CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

30 de agosto de 2012

Clube da Felicidade



Respondo com um verso
ao menino inquieto
que habita seu coração.
Esses moços do CAEL
na verdade riem do humor
de poder ser ainda crianças
brincam nas tumbas
que enterraram doces lembranças
batem pique-pega entre mausoléus
pulam castelos de areia
miram bolas de gude
com olho de pirata e
ressuscitam inocências.
. . .


. . .

Eu gosto de ver
minha criança também está lá
espia e ri e às vezes se mete
no pula carniça
puxando a turma
pra dança de roda
passaraio, esconde anel
cabra cega, salada mista
festivas idades
de tantas saudades
seu escrito me fez lembrar.
(Rita)




20 de agosto de 2012

Lançamento de Livro - Travessia do Verso: Rita Magnago


No dia 25 de setembro de 2012, terça-feira, às 20 horas, na Sala Carlos Couto do Teatro Municipal de Niterói (RJ), acontece o lançamento do livro de poesias de Rita Magnago, "Travessia do Verso".



Rita Magnago nasceu no Rio de Janeiro, é jornalista, graduada pela UFRJ e pós-graduada em propaganda e marketing pela ESPM. Escreve poesias, crônicas e contos. Mantém, desde março de 2010, seu blog Alma Levada (http://ritamagnago.blogspot.com.br/). 

Rita participa do Clube de Leitura Icaraí desde Fevereiro de 2011

Convite

Lighter Side: Trouble expressing yourself



A gyertyák csonkig égnek: Sándor Márai



Aqui há um fogo que não morre nunca
e queima minhas entranhas
estranhas dores que desprezo e alimento.
Aqui há uma chama acesa
para que eu me apague
em silêncio
e cale a presunção.
Aqui há brasas que mantêm as raivas acordadas
apesar da idade do tempo.

E a esse fogo, a essa chama e a essas brasas
só posso responder vingando-me
por mim, de mim, em mim
general sem batalhas
solidão de castelo
perdendo a guerra.

Agora o vento com cheiro de tomilho
pode balançar os castiçais e
apagar as velas azuis
não há mais céu nem limite
nada mais me aquece ou instiga
foi-se a amizade, sucumbiu o amor
meu velho espírito 
à penumbra do viver
entende e se acalma
aplaca a fúria da traição
compensa a morte
com a mesma outra resposta
e pode partir na paz de um beijo mudo.

Rita Magnago




"As Velas Ardem Até ao Fim"

e* mãos de tesoura


Tesoura tesourão

BEM VINDOS AO CLUBE DE LEITURA ICARAÍ


15 de agosto de 2012

A Gente Vive o CLIc!





"A letra fala em 'mais uma página do mesmo livro / mais uma parte da mesma história' e 'a gente vive a história, vive a gente'. E diz, como nós leitores após mais um livro lido: 'e sem ser mais o mesmo, ainda sou quem era'.

Interessante a comparação com a literatura."

9 de agosto de 2012

Um Pouco De Mim: Ilnéa País de Miranda




Quando eu era pequena, alimentos e remédios naturais eram a regra, não a exceção. Comia-se feijão, verduras, legumes - muitas vezes plantados e colhidos no fundo dos quintais - ovos frescos das galinhas que chocavam pintos, e às vezes viravam almoço de domingo; galinhas que se bem recordo, eram alimentadas com milho, que ciscavam pedrinhas, que comiam capim que teimava em brotar pelo chão. Galinhas, do meu tempo de menina.
Gengibre com mel para as tosses, chá de broto de goiabeira para os "piriris", chás de sabugueiro para o sarampo, que logo, logo, saia pelo pé... ah! e bem gostava de um resfriadozinho, acompanhado de uma febrinha, que assim tomava um chá de folha de laranjeira com açúcar queimado e ficava de molho lendo minhas histórias
Os doutores de minha infância não eram "especialistas", eram especiais. Eram um pouco de tudo: um pouco alopatas - embora tal palavra não constasse do vocabulário de ninguém - um pouco homeopatas e não se furtavam usar a sabedoria tradicional dos antepassados, próprios ou importados.
Depois, a medicina mudou. Os doutores se "especializaram" e, para mim, perderam o encanto. Reconhecia-lhes - e reconheço - a competência mas por muitos anos as lides curadoras deixaram de me fascinar.
Precisei seguir um caminho difícil até reencontrar o encanto do "curar". E, coração aberto, reencontrei os quase bruxos de minha infância. Esse povo que dá mais importância à pessoa que aos males que a atacam, que nos olham como seres vivos que precisam de ajuda, antes de pensar que temos algo "funcionando de modo errado".
E foi neste caminho, onde a medicina vibracional, dita alternativa, complementar, é respeitada e respeita o ser, que encontrei Sabina Pettitt e seu magnífico trabalho, quase mágico, com suas flores, suas plantas, seus pequenos e grandes animais marinhos, suas essências, sua medicina.
Em abril de 1998, após alguns anos de estudos e três visitas a seus lugares de pesquisa e quatro cursos regulares, com orgulho e humildade, recebi dela e de seu marido Michael, o primeiro certificado de Energy Medicine® Facilitator autorizado por Pacific Essences®.
Grata,
Ilnéa
 (coisas do meu caminho ....         Ilnéa País de Miranda é natural do Estado do Rio de Janeiro e moradora de Niterói. É escritora, tradutora, terapeuta vibracional, contadeira de histórias...e advogada das causas e das coisas em que acredita.

8 de agosto de 2012

Viagem ao Mundo de Ilnéa



Terminei a leitura de “Eu menina toda prosa… e alguma poesia” com um gosto de vida nos lábios, como se tivesse beijado a terra molhada de uma fazenda do interior, comido as cocadas, tomado o café quentinho, recém-saído do livro de Ilnéa País de Miranda, nossa trovadora-mor no CLIc. Ainda vejo o cavalo querido e a sala de aula improvável, desprovida do básico. Talvez certos vazios em nossa vida tenham a capacidade de nos remeter a nós mesmos, já que desaparecem as parafernálias, os equipamentos e as belezas que sempre nos distraem. Não sei qual é ou foi a profissão de Ilnéa, mas diria que ela é, sem dúvida, uma psicóloga atenta desde seus quatro aninhos de idade. Seus escritos, poemas e prosa, elaboram os mais primitivos sentimentos, as perdas da infância, com uma clareza desconsertante.

As lembranças infantis estão no livro – as boas e as nem tanto – elaboradas pela Ilnéa adulta como se esta embalasse a criança que foi, tomada no colo para que ouça baixinho nos ouvidos uma palavra de carinho, de amor. Todos nós, por mais adultos ou idosos que estejamos, em nossa mente ainda somos aquele mesmo menino ou menina que um dia, há tantos anos, originou nossos pensamentos, nosso gostar, nossas dores. E é muito bom que possamos, nessa idade adulta, acalentar a criança que fomos, explicar a ela a natureza daquelas perdas e dores que tanto nos magoaram na infância, e brindar com ela as boas memórias, as comidinhas, os confortos, os amigos, os bons adultos que nos ampararam.

Ilnéa escreve, antes de mais nada, para ela, sobre ela, por ela. E nos deixa visitar esse mundo, com encantos e desencantos, mas sempre belo por que profundamente humano. Obrigado Ilnéa, por nos deixar conhecer este seu País de Miranda.

Abs, Newton.

7 de agosto de 2012

Autor CLIc: Ler Ficção - Mergulhar na aventura ou investigar entrelinhas?: Elenir Teixeira


Elenir Teixeira

Do material que uso, as palavras pertencem a todo mundo e estão no dicionário. As idéias são da humanidade, chegadas a mim no convívio de todos, cultos e iletrados. Só a teia é minha.”
                              
                                                                                                  (Millor Fernandes)
                              
                    
              Stephen Kanitz, articulista da revista Veja, no artigo intitulado “Intenções por trás das palavras” e Amós Oz, escritor israelense, na Introdução de seu livro E a história começa, teceram sua própria teia ao falar da produção literária. A comparação dessas duas abordagens sobre o mesmo assunto é o que me proponho fazer no presente trabalho.

            O senhor Kanitz inicia seu artigo afirmando que muitos escritores, cientistas e formadores de opinião usam e abusam de nossa confiança elaborando seus textos com intenções ocultas, as quais denomina “agenda oculta”. A primeira coisa que tento adivinhar, ele diz, é a agenda oculta de escritores, colunistas e pseudo-cientistas. Sempre desconfio delas. A partir daí, passa a dirigir sua crítica, apenas, ao escritor e de forma generalizada. Mestre em Administração de Empresas; Doutor em Ciências Contábeis; Professor Titular de Economia e Contabilidade, da USP e ocupando cargos referentes à Consultoria e a Aconselhamento Empresarial, lida sempre com ciências exatas, sendo compreensível, até certo ponto, sua desconfiança quando se trata de um texto literário e, especialmente, o ficcional. Está acostumado a procurar o que existe de verdade por trás de demonstrações financeiras habilmente mascaradas ou dados ocultos nas entrelinhas de contratos comerciais. É sua função. Não se justifica, entretanto, sua afirmação: “A nação idolatra quem faz parte da academia de letras (sic), os bons de bico, e não os que calculam bem e com rigor científico, ignorando os membros da Academia Brasileira de Ciências. Por isso, somos um país do me engana que eu gosto”. Não se reconhece, aí, o autor dos artigos “Como Combater a Arrogância”, “Práticas de Cidadania” e “A Importância da Ética”. Se ele usou expressão de uso popular para criticar o país e seu povo, entendemos cabível, de igual forma, citar a expressão, também popular, “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

             Contradizendo a afirmação de Kanitz sobre a necessidade de nos mantermos sempre atentos quanto às possíveis agendas ocultas dos escritores, julgamos oportuno citar alguns valiosos pronunciamentos referentes à produção literária e ao escritor. Jacques Derrida, filósofo francês e autor da Teoria da Desconstrução, ao abordar instigantes questões sobre a literatura, assim, se manifestou: “Quando o livro fica pronto ele segue vida própria. É o parricida de seu autor, na medida em que permite sua desconstrução em infinitas interpretações, de acordo com o olhar de cada leitor”. Compartilha desse mesmo entendimento, Roland Barthes, filósofo e escritor francês, ao dizer que, ao término do livro, dá-se a morte do escritor, pois, aí, ele já não lhe pertence, cabendo, ao leitor, completá-lo com seu olhar. Para Wolfang Iser, expoente máximo da literatura alemã, e autor da Teoria da Recepção, a leitura é um processo de reconstrução do texto. Confronto entre a construção do autor e a reconstrução feita pelo leitor enquanto procede à sua leitura. A reconstrução não é intencional. Faz-se naturalmente e pode ocorrer de várias maneiras, de acordo com a visão de cada leitor.

              Naturalmente, a fantasia, no texto, pode entrelaçar-se com os pensamentos mais secretos e ocultos do escritor sem que ele próprio se dê conta. Assim, não somente o leitor se surpreenderá com os achados provenientes de seu olhar, mas também o próprio autor.

           É impossível, entretanto, pretender-se comparar os textos científicos e os puramente literários. Se Kanitz, com seu artigo, desejava chamar a atenção para a Academia Brasileira de Ciências, tudo bem. É louvável. Tanto os grandes cientistas , quanto os grandes escritores, merecem respeito e admiração. Acreditamos que o cientista ao descobrir uma fórmula, resultado de pesquisa, talvez de muitos anos, de inúmeras e exaustivas tentativas e de muitos erros, deve confrontar-se com aquele instante de epifania e incandescência, o verdadeiro “heureca barthesiano” gozado pelo escritor ao conseguir trazer para a página em branco a palavra, ou a frase ou a idéia que buscava para iniciar seu romance. Entretanto, o processo de escrita de ambos é completamente diferente. O cientista, quando começa a escrever, já tem algo para dizer. Não luta com a folha em branco a que, antes, nos referimos. O escritor quer dizer algo. Sente necessidade de escrever. Um desejo genuíno. Verdadeira compulsão. Para Roland Barthes, somente as obras literárias dão testemunho do Querer-Escrever, e, não, os discursos científicos.

        Concluindo, gostaríamos de comentar que, a nosso ver, Kanitz teria tentado persuadir o leitor a compartilhar de seu ponto de vista, utilizando-se, ele próprio, de agenda oculta, ao citar a frase infeliz de Salman Rushdie, autor de Versos Satânicos:“Na ficção pegamos o leitor desprevenido”. Como atribuir-lhe intenção oculta de ludibriar o leitor, porquanto seu objetivo era, justamente, chamar a atenção do povo contra a ditadura e o fundamentalismo islâmico, sendo, por isso, censurado, perseguido e ameaçado de morte?

          O mesmo ocorreu entre nós, durante a ditadura militar, em que apareceu a literatura de entrelinhas, cifrada. Precisava ser assim. A Festa, de Ivan Ângelo, e Feliz Ano Novo, de Rubem Fonseca, são exemplos disso.Enquanto o artigo de Stephan Kanitz conseguiu, provavelmente, desestimular em muitos o prazer pela leitura ficcional, assustando-os e implantando em suas mentes o temor pelas intenções ocultas do escritor, Amós Oz, ao contrário, os atrai, referindo-se com muita graça e leveza, à produção literária.

            De início, fala da inveja mútua que existia entre ele e seu pai, autor de livros acadêmicos. Este invejava-o por ser livre como um passarinho ao escrever conforme quisesse, sem ficar confinado por todo tipo de busca e pesquisa prévia, atrelado ao jugo de comparar fontes e fornecer provas. Ele, por sua vez, invejava em seu pai justamente isso, ou seja, poder contar com verdadeira bateria de apoio, livros, tabelas, referências, sem precisar confrontar-se com a zombeteira página em branco. É difícil começar, diz. E, com relação a esse começo, afirma nele existir, sempre, um contrato prévio entre o escritor e o leitor, havendo vários tipos de contrato, inclusive os fraudulentos em que o escritor parece revelar todo tipo de segredo, para que o leitor confiante morda a isca. Poderíamos pensar, a princípio, que ele igualmente está se referindo às agendas ocultas de que fala Kanitz. Entretanto, não é o caso. Amós Oz fala do contraste que pode surpreender o leitor quando a história segue um caminho não imaginado por ele ao ler seu começo. E isto, certamente, é o que a torna mais instigante e prazerosa a cada descoberta.

          Embora nossa proposta, inicialmente, abrangesse, apenas, a Introdução de seu livro, acrescentamos suas palavras constantes da Conclusão: “O jogo da leitura requer que você, leitor, assuma uma parte ativa, traga o campo de sua experiência de vida e sua própria inocência, bem como cuidado e astúcia. Em última análise, como em qualquer contrato, se você não ler as letras miúdas, pode ser ludibriado, mas às vezes pode ser ludibriado precisamente por se atolar nas letras miúdas e não conseguir ver a floresta, de tanto olhar as árvores”.

             Deixamos aqui, para o senhor Stephan Kanitz, a advertência do escritor Amóz Oz.


(Elenir Teixeira é poeta e membro do Clube de Leitura Icaraí desde Fevereiro de 2009)

2 de agosto de 2012

Clube do Conto - O Ódio: Carlos Rosa Moreira



            O bichano passou por baixo da mesinha de centro e deu um pulo ágil, aninhando-se sobre o peito do homem. Ele nem olhou para o gato. Continuou com os olhos fixos num ponto qualquer da parede, deixando a mão afagar displicentemente o pêlo sedoso do bicho. Pensava nela, na maldita. Desgraçada... Lembrava-se das humilhações, os episódios desagradáveis somados e tornados um imenso volume que jamais se esvaziava em palavras, só crescia dentro dele, crescia como a roupa suja jogada dentro de um armário que já não fecha as portas. Pensou na última discussão e a raiva amarga ficou estagnada em sua garganta; as mãos cravaram-se na almofada do sofá e no lombo frágil do gato que se pôs a salvo com um movimento destro, antes que a constrição fosse fatal.  Ele se assustou com o desespero do bichano e retornou de suas lonjuras crestadas pelo ódio. Deixou o sofá e foi à janela. Ela não demoraria a chegar. Pegou o controle remoto e ligou o televisor. Outra tarde idêntica... Meses e meses iguais desde que ficara sem trabalho. O barulho abrupto da chave denunciou que ela chegava.
            ‒ E então, como foi o dia? ‒ ela perguntou enquanto guardava a chave.
            ‒ Mesma coisa.
            ‒ Ficou em casa?
            ‒ O tempo todo.
            Com os olhos cravados na tela do televisor, olhando sem ver, ele via a sequência organizada da mulher: vai desabotoar o terninho, o escroto do terninho; e vai lavar a porra da mão; “fez café?”
            ‒ Fez café?
            ‒ Tá na mesa.
            ‒ Vou tomar um banho. Eles logo chegarão para o jantar.
            E ainda ter de suportar aqueles dois! As mãos espalmadas sobre as feições aborrecidas mostraram que precisava fazer a barba.
            No espelho, o olhar azul da mulher o fixava. A testa grande, eriçada de cabelos crespos queimados e as sobrancelhas severas davam-lhe um ar de reprovação permanente. E mais o irritava a boquinha petulante e miúda na face quase sem queixo, com aquela papadinha embaixo. Olhou no fundo dos seus olhos negros: vinte e um anos de casamento acabavam assim...

            ‒ Como está o salpicão?
            ‒ Ótimo, querida. O Alfredo já contou a novidade? Vai levar uns gringos a São Paulo, vão pagar em dólares.
            ‒ Não sei o porquê, mas eles escolheram o meu táxi... ‒ disse Alfredo, sem parar de mastigar.
            ‒ É o capricho, Alfredo, a vontade de vencer. Não é qualquer um que tem isso.
            Ele não conversava,  mastigava com a cara quase dentro do prato. Olhou para ela de baixo para cima: “Puta...”
            ‒ Depois nós vamos fazer uma viagenzinha. Um finalzinho de semana em Araruama, né, meu bem?
            O sorridente Alfredo concordou com a mulher e virou-se para ele, dando-lhe um tapinha nas costas.
            ‒ E você, rapaz, não fala nada? Tô preocupado com você.
            ‒ Tô prestando atenção na conversa.
            Ela parou de mastigar e perguntou a ele:
            ‒ Pagou a conta do telefone? Vi que o dinheiro ainda está no lugar em que deixei.
             Ele tirou os olhos do prato. Sentiu que os olhares se cravavam nele. Miserável... Não tem esse direito... Fazer isso com um homem de quarenta anos, na frente desses babacas!
            ‒ Pago amanhã.

            No dia seguinte, ele acordou mais cedo do que de costume. Pegou o carro e foi até o galpão que havia guardado seu sonho. O resto da maquinaria estava lá, intacta, apenas coberta de pó. O negócio não dera certo. As dívidas cresceram e muitos equipamentos tiveram de ser vendidos. Quase perdeu tudo. Ela ajudou, mas a que preço! Jogava na cara, desenterrava frustrações do passado, e não perdia oportunidade para humilhar. Fazia doer mais do que doía o próprio fracasso: “...vontade de vencer” ; “Não é qualquer um que tem isso”; “Pagou a conta?” Maldita!
            Ele examinou as máquinas, acionou a energia, apertou o botão. Funcionava. O que sobrou estava bom.

            ‒ Gostaria que fosse comigo até à fábrica amanhã de manhã.
            ‒ Por quê?
            ‒ Quero que veja algumas coisas antes de vender.
            Ela parou o carro onde ele indicou. Havia chovido. O vento da noite sacudira as árvores e a rua estava coberta de folhas. Um aroma de seiva e mato molhado espalhava-se pelo ar. Ele levantou a porta de correr e ela entrou, depois trancou por dentro.
            ‒ Isto está uma sujeira ‒ disse ela.
            ‒ Dê uma olhada naquele material.
            ‒ Que material?
            Ela virou a cabeça procurando o lugar para onde ele apontava. O pescoço fino sobressaiu abaixo dos cabelos crespos. Com um movimento ágil, ele passou o cordel em torno do pescoço da mulher. Ela ainda tentou se voltar, mas o garrote a obrigou ao gesto instintivo de levar as mãos ao pescoço para livrar-se do aperto. Inútil. Ele puxava as pontas do cordel uma para cada lado, cruzando-as na nuca da mulher. E apertava. Fechava os olhos, trincava os dentes e apertava. Quando se acabaram os estertores da desgraçada e o corpo desabou, ele o conteve, mas manteve a constrição por minutos, até que a deixou cair. Nervoso, olhou à volta. Na claraboia do telhado, folhas verdes colavam-se ao vidro. Despiu a mulher. Um fio de urina escorria por baixo do corpo; ao retirar a calcinha, sujou os dedos com fezes líquidas. Lavou as mãos e foi tomado por uma calma intensa, quase um torpor. Pôs um avental de borracha e tomou o corpo nos braços. Colocou-o sobre uma grande mesa de mármore e, com os facões dos magarefes, desmembrou-o. Deveria desossar, mas o cortador era dos maiores, as lâminas desmanchariam os pedaços magros da mulher. Colocou os pedaços no cortador e apertou o botão. No início ficou olhando, mas os ruídos e o odor de carne e sangue tornaram-se nauseantes. Preferiu ir para os fundos da fábrica, onde havia um janelão de vidro que permitia ver o céu. Passou ali o resto da manhã. Comeu uns sanduíches e bebeu água da torneira. Por volta de meio-dia um solzinho despontou, mas logo o vento frio o levou embora. Mais tarde o vento virou ventania e sacudiu as folhagens; com ele chegou uma chuvinha fina que acinzentou a tarde que, quanto mais caía, mais acinzentava a fábrica, deixando tudo com uma cor só. Quando a noite veio, ele desligou o cortador. Dentro da máquina encontrou bocados de carne, pedaços de ossos e uns restos inidentificáveis misturados a uma pasta sanguinolenta. Vestiu as luvas de borracha, catou aquilo tudo e jogou num saco plástico. Fez uma limpeza geral, deixando escorrer para o ralo todo sangue misturado à água de lavagem. Ao lavar o cortador, alguma coisa chamou sua atenção próximo ao buraco para escoamento. Abaixou-se e pegou o objeto. Rodou-o entre os dedos. A aliança da puta! Cerrou os olhos e, num clarão fugaz, recordou o momento em que, diante de Deus e dos homens, colocara no dedo dela a aliança. Abriu os olhos e viu diante de si o grande cortador. Jogou a aliança para cima e tornou a pegá-la fechando o punho. Então se lembrou da última consulta com seu dentista, precisava comprar material para o bloco do dente. Poderia derretê-la...


1 de agosto de 2012

Homem Comum - Philip Roth (1/2)



Philip Roth: Homem Comum
Comentários de Leitores:

* * *


Boa noite, CLIc-leitores

Já que os digníssimos membros deste Clube são mais nietzschianos do que eu pensava, e preferem o “super-homem” ao “homem comum”, me proponho a quebrar o gelo fazendo os primeiros comentários. É o que segue.

Do autor do mês eu havia lido apenas “Indignação”, aqui mesmo no Clube. E como naquela ocasião, também nesta senti que o livro é mais intenso, interessante e pungente na segunda metade. Foi o que salvou minha leitura. Aliás, houve um momento, impulsionado por alguns trechos recorrentes, em que tive de parar a leitura para averiguar na capa do livro se se tratava mesmo de um romance de P. Roth ou era o novo livro do Dr. Dráuzio Varella. Não me levem a mal, vejamos porque me ocorreu esse lapso, os trechos abaixo podem clarificar a situação:

Mais uma vez, porém, sua sorte funcionou, e o problema foi resolvido com a inserção de um stent, transportado por um cateter enfiado através de punção na artéria femural, passando pela aorta, até chegar à oclusão.” p. 50

[...] do ponto de vista médico não era nada de extraordinário; pelo menos era isso que dizia o simpático cirurgião, o qual lhe garantiu que a endarterectomia da carótida era um procedimento cirúrgico vascular comum, [...]” p. 53

Um ano depois da cirurgia na carótida, fez um angiograma e o médico detectou que ele sofrera um infarto silencioso na parede posterior porque uma das pontes sofrera uma reestenose.” p. 56

Encontrou alguns discos adesivos para uso com eletródos do eletrocardiógrafo ainda grudados em seu corpo [...]” p.58

[...] enquanto instalavam nele um desfibrilador em caráter permanente, para protegê-lo da situação nova que estava ameaçando sua vida, e que, juntamente com a formação de uma cicatriz na parede posterior do coração e um volume cardíaco problemático, tornavam-no forte candidato a uma arritmia cardíaca.” P. 58

Quando voltou ao hospital para fazer o check-up anual das carótidas, o exame de ultra-som revelou que a segunda carótida estava seriamente estenosada e requeria cirurgia.” p. 114

Nobres colegas, me perdoem o excesso de citações, mas estes trechos recorrentes me chamaram a atenção. Achei mesmo um pouco chata a primeira parte do livro por causa desse “centro hipocondríaco" que conduzia a narrativa. Coisa que aconteceu na segunda parte, mas em menor intensidade.

Caríssimos, fico por aqui, mas volto mais seriamente para comentar algumas coisas interessantes deste livro de Roth.

Um abraço a todos,

Antonio R.

* * *

Antônio, vc tem certa razão, se não fosse a loja do judeu, eu nem reconheceria o Roth. Mas o que fazer, é a vida, ou melhor, é a morte chegando cada vez mais perto.

Não há como evitar viver entre esses termos numa certa fase ou quase sempre para alguns "premiados".  O livro como sempre chega num momento chave de minha vida pessoal e destaco frases sensíveis que muito me comoveram:

Nunca parou de se preocupar com Nancy e também nunca chegou a compreender como chegou a ter uma filha como aquela (pag 59)
.
..."jamais morrera em sua cabeça a fantasia de que seus pais iriam se reconciliar." (pag. 61)

"Mas não há como refazer a realidade"........". O jeito é enfrentar. Segurar as pontas e enfrentar. Não há outra saída."

Abraços saudosos

Muito deprê e verdadeiro

Elô

* * *

Grande Antonio,

Que bom que vc me avisou que melhora do meio pro final. Mas, que pena, não sei se chegarei até o meio...

O que salva é a pizza e essas brilhantes companhias.

Abs,
Newton

* * *

Caro Newton,


Você é terrível (risos). Pura maldade sua.

Sinto muito, mas acho que você provavelmente já leu o final, pois a cena inicial é justamente o fim. Acho que posso dizer isto porque logo se percebe ao continuar a leitura. Eu diria que em linhas gerais este livro de Roth é uma tentativa de pensar a finitude da vida, ou a temporalidade/atemporalidade do ser, que são velhas questões do pensamento humano. O personagem principal experimenta desde cedo a aflição da ameaça à vida, quando ainda era um menino teve de passar por uma cirurgia de hérnia. E ao longo da vida foi sempre atormentado pelos problemas de saúde. No final da vida, havia sido internado consecutivamente nos últimos sete anos. E teve seu fim onde mais temia, onde mais a vida lhe parecia frágil e ameaçada. Tenho algumas anotações e observações interessantes, mas vou esperar mais um pouco para não atrapalhar a leitura de quem ainda está lendo. Depois posso, como sempre fiz, compartilhar minhas impressões.

Eloísa, há mesmo alguns trechos marcantes, pelo menos eu acho. Até lembrei do Carlos, nosso amigo escritor, lendo o trecho que segue abaixo, e que reflete todo o amor que o protagonista sentia pelo mar, pelo nado, pelo gosto salgado da água, que era para ele o próprio sabor da vida, da felicidade e da existência:

"Corria para casa descalço, molhado, salgado, relembrando a potência daquele mar imenso a ferver em seus ouvidos lambendo o antebraço para sentir o gosto da pele recém-saída do oceano, tostada pelo sol. Juntamente com o êxtase de passar todo o dia sendo socado pelo mar até ficar tonto, aquele gosto e aquele cheiro o inebriavam de tal modo que por um triz ele não cravava os dentes na sua carne para arrancar um pedaço e saborear sua própria existência carnal." p. 93-94

Um abraço, queridos

Antonio R

* * *

Olá, clube incomum

Antonio, achei ótima sua comparação com o Drauzio Varela. Compartilho sentimento semelhante. A meu ver Homem comum peca pelo excesso de termos médicos e tratamentos e doenças. Muito chato isso. Ao mesmo tempo, talvez incomode porque nos desperta o medo de que esse pode ser nosso futuro ou o de alguém querido nosso. Mas, por enquanto, prefiro não pensar nisso. Não adiantaria nada mesmo e quem morre de véspera é peru.

Para mim a mensagem mais bonita do livro - que apesar dos pesares considero bom - é a de que a vida nunca se repete, por isso devemos vivê-la o mais plenamente possível, sendo franco sobre nossos desejos e aspirações e dividindo a alegria e um pouco de nós com quem se ama, realmente. Sem isso, a alma é pequena.

Beijinho de boa noite para todos vocês,

Rita Magnago
* * *

Oi grupo

Terminei hoje a leitura do livro. Minha expectativa estava alta, pelos positivos comentários de amigos e, até o final, fiquei esperando o motivo para isto. Não fujo deste tema, muito pelo contrário. Mas busco uma abordagem com sensibilidade, poesia e até beleza, o que encontro inúmeras vezes, mas não achei no "Homem comum".

Confesso que não foi nada agradável ver a descrição fria dos procedimentos médicos, hospitalares, como comentou o Antônio, já que recentemente os vivi com a fase terminal de minha mãe. A frase “Deixou de ser, libertou-se do ser sem sequer se dar conta disso. Tal como ele temia desde o início.” (pg 131), também me remete ao drama dela. Constantemente dizia que não tinha medo de morrer, mas de ficar isolada e imobilizada num CTI. Foi exatamente o que aconteceu. O medo parece atrair.

Acredito que deveríamos ser educados a acolher as perdas, que são tantas ao longo da vida. E entender que é impossível ser e ter mais, mais, mais. O menos é necessário e muito rico, pois trata-se de uma capacidade de desapegar de ilusões: da saúde e do amor eternos, de sonhos irrealizáveis.

Talvez o mais tenha me chamado a atenção foi a questão da dor.
A dor deixa a gente muito sozinha.” (pg. 69)

Teria ficado sem medo, pensando apenas: finalmente a dor passou, a dor finalmente foi embora, agora é só dormir e ir embora desta coisa extraordinária?"(pg. 119)

Fez-me lembrar de um capítulo do livro "Carência e Plenitude" de Jean Yves Leloup, que chama-se "conferir sentido ao inaceitável" que diz que dor e sofrimento não são exatamente sinônimos. A dor é parte integrante da experiência humana e o sofrimento é um modo de interpretar a dor. O autor até apresenta quatro estágios de reagir, viver e interpretar a dor, aqui apresentadas em resumo:

1. dor sem sentido - como um mal que a pessoa quer eliminar a qualquer preço, sendo capaz de procurar o médico, psicoterapeuta ou curandeiro;
2. dor como ocasião de provar nossa força ou coragem. Uma oportunidade de manifestar nossa grandeza da alma. "O homem que sofre é, sem dúvida, maior do que seu sofrimento";
3. o absurdo, o sofrimento, a solidão e a morte, todos esses inevitáveis que, um dia ou outro, deveremos enfrentar são, neste caso, assumidos e transcendidos. "O condenado reenviado a si mesmo em razão de seu sofrimento pode estabelecer um contato com as raízes de sua existência e com a origem de uma vida mais humana e a caminho de sua plenitude";
4. a não interpretação, o não questionamento dos males pela aceitação do sofrimento e da morte como inerentes à vida.

O autor continua descrevendo outros estágios, incluindo aqueles que oferecem seu sofrimento voluntariamente em busca de consciência e liberdade espiritual.

É muito forte quando fala de derrelição: aquele momento que o ser acredita que foi abandonado por todos, até por Deus, quando não há mais nada que se possa fazer, apenas suportar, com paciência, em silêncio.

Eu prometi beleza e poesia não foi? Então aqui está:

"Não me deixe rezar por proteção contra os perigos,
mas pelo destemor em enfrentá-los.
Não me deixe implorar pelo alívio da dor,
mas pela coragem de vencê-la.
Não me deixe procurar aliados na batalha da vida,
mas a minha própria força.
Não me deixe suplicar com temor aflito para ser salvo,
mas esperar paciência para merecer a liberdade.
Não me permita ser covarde, sentindo sua clemência apenas no meu êxito,
mas deixe sentir a força de sua mão quando eu cair."

(Rabindranath Tagore em Colhendo Frutos. Isto está na página 5 do livro "Sobre a morte e o morrer" de Kübler-Ross)


ESTE QUARTO
 
"Este quarto de enfermo, tão deserto
de tudo, pois nem livros eu já leio
e a própria vida eu a deixei no meio
como um romance que ficasse aberto...

que me importa esse quarto, em que desperto
como se despertasse em quarto alheio?
Eu olho é o céu! imensamente perto,
o céu que me descansa como um seio.

Pois o céu é que está perto, sim,
tão perto e tão amigo que parece
um grande olhar azul pousado em mim.

A morte deveria ser assim:
um céu que pouco a pouco anoitecesse
e a gente nem soubesse que era o fim..." 

(Mário Quintana)

Abraços!
Cristiana

* * *
Olá,  

Quem leu "As cores do Crepúsculo", de Rubem Alves, e teve, portanto, a oportunidade de ver a questão do envelhecer de uma forma, digamos, mais poética, não achou demasiado o pessimismo do personagem em relação à velhice? Veja: 

"A velhice não é uma batalha, a velhice é um massacre." p.114

Outra questão que acho importante é a do materialismo do personagem. Embora judeu no sangue, era cético no plano da religião. Mas não era bem resolvido em relação a isto, o que dá a impressão de que alguns conflitos resultavam daí. O ponto que acho refletir bem isto é o trecho da página 124, que diz:

 "A carne vai embora, porém os ossos permanecem. Os ossos eram o único consolo que restava para alguém que não acreditava na vida após a morte, e sabia, sem nenhuma dúvida, que Deus era uma ficção, e que aquela vida era a única que ele teria." 

O personagem sente paradoxalmente medo do esquecimento (a carne que vai embora) e um desejo de eternidade (os ossos como memória). Essa angústia parece acompanhar o personagem por toda a vida. Pode-se perceber claramente como está preso a "substanciabilidade do corpo", não cogitando sequer que alguém possa se eternizar pela "insubstanciabilidade" das idéias, por exemplo, ou da arte, que ele próprio tivera a oportunidade de fazer, pintando seus quadros. Acho que esse é um ponto que dá muito o que discutir.

Vera e Eloísa,

É possível encontrar alguns trechos que se encaixem no momento ou na vida de cada um. Roth está falando sobre a vida, sobre os conflitos que todos sentimos, sobre o medo, sobre a vontade de viver mais quando o fim está chegando etc. Por isto uma ou outra frase pode nos encontrar e nos fazer pensar sobre nossa própria vida. 

Sds,

Antonio R

* * *

Antônio, legal seus comentários. Mas penso que, pelo que é mostrado, não vejo o personagem em paradoxo com o que vc postou.

 "A carne vai embora, porém os ossos permanecem. Os ossos eram o único consolo que restava para alguém que não acreditava na vida após a morte, e sabia, sem nenhuma dúvida, que Deus era uma ficção, e que aquela vida era a única que ele teria."


Ele está bem seguro disso, nada mal resolvido em relação a Deus. É natural que lamentemos o esquecimento do que vivemos, nossos papeis, nossos momentos por parte dos que ficam. Por isso, quem não crê em Deus , não acredita numa outra vida, pode ser dar ao direito de ser bem pessimista. Afinal, a que viemos? Às vezes até atrapalhamos os outros com nossa morte...

Vivemos ainda enquanto somos lembrados, vivemos transformados em outros corpos: vermes rsrs larvas! rsrs


Quanto ao seu comentário para Vera e para mim, certo, o livro fala da vida, e quanto mais velhos, melhor vemos e sentimos o que o autor nos diz. Por isso: Carpe diem!


PS.: Não precisamos morrer pra cair no esquecimento... Muitas vezes, nem para nossos e-mails encontramos respostas.

Abraços

Elô

* * *

Antonio,

estou exatamente no meio e sinto o mesmo que você. Em princípio achei que o "tédio" às vezes me abatia por consequência de fatos vividos por mim recentemente em hospitais...Pensei: Basta! Não quero mais isso pra mim,mas depois fui tentando encontrar passagens que considero "sensíveis",como:

Eu nunca poderia aceitar perder você.(39).

Eu olho esse rosto desde que nasci--parem de enterrar o rosto de meu pai. (48)

...mas naquele momento sua dor era mais fácil de aceitar que a dela (59)

Mas há pessoas assim, pessoas de uma bondade espetacular- milagres, na verdade.(59)

... da necessidade de recuperar a criança que foi para poder pintar como adulto...(64)

É que a dor deixa a gente muito sozinha...(69)

Bem,vou parando aqui. A gente sempre encontra coisas que nos falam ao coração, é só saber "ouvir".

Meu carinho sempre cheio de esperança,

Vera Freire.

* * *

Pois é, Vera, eu também às vezes me sinto assim...

Quanto ao livro,  estou achando que nem o personagem nem o autor tem amor pra dar!

Agora, eu gostei muito de Indignação, embora também esse livro tenha um gosto amargo, tipo, por mais que você faça,  não dá pra fugir às armadilhas que o destino lhe reserva. Que as escolhas mais simples podem trazer consequências funestas.  Mas é um livro muito mais dinâmico, sólido e instigante, com algumas passagens muito bonitas. Pra mim foi um livro marcante, só que o jeitinho deprê estava lá também. Por que você não pega esse pra ler?  Eu o tenho aqui, pra te emprestar, se você quiser. Me avise.

Beijos e bom domingo,

Rose

* * *

Elô e demais amigos e amigas,

Fico aqui só lendo o que vocês falam a respeitos das leituras e de tanto falarem fico curiosa também. Eu gosto das coisas contraditórias e daquelas que as pessoas dizem não encontrar nada de bom. Acho que esse livro deve ser sucesso justamente pelos fatos que vocês relatam porque o lado funesto da vida ninguém gosta, mas precisamos conhecer. 

Abraços!

Sonia Salim 

* * *

Rose, concordo com você,muitas vezes penso que o desencanto é meu, de minha leitura. Li o livro até o fim, embora o excesso de detalhes médicos estivesse me desanimando. Na segunda metade ,penso que a narrativa ganha um pouco de força, mas não o suficiente para que eu gostasse. Este "homem comum "é muito amargo, não tem amor para dar, até a própria filha só era tão querida na medida em que o servia.  Foi o primeiro livro que li dele, com certeza vou ler outros , procurando encontrar motivos para que seja um autor tão admirado.


Vera Leite


* * *

Rose e grupo,

Peguei o livro pra ler e simplesmente achei que para o bem da minha saúde mental, deveria abandonar a leitura, pelo menos por agora.

Venho de um país onde as pessoas, que já eram derrotistas e melancólicas, depois da crise, estão cada vez mais mal dispostas, mais mal humoradas, mais pra baixo, mais negativas e totalmente desiludidas. 

Sim, minha gente, já estou no Rio, pois terminei as disciplinas obrigatórias do Doutorado e agora vou me dedicar a escrita de vários trabalhos que ainda estão pendentes.

Depois de mais esse "estágio" em Portugal, país que os sabem como eu amo, que tem uma beleza rara, um povo educadíssimo, mas como anda mais melancólico do que já é por natureza, não suportei encarar uma leitura tão "derrotista". 
Seria demais pra este momento, mas prometo ao grupo que não me furtarei a retomar, pois acho que sempre vale a pena, até porque eu adorei Indignação.

Vocês não fazem ideia do quanto a crise afetou o estado de espírito do povo português. Muito diferente do que vi em Espanha e em outros países que enfrentam as mesmas medidas impostas pela Troika. 

O estado escatológico da vida e do estar no mundo, parece com o vírus da gripe A. É como se a gente pegasse no ar, sem perceber! Quando menos esperamos, já estamos igualmente contaminados de tristes e com taxas baixíssimas de alegria, de paixão e de disposição para se rebelar...

Sendo assim, o derrotismo tão bem apontado pela Rose, definitivamente não caiu nada bem neste meu momento.

Beijinhos a todos!

Lilian

* * *

Oi, Rose, Vera, Antônio, Rita e outros amigos:

Tive a mesma sensação que vocês ao ler o livro, mas depois eu senti uma compaixão, uma tentativa de compreender esse homem!  ESSE ERA O "HOMEM INCOMUM"!

Observem como é difícil envelhecer doente. Muito doente.

Ele foi uma criatura amada pelos pais, pelo irmão, mas tinha uma personalidade distinta!!!

Era uma criatura existencialista, não sei se ateu, como disse o Antônio! Claro, todos vocês têm razão, ele nos deprime.

DEPRIME POR QUE FALA A “VERDADE”: Ele não aceita a velhice, muito menos com doença! E quem não se deprimiria?????

Eu concordo plenamente com ele, envelhecer é insuportável. NÃO TEM ESSE DISCURSO, QUE FICAMOS MAIS CALMOS, ACEITAMOS MELHOR O DESTINO, E MUITO MENOS TEMOS MAIS DIGNIDADE!

Veja, a Rose ressaltou bem, ele já pagou um preço muito alto: Fez uma profissão que apesar do sucesso, seu prazer foi para o ralo! SÓ AÍ ELE PERDEU MEIA VIDA.

Acho que ele amava as mulheres sim, mas não acertou, era afoito!!! Encantava-se e depois ia conhecer! Até a mãe dos filhos deles.

Ele foi um homem que NÃO SE PERDOOU! Ele tinha uma culpa imensa sobre as suas costas. E pensava demais. É natural pensar muito quando se aposenta, e não gosta de fazer outras atividades. COMO SER OTIMISTA VENDO SEUS AMIGOS PIFANDO TAMBÉM???

Eu o compreendi muito em não querer conviver com as pessoas da idade dele. SUA TENTATIVA FOI FRACASSADA, POIS ESSAS PESSOAS VIVIAM O MESMO!

Essa é a grande furada de convivermos como se fossemos condenado ao mesmo destino!

Entendo também que ele era um sujeito sentimental, mas  frágil, muito frágil para com a dor alheia. A cena dele cuidando da senhora que tinha uma terrível dor nas costas, e levou-a para o quarto...................... Ele a compreende totalmente, e é terrivelmente lindo o texto!

Antônio, eu acho que tanto faz, no caso dele, ser religioso, ateu, ou qualquer outra coisa!

De fato, ele não apela para o sobrenatural, ele já tinha muitas questões sobrenaturais, como a eminência da morte, a dor de não ter mais sua juventude cortada pela doença e culpas. PARA UM ateu ELE ERA CULPADO DEMAIS!!!!!!!!!!

Aqueles filhos chatos, a ex, uma chata de galocha, que não aceita que o amor acaba, o deixaram de amá-lo. O QUE SE PODE ESPERAR DISSO???

Claro, ele não era um brigão, era mais recluso, e fazia uma dicotomia entre passado e presente. CANSOU CEDO PARA MUDAR A MENTALIDADE DOS FILHOS EGOÍSTAS.

Foi feliz, brevemente no 2º. Casamento, e teve uma grande aliada, sua filha, querida que o amava muito!!!

Mas para um homem, não basta o amor dos filhos, ele exige sua virilidade (isso é difícil nos homens), e sem isso, eles não se sentem HOMENS.

Por isso ele pirou e casou com a modelo.................... Outro desastre!

Ainda por cima tinha um irmão modelo, outra canoa furada!!!!!!!!!!!! Acabou não curtindo o irmão.

O QUE ACHO AMIGOS, É QUE NÃO SUPORTAMOS NOS VER NESSE LUGAR, COM A MORTE IMORAL, POR PERTO, UM GRANDE DESEJO DE SER AMADO E AMAR UMA MULHER (NEM A PINTURA SUBSTITUIU ISSO).

Ele era muito só, não dividia com ninguém, e tinha o consolo da filha amada (muito diferente de ter um amor), de ter sua virilidade de volta.

Ficamos chocados, pois ele fala da velhice de um sujeito de 60 anos , que lutou 15! O MEDO É O MEDO DA MORTE! TEMOS MEDO TAMBÉM, DE NÃO SERMOS INDEPENDENTE COMO ELE, IA SOZINHO PARA FAZER UM STENT , COMO SE FOSSE FAZER A BARBA.

A VERDADE INCOMODA MUITO, EU TAMBÉM FIQUEI TRISTE, MAS NÃO ACHEI O AUTOR DEPRÊ, O PERSONAGEM, SIM, E COM TODA RAZÃO!

Eu pessoalmente acho o envelhecimento, uma merda! Com saúde, nós procuramos reinventar uma vida, etc.................. MAS NADA, NADA MESMO, DE SERMOS DESEJADOS, ATÉ OS 30 ANOS, MESMO SEM MATURIDADE.

Talvez isso seja diferente para as mulheres, não sei!!!!!!!!!! Ou seja diferente para cada pessoa!!!!!!!!!!!

Beijos

Fátima

* * *

Muitíssimo interessante a análise da Fátima.

Eu tb pensei nessas possibilidades, mas não continuei a leitura pelas razões que já contei, mas agora depois das ponderações tão sensíveis da Fátima e depois de ter assistido o filme  "Aqui é o meu lugar", protagonizado por Sean Penn, penso cada vez mais que vale a pena insistir na leitura e conhecer de perto esse "homem incomum".


Beijinhos, 


Lilian

* * *

Gostei muito do livro e do comentário de Fátima. Só não concordo em achá-lo HOMEM INCOMUM. Tive a oportunidade de conviver com alguns homens: parentes, amigos, colegas, vizinhos etc. que, na situação do personagem, tiveram comportamento bem semelhante ao dele. Há mais homens assim do que se pensa. E mulher também. Ele é, portanto, um HOMEM COMUM. descrito de forma brilhante por  Philip Roth.

Abraços para todos.

Elenir

* * *

Obrigada por terem lido!

Elenir, ele era diferente, incomum, pois no fundo, ele queria o osso, o durável, e não mais o eterno. Essa metáfora, eu senti assim! 

Tanto que homens como ele, correm para casa da ex, ou dos filhos, ele nem se despediu da filha, pois restava alguma esperança!

Ai, Elenir, uma opção, que deveria ser feita pelos médicos, ele sai dessa vida, e de forma terrível, pois nessa hora, os médicos que estavam de brincadeira, passam a falar como se o sujeito não escutasse. É uma barulhada incrível, e o futuro morto, escuta!!!!!!!!!

Esse livro faz uma crítica especialíssima no serviço médico, tal como o nosso. TRABALHO DE MASSA!!!!!!

Evidente que um homem com os problemas dele, possivelmente para fazer anestesia geral, teria que ter um aparato melhor, e um pré - exame, especial. 

ELE POUPAVA SUA AMADA FILHA, E ACABOU NÃO MORANDO COM ELA!

Não era um tarado qq, a cena dele olhando para moça da praia, embevecido, deixou que ela ficasse cismada. Foi até ele, e no susto, ele a assustou! ELE NÃO ERA UM PAQUERADOR QUALQUER. INCOMUM!!

MAS ELE MOSTRA QUE O SERVIÇO PÚBLICO E O PRIVADO TAMBÉM os TRATAM COMO SE FOSSEM RÉPLICAS, E SEM PERSONALIDADE NENHUMA. Achei uma crítica médica, sem dizer uma palavra de revolta. Por isso mesmo, não fiquei enjoada com os termos técnicos, isso mostra que o personagem, doente, não era tolo!

Elenir, ele era frágil, mas sensível, afoito, com personalidade própria!!!!!!!!! Portanto, INCOMUM!  Não acha???

Bem mais fácil foi ler INDIGNAÇÃO, um livro excelente do autor, mas falar da juventude, ah......... Quem não tem lembranças boas, raras, ruins pra defender com unhas e dentes?????

bjs
Fátima

* * *

Pessoal,

        A escrita de Roth é seca, e a abordagem  é crua. Tanto em Indignação, quanto aqui. E isso choca muito. O livro desce arranhando a garganta, mas não sinto o gosto amargo.


       Não é o velho amargurado e frustrado de Leite Derramado, que fez de si o que não soube. "Everyman" é bem sucedido.  Teve uma infância feliz, bons pais, uma carreira bem sucedida, filhos, amores.  A problemática de seus relacionamentos estão vinculados a potência sexual: fator instintivo e de perpetuação da vida (de sua própria concretude: "Só lhe ocorreu de passagem a ideia de que talvez fosse uma ilusão imaginar, aos cinquenta anos de idade, ser possível encontrar um buraco que substituísse tudo o mais").



       Não o sinto deprimido, mas angustiado.  A culpa, a  inveja da saúde do irmão,  a pintura,  a mocinha na praia,  são sintomas  da angustiante sensação de aniquilamento. "A velhice é um massacre." Eu complementaria:  A velhice é o massacre do corpo deste  personagem  cuja vida é o corpo. Exclusivamente o corpo.  A concretude da matéria. "Não  tinha a impressão de que estava tentando fazer que uma ficção se tornasse a verdade. Aquilo era a verdade, a intensidade da ligação com aqueles ossos". Não há metafísica.    Roth com maestria mostra o processo de aniquilamento desse corpo, da matéria de "Everyman" . Mas há redenção no deixar-se ir. " Bom. Você viveu." respondeu a mãe e o pai disse: "Olhe para trás e expie as coisas que vc pode expiar e aproveite o que lhe resta."


    Gosto do título em inglês. Não o traduziria por Homem Comum. O  título em inglês abrange a todos os homens, sem distinção de gênero. Dá a ideia de humanidade.  O fim de todo homem (everyman) é o aniquilamento da matéria. Solitariamente. É possível um conforto:  a mão solidária, mas ela não aplaca a angustia do fim.

     Achei interessante os títulos dos livros  do menino, que ele novamente menciona no final:   Família Robinson, Kim e A Ilha do Tesouro: as aventuras de náufragos que fazem de tudo para sobreviverem,  as aventuras de um órfão que se torna discípulo de um Lama, e a busca de um tesouro escondido em uma ilha. Todos jornadas.

    Gostei do livro!

    Adriana Marins



* * *

Parabens, Lílian, pela clareza simples, pela inteligente defesa de sua opinião leitora.  Ler sua mensagem abaixo me emocionou. De verdade. Obrigada.
Cyana 

* * *


Oi,  Fátima, Lília, Elenir, Rita, Vera, Eloisa, todo mundo !

Gostei dos comentários da Fátima, com uma abordagem mais humanista, mais compreensiva, mais solidária.

Agora, eu continuo achando que este autor, tão celebrado, e com livros da maior qualidade, é meio deprê. 

Certamente não conheço tanto de sua obra pra chegar a essa conclusão, mas o fato é que, neste livro, ele mata um senhor que nunca conseguiu, ou nunca quis, ou nunca se preocupou em  tomar as rédeas de sua vida.  Foi vivendo o que foi aparecendo e fazendo escolhas pouco profundas, sem se dedicar apaixonadamente a nada.  Na realidade, acho que pior do que morrer foi viver como viveu.

Em Indignação ele mata, aos 18 anos, um belo jovem que tentava fazer o oposto, ou seja, tomar as rédeas de sua vida, fugindo de um destino provável. O jovem morre, a meu ver,  pelo excesso de paixão. Isso me leva a crer que, pra ele, o homem não tem saída. “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.  Uma coisa meio niilista, que faz com que qualquer busca do homem o leve ao mesmo trágico destino.  Acho muito reducionista e muito deprê essa abordagem, muito deprê...

Beijos,
Rose 

* * *

Rose, querida, sua análise , quanto a posição dele de não tomar as rédeas de sua vida, eu achei perfeita. Concordo que viver para ele foi pior que morrer, quem sabe?

Bjs
Fátima

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Minhas queridas "Clic"anas que teceram inúmeros comentários sobre o HOMEM COMUM.....

O QUE SIGNIFICA "TOMAR AS RÉDEAS DA VIDA?"  quantos de nós de fato estivemos ( ou estamos) com as rédeas de nossas vidas em nossas mãos?
enquanto crianças, adolescentes e jovens temos inúmeros sonhos....projetos...idéias e ideais....mas como disse sábiamente Chico Buarque em Roda Viva   ....a gente quer ter voz ativa no nosso destino mandar mais eis que chega Roda Viva e carrega o destino prá lá......
Não querendo ser pessimista nem conformista nem determinista creio que "somos o que podemos ser" .
Comecei a ler o livro neste fim de semana e sinceramene estou adorando a narrativa. Ouso destacar frases poéticas dentro do texto:

-   Depois retomou o fio da meada, voltando o olhar para a ampla e ensolarada janela da infância.    pag13

-   "Não gosto de ter que dizer essas coisas,e isso na verdade não é da mi nha conta,mas todas as vezes que ela vem lhe fazer uma visita, eu fico de olho.Ela é mais uma ausência que uma presença.........  pag.38

Cada um de nós é uma experiência única.Seja na ficção ou na realidade. "eu sou eu e minha circunstância". Ortega Y Gasset  

abraços da Joana

* * *


Meninas,


  Adoro literatura!  A mesma historia interagindo com cada um de nós  de formas tão diferentes. Concordo com Rose, W. Allen é  mais divertido.  Roth é cruel. Cruel, pois desconstitui um cenário onde nós, homens comuns,  construimos as ilusões que nos sustentam. A família, o trabalho, os amores, a saúde são pilares que ele vai destroçando. 

     O que chamou minha atençao é que o personagem não bebia, não fumava, não tinha histórico familiar,  fazia exercícios físicos regularmente ( nataçao, considerado o mais completo exercício aerobico e menos lesivo ao corpo e que continuou a praticar depois das safenas), ou seja, a doença foi uma circunstância que ele não contribuiu, e que não teve absolutamente nenhum controle! E no entanto ele não desistiu ( conforme a mulher que ficou casada a vida inteira e se suicidou): foram sete operações! Ele estava arraigado na vida, lutava para nela permanecer, mesmo quando suas ilusões iam se desmoronando.

     Quantos de nós não vivemos a vida (escravizados pela jornada de trabalho que nos garantem a sobrevivência, e que dela não desgostamos!) e dizemos que vamos morar na praia quando nos aposentar, escrever um livro, tornar-se pintor, fazer caridade, etc, dando significado a nossa existência? Roth cruelmente nos mostra  que essas coisas fazem o tempo passar, mas  não são suficientes para apaziguar a angústia da morte.

       Eu  só consideraria este homem incomum se ele conseguisse controlar a Roda da Vida!
O homem comum comete erros, cujos desdobramentos saem de sua área de controle, e com os quais terá que conviver enquanto viver. O homem comum comete os pecados capitais: gula, avareza, luxuria, vaidade, ira, inveja, preguiça. Nem os Deuses, nem os heróis e muito menos o homem comum conseguem deixar de ser devorado pelo Titã Chronos.

       Eis a trágedia vida! Eis a crueldade de Roth!

Adriana

* * *

“Homem comum” é o livro escolhido do mês de agosto no Clube de Leitura Icaraí

O romance “Homem comum”, do norte-americano Philip Roth, será o próximo livro a ser debatido no Clube de Leitura Icaraí, no dia 3 de agosto, às 19h. O encontro, que tem entrada franca e é promovido pela Editora da UFF (Eduff), é realizado na primeira sexta-feira de cada mês, na Livraria Icaraí, Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí, Niterói.
O livro, ganhador do Pen/Faulker 2007, é centrado na luta de um homem contra a sua mortalidade. Guiado por uma narrativa intimista, o leitor acompanha a trajetória do protagonista da infância até a velhice, quando ele se aflige ao perceber a deterioração de seus contemporâneos e dele mesmo. (fonte)



* * *



"Here where men sit and hear each other groan; 
Where palsy shakes a few, sad, last grey hairs, 
Where youth grows pale, and spectre-thin, and dies; 
Where but to think is to be full of sorrow."

(Keats)


Philip Roth

“Old age isn’t a battle, it’s a massacre.”


* * *


Oi Clube,

Estou quase acabando de ler Homem Comum de Philip Roth... Muito bom... Não consigo parar de ler! O homem em todas as suas acepções. Freud diria a mesma coisa: vaidade, inveja, raiva, libido sexual...
Abs,
Fred

* * *

Perdi meu Homem Comum -
penso, esqueci na cadeira,
agora... estou sem nenhum...
e mais... sem eira nem beira. 
(I, 15/07/2012)

É perda bem incomum
esquecer-se a mulher
no caso, do Homem Comum
– se fosse um homem qualquer...
[E, 15/07/2012]

Eita! Dessa eu não sabia
desse lado trovador
meu "Homem Comum" diria:
"Tem charme o "Espreitador"!
(I, 15/07/2012)

O homem comum de cá
esqueceu-se, de repente
espreitando em seu trovar
– Eita, trovadoramente!
[E, 15/07/2012]

Ilnéa, amigos,
Ótimas e criativas trovas,
mas a quem chamou espreitador, 
é irmão
(Elô)

Desculpem, eu não sabia... 
pensei que fosse "alter ego",
trova com categoria
e tem "fair play", eu não nego.
(I, 17/07/2012)

Não há do que desculpar-se
o facebook é que é cego
pois faz de qualquer disfarce
ou duplo, um alter-ego
[E, 17/07/2012]


* * *