CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

31 de agosto de 2017

Goethe e a Solidão: Antonio Rodrigues




“Quando sentimos falta de nós mesmos, falta-nos tudo.”

Outro dia reli o clássico “Os sofrimentos do jovem Werther”, de J. W. Goethe, a procura da frase acima, que o meu esforço de memória não me havia feito recordá-la com precisão. A certa altura, finalmente, a encontrei na página 75 da 6ª edição da editora Estação Liberdade.

A pós-modernidade, de certa forma, nos roubou a experiência da solidão. E não só nos roubou como nos legou uma verdadeira ojeriza, um inaudito pânico da solidão. A solidão vista assim é um mal a ser evitado, preenchido com mil coisas, pois ela pode nos levar a experiência da depressão (?).

Mas o que seria a solidão? Em abordagem sobre o tema, a Revista Superinteressante traz a fala do psicólogo existencial Jadir Lessa, que recorre a Heidegger:

“O filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976) afirma em Ser e Tempo que estar só é a condição original de todo ser humano. Que cada um de nós é só no mundo. É como se o nascimento fosse uma espécie de lançamento da pessoa à sua própria sorte. Podemos nos conformar com isso ou não. Mas nos distinguimos uns dos outros pela maneira como lidamos com a solidão e com o sentimento de liberdade ou de abandono que dela decorre, dependendo do modo como interpretamos a origem de nossa existência. O homem se torna autêntico quando aceita a solidão como o preço da sua própria liberdade. E se torna inautêntico quando interpreta a solidão como abandono, como uma espécie de desconsideração de Deus ou da vida em relação a ele. Com isso abre mão de sua própria existência, tornando-se um estranho para si mesmo, colocando-se a serviço dos outros e diluindo-se no impessoal. Permanece na vida sendo um coadjuvante em sua própria história.”

Não quero aqui definir nada sobre essa questão complexa da solidão. Quero apenas provocar-lhes uma reflexão. Será que a pós-modernidade nos fez chegar ao ponto de sentirmos falta de nós mesmos? E sentir falta de nós mesmos seria a expressão máxima do vazio existencial? 

Antonio Rodrigues
Deixo aqui outro belo fragmento de "Os sofrimentos", na página 22 da edição citada, uma contribuição da literatura à reflexão sobre a urgente questão da solidão, uma questão do nosso tempo , mas também  uma questão intemporal do homem. Um possível encontro de "si consigo mesmo", e daí um encontro fecundo com o mundo:  

"Volto-me para dentro de mim mesmo e encontro um mundo! Mais de pressentimentos e desejos que de raciocínios e forças vitais. E então, tudo flutua ante meus olhos, sorrio e sonhando penetro ainda mais neste mundo."


29 de agosto de 2017

Luís Antônio Pimentel




Caros amigos,

Hoje (7/5/2015) saiu no Segundo Caderno dO Globo, página 7, uma breve história de Luís Antonio PIMENTEL no obituário. Está bastante clara e é imperdível para todos os brasileiros conhecerem melhor um dos maiores escritores brasileiros, além da pessoa maravilhosa que sempre soube ser, aproximando as pessoas, contribuindo para a literatura, a fotografia, o jornalismo, sempre sorridente, com uma memória prodigiosa. Sempre que eu queria saber algo relativo à história fluminense, ou à política brasileira, era PIMENTEL que eu procurava. 

Ainda estou muito triste. Ele será inesquecível. 

Minha proposta de EDUCAÇÃO LITERÁRIA como metáfora Social tem sido provocar novas reflexões sobre os paradigmas impostos nos estudos da literatura brasileira. O processo de educar através da literatura é a representação simbólica dos espaços sociais de cidadania, mas nem sempre procuramos ampliar os limites, estimular a leitura da verdadeira literatura brasileira nas escolas, nas universidades. Incluir a obra de PIMENTEL nas escolas e universidades será uma perfeita contribuição para estimular novas leituras sobre a verdadeira literatura brasileira.  Além de historiador, fotógrafo e jornalista, foi certamente um dos escritores brasileiros mais conhecidos no exterior. 

A agenda Poética da Associação Niteroiense de Escritores de 1994 foi dedicada a Luis Antonio PIMENTEL. 

O Poesia Sempre de dezembro de 2002, ano 10 número 17, foi dedicado à 'grande poesia e cultura do Japão' e a Luis Antonio PIMENTEL, que aborda não apenas a formação do 'haicai', mas, sobretudo, certos matizes do pensamento oriental, após longa residência no Japão. 

O artigo tem por título 'A Poesia e suas demandas'. 

'Quem ainda não viu, ora em ouro, ora em prata, ora em madrepérola, uma porção de garatujas exóticas mas decorativas, arabescando o negror invejável e luzidio de uma caixa de charão? Não há quem ainda não as tenha visto e mesmo admirado. Viram nas casa de charão, nos vasos enramados de cerejeiras e ameixeiras floridas, nas lanternas de Gifu ou Odawara, nos leques cromados, nas ventarolas delicadas de bambu e papel, ou nas finíssimas xícaras de chá que o Japão exporta para o mundo inteiro. É sobre esses arabescos  retorcidos, que são quase sempre maravilhosos poemas de rara delicadeza e emoção,  quer pelo seu tamanho reduzido, quer pela sua essência, que escrevemos hoje. Esses arabescos são poemas de 31 sílabas, que formam as famosas poesias 'waka' (pronuncia-se 'uaca') e haicai - mostra magnífica do espírito delicado dos nipões, que parecem ter nascido para a arte, para a literatura. 

Embora os japoneses tenham herdado muito da cultura chinesa, através do budismo que ali chegou, atravessando a península da Coreia, no ano 600 da nossa era, quando adotaram a escrita chinesa, os caracteres chineses que chamam de 'Kan-ji' (letra ou ideograma da dinastia Kan) a waka e o haicai são poesias genuinamente japonesas. São poesias sóbrias, delicada e complexas como o povo japonês. 

A poesia espelha bem a alma de um povo. Uma nação cujos súditos se dedicam ao 'Bon-Kei', confecção de paisagens em miniatura, ao Bon-Sai', árvores anãs de 10 centímetros de altura ou pouco mais, florescendo e frutificando, ou escrevem poemas em grão de arroz, não poderia ter como poesia nacional, como não tem, uma composição agigantada. De uma síntese absoluta, essas poesias, que vêm desde o ano 840 a.C., serviriam para, com ótima documentação, rotular os 'marinetti' que andam por aí falando em modernismo, como ridículos, ridiculíssimos e bolorentos passadistas. A 'waga', que é poesia típica, vem desde a Era dos Deuses, quando o Japão era todo um céu. Foi, sem dúvida alguma, Susano-wo-no-Mikoto, irmão da Deusa Sol, fundadora do Império do Sol Nascente, quem compôs a primeira 'waka', que não se perdeu em sua trajetória através dos séculos. 

(....)

Há mais de 1.100 anos foi publicada a primeira obra clássica de 'waka', intitulada Manyo-shu. primorosa coletânea de poesias feitas por poetas de todas as castas, desde imperadores até soldados e agricultores, que ainda em nossos dias é editada, lida e comentada pelo seu grande valor como documento histórico. Os poetas máximos dessa época foram Hitomaro, Akahito, Okura, Yakamochi e outros. 

Mais tarde, na era do imperador Daigo (ano 922 da nossa era) foi compilada uma outra coletânea, ou melhor, uma antologia não menos notável, intitulada 'Koshin-shu' (coletânea de antigas e novas 'wakas'), de onde selecionaram os 100 poemas célebres que estão ornamentando as cartas usadas para jogar durante os dias festivos do ano-novo no Japão. Essa nova obra veio enriquecer sobremaneira a poesia japonesa, lançando nomes com Tsurayuki, Narahira e a poetisa Komachi, que marcou época no Império das Cerejeiras em Flor, ficando famosa não somente pelo seu talento invejável, pela sua inspiração divina, mas, principalmente por sua incomparável beleza. Seu nome ainda hoje no Japão é empregado como sinônimo de mulher bela e talentosa. 

Daí por diante, várias séires de 'waka' surgiram, mas já sob o controle do governo, sem contudo, lograr o sucesso marcante, definitivo, absoluto das publicações anteriores. 

(...)

No século XIII, com o evoluir da 'waka', surgiu um novo tipo de poesia que se chamou 'renka' (poema em sequência). Tornou-se hábito dois poetas ou mais comporem, alternativamente, em 14 sílabas métricas um poema do tipo tams peomas 

Tenho sua obra completa e a cada releitura mais me interesso, com as revelações construídas em sua própria vida, viajando e desenvolvendo sempre o diálogo com as pessoas, com a cultura, com a sociedade, com a vida. Foi o introdutor do Haicai no Brasil, em sua versão original: jornalista, morou no Japão e foi radialista da Rádio Meus alunos também ficam emocionados quando descobrem a profundidade dos textos, de forma simples e profunda. E quando descobrem o verdadeiro 'haicai', querem sempre saber mais e escrever os seus. 

'O que o haicai?
É o cintilar das estrelas
na gota de orvalho.'


Para apresentar seu trabalho em congressos no exterior, fiz a versão em inglês: 

'What is a haicu?
It's the dazzling of stars
on a drop of dew.


Ele também foi a capa da Agenda Cultural de Niterói, em março de 2012. Guardo dentro da carteira um cartão com seu retrato, e meu marcador de páginas é com fotos de PIMENTEL, sob a faixa 'Escritores ao Ar Livro'.

Na parede sobre o piano, tenho um pequeno quadro pendurado, dizendo

'Cyana Leahy-Dios.
Musical e sem fermata,
Teu nome é um acorde'.


A saudade será eterna. Seu exemplo de vida deve ser modelo para todos nós. Ainda estou muito triste e jamais esquecerei tudo o que fizemos juntos, com a presença maravilhosa da ZULEICA! Amigo maravilhoso, insubstituível, inesquecível. Ainda bem que conseguiu receber todas as homenagens prestadas, merecidamente!

Abraço carinhoso,




Cyana Leahy
Professora Universidade Federal Fuminense
PhD em Educação Literária (London University)
Autora de 18 livros de poesia, prosa literária, pesquisa acadêmica publicados pelas editoras Autêntica, Casa da Palavra, CL Edições, EdUFF, Franco, Martins Fontes, Papirus, 7 Letras
Contos Tradicionais Irlandeses (Franco Editora) recebeu o prêmio 'Ireland Literary Exhange Award, Dublin, 2005 por divulgar a literatura irlandesa no exterior. Todos os Sentidos: contos eróticos de mulheres (em co-autoria, foi premiado como 'melhor livro de contos de 2004', pela União Brasileira de Escritores. 
Tradutora de obras literárias e acadêmicas, publicadas pelas editoras Casa da Palavra, Bertrand, Fraiha, Martins Fontes



26 de agosto de 2017

Revivendo leituras passadas - Brave New World: Aldous Huxley

BEM VINDOS AO ADMIRÁVEL MUNDO NOVO!



Artista/Música: The Strokes- Soma
Livro: Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley
Letra (Original/Tradução):
Soma is what they would take when
Hard times opened their eyes
Soma é o que eles tomariam quando
Tempos difíceis abrissem os seus olhos
Além disso: Soma é o nome dado por Huxley a um alucinógeno no livro. A droga também é referência deThe Smashing Pumpkins e Deadmau5 em suas canções com mesmo nome.




O, wonder! 
How many goodly creatures are there here!
How beauteous mankind is! O brave new world,
That has such people in't!

The Tempest - Act 5, Scene 1
Shakespeare


Oh, Google! Nosso mundo ainda é mais admirável do que imaginou Huxley, que não previu CD, DVD, Blu-ray, i-Pods, Tablets, ... Mídias continuariam sendo rolos de fita. Celular, Internet, então, nem pensar. O Ford!

Ó mais que admirável clube de leitura 
como é bom pertencer a um clube assim!


E ainda mais admirado fiquei quando descobri pelo livro de Huxley que não foi Arthur C. Clark quem previu a colocação em órbita de satélites artificiais, mas Shakespeare. É isso mesmo: Shakespeare!
Capa do DVD

“I”ll put a girdle round about the earth / In forty minutes” 
(Sonho de uma Noite de Verão, II, 1).

Somente velocidades orbitais conseguem ir tão rápido, "se vocês entendem do que estou falando"!


Ford dos calhambeques, está na hora do meu ½ grama de soma!!!


Beija-me, abraça-me com rudeza;
Esgota-me até o coma;
Conserva-me a ti presa;
O amor é como o soma.


"Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, foi escrito e publicado bem no início dos anos 1930, pouco mais de vinte anos após o lançamento do primeiro Ford Modelo T (1908), carro-símbolo da revolução que o industrial Henry Ford implementou, não só na indústria automobilística, mas no próprio capitalismo, aprofundando o sistema produtivo vigente até então. A “linha de montagem” e a produção em massa passaram a ser a regra em toda a indústria.

Charles Chaplin mostrou e criticou com ironia essa "novidade" da época, no seu excelente "Tempos Modernos". O que notabilizou Ford foi isso: a criação da linha de produção moderna, ou seja, um sistema encadeado, onde o trabalho é dividido em etapas e cada operário faz só a sua etapa. Este sistema era "mais lógico" e mais rápido e economicamente mais interessante para o capitalista. O projeto de Ford era fazer um carro tão barato que seus próprios empregados pudessem comprá-lo. A cor preta era mais barata e secava mais rápido, o que determinou sua utilização no modelo que ficou famoso nesse esquema: o Ford T (no livro, os personagens fazem o sinal do T no peito, ao invés do sinal da cruz, indicando seu respeito à 'divindade' Ford).

Antes de Ford, a visão do trabalho ainda era impregnada pelo conceito artesanal medieval, algo romântico, em que um trabalhador produzia quantas peças inteiras conseguisse fazer. Embora já houvesse a divisão do trabalho, apontada por Marx no século 19, foi Ford quem radicalizou o processo produtivo, acabou com o “trabalhador-artesão” de vez e consagrou a "produção em massa". Que, não nos iludamos, veio para ficar; mas sem dúvida trouxe consigo um certo conceito de "transformar homens em máquinas", daí a crítica bem-humorada mas contundente de Chaplin em seu filme. Acho que Huxley foi por aí, radicalizando o modelo, certamente, a meu ver, com uma ironia cortante. Seu “admirável” (para quem?) mundo novo seria o ápice desse sistema desumanamente esquematizado, voltado exclusivamente à produtividade máxima, à estabilidade dos homens-robôs com seus papéis pré-determinados, divididos profissional e socialmente.

Para o bem ou para o mal, sem dúvida Ford foi um pioneiro, mas não foi de modo algum um "deus"... Depois do enorme sucesso do Ford T, que vendeu horrores, um certo Chevrolet percebeu que as pessoas ja estavam saturadas do modelo T, preto. E lançou carros coloridos, que rapidamente abocanharam uma boa fatia do mercado. Mas o conceito de "produção em massa" ficou... Diga-se, ainda, que Henry Ford foi ativo simpatizante de Hitler. É bem razoável supor que, se o mundo fosse "administrado" por Ford, ele poderia ser mesmo bem próximo do que Huxley imaginou."

24 de agosto de 2017

Memórias Póstumas de Brás Cubas: Machado de Assis

Virgília amava-me com fúria; aquela resposta era a verdade patente. Com os braços ao meu pescoço, calada, respirando muito, deixou-se ficar a olhar para mim, com os seus grandes e belos olhos, que davam uma sensação singular de luz úmida; eu deixei-me estar a vê-los, a namorar-lhe a boca, fresca como a madrugada, e insaciável como a morte. A beleza de Virgília tinha agora um tom grandioso, que não possuíra antes de casar. Era dessas figuras talhadas em pentélico, de um lavor nobre, rasgado e puro, tranqüilamente bela, como as estátuas, mas não apática nem fria. Ao contrário, tinha o aspecto das naturezas cálidas, e podia-se dizer que, na realidade, resumia todo o amor. Resumia-o sobretudo naquela ocasião, em que exprimia mudamente tudo quanto pode dizer a pupila humana. Mas o tempo urgia; deslacei-lhe as mãos, peguei-lhe nos pulsos, e, fito nela, perguntei se tinha coragem.
— De quê?
— De fugir. Iremos para onde nos for mais cômodo, uma casa grande ou pequena, à tua vontade, na roça ou na cidade, ou na Europa, onde te parecer, onde ninguém nos aborreça, e não haja perigos para ti, onde vivamos um para o outro... Sim? fujamos. Tarde ou cedo, ele pode descobrir alguma coisa, e estarás perdida...ouves? perdida... morta... e ele também, porque eu o matarei, juro-te.

Morro da Conceição

A sátira menipeia é uma forma de sátira escrita geralmente em prosa, com extensão e estrutura similar a um romance, caracterizada pela crítica às atitudes mentais ao invés de a indivíduos específicos.


Memórias acabam em pizza

Virgília era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação. Era isto Virgília, e era clara, muito clara, faceira, ignorante, pueril, cheia de uns ímpetos misteriosos; muita preguiça e alguma devoção, — devoção, ou talvez medo; creio que medo.


Nhã-Loló: 200 anos depois, a febre amarela está de volta

Bem aventurados os que não descem 
porque deles é o primeiro beijo das moças





"O indivíduo se emociona para ficar 'fora de ação' 
e não se encarregar da vida"


Volúpia do aborrecimento

Fiquei prostrado. E contudo era eu, nesse tempo, um fiel compêndio de trivialidade e presunção. Jamais o problema da vida e da morte me oprimira o cérebro; nunca até esse dia me debruçara sobre o abismo do Inexplicável; faltava-me o essencial, que é o estímulo, a vertigem...

Para lhes dizer a verdade toda, eu refletia as opiniões de um cabeleireiro, que achei em Módena, e que se distinguia por não as ter absolutamente. Era a flor dos cabeleireiros; por mais demorada que fosse a operação do toucado, não enfadava nunca; ele intercalava as penteadelas com muitos motes e pulhas, cheios de um pico, de um sabor... Não tinha outra filosofia. Nem eu. Não digo que a Universidade me não tivesse ensinado alguma; mas eu decorei-lhe só as fórmulas, o vocabulário, o esqueleto. Tratei-a como tratei o latim; embolsei três versos de Virgílio, dois de Horácio, uma dúzia de locuções morais e políticas, para as despesas da conversação. Tratei-os como tratei a história e a jurisprudência. Colhi de todas as coisas a fraseologia, a casca, a ornamentação...


De Brás Cubas para Marcela



Leituras Suplementares

O Alienista: Machado de Assis
Tartufo: Molière
Um mapa da desleitura: Harold Bloom
Teogonia: Hesíodo
Fenomenologia do espírito: Hegel
Poética: Aristóteles
Fausto: Goethe
Amar, verbo intransitivo: Mário de Andrade
Carmen: Prosper Merrimée
O riso: Bergson
Esboço para uma teoria das emoções: Jean Paul Sartre
Recollections of Early Childhood: V. Wordsworth
The rainbow: V. Wordsworth
Memórias de um sargento de milícias: Manuel Antônio de Almeida
Cândido: Voltaire
A Divina Comédia: Dante Alighieri
Guilherme Tell: Schiller
Quincas Borba: Machado de Assis

A filosofia da miséria: PROUDHON, P-J. 





I will chide no breather in the world but myself, 
against whom I know most faults.


Morro do Livramento


Na hora certa, o amor dá certo!

A dor que se dissimula dói mais.




Amo-te, é a vontade do céu!




O Mito: Carlos Drummond de Andrade


"Que bom que é estar triste e não dizer coisa alguma!"
(Shakespeare)


16 de agosto de 2017

The Science of Interstellar: Kip Thorne







Einstein's law of time warps: 
everything likes to live where it will age the most slowly, 
and gravity pulls it there.



Tesserato, o hipercubo da quarta dimensão

"These giant walls of energetic matter, separate universes, float side by side, like huge sheets in the bulk/hyperspace. The membranes can be very close to each other, perhaps just a millimeter apart. An entire universe can be attached to a brain, or a universe can occupy the whole of another one. Look, I’m not making this up, I’m perhaps a bit sloppily mashing the concepts together, because indeed, I’m not a physicist nor a mathematician, but someone intellectually and emotionally interested in the subject matter! " (source)



Aurora: protons flying outward from the Sun are caught by Earth's magnetosphere and driven into the atmosphere, where collide with oxygen and nitrogen molecules, making them fluoresce.


The Aurora Borealis in the sky over Hammerfest, Norway

Black holes are made fully and solely from warped space and warped time. They contain no matter whatsoever, but they have surfaces, called "event horizonts", through which nothing can escape... A black hole circunference is proportional to its mass: the heavier it is, the bigger it is. 



From Anne Hathaway to Kip Thorne



  1. What is the relationship of time to gravity?
  2. Why do we think there might be higher dimensions?
  3. What is the current status of research on quantum gravity?
  4. Are there any experimental tests of quantum gravity?

Answers on the way


Do not go gentle into that good night


Dylan Thomas1914 - 1953
Do not go gentle into that good night,
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.


Though wise men at their end know dark is right,

Because their words had forked no lightning they

Do not go gentle into that good night.



Good men, the last wave by, crying how bright

Their frail deeds might have danced in a green bay,

Rage, rage against the dying of the light.



Wild men who caught and sang the sun in flight,

And learn, too late, they grieved it on its way,

Do not go gentle into that good night.



Grave men, near death, who see with blinding sight

Blind eyes could blaze like meteors and be gay,

Rage, rage against the dying of the light.



And you, my father, there on the sad height,

Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.

Do not go gentle into that good night.

Rage, rage against the dying of the light.


Do esplendoroso caos


A Vida Humana em Perigo

 

Êxodo





Não adentre a boa noite apenas com ternura.



Coisas estranhas andam acontecendo na Rússia: buraco  com largura de cerca de 40 m visto na região de Perm.




Livros de referências:

  1. Black Holes and Time Warps: Einstein's outrageous legacy - Kip Thorne;
  2. Cosmology, the Science of the Universe - E. Harrison;


(Se você tem alguma questão sobre o filme, utilize o espaço para comentários abaixo e escreva sua pergunta)


13 de agosto de 2017

Dia dos Pais

"Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto..."  
(Antes que eles cresçam - Affonso Romano Sant'Anna)




Paisagens correrem,
o caixeiro-viajante
viu, na vida breve.


(Haicai em homenagem ao meu pai)

Pai, cedo partistes,
mas, para sempre carrego,
teu carinho e amor.

Viu, por toda a vida,
pela janela do trem,

paisagens correrem.


Queridos amigos, papais, estou certa de que vocês deram aos seus filhos, não só quando crianças, mas até hoje, já crescidos, e muitos também papais, todo o carinho e afeto que trazem em seus sensíveis corações. 

Desejo-lhes um dia muito feliz, pleno de amor e alegria.

Abraços afetuosos de

Elenir

12 de agosto de 2017

Apresentação de OS TRABALHADORES DA* MAR de Victor Hugo: Fernando Costa




- Foi por causa da minha grande admiração por OS TRABALHADORES DA* MAR que tornou-me navegante solitário, apaixonado por ilhas e evitando continentes...

- Sim, felicidade pra mim é velejar em solitário rumo a uma ilha desconhecida de preferência pequena, de preferência pouco habitada ou melhor ainda deserta e bem longe da costa, embora meu nome seja Fernando Costa. :)

- Desde que ouvi pela primeira vez essa incrível estória, (contada pelo meu pai, quando eu tinha 8 anos de idade) decidi inconscientemente transformar-me em Gilliatt...

- Tarefa das mais difíceis, pois que Gilliatt é o SUPER HOMEM de ASSIM FALAVA ZARATUSTRA de Nietzshe romantizado por Victor Hugo.

- Gilliatt é capaz de façanhas heroicas, everestianas, colossais.

- Quem sou eu pra querer ser Gilliatt?!!!

- Gilliatt é uma estrela brilhante de primeira grandeza e eu um mísero e obscuro asteroide perdido nos confins do Universo.

- Eu, navegando,não chego a ser a sombra do cão de Gilliatt...

- Ué, mas Gilliatt não possuía e nem gostava particularmente de cães.

- Gilliatt amava os pássaros, isto sim.

- Gilliatt comprava pássaros dos moleques de Guernesey, só pra libertá-los no minuto seguinte.

- Gilliatt, segundo as más línguas, é herdeiro do diabo e segundo as boas línguas filho querido da* divina* MAR...

- Sim, sim, Gilliatt é tão extraordinário que foi adotado pela divina* MAR, que abre caminho, durante as tempestades, para que ele passe incólume, a bordo de seu cascudo veleiro, arvorando quatro velas, que nenhum outro marujo conseguiu jamais domar...

-  Apesar da imensa importância de Gilliatt em OS TRABALHADORES DA* MAR, os perspicazes leitores e leitoras do simpático Clube de Leitura Icaraí perceberão rapidinho que o verdadeiro protagonista deste meta-romance ou se preferirem anti-romance é a* divina* MAR, em todos os seus estados, desde a* mar-de-azeite das calmarias equatoriais até a* mais tempestuosa das* mares, que segundo Victor Hugo, não pode ser outra que a* MAR da MANCHA onde navega Gilliatt desde sempre...

- O livro é como já lhes disse um meta-romance, obra da mais alta maturidade do autor de "Os Miseráveis" e de "Notre Dame de Paris".

- Na essência, o livro é um profundo ensaio filosófico e poético, apesar de escrito em prosa, sobre a ”obra-prima da Mãe Natureza”, os oceanos do planeta Terra.

- Pra vocês terem uma ideia de até onde vai minha paixão pelo OS TRABALHADORES DA MAR, digo-lhes que eu só fotografo para ilustrar meus extratos favoritos desse livro ímpar e inigualável...

- Sim, sim, adoro combinar fotografias com extratos favoritos dos meus livros favoritos.

- Vejam por exemplo esta combinação aqui, mais esta aqui e mais esta aqui.







- Gostaram amigos?

- Teria muitas outras coisas importantes a  dizer-lhes sobre os TRABALHADORES DA* MAR, mas como meu tempo é curto e o de vocês mais ainda, direi só mais uma coisa.

- O livro divide-se em três partes:

PRIMEIRA PARTE – Clubin

SEGUNDA PARTE – Gilliatt

TERCEIRA PARTE – Déruchette

Clubin,  importante personagem da nossa estoria sui-generis é o maior de todos os patifes que esse mundo já viu. Um salafrário travestido de cidadão digno, um homem acima de qualquer suspeita, que passa a vida inteira com a cara feia escondida por trás de uma máscara de honestidade, para aplicar um único golpe de mestre ao fim da vida. Golpe este que acaba...

De Gilliatt já falamos.

De Déruchette a jovem e bela musa de Gilliatt direi apenas que ela, como a maioria das brasileiras idem, adora “assistir novela televisiva”, essa praga, essa faculdade de todas as patifarias e por causa desse lamentável vício, acaba trocando "ouro legítimo" por "latão vagabundo".

Gostaria de chamar  atenção de vocês para três capítulos do livro, que para mim são três pequenas obras-primas dentro de uma colossal obra prima.

- Quais?






“O que se vê e o que se entrevê”





“Os ventos do largo”



Gostaria de convidá-los para visitar a exposição virtual da Biblioteca Nacional da França intitulada – L’homme Océan, sobre Victor Hugo.





 que possuiu uma sala chamada LES TRAVAILLEURS DE LA MER (Os Trabalhadores da* MAR).





Último comentário: OS TRABALHADORES DA* MAR, foi traduzido pelo mais inteligente dos brasileiros,  Machado de Assis, aos 22 anos de idade, e vocês poderão ler gratuitamente esta preciosa tradução online, no seguinte link:  Os Trabalhadores do Mar - Wikisource




Grande abraço a todas e a todos.



Fernando Costa, a sombra do cão que Gilliatt jamais teve... :)



Ahhhh, só mais uma palavrinha, que no final das contas é uma sugestão - gravem a leitura do extrato do livro favorito de vocês (5 minutos) e tragam no dia dos comentários, salvo num pendrive, pra gente realizar um troca-troca.