CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

10 de setembro de 2013

Relembrando: Pequenos Amores - Gracinda Rosa



"Voltou a chover. O pessoal estava cansado. Eu estava cansada e feliz. O grupo caminhava agora pelo meio das nuvens que, ao se movimentarem, passavam por nós, chegando a nos envolver completamente. Ninguém via ninguém. Depois, parecia que uma fumaceira saía de nossas cabeças, dos braços e das pernas, por todos os lados.

Eu e Alan íamos um pouco atrasados e, no meio do nevoeiro, não podíamos ser vistos pelos demais. Escutei Felipe gritando:

- Rosa! Onde está você?

Respondi, também gritando:

-Estou nas nuvens!"

Nas nuvens, em viagem à Teresópolis, tomando a barca da Praça XV para Niterói. Num passeio pelas areias da praia de Icaraí, para mostrar quem ainda não conhece a cidade a baía de Guanabara. Subindo o morrinho que Leva à Boa Viagem; caminhando muito e chegando ao Gragoatá, onde nos sentamos em um banco da pracinha. Ah! ...é com imenso prazer que somos apresentados ao mundo de Rosa e seus pequenos, médios, grandes e "extra large" amores. Lilo, Mauro, Martim Afonso, um querido trocador, Marcelo, Vicente, Renato, Eduardo, Edson, Alan, são personagem de "Pequenos Amores", ‘obra que nasceu da saudade’. ‘Composição da mulher e da escritora’: Gracinda Rosa.

“A senhora sente saudades?
‘Sim. Saudade de todos os meus amores. Saudade é presença’.”

Dona de uma rica história de dedicação ao magistério e ao estudo, mestra em psicopedagogia, hoje professora aposentada; desde dezembro de 2009, Gracinda Rosa da Costa ocupa a Cadeira no. 31 da Academia Niteroiense de Letras. Honrados, por termos a sábia acadêmica ao nosso lado, sentimo-nos presenteados pela convivência com a pessoa, Gracinda (Cindinha, para os mais íntimos). Serena, de personalidade modesta, Gracinda é dona de uma conversa agradabilíssima, e juventude adorável.

“Conversar com Gracinda Rosa é desvendar e surpreender a criança interior”

Conversar com Gracinda é aprendizado, é viajar com ela, no tempo, nas prateleiras de centenas de livros, nas memórias de cadernos, é estar nas nuvens! O tempo passa rápido!

“Um sonho: ler todos os livros que tenho!”

E são muitos! Fluente na leitura e na escrita, ler Gracinda é como ouvi-la. Uma escrita delicada e feminina. Segundo a autora, "Pequenos Amores" foi escrito com simplicidade e alma. Vale aqui lembrar a frase de Carlos Ruiz Zafón, em "A Sombra do Vento":

“Cada livro, cada volume que você vê, tem alma. A alma de quem o escreveu, e a alma dos que o leram, que viveram e sonharam com ele.”
Sabemos que quando se discute um livro em grupo, a verdade na frase acima é notável. Ao ler "Pequenos Amores" refletimos então sobre os significados de nossos próprios amores: os amores de infância, amores platônicos, não correspondidos, passageiros, impossíveis, apaixonados, amores maduros...

"Pequenos Amores" foi o primeiro livro publicado pela autora. Ao terminar a leitura, sentimos falta de um volume II, III, IV. Afinal a vida é cheia de amores. E não haja dúvida que no coração da autora há sempre espaço para mais.

“Vamos fingir que é até logo, que eu vou e volto...

Eles tomaram um táxi e se foram. Dentro de mim, o vazio. Muita dor no coração. Eu não queria chorar, mas não pude evitar as lágrimas que teimaram em vir prestar solidariedade à minha dor. Eu pensava, enquanto retornava ao edifício, naquelas palavras escritas em um papel amassado, rabiscadas por cima, mas nem por isso menos verdadeiras: ‘the impossible is impossible’.

No elevador, limpei bem as lágrimas.”
"Tenho acompanhado algumas colocações, de passagem ou aprofundadas, sobre esses discutíveis "Pequenos Amores", e ora me coloco na posição de mera componente do Clube de Leitura, ora me vejo na posição de autora, que tem que estar sempre preparada para encarar a crítica sobre seu livro. Como leitora de mim mesma, estou encantada com as opiniões, com as conclusões tiradas por uns e outros e até com as hipóteses levantadas sobre a existência ou não da Rosa. Mera ficção? Como autora, não posso antecipar certas respostas, que só deverão aparecer na reunião, ... Certamente, teremos muito que falar sobre esse tema. É verdade que esses "Pequenos Amores" do livro só foram pequenos na duração. Talvez o melhor título para o livro pudesse ter sido: "Pequenos Grandes Amores".

Está aberta a temporada de "Pequenos Grandes Amores", com Gracinda na berlinda!



MÚSICA: NO ONE NEEDS TO KNOW – SHANIA TWAIN

3 comentários:

  1. Evandro, que bela postagem! Todos os posts sobre os livros que Clube vem lendo são ótimos. Mas este "nos leva às nuvens"! Parabéns, pelo belo trabalho no blog.

    Antonio R

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  2. Foi uma excelente reunião a deste livro. Muitas mulheres lavaram a alma falando de forma indireta de seus amores, seus diários. Do amor ao Amor. Cobrimos nossa autora com o carinho que ela merece e sabe tb distribuir. Fizemos uma entrevista com ela e matamos muitas curiosidades.Obrigada, Gracinda, por fazer parte de nós! Tudo azul!Bela noite!

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  3. "Pequenos Amores" de Gracinda Rosa tem dois recordes no nosso clube de leitura: foi o primeiro livro de contos lido no CLIc e foi também o primeiro livro de autor do clube que debatemos. Depois dessas inovações, muitos encontros memoráveis ocorreram de congraçamento entre leitores e autores do Clube de Leitura Icaraí. Que venham muitos outros!

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