CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

8 de agosto de 2012

Viagem ao Mundo de Ilnéa



Terminei a leitura de “Eu menina toda prosa… e alguma poesia” com um gosto de vida nos lábios, como se tivesse beijado a terra molhada de uma fazenda do interior, comido as cocadas, tomado o café quentinho, recém-saído do livro de Ilnéa País de Miranda, nossa trovadora-mor no CLIc. Ainda vejo o cavalo querido e a sala de aula improvável, desprovida do básico. Talvez certos vazios em nossa vida tenham a capacidade de nos remeter a nós mesmos, já que desaparecem as parafernálias, os equipamentos e as belezas que sempre nos distraem. Não sei qual é ou foi a profissão de Ilnéa, mas diria que ela é, sem dúvida, uma psicóloga atenta desde seus quatro aninhos de idade. Seus escritos, poemas e prosa, elaboram os mais primitivos sentimentos, as perdas da infância, com uma clareza desconsertante.

As lembranças infantis estão no livro – as boas e as nem tanto – elaboradas pela Ilnéa adulta como se esta embalasse a criança que foi, tomada no colo para que ouça baixinho nos ouvidos uma palavra de carinho, de amor. Todos nós, por mais adultos ou idosos que estejamos, em nossa mente ainda somos aquele mesmo menino ou menina que um dia, há tantos anos, originou nossos pensamentos, nosso gostar, nossas dores. E é muito bom que possamos, nessa idade adulta, acalentar a criança que fomos, explicar a ela a natureza daquelas perdas e dores que tanto nos magoaram na infância, e brindar com ela as boas memórias, as comidinhas, os confortos, os amigos, os bons adultos que nos ampararam.

Ilnéa escreve, antes de mais nada, para ela, sobre ela, por ela. E nos deixa visitar esse mundo, com encantos e desencantos, mas sempre belo por que profundamente humano. Obrigado Ilnéa, por nos deixar conhecer este seu País de Miranda.

Abs, Newton.

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