CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

13 de outubro de 2018

Esperança & Porto Seguro: Riva Silveira

Esperança

Tantos desencontros
Tantos enganos
Tantos confrontos
Tanto sofrimento
Que a gente se esquece
Que vai surgir um momento
De paz na alma
De sentimento que acalma
Como do céu estrelado
Caindo no ar
Tão de repente
E a gente nem sente
Surge uma Estrela Cadente
Que nos faz acreditar
Que maravilhas também há
E que eu também  posso encontrar.


Fonte

Porto Seguro

Finalmente
Encontrei um lugar Pro meu barco ancorar
Depois de muitas ondas 
Em alto mar.
Estava cansado de enfrentar
Sozinho navegando 
Me perdi sonhando
Fui parar no oceano
Sem terra para repousar.
Na certeza que no caminho
O bem ia me alcançar 
Fiz loucuras
Me lancei sem pensar
Abracei sem frescuras 
Mirando o horizonte
Muito longe
Fui em frente
Sem pra dentro olhar.
Quando tão de repente
Vi tudo afundar
Sem saber como me salvar.
Mas não perdendo a esperança 
Reencontrei o meu pensar.
Sabia que podia de novo recomeçar 
O leme do barco comandar
E um porto seguro pro meu coração ancorar.



Em Junho de 2015, no CLIc-Rio - O jogo da amarelinha: Julio Cortázar

"Andávamos sem nos procurar, mas sabendo sempre que andávamos para nos encontrar" 



Foto: Rose T

 Enfim leremos "O jogo da amarelinha" de Julio Cortázar, mas será no CLIc-Rio. 




 Amarelinha

Vejo sulcos na calçada...
Eles me fazem lembrar
a amarelinha da infância,
a casquinha de banana
caminhando à minha frente
e eu feito um saci branquinho
saltando em uma perna só.
Equilibrista, então era,
cheia de graça a pular,
e a gurizada gritando:
"Cuidado que vai pisar!"

Trago sulcos na minha alma...
Estes não pude evitar!
Pisei em todas as linhas
que encontrei ao caminhar.
Já não mais tinha equilíbrio
para delas me afastar,
e nem havia guris
gritando pra me alertar!

Beijos.

Elenir


12 de outubro de 2018

12 do Outubro: Dia da Criança


"Cuide da criança! Nela, se encontram as raízes do adulto."
Maria Montessori



Fonte


Nós, adultos, somos os guias que as fazem descobrir tudo de que são capazes. Cada criança tem seus tempos e suas próprias necessidades, trata-se apenas de ser respeitoso e intuitivo para que o desenvolvimento dela seja harmonioso e acima de tudo feliz.


8 de outubro de 2018

Livro: Um chapéu para viagem, de Zélia Gattai

Olá queridos!
Reproduzo o post do meu blog Mar de Variedade. 

Terminei com certo atraso o livro de setembro do Clube de Leitura Icaraí.
Sempre tive muita vontade de ler algo da Zélia, por ser fã do seu marido Jorge Amado. E agora me tornei fã dela também. 

Sinopse do site Saraiva: " Em 'Um Chapéu para Viagem', Zélia Gattai conta um pouco mais sobre sua vida, tendo como pontos de referência dois chapéus que possuiu: o primeiro chapéu marcou sua mudança de São Paulo para a antiga Capital Federal; o segundo, a ida para a Europa dos exilados. O final da Segunda Guerra Mundial, a queda da ditadura de Vargas, a anistia aos presos políticos, a redemocratização do país formam o cenário destes relatos da consagrada escritora, Imortal da Academia Brasileira de Letras."



A Zélia se consagrou como grande memorialista. 
Esse livro é um livro de memórias, onde ela conta desde quando conhecia o Jorge Amado de longe, e era grande admiradora dele, lia seus livros, até muito tempo depois, com a vida de casados. 
Certo dia, acabou indo trabalhar com ele. Jorge passou a admirá-la também e, em pouco tempo, a pediu em casamento, o que ela aceitou, claro.
 Não acho que Zélia vivia à margem de Jorge, pelo contrário, ele dava desafios a ela ( para incentivá-la a crescer), que Zélia não se julgava capaz, como entrevistar uma jornalista importante, da qual ficou amiga. A Zélia teve oportunidade de morar fora do país e aproveitou para fazer vários cursos (investiu nela). Ela pôde conhecer grandes escritores, dos quais era fã, e ficar amiga, por intermédio de Jorge. Acho que houve uma boa parceria entre eles.
Fiquei encantada com a força da Zélia. Ela permeava entre a cozinha, com os belos jantares, e os grandes negócios, como conseguir achar apartamento em Copacabana e conquistar o habite-se, cuidar do sítio, até enfrentar a ditadura, além de ter sabedoria para lidar com Lalu, serenidade para ajudar Jorge com os problemas políticos ( foi para a maternidade com sua ajudante sem avisar a Jorge para não atrapalhá-lo). Que mulher fantástica!
É um livro gostoso de se ler, onde podemos conhecer um pouco da intimidade do casal, dos  pais de Jorge, principalmente Lalu, a mãe, que era uma "figura", muito engraçada, e que adotou Zélia como filha, pois as duas se deram muito bem. 
Temos também um pouco da visão da ditadura pelo olhar de quem passou por isso. O Jorge teve que morar fora, exilado por alguns anos. 
Outro ponto interessante é a descrição de alguns lugares do Rio de Janeiro, que eram pontos de encontro de escritores e personalidades de nossa História.
Além disso, a Zélia dá indicações de bons livros. 
Enfim, um excelente livro!
Recomendo!

5 de outubro de 2018

Ele voltou no Clube de Leitura Jovem - O Apanhador no Campo de Centeio: J. D. Salinger

26/06/2014
Quinta feira
18:00h

Livraria Icaraí





  • Holden Caulfield fica imaginando uma porção de garotinhos brincando num campo de centeio que tem um precipício e só ele por perto pra tomar conta e não deixar as crianças caírem. Assim como Holden, tem alguma maluquice parecida que você gostaria de fazer?
  • A turma jovem está gostando de escolher livros em que o protagonista sofre um breakdown nervoso. A exemplo de "as vantagens de ser invisível", o protagonista acaba sendo internado numa clínica de assistência psicológica. No livro anterior, o trauma de Charlie parece ter sido um abuso sexual por parte da própria tia e no caso de Holden, em o apanhador no campo de centeio, o trauma pode ter vindo da morte prematura de seu irmão Allie com apenas 11 anos de idade. 
  • Se a garota pede pra você parar, como podemos saber se ela quer mesmo que a gente pare ou se ela está com medo das consequências e que, no fundo, o que ela quer é apenas que fique claro que a responsabilidade do que acontecer é toda nossa? 
  • O eixo da história de Holden se forma através dos personagens Allie, Phoebe e as crianças do campo de centeio. Ele não pôde fazer nada por Allie, mas ele não abandonará Phoebe e não quer que nenhum mal aconteça às crianças que brincam no campo de centeio. 



O Apanhador no Campo de Centeio (releitura), de Jerome David Salinger. A reunião ocorreu no dia 06/08/2010.

Que leitura boa o Apanhador no Campo de Centeio! É de um humor juvenil revigorante. Como são belos os jovens revoltados! Uma viagem no tempo... Ah, se eu tivesse lido este livro aos 16 anos! Em vez de “le concierge”, hoje eu seria “le syndic” do Clube de Leitura! 

Na Sexta do Apanhador houve ótimas surpresas, mostrando como o vigor desse livro o mantém atual até os dias de hoje. Ou seja, a obra de Salinger é, definitivamente, um clássico. Mas o vocabulário da tradução, como bem observou o exegeta do clube, é datado. Foi feito um apanhado de todas as gírias usadas no livro e se nota claramente a influência das gírias nacionais na tradução da obra. 
 
O livro mostra que o fenômeno do bullying não é um fenômeno recente nas escolas. Ora, pois, se não for bullying o que a gang de Phil Stabile faz com James Castle no capítulo 22, levando-o a se lançar da janela para a morte. Eu também testemunhei bullying desde que entrei no jardim de infância, lá nos idos de 60! Tinha sempre um valentão na sala que tentava impor sua “lei”. 
 
Meu Deus, que temeridade esses jovens feito folha seca ao vento! Ainda bem que eles têm em si uma força e uma convicção originais que nos escapam a compreensão e que contamos que lhes sejam útil em última instância. Que façam bom uso dela, é o que podemos torcer, e orientar quando possível. A gente tem que confiar um pouco na educação que lhes demos. 
 
What's the size of your mind?” Esqueci de perguntar aos presente como isso foi traduzido, mas é uma questão interessante que é levantado n'O Apanhador ... Cada um dá a sua resposta, mas só de pensar sobre o assunto nos ajuda a nos conhecer melhor. 

Divulgação da EdUFF para a reunião de agosto.
Pelo visto na reunião, teve gente que sabia para onde vão os patos (selvagens) no inverno. Isso para não falar nas referências metonímicas.  

Mr. Antolini, era gay, pedófilo ou agiu paternalmente com Hölden? Seus conselhos me pareceram bons. A gente nunca sabe com certeza o que vai acontecer até que aconteça! Esse tema taboo foi tratado com reserva nas discussões.

Até breve, folks.


 


29 de setembro de 2018

Amor e Ilusão: Riva Silveira


Flor de Lotus
Beleza infinita
No rio dourado
Luz refletida.
Coração curado
Momento iluminado
Lágrima contida
Corpo arrepiado.
Nessa natureza sagrada
Tudo agrada.
No sentimento profundo
Não mais me afundo
Faço da vida uma bela arte
E o amor em mim agora faz parte.


Gerardo de Souza



Dei a volta ao mundo 
Pensamentos intensos
Procurei profundo
Com passos imensos
Caminhei em areias infinitas
Fragilidade contida
Sem pensar para dentro
E nem olhar atento
Vislumbrei um futuro
Por de trás do muro
Coração trancado
Força desviada
Não me permiti
Pois não imaginava
Que tão perto estava
O que  procurava
E me deixaria sorrir.

19 de setembro de 2018

Poemas: Riva Silveira




Reencontro

Fruto proibido 
Amor incompreendido.
Desiludido estou
Sem saber o que se passou
Fechado o céu ficou.
Não  quero saber quem errou
E me decepcionou
Nesse deserto meu coração secou. 
Mas uma razão para enfrentar essa luta  vou achar.
As feridas vou guardar
E tudo ao se transformar
Com a vida vou me casar
A  chuva meu coração vai molhar
Cheiro de flor vou exalar.
Vivendo agora então 
No céu estrelas vão querer me iluminar
E com coragem nessa luta vou  caminhar.





Inspiração

Suspiro
Brisa refrescante
Luz refletindo                                         Sol escaldante
Mãos acalentando 
Abraço sincero
Assim eu sinto...
Borboletas voando
Tons colorindo 
Flores se abrindo 
Olhar penetrando 
Assim eu vejo...
Cheiro de mel
Gosto do fruto
Doces palavras 
Beijo molhado 
Assim eu desfruto...
Tudo perfeito 
Tudo inteiro
Assim eu desejo...
Então me inspiro.




16 de setembro de 2018

Um chapéu para viagem: Zélia Gattai


Pablo Neruda

O chapéu era todo um sistema de comunicação. Usado de forma normal, revelava dignidade. Inclinado para trás, indicava descontração e simplicidade. E, inclinado para a frente, exprimia mistério e sedução. Sem chapéu temos, além disso, de encontrar uma solução urgente para, por exemplo, quando estamos a cavalo e queremos despedir-nos de alguém ao longe. Antigamente, era só agitar o chapéu enquanto nos afastávamos, a caminho do pôr-do-sol.  (Ricardo Araújo Pereira)


Virgem da Capistola







9 de setembro de 2018

Livro e filme: Os Vestígios do dia, de Kazuo Ishiguro

Olá queridos!
Reproduzo o post que fiz no meu blog Mar de Variedade. 
Esse foi o livro de agosto do Clube de Leitura Icaraí. Que livro!

Sinopse da Folha: "O mordomo Stevens, já próximo da velhice, rememora as três décadas dedicadas à casa de um distinto nobre britânico, lord Darlington, hoje ocupada por um milionário norte-americano. Por insistência do novo patrão, Stevens sai de férias em viagem pelo interior da Inglaterra. O mordomo vai ao encontro de miss Kenton, antiga companheira de trabalho, hoje mrs. Benn. No caminho, recorda passagens da vida de lord Darlington e reflete sobre o papel dos mordomos na história britânica. Num estilo contido, o narrador-protagonista acaba por revelar aspectos sombrios da trajetória política do ex-patrão, simpatizante do nazismo, ao mesmo tempo que deixa escapar sentimentos pessoais em relação a miss Kenton, reprimidos durante anos."



Que livro mais encantador! Adorei a escrita do Kazuo Ishiguro, vencedor do Nobel de Literatura do ano passado. 
Nesse livro, o Mordomo Stevens aceita a proposta de seu novo patrão de sair de férias no carro de seu empregador. 
Como só pensa em trabalho, O Mordomo vai atrás de Miss Kenton, que foi governanta da casa, na época em que o patrão era Lord Darlington, simpatizante do nazismo, para tentar trazê-la de volta. 
Ele deixa transparecer seu afeto por ela, que não era só de amizade. 
Ele sai de carro pelo interior da Inglaterra e vai revivendo toda a história como mordomo daquela casa. 
Nós leitores conseguimos saber o que se passa na cabeça do mordomo, que é o narrador, com riqueza de detalhes, e conseguimos entender seus sentimentos.
Ele era extremamente fiel ao seu patrão, não questionava nada, mesmo que fosse uma ordem descabida, era muito profissional, e colocava a vida de seu empregador até mesmo acima da sua, pois acreditava que assim estava desempenhando de forma digna o seu trabalho.  Portanto, acabava não tendo vida pessoal e deixou passar a oportunidade de viver um grande amor. Não vou falar mais do que isso para não dar spoiler. 
"Dei trinta e cinco anos  de minha vida a serviço de Lord Darlington. E certamente não seria injustificado afirmar que durante esse tempo estive, nos termos mais exatos, 'vinculado a uma casa de distinção'." (p. 143)
O filme:
Está disponível na Netflix. Achei o filme bem fiel ao livro, mas não conseguimos ter as percepções que o livro nos passa com a maestria do autor, pois, realmente, entramos nos pensamentos do mordomo Stevens, que é o narrador, no livro, o que não acontece no filme. Mas o filme também é muito interessante e conta com os excelentes atores Anthony Hopkins e Emma Thompson. 

Recomendo ambos!