CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

20 de novembro de 2012

Indicações de Livros Autor Nacional para Março de 2013

Benito indica:

"Diário da Queda" foi indicado para o prêmio Portugal Telecom e  Michel Laub  é um autor jovem. 

Falando agora pelo Benito, acho que ele gosta de indicar autores jovens porque nos proporciona o aprendizado de como acontece a gênese do estilo do escritor, sobretudo para quem segue o mesmo caminho.







Carlos Rosa indica:

Chico Lopes foi um dos vencedores do Jabuti deste ano com o livro "O estranho no corredor", ed. 34. É uma novela ou mesmo pode ser considerado um romance curto. Chico concorreu também e foi um dos dez finalistas do São Paulo Literatura, um prêmio de grande importância que lançou, entre vários outros, Tatiana Salem Levy. Chico é um excelente artista plástico (pintor), tradutor de grandes editoras e um papo excepcional. Se vencer, posso tentar trazê-lo a Niterói. Tem  livros de contos publicados e elogiados por, por exemplo, Affonso Romano e Loyola Brandão. Affonso Romano o classifica de "excelente contista". Tem um livro de memórias. Seria ótimo se vencesse no CLIC.

Um grande abraço."






Cintia indica

Para a próxima votação gostaria de sugerir "Infâmia", de Ana Maria Machado. É um livro bastante interessante. Como o próprio título sugere, a autora aborda uma característica  comum ao homem: a calúnia, a difamação, o ato de distorcer palavras ou ações de terceiros pelas razões mais diversas possíveis (obter atenção, sentir-se dono da razão, ou em casos mais graves, obter algum favorecimento em forma de poder, projeção social, bens materiais, etc. Existem inúmeros casos, que vão dos mais inocentes à pura maldade).

Acredito que o tema dê margem a boas discussões, visto que sua abordagem é ampla. A história da humanidade é rica em casos infames que antecedem os tempos bíblicos. A política é abundante em escândalos deste gênero. E não só homens públicos, mas cidadãos comuns, independente da classe econômica e nível cultural, ou seja, nós, podemos ser testemunhas, vítimas ou autores de ações levianas e julgamentos apressados de terceiros.

Ana Maria Machado é inteligente, crítica, atuante, ponderada e apresenta ao leitor muito mais que a argumentação moral. Ela estimula a reflexão, a deixar o mundo da ficção, a cegueira, e enxergar a realidade (“ser capaz de não me excluir do real ao ser intruso no fictício”).

"Gosto muito de ser intruso assim. Junto a cada um. Com suas razões próprias. Uma oportunidade de tentar entender melhor a natureza humana. Sempre gostei.

Como posso ter me perdido tanto, ao ponto de não ter conseguido fazer isso com minha filha? Só porque não era um personagem feito de palavras?"

O livro apresenta ainda mais. Ao longo da narrativa a autora brinda o leitor com arte na forma de música, pintura, escultura e principalmente literatura. Muita literatura, com belíssimas citações, que estimulam nossa curiosidade e nos fazem aprender mais sobre o mundo, o Brasil e, em particular, a cidade do Rio de Janeiro e sua cultura.

Infâmia é um livro atual, popular, intelectual, brasileiríssimo. Uma leitura que faz diferença. Além disso, o tema e estilo fogem do que temos lido e dos livros que estão na lista de leitura. Acho que seria bem legal lê-lo com o Grupo. Como eu havia comentado no último mês, há tempos estou curiosa para ler este livro, mas com a regra do revezamento valendo, só agora pude sugerir sua leitura. Deixo aqui a sugestão, torcendo para que mais gente se interesse e assim, quem sabe, possamos ler juntos em Novembro.

Sobre a autora:

A carioca Ana Maria começou como pintora e estudou no Museu de Arte Moderna. Participou de várias exposições, enquanto estudava Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde se formou. Ela desistiu da carreira de pintora e passou a dar aulas, além de escrever e traduzir artigos para jornais e revistas.

Ativista política, foi presa e perseguida durante a ditadura militar. Em 1969, partiu para o exílio na Europa. Lá, trabalhou na revista Elle, na BBC de Londres, lecionou na Sorbonne de Paris, onde conclui sua tese de mestrado sob a orientação do mestre Roland Barthes. Voltou ao Brasil em 1972 e trabalhou no Jornal do Brasil e, durante sete anos, foi chefe de reportagem da Rádio JB.

Em 1980, Ana Maria deixou o jornalismo para se dedicar exclusivamente aos livros.”

“A escritora recebeu alguns dos mais importantes prêmios da literatura, como o "Jabuti", em 1978; o "Casa de las Americas", em 1981; e, no ano 2000, o prêmio "Hans Christian Andersen", considerado o Nobel da literatura infantil.” Em 2001, recebeu o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto da obra.

“Desde 2003, ela pertence à Academia Brasileira de Letras, tornando-se primeira imortal eleita com uma significativa obra dedicada ao público infanto-juvenil.” Em 2012 tornou-se presidenta da Academia.




Winter indica:

Amigas e amigos,

Para nosso encontro de março de 2013, sugiro o romance "Recordações do Escrivão Isaías Caminha". Na minha opinião, é o melhor livro do escritor Lima Barreto. 2011 fez de 130 anos do nascimento do Lima e neste 2012 completaram-se 90 anos de sua morte, sendo que pouco se falou nele.

Jorge, que recentemente se reuniu a nosso clube, tem um trabalho acadêmico específico sobre "Recordações do Escrivão Isaías Caminha" e a reunião de março seria uma ótima oportunidade para ele partilhar com a gente seus conhecimentos sobre o assunto.

Pensem com carinho na sugestão, valeu?

Um abraço e boas leituras,



(Envie-nos sua indicação com a resenha do livro. Manifeste seu apoio nos comentários desta postagem)


3 comentários:

  1. Embora eu aprecie todas as sugestões, manterei-me fiel à "Infâmia". Teve bastante votos da última vez, o que significa que um bom contingente deseja lê-lo. Acho que se for a voto mais uma vez e não vencer, isto será uma infâmia!!!

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  2. Aproveito para compartilhar uma visão que, penso, traduz o espírito da discussão sobre a "cota" de livros nacionais em nossas leituras: trata-se de cota mínima, não cota máxima. Então, nada impediria que, eventualmente, se poderia optar por um autor nacional a qualquer tempo, em qualquer mês, além dos 4 já garantidos anualmente.

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  3. Do jeito que está será sempre 6 livros de autores nacionais por ano. De fato, nada impede que esta regra seja modificada. Ela poderia, inclusive, ser aperfeiçoada. Poderíamos estabelecer leituras regionais, nacionais e estrangeiras, de forma que cobríssemos todo o planeta ao longo de um ano, com leituras as mais diversificadas possíveis. Isso exigiria um grupo pensando e sistematizando o CLIc, propondo direcionamentos. Esse grupo poderia ser eleito democraticamente uma vez por ano. Vamos eleger nossos representantes?

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