CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

17 de janeiro de 2019

Machado: Silviano Santiago (2/2)





Originalmente, a região do Largo do Machado era ocupada por uma lagoa, a Lagoa do Suruí, também chamada Lagoa da Carioca ou de Sacopiranha, que era alimentada pelo Rio Carioca. Por sua vez, a lagoa alimentava o Rio Catete. Posteriormente, a lagoa foi aterrada, dando lugar ao Campo das Pitangueiras. Num dado momento, sua denominação mudou para Campo das Laranjeiras. No século XVII, era conhecido como Campo das Boitangas ("boitanga" era um tipo de cobra). No início do século XVIII, passou a ser chamado Campo ou Largo do Machado, em referência ao oleiro André Nogueira Machado, proprietário de terras no local. Por volta de 1810, um açougueiro também de sobrenome Machado instalou-se no largo e ilustrou a fachada de seu estabelecimento com um grande machado. Também em 1810, o largo do Machado passou a constar como logradouro oficial na cidade. (Wikipedia)


Largo do Machado


O homem, uma vez criado, desobedeceu logo ao Criador, que, no entanto,  lhe dera uma paraíso para viver. Mas não há paraíso que valha o gosto da rebeldia.





A mocidade é uma sublime impaciência. Diante dela a vida se dilata, e parece-lhe que não tem mais um instante para vivê-la. A mocidade põe os lábios na taça da vida, cheia a transbordar de amor, de poesia, de glória, e quisera esvaziá-la de um sorvo.










A sobriedade vem com os anos; é virtude do talento viril. Entrado na vida,  homem aprende a poupar sua alma.


Roda dos enjeitados

Na vida há simetrias inesperadas e definitivas... a verdade pode ser inverossímil e muitas vezes o é... simetrias não são fortuitas e menos fortuitas ainda são as coincidências das personalidades envolvidas por elas em trama inesperada... o ciclo das simetrias, das coincidências e das metamorfoses e das reencarnações dos personagens não se encerra assim, de modo tão lógico.   









NADA DE BOM ACONTECE ÀS PRESSAS!!!



Dom Pedro II - A Ciência sou Eu

Sou vítima de complôs armados pelo destino. Gosto dos enigmas propostos pelo Acaso e que se adensam e se metamorfoseiam pouco a pouco em incógnita. Gosto deles porque são autênticos responsáveis pelo modo como o mistério tece a vida que cumpre a mim, a nós, desvendar como detetives para melhor revelar isto a que se chama o ser humano, suas alegrias e adversidades. 


Flaubert: “Uma testemunha conta que
o menino aprendeu a ler muito tarde
e que seus familiares o tinham
então por criança retardada”

Quem furtou pouco fica ladrão, quem furtou muito fica barão.




"J'ai le sentiment d'être mort plusieurs fois" (Flaubert)




Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. E foi assim que cheguei à cláusula dos meus dias; foi assim que me encaminhei para o undiscovered country de Hamlet, sem as ânsias nem as dúvidas do moço príncipe, mas pausado e trôpego como quem se retira tarde do espetáculo. Tarde e aborrecido. Viram-me ir umas nove ou dez pessoas, entre elas três senhoras, minha irmã Sabina, casada com o Cotrim, a filha, — um lírio do vale, — e... Tenham paciência! daqui a pouco lhes direi quem era a terceira senhora. Contentem-se de saber que essa anônima, ainda que não parenta, padeceu mais do que as parentas. É verdade, padeceu mais. Não digo que se carpisse, não digo que se deixasse rolar pelo chão, convulsa. Nem o meu óbito era coisa altamente dramática... Um solteirão que expira aos sessenta e quatro anos, não parece que reúna em si todos os elementos de uma tragédia. E dado que sim, o que menos convinha a essa anônima era aparentá-lo. De pé, à cabeceira da cama, com os olhos estúpidos, a boca entreaberta, a triste senhora mal podia crer na minha extinção.







16 de janeiro de 2019

Haicais: Elenir


Tive tanta coisa...
A casa da praia e o mar,
da serra e a lareira.


Cacos coloridos,
vitral de minha vida. Uns
cinza, outros vibrantes.
Falta, ainda, um mês,
para chegar o verão.
Já ouço as cigarras


Ponto de cem réis.
A Igreja S. Lourenço e,
do Fonseca, o início




Na Boa Viagem,
é, a igrejinha do morro,
um ponto de luz.




Nasci no Fonseca.
Lá deixei a Alameda o Horto
e o Colégio Brasil.


                      Essa foto de Palácio Quitandinha é cortesia do TripAdvisor

Natureza artista.
Quitandinha sob o ruço.
Tela de Monet.

Elenir palavreando a seus companheiros do clube do livro

Palavras e livros,
meus companheiros. Com eles
me conheço e o mundo.


2 de janeiro de 2019

Revivendo leituras passadas - O homem que amava os cachorros: Leonardo Padura






A picareta que matou Trótsky

Ao desembarcar no porto de Tampico no México, em 1937, a revista americana “Time” publicou: 

“Hoje Trótsky está no México – o país ideal para um assassinato”.


“A alternativa histórica é a seguinte: ou o regime de Stálin é uma recaída detestável no processo de transformação da sociedade burguesa em uma sociedade socialista, ou o regime de Stálin é o primeiro estágio de uma nova sociedade exploradora. Se a segunda hipótese mostrar-se correta, então, logicamente, a burocracia se converterá em uma nova classe exploradora.” (Trotsky)


Robert Sheldon Harte (1915–1940) was an American Communist who worked as one of Leon Trotsky’s assistants and bodyguards in CoyoacánMexico. During the Stalinistattack against Trotsky’s household on May 24, 1940, Harte was abducted and later murdered by the Stalinist agents, among them David Alfaro Siqueiros (accused of the murder). Pablo Neruda is also accused of conspiring in the plot, in helping the latter to escape to Chile. However, Neruda denied this and claimed that he had issued the Chilean visa on the orders of Mexican President Manuel Ávila Camacho. Harte's body (shot in the head) later was found alongside the road to Desierto de los Leones and Trotsky commissioned a plaque and had it placed at the front of the house with the text: "In Memory of Robert Sheldon Harte, 1915–1940, Murdered by Stalin."






A história não terminou!



Premiado na França, na Itália e em Cuba e prestigiado em mais de sete traduções, o thriller O homem que amava os cachorros, de Leonardo Padura, é tema de debate da próxima edição do Clube de Leitura Icaraí. O evento acontece nesta sexta, dia 11 de julho, às 19h, na Livraria Icaraí (Rua Miguel de Frias, 9, em Niterói). A entrada é gratuita.

A história se passa em 2004 e é narrada pelo protagonista Iván, um aspirante a escritor que atua como veterinário em Havana. Ao encontrar com um homem que passeava com seus cães, Iván trava uma conversa na qual ouve relatos que o levam a retomar os últimos anos da vida do revolucionário russo Leon Trotski, seu assassinato e a história de seu algoz, o catalão Ramón Mercader, voluntário das Brigadas Internacionais da Guerra Civil Espanhola e encarregado de executá-lo.
Diante de tal depoimento, o narrador reconstrói as trajetórias do comandante do Exército Vermelho durante a Revolução de Outubro e do responsável por seu assassinato. Os dois percursos ganham sentido quando Iván projeta sobre elas sua própria experiência na Cuba moderna, seu desenvolvimento intelectual e seu relacionamento com “o homem que amava os cachorros”.
Sobre o autor: Leonardo Padura Fuentes nasceu em Havana em 1955. Formado em Letras pela Universidade de Havana, trabalhou como escritor, jornalista e crítico literário até a década de 1990, quando ganhou reconhecimento internacional por uma série de romances policiais estrelando seu mais famoso personagem, o detetive Mario Conde. Mas foi com o romance O homem que amava os cachorros que Padura se consolidou no mundo literário, ganhando prestígio para além do gênero policial.
Publicado em: 10.07.2014

Mulher de Chupicuaro

Debate com o Escritor Silviano Santiago

Dia 10/01/2019 - 19h00

Ele estará de volta ao Clube de Leitura Icaraí depois de 10 anos





para debater o premiado





18 de dezembro de 2018

Conto: A Cidade do Amor (Em homenagem a Niterói e ao CLIc)

Olá queridos!
Estou republicando o conto...
Escrevi esse singelo conto em homenagem a Niterói, que fez aniversário dia 22/11. Também quis homenagear meus amigos do Clube de Leitura Icaraí-CLIc, colocando os nomes de muitos deles em meus personagens do conto.
Segue o conto. Espero que gostem!

A cidade do amor

Imagem da internet

Monique suspirou e até afundou na cadeira. Terminou de comer a pipoca e tomar a coca-cola. Então, apareceram os créditos.
Adorava assistir a comédias românticas, embora não se considerasse assim tão romântica. Sua preferência era pelo Cinema Icaraí, construído em estilo “art déco”. Além de confortável, o cinema era a duas quadras de sua casa.
Costumava ir a esse cinema ao menos uma vez por semana.
Naquela noite, sua amiga Elenir não pôde lhe fazer companhia, o que não a impediu de ir. Conhecia muitas das pessoas que frequentavam aquele cinema. Alguns eram amigos da época do Colégio Abel, outros da época da UFF (Universidade Federal Fluminense).
Saiu da sala de cinema com os olhos marejados.
- Monique, aconteceu alguma coisa?
- Oi, Léo. Não, está tudo bem. Eu é que sou boba e fiquei emocionada com o final do filme.
- Já vai embora? Vou assistir à próxima sessão e estou sem companhia. Você não quer ficar?
- Que filme vai passar? É bom?
- Eu, Robô. De ficção científica. Achei que minha companhia fosse mais importante que o filme. – brincou Léo.
- Claro. Vamos assistir, embora não seja meu estilo favorito de filme.
- Vou comprar os ingressos.
- Tem visto o pessoal da nossa turma, Léo?
- Do Abel ou da UFF? – E deu um sorriso.
- Da UFF.
- Estou todos os dias com o Antônio, pois estamos trabalhando no escritório de advocacia do Dr. Eduardo.
- Que máximo!
- E você? Tem encontrado com a galera?
- Vez em quando encontro com a Cláudia e com a Mariney. Onde fica o escritório do Dr. Eduardo?
- Na Av. Amaral Peixoto.
- Está sabendo que eu abri meu próprio escritório de advocacia em sociedade com a Rose?
- Alguém já tinha comentado comigo.  Na Rua da Conceição, né?
- Isso mesmo.
- Somos praticamente vizinhos de escritório.
- Verdade.
- Tenho uma novidade pra te contar.
- O quê? Conta logo.
- Você sempre foi curiosa, Monique. – e deu uma risada.
- Ah Léo.
- É que eu e Eloisa terminamos o noivado.
- Como você tá?
- Agora está tudo bem. Já tem um tempinho. Conversamos e chegamos à conclusão de que viramos amigos. Foram muitos anos de convivência. O amor se transformou em amizade.
- Então foi de comum acordo, né?
- Foi sim. Estamos bem. Me fala de você. Ainda está namorando o André?
- Ah não. Já terminamos um tempão.
- Algum caso?
- Não. Tô solteira.
- Vou comprar pipoca pra gente.
Após o cinema, Léo perguntou se Monique estava com pressa e se poderiam estender o programa. Monique concordou.
- Como você assistiu a um filme de ficção científica pra me agradar, agora é minha vez de te levar pra fazer alguma coisa que você goste.
- Posso escolher?
- Não. – Léo deu uma risada.
- Que graça tem isso?
- A graça é que é surpresa.
- Então tá, né? Vou ter que confiar.
- Você vai adorar.
Léo abriu a porta de seu carro para Monique e ele dirigiu até a surpresa, em Charitas.
- Pronto. Chegamos na surpresa.
- Ah o “podrão” do Seu Luiz. Lembra quando a gente estudava no Abel e ficava contando as moedas pra comprar o “podrão”?
- Claro. Por isso te trouxe aqui: para relembrarmos os velhos tempos, com a diferença de que agora não precisamos contar moedas.
- Amei a surpresa!
- Seu Luiz, capricha no cachorro-quente que essa menina está faminta.
- Seu Luiz, quem tá faminto é ele. – e deu um sorriso.
Os dois ficaram ali por um tempo, comendo cachorro-quente, conversando, dando risada e olhando a lua. Era noite de lua cheia, então a lua estava luminosa e emitia seus raios na água do mar.
- Monique, vamos dar uma caminhada na areia?
- Vou tirar a sandália.
Os dois tiraram seus calçados e foram andar na areia, iluminada pelos raios da lua cheia.
- Monique, você sabia que eu gostava de você na época do colégio Abel?
- Nossa! Faz tanto tempo. Você gostava de mim e de todas as meninas da sala, né? – e deu um sorriso.
- Ah não é verdade. Eu gostava só de você.
- Sei...
Léo se aproximou de Monique e lhe deu um beijo apaixonado.
- Monique! Monique! Acorda! – gritou sua mãe.
- O quê? – Monique vira para o lado.
- Acorda, Monique. Você não ouviu o despertador.
Monique desperta, sem saber direito o que era sonho e o que era realidade.
- Mãe, eu fui no cinema ontem à noite?
- Foi sim, com sua amiga Inês. Não está se lembrando?
Monique sentou na cama e começou a se lembrar de tudo que tinha acontecido na noite anterior.
Havia saído com Inês para assistirem a um filme no cinema Icaraí e depois foram tomar um chope em São Francisco.
Ela tinha ficado sabendo por Inês que Léo iria se casar no mês seguinte com Eloisa, com quem ele namorava desde a época do Colégio Abel.
Lembrou-se de parte do sonho com Léo e do beijo apaixonado.
- Nossa! O sonho parecia tão real! – pensou Monique.
- Filha, temos que confirmar nossa presença no casamento do Léo e da Eloisa.






17 de dezembro de 2018

Obras Completas de Gracinda Rosa


SE VOCÊ AINDA NÃO LEU, NÃO SABE O QUE ESTÁ PERDENDO!



COMPLETE SUA COLEÇÃO:

PEQUENOS AMORES: R$ 20,00
OLHANDO PARA TRÁS: R$ 20,00
FUI PROFESSORA: R$ 20,00

(FRETE INCLUSO)




14 de dezembro de 2018

Confraternização de Fim do Ano 2018 do Clube de Leitura Icaraí



Confraternização 2018 do Clube de Leitura Icaraí





Amigos na roda.
Versos, prosa, poesia.
Noite de beleza.



Olá gente! 

O espaço externo do bistrô já está reservado pra gente!

dia 13/12/18
às 19h00
no Reserva Cultural 

Leve um livro para participar do amigo oculto* que sortearemos no local

O Tema do Encontro este ano é 

"Impressões dentro das palavras"

sobre os livros de Luzia Velloso e Inês Drummond 





Não tem consumação mínima, mas é legal que a gente consuma, pois é um baita espaço todo nosso. 
Lá tem vinho, pizza, petisco, etc. 


Teremos uma linda confraternização! 🎉






* REGRAS DO AMIGO OCULTO:

1-    O número 1 poderá escolher qualquer livro que estiver na mesa. Se for “roubado”, poderá escolher outro livro da mesa ou “roubar” de alguém.

2-    As pessoas só podem “roubar” uma vez e serem “roubadas” uma vez.

3-    Qualquer pessoa poderá escolher um livro da mesa ou “roubar” qualquer livro que já tenha sido escolhido, lembrando que se a pessoa já foi “roubada”, não poderá ser “roubada” novamente.

4-    Você não pode “roubar” o mesmo livro que roubaram de você.


7 de dezembro de 2018

A cidade do amor: Andreia Borges




Monique suspirou e até afundou na cadeira. Terminou de comer a pipoca e tomar a coca-cola. Então, apareceram os créditos.
Adorava assistir a comédias românticas, embora não se considerasse assim tão romântica. Sua preferência era pelo Cinema Icaraí, construído em estilo “art déco”. Além de confortável, o cinema era a duas quadras de sua casa.
Costumava ir a esse cinema ao menos uma vez por semana.
Naquela noite, sua amiga Elenir não pôde lhe fazer companhia, o que não a impediu de ir. Conhecia muitas das pessoas que frequentavam aquele cinema. Alguns eram amigos da época do Colégio Abel, outros da época da UFF (Universidade Federal Fluminense).
Saiu da sala de cinema com os olhos marejados.
- Monique, aconteceu alguma coisa?
- Oi, Léo. Não, está tudo bem. Eu é que sou boba e fiquei emocionada com o final do filme.
- Já vai embora? Vou assistir à próxima sessão e estou sem companhia. Você não quer ficar?
- Que filme vai passar? É bom?
- Eu, Robô. De ficção científica. Achei que minha companhia fosse mais importante que o filme. – brincou Léo.
- Claro. Vamos assistir, embora não seja meu estilo favorito de filme.
- Vou comprar os ingressos.
- Tem visto o pessoal da nossa turma, Léo?
- Do Abel ou da UFF? – E deu um sorriso.
- Da UFF.
- Estou todos os dias com o Antônio, pois estamos trabalhando no escritório de advocacia do Dr. Evandro.
- Que máximo!
- E você? Tem encontrado com a galera?
- Vez em quando encontro com a Cláudia e com a Mariney. Onde fica o escritório do Dr. Evandro?
- Na Av. Amaral Peixoto.
- Está sabendo que eu abri meu próprio escritório de advocacia em sociedade com a Rose?
- Alguém já tinha comentado comigo.  Na Rua da Conceição, né?
- Isso mesmo.
- Somos praticamente vizinhos de escritório.
- Verdade.
- Tenho uma novidade pra te contar.
- O quê? Conta logo.
- Você sempre foi curiosa, Monique. – e deu uma risada.
- Ah Léo.
- É que eu e Eloisa terminamos o noivado.
- Como você tá?
- Agora está tudo bem. Já tem um tempinho. Conversamos e chegamos à conclusão de que viramos amigos. Foram muitos anos de convivência. O amor se transformou em amizade.
- Então foi de comum acordo, né?
- Foi sim. Estamos bem. Me fala de você. Ainda está namorando o André?
- Ah não. Já terminamos um tempão.
- Algum caso?
- Não. Tô solteira.
- Vou comprar pipoca pra gente.
Após o cinema, Léo perguntou se Monique estava com pressa e se poderiam estender o programa. Monique concordou.
- Como você assistiu a um filme de ficção científica pra me agradar, agora é minha vez de te levar pra fazer alguma coisa que você goste.
- Posso escolher?
- Não. – Léo deu uma risada.
- Que graça tem isso?
- A graça é que é surpresa.
- Então tá, né? Vou ter que confiar.
- Você vai adorar.
Léo abriu a porta de seu carro para Monique e ele dirigiu até a surpresa, em Charitas.
- Pronto. Chegamos na surpresa.
- Ah o “podrão” do Seu Luiz. Lembra quando a gente estudava no Abel e ficava contando as moedas pra comprar o “podrão”?
- Claro. Por isso te trouxe aqui: para relembrarmos os velhos tempos, com a diferença de que agora não precisamos contar moedas.
- Amei a surpresa!
- Seu Luiz, capricha no cachorro-quente que essa menina está faminta.
- Seu Luiz, quem tá faminto é ele. – e deu um sorriso.
Os dois ficaram ali por um tempo, comendo cachorro-quente, conversando, dando risada e olhando a lua. Era noite de lua cheia, então a lua estava luminosa e emitia seus raios na água do mar.
- Monique, vamos dar uma caminhada na areia?
- Vou tirar a sandália.
Os dois tiraram seus calçados e foram andar na areia, iluminada pelos raios da lua cheia.
- Monique, você sabia que eu gostava de você na época do colégio Abel?
- Nossa! Faz tanto tempo. Você gostava de mim e de todas as meninas da sala, né? – e deu um sorriso.
- Ah não é verdade. Eu gostava só de você.
- Sei...
Léo se aproximou de Monique e lhe deu um beijo apaixonado.
- Monique! Monique! Acorda! – gritou sua mãe.
- O quê? – Monique vira para o lado.
- Acorda, Monique. Você não ouviu o despertador.
Monique desperta, sem saber direito o que era sonho e o que era realidade.
- Mãe, eu fui no cinema ontem à noite?
- Foi sim, com sua amiga Inês. Não está se lembrando?
Monique sentou na cama e começou a se lembrar de tudo que tinha acontecido na noite anterior.
Havia saído com Inês para assistirem a um filme no cinema Icaraí e depois foram tomar um chope em São Francisco.
Ela tinha ficado sabendo por Inês que Léo iria se casar no mês seguinte com Eloisa, com quem ele namorava desde a época do Colégio Abel.
Lembrou-se de parte do sonho com Léo e do beijo apaixonado.
- Nossa! O sonho parecia tão real! – pensou Monique.
- Filha, temos que confirmar nossa presença no casamento do Léo e da Eloisa.



A autora em workshop de escritoras