CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

28 de fevereiro de 2015

Livro revela como foi articulado assassinato de Trotski

Leituras relacionadas: 

  1. O homem que amava os cachorros: Leonardo Padura (grupo);
  2. Trótsky, exílio e assassinato de um revolucionário: Bertrand M. Patenaude (subgrupo);



POR  


Pavel Sudoplatov

A biografia clássica e detalhada de Liev Trotski (1879-1940) é a escrita pelo historiador Isaac Deutscher, publicada no Brasil em três volumes. Como parte dos arquivos soviéticos foi aberta, depois da queda do comunismo, a pesquisa está, em alguns pontos, datada, o que animou o general e historiador russo Dmitri Volkogonov a escrever “Trotsky — The Eternal Revolucionário” (Free Press/Simon & Schuster, 524 páginas, 1996). Trata-se de um livro notável, dado o acesso de Volkogonov aos arquivos abertos em 1991 e à sua experiência como militar que participou dos governos comunistas. O caráter autoritário de Trotski é rastreado e explicado com mestria, bem como sua excelente formação intelectual. Mas sobre o assassinato de Trotski o livro mais importante é “Operações Especiais — Memórias de uma Testemunha Indesejada” (Publicações Europa-América, 543 páginas, 1994), de Pavel Sudoplatov, com a colaboração de seu filho, Anatoli Sudoplatov. Como chefe das Operações Especiais (assassinatos e terrorismo), Pavel Sudoplatov foi o homem que coordenou o assassinato do revolucionário ucraniano, no México, em 1940, e o roubo dos segredos atômicos dos Estados Unidos. Com o apoio do filho e dos pesquisadores Jerrold L. Schecter e Leona Schecter, Sudoplatov decidiu contar histórias sobre as quais não há informações precisas nem nos arquivos soviéticos (Stálin tinha o hábito de dar ordens verbais, sobretudo quando se referia a assassinatos e envenenamentos). No prefácio, o historiador inglês Robert Conquest, dos primeiros e mais gabaritados analistas do stalinismo, escreve: “Esta é a mais sensacional, a mais devastadora e a mais informativa autobiografia que alguma vez emergiu do meio stalinista. Um documento único”. O livro de Conquest “O Grande Terror — Os Expurgos de Stálin”, publicado na década de 1960, permanece atualíssimo, em linhas gerais.
O capítulo mais espetacular, “O assassinato de Trotski”, tem 22 páginas. Finalmente, depois do interessante mas ainda insuficiente livro “Operação Trotski — Levantando o Véu de Mistério que Cobria o Brutal Assassinato Ordenado por Stálin” (Record, 192 páginas, 1972), de José Ramón Garmabella, o crime é explicado detalhadamente. Sudoplatov abre seu baú de memórias e conta tudo, ou quase. Relata até fatos menores, que nada mudam, mas mostram sua intimidade com o assassino de Trotski, o “espanhol” (há quem diga que nasceu em Cuba) Ramón Mercader. Os livros registram que Mercader fechou os olhos ao agredir o revolucionário soviético. A Sudoplatov, Mercader esclareceu que atingiu Trotski de olhos abertos.
Sudoplatov conta que, em 1938, foi convocado ao Kremlin por Lavrenti Beria, o chefão da NKVD, a polícia política. “Stálin estava diferente. Estava concentrado, equilibrado e calmo.” Beria disse para Stálin: “Sugerimos que o camarada Sudoplatov seja nomeado diretor-adjunto do Departamento de Informações Externas do NKVD”. A indicação tinha o objetivo de destruir Trotski, porque Sudoplatov era tido como profissional do melhor quilate. “A minha missão seria mobilizar todos os recursos disponíveis do NKVD para eliminar Trotski, o pior inimigo do povo.”
Stálin explicou o motivo pelo qual Trotski deveria ser morto: “Não há figuras políticas importantes no movimento trotskista, à exceção do próprio Trotski. Se este desaparecesse, a ameaça seria eliminada. (...) Trotski deve ser eliminado no prazo de um ano, antes do eclodir inevitável da guerra. Sem a eliminação de Trotski, não poderemos confiar nos nossos aliados do movimento comunista internacional. Eles enfrentarão grandes dificuldades no cumprimento do dever internacional de desestabilizar a retaguarda dos nossos inimigos através de operações de sabotagem e atividades de guerrilha se tiverem de lidar com infiltrações traidoras de trotskistas nas suas fileiras”.
O ditador prometeu que os assassinos de Trotski seriam lembrados “para sempre” pelo Partido Comunista e suas famílias seriam beneficiadas. Stálin cumpriu a promessa, mas, no governo de Nikita Kruchev, Sudoplatov acabou preso. Kruchev queria esconder seu stalinismo.
Sudoplatov recrutou veteranos soviéticos que atuaram na Guerra Civil Espanhola. Stálin disse que deveria se reportar unicamente a Beria e destacou: “A responsabilidade completa pelo cumprimento da missão pertence-lhe”. Nota-se, pois, a importância do articulador do assassinato de Trotski.
O experimentado Leonid Eitingon, que havia lutado na Espanha, foi o primeiro recrutado por Sudoplatov. A operação contra Trotski recebeu o nome de Utka (Pato), termo usado para “desinformação”. O chefe dos assassinos soviéticos conta que a rede trotskista estava infiltrada por agentes stalinistas, como Maria de la Sierra, secretária de Trotski na Noruega e no México. (A história de Maria de la Sierra é impressionante e merece um livro. Era uma espiã tão ou mais experimentada do que Olga Benario.)
Além do grupo chefiado pelo pintor mexicano David Álvaro Siqueiros (um aloprado), que comandou a primeira tentativa de matar Trotski, Eitingon recrutou a aristocrata decadente Caridad Mercader e seu filho, Jaime Ramón Mercader del Rio Hernández (“assemelhava-se ao ator francês Alain Delon”). Mercader, que havia sido guerrilheiro na Espanha, aproximou-se de Sylvia Ageloff, secretária de Trotski, em Paris. Ageloff apaixonou-se pelo bonitão espanhol. Eitingon disse-lhe para não manter atividades políticas e apresentar-se como empresário. Para que, obviamente, os alertas Trotski e seus familiares e aliados não desconfiassem.
Beria informou Sudoplatov que não devia se preocupar com contenção de despesas, pois a operação era de alta prioridade. Custasse o que custasse, Trotski deveria ser assassinado. Eitingon abriu uma empresa de importações-exportações, em Nova York, em 1939, com o objetivo de acobertar as ações de Mercader, agora com o nome de Frank Jacson. Mercader apresentava-se como empresário canadense. Ao saber que a primeira tentativa de matar Trotski havia falhado, Stálin insistiu: “A eliminação de Trotski significará o colapso total da globalidade do momento trotskista e não precisaremos gastar qualquer soma de dinheiro no combate aos trotskistas e às suas tentativas para nos enfraquecer ou ao Comintern”.
Sob pressão de Stálin, Sudoplatov decidiu apressar a operação para matar Trotski. Mercader disse a Sudoplatov que preferiu agir sozinho, para não levantar suspeitas. Em 20 de agosto de 1940, entrou na casa de Trotski, para este examinar um artigo do novo “aliado”, e enfiou uma picareta de montanhismo na cabeça do rival de Stálin. “No último instante, quando Mercader estava prestes a atingi-lo, Trotski, que estivera absorvido na leitura do artigo, mexeu a cabeça. Isso mudou a direção do golpe, enfraquecendo o seu impacto. Foi por este motivo que Trotski conseguiu gritar por socorro e não morreu instantaneamente. Ramón estava demasiado nervoso e não conseguiu esfaquear Trotski, embora transportasse consigo uma faca. ‘Embora fosse um guerrilheiro experiente que esfaqueara um guarda até a morte durante a Guerra Civil Espanhola, o grito de Trotski paralisou-me quase totalmente’, explicou Ramón.” Trotski morreu no dia seguinte.
Stálin aprovou o “trabalho bem-feito”. Durante seis anos, Mercader, conhecido na prisão como Frank Jacson, manteve a versão de que matou Trotski porque havia se decepcionado com suas ideias e que os trotskistas queriam explorá-lo financeiramente. Estava muito bem treinado pelo serviço secreto soviético e, mesmo torturadíssimo pela polícia mexicana, nada confessou.
A identidade de Mercader só foi revelada quando um parente desertou da União Soviética, em 1946, e contou sua história à imprensa. Mesmo assim, Mercader “nunca confessou que assassinara Trotski por ordem dos Serviços de Informação soviéticos”.  Era, repetia, um “decepcionado”.
Libertado, em 1960, mudou-se para a União Soviética, com a mulher Raquelia, e foi condecorado com a medalha de Heroi da União Soviética pelo presidente da KGB, Alexsandr Nikolayevich Shelepin. “Foi nomeado membro-investigador sênior do Instituto de Marxismo-Leninismo”, recebeu uma dacha (uma casa de campo) do Partido Comunista e “uma pensão equivalente à de um general importante reformado”. Stálin pagou o prêmio prometido.
Em meados de 1970, Mercader foi para Cuba, como conselheiro de Fidel Castro, de quem era “parente afastado”. Morreu em Cuba, em 1978, pranteado por Fidel e Raúl Castro, de quem era íntimo. Sem autorização de sua mulher, o corpo foi levado secretamente para Moscou com o nome de Ramón Ivanovich López.
A história de Mercader é contada pelo cubano Leonardo Padura na biografia romanceada “El Hombre Que Amaba a los Perros” (Tusquets, 584 páginas, R$ 68,10). O livro pode ser pedido no site www.livrariacultura.com.br (em inglês, no site da livraria Amazon, é mais barato).


Fonte: É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte. 
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wilder morais

27 de fevereiro de 2015

Personalidade: José Clemente Orozco

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"Ele é um Dostoiévski" - Trótsky
Zapotlán 1883 – México D.F. 1949
Orozco foi um importante muralista Mexicano juntamente com Rivera e Siqueiros. As suas obras causaram muita controversia entre a alta sociedade mexicana graças ao seu caracter provocador e sarcástico, retratando com um toque irónico as desigualdades sociais e o comportamento da classe alta e da igreja. Alguns dos seus murais mais importantes encontram-se em Guadalajara, no antigo orfanato Museo Hospicio Cabañas e na Cidade do México, no Antigo Colegio de San Ildefonso.
orozco
Local: Hospício Cabañas - igreja desconsagrada                  Fonte



26 de fevereiro de 2015

Arte degenerada

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Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Reichsminister Dr. Goebbels visita a Entartete Kunst.
Arte degenerada é a tradução em português do alemão entartete Kunst, termo utilizado pelo regime nazista da Alemanha para descrever virtualmente toda a arte moderna. Tal arte foi banida com base de que era não-germânica ou de natureza "judia-bolchevique", e aqueles identificados como artistas degenerados estavam sujeitos a sanções. Estas incluíam ser despedido do magistério, ser proibido de exibir ou vender a própria arte e, em alguns casos, ser proibido inteiramente de produzir arte.

Arte Degenerada foi também o título de uma mostra, montada pelos nazistas na Haus der Kunst em Munique, em 1937, consistindo de obras de arte modernistas penduradas de modo propositalmente caótico e acompanhadas de faixas e rótulos ridicularizando as peças expostas. Destinada a inflamar a opinião pública contra o modernismo, a exibição subsequentemente foi levada para outras cidades da Alemanha e da Áustria.

Enquanto os estilos modernos de arte eram proibidos, os nazistas promoviam pinturas e esculturas de estilo estritamente formal e que exaltavam os valores de "sangue e solo" da pureza racialmilitarismo e obediência. De modo similar, da música era esperado que fosse tonal e livre da influência do jazz; filmes e peças teatrais estavam sujeitos à censura.

Origem: ESPAÇO DAS ARTES

"Nunca como até então as ideologias que irromperam após a Primeira Guerra Mundial utilizaram-se tão abertamente da estética para atingir seus objetivos políticos. Vivia-se na época da polit-art, quando a arte foi aparelhada, transformando-se num instrumento de uma monumental propaganda político-partidária, ocorrendo à restauração do naturalismo idealizado como a forma mais adequada e ajustada a serviço da política de estado."

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A primeira afirmação sobre Arte Degenerada foi proferida por Hitler em 1934. Três anos depois é organizada em Munique a Exposição de Arte Degenerada, que percorreu a Alemanha recebendo mais de três milhões de visitantes. Obras de Kandinsky, Picasso,Paul Klee e muitos outros foram exibidas ao lado de desenhos de internos de asilos psiquiátricos.

Wassily Kandinsky e Paul Klee entre os artistas degenerados
Wassily Kandinsky e Paul Klee, perseguidos pelo nazismo tiveram obras confiscadas

"Se cada coisa a que deram à luz foi resultado de uma experiência interior, então eles são um perigo público e devem ficar sob supervisão médica […] se era pura especulação, então deviam estar numa instituição apropriada para o engano e a fraude". Adolf Hitler, sobre o artista moderno, 1933.

Catálogo da exposição sobre "Arte Degenerada": [ultrage e prejoração]

Em 19 de julho de 1937, centenas de alemães se dirigiram à tradicional galeria Hofgarten para a abertura da exposição Entartete Kunst – ou, em português, Arte Degenerada. Montada pelo Partido Nacional Socialista alemão, a mostra apresentava cerca de 650 pinturas, esculturas e gravuras, entre os mais de 5 mil trabalhos confiscados pelo governo alemão dos principais museus e galerias do país. Um dos discursos da noite foi o do nazista Adolf Ziegler: Em torno de nós vê-se o monstruoso fruto da insanidade, imprudência, inépcia e completa degeneração. O que essa exposição oferece inspira horror e aversão em todos nós”, declamou, eufórico, aplaudido pelo público. Ficou claro que o objetivo da mostra era apresentar a arte moderna como um elemento pernicioso à estética nazista. No dia anterior, o governo tinha inaugurado na imponente Casa da Arte Alemã a Exibição da Grande Arte Alemã. A ideia era que o povo alemão comparasse a beleza da arte ariana aos devaneios das obras dos artistas modernos na Hofgarten. .


25 de fevereiro de 2015

Surrealismo

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Metamorfose de Narciso: Salvador Dali

  1. O quadro representa o mito de Narciso, vindo da mitologia grega, sendo uma obra ambígua. Ao mesmo tempo que vemos Narciso, ele aparenta ser várias rochas uma em cima da outra. Na mão que segura o ovo, simbolo da vida, vemos algumas marcas, como se fossem formigas. Dali tinha pavor de formigas, pois na sua infância as viu devorar uma lagartixa ferida.


Jacqueline Lamba - L'amour fou d'André Breton


As Internacionais: Dicionário Político

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  Associação Internacional dos Trabalhadores - Primeira Internacional
Em 28 de Setembro de 1864 teve lugar uma grande reunião pública internacional de operários no St. Martin's Hall de Londres; nela foi fundada a Associação Internacional dos Trabalhadores (mais tarde conhecida como Primeira Internacional) e eleito um Comité provisório, que contava Karl Marxentre os seus membros. Marx foi depois eleito para a comissão designada a 5 de Outubro, na primeira sessão do Comité, para redigir os documentos programáticos da Associação. A 20 de Outubro a comissão encarregou Marx de rever o documento por ela preparado durante a doença de Marx e redigido no espírito das ideias de Mazzini e Owen. Em lugar desse documento, Marx escreveu de facto dois textos inteiramente novos — a "Mensagem Inaugural da Associação Internacional dos Trabalhadores" e os Estatutos Provisórios da Associação —, que foram aprovados na sessão da comissão de 27 de Outubro. Em 1 de Novembro de 1864 a Mensagem e os Estatutos foram ratificados por unanimidade pelo Comité provisório, que se constituiu em órgão dirigente da Associação. Este órgão, que entrou na história como Conselho Geral da Internacional, foi predominantemente denominado Conselho Central até finais de 1866. Karl Marx foi de facto o dirigente do Conselho Geral. Foi o seu verdadeiro organizador, o seu cnefe, o autor de numerosas mensagens, declarações, resoluções e outros documentos do Conselho. Na Mensagem Inaugural, primeiro documento programático, Marx conduz as massas operárias à ideia da necessidade de tomar o poder político, de fundar um Partido proletário independente e de assegurar a união fraterna entre os operários dos diferentes países. Publicada pela primeira vez em 1864, a Mensagem Inaugural foi muitas vezes reeditada ao longo de toda a história da Primeira Internacional, que deixou de existir em 1876.

  Fonte: Marx e Engels - Obras Escolhidas em 3 Tomos

  Internacional Operária e Socialista - Segunda Internacional
fotoA Segunda Internacional (Internacional Operária e Socialista): nasceu em 1889 como sucessora da Primeira Internacional. Era uma associação livre de partidos socialdemocratas e trabalhistas, integrada tanto por elementos revolucionários quanto reformistas. Seu caráter progressista chegou ao fim em 1914, quando suas seções mais importantes violaram os princípios mais elementares do socialismo ao apoiar seus governos imperialistas na Primeira Guerra Mundial. Se desintegrou durante a guerra, porém ressurgiu como organização totalmente reformista em 1923.
  Fonte: O “Terceiro Período” dos Erros da Internacional Comunista

  União Internacional de Partidos Socialistas - Segunda e Meia Internacional
Segunda e meia Internacional é como foi chamada a união internacional de partidos socialistas constituída em Viena em fevereiro de 1921, por uma série de partidos (entre os quais osmencheviques russos) saídos temporariamente da II Internacional no período do ascenso revolucionário. Essa união era dirigida por F. AdlerO. BauerL. Martov e outros. O objetivo da segunda e meia Internacional era contrabalançar a influência cada vez maior da Internacional Comunista entre as massas operárias, que se haviam afastado da desprestigiada II Internacional. Em 1923 a Internacional segunda e meia voltou a unir-se à II Internacional.

  Fonte: O Marxismo e Problema Nacional e Colonial
,
  Comintern (Komintern) - Terceira Internacional
foto
Do russo Коммунистичекий Интернационал (Kommunisticheskiy Internatsional) abreviação de Internacional Comunista ou III Internacional, reunião internacional dos Partidos Comunistas de diversos países, que funcionou de 1919 até 1943. A Internacional Comunista foi sucessora e continuadora da Primeira Internacional e herdeira das melhores tradições da Segunda Internacional. A fundação da Internacional Comunista significou a criação de um Estado Maior político-ideológico do movimento revolucionário do proletariado. Lênin foi o organizador e inspirador da Internacional Comunista, que defendeu o marxismo revolucionário frente às deformações oportunistas e revisionistas de direita e de "esquerda". A Internacional Comunista buscou a formação de quadros dirigentes dos Partidos Comunistas e a sua transformação em partidos revolucionários de massa, partidos de novo tipo.
A Internacional Comunista foi dissolvida em 1943 como um gesto de conciliação de Stalin para com a Forças Aliadas (Estados Unidos, Inglaterra).



  Quarta Internacional
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Fundada por Trotski, em 1938, nove anos após ter sido expulso da URSS. Em França os grupos que se reclamavam desta Internacional participaram no movimento de Maio de 1968, onde ganharam alguma influência política. Com muita influência nos conflitos sociais das décadas de 1970 e de 1980. Entre os grupos mais influentes na França: a “Liga Comunista Revolucionária”, fundada em 1938, a “Luta Operária”, a “Voz Operária” bem como o Partido Comunista Internacional, dirigido por Pierre Boussel, dito Lambert.
  Fonte: Mourre, Michel, Dicionário de História Universal, vol.II, ASA, Porto,1998, p.694.

Olá Leitor, bem vindo ao Clube de Leitura Icaraí!

Nossa Clube de Leitura oferece várias possibilidades de participação:

  1. Reunião presencial para debate do Livro do Mês nas segundas Sextas Feiras mensais às 19:00h na Livraria Icaraí, situada na Rua Miguel de Frias, 9 - Icaraí, Niterói - RJ (gratuito);
  2. Pelo Facebook em https://www.facebook.com/groups/clubedeleituraicarai/;
  3. Você pode interagir com os participantes pelo blog do Clube em http://clubedeleituraicarai.blogspot.com.br/ onde você pode publicar textos de sua autoria gratuitamente se houver interesse;
  4. Participar do grupo de emails em https://groups.google.com/forum/#!pendingmsg/grupo-de-leitura-agora-na-uff;
  5. Interagir via twitter em https://twitter.com/clicuff
  6. Fale conosco em conciergeclic@gmail.com;

Participe!

24 de fevereiro de 2015

Revivendo leituras passadas: Snow Flower and the Secret Fan: Lisa See

雪花與秘扇



After discussing the beauty from the viewpoints of Dorian Gray and Aschenbach, from "Death in Venice", through the ideas of Albert Camus in "Le Premier Homme" who refers to the beauty in a much less obsessive way than Oscar Wilde and Thomas Mann, we find a perception of beauty quite different in "Snow Flower and the Secret Fan", which is that it is only achieved through pain.

"Uma dama de verdade não deixa entrar nenhuma indignidade em sua vida. Só através da dor é que você conseguirá a beleza. Só através do sofrimento é que encontrará a paz. Eu enrolo, eu amarro, mas você receberá a recompensa."

However, I am a poor concierge of a book club that does not see any beauty in such monstrosities. Check it out.

"A bandagem alterou não apenas os meus pés, mas todo o meu caráter, estranhamente, sinto como se esse processo continuasse por toda a minha vida, transformando-me de criança submissa em moça determinada, e depois em jovem mulher, que obedecia sem questionamento a tudo que os sogros ordenavam, em mulher da categoria mais elevada da região, que impingiu regras e costumes severos à aldeia."

Pés de lótus:Viemos em busca das mulheres dos pés enfaixados. Poucas sobreviventes dos tempos em que se provocava uma deformidade física nas mulheres porque os homens achavam sedutor. Só as famílias que tinham algum recurso submetiam as filhas à atrofia dos pés. A tortura começava quando a menina chegava aos quatro anos. Atrofiar os pés era tarefa de profissionais, que, com faixas de algodão, forçavam os dedos das meninas para debaixo da sola.


Com o tempo as juntas se desfaziam, o osso do peito atrofiava e o pé virava um arremedo de apoio. Quando adultas, apresentavam os pés só um pouco maiores que o calcanhar – os chamados pés de lótus, que por mais de mil anos foram um símbolo carregado de erotismo na cultura chinesa. Só as mulheres dos pés atrofiados eram consideradas adequadas para se casarem com os filhos de proprietários de terra ou altos funcionários públicos. Como as filhas de agricultores não eram consideradas à altura desses casamentos e precisavam dos pés firmes para trabalhar na lavoura, eram poupadas. Mas em vez de aliviadas, se sentiam diminuídas, humilhadas. Os pés saudáveis eram um atestado de inferioridade social.
(...)
-Que seu marido seja sempre forte e viril. Que você tenha muitos filhos homens. Que seja sempre bonita e saudável. Que seu patrão lhe dê uma promoção e aumento de salário. Que tenha sempre muito arroz na sua mesa. Que seus filhos lhe dêem muitos netos...


A lista de bons desejos ainda ecoa em meus ouvidos. Mas o que me intriga é pensar como, ainda hoje, submetemos nossos pés aos saltos altos em nome de um fetiche sexual.
(Laowai - Sônia Bridi)


“O mundo está sempre mudando. Temos que olhar para o passado para encontrar o que não muda. Seu nome era Flor da Neve. Ela tinha uma laotong chamada Lírio, sua irmã por uma vida...”

"Eu soube que existe uma menina de bom caráter e versada em conhecimentos femininos na sua casa. Você e eu somos do mesmo ano e do mesmo dia. Não podemos ser iguais juntas?"

'Flor da Neve e o Leque Secreto' nos leva de volta ao passado, na China de meados do século XIX, onde o as mulheres viviam isoladas do mundo, tendo como principais "virtudes", a dedicação, a obediência e a capacidade de gerar filhos homens.

"Ouvi os homens falarem de impostos, secas e levantes, mas esses assuntos estão muito distantes da minha vida. O que conheço é bordado, costura, cozinha, a família de meu marido, meus filhos, meus netos, meus bisnetos e nu shu."

Nesta viagem acompanhamos Lírio ao longo de aproximadamente 80 anos, compartilhando seus dias de Cabelo Preso, de Sentar e Cantar no Aposento do Andar de Cima, de Tristeza e Preocupação, de Brincar e Fazer Barulho no Aposento Nupcial, de Arroz-e-Sal (como esposa e mãe), até seus Dias de Sentar Calmamente (como viúva). Com ela Tomamos Brisa Fresca, Espantamos os Pássaros, Saboreamos e Arrancamos Doença do Coração.

Do terceiro ano do reinado do imperador Daoguang, quando Lírio nasceu, em1823, até o reinado de, Guangxu, no início do século XX, a história da China nos é direta ou indiretamente apresentada, seja através do consumo e dependência de ópio por grande número de chineses, resultado da abertura da China ao comércio estrangeiro e da entrada ilegal de ópio produzido pela Índia (na época, colônia britânica), tendo como conseqüência as duas Guerras do Ópio (1839-1842 e 1856-1860). Seja através da Rebelião Taiping (1851-1864), um dos piores conflitos militares da história mundial, que ocorreu no sul da China, onde rebeldes (trabalhadores pertencentes à maioria da população chinesa, de etnia Han) lutaram contra a Dinastia Qing (de etnia Manchu) em busca do fim de um sistema visto como corrupto e ineficiente. Finalmente, somos apresentados ao nu shu, a escrita secreta das mulheres, desenvolvida há mil anos em uma área remota da província de Hunan, na região sudoeste da China.

'Flor da Neve e o Leque Secreto' é uma belíssima estória, que nos é apresentada numa escrita inteligente, envolvente, instrutiva e extremamente delicada. A autora nos apresenta uma realidade de alegrias e agruras do povo chinês sem vulgarizar costumes, muito particulares de uma época e região, que em certos aspectos podem nos parecer bastante estranhos.

"Muito do que aconteceu me fez lembrar da história educativa que titia costumava recitar sobre a menina que tinha três irmãos. Agora entendo que aprendemos aquelas canções e histórias não só para saber como nos comportar, mas porque viveríamos variações delas várias vezes durante a vida"

O livro, entretanto, é acima de tudo uma estória sobre amizade feminina, “sobre os laços que mantêm duas amigas unidas, sobre etapas e experiências pelas quais passam juntas, como se apóiam, e também como às vezes falham umas com as outras. Tudo incluso numa linguagem secreta da mulher, que pode ser interpretada literalmente como a linguagem secreta nu shu, mas também a linguagem secreta que existem entre amigas verdadeiras.”



"All writers are told to write what they know. My family is what I know. And what I don’t know – nu shu, for example – I love to find out whatever I can and then bring my sensibility to the subject. I guess what I’m trying to say is that in many ways I straddle two cultures. I try to bring what I know from both cultures into my work. The American side of me tries to open a window into China and things Chinese for non-Chinese, while the Chinese side of me makes sure that what I’m writing is true to the Chinese culture without making it seem too “exotic” or “foreign.” What I want people to get from my books is that all people on the planet share common life experiences – falling in love, getting married, having children, dying – and share common emotions – love, hate, greed, jealousy. These are the universals; the differences are in the particulars of customs and culture."







Sisters for ten thousand years. Coming this August at Icarai Book Club. Don't miss!

For movies fans, see the trailer, plus an interview with Lisa See and Wayne Wang, Li Bing Bing and Lisa discussing Snow Flower...





Recomendadíssimo!!

Entrevista sobre um clube de leitura, fundação e funcionamento: Beatriz Helena

Olá, meninos e meninas. Tenho acompanhado os e-mails e o blog, mas emendando o doutorado no mestrado, não consigo - faz tempo comparecer. Mas acho fundamental o que vocês fazem mantendo um clube de leitura, tanto que gostaria de entrevistá-los sobre isso.

A princípio, havia pensado em marcar uma conversa com o Concierge. Pensando um pouco mais, resolvi "conversar" com quem quiser. Talvez possam escrever sobre isso, no campo de comentários desta postagem. 



Estou pensando em, com muita calma e paciência, utilizar um espaço muito bem localizado no centro do Rio, a Livraria Gramma, para começar um pequeno grupo, a exemplo de vocês: blog, leituras coletivamente escolhidas, com antecedência. A inspiração é este grupo, pela simples razão de que vocês lêem, de todas as formas e de coração aberto, vocês lêem mesmo.

É isso, vamos conversar. Um abraço.

  1. Então, a primeira e básica é: como foi criar o clube? da ideia à operacionalização, como foi? Um grupo de amigos, colegas de algum estudo, vizinhos...

Olá Biah, muito bom saber que você continua nos acompanhando apesar de toda demanda de estudos e outras exigências da vida. Perguntas “básicas” como as suas apresentam excelentes oportunidades de refletirmos sobre o Clube porque, a exemplo das releituras literárias, os tempos mudam, nós mudamos, o grupo também, novos participantes, o que nos faz descobrir novas maneiras de compreender nosso clube de leitura, que não apenas é sempre bom mas necessário. Suas perguntas também ajudarão os novos integrantes desta história de mais de 16 anos a conhecer nosso Clube. 

Criar o CLIc foi como aproximar fogo e combustível, deflagrou uma bela história de leituras, descobertas, amizades e acontecimentos muito significativos. A ideia de reunir livros e amigos não é o máximo? A operacionalização foi feita e continua sendo feita de forma permanente segundo a vontade dos leitores que nos frequentam nas Reuniões mensais ou que participam através da web (blog, gmail, facebook, twitter) procurando sempre atender a todos os participantes na medida do possível. O jogo de forças entre essas diferentes formas de participação demanda um certo esforço de harmonização para equilibrar a luta de subjetividades existentes num domínio tão instigante e crítico como é o da leitura, mas é muito gratificante. É só imaginar o que acontece quando se reúne em um mesmo (hiper)espaço pessoas bonitas, inteligentes, sábias, cultas, jovens, críticas, ideológicas e de personalidade forte: (Big)Bang! uma explosão de vida, emoção e aprendizado, que é o que acontece no nosso clube de leitura. Quando não dá para frequentar as Reuniões, as pessoas sempre arrumam um jeito de participar, como é o que você está fazendo agora. Estou seguro que suas perguntas também são as de muitos leitores que aderiram ao nosso Clube recentemente e querem saber mais sobre nós. Vamos a mais perguntas!


Bem vinda de novo, adoramos conversar!







(Continuem respondendo, por favor, no campo de comentários da postagem)


23 de fevereiro de 2015

A evolução da leitura humana

Um livro puxa o outro - roteiros de leituras baseado em artigo de Bruno Meier publicado na revista Veja em 18 de Maio de 2011


Um porto seguro: Nicholas Sparks
Jane Eyre: Charlote Brontë
Por quem os sinos dobram: Hemingway
Romeu e Julieta: ShakespearePerto do coração selvagem: Clarice Lispector
História do cerco de Lisboa: SaramagoMemórias de Adriano: Marguerite Yourcenar
Orgulho e preconceito: Jane Austen
Dom Casmurro: Machado de AssisA consciência de Zeno: Italo Svevo
Tess: Thomas HardyRei Lear: Shakespeare
A boa terra: Pearl Buck
Os sofrimentos do jovem Werther: Goethe
Bola de sebo: Guy de MaupassantO vampiro de Curitiba: Dalton Trevisan
Ilusões Perdidas: BalzacMiddlemarch: George Eliot
O conde de Monte Cristo: Alexandre Dumas
A trégua: Primo LeviMemórias do cárcere: Graciliano Ramos
A guerra do fim do mundo: Vargas LlosaGuerra e Paz: Leon Tolstoi
A cabana: William P. Young
O encontro marcado: Fernando Sabino
O fio da navalha: Somerset Maugham
Fim de caso: Graham GreeneAs ligações perigosas: Choderlos de Laclos
Cândido: VoltaireHerzog: Saul Bellow
A fazenda africana: Isak Dinesen
A gloriosa família: PepetelaCem anos de solidão: Gabriel García Márquez
Robinson Crusoé: Daniel DefoeUma passagem para a India: E. M. Forster
Sidarta: Hermann Hesse
Na pior em Paris e Londres: George Orwell
A cavalaria vermelha: Isaac BábelOs sertões: Euclides da Cunha
Dublinenses: James JoyceRespiração artificial: Ricardo Piglia
Pergunte ao pó: John Fante
O grande Gatsby: F. Scott FitzgeraldA herdeira: Henry James
O silêncio: Shusaku EndoDesonra: J. M. Coetzee
Harry Potter e a pedra filosofal
Os doze trabalhos de Hércules: Monteiro Lobato
Ivanhoé: Walter Scott
Dom Quixote: CervantesOs detetives selvagens: Roberto Bolaño
Odisseia: HomeroGrande sertão: veredas: Guimarães Rosa
O senhor dos anéis - a sociedade do anel: J. R. R. Tolkien
O homem da areia: Ernst HoffmannKafka à beira-mar: Haruki Murakami
Robinson Crusoé: Daniel Defoe (D20)Coração das trevas: Joseph Conrad
O cão dos Baskervilles: Arthur Conan Doyle
A ilha do tesouro: Robert Louis Stevenson
O nome da rosa: Umberto EcoO Decameron: Giovanni Boccaccio
O aleph: Jorge Luís BorgesAs cidades invisíveis: Italo Calvino
O tempo e o vento - O continente: Érico Veríssimo
Mestre dos mares: Patrick O'BrianMoby Dick: Herman Melville
Os Maias: Eça de QueirósO leopardo: Giuseppe Lampedusa
Crepúsculo: Stephenie Meyer
O morro dos ventos uivantes: Emily Brontë
Orgulho e preconceito: Jane Austen
Anna Karenina: Leon TolstoiCoelho corre: John Updike
Howards End: E. M. ForsterEm busca do tempo perdido - No caminho de Swann: Marcel Proust
Grandes esperanças: Charles Dickens
O apanhador no campo de centeio: J. D. SalingerO complexo de Portnoy: Philip Roth
O ateneu: Raul PompeiaO vermelho e o negro: Stendhal
Drácula: Bram Stoker
O médico e o monstro: Robert Louis Stevenson
A metamorfose: KafkaA montanha mágica: Thomas Mann
Feliz ano novo: Rubem FonsecaO estrangeiro: Albert Camus
O gato preto: Edgar Allan Poe
Memórias póstumas de Brás Cubas: Machado de AssisHamlet: Shakespeare
O talentoso Ripley: Patricia HighsmithCrime e castigo: Dostoiévski
A menina que roubava livros: Markus Zusak
O diário de Anne Frank: Anne Frank
Minha vida de menina: Helena Morley
Madame Bovary: FlaubertO primo Basílio: Eça de Queirós
Capitães da areia: Jorge AmadoTonio Kröger: Thomas Mann
O tempo e o vento - O continente: Érico Veríssimo (C33)
O nome da rosa: Umberto Eco (D30)Cem anos de solidão: Gabriel García Márquez (E19)
Memorial do convento: SaramagoAusterlitz: W. G. Sebald
De amor e trevas: Amós Oz
Dentes brancos: Zadie Smith
Eugênia Grandet: BalzacO capote: Nikolai Gogol
Os sofrimentos do jovem Werther: Goethe (C12/13)Vidas secas: Graciliano Ramos
Tia júlia e o escrevinhador: Mario VArgas Llosa
Orlando: Virginia WoolfReparação: Ian McEwan
Lolita: NabokovA casa das belas adormecidas: Yasunari Kawabata