,
Cyana Leahy
Professora (UFF), escritora, tradutora







Ó Senhor, o que fizeram do meu Texto?


A funda de Bate Seba nocauteia o "pequeno" Davi


Querido Evandro,

acho ótima ideia ler a Bíblia. Leio diariamente, e me surpreendo sempre com a precisão social, cultural, política e econômica totalmente adequada aos tempos atuais. Meu exemplar é assinado por meus filhos, ainda bem pequenos. 

A maioria das igrejas repete as mesmas ladainhas, mas raramente aborda a profundidade das palavras de Jesus, dos apóstolos, de seus seguidores. 

Acho que Moacyr SCLIAR conseguiu fazer uma atualização da Bíblia de forma bastante criativa! Mas vamos conversar sobre isso daqui a dez dias. 

Beijos, ótimo final de semana!

Cyana Leahy (autora de 'Perplexidades e Similitudes' - livro prefaciado por Moacyr Scliar)
2/12/2014




A abnegação de Ana


Artemisia Gentileschi 



Holofernes (em hebraico: הולופרנס) foi um general assírio comandado por Nabucodonosor. Aparece no Deuteronômio, mais precisamente no Livro de Judite, como rei da Assíria entre 158 e 157 a. C. Segundo relata a Bíblia , o rei de Babilônia Nabucodonosor enviou Holofernes para vingar-se das nações que haviam prejudicado a seu reino. Durante o sítio a Betulia feita por Holofernes, Judith, uma bela viúva judia que se introduziu no acampamento de Holofernes, bebeu com o general e o embebedou, para então decapitá-lo enquanto dormia. Após, ela regressou à Betulia com a cabeça do general e os judeus venceram o inimigo . Fonte: Wikipedia)


ESSAS MULHERES!



"Tua boca cubra-me de beijos
são mais suaves que o vinho tuas carícias
e mais aromático que perfumes é teu nome
por isso as jovens de ti se enamoram."

"Às parelhas dos carros do faraó eu te comparo, minha amada.
Graciosa é tua face, gracioso é o teu pescoço.
Faremos para ti brincos de ouro com filigranas de prata."


"Setecentas são as rainhas
trezentas as concubinas
e numerosas as donzelas.
Uma só, porém, é a minha pomba..."

"Teu ventre é como uma taça
que não lhe falte vinho"





Rainha de Sabá

EU TE AMO, POMBINHA!



Serial husband
Então vieram duas mulheres prostitutas ao rei, e se puseram perante ele. E disse-lhe uma das mulheres: Ah! senhor meu, eu e esta mulher moramos numa casa; e tive um filho, estando com ela naquela casa. E sucedeu que, ao terceiro dia, depois do meu parto, teve um filho também esta mulher; estávamos juntas; nenhum estranho estava conosco na casa; somente nós duas naquela casa. E de noite morreu o filho desta mulher, porquanto se deitara sobre ele. E levantou-se à meia-noite, e tirou o meu filho do meu lado, enquanto dormia a tua serva, e o deitou no seu seio; e a seu filho morto deitou no meu seio. E, levantando-me eu pela manhã, para dar de mamar a meu filho, eis que estava morto; mas, atentando pela manhã para ele, eis que não era meu filho, que eu havia tido. Então disse a outra mulher: Não, mas o vivo é meu filho, e teu filho o morto. Porém esta disse: Não, por certo, o morto é teu filho, e meu filho o vivo. Assim falaram perante o rei. Então disse o rei: Esta diz: Este que vive é meu filho, e teu filho o morto; e esta outra diz: Não, por certo, o morto é teu filho e meu filho o vivo. Disse mais o rei: Trazei-me uma espada. E trouxeram uma espada diante do rei. E disse o rei: Dividi em duas partes o menino vivo; e dai metade a uma, e metade a outra. Mas a mulher, cujo filho era o vivo, falou ao rei (porque as suas entranhas se lhe enterneceram por seu filho), e disse: Ah! senhor meu, dai-lhe o menino vivo, e de modo nenhum o mateis. Porém a outra dizia: Nem teu nem meu seja; dividi-o. Então respondeu o rei, e disse: Dai a esta o menino vivo, e de maneira nenhuma o mateis, porque esta é sua mãe. E todo o Israel ouviu o juízo que havia dado o rei, e temeu ao rei; porque viram que havia nele a sabedoria de Deus, para fazer justiça.

1 Reis 3:16-28




A mulher que escreveu a Bíblia seria uma vida passada da personagem de Scliar. Ela se resolveu com a terapia do narrador.  Alguém no CLIc já fez terapia de vidas passadas para explicar como funciona? Fico imaginando também se funcionaria uma terapia que nos revelasse personagens de ficção com os quais nos identificamos, a exemplo da brincadeira que Gracinda fez no lançamento do livro do CLIc, quando algumas pessoas falaram sobre personagens dos livros lidos com os quais gostariam de se encontrar. Imaginemos então, já que estamos no domínio da ficção, que personagens gostaríamos de ser, gostaríamos de viver, ou representar, ou ficcionar, ...? Uma espécie de terapia de vidas passadas, não necessariamente vidas que tenhamos vividos por algum tipo de artifício metafísico, mas como um exercício de alteridade em que experimentamos vidas alheias como se tivessem sido nossas em outro tempo histórico, ou na ficção. 





"Minha vez não chegava. Os dias se sucediam, e minha vez não chegava. Para matar o tempo, comecei a explorar o palácio - isto é, os locais permitidos, que, fora o próprio harém e seu jardim, eram dois. Um, o pavilhão dos filhos e filhas: centenas de crianças e jovens, ali. De acordo com uma disposição do rei, tinham de ficar separados. Até uma certa idade, a mãe podia cuidar da criança; depois, voltava à sua condição de mulher disponível cem por cento do tempo, e a tarefa de criar os meninos e meninas ficava a cargo de escravos e preceptores. Era um pavilhão enorme, aquele, maior inclusive do que o pavilhão do harém, mas austero, sem nenhuma decoração. Triste ambiente. Tristes eram os olhos postos em mim. Sofriam mais do que eu, aquelas crianças. Pelo menos eu tivera um pai presente. Safado, mas presente. De que adiantava àqueles infelizes serem filhos de um rei poderoso e sábio? De nada. O rei falava com os pássaros, mas não falava com eles. "


28 de março de 2016

E aí, moscou na leitura do mês?



Sermões - Padre António Vieira


Não erre de cidade, heim! O romance não se passa na capital russa, mas em São Petersburgo


Ser ou fazer: eis a questão

Um livro se torna um clássico quando atinge, de modo único, algo de imutável que reside na alma humana. Oblómov ascendeu a esse panteão, muito embora tenha sido a única obra literária de Ivan Gontcharóv que alcançou o estrelato. No romance, publicado em 1859, Gontcharóv fala de um homem da nobreza russa, rico, bem versado nos estudos, mas incapaz de calçar suas próprias meias e que, testado ao extremo por seu amigo e sua noiva, ainda assim opta por uma vida limitada à observação das horas e dos dias. Sua paixão era o sofá, o roupão, as refeições e a contemplação do tempo.
A versão brasileira da obra vem numa edição caprichada em forma e conteúdo da Cosac Naify: tradução e apresentação de Rubens Figueiredo, posfácio de Renato Poggioli, papel-bíblia com separadores decorados e a capa dura revestida em tecido, um livro que remete ao esmero das edições mais antigas.
O romance divide-se, basicamente, em quatro partes. A primeira dedica-se à descrição detalhada de alguns dias de Iliá Ilitch Oblomóv e seu divertido e rabugento criado Zakhar ante a chegada de más notícias de sua aldeia Oblómovka, a constatação da diminuição de suas rendas e a iminência de sua mudança. Apreciar o trabalho de Gontcharóv vale a pena: na dificuldade do protagonista de escrever uma carta ou de pôr-se a resolver qualquer questão, por mínima que seja, encontramos a descrição exata da preguiça, do desânimo, da negligência e do medo — nada que não escutemos de bisavós e que não exista muito vivo ainda nos dias de hoje.
No desenrolar de sua narrativa, Gontcharóv despeja em Oblómov, em trechos bem-humorados, a sátira de uma nobreza russa — fútil e incapaz — em declínio perante as novas habilidades que os séculos 19 e 20 demandariam. No entanto, basta uma reflexão mais profunda para indagarmos se o ideal de vida como “realizar” é realmente maior do que o ideal de vida como “ser”, ou se trata-se apenas de uma exigência dos novos tempos.
Água fria
O ápice do primeiro ato é a descrição sobre o ideal de vida de Oblómov (o tal “oblomovismo”), narrado no capítulo “O sonho de Oblómov”, retirado pelo autor de um conto escrito em 1849 e que, provavelmente, fermentou o suficiente para se transformar em sua obra-prima.

No segundo momento, Oblómov encontra seu amigo Andrei Ivánovitch Stolz, amigo de infância de origem alemã. Ele o impele à ação e, nas férias de verão, apresenta-lhe Olga Ilínskaia Serguéievna. Esta, uma aristocrata, deseja fazer de Oblómov seu herói, apaixona-se por sua ternura e o exorta a se tornar um homem pronto para a batalha da vida. Encantando-se ao ver os progressos do homem apaixonado, Olga se precipita. Ele, por sua vez, acredita no futuro de plenitude e felicidade criado por ambos, faz planos e enamora-se. A preguiça, porém, é maior, e consome as expectativas de Olga e as esperanças de Oblómov em sua própria transmutação e no futuro do casal.
Ao chegar à terceira e quarta partes, porém, Gontcharóv se perde um pouco em seus (ótimos) personagens e no desencadear da história. Após desatar o compromisso com Olga, Oblómov se torna vítima de golpistas russos, seus conhecidos. Na vida real, para um homem que não possui habilidades práticas, isso equivaleria à sua derrocada. Mas Gontcharóv, ao ver aonde levou seu protagonista, considerando suas inúmeras qualidades e bom coração, redime-o de seus defeitos, não tem coragem de finalizar a tragédia.
Gontcharóv deixa-se vitimar por seu próprio enredo e usa a amizade e praticidade de Stolz para salvar o personagem. A sensação, no entanto, é de decepção. Seria como, por exemplo, Shakespeare tornar lúcido seu Hamlet, ou fazer com que Otelo reatasse com sua amada, terminando a tragédia de modo delicado e bom, todos satisfeitos. Certamente, na Velha Rússia, o desfecho escolhido pelo autor seria impossível, e a história toda cai por terra. Gontchárov arremata com um final previsível — o que, para um romance deste porte, não deixa de ser um balde de água fria.
Há, porém, uma reflexão importante que pode salvar a previsibilidade do romance: Oblómov não deixa de ser herói, pois realiza o seu ideal de vida, enquanto Stolz e Olga descobrem que a vida, compreendida por ambos como uma sucessão de “realizações”, descreve sua curva ascendente na juventude, mas finaliza em uma rota descendente. Por tal motivo, Oblómov termina seus dias em harmonia, enquanto os dias de Stolz e Olga são temperados por uma certa amargura.
Finalmente, Gontchárov esmiuça seus outros bons personagens: sem mais nem menos, o autor passa longas páginas a descrever a tristeza de Olga e sua lenta recuperação, com a ajuda do alemão Stolz. Também passa tempo demais para explicar como um homem do calibre de Stolz aceita ocupar a segunda opção na vida de Olga, desafiando o ideal romântico. E se empenha mais outro tanto explicando como os três continuaram amigos depois daquele triângulo amoroso, numa sociedade tradicionalista como a da Rússia no século 19.
Vê-se claramente que o próprio autor se apaixonou por Oblómov (uma autobiografia?) e tem misericórdia de seu protagonista, tanto nas questões práticas como na razão moral. Stolz livra Oblómov dos malfeitores, assume a condução dos negócios de Oblómovka e permite que o amigo preguiçoso tenha um fim bem próximo do sonhado: entre o tiquetaquear do relógio, observando a algazarra das crianças e o trabalho criterioso de Agáfia Matviéievna Pchenítsina, uma conterrânea que se torna sua esposa e que contentava-se em vê-lo fazendo o que mais amava: dormir. Por fim, Stolz e Olga cuidarão das heranças de Oblómov — seu filho Andrei, seu criado Zakhar e sua aldeia, Oblómovka.
Em uma narrativa muito rica em citações literárias e ambientada nas melhores locações da Rússia e da Europa — apesar do compreensível deslize do autor —Oblómov é um romance de qualidade equivalente ao padrão europeu, digno de Flaubert, Dickens, Tolstói ou Dostoiévski, retratando de modo ímpar a quintessência do estilo russo e o fim de uma era na aristocracia rural e servocrata.
A linguagem de Gontcharóv, seus diálogos e algumas passagens preciosas tornam o romance estupendo, inigualável.
Tudo isso rendeu ao autor dois feitos inéditos: criou-se do romance a palavra russa “oblomovismo”, que caracterizava um modo de vida inerte e apático tratado no ensaio O que é o oblomovismo?, de Dobroliúbov, gerando intensas discussões políticas; e uma narrativa que até os dias atuais mantém-se jovem, rica, intensa e encantadora.

23 de março de 2016

Outono: Elenir




Queridos amigos, saudemos a estação que chega:

As árvores despem-se
de suas folhas e nuas
recebem o outono.

Abraços fraternos
Elenir



17 de março de 2016

A guerra do fim do mundo: Mario Vargas Llosa


"A República é o Anticristo" (Antonio Conselheiro)

A Ciência contra a impaciência.


Systéme de contradiction économiques 
ou philosophie de la misère: P. J. Proudhom


Nosso senhor salvador Antônio Conselheiro


“Os amantes da justiça são convocados para um ato público de solidariedade aos idealistas de Canudos e a todos os rebeldes do mundo, na Cinelândia, dia 4 de Abril, às seis da tarde”


Vista de Canudos



13 de março de 2016

Xadrez - Jorge Luis Borges



Ajedrez

I

En su grave rincón, los jugadores
rigen las lentas piezas. El tablero
los demora hasta el alba en su severo
ámbito en que se odian dos colores.
Adentro irradian mágicos rigores
las formas: torre homérica, ligero
caballo, armada reina, rey postrero,
oblicuo alfil y peones agresores.
Cuando los jugadores se hayan ido,
cuando el tiempo los haya consumido,
ciertamente no habrá cesado el rito.
En el Oriente se encendió esta guerra
cuyo anfiteatro es hoy toda la Tierra.
Como el otro, este juego es infinito.

II

Tenue rey, sesgo alfil, encarnizada
reina, torre directa y peón ladino
sobre lo negro y blanco del camino
buscan y libran su batalla armada.
No saben que la mano señalada
del jugador gobierna su destino,
no saben que un rigor adamantino
sujeta su albedrío y su jornada.
También el jugador es prisionero
(la sentencia es de Omar) de otro tablero
de negras noches y de blancos días.
Dios mueve al jugador, y éste, la pieza.
¿Qué Dios detrás de Dios la trama empieza
de polvo y tiempo y sueño y agonía?


Jorge Luis Borges escritor, poeta, tradutor, crítico literário e ensaísta argentino


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Extensão de conhecimentos sobre o xadrez:



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9 de março de 2016

Homem Comum: Philip Roth (2/2)


Bryan Zanisnik,
“Philip Roth Presidential Library” (2016)
(detail)

Comentários dos Leitores do Clube pós Encontro #114

Gente, que noite maravilhosa a de ontem, hein? Começando pelo debate sobre o Homem Comum, excelente, e, após, a reunião de dezoito na Tratoria. Foi demais! Reacendeu  a alma meio apagada dessa quase octogenária.
Evandro, Rita, Newton e Elô, agradeço, de verdade, os comentários elogiosos e incentivadores ao meu texto no blog.

Bom fim de semana para todos. Beijos.
Elenir

* * *
 
Eis o poema de Ferreira Gullar declamado de memória (que memória!) pelo Antonio na Reunião:

Homem Comum

Sou um homem comum
     de carne e de memória
     de osso e esquecimento.
e a vida sopra dentro de mim
     pânica
     feito a chama de um maçarico
e pode
subitamente
     cessar.

Sou como você
     feito de coisas lembradas
     e esquecidas
     rostos e
     mãos, o quarda-sol vermelho ao meio-dia
     em Pastos-Bons
     defuntas alegrias flores passarinhos
     facho de tarde luminosa
     nomes que já nem sei 

bocas bafos bacias 
     bandejas bandeiras bananeiras
             tudo
     misturado
        essa lenha perfumada
     que se acende
     e me faz caminhar
Sou um homem comum
     brasileiro, maior, casado, reservista,
     e não vejo na vida, amigo,
     nenhum sentido, senão
     lutarmos juntos por um mundo melhor.
Poeta fui de rápido destino.
Mas a poesia é rara e não comove
nem move o pau-de-arara.
     Quero, por isso, falar com você,
     de homem para homem,
     apoiar-me em você
     oferecer-lhe o meu braço
        que o tempo é pouco
        e o latifúndio está aí, matando.

Que o tempo é pouco
e aí estão o Chase Bank,
a IT & T, a Bond and Share,
a Wilson, a Hanna, a Anderson Clayton,
e sabe-se lá quantos outros
braços do polvo a nos sugar a vida
e a bolsa
     Homem comum, igual
     a você,
cruzo a Avenida sob a pressão do imperialismo.
     A sombra do latifúndio
     mancha a paisagem
     turva as águas do mar
     e a infância nos volta
     à boca, amarga,
     suja de lama e de fome.

Mas somos muitos milhões de homens
     comuns
     e podemos formar uma muralha
     com nossos corpos de sonho e margaridas.

                    (Brasília, 1963)


De Ferreira Gullar para todos os seus leitores:  "Pretendo que a poesia tenha a virtude de, em meio ao sofrimento e o desamparo, acender uma luz qualquer, uma luz que não nos  é dada, que não desce dos céus, mas que nasce das mãos e do espírito dos homens".

 * * *


Últimos Comentários dos Leitores do Clube antes do Encontro #114

* * *

Querida Joana:

Algumas pessoas têm certa capacidade de revirar a vida e não se culpar tanto, ou sentirem que estão quites com a vida e se perdoam de tudo!

No entanto, outras, deixam a vida levar e serem como podem. 

Ambas as maneiras, são formas de nos adaptarmos ao INEXORÁVEL. 

Veja, ele deixou de ser um pintor, e mesmo assim era bem visto nas exposições, para fazer publicidade! Não é uma crítica a ele, pelo contrário, ele  deixou de olhar para si e formar uma família, que aliás o detestava. OS HOMENS, JOANA, SOFREM MUITO COM A QUESTÃO DE SE SENTIREM OS PROVEDORES, DE TER QUE CUMPRIR O PAPEL.

Não estou defendendo, são opções, inclusive as mulheres se cobram em dobro!

Veja como nós mulheres abdicamos com mais flexibilidade, quase tudo, pela nossa família e filhos............ Etc. etc. etc.

Suas colocações são pertinentes e fico feliz de ter mais uma que adorou o livro.

Sobretudo, eu adoro sua capacidade de achar a poesia!

Rose, querida, sua análise , quanto a posição dele de não tomar as rédeas de sua vida, eu achei perfeita.

Concordo que viver para ele foi pior que morrer, quem sabe?


Beijos
Fátima

* * *

Que legal essa troca toda, onde cada mensagem traz uma nova abordagem, uma nova reflexão.

Joana,
Achei linda sua mensagem.  Essa frase (tomar as rédeas...) não é muito boa não.  Dá a entender uma onipotência inexistente.  De qqr forma, pra mim ela está relacionada com sonhar e perseguir, lutar pelos seus sonhos mas, como você disse, a Roda Viva está aí pra você ir revendo seus sonhos continuamente. E de novo lutar.  Quem foi que disse que a “vida é luta renhida, viver é lutar”?

Agora, vocês, meninas do grupo, não acharam que no livro as mulheres são tratadas de forma pouco admirável? A primeira mulher mal aparece, e é traída pelo personagem com a segunda.  A segunda é traída com a mocinha do escritório e a modelo loura.  A do escritório, coitada, só aparece se abaixando no escritório.  A loura é carente, dependente e pouco inteligente.  A senhora que passa mal demonstra sensibilidade e total dependência do marido, tanto que comete suicídio.  Só sobram a mãe e a filha do personagem. Mas mãe e filha já é outro departamento, principalmente na família judaica. 

Por que será que o autor faz isso?  Tem aí um viés da tradição judaica (patriarcal, onde a mulher é pura submissão e procriação)? É machismo do autor ou vocês têm outra visão? 

Beijos a todos,
Rose


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Rose e amigos, bom dia!

Vc tem toda razão... Adorei também o que nos diz a Joana. Quanto à questão das mulheres, Rose, o autor nâo pode falsear o que foi a vida do personagem, não é mesmo? Considere a época, as décadas... E hoje ainda há mulheres e homens assim, embora muita coisa tenha mudado.

Alguns versos da música cantada por Sinatra servem para o livro do mês.



Bjs
Eloisa

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Também achei muito rica nossa reunião;  A impressão inicial de um certo descontentamento com o livro, a angustia pelo tema da finitude, a vida na morte, foi  aos poucos, com a diversidade de pontos de visao sb o livro, a singularidade pessoal de cada um com suas proprias experiencias pessoais, senti uma expansão na compreensão do tema, e um ápice (para mim) muito prazeiroso com a pesquisa do Benites e os versos do Gullar na apresentaçao do Antonio.
Realmente nosso grupo é capaz de manter um encontro no "encontro"
                              
     Ceci


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Gostei, Ceci, do encontro no "encontro". 


Realmente, nosso encontro é muito mais do que um simples encontro. Os comentários do livro leva-nos a encontrarmo-nos a nós mesmos, bem como a encontrar o outro. Que belo encontro!  E, falando em belo, foi belo e emocionante ouvir Antonio dizer o Homem Comum, de Ferreira Gullar. A reunião fechou com chave de ouro.

Abraços para todos.
Elenir

Obs. Fico falando, falando, porque não me canso de falar com vocês. Evandro me desculpe! Se o Homem Comum, sem nome, participasse de um grupo assim, não sentiria, certamente, a angústia e a melancolia da velhice.
Mais abraços. Elenir

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Parceiros da escrita, é maravilhoso nos encontrarmos numa reunião destas porque pessoas que antes nem sabíamos das suas existências estão falando das suas vidas como se estivéssemos passado a infância juntas, e, apenas nos relembrássemos.  A liberdade de se falar em assuntos, às vezes, tão pessoais nos aproximam cada vez mais. Beijos esperando a próxima. Sissa Schultz.

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Caríssimos, boa noite

Elenir, com sua presença qualquer reunião ou bate-papo na pizza se torna memorável.

Rita, o Evandro já incluiu o poema na postagem do livro, no blog do Clube. 

E no mais, gostaria de dizer que gostei muito da reunião, e da forma como cada um expôs suas impressões sobre o livro, um riqueza enorme. 

Sds,
Antonio 

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Prezados amigos,

A noite foi realmente maravilhosa. Apesar do tema do livro envolto em doenças e morte, mostramos que estamos bem vivos e capazes de tirar, de tudo, o melhor proveito. Todas as análises feitas mais uma vez nos enriqueceram a visão do mundo e da vida. Como disse a Dília, a morte não existe, é uma ficção (não sei por que, adorei essa perspectiva!...). E Antonio fechou com chave de ouro. O "Homem Comum" do Ferreira Gullar é aquele que nós somos, que sofre, luta e vive.

O CLIc, na verdade, supera a todos os livros, faz deles obras mais completas.

Abs,
Newton

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Caros colegas de leituras,


Os nossos encontros realmente são muito prazerosos. Em verdade vos digo que sou uma criatura muito matuta e brucutu e, por isso mesmo, levo muito tempo para me entrosar com as pessoas. Mas gostaria de dizer que o Clube tem um peso considerável para mim. Não sou muito boa na internet, mas entrando nesses menus, links ou seja lá o que for, encontrei o depoimento de Rita sobre o clube com o qual me identifiquei bastante. 


Em principio achei que encontraria pessoas esnobes, arrogantes por conta de suas formações, e eu acostumada a enxada e a pessoas do povão, fiquei ressabiada. O primeiro contato foi tenso, mas depois ficou mais leve e a medida em que conheço um tiquinho mais dos participantes, solto aos poucos o ar, porque nas falas de alguns encontros ecos em mim mesma. 


Não li o livro, mas mesmo assim vou a reunião porque me dão prazer. Falou-se sobre a ausencia de declaração de sentimentos e emoções do homem comum de Roth, pois bem, não quero morrer sem dizer que ouvir os depoimentos de Fred, de Elenir (tamanha emoção ao ler fragmentos que mais gostou do livro), do senhor que falou sobre a mulher que depois que o marido morreu não mais saiu de casa, da moça que falou das dores de seu familiar no hospital e que isso obscurece todo o resto e o que mais se deseja é o fim, Benito com sua analise meticulosa, a Gracinha com seu eterno jeitinho de menina que me faz querer voltar a infancia e tentar ser menos brusca, Evandro tentando por ordem, cadeiras extras, círculos fechado e outra fila, o Newton gravando, o barulho da cafeteira, as conversas paralelas, a amabilidade de Rita e a sempre gentileza de Elo para comigo, a agitação de Dília (contagia), a contribuição de Lílian (mesmo distante), a declamação de Antonio (caramba que memória - senti uma baita inveja - nunca decorei nada, o tico e o teco nunca se entendem e quase sempre dão pane) ficarão marcados em mim para sempre. E não estou me referindo apenas a essa reunião, mas a todas em que já estive presente. Finalizando a votação corporal foi de arrasar (quem votava em um livro de um lado e quem votava no outro do outro lado). Quer prazer maior que toda essa movimentação?

Neide

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