CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

6 de março de 2012

NÃO BASTA O NÃO



Cristiana Seixas
O bastão da fala que idealizei para representar a obra "Equador", na reunião realizada dia 02 de março, foi a bandeira contra a escravidão

Foi muito significativo para mim elaborá-lo pois descobri que isto resume minha ação profissional e pessoal.  Entendi porque fiquei tão impactada pelo livro e pelo personagem.  Como psicóloga clínica, liberto de. Como Coach, liberto para.  

Percebo inúmeros tipos de escravidão nos rondando, independentemente da época ou localidade. Umas mais evidentes e absurdas, outras sofisticadas, como dizer sim quando se deseja dizer não, em nome da inclusão social.

É necessário primeiro libertar na mente - sinto que a biblioterapia, os clubes de leitura têm ajudado nisto - compartilhar formas diferentes de olhar e ter permissão de interpretar diferente, sonhar, imaginar e agir apesar do que foi construído desde a infância.

O mastro da bandeira é uma caneta - para lembrar que não focar somente do que não deve ser, mas ser capaz de escrever uma nova história, ser autor, protagonista da maior das mudanças: de si mesmo.  Por isto, durante a reunião, mencionei um fragmento do que o concierge escreveu:

"A eterna ilusão de que partir resolve nossas questões: fuga de si, de Matilde, da sua consciência ... Incompetência real."

Tem razão!

Dostoievski já falava do "fardo da liberdade".  É muito mais confortável ser um crítico de poltrona e ter inúmeros para culpar.  

A escravidão parece estar entranhada dentro de nós.


30 comentários:

  1. Bravo, Cristiana. Gostei muito da alegoria do bastão. Como você, acredito que as leituras são libertárias; pensamos, refletimos, debatemos, e assim temos mais chances de efetivamente nos darmos uma oportunidade real de sermos protagonistas de nossa própria história, com h, e assim mudarmos, para além de dizer não.

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  2. Muito bom, Cris! Parabéns! A ideia da bandeira foi ótima, bem elaborada e super adequada ao tema e aos nossos sentimentos libertários.

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  3. Como dizia Érico Veríssimo, em uma passagem de "Um Lugar ao Sol", adaptando de memória: se traçarmos um círculo de giz em torno de um peru, ele achará que está preso...
    Será que não somos um pouco perus também? E nossas prisões meros círculos de giz? Às vezes me assusta este discurso libertário humanista mais para o politicamente correto banal, a liberadade se conquista...e, mais ainda, o que é a liberdade? o vazio dos vazios, certas "prisões" fazem a vida valer a pena (são a própria vida), não o vazio...
    Como dizia Camões, às vezes é interessantíssimo estar-se preso por vontade, ter por quem nos mata lealdade, servir... não há nada de errado nisso...é um jogo, das paixões, da vida, ninguém é realmente livre e talvez isto seja bom, por que não?
    Bem, respeitando todos posicionamentos, mas apenas me manifestando e registrando que há outras ópticas, às vezes sinto que estes discursos panfletários "humanistas" caem no lugar comum, na tautologia e, assim, em certos aspectos, podem ser mais nazo-fascistas que outros, associados, aí coloco com ironia, ao "livre" pensar!!!
    Abraços.

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    1. Provocantes reflexões Sr. Anônimo. Lembrei de um trecho de Clarice Lispector no livro Correspondências: "devemos ter muito cuidado ao eliminar um defeito pois nunca se sabe qual deles sustenta nosso edifício inteiro." No meu trabalho com a biblioterapia justamente vibramos ao ouvir uma leitura totalmente diferente da nossa - isto engrandece a existência. Obrigada por seu ponto de vista. Pensando bem, há máscaras escolhidas que dão sentido e sustentação à vida e, sim, nos identificam. Não falando pelos outros, mas compartilhando o meu mundo, quero a liberdade e luto MUITO por ela. E vejo que não sou só eu. Há até quem esconda o nome para ter a liberdade de se expressar sem rótulos... Que não só o pensar, mas o falar, escrever e agir sejam "livres" também. Se isto faz cair num lugar comum, na minha leitura, não há nada de errado nisso!

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  4. Cristiana, apoio integralmente seu texto. Simples, universal, não-político, não-panfletário, não-sectário, como o são às vezes os discursos de quem acha que a vida e a sociedade andam bem assim como estão, e que o que se encontra de errado é assim mesmo, devemos aceitar e conviver com essas "prisões". Fico com Cecília: "Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda." E com você, é claro.

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  5. Tão sócio- historicamante datado, tão iluminista, tão ocidental... tão tacanho e fechado para outras realidades este olhar...tão pouco livre e tão intolerante e fascista com diferentes opiniões...

    Mas tudo bem, divirto-me, não estou nem um pouco preocupado em ganhar contenda nenhuma, nem de fato via esta discussão com este juízo de valor; aceito a diversidade de opiniões e o fato de não ser dono de razão alguma, retomando Camões e minha ironia, eu cuido que se ganha em se perder!!!!!!

    E, para colaborar com o rol de citações que parecem ser usadas a bel-prazer fora do contexto e forçando a falarem aquilo que nunca quiseram falar, em benefíco inescrupuloso de opiniões não de seus autores originais, barbarizadas e violentadas ("escravizadas", quiçá?) eis aqui mais uma: "Esta noite, sonhei com a realidade. Como me senti aliviado ao despertar!" (Stanislaw Lec)

    Abraços fraternais, igualitários e libertários!

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  6. E mais, oportunamente citando Fernando Pessoa em seu "Livro do desassossego": "Porque é bela a arte? Porque é inútil. Por que é feia a vida? Porque é toda fins e propósitos e intenções."

    Seguindo esta máxima e daquele outro líder e filósofo, tento fazer de minha vida uma obra de arte, vivendo e me relcaionando com paixão, sem toda hora buscar sentidos ocultos como funda a psicologia.

    Mesmo porque, só são tão ocultos porque inexistem, e que bom que seja assim, para mim, claro, pois creio que a imanência transcenda a essência, sempre, até nesta salada sem sentido argumentativo e fraca filosoficamente, não é minha intenção usar de silogismos mesmo, nunca.

    Enfim, amo este paradoxo sem solução e mesmo esta nossa rica discussão, por ela se dar, nada mais, sem chegar a lugar algum, espero que meus copartícipes vejam também a mesma graça irradiante neste jogo, pois é o que é: um jogo, bonito por ser jogado.

    Abração fraternal e agora não irônico, por isso nada igualitário nem libertário, pois não creio nisso.

    PS: a graça do oculto está justamente em permanecer oculto, é o mistério que esconde que não é misterioso de forma alguma, por isso permanecerei anônimo, distante deste ideal iluminista/positivista de tudo revelar, distante desta pós-modernidade do espetáculo, do se msotrar quando ninguém quer ver, do facebook e do big brother...nada mnais sem sentido...e libertário, que esses movimentos...mas também sem encanto algum, sem mágica, prefiro outros sem sentidos....mas claro, são escolhas estéticas de cada um, respeito...

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  7. Anônimo, qual é a tua bandeira? (conciergeclic@gmail.com)

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  8. Rs, bela pergunta, tirando a do meu time de futebol, acho que nenhuma, só gosto de trocas simbólicas e animadas com todos que forem interessantes, dá-me prazer, só isso. Instiga-me, gosto da vida, mas sem esse sentido humanista, vida em todos seus espectros e aspectos, inclusive o da morte, da sedução...

    Pode-se dizer que admiro muito algumas das tessituras filosóficas de Baudrillard e Pondé mas não quero ser rotulado também, por isso bandeira nenhuma, mas legal essa curiosidade; Vivá Pancho Villa! Vivá la revolución!!!! Claro, tou fora desta, mas acho tudo muito interessante e fascinante...à procura ainda de uma quinta via, que não sei qual é nem se deve existir

    Mas o paraíso está aqui na terra e não tem nada de materialista nele, viva o paradoxo!

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  9. Obrigado pelas sugestões, vamos considerá-las para futuras escolhas de leituras. Mantenha contato! Tua escrita parece com a de um autor que lemos no off-CLIc e cujo livro discutiremos numa sessão especial do clube de leitura na sexta-feira de lua cheia de Maio.

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  10. Anônimo, você é terrivelmente paradoxal mesmo. Enrola-se numa colcha de retalhos de pseudo-conceitos para taxar de fechado e fascista um texto inocente, e comporta-se justamente como fascista-sectário na defesa de idéias obtusas. E ainda diz que respeita opiniões e pousa de intelectual sofisticado. Viva o paradoxo... e a imanência!

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    1. Os paradoxos são fontes da vida. Gostei das questões levantadas pelo Sr. Anónimo. Realmente, somos levados a repetir para nós mesmos, frequentemente, algoritmos mentais na esperança de vencermos, sermos bem sucedidos, convencermos a nós mesmos que devemos ser de uma maneira e não de outra. Seguimos etiquetas, procedimentos, fórmulas de comportamento, adoptamos estratégias para o sucesso e recalcamos nossos instintos, intuições, aquilo que é genuíno em nós, perdendo de vista nossa espontaneidade. No longo prazo, tornamos-nos outro, estranhos a nós mesmos. Autómatos.

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  11. Sim, Evandro, não sou contra as questões levantadas, sou contra o mesmo fechamento de que o nosso Anônimo se faz crítico mas acaba também caindo em suas colocações. Se há respeito de opiniões que diferem das dele, que procure expressar da melhor forma possível as idéias em que acredita, sem que para isto seja necessário desqualificar o outro, atitude no mínimo deselegante da parte dele, eu diria. E o paradoxo é mesmo uma fonte de vida, veja Pondé, citado pelo nosso amigo - se é o Pondé que conheço - até outro dia era ateu confesso, agora é deísta e acredita que a filosofia do ateísmo é rasa. Vai entender, né?

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  12. Antônio, quanto às mudanças de Pondé,uma observaçãokkk:
    Por que não podemos mudar de opinião? Veja , disse um dia desses que era contra a violência, contra os linchamentos, mas poucos dias depois admiti que mataria as mulheres de um harém por ciumes.Todos podemos mudar, a fixidez é que é o grandee angustiante problema humano.Consulte Dília e F Pessoa!kkk
    Mas admito, impossível vida social sem algumas regras. Mínimas regras.
    Abraços

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  13. Não é minha intenção fechar nada, pelo contrário, como falei, longe de mim ser dono de qualquer verdade, só quero promover debates salutares e prazerosos, críticos, interessantes....e acho que convosco conseguimos isto neste espaço, haja vista a grande e animada participação...

    mas, caso alguém tenha se sentido ofendido, apesar de achar que sempre tenha me colocado de maneira elegante, mas se não soou assim em qualquer instante, dado que todos temos nossos recalques e a interpretação parte deles, da minha parte peço desculpas e ratifico que isto não partiu da intenção do emissor, em momento algum!

    Respondendo, sou mesmo paradoxal, sempre falei isto, acho lindo ser paradoxal...e, na minha opinião claro, todos somos, tanto que me propus a confrontar pensamentos que podem ter um viés totalitário, mas que se revestem de uma roupagem "libertária", no discurso pseudo intelectual... acabei sendo chamado também de pseudo intelectual...e tudo bem, pode ser, por que não? Não estou fora de nada, pelo contrário, bem dentro do contexto, mas gosto de me auto-questionar e questionar os outros, sem juízo de valor e peço desculpas caso isto tenha sido ofensivo, é que não uso de meias palavras, detesto o discurso hipócrita politicamente correto, mas tampouco quero ofender ninguém, é só um debate de ideias que, para mim, é riquíssimo.

    vejam bem, para me fazer claro, por mais que não goste de tamanha claridade, mas para não ser de novo mal interpretado, os discursos libertários podem ter este viés nazi- fascista que mencionei, não estou dizendo que houve, no caso, muito menos que, caso tenha havido, o foi de maneira consciente, tenho certeza que não, pelo contrário, a discurso ufanista mostra que foram colocados com a melhor das intenções; mas, como diria Oscar Wilde, "as piores coisas do mundo são sempre feitas com as melhores das intenções" (mas, pra mim, sublinhando, isto de "melhor" ou "pior" também não passa de um discurso vazio)...

    Abraços fraternais nesta nossa jornada argumentativa super aprazível,

    Ass: Anônimo.

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  14. É engraçado... O que pode levar uma pessoa a insurgir-se contra discursos libertários? Que tipo de auto-repressão é essa que necessita cortar os sonhos de liberdade pela raiz? Que estabelece de antemão que se trata de um discurso falso, que esconde o seu oposto (o nazi-fascismo, o totalitarismo)? Bem, nem mesmo todo o "enrolation" pseudo-intelectual consegue esconder o óbvio: combate-se o "libertário" porque se quer continuar "preso". Simples assim. O discurso libertário incomoda e manter-se dentro das amarras, mesmo as do giz no chão, talvez seja mais confortável (libertar-se exige esforço, pode doer e levar ao desconhecido...). Tanto é que nosso Anônimo chega a citar Camões para defender "certas prisões"... (Evandro, tens razão, a escrita lembra certo alguém, parece que ele é PM...). Vê-se, portanto, que o sr. Anônimo nada tem de paradoxal... Sinto muito, prezado, mas a sua frase "sou mesmo paradoxal, sempre falei isto, acho lindo ser paradoxal..." é por enquanto apenas um sonho, pois que tu és muito coerente! Para conseguir ser paradoxal de verdade, terá que se libertar de certas travas freudianas. Nada que o divã da dra. Cristiana não possa fazer por você. Boa sorte!

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  15. Olá, srs. debatedores!

    O Sr. Anônimo citou Camões, suspeito que ele seja a Sra. Eloisa!

    Se considerarmos que o que dizemos muitas vezes se originam em nossos recalques, não vejo motivo para desconsiderar a validade do que o Sr. Anônimo escreve. Nosso amigo oculto trouxe uma excelente oportunidade de debatermos as questões da liberdade, do servir voluntário, do anonimato, enfim, dessa pluralidade que é sermos humanos. Interessou-me, sobretudo, o fato de se usar o anonimato para expressar ideias que não são simpáticas. Fiquei com a impressão de que é muito mais confortável ser um crítico a partir do anonimato. O confronto de pensamentos é interessante, embora ele tenha surgido também fora do contexto original da postagem da Dra. Cristiana, que generalizou a questão da escravidão abordada no livro do mês “Equador” de Miguel Sousa Tavares. Entendi que o Sr. Anônimo, então, estendeu a questão da escravidão a seus aspectos subjetivos, daqueles em que muitas vezes nos debatemos interiormente, que existe um domínio da liberdade que independe da conjuntura social, que ser livre é antes de tudo discordar do óbvio, sequer se sentir obrigado a agir, e que o que seria o temor de se expor como pensando contra a corrente ainda é a liberdade de não querer demonstrar sua própria liberdade. É complexa a geografia dos valores que escolhemos em nossa vida. Onde termina a liberdade e começa a omissão, por exemplo? O que há de justo juízo e o que há de covardia quando nos omitimos em alguma situação que acaba definindo socialmente o que somos? Bom, acho que estou me enrolando um pouco porque preciso me sentir ainda um pouco mais livre para conseguir abordar essas questões candentes.

    Como é difícil pensar!

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  16. O sr. Anônimo escreveu "óptimo"... deve ser de Lisboa, ou do Porto... seria a sra. Dília?

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  17. Newton, não creio que seja Dília!
    O optimo deve-se talvez à contaminação da escrita portuguesa que tanto temos lido ultimamanete. Daqui a pouco vão em dizer que escrevo úmido errado, por exemplo, de tanto que temos lido húmido.
    Evandro, creio que há alguém querendo me incriminar ao citar Camões. São pistas falsas. Se eu fosse o anônimo.nosssa , barbarizaria, pois de cara limpa, já apronto!rsrssrsr
    Mas apoaindo alguns discursos vou citar algo que aprendi como amigos da GLIA:
    "A mentira do ideal foi até agora a maldição que pesou sobre a realidade, a própria humanidade se tornou mentirosa e falsa até o mais fundo dos seus intestinos, até a adoração dos valores opostos àqueles que poderiam lhe garantir um belo crescimento futuro..."...( ECCE HOMO-1888-Nietzsche).
    Bjs

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  18. Claro que eu também não creio, sra. Helentry. Creio que já acertei quem é lá atrás...

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  19. que legal, por isso que não quero me identificar, não quero rótulos e concordo com o Evandro, o único que parece que entendeu meu recado, mas, não faço apologias a sínteses hegelianas, muito pelo contrário....

    e na minha concepção isto que pode talvez ser chamado de "libertário", não me agrada esta palavra, por tudo que já foi impregnado nela de forma estranha a meus conceitos de liberdade. e que me causa ojeriza, mas isso sim é lidar com a diversidade - de tudo, não só de opiniões - aceitando-a como diversa, sem querer homogeneizá-la em lugares comuns, no politicamente correto.

    então já não mais diversa, e aí o nazi-fascismo, por isso que não creio que ninguém seja igual, mas, como o leitor atento de meus comentários percebeu, também não considero ninguém melhor ou pior, cada um tem suas armas no mundo e, bem nietzschianamente, acho que deveriam usá-las para se fazerem fortes....não fracos, coitadinhos, nada pior que ser objeto de pena, na minha concepção, claro, e muitas vezes este é o viés do discurso humanista....

    esse discurso de "igualdade" entre desiguais só gera rancor e ódio, e não trocas, que só as diferenças geram, por isso talvez tenha usado o termo armas de maneira equivocada, o melhor talvez fosse potências....e graça, como é encantador ser diferente!!!!!!!

    não me incomodo em que concordem comigo ou que discordem ou que entendam ou não meu recado, estou é achando um barato o quão efervescente está esta discussão, as tentativas sherlockianas para me identificarem -até agora equivocadas, mas que seja, rs, posso ser todos estes...e ninguém, um vírus, como sempre pedem pra digitar umas palavrinhas sem sentido para provar que não se é vírus, quem sabe eu seja um mais evoluído a esta "prova" - e todo contexto hilário e rico envolvido...

    A respeito de ser ou não paradoxal, acho que o paradoxo talvez esteja em eu não ser paradoxal, sendo que todos somos...rs....a verdade, que diferente da psicanálise sugerida, o discurso mais engana do que mostra, sendo que não tem nada de latente ou manifesto não, o discurso quer enganar e pronto, não só o emissor...

    Como já disse Jean Baudrillard em um aforismo adaptado, o discurso libertário é o mais sujeito a estas traições, pode-se dizer que é um absurdo em nosso século se apedrejar uma mulher no Irã, pela condição da mulher, pela vio lência contra o ser humano etc....mas também se pode dizer que é um absurdo um ocidental condenar uma tradição de anos de outra religião e prática cultural, que isso sim é violência, falta de respeito, etnocentrismo etc....ambos discursos libertarios, humanistas....e contraditórios....o que não se pode dizer é que, tirando o discurso pseudo-intelectual e seus blábláblás humanistas, as coisas se dêem e/ou possam ser interpretadas dessa ou daquela maneira....

    Por isso que apregoo a imanência acima de qualquer discurso e eu, por razões estéticas, não argumentos humanistas, prefiro o não linchamento, por saber que nem todos são assim contra o linchamento, não raro, principalmente os que se autodenominam "humanistas",mantenho o anonimato, para não ser linchado, ainda bem que nosso querido Evandro entendeu!

    Assim, regozijo-me com o debate, construtivo ou destrutivo, mas sempre amigável e enriquecedor!

    Abraços!!!!!

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  20. Eu gostei do texto da Cristiana, acho que entendo e concordo segundo certo ponto de vista (o tema do livro, o que já é complicado), mas, generalizando, vejo certa utopia aí. O que é liberdade? Isso existe? Liberdade para mim é, dentre outras coisas, símbolo da autonomia pessoal. O livre pensar e tomar decisões. Ninguém quer abrir mão da liberdade pois ela nos trás sentimento de independência e respeito próprio. Porém, uma das principais condições para a existência independente do indivíduo é sua responsabilidade pessoal por seus atos. A partir daí ele já deixa de ser livre no sentido amplo da palavra.


    Não me referindo ao texto da Cristiana (pelo pouco que conheço definitivamente não a vejo com este perfil), e portanto, levando a discussão para um foco diferente, existem sim, aos montes, pessoas que vestem e inflam com discursos aparentemente libertários, pregam igualdade, levantam bandeiras, militam, panfletam mas são encharcadas de preconceito, de intolerância, de fanatismo. Eu gostei e concordo com muito do que nosso(a) anônimo(a) diz, em particular com a frase:"às vezes sinto que estes discursos panfletários "humanistas" caem no lugar comum, na tautologia e, assim, em certos aspectos, podem ser mais nazo-fascistas que outros, associados, aí coloco com ironia, ao "livre" pensar!!!" Eu também às vezes sinto isso. Não se trata de se conformar com nossa sociedade e aceitar de bom grado tudo de nos é imposto. Ao contrário é perceber que certos discursos podem ser tão tolhedores (tão perigosos) quando o alvo de crítica deles. É o oito e o oitenta.


    Em relação ao anonimato, penso que assinar embaixo do que se escreve, é um bom exercício de autenticidade mas é fato que nem todos desejam exercitá-la (no próprio clube de leitura temos pessoas que insistem em usar fakes para expressar suas opiniões...). Felizmente o blog dá liberdade às pessoas de se manifestarem anonimamente e que bom que este(a) Sr(a) o faça de forma a trazer boas discussões. Discordar não é desrespeitar é mostrar que existem visões e realidades distintas.

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    1. Noto que faz-se uma confusão sobre o que significa "aceitar a existência de opiniões diferentes". Cai-se no equívoco de considerar a mesma coisa aceitar essas opiniões com o fato de não contestá-las ou (mesmo) combatê-las. Ou seja, é como se aceitar o diferente é deixar de criticá-lo. Não concordo. O sr. Anônimo tem toda a razão quando vibra com o debate suscitado. Este foi um resultado legal, fruto de sua opinião inicial. Que ele possa expressá-la, inclusive no anonimato, é fundamental. O anonimato, inclusive, em minha opinião, é a melhor das condições para a expressão de opiniões, basta notar que o voto é secreto. O anonimato só é repugnante quando é usado para ofender, o que não é o caso, obviamente. Mas, voltando ao tema, o fato de eu aceitar uma opinião diferente nada tem a ver com concordar com ela ou deixar de expressar a minha opinião contrária, também livremente. Então, falando claramente, embora não ignore que discursos libertários possam ocultar ideias retrógradas e práticas totalitárias, ainda assim não concordo com a generalização desse conceito e a consequente difusão do temor em relação aos discursos "libertários" em geral. Só a análise caso a caso, no contexto em que se dão, poderá nos orientar sobre a validade ou não desse temor. Claro, sujeito a erros, mas fazer o quê? Viver é errar, o importante é caminhar. Fincar os pés no chão, tal qual uma mula, por medo dos "discursos libertários" só vai nos fazer estáticos, socialmente e pessoalmente estáticos, estagnados, logo, conservadores. O discurso dos Estados Unidos para invadir o Iraque tentou, toscamente, se apresentar como "libertário"... Parece-me um logro que a muito poucos engana. Por outro lado, houve e há movimentos reais de libertação pelo mundo afora que, infelizmente para quem não gosta da palavra, precisam se apresentar como são: movimentos de libertação (de alguma coisa, de alguém, de um governo, de um invasor, de um colonizador, etc). Taxá-los de totalitários, sem fatos que o comprovem, querendo contradizer seu discurso apenas através da desconfiança, é tudo o que os déspotas a quem combatem gostariam de ver propagado pelo mundo... Sorry, mas essa coisa pequeno-burguesa de abster-se das contradições, como se os sábios intelectuais fossem espertos demais para "cair nessa ladainha" e jamais fossem sujar as suas mãos tão limpas nessas cumbucas ideológicas - ideologia? aaarrrrghhh... - sinceramente, não está com nada. É apenas uma defesa. Mas... ótimo debate! Viva a diferença!

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  21. A escravatura é a lei da vida, e não há outra lei, porque esta tem de cumprir-se, sem revolta possível nem refúgio que achar. Uns nascem escravos, outros tornam-se escravos, e a outros a escravidão é dada. O amor cobarde que todos temos à liberdade – que, se a tivéssemos, estranharíamos, por nova, repudiando-a – é o verdadeiro sinal do peso da nossa escravidão.

    Fernando Pessoa

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    1. Nossa, Fernando foi fundo, como vai em tudo...Essa é minha paixão,o poder de novas reflexões, do novo no pensamento.
      kkk
      Adorei o conclulindo.Só conheço uma pessoa assim... O anônimo está assumindo muitos de nós, mas eu continuo a me enganar, a dizer que tenho nome aoe xpressar o que muitos pensam.
      Abraços

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  22. "O amor cobarde que todos temos à liberdade – que, se a tivéssemos, estranharíamos, por nova, repudiando-a – é o verdadeiro sinal do peso da nossa escravidão." É o mesmo que a Cristiana chamou a atenção em seu "post". Perfeito.

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  23. fechou a gestalt? fez a síntese hegeliana? proporcionou paz?
    que ótimo, abrindo novamente, digo que este anônimo que fez essa citação não era eu...ou que seja, a virtude do anonimato é essa, agora qualquer um pode ter sido, ser ou vir a ser o anônimo, inclusive talvez a própria Cristiana ou você mesmo, e acho isso lindo!!!

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  24. E, concluindo, ou conclulindo... o de cima também não era eu, estão a tomar-me a personalidade, eis que tudo se vaporiza na linda inconstância do ser. Essa é a verdadeira beleza do nada.

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  25. Hegeliano e dialético, com muita honra... Obrigado pelo elogio!

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