CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

28 de outubro de 2013

CLIc 15 anos: viagem a Conservatória dá o que contar (Parte II)

Para ler a parte 1, clique no link abaixo: 



   


As fotos acima foram gentilmente postadas no face pela Rose T. Não sei em que momento ela as tirou, mas deve ter sido bem no início, embora Beth e Vera já pareçam estranhar muito a situação. Bem, começam as poesias, do 5º ao 1º lugar, categorias A e B (acho que uma era para autores publicados e outra para os não publicados), e você vai ficando preocupada, os cabelos começam a ficar em pé, de espanto, de estarrecimento, de desespero. Você fica, literalmente, boquiaberta. Essas são as poesias premiadas? Dio mio, melhor não comentar. Sorte que a gente sabia que uma pelo menos era boa porque a colega Maria Luiza, assídua frequentadora dos cafés concertos da Dília e Cris, e poetisa de mão cheia, estava entre os finalistas. Aliás, ela foi a vencedora – parabéns, darling.

A turma do ‘deixa disso’ vai dizer que eu estou exagerando, mas não. Pela luz que me alumia, como diriam meus antepassados, pelos olhos que esta terra há de comer. Teve uma poesia chamada “Etnia” que era boazinha, e uma outra lá, acho que a do rapaz de Mesquita, que ficou chorando no palco, que dava pro gasto. Solamente. Nas palavras de Dília: “Eu queria morrer e não tinha tempo”.

Newton, estupefacto, me olhava como quem diz: me belisca, vai, diz que eu estou sonhando. Eu e Niza trocávamos olhares cúmplices e cochichos de incredulidade. Dília se contorcia no banco da frente. Era dantesco e, ao mesmo tempo, tão, tão... cristão. Pode isto? Ah sim, e entre uma coisa e outra um besouro pousa no vestido de Rose T, que dá um pulo, o vestido levanta (essa eu perdi, mas me contaram) esbarra no fotógrafo (esqueci de dizer que ele também foi homenageado) que derruba a máquina no chão, mas o espetáculo que acontecia a pouquíssimos metros à frente era por demais arrebatador para que tirássemos os olhos do altar.

E isso é pouco ainda.  Você tinha que ser um mosquitinho para estar lá na hora do “Príncipe negro”, inenarrável. Entra uma criatura afetadíssima, que já estava a mil por hora no banco da igreja, como quem soubesse que tinha ganhado por antecipação, e absolutamente performática, começa a declamar sua poesia, vencedora do 1º lugar numa das categorias, com direito a caras e bocas e outros gestos que prefiro omitir. Com certeza ela achou que a, digamos, poesia, era erótica - aqui em casa tem outro nome. Pena que minha memória não seja privilegiada e não tenha gravado alguns trechos para vocês – também procurei em algum blog de Conservatória, mas não achei -, tinha 'versos' absolutamente incríveis e tudo isto, não esqueça, em plena Igreja da Matriz. Perguntem aos demais presentes do CLIc que verão que não exagero uma vírgula. A Angela, que lamentou ter chegado após a epifânica cena, a definiu bem: histriônica.

Pois bem, finalmente um momento de normalidade literária se instaurou quando Maria Luiza subiu ao palco e teve seu lindo poema magnificamente declamado por Dília. Arre égua que eu já estava precisando disso. A loucura cansa, vocês não imaginam (imaginam?), essa experiência me confirmou. Espero depois poder postar uma das fotos que tirei de Maria Luiza, é que eu estava com a máquina dela, então não tenho as fotos comigo.

O que fizemos quando tudo terminou? Além de suspirar longamente, a gente queria um chopp, que ninguém é de ferro. Um não, vários, se não fizer falta pra casa, por favor, já dizia meu digníssimo. Alguém me disse que Norma voltou ao hotel; algumas outras meninas ficaram dando uma voltinha na cidade, outras procuraram barzinhos para ficar. O grupo em que eu estava foi para o Bar do Tom, acho que era esse o nome. Lá pedimos uns petiscos e falamos da noite inusitada. A conta não vinha nunca – assim como o filezinho que pedi - o pessoal ainda teve que matar o boi, coitados! Voltei para o ônibus com Gracinda e a galera veio logo em seguida, assim que a conta chegou. Esse foi nosso sábado.

Domingo de manhã, aquela coisa tristésima de tomar um café da manhã cheio de guloseimas se repetiu e, após, Café concerto na igreja apresentando “Divinos Versos”, uma seleção pra lá de especial. Em toda a longa carreira literária de Cris e Dília elas nunca tinham se apresentado numa igreja e eis que duas novas revelações acontecem. Só que isso eu vou deixar para a terceira parte, ok?

Um comentário:

  1. Ai meu Deus, cada a parte III? Cara eu perdi tuuuuuuuuudo isso, eu gostaria de ter visto as caras e bocas da criatura. rsrsrsr

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