CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

24 de fevereiro de 2015

Revivendo leituras passadas: Snow Flower and the Secret Fan: Lisa See

雪花與秘扇



After discussing the beauty from the viewpoints of Dorian Gray and Aschenbach, from "Death in Venice", through the ideas of Albert Camus in "Le Premier Homme" who refers to the beauty in a much less obsessive way than Oscar Wilde and Thomas Mann, we find a perception of beauty quite different in "Snow Flower and the Secret Fan", which is that it is only achieved through pain.

"Uma dama de verdade não deixa entrar nenhuma indignidade em sua vida. Só através da dor é que você conseguirá a beleza. Só através do sofrimento é que encontrará a paz. Eu enrolo, eu amarro, mas você receberá a recompensa."

However, I am a poor concierge of a book club that does not see any beauty in such monstrosities. Check it out.

"A bandagem alterou não apenas os meus pés, mas todo o meu caráter, estranhamente, sinto como se esse processo continuasse por toda a minha vida, transformando-me de criança submissa em moça determinada, e depois em jovem mulher, que obedecia sem questionamento a tudo que os sogros ordenavam, em mulher da categoria mais elevada da região, que impingiu regras e costumes severos à aldeia."

Pés de lótus:Viemos em busca das mulheres dos pés enfaixados. Poucas sobreviventes dos tempos em que se provocava uma deformidade física nas mulheres porque os homens achavam sedutor. Só as famílias que tinham algum recurso submetiam as filhas à atrofia dos pés. A tortura começava quando a menina chegava aos quatro anos. Atrofiar os pés era tarefa de profissionais, que, com faixas de algodão, forçavam os dedos das meninas para debaixo da sola.


Com o tempo as juntas se desfaziam, o osso do peito atrofiava e o pé virava um arremedo de apoio. Quando adultas, apresentavam os pés só um pouco maiores que o calcanhar – os chamados pés de lótus, que por mais de mil anos foram um símbolo carregado de erotismo na cultura chinesa. Só as mulheres dos pés atrofiados eram consideradas adequadas para se casarem com os filhos de proprietários de terra ou altos funcionários públicos. Como as filhas de agricultores não eram consideradas à altura desses casamentos e precisavam dos pés firmes para trabalhar na lavoura, eram poupadas. Mas em vez de aliviadas, se sentiam diminuídas, humilhadas. Os pés saudáveis eram um atestado de inferioridade social.
(...)
-Que seu marido seja sempre forte e viril. Que você tenha muitos filhos homens. Que seja sempre bonita e saudável. Que seu patrão lhe dê uma promoção e aumento de salário. Que tenha sempre muito arroz na sua mesa. Que seus filhos lhe dêem muitos netos...


A lista de bons desejos ainda ecoa em meus ouvidos. Mas o que me intriga é pensar como, ainda hoje, submetemos nossos pés aos saltos altos em nome de um fetiche sexual.
(Laowai - Sônia Bridi)


“O mundo está sempre mudando. Temos que olhar para o passado para encontrar o que não muda. Seu nome era Flor da Neve. Ela tinha uma laotong chamada Lírio, sua irmã por uma vida...”

"Eu soube que existe uma menina de bom caráter e versada em conhecimentos femininos na sua casa. Você e eu somos do mesmo ano e do mesmo dia. Não podemos ser iguais juntas?"

'Flor da Neve e o Leque Secreto' nos leva de volta ao passado, na China de meados do século XIX, onde o as mulheres viviam isoladas do mundo, tendo como principais "virtudes", a dedicação, a obediência e a capacidade de gerar filhos homens.

"Ouvi os homens falarem de impostos, secas e levantes, mas esses assuntos estão muito distantes da minha vida. O que conheço é bordado, costura, cozinha, a família de meu marido, meus filhos, meus netos, meus bisnetos e nu shu."

Nesta viagem acompanhamos Lírio ao longo de aproximadamente 80 anos, compartilhando seus dias de Cabelo Preso, de Sentar e Cantar no Aposento do Andar de Cima, de Tristeza e Preocupação, de Brincar e Fazer Barulho no Aposento Nupcial, de Arroz-e-Sal (como esposa e mãe), até seus Dias de Sentar Calmamente (como viúva). Com ela Tomamos Brisa Fresca, Espantamos os Pássaros, Saboreamos e Arrancamos Doença do Coração.

Do terceiro ano do reinado do imperador Daoguang, quando Lírio nasceu, em1823, até o reinado de, Guangxu, no início do século XX, a história da China nos é direta ou indiretamente apresentada, seja através do consumo e dependência de ópio por grande número de chineses, resultado da abertura da China ao comércio estrangeiro e da entrada ilegal de ópio produzido pela Índia (na época, colônia britânica), tendo como conseqüência as duas Guerras do Ópio (1839-1842 e 1856-1860). Seja através da Rebelião Taiping (1851-1864), um dos piores conflitos militares da história mundial, que ocorreu no sul da China, onde rebeldes (trabalhadores pertencentes à maioria da população chinesa, de etnia Han) lutaram contra a Dinastia Qing (de etnia Manchu) em busca do fim de um sistema visto como corrupto e ineficiente. Finalmente, somos apresentados ao nu shu, a escrita secreta das mulheres, desenvolvida há mil anos em uma área remota da província de Hunan, na região sudoeste da China.

'Flor da Neve e o Leque Secreto' é uma belíssima estória, que nos é apresentada numa escrita inteligente, envolvente, instrutiva e extremamente delicada. A autora nos apresenta uma realidade de alegrias e agruras do povo chinês sem vulgarizar costumes, muito particulares de uma época e região, que em certos aspectos podem nos parecer bastante estranhos.

"Muito do que aconteceu me fez lembrar da história educativa que titia costumava recitar sobre a menina que tinha três irmãos. Agora entendo que aprendemos aquelas canções e histórias não só para saber como nos comportar, mas porque viveríamos variações delas várias vezes durante a vida"

O livro, entretanto, é acima de tudo uma estória sobre amizade feminina, “sobre os laços que mantêm duas amigas unidas, sobre etapas e experiências pelas quais passam juntas, como se apóiam, e também como às vezes falham umas com as outras. Tudo incluso numa linguagem secreta da mulher, que pode ser interpretada literalmente como a linguagem secreta nu shu, mas também a linguagem secreta que existem entre amigas verdadeiras.”



"All writers are told to write what they know. My family is what I know. And what I don’t know – nu shu, for example – I love to find out whatever I can and then bring my sensibility to the subject. I guess what I’m trying to say is that in many ways I straddle two cultures. I try to bring what I know from both cultures into my work. The American side of me tries to open a window into China and things Chinese for non-Chinese, while the Chinese side of me makes sure that what I’m writing is true to the Chinese culture without making it seem too “exotic” or “foreign.” What I want people to get from my books is that all people on the planet share common life experiences – falling in love, getting married, having children, dying – and share common emotions – love, hate, greed, jealousy. These are the universals; the differences are in the particulars of customs and culture."







Sisters for ten thousand years. Coming this August at Icarai Book Club. Don't miss!

For movies fans, see the trailer, plus an interview with Lisa See and Wayne Wang, Li Bing Bing and Lisa discussing Snow Flower...





Recomendadíssimo!!

5 comentários:

  1. The most beautiful images I´ve ever seen in movies are either chinese or japanese. Hope the book can, somehow,catch this beauty and change it into words.

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  2. I agree... Chinese movies are great. I always remember “The Road Home”. It's one of my favorites. If you have a chance, watch.

    The next on my list are “The story of Qiu Jiu”, “Not One Less”, and “Snow Flower and the Secrete Fan” (of course!)

    Cintia

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  3. Olhando meus pés descalços
    assim, bem longos e finos,
    eu caminho meus percalços
    suaves e pequeninos.

    Meus Pés

    E leve como as pisadas,
    desses meus pés femininos,
    libero minhas risadas,
    sorrio em sons cristalinos.

    Vivo o sempre como sou
    como o sempre que nasci
    que o nunca jamais tocou
    como fui, permaneci.

    Ilnéa, em 21 de julho de 2011

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  4. Sou fã dos versos da Ilnéa. São profundos e delicados ao mesmo tempo. Ela faz um jogo com as palavras admirável. Acima do poema, a Cíntia dissecou o livro "Flor da Neve e o Leque Secreto" muitíssimo bem. Amei as postagens da Cintia e da a Ilnea. Parabéns às mulheres que "somam" no Clube de Leitura. Beijos de admiração .... Angela Ellias.

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  5. Sweet One!

    It’s time for the book tour to celebrate the publication of the paperback of CHINA DOLLS. I’ll be going to California, Florida, New Mexico, Georgia, Missouri, Kansas, Minnesota, and Idaho! There are free events and pricey events; events in bookstores, libraries, and theaters. I really hope you will come out and say hi. Bring a friend, a sister, a mom, a daughter. Bring your boyfriend or husband! We always have fun.

    I’m happy to say that CHINA Dolls received some of the best reviews of my career.

    “A fascinating portrait of life as a Chinese American woman in the 1930s and ‘40s.” (New York Times)
    “A sweeping, turbulent tale of passion, friendship, good fortune, bad fortune, perfidy, and the hope of reconciliation.” (Los Angeles Times)

    “A spellbinding portrait of a time burning with opportunity and mystery.” (O: The Oprah Magazine)

    Woo-hoo! And there’s more!

    · The paperback has great book club questions plus an interview I did with Trudy Long, a Forbidden City performer, and her daughter, Jodi Long.

    · Step into the World of the China Dolls on my web site to see video clips, photographs, and other historical background related to the novel at http://www.lisasee.com/insidechinadolls/

    · Invite me to join your book club by Skype or speaker phone by writing to me at writersee@aol.com

    · I can also send you signed China Dolls bookmarks either just for you or for your entire book club. Again, just write to me at writersee@aol.com

    It’s going to be a whirlwind month or so, because I’m also working on the next novel, which I’m very excited about.

    With all good cheer,

    Lisa

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