(Esta reportagem foi realizada por ocasião da premiação do escritor enquanto ele traduzia Oblómov diretamente do russo para o português)
O quadro desta semana é com o escritor carioca Rubens Figueiredo, que na segunda-feira foi vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura na categoria Melhor Livro do Ano por Passageiro do fim do dia (Companhia das Letras). O romance mostra o protagonista numa longa jornada de ônibus pelas ruas congestionadas de uma cidade grande, saindo do centro em destino a um bairro periférico. Em meio a um infindável congestionamento, ele observa distraído o que se passa dentro e fora do coletivo, enquanto ouve seu radinho e lê um livro.
TL – Qual o primeiro livro que marcou sua vida?
RF – Foi um livro do Monteiro Lobato, As aventuras de Hércules. Eu tinha uns nove anos, calculo, porque lembro que estava no primário e também por alguns detalhes do quarto onde eu lia, onde dormiam meus avós. Fiquei empolgado com as histórias das lendas gregas e com as criaturas estranhas. Mas a verdade é que nunca li de novo esse livro.
TL – Qual o livro que mais mexeu com você?
RF – Acho que foi Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos. Talvez por causa da firmeza com que ele exige o máximo da observação. Aos poucos, o mundo fechado a prisão se reconfigura como o próprio mundo social, em seu todo.
TL – O que você está lendo?
RF – Estou lendo e traduzindo um romance russo do século 19 intitulado Oblómov, de Ivan Gontahcaróv. Dominado por uma inércia ou apatia quase feliz, o herói passa mais ou menos as primeiras cem páginas sem conseguir levantar da cama e sair do quarto. De um humor desconcertante, compreende uma crítica séria da estrutura desigual da sociedade.
O escritor carioca Antônio da Fraga
Fernandes nasceu a 30 de junho de 1916. Sua mãe Waldomira da Fraga Fernandes
e seu pai Justino Fernandes se
conheceram no Segundo Congresso Operário Brasileiro ocorrido na cidade do Rio entre
8 e 13 de setembro de 1913, organizado pela Confederação Operária Brasileira
(COB): ambos apaixonados pelo ideário anarquista. Justino, padeiro, português
da cidade do Porto, teria aderido ao Anarquismo ao travar contato com o célebre
militante italiano Errico Malatesta (1853-1932) quando este propagava tal
ideologia pela península ibérica. A costureira capixaba Waldomira, nascida no
município de Caxoeiro do Itapemirim,por
sua vez, tornou-se anarquista a partir de seu envolvimento nas lutas trabalhistas
travadas no Rio de Janeiro, para onde havia migrado em busca de melhores
condições de vida.
O casal foi morar na Rua Senador
Eusébio, na área denominada Cidade Nova, localizada entre Catumbi e Canal do
Mangue. E seu filho, que futuramente assinaria apenas como Antônio Fraga,
largou a escola – que considerava extremamente chata e inútil –, passando a
estudar em casa mesmo, com auxílio dos pais. Acabou desenvolvendo uma forte
independência de pensamento. Fraga logo percebeu que se falava em uma língua e
escrevia-se em outra, quase sempre se escrevendo mais para fascinar ou iludir
do que para comunicar. Futuramente sua obra conteria uma forte crítica aos
“retóricos” que escrevem “difícil” para serem admirados sem serem
compreendidos, ou simplesmente para engambelar seus leitores.
Com a separação dos pais, adolescente
ainda, decidiu seguir rumo próprio. Foi para o Mangue, onde passou a vender
siri e bugigangas.
De biscate em biscate, ele ganhava a
vida. Em Minas Gerais empurrou vagonetes de pedra britada nas minas de ouro de
Nova Lima; em Goiás garimpou diamantes nas margens do Araguaia; no Estado do
Rio de Janeiro manejou enxada nos laranjais de Nova Iguaçu e administrou um
bananal em Magé; na metrópole carioca exerceu atividade de lanterninha de
cinema, trabalhou como auxiliar de cozinha no Hotel Glória, foi redator-chefe
da rádio Vera Cruz e funcionário da Legião Brasileira de Assistência. No meio
de tudo isso, Fraga arranjava tempo para escrever. E escrevia compulsivamente,
mesmo sem editor que aceitasse publicar suas histórias críticas, corajosas,
revolucionárias.
Em 1945, formou o grupo literário
Malraux. Em maio do mesmo ano, ele e sete participantes do grupo realizaram a
Primeira Exposição Pública de Poesia do Mundo, uma espécie de retrato poético-ideológico
da geração de 45. Ainda naquele ano, Fraga, Antônio Olinto e Ernande Soares,
fundaram a editora Macunaíma, que publicou a genial novela “Desabrigo”, de
Antônio Fraga, que critica a desigualdade social, a enganação religiosa, a
miséria e falta de perspectiva dos subúrbios cariocas.
A escolaridade formal de Fraga foi
bem curta: só tinha o primário incompleto. Mas, mesmo assim, sabia sete idiomas
e tinha amplos conhecimentos de Matemática, Filosofia e Botânica.
Sempre fez questão de transmitir seus
saberes, semeando consciências críticas, lutando por uma sociedade mais
fraterna.
Alfabetizou crianças e adultos em
Formiga, Minas Gerais. Em Queimados, ministrou cursos de literatura em casa,
organizou exposições de arte, participou da feira do livro, incentivou novos
talentos, organizou grupos de jovens ligados a teatro e literatura e escreveu
uma obra excelente, repleta de fecundas, produtivas e ferozes críticas à
opressão social. Morreu em 19 de setembro de 1993.
É publicado e estudado ainda hoje. São aconselháveis as edições “Desabrigo e outras Narrativas” (que saiu pela coleção Sabor Literário, da José Olympio Editora) e “Desabrigo e outros Trecos” (da Relume Dumará). Vale a pena também ler a pesquisa “Antônio Fraga: personagem de si mesmo”, da professora Maria Célia Barbosa Reis da Silva, publicada pela Ed. Garamond.
(ANTÔNIO FRAGA AINDA NÃO FOI LIDO PELO CLUBE DE LEITURA ICARAÍ)
No meio do caminho estava teu corpo Que se recusava a apodrecer Cheirar mal, Repugnar.
Velório cheio, Missa de corpo presente, Caixão enfeitado, Cortejo fúnebre Sepultura funda.
Missa de sétimo dia, De trinta dias De aniversário, Não falecias.
Tentei conversar Com teu espírito Pedir racionalmente A tua partida. Não me ouvistes.
Continuavas espreitando Vendo com quem eu saía Em dúvida, se te traía.
No meio do caminho tinha uma pedra Paralepípedo quadrado, pesado Com ele, quebrei o espelho Que a ti me prendia Findo o encanto, Ficou meu corpo Estirado, inerte, No meio do caminho.
Luiz Gavri (Niterói, 28/12/13)
Recomendo o livro: O duplo de Otto Rank (http://www.dublinense.com.br/livros/o-duplo-um-estudo-psicanalitico/)
O Clube de Leitura Icaraí surgiu em outubro de 1998 como um grupo de amigos que decidiu ler o mesmo livro e se reunir posteriormente para comentá-lo. O resultado foi gratificante, então prosseguimos com a ideia. Por um ano e meio as reuniões se revezaram na casa dos participantes, depois, de 2001 a 2007, passaram à Livraria Ver & Dicto, mudando-se em 2008, a convite do vice-reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Editora da UFF, para a Livraria Icaraí, onde estamos até hoje.
Porém, embora nos reunamos dentro de uma universidade federal, e entre nós haja alguns acadêmicos, não somos um grupo acadêmico, pois, mesmo contando com o apoio da Livraria da Editora da UFF e da própria UFF, o Clube é independente e democrático aceitando a participação de todos que quiserem se integrar a ele.
Hoje nosso Clube possui membros virtuais de várias partes do país e do exterior (muito deles escritores), o que corrobora nossa proposta de não sermos apenas um grupo local, mas uma rede de leitores em torno de um interesse comum, promovendo o encontro e a troca de experiências, mostrando que a Literatura pode ser mais que um simples prazer lúdico, pode criar laços e promover o surgimento de novos autores que, inspirados em autores lidos e debatidos, ganham força para criar e expor seus próprios textos (vários membros do CLIc já foram premiados em concursos literários), tornando-se também autores de seus próprios objetos de discussão.
William Lial é poeta, cronista, ensaísta literário e mestre em Literatura Comparada.
Reside em Fortaleza e participa virtualmente do Clube de Leitura Icaraí desde Maio de 2013.
Cristina Lebre é escritora, poeta e jornalista. Tem dois livros publicados, o primeiro, "Olhos de Lince", lançado em 2008, de poesias, e o segundo, "Marca d'Água", de poesias e contos, sendo lançado neste primeiro semestre de 2014 em Niterói, Rio e São Gonçalo, já está à venda pelo site da editora,www.bliblioteca24horas.com
Participa também do programa de TV Café Paris, exibido semanalmente na TV O FLU, canal 12 da operadora SIM TV. Café Paris é um programa exclusivamente dedicado à divulgação de cultura e arte feitos por pessoas de Niterói, São Gonçalo e arredores, mostrando música, poesia, literatura, fotografia, etc. Coordenado pelos jornalistas Luiz Antonio Mello e Luiz Erthal, o programa pode também ser visto pela web no site www.programacafeparis.com.br
Café-concerto imortaliza 15 anos do CLIc
nas vozes de
Dília, Cristiana e Zezé
Um café-concerto pra lá de especial, idealizado com trechos poéticos extraídos do livro do CLIc, foi um presente para todos que compareceram à noite de autógrafos. E para os que lá não puderam estar, ou para os que gostariam de relembrar, segue abaixo o caprichoso trabalho de Dília Gouvea e Cristiana Seixas. As músicas, lindamente cantadas por Maria José (acompanhada do músico Fábio Pereira, contratado pela Dília), estão disponibilizadas em outras vozes, pois infelizmente não temos a gravação in loco. Ao trio maravilhoso, nosso muito obrigada.
Prólogo
Dedicado
às mães que não estão presentes e que se encontram na distância, às mães para
além da distância e às mães para além do além da distância.
DÍ:
Minha mãe visitou-me esta tarde. Servi chá de rosas.
Conversamos
sem palavras. Ela falou mais do que eu.
Falou
sem falar. Sorriu sem sorrir. Explicou e pouco perguntou.
Não
se interessa mais pelos humanos.
É
hoje uma mulher de filosofias. Que conta casos. E sorri muito.
Narradora
de um tempo que ainda não acabou.
Minha
mãe estava diferente. Corpo magro, pele clara, olhos infinitos.
Parece
que vi meu rosto no fundo claro de um deles.
Seus
gestos vagos tocavam meus cabelos. Suave seu toque. Suave sua
Presença.
Paradas
no tempo, tomávamos chá sem pressa.
O
mundo de fora não existia por dentro de nós. O mundo de fora era longínquo.
Mundo
adentro, meu peito respirava em calmaria. Tudo era perto.
Tudo
era belo. Eu vivia e morria em
ondas. E nem sentia.
Lá
fora o Sol congelado brilhava estático. O ar parado. O vento lento.
Por
dentro o chá quente. Chá de rosas. Minha mãe.
(Niza Monteiro)
ATO 1
MÚSICA 1
No pé do vento, da Maria Gadu
CRIS:
Quando a imaginação cria asas, voa pelo espaço em busca de lugares, próximos ou
distantes, pelos quais viaja sem barreiras e encontra ondes para situar a
criação do artista. Que pássaro, por mais veloz que seja, poderia atingir
espaços tão variados? (Gracinda Rosa)
DÍ: A
casa é envidraçada, há muita luz. Haveria uma lareira e vinho? Entra, que coisa
mais atraente: pelas paredes, e perto delas, os objetos de seu desejo: vários livros.
Há calor, vinho, luz! Sorrisos afetuosos, palavras sobre paixão. Só faltava
mesmo a lareira...Pensando bem, ela lá está, depois de alguns minutos, sentada,
percebe que está sim. Uma roda humana, cheia de vida, abraça a mulher...Ela foi
fisgada. (Eloisa Helena)
CRIS:
Eram pessoas que se abriam, assim como os livros, e se deixavam folhear. Umas
páginas mais manuseadas, de letras maiores, outras ainda de pouco uso, mas o
papel sempre macio, bom de pegar, as tintas sem borrão, tudo legível, e os
livros falando-se entre si, sem algazarra, um livro falava, o outro ouvia, e a
música e a dança eram contínuas e alegres e fluíam, simplesmente fluíam. (Rita
Magnago)
DÍ:
Passo um mês inteirinho buscando entre páginas, rabiscando, grifando um trecho,
uma frase, uma palavra, alguma coisa que tenha sido importante para mim. Alguma
coisa que tenha penetrado em minha alma para finalmente compartilhar com você.
Tem sido assim sempre, desde que nos encontramos pela primeira vez. Essa
vontade cada vez maior de me doar, de poder receber de você as respostas para
as minhas dúvidas. (Vera Lucia Freire)
CRIS:
Dita, escrita e cantada a palavra liberta. Num
livro, vira âncora e concentra em si os quatro elementos: da terra por
tornar-se imortal pelo registro, do ar pelo sopro de reflexão que promove, da
água pelo fluir possível das emoções que culminam na lágrima e do fogo pela
transformação do olhar, do pensamento e da própria vida. (Cristiana Seixas)
DÍ:
Sou disso tudo apenas palavras - estas,
que algum autor lavra -e fragmentado em letras torno-me apenas símbolos do meu próprio preâmbulo: projeto de ser Pessoa sem viver, sugado para
dentro das páginas
- que
é uma forma doce de se morrer. É
para este fim que o livro me arrasta Como se desejasse me consumir - não
eu a ele, mas ele a mim!- Eu,
pedra, de coração duro e olhar seco inanimado,
mas testemunha eterna deste mundo. (Novaes/)
CRIS:
O trabalho de acabamento exige movimentos precisos e exaustivos.
Depois
de lixar a escultura, acrescenta uma pátina transparente para obter maior grau
de suavidade. O efeito não poderia ser melhor. Orestes, por todos os ângulos,
está pronto em sua existência dolorosa. Ousa mais uma vez! Vai aos ouvidos dele
e sussurra: Medéia, Emma Bovary, Diadorim, Macabéa. Ele permanece quieto como
um cervo, mas as cortinas esvoaçantes quase se queimam nas chamas que o vento
atiça em labaredas. De
onde esse vento se as janelas e portas estão fechadas? Ela permanece de pé ao
lado de Orestes. Extenuada.
Vai
nascendo o dia. Pouco a pouco. Sem pressa. Ela sente uma inefável e
incompreensível sensação de prazer diante da obra pronta. Viva. Mais uma vez
ela transpôs seus limites. Sua alma está leve. Fica ali, tremendo, o olhar fixo
nos olhos dele, imaginando: que diabos ela irá criar agora? E até quando?
Antes
de apagar as luzes, vê, num rápido vislumbre, as fúrias brilhando nos olhos de
Orestes. (Niza Monteiro)
MÚSICA 2 Eu vivo a sorrir, de Adriana Calcanhoto
DÍ:
Amor é assim como cafifa, pandorga, papagaio, pipa...
Há
que se “dar linha” para voar bonito
E
há que se deixar ir junto
Soltar-se
céu afora
Voar
o infinito, no espaço-tempo...
...
e além...
Ahhh...
eu ainda vou voar um amor assim. (Ilnea Miranda)
CRIS:
No inverno gelado,
A
palavra me acompanha
E
se faz lareira (Elenir)
DÍ:
Há luta no mar!
Homens,
ondas, ventos, velas,
Medem
suas forças (Elenir)
CRIS:
No vaivém monótono
Da
cadeira de balanço,
Cem
anos cochilam. (Elenir)
DÍ:
Fito o espelho.
O
outro que vejo
Desconheço.
Sorrindo,
zomba deste aflito
Que
fita assombrado,
O
tempo passado
Espelhado
no reflexo inverossímil. (Adriana Marins)
CRIS:
Assim nosso amor:
Ração
que alimenta nossa vida,
Razão
que compensa nossa dor,
Chama
para enfrentar a batalha mais renhida,
Luz
que dá sentido a nossa sina...(Fernando L.P. Robles)
DÍ: E
é assim, com o coração repleto e as retinas reduzidas pela suave luz daquelas
manhãs que percebo perfumes e sabores, e vejo os raios oblíquos do Sol de
distantes tardes sobre as nossas árvores. São imagens permanentes, lembranças
daquela natureza viva, companheira de brincadeiras de cada criança da rua.
Ensinou-nos muita coisa. Às vezes paro diante de uma banca de frutas, pego uma
e cheiro profundamente sua casca; e esse ato simples como tão simples é
qualquer fruta, tem o poder de me fazer sorrir, e de me transportar para longe,
para um tempo em que morder uma fruta colhida no pé podia ser a maior
felicidade deste mundo. (Carlos Rosa)
CRIS: Quero a calmaria
Das
brisas suaves e ondas meninas
Doces
curvas que apenas espumam meus horrores
O
que escapa e ultrapassa
O
sentido e os amores (Rita Magnago)
DÍ:
Ria. Sozinho. Ria. Cerveja pela metade. Ria. Ria do fado bobo. (Luiz Gavri)
CRIS:
Um ser nascido, devorado e regurgitado
por
Cronos e, como sua filha,
Vivo
parcialmente
Dentro
e fora dele. (Neide Peixoto)
DÍ:
A verdade é que não me preparei para contar essa história. Ela me colheu, me
requisitou com a urgência de um incêndio que precisava ser extinto. Dizem que
histórias que as histórias valem por isso. Contá-las, e contá-las teria o mesmo
efeito de uma vacina que dessensibiliza a angústia sempre na iminência de
aflorar à pele. A imagem, entretanto, não é bem de uma 'bola vindo ao gol e
eu o goleiro', mas a de um seio vindo em direção a uma boca. Parei tudo para me
dedicar a ela. [...] O que era sacrifício e dor transformou-se num fluxo fácil
de palavras. Elas correm com tamanha volúpia ao meu encontro que não posso me
mexer daqui." (Benito Petraglia)
CRIS:
Lembrou-se dos tempos de exílio, quando, nos momentos em que os pássaros
entoavam seus cantos, sentia a extrema angústia, pela distância dos que lhe
eram queridos. Mas ela o acompanhara e juntos se abraçavam para suprir esse
vazio. (Ceci Lohmann)
DÍ:
Minha finitude transcende a pequenez
Pó
que se revela.Expõe o que não queremos ver. Mastiga
O
intragável gosto da autodecepção.
Os
sonhos são lindos e fundamentais
-mas
um dia nos deparamos com alguém gritando:
“acorda!” Quando os olhos se acostumam ao breu,
Constatamos
foi um livro. (Novaes/)
(Ínicio do diálogo)
CRIS:
Como seria se em cada rua, em cada bairro, em cada cidade, em cada estado, em
cada país e em todas as ruas, em todos os bairros, em todos os estados, em
todos os países de todos os continentes, existissem clubes de leitura
diversificados?! E se toda a sociedade civil planetária se pusesse a ler
incessantemente todas as delícias da arte, da ciência, da filosofia derrubando
as correntes amargas do analfabetismo e da ignorância, e, se...
DÍ:
E se de repente... o debate fosse, subversivamente, o debate da consciência, do
saber, do retorno ao humano da sua dignidade perdida ou oculta em véus de
equívocos e desprazeres? Será que vislumbraríamos finalmente um mundo melhor?
Solidário, fraterno, amoroso?
CRIS:
Deixemos que proliferem clubes de leitura A, B, C,... de todas as letras do
alfabeto, deste mundo e de outros mundos! Por que não ser o nosso clube a mola
propulsora desse desafio? (dília Gouveia)
Logo após à dinâmica que inaugurou a solenidade de lançamento do livro do CLIc, nossa poeta e trovadora Ilnéa País de Miranda leu para nós seu “Pequeno poema para a Lua do Espreitador”, dedicando-o aos 15 anos do Clube.
Conheça as escolhas dos leitores na dinâmica idealizada por Gracinda Rosa no lançamento do livro do Clic 15 anos
Gracinda Rosa
Gracinda nos brindou com uma de suas maravilhosas dinâmicas, planejada para a ocasião com carinho e delicadeza. Dez leitores,além da autora da brincadeira, citaram personagens marcantes de livros lidos pelo CLIc que gostariam de encontrar, em que local seria o encontro e o que perguntariam a eles. Confira abaixo as escolhas:
Leitor
Livro
Autor
Personagem
Local do encontro
O que diria
Gracinda
Eu, menina toda prosa e
alguma poesia
Ilnea País de Miranda
A menina
Reunião do CLIc
Perguntaria
quando sairia seu novo livro
Ceci
1934
Alberto Moravia
Lucio
Capri/Itália
Perguntaria se é possível
viver no desespero, mas tentando conduzi-lo à vida
Dília
O ano da morte de Ricardo
Reis
José Saramago
Ricardo Reis
MAC
Perguntaria
por que escolheu o Brasil para se expatriar
Cyanna
Não especificado
Guimarães Rosa
Não especificado
Niterói
Passearia com ele pelas
praias de Icaraí e arredores
Rita
A máquina de fazer espanhóis
Valter Hugo Mae
Sr. Silva
Portugal
Perguntaria o
que ele faria diferente em sua vida se pudesse viver novamente
Maria Marlie
Vermelho
Amargo
Bartolomeu Campos de Queiróz
O menino
Não especificado
Perguntaria
se ele era realmente o escritor
Norma
Equador
Miguel de Souza Tavares
Bernardo
Qualquer lugar que não
fosse a ilha de São Tomé e Príncipe
(não registrado)
Adelina
A menina que roubava livros
Markus Zusak
Liesel
Na biblioteca
da esposa do prefeito
(não registrado)
Beth
Flor de Neve
e o leque secreto
Lisa See
Flor da Neve
No Brasil
Perguntaria
como ela suportou tudo aquilo
Vera
Inés de Minha
Alma
Isabel Allende
Inés
Santiago/Chile
Pediria que
contasse as experiências do passado e comparasse a Santiago atual à que
conheceu e desbravou
Newton
Todos os nomes
José Saramago
Sr. José
Apto da moça que Sr. José visitou,
em Portugal
Perguntaria o
que ele sentiu ao cheirar as roupas da moça