CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

30 de novembro de 2018

Olhos D'água, de Conceição Evaristo, e evento

Olá queridos!
Segue post que fiz no meu blog Mar de Variedade no ano passado.
Em fevereiro, iremos debater sobre esse livro no CLIc.

No dia 17 de maio, participei do Evento Encontros Malê na Travessa - CCBB, com Conceição Evaristo. 
Acabei de ler o seu livro "Olhos D'água" e amei.
O bate-papo foi muito interessante, com participação da plateia. 
A Conceição citou a escritora Carolina Maria de Jesus e falou da importância da sua obra.
Falou também que a vivência de cada autor influencia ao escrever seus livros. 
Ao final do bate-papo, ela autografou seus livros. Foi um evento incrível!






Sinopse: conjunto de contos, onde são abordados temas como: feminismo, preconceito racial, pobreza, vida na comunidade.



Eu amei os contos. Claro que gostei mais de uns que de outros. A escrita da Conceição é muito boa. Cada conto que li, eu mergulhei na história. Ela escreve com tanta sensibilidade e verossimilhança, que não tem como você não ficar totalmente absorto na narrativa.
Lendo a biografia da autora que nasceu em uma favela da zona sul de Belo Horizonte, percebemos o quanto a autora colocou um pouco de sua vivência em cada conto. 
Segue um trecho do primeiro conto, que dá título ao livro:
"Lembro-me que muitas vezes, quando a mãe cozinhava, da panela subia cheiro algum. Era como se cozinhasse, ali, apenas o nosso desesperado desejo de alimento. As labaredas, sob a água solitária que fervia na panela cheia de fome, pareciam debochar do vazio do nosso estômago, ignorando nossas bocas infantis em que as línguas brincavam a salivar sonho de comida." (p. 16)

Muito impactante esse trecho, não? E, apesar de triste, a forma como a autora escreve tem certa poesia.
Pretendo ler outros livros da autora.


Recomendo! 

29 de novembro de 2018

Assim foi o Clube de Leitura, dia 13/02/2015, na Livraria Icaraí


O Bloco CLIc-Folia que se reuniu na Sexta Feira 13 de Carnaval para debater a obra-prima de Lúcio Cardoso

Considero "Crônica da casa assassinada" um dos melhores que já li no CLIC e situo Lúcio Cardoso entre os melhores romancistas, não só da nossa literatura, como da universal. Personagens riquíssimos: Nina; Valdo; o Coronel; Ana; Demétrio; Beth; Timóteo; André; Padre Justino; o Médico; o Farmacêutico; cujos relatos e confissões, nos contam a história da casa dos Menezes, sombria, solitária, e seus habitantes, parecendo fantasmas.  Difícil, certamente, para a exuberante Nina adaptar-se. Com um final excelente e inesperado. Cheguei a pensar que houvera um incesto. 

Interrompi  a leitura para fazer meu Haicai:

Buscou no seu filho
encontrar o pai já morto.
Incesto... Loucura...


Fala de André: 

"Amar, amei outras vezes, mas como se fosse um eco desse primeiro amor. Não são pessoas diferentes as que amamos ao longo da vida, mas a mesma imagem em seres diferentes." 

(Elenir)



18 de novembro de 2018

Leitura em Domicílio


Para todas as pessoas que amam Literatura e gostam de conversar sobre Livros.

Contate-nos (conciergeclic@gmail.com) 

Será um prazer organizarmos um grupo para ler para você.

10 de novembro de 2018

Amerigo Vespucci - Sublinhando um Novo Mundo

Por Wagner Medeiros Junior
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Cosmógrafo, geógrafo, navegador e mercador, Amerigo Vespucci nasceu em Florença, em março de 1454, no centro de uma família de classe alta, que lhe oportunizou uma avultada formação, sob a orientação de seu ilustrado tio, o frade dominicano Giorgio Antonio Vespucci. Seus estudos foram completados na França, onde aprofundou-se em astronomia, cosmologia e geografia. Depois retornou à Florença, quando foi trabalhar na casa bancária dos Médici, firmando grande amizade com ricos comerciantes, banqueiros, embaixadores e membros da casa real.
Em outubro de 1492 foi transferido para Sevilha. Então, cansado das atividades burocráticas, já no remate do século XV, decide-se por aventurar-se ao mar, aproveitando-se de operar no financiamento à navegação, com o propósito do lucrativo comércio das especiarias. A primeira viagem comprovada de Vespucci aconteceu em maio de 1499, na expedição de Alonso de Ojeda, a serviço dos reis católicos de Aragão e Castela. Nessa expedição percorreu o atual mar do Caribe e alcançou a foz do rio Orinoco, na Venezuela, e a Ilha Margueritta, em busca das Índias.
Após retornar a Sevilha Vespucci viajou para Portugal, a convite do rei D. Manuel I, aonde chegou em fevereiro de 1501. Prontamente foi contratado para participar da primeira expedição exploradora que seria enviada ao Brasil, presumivelmente como cosmógrafo ou geógrafo. A expedição, sob o comando de Gaspar de Lemos, partiu de Lisboa em maio de 1501, com o objetivo de conhecer e explorar as riquezas que as terras aportadas por Pedro Álvares Cabral possuíam. Entretanto, só seria encontrado o pau-brasil.
A expedição de Gaspar de Lemos mapeou e nominou os principais acidentes geográficos da costa brasileira, atribuindo nomes do calendário litúrgico e de datas festivas à medida que a expedição avançava. Todavia, deve-se a Amerigo Vespucci o único relato que sobrou da viagem, que é uma carta enviada ao amigo e chefe Lorenzo di Pierfrancesco de Médici logo após a chegada da esquadra, em julho de 1502. Nela, Vespucci descreve a beleza da fauna e da flora e os costumes dos nativos.
Tempo depois a carta recebeu o nome de “Mundus Novus”, quando é publicada na forma de panfleto. Transforma-se, assim, em grande sucesso editorial em toda Europa, não obstante aos exageros que foram acrescidos. Contudo, não se sabe se teve, ou não, a aquiescência de Vespucci em troca de fama e dinheiro.
Amerigo Vespucci tinha pleno conhecimento das pretensões de Cristóvão Colombo e de suas incursões no Atlântico. Somou a isso suas conversas com os navegantes portugueses acerca dos mares por eles alcançados, como o caminho para as Índias. Então, veio-lhe a certeza de que as novas terras desvendadas no ocidente formavam um novo continente, e não região periférica da Ásia, conforme se pensava.
A segunda viagem de Amerigo Vespucci com o pavilhão português aconteceu entre junho de 1503 e junho de 1504, na segunda expedição exploradora, sob o comando de Gonçalo Coelho. A expedição foi organizada com seis caravelas, de modo a atender ao contrato assinado entre o rei D. Manuel I e comerciantes portugueses, liderados por Fernão de Noronha, para exploração do pau-brasil, com encargo de impostos e de construir feitorias.
É no retorno dessa viagem que Vespucci escreveu uma nova carta ao nobre florentino Piero Soderini, seu amigo de infância, relatando a antropofagia do nativo brasileiro. Dois anos depois, em julho de 1506, a carta é publicada com o nome de “Lettera a Soderini”, tornando-se um novo sucesso editorial, com fantástica repercussão. Mas, novamente, o panfleto é marcado por muitas invenções e exageros. Porém, consolida o nome do novo continente, chamado de América, em sua homenagem.
O nome acabou por permanecer no feminino, pois todos os demais continentes conhecidos – Europa, Ásia e África – tinham esse atributo.

8 de novembro de 2018

Poemas e Haicais: Claudia & Elenir & Inês & Vera


As azaleias da nossa casa,
Quando florescem, são generosas,
Abrem todas de uma vez.
São vaidosas.
Me obrigam a contemplá-las,
Mas isso me dá prazer.
Vão embora devagarinho
Para que possamos nos despedir.
Já alegraram nossos olhos,
Enfeitando nosso jardim ...
Agora se recolhem,
Colorindo nosso chão.

(Vera)



Em flor

Hoje no meu caminho cheio de distâncias
Deparei -me com um ipê florido
Atingida pela beleza
De repente,
Era seiva que fluía nas copas
Minha alma encheu-se de perfume
Algo em mim desabrochou.
Hoje, toda rosa
Estou toda em flor
O pálido se foi
Num calor muito bonito
Chegou a primavera em mim.

Inês  Drummond.
(Membro da Academia Niteroiense de Letras)
   (Do livro : Dentro das palavras.)
(Que será tema do Debate de Confraternização de Fim de Ano no CLIc)




À beira da estrada,
ipês roxos e amarelos,
o caminho enfeitam.

(Elenir)





Hoje de manhã
acordei contando versos.
Haicais matutinos.

Uma garça branca
observa os peixes do lago,
Altiva e elegante.

A metamorfose
da lagarta em borboleta.
Milagre sutil.

(Claudia)






À beira do lago, 
duas estátuas brancas: 
garças se aquecendo.

(Elenir)


25 de outubro de 2018

Bartleby, o escriturário: Herman Melville





De acordo com Carlos Augusto Peixoto Junior, psicanalista e professor da PUC-RJ, como demonstra no artigo “Deleuze, Agamben e Bartleby”, publicado na Revista Trágica – Estudos de filosofia da imanência, Bartleby, como escrivão que deixou de escrever, “seria a figura extrema do nada do qual procede qualquer criação e, ao mesmo tempo, a mais implacável reivindicação deste nada como potência pura e absoluta. Ele, na verdade, teria se transformado na própria folha de papel em branco na qual se escreve. Por isso não seria estranho que ele se demorasse tão obstinadamente no abismo da possibilidade e não parecesse ter a menor intenção de sair dele. Assim ele se contrapõe a toda uma tradição ética que sempre tentou contornar o problema da potência reduzindo-a a termos como vontade e necessidade: ‘seu tema dominante não é o que se pode, mas o que se quer ou o que se deve’. Segundo Agamben, a potência não é idêntica à vontade, assim como a impotência não corresponde diretamente a uma necessidade. Acreditar que a vontade tenha algum poder sobre a potência, que a passagem à ação seja resultado de uma decisão que acaba com a ambiguidade da potência (a qual é sempre potência de fazer ou não fazer), seria justamente a grande ilusão de toda moral. Bartleby questionaria precisamente essa supremacia da vontade mostrando que ela não passa de um princípio que pretende pôr ordem no caos indiferenciado da potência”. (O Benedito)





Empregado em um cartório de Nova York e inicialmente muito ativo, Bartleby é tomado de uma paralisia encantatória que o impede de fazer quaisquer serviços. Uma aura de mistério começa a envolver o contemplativo e borgiano personagem.

Síndrome de Bartleby: "pulsão negativa ou atração pelo nada".


“Nada acontece, duas vezes!”


"No ministério de… Não, é melhor não dizer seu nome. Ninguém é mais suscetível do que funcionários, empregados de repartições e gente da esfera pública. Nos dias que correm, todo sujeito acredita que, se nós atingimos a sua pessoa, toda a sociedade foi ofendida."  (O capote: Gogol)

“As honrarias desonram, os títulos degradam, os empregos entorpecem” (Flaubert)



“você é amavelmente convidado a compreender o absurdo de querer imitar ou eclipsar obras-primas e a ver que o melhor que poderia fazer é eclipsar-se a si mesmo”. (Enrique Vila-Matas)


Bartleby também foi tema do Círculo de Biblioterapia, você participou?

Teoria da Decisão

Em nossas vidas existe uma alternância entre eventos rotineiros e aleatórios. Assim, ou estamos executando eventos estruturados – as chamadas rotinas ou somos surpreendidos por eventos não estruturados que ocorrem ao sabor do acaso.

Isto ocorre ao longo da existência do ser humano, desde que tomamos o controle e passamos a ser os responsáveis pela condução de nossa vida, posto que, felizmente nos é dado o livre arbítrio.

Ao iniciarmos cada dia sujeitamo-nos a algumas rotinas, como as matinais (higiene, alimentação, locomoção, etc.), de aprendizado, de trabalho, etc. que são estruturadas, pois existe uma seqüência lógica em suas execuções, que nos foram passadas ao largo de nossa educação, sujeitas a horários, precedências, métodos, para o melhor resultado em suas realizações.
  
Outras nem tanto, como o lazer, obrigações familiares ou sociais, etc., que por não estarem estruturadas nos surpreendem por vezes com situações inusitadas. Neste tipo de eventos somos forçados a tomar decisões para levar a bom termo o seguimento destes eventos e conseguir o melhor resultado, geralmente com alto grau de improvisação, equívocos ou acertos, decepções ou alegrias resultantes de nossos conhecimentos, habilidades e atitudes (competências).

A Teoria das Decisões nasceu com Herbert Simon, um emblemático da Escola Comportamental da Administração Convencional e da Escola Cognitiva do Pensamento Estratégico – Prêmio Nobel de Economia em 1978 – influenciando os seguidores com a visão que o mundo é grande e complexo, ao passo que o cérebro humano e sua capacidade de processamento de informações são altamente limitados.

Assim é que a tomada de decisões, embora siga um roteiro prescritivo, está sujeita a cognição do responsável pela mesma que varia da extroversão à introversão, da sensação à intuição, do raciocínio lógico à sensação e do julgamento à percepção. (K. Jung).

R.J. Tersine configurou seis elementos que o tomador de decisões deve seguir:

• Atribuição do indivíduo autorizado, credenciado e competente para tal,
• Objetivos: o que se pretende atingir,
• Preferências: critérios subjetivos utilizados na escolha de alternativas,
• Tática: curso de ação para atingir os objetivos considerando os recursos disponíveis,
• Cenários: aspectos ambientais (risco, incerteza) que envolvem o tomador da decisão em suas escolhas,
• Resultado: grau de sucesso no atingimento dos objetivos, função das táticas escolhidas;

Em sete etapas:

• Percepção: etapa inicial onde o tomador obtém as informações sobre a questão,
• Analise e definição do problema,
• Definição dos objetivos,
• Elaboração de alternativas ou cursos de ação,
• Avaliação e comparação das alternativas,
• Eleição da melhor alternativa,
• Implementação da alternativa escolhida.

 Embora o método seja racional, criterioso, prescritivo, detalhado, deve ser seguido para evitar improvisações, extrapolações, tendências, casuísmos que redundem em escolhas equivocadas causando prejuízo pessoal ou organizacional.

A contribuição relevante da Teoria das Decisões na Escola Comportamental foi contrapor-se à Escola Clássica no aspecto que as organizações são Sistemas Decisionais embasados na racionalidade limitada de seus membros, na imperfeição e relatividade das decisões, na hierarquização do processo de escolha de alternativas (planejamento e racionalidade) e nas influências de premissas organizacionais (divisão de tarefas, padrões de desempenho, sistema de autoridade, canais de comunicação e treinamento e doutrinação).


Eu prefiro não!



I WOULD PREFER NOT TO (prefiro não ...)


O paradoxo da resistência passiva


21 de outubro de 2018

Fim de Partida: Samuel Beckett





(Voz de narrador) Um gentleman (faz cara de inglês, remoa a sua) reparou na última hora que precisava de calças de riscas para as festas do fim do ano. Correu ao seu alfaiate que lhe tomou as medidas.

(Voz de alfaiate) “Isso basta. Volte em quatro dias e estará pronta.”

Tudo bem. Quatro dias depois.

(Voz de alfaiate) “Sorry, sir, volte em uma semana, cortei errado os fundilhos.”

Tudo bem, essas coisas acontecem, fundilhos bem cortados são difíceis de acertar. Uma semana depois.

(Voz de alfaiate) “Sinto muitíssimo, senhor, volte em dez dias, me enganei no cós.”

Tudo bem, que se há de fazer, o cós é essencial. Dez dias depois.

(Voz de alfaiate) “Minhas mais sinceras desculpas. Volte em quinze dias, fiz uma bagunça na braguilha.”

Tudo bem, uma braguilha em ordem é estratégica.

(Pausa. Voz de narrador) Bom, pra encurtar o caso, as quaresmeiras já floriam e ele estraga as casas dos botões.

(Expressão, depois voz do cliente) “Goddam, sir, não é possível, é um escândalo, um absurdo, não há Cristo que aguente! Em seis dias, ouviu bem, seis dias, nem mais nem menos, só seis dias, Deus fez o mundo. Sim senhor, o mundo, entendeu, o MUNDO! E o senhor não consegue acabar umas reles calças em três meses!”

(Voz de alfaiate, escandalizado) “Mas Milord, Milord, olhe... (gesto de desprezo, com repugnância) ... o mundo... (pausa) ...e olhe... (gesto carinhoso, com orgulho) … minhas CALÇAS!”

(Fim de Partida, Samuel Beckett - 2002, pp.61-62)


20 de outubro de 2018

20 de Outubro: Dia do Poeta



Ponho os pés na terra.
O coração nas estrelas.
Versos no papel.
(Elenir)





Parabéns Poetas do CLIc!

(Adriana, Cláudia, Cristiana, dília, Elenir, Eloisa, Fernando, Gavri, Ilnéa, Inês, Leo, Luzia, Maria Solange, Mariney, Niza, Neide, novaes/, Rita, Sonia, Vera, etc.)



Poeta é alguém que sente sem tocar, 
que enxerga sem ver,
que ouve sem escutar, 
que se faz presente, mesmo estando ausente,
que brilha qual uma estrela,
porque, igual a ela, tem sua própria luz..."

Yvone de Carvalho