Os Filhos Ocultos de Eva
Dos numerosos ditos populares ligados à visão, talvez o mais conhecido e mais óbvio seja o que afirma que os olhos são as janelas da alma. O significado deste adágio entretanto, como quase tudo na sabedoria popular, corre em mão dupla:- o olhar não nega o que a alma vê e sente. E olhos seguem por aí reconhecendo e expondo almas ao mundo do jeito que lhes parecem. Alguns, porém, fazem-no de forma única, muito peculiar.
Que olhos, por exemplo, seriam aqueles que descrevem e desenham fadas, elfos, gnomos, bruxas, duendes e toda sorte de pequenas entidades elementais habitantes de uma Terra de Maravilhas que, para a maioria dos humanos, só existe no imaginário das histórias infantis?
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| Janet Hill |
A mitologia islandesa conta que Eva estava banhando seus filhos no rio, quando Deus falou com ela. Assustada e temerosa, escondeu aqueles que ainda não tinha banhado. Deus perguntou-lhe se ali estavam todos os filhos que tinha e ela respondeu que sim. O Senhor então declarou que aqueles que ela ocultara Dele seriam mantidos fora do alcance de visão humano. E os filhos ocultos de Eva se transformaram em seres encantados.
Quem sabe alguns deles não conseguiram transpor a barreira imposta por Deus e não se misturaram aos homens disfarçados de escritores e ilustradores dos mitos e lendas desse Reino Encantado de todas as culturas? Talvez nem mesmo eles tenham consciência da tarefa escolhida, e nem percebam que seu olhar vai além da forma da folha, ou da planta, ou de uma gota que faz cintilar a luz do sol. Este olhar especial reconhece os pequeninos seres que ali se escondem, mas só se mostram a seus iguais e, quem sabe, a uns poucos escolhidos cuja retina repousa na alma.
Não importa. Para estas pessoas incríveis e neste lugar onde fantasia e realidade de misturam, se fundem, se confundem e se completam, só o impossível é impossível. Tudo o mais, simplesmente, é.
Ilnéa é natural do Estado do Rio de Janeiro e moradora de Niterói. É escritora, tradutora, terapeuta vibracional, contadeira de histórias... e advogada das coisas em que acredita... e, faz tempo, acredita no CLIc!
"Sou do tempo da Ver & Dicto, penso que bem no princípio... e para lá me fui pelo carinho de Norma Lannes, amiga, sim, desde os tempos do Ballet de Eunice Linton. Poderia eu ter guia melhor?"
Seu livro "Eu Menina Toda Prosa... e alguma Poesia" foi debatido no clube de leitura Icaraí em Setembro de 2012


















