CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

20 de julho de 2013

Sobre o livro "A Dupla Face do Baralho"

(por: W.B.)

"Estou aqui sentado na cadeira de balanço em frente à minha casa, nesta cidade de Santo Antônio do Salgueiro, esperando a morte." Assim começam as revelações de Félix Gurgel, criação do escritor Raimundo Carrero na novela "A Dupla Face do Baralho". Tal personagem narrador, aposentado, sozinho, esquecido por todos faz um balanço de sua vida.

A novela acaba sendo também uma dissertação sobre culpa, não só em seu aspecto religioso, mas também no social e político. Na juventude, Félix Gurgel foi levado a roubar e matar. Remorso e agonia o consomem não só no presente, mas também na é poca em que cometera os crimes. Tornando-se comissário de polícia, desenvolveu um lado cruel em sua personalidade, espancando, humilhando, subjugando as pessoas.

Gurgel, ao relembrar toda a sua triste existência, tece uma narrativa em que os acontecimentos não seguem a ordem cronológica: uma lembrança atrai outra, e os fatos – muitas vezes – começam a ser contados e, antes da conclusão do episódio, se passa para outro fato, podendo depois retornar um acontecimento inicial ou um terceiro. Aos poucos vai se formando o ambiente, a história, os personagens, a cidadezinha de Santo Antônio do Salgueiro, os pensamentos sobre castigo e culpa.

No fim, quando se sente o quadro completo, a agonia da culpa, o peso dos pecados, o destino, tudo isso impulsionando o texto ao ápice da dramaticidade, a novela chega a seu desfecho com chave de ouro.

A DUPLA FACE DO BARALHO (CONFISSÕES DO COMISSÁRIO FÉLIX GURGEL), novela de Raimundo Carrero, 117 páginas. Editora Francisco Alves. Disponível em sebos.

(RAIMUNDO CARRERO AINDA NÃO FOI DEBATIDO NO CLUBE DE LEITURA ICARAÍ)

Um comentário:

  1. Winter, excelente indicação. Espero que entre em votação para a próxima leitura. Parece-me que geraria ótimas reflexões.
    Parabéns!

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