CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

28 de outubro de 2013

CLIc 15 anos: viagem a Conservatória dá o que contar

Participantes: Cristiana, Dília, Angela, Ceci, Celia, Claudia, Elenir, Elizabeth, Eloisa, Gracinda, Maria Helena, Marise, Newton, Niza, Norma, Sara, Sonia Lopes, Sonia Maria, Regina, Rita, Rose T., Vera Lucia, Vera Leite e Zezé

(Parte I)

Há muitos dias já estávamos no clima do passeio, arrumando as maletas de viagem, selecionando trechos de livros muito queridos, preparando o espírito para Conservatória. E não é que o Murphy deu um sossego? Tempo bom, ninguém se atrasou para os pontos de embarque, nem em Icaraí nem no Rio, mas ele, ele sim, ó intragável trânsito nosso de todos os dias, não perdoou a sexta-feira. Um engarrafamento e mais uma paradinha que virou uma paradona atrasaram nossa viagem. Da saída às 15:35h do Rio chegamos à pousada Araris perto das 20h, já atropelados pela programação do primeiro dia dos finalistas ao Festival de Poesias na Igreja Matriz de Santo Antônio.


E, para não contrariar o ditado que diz que ‘há males que vem para bem’, foi isso mesmo que aconteceu (mais à frente você vai entender porque, he he he). Não deu para pegar o primeiro dia do concurso, ma uma bela surpresa de Cris e Dília enfeitou nossa noite, com o show exclusivo do seresteiro Quinani para nós, enquanto sorvíamos deliciosos caldo verde e sopa de ervilha - Ah, por que foi que não levei a máquina fotográfica para o restaurante da pousada ? A fome, a fome quando não mata cega a gente. Cruz credo.

Após aquela seresta maravilhosa, que nos explicou a origem do nome Conservatória e a história da cidade enquanto eternas canções eram puxadas pelo nosso cancioneiro-mor e cantadas por todos nós, o grupo se dividiu entre os que preferiram ficar na pousada e os que ainda tinham pique para uma seresta pelas ruas da cidade. Isso já era 22h e varada.

(espaço para o relato de uma dessas animadas companheiras porque euzinha fui é pra cama).

Dia seguinte, aquele café da manhã do qual você se arrependerá durante toda a semana enquanto pensa nos bolos de aipim (hum, divino), de banana, de fubá, no sonho, pães e biscoitos diversos que você simplesmente não conseguiu deixar passar, fora é claro os sucos, café com leite, fruta, queijo, presunto etc e tal.


Mas, para não dizer que não falei de flores, digo, de silhueta, você vai toda animada fazer a aula que Norma preparou com carinho e dedicação. E se surpreende logo na chegada, onde é convidada a ficar sobre uma folha de jornal. Não sabia que meus pés tinham tanta versatilidade. Calcâneo (aprendi, mestra?), peito de pé e artelhos trabalharam e a folha que era lisinha ficou completamente amarfanhada, até virar uma bolinha que os dedinhos tinham que capturar. Mas isso era ainda pouco, pior foi depois desamassar tudo com as laterais dos pés e ainda rasgar e juntar. E isso só para os pés, pessoal. Professora Norma deu ordem de despertar para todo o corpo, braços, pernas, coluna, abdômen, caminhada de reconhecimento do lugar do outro, ligeiras massagens entre os companheiros, posturas sentadas, em pé, tudo animado, divertido e funcional, e para fechar, um relaxamento ao som de belas palavras da mestra.

   
Fotos "Despertando o corpo" gentilmente tiradas por Gracinda

Então fomos para a cidade porque mulher que se preze (e homens também) não dispensa umas ‘compritas’, não é mesmo? Retornando ao hotel para almoçar, um tempero caseiro desses de comer e repetir - sabe como? - , nos esperava quentinho. Hum, delícia. Depois, houve quem se animou para ficar na piscina vendo o sol brilhar, e até mergulhando - não é mesmo Ceci? 


A mim e a maioria, no entanto, a preguiça chamou mais alto. Uns e outros até perderam a hora da dinâmica da Gracinda, nem vou falar o nome da Adelina pra ela não ficar chateada, ô mulher boa de cama, sô. Olha o roto falando do esfarrapado, porque eu e Newton chegamos bem atrasadinhos, tínhamos entendido que começaria às 16h, mas que nada, a gargalhada já rolava solta no salão quando chegamos, felizmente a tempo de ainda ganhar um cartãozinho, só que três felizardos ficaram com cinco e outros ainda com quatro cartões (a dinâmica envolvia frutas, animais e flores e você ganhava um ponto quando conseguia tirar do saco um cartão correspondente ao que tinha escolhido, a cada rodada). Todos esses tiveram direito a escolher como brinde um dos livros doados pelo CLIc quando começamos as brincadeiras coletivas, lembram?



Na sequência, e acompanhados por bolo, chá e café, foi a vez do Sarau FLIC, onde os participantes levaram trechos de  livros muito queridos para partilhar junto ao grupo: Vinícius de Moraes, Cristóvão Tezza, Mia Couto, Amós Oz, Ivan Goncharov, Adélia Prado, Fernando Pessoa (você não achou que ia ficar de fora com a Dília lá, né?) e muitos outros autores preciosos nos acompanharam nesta tarde adorável.

Sabe que logo em seguida fomos comer de novo? Não é brincadeira não, mais caldos quentinhos porque afinal tínhamos que assistir ao Festival de Poesias. E aí foi uma coisa assim... como dizer? Daquelas que fazem você lembrar de Salvador Dali? É, para mim surreal foi a palavra. Depois, em troca de comentários diversos sobre o evento - que rolaram até a chegada em casa -, muitos acharam que foi assim ... didático, sob o ponto de vista antropológico e cultural.

Quer saber como funcionam as coisas em uma cidade do interior onde o pessoal todo se conhece? Vai lá no Festival que você vai ver. Muitas homenagens daqui e dali, presentinhos para os júri, presentinhos para a apresentadora, para o marido da apresentadora, para a viúva do homenageado, para a amiga da viúva, e todos com direito a discurso. Tá bom ou já chega? Ah sim, e tudo isso entremeado com músicas de seresta. Até agora, poesia que é bom... nada, mas vai piorar.

(Fim da primeira parte. Aguarde, momentos emocionantes vêm aí)


5 comentários:

  1. Ansiosa pela segunda parte! Ansiosíssima, aliás, pelo "estudo antropológico e cultural".
    Muito bom seu relato, Rita!
    Zezé

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  2. Ritinha!
    Para esta primeira parte, melhor é impossível. Aguardando "desesperadamente" um dos momentos altos de sábado à noite: a chegada da "realeza"...
    Abraços. dília.

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  3. Eita coisa booooooooa. No próximo espero que esteja mais livre e possa ir. Rita quero ler o restante, Conservatória 1, 2 3, 4 ....5 bjs

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  4. Excelente seu comentário, Rita! Não se esqueceu de nada. Aguardo ansiosa o restante. É muito bom recordar! É como se estivéssemos vivendo novamente tudo aquilo. Obrigada! Bjs.
    Elenir

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  5. O diário de Rita sobre o passeio a Conservatória é irretocável. Está tudo ali descrito, com humor fino, sensibilidade e poesia. Só poderia partir de quem tem alma de poeta. As organizadoras do evento, Dília e Cris, foram competentes, eficientes, dinâmicas, criativas e amorosas com todos. Formam uma dupla imbatível como guias turísticas. Tanta harmonia assim só pode ter surgido do trabalho que realizam à frente do Café Concerto, quando nos encantam com poesia e arte e de seu grande amor pelos amigos. Gracinda e Norma proporcionaram momentos de integração e relaxamento, indispensáveis ao entrosamento do grupo. Daí para frente, o clima de cumplicidade acentuou-se na troca de aprendizagens, de pensares e de olhares sobre o que cada um lê nos livros e no mundo. Maria Luíza e Elenir trouxeram troféus para o grupo, que se sentiu orgulhoso do talento das amigas poetas.
    A comemoração pelos 15 anos do CLIC não poderia ter sido realizada em local mais apropriado, sendo Conservatória a cidade das serestas e das serenatas. O clima agradável, noite estrelada, seresteiros cantando pelas ruas, tudo contribuía para lavar nossas almas sempre sedentas de fantasias e sonhos. Conservatória, com suas casinhas antigas, com cortinas de crochê e namoradeiras nas janelas, lojinhas e armazéns do jeito que sempre foi e sempre será, nos proporcionou momentos de paz, porque em Conservatória a vida passa lentamente, como os carros de bois e os trens, sem pressa para ir ou chegar. Conservatória, com seu artesanato, sua pinga e licores, seus festivais de poesia e de chorinho, onde se encontram a saudade e os amores, foi um bálsamo para nossos corpos fatigados da vida agitada e para nossos olhos esquecidos da contemplação do céu, dos passarinhos comendo no chão, dos bezerros pastando solenemente. Na Matriz de Santo Antônio, os Divinos Versos, tão bem expressos pela dupla Dília-Cris, nos conduziram ao sagrado e ao profano através da arte de se dizer poesia, acompanhados pelo belíssimo repertório da cantora Zezé, charmosa, afinada, arrebatadora. Será impossível esquecermos dos momentos mágicos vividos nesse passeio. Tanta afinidade e emoção vivenciadas só podem ser explicadas pelo que une essas pessoas: a paixão pela literatura. Obrigada por ter sido acolhida por este grupo especialíssimo. Vera Magalhães

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