CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

31 de março de 2018

Que tipo de chocolate é você?


Elenir, entre a sacerdotisa do CLIc e a escritora GR

Que injustiça dizer que o Taurino é "pão duro"! Sou taurina e me considero muito generosa, embora, sempre, com os pés no chão, sem esbanjar. Realmente, gosto muito de Serenata de Amor.

Sou Taurina, pés na terra,
com medo do vôo alçar.
Mas tenho Vênus brilhando
para a estrada embelezar.

Por ter ascendente em Gêmeos,
trago em mim dualidade.
Ora alegre, ora triste,
vou fazendo a caminhada


As palavras são meus chocolates preferidos. Adoçam minha vida.

Muitos beijos para todos. Sem economia.


Páscoa ! Renascer.
Brindar a vida, espalhando
Alegria e Amor.


Carinho e Amizade
Elenir

Feliz Páscoa a todos os participantes do nosso clube de leitura Icaraí!!!


Conto coletivo de Páscoa: escrito pelos participantes do Clube de Leitura Icaraí


"Mãe, quero um ovão de chocolate na Páscoa, tá?" Aquele pedido de seu menino, seis anos de um sorriso que insistia em ignorar a vida dura que a pequena família levava, causou-lhe um sorriso aflito. Não dava para explicar ao pequeno sobre desemprego ou subemprego... Não dava para explicar que a Páscoa, como o Natal ou o dia de aniversário, eram dias difíceis para quem catava as moedas no fundo da bolsa para poder pegar a condução de ida em busca de uns trocados na rua.
Lota, apelido de Carlota, mãe do pequeno, custou a dormir naquela noite. Procurava uma forma de satisfazer a vontade do filho. Quando conseguiu dormir, povoaram seu sonho muitos ovos, pequenos, grandes, ovões e os mais lindos coelhos.


Decidiu então, com o coração apertado, mas buscando uma força interior que a sustentava em momentos tantos e difíceis, tentar responder a mais uma pergunta do mais velho de seus cinco filhos. 


Jesus, chega aqui pertinho da mamãe, senta aqui meu querido. Mamãe vai te contar uma estória...
O período de privações da Quaresma se estendia além dos 40 dias, fora criada com preceitos sérios sobre religião e quando era criança, além dos semi-jejuns que a levava quase ao nirvana, em sua casa não se ouvia músicas "profanas" no período que antecedia a Páscoa.



Antes que a mãe iniciasse a estória, todos da casa ouviram um alarido que vinha da rua. Levantaram-se rapidamente e foram até a porta que estava aberta. Algumas mães, pais e muitas crianças faziam uma brincadeira. Curiosos, a mãe e seus cinco filhos correram para junto dos demais. A ideia foi lançada: quem encontrasse um ovo escondido naquela redondeza, ganharia um prêmio. Os adultos poderiam brincar também.

Dividida entre o desafio que era a possibilidade de um ovo real para seu Jesus e ainda um prêmio - o que seria? - e o rigor da religião que sempre a fez temente demais aos homens, além de sua conhecida subserviência, Lota suspirou. Deixou seu medo de lado e lançou-se à rua, decidida.

Encontrando os amigos, vizinhos e a criançada, Lola caminhou livremente, sentindo-se feliz, alegre mesmo. Lembrou-se por um instante da estória que contaria ao filho e percebeu até aliviada que alguns garotos levavam cartazes que tinham a ver com sua história . Ela leu: Páscoa! Festa da Renovação! Em outro cartaz: Estamos festejando o amor, o perdão, a união! e num outro: Páscoa! Quem achou o ovo?



E então, algo horrível aconteceu: um som de sirene foi ficando cada vez mais forte até que um carro da polícia apareceu a toda velocidade. Quatro policiais fortemente armados desceram do carro de armas em punho e ordenaram que todos ficassem onde estavam, sem se mexerem. Tinham recebido uma denúncia anônima sobre tráfico de drogas e que os ovos de páscoa estavam recheados de cocaína.


Diante da força, a ordem recebida não foi cumprida. Aquelas pessoas, já acostumados a serem acusadas sem provas, onde suas casas eram invadidas e seus filhos levavam coronhadas sem motivo aparente - essa turma que fazia festa na rua -,resolveu não recuar e continuaram...

O alarido recrudesceu. Tornou-se um verdadeiro tumulto. Eram crianças, jovens, adultos e, até seu Zé,vizinho pacato, beirando os setenta anos, acompanhou os netos na brincadeira. Além de tudo, havia, suspenso em um dos postes da rua, enorme espantalho, simbolizando o Judas, que, de acordo com a tradição, deveria ser malhado no Sábado de Aleluia. 
Padre Quinzão, responsável pela paróquia, muito ranzinza, passava pelo local nesse momento, e, abanando a cabeça e resmungando, dizia para si: "Eles só querem saborear o chocolate do ovo, mas não se preocupam em saber o que ele representa". Assim pensando, caminhou, com a inseparável bengala, em direção da Igreja, onde preparou sua pregação para a Missa das 18 horas. Incluiu o seguinte: "Depois da morte de Jesus Cristo e da Sua ressurreição, os cristãos consagraram o hábito de, no Domingo de Páscoa, presentearem-se com ovo, símbolo do nascimento e retorno da vida. No século XVIII, essa prática foi adotada, oficialmente, pela Igreja".
Será que alguém foi à Missa nesse dia? 
O século XVIII estava muito distante e ninguém sabia que a euforia das crianças já era efeito da droga. Seu Zé também provou do chocolate precioso. Lota então resolveu procurar o conselheiro, toda a comunidade tem um conselheiro que dá palpite em tudo e geralmente não são procurados por sua sabedoria e sim pela proximidade do chefe.
Ao chegar na casa do conselheiro encontrou o homem já de saída, com algemas nos punhos diante dos policiais e a séria acusação do tráfico de drogas nos ovos de páscoa. Agora a brincadeira poderia ser comemorada com alegria, sem preocupações. Teria sido mesmo ele, um homem tão sábio, o autor de tal crime? Deixemos isso para os responsáveis do caso. Voltemos às brincadeiras na rua porque é tempo de alegria e comemoração da liberdade.
Mas seria possível brincar diante de tanto alarido? Como rezar a missa com fatos tão intrigantes? Todos, na verdade, ficaram estarrecidos com a prisão do Conselheiro, logo ele, homem sábio e em quem confiavam!

Aquela Páscoa tomou um rumo diferente no pensamento das pessoas: muitos se questionaram sobre seus credos,seus ideais. Agora, sem a confiança no Conselheiro,o que fazer, o que pensar...E a alegria dissipou-se trazendo a cortina da noite, da noite de um dia diferente. 




D Lota, que na confusão já estava sendo tratada por Lola, reuniu seus filhos

em volta da mesa e procurou acalmá-los. Teve a brilhante ideia de cada um desenhar um ovo, com as cores que preferissem, e que contassem uma estória. Cada um debruçou-se sobre seus sonhos e fantasias e transferiu para o papel todas as suas emoções...assim adormeceram com esperanças no novo dia que surgiria.



Mais uma vez, dona Lola guardou a verdadeira história, a história real de suas vidas para escutar as estórias de seus filhos. 

Seu filho mais velho, Jesus, foi poupado. Até quando? Nada mais importava naquele instante, só os sonhos de seus filhos. Afinal era Páscoa, ela não podia perder a esperança em dias melhores...


Enquanto isso, numa bela casa, não muito longe, sua proprietária, conhecida como dona "Generosa", questionava seu neto, rapaz de uns dezessete anos, sobre a causa de seu nervosismo e inquietação. A princípio, recusou-se a falar, mas, tanto ela insistiu, que ele aquiesceu. Disse-lhe que nutria raiva e inveja daquelas crianças, pois, embora pobres, viviam alegres, brincando na rua e eram levadas à escola pelas mães. A sua morrera quando ele tinha, apenas, nove anos, vítima das drogas, conforme lhe contaram. Por isso, aquela brincadeira incomodava-o. Decidiu acabar com ela e, pelo menos uma vez, veria os meninos tristes. Assim pensando, fez a denúncia anônima e falsa à polícia de que os ovos objeto do prêmio continham cocaína. Por sua causa, um inocente, estimado e respeitado por todos, pobres e ricos, o Conselheiro, estava preso como suspeito. Sentia-se arrependido. Ao ouvi-lo, a avó exigiu que ele fosse à delegacia confessar seu crime. Mas, antes, disse-lhe, compre, com este dinheiro que te dou, muitos ovos, grandes, pequenos, enfeitados, recheados e coloque-os nas portas das casas dessas crianças. Ficarão alegres e felizes. "Ai de ti se não me obedeceres!", acrescentou ainda. O rapaz comprou os ovos. Depositou-os nas portas. Foi à delegacia, onde confessou seu crime. O Conselheiro foi libertado. 


Quando Lota viu o Conselheiro pela manhã, caminhando pela rua, livre novamente, deixou-se dominar por uma alegria que não sentia há muito tempo. E sem pensar em nada, apenas deu uma pequena corrida e abraçou-o festivamente. O Conselheiro, que nunca presenciara uma manifestação assim de Lota, ficou sem saber o que fazer. Quando ela finalmente o soltou e os dois ficaram frente a frente, seus olhos se encontraram e eles se viram de uma forma diferente, como nunca se haviam visto antes.

O Conselheiro percebia que algo havia mudado. O sabor da recente liberdade fazia-o experimentar cada detalhe como uma nova oportunidade. Sentia-se como um portador de vida nova, em sintonia com o ovo que se rompe pois seu interior quer se expandir. Quando encontrou com Lota, estava a caminho da casa de D. Generosa para agradecê-la e para revê-la, pois guardava há tempos um forte sentimento por ela.


O Conselheiro, após despedir-se de Lota prometendo voltar para deliciar-se com sua famosa canjica, dirigiu-se à casa de D.Generosa. Ela fazia jus ao nome. Se não usasse energia com o neto e não se preocupasse com o outro, certamente, ele estaria, ainda, na cadeia. O Delegado e os policiais não se preocuparam em averiguar a verdade. Prenderam-no e pronto. Missão cumprida! Por outro lado, Lota, na cozinha de sua casa, preparava o café para as crianças, cortava o pão, estendia a toalha na mesa. E cantava. Através da música, extravasava toda sua alegria. Cantava tanto, e tão alto, que a garotada acordou. Jesus, o mais velho, muito sensível, aproximou-se, beijou-a e disse: Que bom mamãe, ouvir a senhora cantar! Um novo dia começava trazendo alegria e muita esperança. E eles não tinham visto, até àquele momento, os ovos deixados na porta!



Boa Páscoa, Cliceanos!


Páscoa é renascer!
Desapego do "homem velho"
para o "novo" entrar.

Amigos, na Páscoa, celebremos com as cerejeiras o renascimento e recomeço de uma nova vida. (Elenir)

Em flor, cerejeiras
trazem beleza e alegria
celebrando a vida.




A Páscoa Cristã ocorre sempre no primeiro Domingo após a primeira Lua Cheia Eclesiástica do Outono, que difere da lua cheia real porque não leva em conta o complexo movimento lunar podendo, portanto, divergir, eventualmente. Mas na dimensão da fé, afinal, o que importa a realidade?  

O antecedente da Páscoa Cristã é a Páscoa judaica que geralmente não coincidem por se referirem a eventos diferentes e se basearem em calendários distintos. O calendário cristão é baseado no movimento do Sol e o judaico no movimento da Lua. A Páscoa Judaica recorda a libertação do povo de Israel da escravidão no Egito, enquanto a Cristã marca a ressurreição de Cristo

O dia de celebração da Páscoa Judaica é sempre aos 14 dias do mês Nisan e, diferente da Cristã, pode cair em qualquer dia da semana. A Páscoa Cristã nunca acontece antes de 22 de março nem depois de 25 de abril.


Páscoa significa libertação. Para os judeus, uma libertação política. Para o cristão, uma libertação espiritual.




ESSE CLUBE TEM HISTÓRIAS...E  SEMPRE RENOVAÇÕES!


Páscoa ! Renascer.
Brindar a vida, espalhando
Alegria e Amor.



Páscoa é vida!
Tempo de renovação
e, sempre, esperança.


Carinho e Amizade
Elenir 


Feliz Páscoa a todos os participantes do nosso clube de leitura Icaraí!!!





28 de março de 2018

Os trabalhadores do mar: Victor Hugo






Que é um marido? É o capitão de uma viagem. Por que motivo não dar um só capitão ao navio e à filha? O casal obedece às marés. Quem sabe guiar uma barca sabe guiar uma mulher. Ambas são sujeitas à lua e ao vento. 



O povo morcego

Parélio e Parasselene, santelmo de Colombo e Magalhães, estrelas volantes de Sêneca, as duas chamas, Castor e Pólux de que fala Plutarco, relâmpagos terrestres de Saturno, cloud-ring anel das nuvens no Equador. 





Este vento quente, turbilhão cor de tinta atirando-se sobre as nuvens encarnadas, fez dizer aos vedas: Eis aí o Deus negro que vem roubar as vacas encarnadas. Sente-se em tudo isto a pressão do mistério elétrico. O vento é cheio desse mistério. Do mesmo modo o mar. Também ele é complicado;

Dolmen

Reunião adiada para 19/10/2017

19:00 h

Varanda do Teatro da UFF



Quando há duas criaturas, a vida é possível. Havendo uma só, parece que nem se pode arrastá-la. Renuncia-se a ela.

Ananke

A desolação e a paixão estavam impressas na fronte religiosa de Ebenezer. Havia também uma resignação pungente, hostil à fé , embora derivasse dela. Naquele rosto, simplesmente angélico até então, havia um começo de expressão fatal. Aquele que até então só meditara sobre o dogma, entrava a meditar sobre a sorte, meditação nociva ao pastor. Nessa meditação decompõe-se a fé.

Nada perturba tanto o espírito como curvar-se ao peso do ignoto.



O homem é o paciente dos acontecimentos. A vida é um perpétuo sucesso, imposto ao homem. O homem não sabe de que lado virá a brusca descida do acaso. As catástrofes e as felicidades entram e saem como personagens inesperadas. Tem a sua fé, a sua órbita, a sua gravitação fora do homem. A virtude não traz a felicidade, o crime não traz a desgraça; a consciência tem uma lógica, a sorte tem outra; nenhuma coincidência. Nada pode ser previsto. Vivemos de atropelo. A consciência é a linha reta, a vida é o turbilhão.



O turbilhão atira à cabeça do homem caos negros e céus azuis. A sorte não tem a arte das transições. Às vezes a vida anda tão depressa que o homem mal distingue o intervalo de uma peripécia a outra e o laço de ontem e hoje. Ebenezer era um crente mesclado de raciocínio e um pastor mesclado de paixão. As religiões celibatárias sabem o que fazem. Nada desfaz tanto o pastor como amar uma mulher. Todas as espécies de nuvens ensombravam Ebenezer.




Vós, que sofreis, porque amais, amais ainda mais. Morrer de amor é viver dele.


La pieuvre

Flama soberba essa, era a vontade visível. O olho do homem é feito de modo que se lhe vê por ele a virtude. A nossa pupila diz que quantidade de homem há dentro de nós. Afirmamo-nos pela luz que fica debaixo da sobrancelha. As pequenas consciências piscam o olho, as grandes lançam raios. Se não há nada que brilhe debaixo da pálpebra, é que nada há que pense no cérebro, é que nada há que ame no coração. Quem ama quer, e aquele que quer relampeja e cintila. A resolução enche os olhos de fogo; admirável fogo que se compõe da combustão dos pensamentos tímidos.


24 de março de 2018

Revivendo leituras passadas - Sidarta: Hermann Hesse

"Não creio ser um homem que saiba. Tenho sido sempre um homem que busca, mas já agora não busco mais nas estrelas e nos livros. Começo a ouvir os ensinamentos que meu sangue murmura em mim.”  (Herman Hesse)


Terá sido apenas uma coincidência estarmos lendo SIDARTA e ao mesmo tempo sermos "apresentados" a um Papa tão humano?

Estamos lendo SIDARTA, e, ao mesmo tempo nos deparamos com um ser amável, totalmente ligado e preocupado com as dores da humanidade, um Papa (finalmente) voltado para o social.

Esperemos que, independentemente da religião, essas sementes germinem...

Vera Lúcia Schubnell Freire

* * *

Na verdade estamos ligados às sintonias do Universo e concordo com a Vera que a escolha de Sidarta não foi casual com o momento que recebemos um importante líder religioso do Planeta.

(R)




"Quando foi alcançado o número de votos que me faria Papa, aproximou-se de mim o cardeal brasileiro Dom Cláudio Hummes, me beijou e disse: "Não te esqueças dos pobres". Em seguida, em relação aos pobres, pensei em São Francisco de Assis. Depois pensei nos pobres e nas guerras. Durante o escrutínio cujos resultados das votações se punham "perigosas" para mim, veio-me um nome no coração: Francisco de Assis. Francisco, o homem da pobreza, da Paz, que ama e cuida da criação, um homem que transmite um sentido de Paz, um homem pobre. Ah! Como gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres."


Papa Francisco - 16 de março - Aula Paulo VI (sala de audiências papais) - Roma




* * *

Tudo voltava, todos os sofrimentos que não tivessem encontrado uma solução final.


Govinda — pensou, sorrindo. — Tais pessoas ficam gratasapesar de poderem, elas mesmas, reivindicar gratidão. Todas elas são submissas, querem ser amigas, gostam de obedecernão gostam de pensar muito. Esses homens são verdadeiras crianças.


..aprendi com o rio:  tudo volta.  ...que tua amizade seja meu salário...

Olha, há mais uma coisa que a água já te mostrou:  que é bom descer, abaixar-se, procurar as profundezas

- senti que a percepção do Universo circulava em mim como meu sangue.



 "Fraternidade"

E se agora, neste instante,
nos olharmos com um sorriso
e apertarmos nossas mãos,
buscando a divina essência
que é comum a todos nós,
então, fraternos nós somos
e verdadeiros Irmãos.

(Elenir)

* * *

Yes se inspirou em Sidarta de Hesse para escrever a letra de "Close to the edge"
 
     "L’intérêt passionné de Hermann Hesse pour l’Extrême Orient était une tradition de famille. Son grand-père puis ses parents avaient tous longtemps vécu en Inde au service de la Mission protestante de Bâle, y avaient appris les langues locales, s’étaient familiarisés avec les coutumes et la pensée du pays. L’un de ses cousins, Wilhelm Gundert (1880-1971), était un savant de premier plan, établi au Japon, spécialiste du bouddhisme zen.

     Dès son enfance, Hesse avait ainsi fait la connaissance de l’Asie par des conversations éclairées et par la lecture des meilleurs livres. Rien d’étonnant à ce que le futur auteur de Siddhartha et du mythique Voyage en Orient ait désiré connaître à son tour physiquement quelques-uns des pays qui nourrissaient déjà une si grande part de son imagination et de sa philosophie."

(http://www.jose-corti.fr/titresetrangers/carnets-indiens.html)

* * *

Tu Hi Meri Shab Hai

Tu hi meri shab hai subha hai tu hi din hai mera

Tu hi mera rab hai jahaan hai tu hi meri duniya

Tu waqt mere liye main hoon tera lamha

Kaise rahega bhala hoke tu mujhse judaa


* * * 





Avant la naissance de Krishna, Vishnou révélant sa divinité à Vasudeva et Devaki. National Museum, New Delhi. Basé sur l'histoire du Bhagavata Purana, Bikaner, Rajasthan, vers 1725.






Disse Sidarta: " [...] tenho para mim que o amor é o que há de mais importante no mundo. Analisar o mundo, explicá-lo, menosprezá-lo, talvez caiba aos grandes pensadores. Mas a mim me interessa exclusivamente que eu seja capaz de amar o mundo, de não sentir desprezo por ele, de não odiar nem a ele nem a mim mesmo, de contemplar a ele, a mim, a todas as criaturas com amor, admiração e reverência."




Om é o arco; alma é a seta
Brama é o alvo da seta:
Cumpre feri-lo constantemente

O CLIc chega ao Nirvana
Que todos possam alcançar a Paz do Universo, deixo vocês mergulhados no Om. (R)



Uma porta após outra abre-se diante de ti. Como se explica isso? Dispões, por acaso, de algum feitiço?

Olha, Kamala: uma pedra que atirares na água, dirige-se ao fundo pelo caminho mais rápido. O mesmo sucede cada vez que Sidarta tem um objetivo, um propósito. Sidarta não faz nada. Apenas espera, pensa e jejua. Mas passa através das coisas deste mundo como a pedra passa pela água, sem mexer-se, sentindo-se atraído, deixando-se cair. Sua meta puxa-o para si, uma vez que ele não admite no seu espírito nada que se possa opor a ela. Eis o que Sidarta aprendeu dos samanas. É aquilo que os tolos chamam de feitiço e que na opinião deles é obra dos demônios. Nada é obra dos demônios, já que não há demônios. Cada um pode ser feiticeiro. Todas as pessoas são capazes de alcançar os seus objetivos, desde que saibam pensar, esperar, jejuar. 


* * *

O que é a meditação? O que é o abandono do corpo? Que significa o jejum? E a suspensão do fôlego? São modos de fugirmos de nós mesmos. São momentos durante os quais o homem escapa à tortura de seu eu.

* * *

Leitura jovem no CLIc

"Hermann Hesse é o maior escritor do século XX"
San Francisco Chronicle



Iluminação no CLIc


Sidarta, na minha estante,
passou anos escondido,
mostrou-se a mim, e num instante
sussurrou "Sou o escolhido".

(Ilnéa)





"Toda a vida de Hesse, até o último dia, foi uma série de fugas" escreveu Otto Maria Carpeaux, na orelha a 1a edição de "Sidarta". "E cada uma das fugas foi uma volta..."

... e há mais... muito mais!

Fomos, e somos, verdadeiramente um grupo... ou diria "maravilhosa familia".

Abraços ... num só abraço,

Abraço enoooorme... !!!!!!!!!!!!!!

Ilnéa

21 de março de 2018

Quase memória: Carlos Heitor Cony





Reunião de Janeiro

18/01/2018

19:00 h

Varanda do Teatro da UFF, à esquerda





Esta é a quase memória de um menino triste que se tornou num homem mais triste ainda.




Um homem que se perdeu por nada.






Amanhã farei grandes coisas!




Na lógica de Aristósteles, somente com o terceiro elemento de um problema se chega a uma solução.


As coisas boas da vida podem ser conseguidas com pouco ou com nenhum dinheiro.


Indignação







CARTA ABERTA DE REPÚDIO À MANIFESTAÇÃO

DA DESEMBARGADORA MARÍLIA CASTRO NEVES, DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RIO DE JANEIRO, EM RELAÇÃO ÀS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

A Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down vem tornar público seu repúdio à demonstração de preconceito manifestado por uma autoridade pública, a desembargadora Marília Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em relação às pessoas com síndrome de Down.

Na luta empreendida pela sociedade e pelo estado brasileiro pela garantia dos direitos das pessoas com deficiência, destacamos a aprovação do texto da Convenção da ONU sobre os direitos das pessoas com deficiência, introduzindo no ordenamento jurídico, com força de emenda constitucional, normas com o propósito de promover, proteger e assegurar o exercício pleno e qualitativo de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais pelas pessoas com deficiência.

Após milênios de exclusão, nos últimos 70 anos, a sociedade em todo o mundo vem aperfeiçoando-se em seu processo civilizatório ao reconhecer os direitos e propor melhoria das condições de vida da pessoa com deficiência.

Não obstante essa árdua luta que visa mudar os paradigmas sociais e culturais mediante novos valores que reconhecem a dignidade humana, nos deparamos com comentários feitos por pessoa cujo exercício da nobre função de magistrada, desce ao mais baixo nível, tornando público em perfil do Facebook seu preconceito contra as pessoas com deficiência.

A Desembargadora Marília Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro postou em sua página virtual: “Voltando para a casa e, porque vivemos em uma democracia, no rádio a única opção é a Voz do Brasil...Well, eis que senão quando, ouço que o Brasil é o primeiro em algumas coisas!!! Apuro os ouvidos e ouço a pérola: o Brasil é o primeiro país a ter uma professora portadora de síndrome de down!!!. Poxa, pensei, legal, são os programas de inclusão social...Aí me perguntei: o que será que essa professora ensina a quem??? Esperem um momento que eu fui ali me matar e já volto, tá?”.

Sabemos que os juízes também têm a liberdade de se expressar como cidadãos, mas a atividade que escolheram lhes impõe uma série de limitações, de natureza normativa, presentes no Código de Ética da Magistratura, dentre as quais o dever de manter a integridade de sua conduta e o de comportar-se em sua vida privada de modo a dignificar a função de magistrado.

A FBASD considera que mensagem carregada de preconceito, ofende, definitivamente, os ditames impostos aos juízes por seu Código de Ética. Textos dessa natureza claramente denigrem a magistratura e, assim, devem ser rigorosamente apurados pelos órgãos competentes, tais quais a Corregedoria do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e o Conselho Nacional de Justiça.

Assim vimos tornar público nosso repúdio contra a manifestação de preconceito expressado pela Desembargadora Marília Castro Neves. 

FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE SÍNDROME DE DOWN


17 de março de 2018

Revivendo - Mosaico Vivo: Cristiana Seixas

Cris,

Acabo de ler seu livro e preciso dizer a esse pedacinho do mundo que é nosso Clube o quanto gostei. Seu livro é lindo e super sensível, delicado e profundo sendo extremamente simples. Uma
combinação mágica de entender a vida, a si, ao outro e de admitir imperfeições ao mesmo tempo em que se luta pela liberdade de alçar voos próprios e superar-se.

Emocionei-me em cada página, triste com a luta da criança com o urubu, alegre com o beijo na trave, reflexiva com a noção do tempo, dor e amor. Fiquei com uma vontade danada de conhecer a Chapada dos Guimarães e me deitar à beira do precipício. Cada árvore ganhou um sentido novo, a dimensão da paciência mudou. Uma lição de viver bem, aproveitar os momentos, eternamente efêmeros, de ficar em paz comigo, de me permitir receber a beleza e a felicidade e transbordar meu amor pela vida. Sabedoria para aceitação também e para o enfrentamento dos meus medos.

Eu me identifiquei com tantos pensamentos, palavras, sentimentos e me surpreendi com outros que me diziam o que na verdade eu já deveria saber, mas é sempre preciso que nos digam com a força da pureza que você sabe transmitir. Você faz uma metáfora da natureza com o homem que é maravilhosa. Tudo se pode aprender se se sabe olhar. Seu livro é poesia para os olhos, os ouvidos, as mãos, o coração, o corpo todo. Há frases sublimes que marquei para reler e reler e reler para ver se entram por osmose. Preciso de uma cabeceira maior.

Obrigada por escrever,


Eu vou aceitar o convite do vento
e me deixar levar pelas trilhas,
para dentro, para dentro, para dentro


Rita Magnago





À venda na Estante do Concierge (conciergeclic@gmail.com): R$ 25,00




Amigos

Enfim, convido-os para o lançamento de meu primeiro livro:  Mosaico Vivo.

Será dia 19 de abril de 2012, às 19h, no Centro Cultural Pascoal Carlos Magno.

Será inefável compartilhar esta emoção com vocês.

Até breve!
Cristiana



15 de março de 2018

Revivendo leituras passadas - "The Picture of Dorian Gray" - Oscar Wilde

As folhas farfalham,
andorinhas esvoaçam,
festa no jardim.

Florezinhas murcham,
revivem depois. E o homem
só uma vez é jovem.


(inspirados  Oscar Wilde-O Retrato de Dorian Gray)
(L-nir)



Beware of your pictures, dear reader! I highly recommend you check out all your pictures to guarantee that nothing wrong is going on.

There have been some comparisons made by some Book Club's participants  between “The Picture of Dorian Gray” and “Death in Venice” by Thomas Mann. Both books approach the subjects of Beauty and Youth. One says that the same fascination provoked by the beauty of Dorian Gray on Basil and Henry, has striked Gustav Aschenbach regarding the beauty of Tadzio. In a passage from the movie, Gustav awakes startled from a nightmare in which he was booed after a concert, and comes to the conclusion that "in all the world, there is no impurity so impure as old age". For this reader, Gustav plays Lorde Henry's role while Tadzio would be Dorian. I would rather say that Tadzio looks much more as Fonchito from "O Elogio da Madrasta" by Mario Vargas Llosa which we have also read in the Club.

Another participant sent us some poetry after reading “The Picture of Dorian Gray” and we would like to share it with everybody:



“Sonhei que nosso rosto era espelho de nossa beleza interior
Recolhi lençóis e andei de olhos fechados cobrindo espelhos
Não fui à rua, com medo de olhares alheios
Como seria o julgamento exterior?

Passei em revista os anos vividos
Ouvidos fechados, língua ferina, nariz empinado
Cabelo prosa, olhar soberbo, sorrisos contidos
E agora, o que restará do encanto forjado?”



Beauty and Youth are coming out from "de profundis" this month in the Book Club.


Na reunião,... cada vez melhor! Ao contrário do retrato de Dorian Gray, a imagem do Clube se torna mais bela. Será nossa consciência?

There is no such thing as a moral or an immoral book. Books are well written, or badly written. That is all” (Oscar Wilde)

Seguindo a linha da famosa frase de Oscar Wilde, descobrimos que para apreciar ou compreender completamente uma obra como “O Retrato de Dorian Gray”, é preciso ler tal obra de forma amoral, ou seja, é necessário deixar de lado os conceitos de bem e mal, de certo e errado, de moral e imoral e sentir. Assumir nossas confusões, conflitos e sensações mais íntimos. A partir daí, é possível entender Literatura como arte que nos retorna um universo de sensações. Porém, tal ato nos leva a entender Literatura como um mundo à parte? Uma vez que somos "leitores voluntários que complementam sua experiência de vida com e pela literatura", é necessário nos despirmos de nosso senso crítico? Ou, ao contrário, devemos sempre mantê-lo em nossa companhia?

Em prática, “O Retrato de Dorian Gray” poder ser compreendido a partir de dois pontos de vistas: o da arte (onde não se julga, mas se sente) e um ponto de vista mais 'realista', onde não nos desligamos de nossa bagagem de vida.

É fato, que, uma vez que leitores levam consigo capacidade de interpretação crítica, é possível que vejam um mesmo livro de modos completamente distintos. Como dito anteriormente, ao longo do mês de discussão, diversos participantes discutiram semelhança entre “O Retrato de Dorian Gray” e “Morte em Veneza”, de Thomas Mann. Em “Morte em Veneza” exaltou-se poesia, sensualidade e beleza (que de fato existem!), porém todo esse sentimento prazeroso não poderia ser sufocado por um desconforto trazido pela personalidade aparentemente pedófila do maestro Gustav de Aschenbach? Analogamente, em “Todos os Nomes”, de José Saramago, muitos se emocionaram e viram beleza na parte em que a personagem Sr. José chega aos aposentos da mulher desconhecida. Contudo, é também possível enxergar uma personalidade doentia em alguém que invade os aposentos de uma morta desconhecida, cheira suas roupas, pensa em dormir em sua cama e ter sonhos agradáveis com a mesma. Desta forma, Dorian Gray pode ser visto tanto como um jovem que só almejava o prazer da vida (do ponto de vista amoral) quanto uma 'pessoa ruim', com certo desvio de caráter.

Dorian Gray, o dândi (homem elegante e bem vestido), foi identificado como dono de uma personalidade narcisista, que nos é revelada quando este se depara com seu retrato pela primeira vez. A ausência de uma estrutura familiar também foi exaltada como componente que certamente teria enfraquecido sua capacidade de julgamento e resistência às seduções e influências negativas.


Concluímos que o retrato de Dorian simbolizava sua consciência e nos perguntamos se a imagem no retrato "congelaria" ou voltaria a ficar bela, caso Dorian Gray se tornasse uma pessoa melhor. Reafirmamos que o feio e o belo nada tem a ver com maldade ou bondade (imagem esta provavelmente inserida em nossos subconscientes pela literatura do tipo Contos de Fadas).

Os muitos aforismos (em vários romances, utilizados perigosamente, revelando-se como frases de efeito, completamente ocas), são genialmente utilizados por Oscar Wilde na construção de Henry. Apesar de extremamente danoso, Henry, seduziu os leitores com sua sagacidade e frases imorais (porém sempre verdadeiras, se vistas de certo ponto de vista, ou seja, se encaradas amoralmente). Uma personagem genial!

A opinião sobre Oscar Wilde foi unânime: excelente escritor, que foge as estórias corriqueiras. O autor mudou a visão de vida de alguns leitores (boa parte já havia lido há uns trinta anos atrás, ou mais). Para a maioria, as três personalidades distintas, existentes em Henry, Basil e Dorian eram claramente Oscar Wilde.

Recomendadíssimo!