CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

29 de setembro de 2018

Amor e Ilusão: Riva Silveira


Flor de Lotus
Beleza infinita
No rio dourado
Luz refletida.
Coração curado
Momento iluminado
Lágrima contida
Corpo arrepiado.
Nessa natureza sagrada
Tudo agrada.
No sentimento profundo
Não mais me afundo
Faço da vida uma bela arte
E o amor em mim agora faz parte.


Gerardo de Souza



Dei a volta ao mundo 
Pensamentos intensos
Procurei profundo
Com passos imensos
Caminhei em areias infinitas
Fragilidade contida
Sem pensar para dentro
E nem olhar atento
Vislumbrei um futuro
Por de trás do muro
Coração trancado
Força desviada
Não me permiti
Pois não imaginava
Que tão perto estava
O que  procurava
E me deixaria sorrir.

19 de setembro de 2018

Poemas: Riva Silveira




Reencontro

Fruto proibido 
Amor incompreendido.
Desiludido estou
Sem saber o que se passou
Fechado o céu ficou.
Não  quero saber quem errou
E me decepcionou
Nesse deserto meu coração secou. 
Mas uma razão para enfrentar essa luta  vou achar.
As feridas vou guardar
E tudo ao se transformar
Com a vida vou me casar
A  chuva meu coração vai molhar
Cheiro de flor vou exalar.
Vivendo agora então 
No céu estrelas vão querer me iluminar
E com coragem nessa luta vou  caminhar.





Inspiração

Suspiro
Brisa refrescante
Luz refletindo                                         Sol escaldante
Mãos acalentando 
Abraço sincero
Assim eu sinto...
Borboletas voando
Tons colorindo 
Flores se abrindo 
Olhar penetrando 
Assim eu vejo...
Cheiro de mel
Gosto do fruto
Doces palavras 
Beijo molhado 
Assim eu desfruto...
Tudo perfeito 
Tudo inteiro
Assim eu desejo...
Então me inspiro.




16 de setembro de 2018

Um chapéu para viagem: Zélia Gattai


Pablo Neruda

O chapéu era todo um sistema de comunicação. Usado de forma normal, revelava dignidade. Inclinado para trás, indicava descontração e simplicidade. E, inclinado para a frente, exprimia mistério e sedução. Sem chapéu temos, além disso, de encontrar uma solução urgente para, por exemplo, quando estamos a cavalo e queremos despedir-nos de alguém ao longe. Antigamente, era só agitar o chapéu enquanto nos afastávamos, a caminho do pôr-do-sol.  (Ricardo Araújo Pereira)


Virgem da Capistola







9 de setembro de 2018

Livro e filme: Os Vestígios do dia, de Kazuo Ishiguro

Olá queridos!
Reproduzo o post que fiz no meu blog Mar de Variedade. 
Esse foi o livro de agosto do Clube de Leitura Icaraí. Que livro!

Sinopse da Folha: "O mordomo Stevens, já próximo da velhice, rememora as três décadas dedicadas à casa de um distinto nobre britânico, lord Darlington, hoje ocupada por um milionário norte-americano. Por insistência do novo patrão, Stevens sai de férias em viagem pelo interior da Inglaterra. O mordomo vai ao encontro de miss Kenton, antiga companheira de trabalho, hoje mrs. Benn. No caminho, recorda passagens da vida de lord Darlington e reflete sobre o papel dos mordomos na história britânica. Num estilo contido, o narrador-protagonista acaba por revelar aspectos sombrios da trajetória política do ex-patrão, simpatizante do nazismo, ao mesmo tempo que deixa escapar sentimentos pessoais em relação a miss Kenton, reprimidos durante anos."



Que livro mais encantador! Adorei a escrita do Kazuo Ishiguro, vencedor do Nobel de Literatura do ano passado. 
Nesse livro, o Mordomo Stevens aceita a proposta de seu novo patrão de sair de férias no carro de seu empregador. 
Como só pensa em trabalho, O Mordomo vai atrás de Miss Kenton, que foi governanta da casa, na época em que o patrão era Lord Darlington, simpatizante do nazismo, para tentar trazê-la de volta. 
Ele deixa transparecer seu afeto por ela, que não era só de amizade. 
Ele sai de carro pelo interior da Inglaterra e vai revivendo toda a história como mordomo daquela casa. 
Nós leitores conseguimos saber o que se passa na cabeça do mordomo, que é o narrador, com riqueza de detalhes, e conseguimos entender seus sentimentos.
Ele era extremamente fiel ao seu patrão, não questionava nada, mesmo que fosse uma ordem descabida, era muito profissional, e colocava a vida de seu empregador até mesmo acima da sua, pois acreditava que assim estava desempenhando de forma digna o seu trabalho.  Portanto, acabava não tendo vida pessoal e deixou passar a oportunidade de viver um grande amor. Não vou falar mais do que isso para não dar spoiler. 
"Dei trinta e cinco anos  de minha vida a serviço de Lord Darlington. E certamente não seria injustificado afirmar que durante esse tempo estive, nos termos mais exatos, 'vinculado a uma casa de distinção'." (p. 143)
O filme:
Está disponível na Netflix. Achei o filme bem fiel ao livro, mas não conseguimos ter as percepções que o livro nos passa com a maestria do autor, pois, realmente, entramos nos pensamentos do mordomo Stevens, que é o narrador, no livro, o que não acontece no filme. Mas o filme também é muito interessante e conta com os excelentes atores Anthony Hopkins e Emma Thompson. 

Recomendo ambos!

19 de agosto de 2018

CANTOS A QUEM ME ESQUECEU -Ilnéa País de Miranda


E o que me importam esses anos tantos
Se o que importa é só viver a vida...
Deixar viver esses meus sonhos quantos
Virar história e dela ser guarida.
O que me importam as lágrimas, os prantos
Dos quais guardei o gosto que intimida
E de escutar soturnos acalantos
de cuja história até Deus duvida.
Sei que embalada pelos meus quebrantos
A minha história por mim concebida
Revela um pouco desse pranto meu.
Mas se pontuada por doces encantos
A vida passa, inteira, comovida,
Cantando cantos a quem me esqueceu.
(I, em algum passado)

18 de agosto de 2018

(Há 3 anos) Os Miseráveis nos leva a Paris.






Olha quem vai estar lá!
Dom Pedro II & Victor Hugo


Um grupo se formou para uma pequena exploração.

Vamos visitar a Casa de Victor Hugo, e  lugares mencionados na obra em Setembro

Encontraremos a atmosfera de Os Miseráveis nessa cidade charmosa que a todos encanta.

Não perca!!! 

Em breve, o CLIc se encontra no Café Victor Hugo, em Paris

Avant, mes amis!



14 de agosto de 2018

Revivendo leituras passadas: "O não-ser e o nada" de Oblómov: Goncharov

“Se correres muito nada encontrarás, e pior, não encontrarás a ti próprio.”


Volta às prateleiras o clássico Oblomov.

Nome do protagonista é sinônimo de "inércia" na Rússia
Antonio Gonçalves Filho 


Gontcharov: deprê à moda russa
Do livro Oblomov, de Ivan Gontcharov (1812-1891), já se disse quase tudo, inclusive que o decadente aristocrata que dá nome ao romance seria uma espécie de Hamlet russo. Há um certo exagero na comparação, até porque o dilema desse personagem é bem diferente daquele que levou o príncipe shakespeariano ao beco do "ser ou não ser". Oblomov não planeja nenhuma vingança. Ao contrário. Sua ausência de vontade, sua indolência e seu tédio aristocrático não são sintomas de um conflito interior movido pela cobrança de fantasmas, mas de uma doença hoje conhecida como depressão. Ainda que não seja um Hamlet, contudo, Oblomov tem a substância das grandes criações literárias. Tanto assim que seu nome deu origem a um termo russo, "oblomovchtina", equivalente, em português, a "inércia". É uma boa notícia tê-lo de volta às livrarias brasileiras, numa edição honesta, ainda que um pouco descuidada na revisão (tradução de Juliana Borges; Germinal; 551 páginas; 49 reais).
Aos 32 anos, o anti-herói de Gontcharov é um traste envelhecido que mofa num quarto eternamente fechado de um apartamento em São Petersburgo. Trata-se, enfim, de um zumbi, quase um morto social, não fossem as raras visitas de amigos fiéis como Stolz, única pessoa capaz de tirar Oblomov da cama. Em seu quarto, misto de escritório, sala de visitas e ante-sala do inferno, o protagonista passa a maior parte do tempo em discussões com o velho criado Zahar, "herdado" com a propriedade dos pais na província. Pressionado pelos prejuízos acumulados em sua propriedade rural, Oblomov planeja uma reforma que jamais irá concretizar. Mordaz, Gontcharov opta pelo tom farsesco quando descreve o ambiente e as roupas de seu aristocrata, mas acaba sucumbindo à compaixão, como nas melhores novelas de Tolstoi. Arrastado a reuniões mundanas pelo amigo Stolz, o sonhador Oblomov conhece Olga, mas nem mesmo a voz schubertiana da mulher amada o consegue livrar da solidão e do isolamento. Oblomov é o antípoda de Aduyev, o alpinista social de Uma História Trivial (1847), a primeira novela de Gontcharov. Aduyev deixa a aldeia natal para fazer fortuna em São Petersburgo. Para Oblomov, tanto esforço não leva a lugar nenhum. Melhor ficar na cama. E agradecer a Deus por o dia ter passado depressa neste mundo infernal de senhores e lacaios.
Logo nas primeiras páginas do romance é possível identificar traços biográficos do autor, criado por um avô aristocrata e liberal. Mas, embora satirize a indolência de Oblomov e dos nobres decadentes, Gontcharov, que foi funcionário público por 32 anos, revela-se um conservador. Ele foi, sim, um dos autores da Idade de Ouro da literatura russa. Avançou na trilha aberta por Turgueniev, tocou nos mesmos temas de Tchecov e foi visto por Dostoievski quase como um rival. No entanto, escreveu somente três livros. Tornou-se um escritor amargo, que encerraria sua carreira 22 anos antes de morrer. A despeito de criticar o provincianismo, não se interessou quase nada por aquilo que estava fora do alcance de seu nariz. Tinha muito do deprimido Oblomov, que só não se mata porque tem preguiça de chegar ao precipício.

SEM DAR UM PASSO

"Oblomov, nobre de nascimento, tem o posto de Secretário de Colégio e mora em São Petersburgo há doze anos, sem dali haver saído um só dia. Em vida dos pais estava alojado mais modestamente. Com a morte daqueles, tornou-se senhor de trezentos e cinqüenta servos, numa província distante, nos confins da Ásia. Era, então, jovem, e, se não se pode dizer que fosse ativo, tinha, pelo menos, mais vivacidade. Mas transcorreram os dias, uns após outros. Entrou na casa dos trinta e não dera ainda um único passo em qualquer direção."

Trecho de Oblomov




Fonte: Veja online

11 de agosto de 2018

Livro: A noite da Espera, de Milton Hatoum

Olá queridos!
Reproduzo o post que fiz no meu blog Mar de Variedade. 
Esse foi o livro do mês de julho do Clube de Leitura Icaraí. 
Esse é o primeiro volume da série O lugar mais sombrio.

Sinopse do site da Companhia das Letras: "Nove anos após a publicação de Órfãos do Eldorado, Milton Hatoum retorna à forma da narrativa longa em uma série de três volumes na qual o drama familiar se entrelaça à história da ditadura militar para dar à luz um poderoso romance de formação. Nos anos 1960, Martim, um jovem paulista, muda-se para Brasília com o pai após a separação traumática deste e sua mãe. Na cidade recém-inaugurada, trava amizade com um variado grupo de adolescentes do qual fazem parte filhos de altos e médios funcionários da burocracia estatal, bem como moradores das cidades-satélites, espaço relegado aos verdadeiros pioneiros da capital federal, migrantes desfavorecidos. Às descobertas culturais e amorosas de Martim contrapõe-se a dor da separação da mãe, de quem passa longos períodos sem notícias. Na figura materna ausente concentra-se a face sombria de sua juventude, perpassada pela violência dos anos de chumbo. Neste que é sem dúvida um dos melhores retratos literários de Brasília, Hatoum transita com a habilidade que lhe é própria entre as dimensões pessoal e social do drama e faz de uma ruptura familiar o reverso de um país cindido por um golpe."


Desde que Li "Dois Irmãos", Hatoum se tornou um dos meus autores contemporâneos favoritos. 
Nesse livro, o autor vai retratar um pouco da época da ditadura militar, ao contar a história do jovem Martim, paulista, que vai morar com o pai em Brasília. 
O livro começa com o protagonista em Paris, relembrando sua juventude, nos anos 60. 
"'Teu pai decidiu morar em Brasília', ela disse segurando e apertando minhas mãos. 'Eu e meu companheiro... nós nos apaixonamos, Martim. Você vai entender. Escreve para o endereço do teu tio. Brasília é uma cidade diferente, mas você vai gostar de lá.'" (p.25)

Assim, vamos acompanhando a vida desse jovem. A dor por não ter a mãe por perto. O difícil relacionamento com o pai. O namoro com Dinah. A amizade com outros jovens. 
Ele vai trabalhar em uma livraria. Seus amigos são atores. 
Acompanhamos muitas aventuras e emoção de Martim e seus amigos, tendo por pano de fundo a época da ditadura. 
Já quero a continuação. Espero que não demore muito.
Recomendo! 

8 de agosto de 2018

Os vestígios do dia: Kazuo Ishiguro





"Uma coisa que constatei é que a vida pública pode tornar as pessoas irreconhecíveis em uns poucos anos."



Lendo Lolita no CLIc


O escritor espia seus medos
arranca da alma sutilezas
e por vezes expõe segredos
que de si próprio sangram vilezas.

Verdade ou invenção tanto faz:
do mesmo jeito causa estupor
quando sua obra é capaz
de singrar as veias do leitor.

Vai, vai sim, escritor
ferir todas as suscetibilidades.
Iluminar onde se esconde a dor
é a sua responsabilidade.

(poema de novaes/, composto em resposta a um post sobre Lolita, de Nabokov)