CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

28 de janeiro de 2019

Notas do Subsolo: Fiódor Dostoiévski




Digam-me o seguinte: por que me acontecia, como se fosse de propósito, naqueles momentos – sim, exatamente naqueles momentos em que eu era capaz de melhor apreciar todas as sutilezas do "belo e do sublime‟, como outrora se dizia entre nós -, por que me acontecia não apenas conceber, mas realizar atos tão feios, atos que [...] bem, numa palavra, atos como os que todos talvez cometam, mas que, como se fosse de propósito, me ocorriam exatamente nos momentos em que eu mais nitidamente percebia que de modo algum devia cometê-los? Quanto mais consciência eu tinha do bem e de tudo o que é "belo e sublime‟, tanto mais me afundava em meu lodo, e tanto mais capaz me tornava de imergir nele por completo. Porém o traço principal estava em que tudo isso parecia ocorrer-me não como que por acaso, mas como algo que tinha que ser. Dir-se-ia que este era meu estado normal
[...]. (DOSTOIÉSKI, 2000, p. 19).


Arte: Bruna Thabata Ribeiro de Souza

"O homem do subsolo, protagonista de Memórias do Subsolo, do bom e velho Fiódor Dostoiévski, não acredita em mais nada. (Logo veremos que ele também não acredita em quem deixa de acreditar.) O homem do subsolo, intelectual niilista, é o porta-voz do ressentimento de nossa época. Para o dostoievskiano em questão, o homem é o animal que se lembra, ou pior, o homem é o animal que não se esquece. Ele já não consegue ter contatos efetivamente humanos com as pessoas, o subsolo é mais do que o seu refúgio – o subsolo é sua cripta, o subsolo é o prenúncio de seu túmulo. Então, o homem do subsolo se vangloria em face dos leitores pressupostos – diz ser mais inteligente e espirituoso do que todos nós, afirma ser mais vivaz, sentencia que compreende as filigranas do que nem de longe podemos entender. Mas, ainda assim, ele não consegue romper a membrana de sua solidão. Ele quer voltar a brindar com os demais, ele quer ter amigos, quer (re)encontrar a amada, mas o homem do subsolo, consciente contra si mesmo, bem sabe que o ceticismo começa a converter o prazer em dor – eis o prazer do cão que se regozija em morder a própria cauda, o prazer do cão que arranha as próprias feridas, o prazer pela dor que se alimenta de si mesma, o prazer pela descrença que passa a doer, o prazer pela dor que já não quer crer em nada mais a não ser em si mesma. [Afinal, se algo despontar em meio à e para além da dor, o cético deixará de ranger os dentes e terá que abandonar o ressentimento do subsolo. (Eis que o homem do subsolo passa a sentir pena das grades que o acometem – talvez ele queira grades ainda mais espessas para que não haja quaisquer riscos de a dúvida se infiltrar pelas frestas de sua couraça.)]
Mas então deveríamos perguntar por que o homem do subsolo sofre, por vezes, como se ainda houvesse um sentido. O homem do subsolo alardeia aos quatro cantos que é mau e desagradável, que lhe apetece assistir ao sofrimento alheio, que seu amor próprio doentio – aliado à autoflagelação não menos patológica – deforma as relações com os demais como sucessivas e inequívocas quedas de braço. Porém, se assim fosse indefinidamente, por que ele tentaria se redimir diante de Liza, a prostituta? Retomemos brevemente o contexto da narrativa: o protagonista sai de seu subsolo para encontrar antigos “colegas” dos tempos de escola. Todos o desprezam por sua atual condição – o baixíssimo salário, a moradia indevida, as vestes decrépitas. Mas o homem do subsolo ainda pode se escorar em sua condição intelectual mais elevada. O jantar que marca a despedida de um dos convivas para uma província longínqua da Rússia – um pedágio necessário para que Zvierkóv alcance novos patamares na carreira pública – logo se transforma em um verdadeiro duelo entre o achincalhado homem do subsolo e os demais que não sabem por que o paradoxalista teria sido convidado. Pois bem: a narrativa progride vertiginosamente, de modo que a personagem se mutile cada vez mais na medida em que percebe que os outros a desprezam. Quando um “colega” sugere que o ordenado do protagonista é baixo, o homem do subsolo vai e revela o quanto ganha; quando tudo já está se desfazendo, quando todos o abandonam para ir a um bordel, nosso paradoxalista, no ápice da desolação e da humilhação, se ajoelha diante do anfitrião do jantar – para pedir dinheiro emprestado. Dostoiévski apresenta sua maestria em fundir pontos de virada narrativa a cicatrizes da alma. Ocorre que o homem do subsolo, demasiado humano, vai ao bordel ao qual teriam se dirigido seus “colegas” para tirar a limpo toda aquela situação humilhante. Lá chegando, não encontra os convivas, mas a jovem prostituta Liza, oriunda da belíssima cidade medieval de Riga. Dostoiévski sabe utilizar como ninguém a simbologia da dominação. Se a Rússia de fato nutre um complexo de inferioridade e um ressentimento historicamente geridos em relação à Europa Ocidental, os Países Bálticos – Letônia, cuja capital é Riga, Estônia e Lituânia – sempre sofreram as invectivas do imperialismo russo. Assim, os civilizados “colegas” do homem do subsolo que há pouco o haviam humilhado agora fornecem o furor para que o ressentimento subterrâneo seduza e humilhe a prostituta letã. E assim teríamos a transferência inequívoca da dor para o outro, mas, em um primeiro momento, o homem do subsolo lança mão de uma conquista livresca para ganhar a confiança de Liza e doutriná-la a deixar, de uma vez por todas, a vida no meretrício. A jovem se vê cativada e revela ao protagonista que chegara a receber, há poucos dias, uma carta de um estudante que, insciente em relação à sua vida desgraçada, a queria cortejar. Liza poderia então casar-se! O homem do subsolo tenta sufocar a compaixão que sente e, num rompante, dá seu endereço para Liza a fim de que os dois continuem a conversar em um local mais humano. O desfecho do imbróglio de fato leva Liza, alguns dias depois, à casa de nosso protagonista, e o momento da chegada da jovem não poderia ser mais dostoievskiano – o homem do subsolo acabara de ser humilhado por seucriado, o altivo Apolón que, munido de efetiva consciência de classe, se recusava a fazer os serviços até que seu salário atrasado lhe fosse pago. Assim, ainda uma vez, a humilhação deve ser paga com mais humilhação. Então o homem do subsolo começa a injuriar Liza e passa a lhe dizer que tudo aquilo que havia recomendado a ela no bordel não passava de um engodo para seduzi-la e torná-lo altivo perante seus olhos. O homem do subsolo se faz trêmulo, diz e se desdiz e, no ápice da fúria que se mescla ao torpor, começa a chorar. Ora, mais um motivo para despertar sua suscetibilidade doentia, porque ele chora diante de uma prostituta, se rebaixa diante da mais vil das criaturas socialmente proscritas. Mas eis que a maestria de Dostoiévski atua ainda uma vez para que a dúvida irrompa do seio da crise: Liza não se mostra uma desalmada que simplesmente relega o homem do subsolo. Ela se condói pelo outro e começa a chorar junto com o protagonista como que a tomar para si sua dor. Então, o homem do subsolo, o ressentido por excelência, o ardiloso, o maquiavélico, o sádico, o masoquista, expele a dúvida e revela que Pandora também o visita no subsolo:
– Não me deixam… Eu não posso ser… bondoso! – mal proferi; em seguida fui até o divã, caí nele de bruços e passei um quarto de hora soluçando, presa de um verdadeiro acesso de histeria. Ela deixou-se cair junto a mim, abraçou-me e pareceu petrificar-se naquele abraço.

De onde vem esse ímpeto de bondade?"

(Flávio Ricardo Vassoler)




Which is better?

Cheap happiness

or

noble suffering?

Well, which is better?






I was by then incapable of loving because, I repeat, to me loving meant tyrannizng and flaunting my moral superiority. I've never been able even to imagine any other kind of love, and I have now reached such a point that I sometimes think love consists precisely of the voluntary gift by the loved object of the right to tyrannize over it. ... I could not even imagine what to do with the conquered object. ... it never ocurred to me that she had come, not at all to listen to pathetic words, but to love me, for to a woman love means all of resurrection, all of salvation from any kind of ruin, all of renewal of life. 


She understood out of all this what a woman, if she loves sincerely, will always understand before all else. She understood that I was myself unhappy. ... I don't know. To this day I cannot decide, and at that time I was, of course, even less capable of understand it than now. I know that I cannot live without power, without tyrannizing over someone. ...Yet... yet no amount of reasoning can explain anything, and so there is no point in reasoning. 







When from thine error, dark, degrading, 
With words of fiery persuading,
I drew thy fallen spirit out; 
And thou, thy hands in anguish wringing, 
Didst curse, filled with a torment stinging, 
The sin that compassed thee about;
When thou, thy conscience dilatory 
Chastising with the memory's shame,
Didst there unfold to me the story 
Of that which was before I came;
And sudden with thy two hands shielding
In loathing and dismay thy face,
To floods of tears I saw thee yielding, 
O'erwhelmed, yea prostrate with disgrace
Trust me! Thy tale did not importune; 
I caught each word and tired not.
I understood, child of misfortune!
I pardoned all, and all forgot. 
Why is it then, a secret doubting 
Still preys upon thee every hour? 
The world's opinion, thoughtless flouting, 
Holds even thee too in its power? 
Heed not the world, its lies dissembling, 
Henceforth from all thy doubts be free; 
Nor let thy soul, unduly trembling, 
Still harbor thoughts that torture thee. 
By grieving fruitlessly and vainly 
Warm not the serpents in thy breast, 
Into my house come bold and free,
Its rightful mistress there to be.


(Nikolai Alekseevich Nekrasov)





You see, Liza - I'll talk about myself! If I had had a family as a child, I'd be a different man. I think about it often. After all, no matter how bad things are in a family, you're still with your mother and father, not enemies, not strangers. They'll show you some affection at least once a year. At least you know it's your own home. I've grown up without any family; that must be why I've turned out like this... without feelings."

Love is God's mystery and should be hidden from outsider's eyes, whatever happens. This makes it holier, better. The husband and the wife respect each other more, and a great deal is founded on respect.


I received countless millions and immediately gave them away for the benefit of humanity, at the same moment confessing before the crowd all my infamies, which, of course, were not mere infamies, but also contained within them a wealth of 'the lofty and the beautiful' of something Manfred-like





In every man's memory there are things he won't reveal to others, except, perhaps, to friends. And there are things he won't reveal even to friends, only, perhaps, to himself, and then, too, in secret. And finally, there are things he is afraid to reveal even to himself, and every decent man has quite an accumulation of them. 


Actually, I hold no brief for suffering, nor am I arguing for well being. I argue for... my own whim, and the assurance of my right to it, if need be... I am convinced that man will never give up true suffering - that is, destruction and chaos. Why, suffering, is the sole root of consciousness. Though I declared that consciousness, in my view, is man's greatest misfortune, I know that man loves it and will never exchange it for any satisfactions. 



"... the Pope would agree to move from Rome to Brazil; (p. 68)"

"So here it is, here it is at last, the confrontation with reality,"
I muttered, running headlong down the stairs.
"No, this is no longer a vision of the Pope leaving Rome and departing for Brazil!" (p. 96) 
 
... all of man's purpose, it seems to me, really consists f nothing but proving to himself every moment that he is a man and not an organ stop! Proving it even at a cost of his own skin; even at the cost of turning back into a troglodyte. 



... where did our sages get the idea that man must have normal, virtuous desires? What made them imagine that man must necessarily wish what is sensible and advantageous? What man needs is only his own independent wishing, whatever that independence may cost and whatever it may lead.






I will explain it to you. This pleasure comes precisely from the sharpest awareness of your own degradation; from the knowledge that you have gone to the utmost limit; that is despicable, yet cannot be otherwise; that you no longer have any way out, that you will never become a different man; that even if there were still time and faith enough to change yourself, you probably would not even wish to change; and if you wished, you would do nothing about it anyway, because, in fact, there is nothing to change to.

And the chief and final point is that all of this proceeds from the normal and fundamental laws of an excessive consciousness, and from the inertia which is the direct outcome of these laws; hence you not only will not change yourself, but simply cannot do a thing about it in any case. 



The Lord's supper: N. N. Ge 


Living past forty is indecent, vulgar, immoral! Now answer me, sincerely, honestly, who lives past forty? I'll tell you who does: fools and scoundrels. I'll say that in the face of all those venerable old men, all those silver-haired, sweet-smelling old men! I have a right to say it, because I'll live to sixty myself. To seventy! To eighty! ... Wait, let me catch my breath...


DOLEO, ERGO SUM


I am at fault by natural law, because I am more intelligent than anyone around me. I've always considered myself more intelligent than anyone around me, and, would you believe me, I've sometimes even felt embarrassed by it.

Perhaps the only reason I regard myself as an intelligent man is that I've never in my whole life been able either to begin or to finish anything... and now [at forty] I am eking out my days in my corner, taunting myself with the bitter and entirely useless consolation that an intelligent man cannot seriously become anything. 





And why are you so firmly, so solemnly convinced that only the normal, and the positive - in short, only well-being - is to man's advantage? ... After all, man may be fond not only of well-being. Perhaps he is just as fond of suffering? Perhaps suffering is as much in his interest as well-being? And man is sometimes exremely fond of suffering, to the point of passion, in fact. And here there is no need to consult world history; ask your own self, if you're a man and have lived at all. As for may personal opinion, it's even somehow indecent to love only well-being. (I, ix) 




O que significa ser humano?

As respeitáveis formigas começaram pelo formigueiro e hão de acabar por ele, o que é prova de sua constância e respeitabilidade. Mas o homem é um ser volúvel, inconsequente, e talvez como o jogador de xadrez, apenas tenha prazer nos meios e não nos fins em si mesmos: quem sabe (ninguém poderia demonstrar o contrário) se o fim para que a humanidade propende constituirá apenas nesse incessante esforço para chegar. 

The Crystal Palace - London - 1854


Conservo a firme convicção de que não só a consciência demasiada constitui uma doença, como de que a consciência, só por si, por pouca que seja, já o é também. 




"Hypocrite lecteur!

- mon semblable, mon frére..."




O fruto imediato e lógico da consciência é a inação, a inércia consciente. Já disse e repito que todas as pessoas que saem do vulgar, e todos os homens de ação são precisamente assim porque são estúpidos e de vista curta. Como explicar isso? Da seguinte maneira: por causa de sua mediania, tomam as causas segundas, as mais imediatas, por causas primeiras, e sem demora e sem dificuldade convencem-se de que encontraram um fundamento imutável para sua atividade, tranquilizam-se, e isso é o mais importante. Porque para poder atuar, é preciso antes de mais, estar completamente tranqüilo, não ter a menor dúvida. 




The anthropological principle in philosophy: Nicholas Chernyshevsky

Striving may be more important to man than achieving, the journey more important than arrival at a goal. 

My preoccupations take the place of my occupations; the dialogue with myself takes the place of dialogue with others, leaving me the spectator of my absent life. 


... And all out of boredom, gentlemen, all because I was crushed by sheer inertia. For the direct, inevitable, and logical product of consciousness is inertia... all direct and active men are active precisely because they are dull and limited.

In fact, the best thing would be this: if I myself believed at least a jot of what I have just written. I swear to you, gentlemen, I don't believe a single word, not one, of what I've scribbled just now! That is, I do, perhaps, believe it, yet at the same time, heaven knows why, I have a feeling, a suspicion that I am lying like a cobbler.




26 de janeiro de 2019

Espelho do mar: Riva Silveira





O azul do céu e do mar se uniram 
Coloriram o universo nuns tons lindos e profundos 
Trouxe fascínio e leveza 
Aos olhos tanta beleza 
E anunciaram pro seu mundo 
Que essas cores te espelham 
Que você pode buscar lá no fundo 
Todos seus desejos 
Sem rumo seguir sem medo 
Quem sabe só se deixar ir navegando 
Redescobrir seu próprio encanto 
E transformar seus anseios 
Em sonhos verdadeiros. 
É a sua alma em alegria 
É a sua beleza refletida.


23 de janeiro de 2019

Confraternização do CLIc e Livros Impressões e Dentro das palavras

Olá queridos!
Segue o post que fiz no meu blog Mar de Variedade. 
Como temos feito todos os anos, no Clube de Leitura Icaraí, realizamos mais uma linda confraternização, no Reserva Cultural de Niterói, no Bistrô, já que o Bizu Bizu, infelizmente, fechou. 
Para essa ocasião, escolhemos dois livros de poemas de autoras do Clube, quais sejam, Impressões, de Luzia Veloso, e Dentro das Palavras, de Inês Drummond. Sempre que podemos, gostamos de prestigiar nossos queridos autores. 



O escritor Celso Possas Jr. deu uma passada na confraternização e nos presenteou com um livro seu para sorteio: Véu do diabo. Eu também levei um livro, que tem o meu conto, para sorteio: Novas Contistas da Literatura Brasileira. A Vera levou uma linda guirlanda feita por ela para sorteio. E a Mariney também levou a antologia organizada por ela (A pedra que canta) para sorteio aos amigos do clube. Portanto, não faltaram presentes. A Luzia também levou alguns livros dela para nos presentear. 

Primeiro, sorteamos os brindes entre os colegas. 
A Norma, fundadora do clube, abriu a reunião. Então, lemos poemas da Inês e, depois, da Luzia. E tivemos oportunidade de ter os comentários delas em alguns. Como era noite de muitas confraternizações, o espaço estava um pouco barulhento, mas nada que retirasse o brilho da noite e das nossas escritoras. 
Depois, fizemos nosso amigo secreto "rouba-rouba", que era uma grande brincadeira. Foi muito divertido!










Enfim, foi uma noite linda, com muita literatura, calor humano e gentilezas. No próximo ano, faremos a confraternização no playground da fundadora do clube, a Norma. 

Eu, Elenir, Eloisa, Monique e Cláudia ainda fechamos a noite jantando lá no bistrô. Bom papo e muitas risadas!

Boas festas, clube e leitores!
Ano que vem tem mais!

19 de janeiro de 2019

Impressões: Luzia Velloso







SOL

Ela é clara clara como as nuvens
que refletem a lua no mar.
Ela clareia como o Sol
que flutua brilhante no céu.
Carinhosa, cativa com gestos e
palavras estimuladoras, a todos acolhe
num abrigo vigoroso, resistente e singelo.
Nela não há mágoa nem culpa,
pois seu coração sabe amar.
Segura, tranquila, intensa,
gosta mesmo é de uma prosa.
Seu nome?
- Gracinda Rosa!


R$ 20,00 - para adquirir, contacte
conciergeclic@gmail.com

18 de janeiro de 2019

dentro das palavras: Inês Drummond





"Quando o silêncio é cheio de gritos
Aprendi apaziguá-lo

Com palavras"





Adoro um sorriso
Quando se espalha nos olhos
E eles se acendem

POETA INÊS DRUMMOND PIMENTEL MENEZES 

 




Inês Drummond Pimentel Menezes ocupa a Cadeira 26 da Academia Niteroiense de Letras.
  
  
LIVROS PUBLICADOS:
                                          
Des-Caminhos, 2014 (poesia) -  
Editora Parthenon
Dentro das palavras (prosa e poesia), 2016 -
Editora Parthenon
A soma das lembranças, (prosa) 2017 - 
Autografia Editora.

Dentro das Palavras - Editora Parthenon 
(R$ 30,00 - para adquirir, contacte conciergeclic@gmail.com)



17 de janeiro de 2019

Machado: Silviano Santiago (2/2)





Originalmente, a região do Largo do Machado era ocupada por uma lagoa, a Lagoa do Suruí, também chamada Lagoa da Carioca ou de Sacopiranha, que era alimentada pelo Rio Carioca. Por sua vez, a lagoa alimentava o Rio Catete. Posteriormente, a lagoa foi aterrada, dando lugar ao Campo das Pitangueiras. Num dado momento, sua denominação mudou para Campo das Laranjeiras. No século XVII, era conhecido como Campo das Boitangas ("boitanga" era um tipo de cobra). No início do século XVIII, passou a ser chamado Campo ou Largo do Machado, em referência ao oleiro André Nogueira Machado, proprietário de terras no local. Por volta de 1810, um açougueiro também de sobrenome Machado instalou-se no largo e ilustrou a fachada de seu estabelecimento com um grande machado. Também em 1810, o largo do Machado passou a constar como logradouro oficial na cidade. (Wikipedia)


Largo do Machado


O homem, uma vez criado, desobedeceu logo ao Criador, que, no entanto,  lhe dera uma paraíso para viver. Mas não há paraíso que valha o gosto da rebeldia.





A mocidade é uma sublime impaciência. Diante dela a vida se dilata, e parece-lhe que não tem mais um instante para vivê-la. A mocidade põe os lábios na taça da vida, cheia a transbordar de amor, de poesia, de glória, e quisera esvaziá-la de um sorvo.










A sobriedade vem com os anos; é virtude do talento viril. Entrado na vida,  homem aprende a poupar sua alma.


Roda dos enjeitados

Na vida há simetrias inesperadas e definitivas... a verdade pode ser inverossímil e muitas vezes o é... simetrias não são fortuitas e menos fortuitas ainda são as coincidências das personalidades envolvidas por elas em trama inesperada... o ciclo das simetrias, das coincidências e das metamorfoses e das reencarnações dos personagens não se encerra assim, de modo tão lógico.   









NADA DE BOM ACONTECE ÀS PRESSAS!!!



Dom Pedro II - A Ciência sou Eu

Sou vítima de complôs armados pelo destino. Gosto dos enigmas propostos pelo Acaso e que se adensam e se metamorfoseiam pouco a pouco em incógnita. Gosto deles porque são autênticos responsáveis pelo modo como o mistério tece a vida que cumpre a mim, a nós, desvendar como detetives para melhor revelar isto a que se chama o ser humano, suas alegrias e adversidades. 


Flaubert: “Uma testemunha conta que
o menino aprendeu a ler muito tarde
e que seus familiares o tinham
então por criança retardada”

Quem furtou pouco fica ladrão, quem furtou muito fica barão.




"J'ai le sentiment d'être mort plusieurs fois" (Flaubert)




Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. E foi assim que cheguei à cláusula dos meus dias; foi assim que me encaminhei para o undiscovered country de Hamlet, sem as ânsias nem as dúvidas do moço príncipe, mas pausado e trôpego como quem se retira tarde do espetáculo. Tarde e aborrecido. Viram-me ir umas nove ou dez pessoas, entre elas três senhoras, minha irmã Sabina, casada com o Cotrim, a filha, — um lírio do vale, — e... Tenham paciência! daqui a pouco lhes direi quem era a terceira senhora. Contentem-se de saber que essa anônima, ainda que não parenta, padeceu mais do que as parentas. É verdade, padeceu mais. Não digo que se carpisse, não digo que se deixasse rolar pelo chão, convulsa. Nem o meu óbito era coisa altamente dramática... Um solteirão que expira aos sessenta e quatro anos, não parece que reúna em si todos os elementos de uma tragédia. E dado que sim, o que menos convinha a essa anônima era aparentá-lo. De pé, à cabeceira da cama, com os olhos estúpidos, a boca entreaberta, a triste senhora mal podia crer na minha extinção.







16 de janeiro de 2019

Haicais: Elenir


Tive tanta coisa...
A casa da praia e o mar,
da serra e a lareira.


Cacos coloridos,
vitral de minha vida. Uns
cinza, outros vibrantes.
Falta, ainda, um mês,
para chegar o verão.
Já ouço as cigarras


Ponto de cem réis.
A Igreja S. Lourenço e,
do Fonseca, o início




Na Boa Viagem,
é, a igrejinha do morro,
um ponto de luz.




Nasci no Fonseca.
Lá deixei a Alameda o Horto
e o Colégio Brasil.


                      Essa foto de Palácio Quitandinha é cortesia do TripAdvisor

Natureza artista.
Quitandinha sob o ruço.
Tela de Monet.

Elenir palavreando a seus companheiros do clube do livro

Palavras e livros,
meus companheiros. Com eles
me conheço e o mundo.


2 de janeiro de 2019

Revivendo leituras passadas - O homem que amava os cachorros: Leonardo Padura






A picareta que matou Trótsky

Ao desembarcar no porto de Tampico no México, em 1937, a revista americana “Time” publicou: 

“Hoje Trótsky está no México – o país ideal para um assassinato”.


“A alternativa histórica é a seguinte: ou o regime de Stálin é uma recaída detestável no processo de transformação da sociedade burguesa em uma sociedade socialista, ou o regime de Stálin é o primeiro estágio de uma nova sociedade exploradora. Se a segunda hipótese mostrar-se correta, então, logicamente, a burocracia se converterá em uma nova classe exploradora.” (Trotsky)


Robert Sheldon Harte (1915–1940) was an American Communist who worked as one of Leon Trotsky’s assistants and bodyguards in CoyoacánMexico. During the Stalinistattack against Trotsky’s household on May 24, 1940, Harte was abducted and later murdered by the Stalinist agents, among them David Alfaro Siqueiros (accused of the murder). Pablo Neruda is also accused of conspiring in the plot, in helping the latter to escape to Chile. However, Neruda denied this and claimed that he had issued the Chilean visa on the orders of Mexican President Manuel Ávila Camacho. Harte's body (shot in the head) later was found alongside the road to Desierto de los Leones and Trotsky commissioned a plaque and had it placed at the front of the house with the text: "In Memory of Robert Sheldon Harte, 1915–1940, Murdered by Stalin."






A história não terminou!



Premiado na França, na Itália e em Cuba e prestigiado em mais de sete traduções, o thriller O homem que amava os cachorros, de Leonardo Padura, é tema de debate da próxima edição do Clube de Leitura Icaraí. O evento acontece nesta sexta, dia 11 de julho, às 19h, na Livraria Icaraí (Rua Miguel de Frias, 9, em Niterói). A entrada é gratuita.

A história se passa em 2004 e é narrada pelo protagonista Iván, um aspirante a escritor que atua como veterinário em Havana. Ao encontrar com um homem que passeava com seus cães, Iván trava uma conversa na qual ouve relatos que o levam a retomar os últimos anos da vida do revolucionário russo Leon Trotski, seu assassinato e a história de seu algoz, o catalão Ramón Mercader, voluntário das Brigadas Internacionais da Guerra Civil Espanhola e encarregado de executá-lo.
Diante de tal depoimento, o narrador reconstrói as trajetórias do comandante do Exército Vermelho durante a Revolução de Outubro e do responsável por seu assassinato. Os dois percursos ganham sentido quando Iván projeta sobre elas sua própria experiência na Cuba moderna, seu desenvolvimento intelectual e seu relacionamento com “o homem que amava os cachorros”.
Sobre o autor: Leonardo Padura Fuentes nasceu em Havana em 1955. Formado em Letras pela Universidade de Havana, trabalhou como escritor, jornalista e crítico literário até a década de 1990, quando ganhou reconhecimento internacional por uma série de romances policiais estrelando seu mais famoso personagem, o detetive Mario Conde. Mas foi com o romance O homem que amava os cachorros que Padura se consolidou no mundo literário, ganhando prestígio para além do gênero policial.
Publicado em: 10.07.2014

Mulher de Chupicuaro

Debate com o Escritor Silviano Santiago

Dia 10/01/2019 - 19h00

Ele estará de volta ao Clube de Leitura Icaraí depois de 10 anos





para debater o premiado