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22 de outubro de 2017

A mãe sob a lente de aumento - A Filha Perdida

​"Que bobagem é pensar que é possível falar de si mesmo aos filhos antes que eles tenham pelo menos cinquenta anos. Querer ser vista por eles como uma pessoa e não como uma função. Dizer: sou sua história, vocês começam comigo, escutem, pode ser útil."

A mãe sob a lente de aumento.

Vontades. Premências. Desejos. Fraquezas. Dores. Angústias.
Elena Ferrante traz a mãe e suas necessidades em um tom quase rascante em "A Filha Perdida". Sem medo de julgamento, Leda se descortina diante do leitor e traz à tona segredos da maternidade talvez partilhados por dezenas, centenas, milhares de mulheres em silêncio.
O totem da mãe perfeita surge colorido na relação Nina-Elena, para ser desconstruído paulatinamente aos olhos de Leda, que, ao mesmo tempo, também se desconstrói diante de Nina para que ela possa observar por si mesma - caso consiga - quão pujante é a maternidade imperfeita.
E, como pano de fundo, a traição feminina é colocada à prova, livre de moralismos, de achismos, de ismos quaisquer que a possam destituir da sua força e poder, legítimos ou não. Isso fica a cargo da leitura e do leitor.

Um livro que irrita, que provoca, que emociona, que traz à tona recordações antigas e desejos outrora vividos (ou não), “A Filha Perdida” é uma leitura ímpar e marcante. Inesquecível.

4 comentários:

  1. Excelente! Captou muito bem o espírito do livro!

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  2. Muito bom, Jaqueline. Também gostei do livro e da forma como a autora aborda o tema maternidade.

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  3. Parabéns, Jaqueline! Análise perfeita do livro.
    Um enfoque diferente sobre a maternidade que é analisada a partir de uma verdade que chega a ser cruel. O mesmo não acontece com a traição que é vista por meio do ciume.

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