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O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

12 de setembro de 2012

O vasto mundo poético de Ilnea: Antonio R


Querida Ilnea,

Li seu livro com grande prazer e alegria. Há muita vida nele. De início eu gostaria de destacar um trecho que me remeteu a um texto que escrevi outro dia, e que embora ainda esteja em estado bruto, cheio de aparas, já circula por aí, sem dono, na grande rede. A certa altura, nesse texto, o personagem-narrador recorda uma frase que lhe fora dita pelo pai, há muitos anos, quando ainda era uma criança: 

“Quando você for crescido, vai descobrir que tem caminho que a gente caminha sem querer, filho.”

E no final, o personagem-narrador encerra o texto da seguinte forma: 

"Depois desse dia, não demorou muito para que eu descobrisse que iria caminhar muitas vezes por esses caminhos que caminhamos sem querer, e que somos pequenos demais para um mundo tão grande e tão vasto que é esse mundo que há e que é dentro de nós mesmos." 

Ilnea, você fala sobre Limites na página 121/122, O fragmento que me fez recordar esse meu texto é o que segue: 

"... de onde vinha o desejo
De tão cedo acalentado
de conhecer outras terras
outros cantos, outros prantos
e de ter sempre sentido
que a fronteira do meu mundo
se por acaso existia
ficava em algum lugar
muito além da minha porta?"

Minha caríssima poeta, poetisa, ou seja lá que nome se dê a mulher que transforma vida e sentimentos em poesia, o seu mundo não tem limites. Porque o seu mundo é o mundo da poesia, esse vasto mundo que pode ser aquela "nave vadia movida à forma de sonho" em que o poema se encerra belissimamente: 

"E isso era só de dia
pois quando a noite caia
e eu olhava o céu
o que de fato queria
era uma nave vadia
movida à força de sonho.

E nesse sonho bonito
adormecia serena
e passeava entre estrelas
para além do infinito."

É isso, Ilnea. Assim como no trecho do meu texto citado, a sua poesia parece habitar, sim, esse vasto mundo que é há e que é dentro de nós mesmos. E esse seu vasto mundo, de "País das maravilhas", como inteligentemente brincou Newton em alusão ao seu sobrenome, é um mundo habitado por sonhos e poesia, para além do infinito.  

Parabéns pelo livro, um presente poético.

Um grande abraço,


Um comentário:

  1. Que lindo isso tudo! As poesias da minha mãe e a sua poesia toda! Que lindo!

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