CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

26 de janeiro de 2014

Confissões: Júlia Câmara

"A verdadeira medida do amor é não ter medida." 
(Agostinho de Hipona)



Eu só queria fazer alguma coisa para que todos pudessem me reconhecer – não porque eu quero que todos me reconheçam, mas porque eu quero fazer a diferença. Foi o que eu pensei enquanto observava o tempo passar no banquinho da praça com o meu pequeno caderno de poesias aberto. Tinha até escrito: 



Dia dezoito.

“É difícil ter uma noite divertida,

Enquanto todos se divertem mais que eu.

Um pouco de ciúmes vaza pela minha boca,

E como uma cobra, esse veneno me intoxica.”



 De repente, aquela minha mania de observar e achar tudo muito bacana havia ficado no passado e a monotonia estava ficando realmente monótona. 

 Orgulhar minha mãe, deixar meu pai deslumbrado não tinha mais graça. Queria montar filas de fãs nas ruas de Roma enquanto eu estava dando apenas um passeio matinal, queria dar muitas entrevistas nos programas de televisão mais famosos, contar a minha história e inspirar crianças pelo mundo.

 Contudo, não queria que fosse dessa maneira.

 Deu tudo errado. 

 Eu consegui mudar o mundo, mas não poderia contar pra ninguém que o tinha feito.



Leia mais sobre Júlia Câmara no Recanto das Letras


24 de janeiro de 2014

Clube de Leitura Icaraí: 15 anos entre livros - Vera Schubnell


Um caso de amor? Adivinhe...

(Prosa poética extraída do livro do CLIc)



Estamos juntos há três anos.


Sei que não nos vemos muito, não como eu gostaria.

Apesar de nossos encontros darem margem a diferentes opiniões, me sinto bem com eles, me enriquecem e me fazem cada vez mais próxima de você. 

Saio sempre deles mais... Viva!

Fico com aquele gostinho de quero mais.

Que fazer, esse é o nosso tempo, aquele que podemos ter, e, assim procuro vivenciá-lo ao máximo possível.

Não se preocupe, estou feliz ao seu lado.

Como não ficar feliz recebendo de você tanto carinho, tanta troca!

Sabe, vou contar um segredinho: Passo um mês inteirinho buscando entre páginas, rabiscando, grifando um trecho, uma frase, uma palavra, alguma coisa que tenha sido importante para mim. Alguma coisa que tenha penetrado em minha alma para finalmente compartilhar com você. Tem sido assim sempre, desde que nos encontramos pela primeira vez. Essa vontade cada vez maior de me doar, de poder receber de você as respostas para minhas dúvidas.

Como você é generoso!

Não só comigo,com todos!

Sua forma democrática, sutíl e até concreta (exatamente, CONCRETA) de permitir que cada um transmita seus sentimentos...

Por muitas razões você tem tantos amigos!

Que bom que faço parte desse círculo.

Gente boa, gente GENTE.

Isso me conquistou!

Recordo que quando nos conhecemos eu andava um pouco "desanimada" (fazia tempo que uma amiga queria nos apresentar.)

Que tola fui eu!

Foi amor a primeira vista!

Aliás, valeu, Ceci!

Cafezinho, água e até uma cachacinha para esquentar no inverno nossos encontros...

Um caso de amor:

Meu Clube de Leitura Icaraí.


Clube de Leitura Icaraí: 15 anos entre livros - Elenir


Os sertões, de Euclides da Cunha: Elenir Teixeira

(Haicai extraído do livro do CLIc) 




No solo desértico,

as raízes se entrelaçam,

e, unidas, resistem.




TESTAMENTO

                                                           a Fabrício

Filho desaparecido,
Te deixo a sandália
Que um dia coube no teu pé.
Com ela e tua ausência
Caminhei na praia, no asfalto, no mato,
Sem de novo te ver.

Também, fica a caneta.
Na tinta, as cartas não-escritas
Para destinatário não-encontrado.

Filha ausente,
Te deixo um vazio,
Sem olhos nos olhos,
Como saber dos teus sonhos.

Fique com os livros.
Sem minha leitura,
Não entenderás muito
Do que fui, do que fiz.

Luiz Gavri
(Niterói, 24/01/14) 

23 de janeiro de 2014

Por acaso: Luiz Gavri


Sim, caso, de novo, não caso.
Pois quem quer caso, não quer casa.
Tudo bem que comer juntos
Tem mais tempero e variedade,
Mas, não paga a espera
De encontro-surpresa
Com quibes e esfiras,
E, quem sabe,
Com mate e cervejinha.

Sim, caso, estou precisando
De corpo quente, chamego, banho e toalha.
Assim, caso, neste relaxo do depois
Me diga em surdina,
Baixinho para ninguém ouvir.
.

Caso, não me esconda.
Me conte.
Por acaso,
Você não conhece quem
Simplesmente, quer um caso? .



(Niterói, 17/01/14)

"Você não conhece quem / Simplesmente, quer um caso?" (Luiz Gavri)







21 de janeiro de 2014

No mote de Oblómov





Um dia: David Nicholls

Então é assim: você tem 22 anos e acaba de se formar na universidade. O futuro está a sua frente, cheio de sonhos e expectativas. O dia seguinte será o primeiro de uma vida nova.

Ao longo da leitura de "Um dia", de David Nicholls, nos surpreendemos com quão reais são as personagens. Acompanhamos 20 anos da história de Dexter e Emma, em seus 15 de julhos. Jovens sonhadores, sem ideia clara do que iria acontecer no futuro, se encontram em 1988 na festa de formatura da universidade. Por um capricho do destino, o improvável encontro dá início a uma relação atemporal. Mesmo trilhando caminhos diferentes os dois estão sempre presentes um na vida do outro, numa verdadeira relação de amizade e amor.

E os acompanhamos na construção de suas vidas. Enfrentando brigas, disputas, esperanças, oportunidades perdidas, risos, lágrimas, acertando contas com a essência do amor e da vida, Dexter e Emma seguem destinos muito diferentes daqueles que sonhavam ter.

"Um dia " é um romance envolvente! 

E=mc2: Luiz Gavri

                      “Na Natureza nada se perde, tudo se transforma”


O livro estava aberto.
Na minha cara, a equação. 
Que mentia!

Não sabia o autor
O m de Maria
Elevado ao quadrado 
É um buraco negro
Suga minha energia.

Às vezes, é bom.
Me deixa tranquilo
Quando o e de espaço
Segue a gravidade.

Não fosse o tempo,
Pêndulo cruel
Balançar o ciúme,
Este c infernal.

Sigo feliz
No espaço-tempo infinito.
Sei como autor
Que o n de nome
É pura ilusão.
Como o a de amor
É passageiro
No bonde da vida,
Num caminho sem fim.



(Niterói, 12/12/13)


Energia pura