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A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

17 de setembro de 2016

Clube jovem - O fantasma da ópera: Gaston Leroux

"Receio que apenas um espectador e um outro ouvinte privilegiado, dentro de um remoto ponto de observação - quem sabe uma outra bolha? E a contemplar uma cena tão ofuscantemente bela que faria palpitar o coração entediado do próprio 'Fantasma da Ópera'". (A tragédia brasileira - Sérgio Sant'Anna - livro do mês de Outubro de 2016 no CLIc)

O fantasma e os jovens da ópera

Terrível fantasma ou anjo da música?

O fantasma da ópera é um romance francês, considerado por muitos uma obra gótica, por combinar romance, horror, ficção, mistério e tragédia.


A única pessoa que não se intimida com essa misteriosa presença é a jovem e inexperiente bailarina Christine Daaé, que, acreditando ser guiada por um "Anjo da Música", executa sua performance no espetáculo com perfeição.




A novela foi publicada pela primeira vez como uma série e em forma de volumes, em abril de 1910, por Pierre Lafitte (capa original ao lado).



Hoje em dia possui várias adaptações para o teatro e o cinema, inclusive um espetáculo na Broadway, que bateu recorde de permanência em cartaz superando Cats.



Foi inúmeras vezes traduzida para o português do Brasil, sendo que as versões mais difundidas são das editoras Ediouro e Ática. A preferência por essas versões deve-se à maior fidelidade à história originalmente criada por Gaston Leroux.


O camarote do Fantasma

A ação desenvolve-se no século XIX, em Paris, na Ópera de Paris, um monumental e luxuoso edifício, construído entre 1857 e 1874, sobre um enorme lençol de água subterrâneo. A ópera se encontra assombrada por um misterioso fantasma, que causa uma variedade de acidentes. O Fantasma chantageia os dois administradores da Ópera, exigindo que continuem lhe pagando um salário de 20 mil francos mensais e que lhe reservem o camarote número cinco em todas as atuações. 





Contexto histórico - 1870: Paris é cercada pelos alemães

Em 19 de setembro de 1870, o cerco das tropas alemãs a Paris marcou o início do fim da guerra de Bismarck contra Napoleão 3º.
Após a guerra teuto-francesa,
Bismarck governou a Prússia de 1871 a 1890

O fato que conduziu diretamente ao irrompimento da Guerra Franco-Prussiana de 1870 foi a candidatura do príncipe Leopoldo von Hohenzollern-Sigmaringen, um parente distante do rei prussiano Guilherme 1º, ao trono espanhol, que havia ficado vago após a revolução de 1868.

Embora sem o consentimento de Guilherme 1º, o então chefe de governo da Prússia, Otto von Bismarck, convenceu Leopoldo de que o trono espanhol deveria ser ocupado por alguém da dinastia Hohenzollern. Já a França, governada por Napoleão 3º, sobrinho de Napoleão Bonaparte, foi contra, por temer um desequilíbrio de poder na Europa em favor dos alemães.

Num gesto extremo, Paris ameaçou a Prússia com guerra, caso não retirasse o apoio ao candidato ao trono espanhol. A pressão de Guilherme 1º cresceu, a ponto de Leopoldo desistir oficialmente. Mas Napoleão 3º, que pretendia ver a Prússia humilhada, exigiu do soberano alemão um pedido oficial de desculpas e, acima de tudo, a garantia de que também no futuro a dinastia Hohenzollern não ambicionaria o trono espanhol.

Esta exigência foi manipulada por Bismarck para ser entendida como um ultimato da França. Ele não só acreditava que seu país estivesse preparado para um conflito armado; apostava, também, no efeito psicológico que uma declaração de guerra contra a Prússia teria nos países vizinhos. Contando com a solidariedade dos países de idioma alemão, estaria praticamente atingida a meta da unificação. (Fonte: Wikipedia)


Lago Averno, próximo à Morada do Lago recentemente descoberta

Comuna de Paris foi o primeiro governo operário da história, fundado em 1871 na capital francesa por ocasião da resistência popular ante a invasão por parte do Reino da Prússia.
A história moderna registra algumas experiências de regimes comunais, impostos como afirmação revolucionária da autonomia da cidade. A mais importante delas — a Comuna de Paris — veio no bojo da insurreição popular de 18 de março de 1871. Durante a guerra franco-prussiana, as províncias francesas elegeram para a Assembleia Nacional Francesa uma maioria de deputados monarquistas francamente favorável à capitulação ante a Prússia. A população de Paris, no entanto, opunha-se a essa política. Louis Adolphe Thiers, elevado à chefia do gabinete conservador, tentou esmagar os insurretos. Estes, porém, com o apoio da Guarda Nacional, derrotaram as forças legalistas, obrigando os membros do governo a abandonar precipitadamente Paris, onde o comitê central da Guarda Nacional passou a exercer sua autoridade. A Comuna de Paris — considerada a primeira república proletária da história — adotou uma política de caráter socialista, baseada nos princípios da Primeira Internacional dos Trabalhadores.
Barricadas erguidas pelos
communards em frente à 
Igreja da Madalena
O poder comunal manteve-se durante cerca de quarenta dias. Seu esmagamento revestiu-se de extrema crueldade. De acordo com a enciclopédia Barsa, mais de 20 000 communards foram executados pelas forças de Thiers.
O governo durou oficialmente de 26 de março a 28 de maio, enfrentando não só o invasor alemão como também tropas francesas, pois a Comuna era um movimento de revolta ante o armistício assinado pelo governo nacional (transferido para Versalhes) após a derrota na guerra franco-prussiana. Os alemães tiveram ainda que libertar militares franceses feitos prisioneiros de guerra para auxiliar na tomada de Paris. (Fonte: Wikipedia)








Assim, os mais inocentes, surpreendidos na paz de seu coração, parecem de repente, devido ao golpe que os atinge levando-os a empalidecer, ou a corar, ou a titubear, ou a se levantar, ou a se prosternar, ou a calar quando se deveria falar, ou a falar quando se deveria calar, ou a demonstrar calma quando se deveria demonstrar agitação, ou a demonstrar agitação quando se deveria demonstrar calma, parecem de repente, dizia eu, culpados.




Todos aprenderam a gostar dela, pois ela se interessava pelas aflições e pelas manias de cada um. Sabia de recantos desconhecidos habitados secretamente por velhos casais.




Esta noite ela permanece com o anel de ouro, e não foi você quem o deu para ela. Esta noite ela entregou outra vez a alma, e não foi para você.





Cada vez que eles não obedeciam aos desejos do fantasma, logo algum acontecimento fantasioso ou funesto se incumbia de lhes restituir o sentimento de subordinação. 


Polyeucte de Gounod

Somente a música e o amor são imortais!



Que aterrorizante segredo esconde-se nos subterrâneos da Ópera de Paris? Que mistério atormenta um dos mais majestosos palácios dedicados à arte na capital francesa? 'O Fantasma da Ópera' narra o triângulo amoroso entre a linda e talentosa cantora lírica Christine Daaé, o frágil e apaixonado visconde Raoul de Chagny e o sinistro e obcecado gênio da música que habita os porões do teatro.





Um homem deformado se esconde num teatro e se apaixona por uma jovem atriz. Fantasmas e assassinatos cercam essa história de mistério.





Um homem é encontrado enforcado em um dos subsolos do teatro. Uma lanterninha conversa com uma voz que se identifica como Fantasma da Ópera. Os diretores do teatro recebem bilhetes assinados pelo Fantasma. Uma cantora, Cristine, tem aulas com uma voz masculina que ela pensa ser o Anjo da música. Raul, visconde de Chagny, apaixona-se por Cristine, sua amiga de infância. A partir daí desenvolve-se uma narrativa cheia de suspense, amor e humor.





Quem não tiver aprendido a pôr uma máscara de alegria sobre suas dores e o disfarce da tristeza, do desgosto ou da indiferença sobre sua alegria íntima nunca será um parisiense. Se você descobrir que um de seus amigos está prostrado, não tente consolá-lo: ele dirá que já foi reconfortado. E, se acontecer algo de bom para ele, evite felicitá-lo: como acredita ter boa sorte natural, ele ficará admirado que alguém lhe fale sobre isso. Em Paris se vive um eterno baile de máscaras.




Um comentário:

  1. Na edição da L&PM Pocket, página 244 e seguintes, quando o Persa e Raoul estão nos subterrâneos da Ópera, tentando chegar até onde Christine e o fantasma estão, tem um trecho em que uma sombra passa por eles e o persa diz que aquela sombra já o levou duas vezes para a sala da direção e que ela é bem pior que os seguranças (não é a do fantasma da ópera ;x ) então o persa fala que não vi dar detalhes sobre quem é a sombra, e o próprio autor, Gaston Leroux, deixa uma nota, dizendo que não pode dar detalhes sobre quem é essa sombra perigosa, pois havia feito uma promessa, que falar sobre isso seria uma questão de estado, etc e tal, e disse também que caberia ao leitor descobrir quem era. Alguém pode me dizer quem era essa sombra? Eu fiquei muito curiosa sobre quem seja e preciso muito saber!!!!!!!!!!!!!! E o rosto de fogo, help!, do que o autor está falando? Pelo amor de Deus, me ajudem! - Martha

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