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A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

3 de abril de 2017

Livro: Germinal, de Émile Zola

Olá queridos!
Segue o post que fiz no meu blog Mar de Variedade. 
Esse foi o livro do mês do Clube de Leitura Icaraí. Eu fiquei o mês todo lendo, pois é um calhamaço de mais de 500 páginas. Mas posso falar que vale muito a pena!

Sinopse da Livraria Cultura: "Germinal' é o nome do primeiro mês da primavera no calendário da Revolução Francesa. Ao usar essa palavra como título de seu livro, Zola associa as sementes das novas plantas à possibilidade de transformação social- por mais que se arranquem os brotos das mudanças, eles sempre voltarão a germinar. Um dos grandes romances do século XIX, expressão máxima do naturalismo literário, Germinal baseia-se em acontecimentos verídicos. É um espelho da realidade. Para escrevê-lo, Émile Zola trabalhou como mineiro numa mina de carvão, onde ocorreu uma greve sangrenta que durou dois meses. Atuando como repórter, adotando uma linguagem rápida e crua, Zola pintou a vida política e social da época como nenhum outro escritor. Denunciou as péssimas condições de trabalho dos operários, a fome, a miséria, a promiscuidade, a falta de higiene. Mostrou, como jamais havia sido feito, que o ambiente social exerce efeitos sobre os laços de família, sobre os vínculos de amizade, sobre as relações entre os apaixonados. 'Germinal' é o primeiro romance a enfocar a luta de classes no momento de sua eclosão. A história se passa na segunda metade do século XIX, mas os sofrimentos que Zola descreve continuam presentes em nosso tempo. É uma obra em tons escuros. Termina ensolarada, com a esperança de uma nova ordem social para o mundo."


Essa Sinopse da Cultura dá uma boa ideia do que seja o livro, mas devemos lê-lo, pois ele é um livro muito importante para a humanidade de uma forma geral. Digo isso, pois acho que precisamos nos sensibilizar com a miséria alheia e também temos que lutar por respeito aos direitos sociais. 
Como é baseado em fatos reais, temos o retrato social de uma classe de trabalhadores, a dos mineiros, que à época não tinha seus direitos sociais respeitados. Eles não ganhavam nem o mínimo essencial para se alimentarem. Não tinham a chamada "dignidade da pessoa humana", pois trabalhavam em condições deploráveis de segurança, não conseguindo ganhar o mínimo essencial para a sua subsistência. 
Logo no início do livro, temos a chegada de Etienne a Montsou. Ele se diz operador de máquinas e está à procura de trabalho. E conhece Boa-Morte, que descobre que é apelido daquele senhor que já fora retirado da mina por três vezes, em pedaços. Ele consegue trabalho na mina de Montsou ( Voreux) e logo conhece Catherine, por quem se interessa. 
Aos poucos vamos conhecendo toda a família de Boa-Morte, como Maheu, sua esposa e filhos, além das outras famílias do conjunto habitacional. 
Uma curiosidade é que podemos observar o machismo da época, quando muitas mulheres eram chamadas de "mulher de" fulano. Não sabemos seu nome, dando uma certa invisibilidade. Além de ser "normal" que apanhassem de seus maridos, por questões como a sopa não estar pronta. 
De um lado, temos os mineiros vivendo na miséria e de outro, temos os burgueses vivendo abastados. 
Aos poucos, Etienne começa a discutir com os mineiros sobre o desrespeito aos direitos sociais por parte dos donos das minas e sobre a importância de uma greve para que fossem valorizados. Ele vira um líder na organização da greve. 
O livro nos leva a muitas reflexões, pois é difícil julgarmos alguém que está no limite da fome e da miséria. A greve acaba sendo violenta de ambos os lados. 
O livro também relata conflitos entre os próprios mineiros, até por ser uma obra muito real, onde é mostrado que o ser humano é muito complexo, com erros e acertos, e cada um com suas motivações. 
Segue um trecho da conversa entre Etienne e Catherine que me emocionou. Ela repartindo o seu pão com ele, que nada tinha em seu primeiro dia de trabalho:
"- Não vais comer? - perguntou ela de boca cheia, sanduíche na mão.
Em seguida lembrou que encontrara esse rapaz vagando na noite, talvez sem vintém ou um pedaço de pão...
- Vamos repartir?
E, como ele não aceitasse, jurando que não tinha fome, mas com a voz trêmula de desejo, ela continuou alegremente:
-Ah! estás com nojo... Eu só mordi deste lado, vou te dar do outro, está bem?"
Apesar do machismo que eu relatei acima, o livro consegue mostrar a importância das mulheres, que sabiam lutar pelo seu pão:
"A mulher de Maheu saiu arrastando os filhos pela estrada, não enxergando mais os campos desertos, a lama negra, o vasto céu lívido que girava. Ao passar novamente por Montsou, entrou resolutamente na loja de Maigrat e suplicou com tal veemência que conseguiu arrancar dois pães, café, manteiga e até sua moeda de cem soldos; "
Não vou conseguir expor aqui todas as camadas contidas na história, até mesmo pois não quero dar spoiler. 
Portanto, achei o livro fantástico, com um ótimo relato sobre as condições de trabalho dos mineiros de carvão na França, na segunda metade do Século XIX, bem como a sua luta por melhores condições de vida. Leitura muito importante!
Recomendo! 

8 comentários:

  1. Feliz aqui por indicar um livro que agradou tanto e a tantos.

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  2. Feliz aqui por indicar um livro que agradou tanto e a tantos.

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  3. Excelente Andreia! Parabéns pelo Texto! Realmente um livro com 50 tons escuros!

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    1. Obrigada, Evandro. Realmente um ótimo livro, com questões importantes.

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  4. Depois de muito passear pela NET encontrei um site que é a minha cara. Informei à minha neta que já esteve na reunião passada. Pretendo comparecer na próxima e para tanto já reli Memórias. Parabéns ao CLIc.

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  5. Seja muito bem vinda, Elvira! Esperamos você!

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