CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

14 de dezembro de 2018

Confraternização de Fim do Ano 2018 do Clube de Leitura Icaraí



Confraternização 2018 do Clube de Leitura Icaraí





Amigos na roda.
Versos, prosa, poesia.
Noite de beleza.



Olá gente! 

O espaço externo do bistrô já está reservado pra gente!

dia 13/12/18
às 19h00
no Reserva Cultural 

Leve um livro para participar do amigo oculto* que sortearemos no local

O Tema do Encontro este ano é 

"Impressões dentro das palavras"

sobre os livros de Luzia Velloso e Inês Drummond 





Não tem consumação mínima, mas é legal que a gente consuma, pois é um baita espaço todo nosso. 
Lá tem vinho, pizza, petisco, etc. 


Teremos uma linda confraternização! 🎉






* REGRAS DO AMIGO OCULTO:

1-    O número 1 poderá escolher qualquer livro que estiver na mesa. Se for “roubado”, poderá escolher outro livro da mesa ou “roubar” de alguém.

2-    As pessoas só podem “roubar” uma vez e serem “roubadas” uma vez.

3-    Qualquer pessoa poderá escolher um livro da mesa ou “roubar” qualquer livro que já tenha sido escolhido, lembrando que se a pessoa já foi “roubada”, não poderá ser “roubada” novamente.

4-    Você não pode “roubar” o mesmo livro que roubaram de você.


7 de dezembro de 2018

A cidade do amor: Andreia Borges




Monique suspirou e até afundou na cadeira. Terminou de comer a pipoca e tomar a coca-cola. Então, apareceram os créditos.
Adorava assistir a comédias românticas, embora não se considerasse assim tão romântica. Sua preferência era pelo Cinema Icaraí, construído em estilo “art déco”. Além de confortável, o cinema era a duas quadras de sua casa.
Costumava ir a esse cinema ao menos uma vez por semana.
Naquela noite, sua amiga Elenir não pôde lhe fazer companhia, o que não a impediu de ir. Conhecia muitas das pessoas que frequentavam aquele cinema. Alguns eram amigos da época do Colégio Abel, outros da época da UFF (Universidade Federal Fluminense).
Saiu da sala de cinema com os olhos marejados.
- Monique, aconteceu alguma coisa?
- Oi, Léo. Não, está tudo bem. Eu é que sou boba e fiquei emocionada com o final do filme.
- Já vai embora? Vou assistir à próxima sessão e estou sem companhia. Você não quer ficar?
- Que filme vai passar? É bom?
- Eu, Robô. De ficção científica. Achei que minha companhia fosse mais importante que o filme. – brincou Léo.
- Claro. Vamos assistir, embora não seja meu estilo favorito de filme.
- Vou comprar os ingressos.
- Tem visto o pessoal da nossa turma, Léo?
- Do Abel ou da UFF? – E deu um sorriso.
- Da UFF.
- Estou todos os dias com o Antônio, pois estamos trabalhando no escritório de advocacia do Dr. Evandro.
- Que máximo!
- E você? Tem encontrado com a galera?
- Vez em quando encontro com a Cláudia e com a Mariney. Onde fica o escritório do Dr. Evandro?
- Na Av. Amaral Peixoto.
- Está sabendo que eu abri meu próprio escritório de advocacia em sociedade com a Rose?
- Alguém já tinha comentado comigo.  Na Rua da Conceição, né?
- Isso mesmo.
- Somos praticamente vizinhos de escritório.
- Verdade.
- Tenho uma novidade pra te contar.
- O quê? Conta logo.
- Você sempre foi curiosa, Monique. – e deu uma risada.
- Ah Léo.
- É que eu e Eloisa terminamos o noivado.
- Como você tá?
- Agora está tudo bem. Já tem um tempinho. Conversamos e chegamos à conclusão de que viramos amigos. Foram muitos anos de convivência. O amor se transformou em amizade.
- Então foi de comum acordo, né?
- Foi sim. Estamos bem. Me fala de você. Ainda está namorando o André?
- Ah não. Já terminamos um tempão.
- Algum caso?
- Não. Tô solteira.
- Vou comprar pipoca pra gente.
Após o cinema, Léo perguntou se Monique estava com pressa e se poderiam estender o programa. Monique concordou.
- Como você assistiu a um filme de ficção científica pra me agradar, agora é minha vez de te levar pra fazer alguma coisa que você goste.
- Posso escolher?
- Não. – Léo deu uma risada.
- Que graça tem isso?
- A graça é que é surpresa.
- Então tá, né? Vou ter que confiar.
- Você vai adorar.
Léo abriu a porta de seu carro para Monique e ele dirigiu até a surpresa, em Charitas.
- Pronto. Chegamos na surpresa.
- Ah o “podrão” do Seu Luiz. Lembra quando a gente estudava no Abel e ficava contando as moedas pra comprar o “podrão”?
- Claro. Por isso te trouxe aqui: para relembrarmos os velhos tempos, com a diferença de que agora não precisamos contar moedas.
- Amei a surpresa!
- Seu Luiz, capricha no cachorro-quente que essa menina está faminta.
- Seu Luiz, quem tá faminto é ele. – e deu um sorriso.
Os dois ficaram ali por um tempo, comendo cachorro-quente, conversando, dando risada e olhando a lua. Era noite de lua cheia, então a lua estava luminosa e emitia seus raios na água do mar.
- Monique, vamos dar uma caminhada na areia?
- Vou tirar a sandália.
Os dois tiraram seus calçados e foram andar na areia, iluminada pelos raios da lua cheia.
- Monique, você sabia que eu gostava de você na época do colégio Abel?
- Nossa! Faz tanto tempo. Você gostava de mim e de todas as meninas da sala, né? – e deu um sorriso.
- Ah não é verdade. Eu gostava só de você.
- Sei...
Léo se aproximou de Monique e lhe deu um beijo apaixonado.
- Monique! Monique! Acorda! – gritou sua mãe.
- O quê? – Monique vira para o lado.
- Acorda, Monique. Você não ouviu o despertador.
Monique desperta, sem saber direito o que era sonho e o que era realidade.
- Mãe, eu fui no cinema ontem à noite?
- Foi sim, com sua amiga Inês. Não está se lembrando?
Monique sentou na cama e começou a se lembrar de tudo que tinha acontecido na noite anterior.
Havia saído com Inês para assistirem a um filme no cinema Icaraí e depois foram tomar um chope em São Francisco.
Ela tinha ficado sabendo por Inês que Léo iria se casar no mês seguinte com Eloisa, com quem ele namorava desde a época do Colégio Abel.
Lembrou-se de parte do sonho com Léo e do beijo apaixonado.
- Nossa! O sonho parecia tão real! – pensou Monique.
- Filha, temos que confirmar nossa presença no casamento do Léo e da Eloisa.



A autora em workshop de escritoras



30 de novembro de 2018

Olhos D'água, de Conceição Evaristo, e evento

Olá queridos!
Segue post que fiz no meu blog Mar de Variedade no ano passado.
Em fevereiro, iremos debater sobre esse livro no CLIc.

No dia 17 de maio, participei do Evento Encontros Malê na Travessa - CCBB, com Conceição Evaristo. 
Acabei de ler o seu livro "Olhos D'água" e amei.
O bate-papo foi muito interessante, com participação da plateia. 
A Conceição citou a escritora Carolina Maria de Jesus e falou da importância da sua obra.
Falou também que a vivência de cada autor influencia ao escrever seus livros. 
Ao final do bate-papo, ela autografou seus livros. Foi um evento incrível!






Sinopse: conjunto de contos, onde são abordados temas como: feminismo, preconceito racial, pobreza, vida na comunidade.



Eu amei os contos. Claro que gostei mais de uns que de outros. A escrita da Conceição é muito boa. Cada conto que li, eu mergulhei na história. Ela escreve com tanta sensibilidade e verossimilhança, que não tem como você não ficar totalmente absorto na narrativa.
Lendo a biografia da autora que nasceu em uma favela da zona sul de Belo Horizonte, percebemos o quanto a autora colocou um pouco de sua vivência em cada conto. 
Segue um trecho do primeiro conto, que dá título ao livro:
"Lembro-me que muitas vezes, quando a mãe cozinhava, da panela subia cheiro algum. Era como se cozinhasse, ali, apenas o nosso desesperado desejo de alimento. As labaredas, sob a água solitária que fervia na panela cheia de fome, pareciam debochar do vazio do nosso estômago, ignorando nossas bocas infantis em que as línguas brincavam a salivar sonho de comida." (p. 16)

Muito impactante esse trecho, não? E, apesar de triste, a forma como a autora escreve tem certa poesia.
Pretendo ler outros livros da autora.


Recomendo! 

29 de novembro de 2018

Assim foi o Clube de Leitura, dia 13/02/2015, na Livraria Icaraí


O Bloco CLIc-Folia que se reuniu na Sexta Feira 13 de Carnaval para debater a obra-prima de Lúcio Cardoso

Considero "Crônica da casa assassinada" um dos melhores que já li no CLIC e situo Lúcio Cardoso entre os melhores romancistas, não só da nossa literatura, como da universal. Personagens riquíssimos: Nina; Valdo; o Coronel; Ana; Demétrio; Beth; Timóteo; André; Padre Justino; o Médico; o Farmacêutico; cujos relatos e confissões, nos contam a história da casa dos Menezes, sombria, solitária, e seus habitantes, parecendo fantasmas.  Difícil, certamente, para a exuberante Nina adaptar-se. Com um final excelente e inesperado. Cheguei a pensar que houvera um incesto. 

Interrompi  a leitura para fazer meu Haicai:

Buscou no seu filho
encontrar o pai já morto.
Incesto... Loucura...


Fala de André: 

"Amar, amei outras vezes, mas como se fosse um eco desse primeiro amor. Não são pessoas diferentes as que amamos ao longo da vida, mas a mesma imagem em seres diferentes." 

(Elenir)



18 de novembro de 2018

Leitura em Domicílio


Para todas as pessoas que amam Literatura e gostam de conversar sobre Livros.

Contate-nos (conciergeclic@gmail.com) 

Será um prazer organizarmos um grupo para ler para você.

10 de novembro de 2018

Amerigo Vespucci - Sublinhando um Novo Mundo

Por Wagner Medeiros Junior
Resultado de imagem para Américo Vespúcio

Cosmógrafo, geógrafo, navegador e mercador, Amerigo Vespucci nasceu em Florença, em março de 1454, no centro de uma família de classe alta, que lhe oportunizou uma avultada formação, sob a orientação de seu ilustrado tio, o frade dominicano Giorgio Antonio Vespucci. Seus estudos foram completados na França, onde aprofundou-se em astronomia, cosmologia e geografia. Depois retornou à Florença, quando foi trabalhar na casa bancária dos Médici, firmando grande amizade com ricos comerciantes, banqueiros, embaixadores e membros da casa real.
Em outubro de 1492 foi transferido para Sevilha. Então, cansado das atividades burocráticas, já no remate do século XV, decide-se por aventurar-se ao mar, aproveitando-se de operar no financiamento à navegação, com o propósito do lucrativo comércio das especiarias. A primeira viagem comprovada de Vespucci aconteceu em maio de 1499, na expedição de Alonso de Ojeda, a serviço dos reis católicos de Aragão e Castela. Nessa expedição percorreu o atual mar do Caribe e alcançou a foz do rio Orinoco, na Venezuela, e a Ilha Margueritta, em busca das Índias.
Após retornar a Sevilha Vespucci viajou para Portugal, a convite do rei D. Manuel I, aonde chegou em fevereiro de 1501. Prontamente foi contratado para participar da primeira expedição exploradora que seria enviada ao Brasil, presumivelmente como cosmógrafo ou geógrafo. A expedição, sob o comando de Gaspar de Lemos, partiu de Lisboa em maio de 1501, com o objetivo de conhecer e explorar as riquezas que as terras aportadas por Pedro Álvares Cabral possuíam. Entretanto, só seria encontrado o pau-brasil.
A expedição de Gaspar de Lemos mapeou e nominou os principais acidentes geográficos da costa brasileira, atribuindo nomes do calendário litúrgico e de datas festivas à medida que a expedição avançava. Todavia, deve-se a Amerigo Vespucci o único relato que sobrou da viagem, que é uma carta enviada ao amigo e chefe Lorenzo di Pierfrancesco de Médici logo após a chegada da esquadra, em julho de 1502. Nela, Vespucci descreve a beleza da fauna e da flora e os costumes dos nativos.
Tempo depois a carta recebeu o nome de “Mundus Novus”, quando é publicada na forma de panfleto. Transforma-se, assim, em grande sucesso editorial em toda Europa, não obstante aos exageros que foram acrescidos. Contudo, não se sabe se teve, ou não, a aquiescência de Vespucci em troca de fama e dinheiro.
Amerigo Vespucci tinha pleno conhecimento das pretensões de Cristóvão Colombo e de suas incursões no Atlântico. Somou a isso suas conversas com os navegantes portugueses acerca dos mares por eles alcançados, como o caminho para as Índias. Então, veio-lhe a certeza de que as novas terras desvendadas no ocidente formavam um novo continente, e não região periférica da Ásia, conforme se pensava.
A segunda viagem de Amerigo Vespucci com o pavilhão português aconteceu entre junho de 1503 e junho de 1504, na segunda expedição exploradora, sob o comando de Gonçalo Coelho. A expedição foi organizada com seis caravelas, de modo a atender ao contrato assinado entre o rei D. Manuel I e comerciantes portugueses, liderados por Fernão de Noronha, para exploração do pau-brasil, com encargo de impostos e de construir feitorias.
É no retorno dessa viagem que Vespucci escreveu uma nova carta ao nobre florentino Piero Soderini, seu amigo de infância, relatando a antropofagia do nativo brasileiro. Dois anos depois, em julho de 1506, a carta é publicada com o nome de “Lettera a Soderini”, tornando-se um novo sucesso editorial, com fantástica repercussão. Mas, novamente, o panfleto é marcado por muitas invenções e exageros. Porém, consolida o nome do novo continente, chamado de América, em sua homenagem.
O nome acabou por permanecer no feminino, pois todos os demais continentes conhecidos – Europa, Ásia e África – tinham esse atributo.

8 de novembro de 2018

Poemas e Haicais: Claudia & Elenir & Inês & Vera


As azaleias da nossa casa,
Quando florescem, são generosas,
Abrem todas de uma vez.
São vaidosas.
Me obrigam a contemplá-las,
Mas isso me dá prazer.
Vão embora devagarinho
Para que possamos nos despedir.
Já alegraram nossos olhos,
Enfeitando nosso jardim ...
Agora se recolhem,
Colorindo nosso chão.

(Vera)



Em flor

Hoje no meu caminho cheio de distâncias
Deparei -me com um ipê florido
Atingida pela beleza
De repente,
Era seiva que fluía nas copas
Minha alma encheu-se de perfume
Algo em mim desabrochou.
Hoje, toda rosa
Estou toda em flor
O pálido se foi
Num calor muito bonito
Chegou a primavera em mim.

Inês  Drummond.
(Membro da Academia Niteroiense de Letras)
   (Do livro : Dentro das palavras.)
(Que será tema do Debate de Confraternização de Fim de Ano no CLIc)




À beira da estrada,
ipês roxos e amarelos,
o caminho enfeitam.

(Elenir)





Hoje de manhã
acordei contando versos.
Haicais matutinos.

Uma garça branca
observa os peixes do lago,
Altiva e elegante.

A metamorfose
da lagarta em borboleta.
Milagre sutil.

(Claudia)






À beira do lago, 
duas estátuas brancas: 
garças se aquecendo.

(Elenir)