CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

21 de fevereiro de 2016

CIRANDA: Elenir Teixeira





Luar atrevido!

Invade meu quarto,

não pede licença,

cobrindo de cinza

meu corpo quebrado, 

meu fogo apagado,

me leva de volta 

a antigos luares...

“Terezinha de Jesus de uma queda foi ao chão...”


Crianças tão puras! 

Alegres, felizes,

abriam a roda, 

cantavam a rodar.

Ouvido de longe, 

envolto nas cinzas,

seu canto era reza, 

rezada ao luar.


Dispersaram-se os meninos ...

Pai Francisco também foi 

carregando o violão.


Sozinha no seu rochedo, 

sem condes, nem generais,

a viúva chora em vão.


Ficaram murchas as rosas 

que foram belas um dia,

e a mão direita vazia.


A mineirinha de Minas, 

faceira em seu rebolar,

para viver rebola agora.


Costurando essas lembranças,

fecho meus olhos cansados...

Novamente se abre a roda

e a ciranda continua:


“Ciranda , Cirandinha, vamos todos cirandar ...”

Ah, se eu pudesse dar meia-volta!...







“Eu sem você sou só desamor. 
Um barco sem mar, um campo sem flor. 
Tristeza que vai, tristeza que vem. 
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém...”  

(Vinicius de Moraes)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Prezado leitor, em função da publicação de spams no campo comentários, fomos obrigados a moderá-los. Seu comentário estará visível assim que pudermos lê-lo. Agradecemos a compreensão.