CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

1 de junho de 2013

Sugestões de Leitura (BEL-CLIc nº 002 de 31/05/2013)


Niza Monteiro: Angústia, de Graciliano Ramos

"Vou indicar o livro “Angústia”, de Graciliano Ramos. Como o autor será homenageado na FLIP 2013, minha sugestão é que seja lido pelo CLIC. Saiu recentemente uma edição especial desse livro para comemorar os seus 75 anos. Imperdível, pois além do texto integral do romance, o livro reúne ainda uma coletânea de textos veiculados na imprensa desde seu lançamento. Esses textos permitem visualizar o espanto do leitor frente à densidade psicológica do personagem e a lenta assimilação do romance à época. Também me parece impossível ler “Angústia” sem traçar paralelos entre Graciliano e o existencialismo, além da forte influência de autores como Dostoievski, Thomas Hardy e Julien Green. Estou surpresa e encantada pela forma como Graciliano consegue uma articulação narrativa tão perturbadora e peculiar para falar da intempora-lidade do drama humano"
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Joana Lapa: Vozes do deserto, de Nélida Piñon

“Indico "Vozes do deserto", de Nélida Piñon. Considero Nélida a mais erudita das eruditas autoras brasileiras. Carioca, de ascendência espanhola (galega), Nélida possui uma enorme paixão e respeito pela língua portuguesa. Ao escrever manuseia o vernáculo com tal habilidade que consegue realizar maravilhas com sua escrita. Em 2005, foi agraciada com o Prêmio Príncipe de Astúrias da Letras onde seus concorrentes foram Paul Auster, Philip Roth, Amós Óz e outros tão ilustres quanto. Gostaria que dedicássemos um pouco de nosso tempo para conhecermos melhor esta autora nacional que já foi inclusive presidente da Academia Brasileira de Letras. Nesta obra, Nélida vai buscar na personagem Scherezade, conhecida através das histórias das Mil e uma Noites, um mergulho no universo feminino. Creio que seja uma leitura fascinante.”
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Carlos Benites: Conversa na Catedral, de Mario Vargas Loosa

"Indico "Conversa na Catedral", de Mario Vargas Llosa. Considero esse livro como a melhor obra de Llosa. Já tinha lido Pantaleon e as visitadoras, e gostei, quando vi na revista do Círculo do Livro que havia dois livros do Llosa: Tia Júlia e o escrevinhador e o Conversas no Catedral. Para minha sorte o vendedor tinha os dois em mãos e não perdi tempo e levei-os. Comecei logo pelo Conversas e sua leitura me arrebatou. Sua narrativa era totalmente diferente, inclusive dos outros livros do Llosa, totalmente fragmentada, com quebra entre tempos e personagens, entrelaçando diálogos de forma magistral, tendo como pano de fundo um Peru e uma fase de sua história que faz com que toda a América Latina se veja nas conversas de Zavalita com Ambrosio. Por fim, esse livro pode ser encontrado facilmente no Brasil com dois títulos: "Conversa na Catedral" e "Conversa no Catedral". A mudança se dá porque Catedral é um bar. Mas o título original em espanhol coloca no feminino."
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Maria Jose: A lebre com olhos de âmbar , de Edmund de Waal

"Gostei muito desse livro que narra a história da família do autor.
Tudo começa quando um antepassado do autor/narrador, um colecionador de arte no século XIX envia a um primo, uma coleção de netsuquês de presente de casamento. Já no século XX, Edmund de Waal herda de seu tio-avô, a tal coleção.
As miniaturas japonesas chegam ao Japão e finalmente às mãos de Edmund. Os netsuquês fascinam o ceramista e o impulsionam a buscar - e contar - a sua história.
Viaja para a Europa em busca das construções empreendidas por seu antepassados e das relações travadas entre eles e a sociedade na qual a família vive sua fascinante história - da ascensão como banqueiros à queda e ao esquecimento provocados pelo advento da Segunda Guerra Mundial e a anexação da Áustria. São essas memórias que ele vai narrar no livro, numa prosa cativante. O livro é muito bacana, os personagens são figuras muito interessantes, a narrativa é, como disse, cativante."
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Ceci Lohmann: 1934 , de Alberto Moravia


"Eu indicaria um livro do Alberto Moravia (1907-1990), que considero uma óbra prima..."1934". Só o começo já diz tudo: "É possível viver no desespero sem desejar a morte? Resumo...Na Itália fascista,o jovem intelectual Lucio busca a melhor forma de conviver com seu desespero, procurando não sucumbir ao trágico desfecho do suicídio.
Num balneário em Capri, conhece Beate, atriz alemã casada com um oficial nazista, jovem aparentemente tão desesperançada quanto ele.
E entre os dois tem inicio uma estranha história, em que amor e morte surgem como as diferentes faces da mesma moeda. Considero Moravia um grande escritor e li muito dos seus livros.
Se um dia for lido pelo Clic, tenho certeza que será marcante como obra literária."
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Cyana Leahy: Solstício de inverno, de Rosamunde Pilcher


"Sugiro SOLSTICIO DE INVERNO, que traduzi para a Bertrand. Só traduzo as obras que eu gosto, a editora Bertrand sabe disso. Essas 640 páginas foram traduzidas em tempo recorde, dado o meu interesse crescente na história. Outra obra importante, cuja leitura sugiro, é 'DEZEMBROS SELVAGENS', de Edna O'Brien, escritora irlandesa que teceu elogios públicos à minha tradução, por eu ter incluído todas as explicações necessárias sobre a Irlanda, desconhecidas da maioria do público brasileiro - como boa filha de irlandês. Em CONTOS TRADICIONAIS IRLANDESES (Franco Editora), mostro as 'heroínas irlandesas', que montam seus cavalos alados para conquistar seus príncipes, fora da Ilha. É muito interessante. Recebeu o Ireland Literary Exchange de 2005, do governo irlandês."
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2 comentários:

  1. estou maravilhada por conhecer mais este espaço..so vc mm Rita com suas ideias...bjs ceci

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    1. Ceci, vc é uma grande incentivadora. Sei que será impossível lermos tudo que os participantes do CLIc sugerem nas reuniões do clube, ou pelo menos vai demorar muuuito tempo, mas isso não é o mais importante. Acho legal podermos falar das nossas preferências literárias e com isso despertarmos em outros companheiros a vontade de ler os mesmos livros. Só essa sensação cria uma sintonia, uma vontade de partilhar saberes e emoções que, acho, são super agradáveis. E ainda podemos trocar impressões com quem sabemos que já leu o livro. Então vejo como mais uma possibilidade entre tantas de grato convívio que este clube nos traz. Abraço carinhoso.

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