CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

12 de janeiro de 2014

Carlos Rosa indica - Ilhas, veredas e buritis: Eliane Lage


Este é um relato para a história do cinema brasileiro. É uma narrativa que mostra a construção interna de uma mulher em um mundo em transformação veloz. Vai da agitação das metrópoles e da vida em sociedade ao bucolismo e paz campestre.


O livro



"Eliane Lage é uma pessoa interessantíssima e o livro autobiográfico é muito bem escrito, ela escreve muito bem. Para quem aprecia biografias, é um prato excelente. Eliane é figura emblemática e importantíssima no cinema nacional, sugiro ver "Caiçara" filme muito antigo estrelado por ela no auge da beleza, beleza dela e da região selvagem do nosso litoral."

A autora e atriz


O filme




O que você leu em 2013 e o que recomenda?

Se você é daqueles que tem uma pilha de livros esperando na mesinha de cabeceira, bem-vindo ao Clube, literalmente.

A seguir você encontra a lista de livros lidos em 2013 por Mike Sullivan, escritor e leitor voraz. Nada menos do que 53 livros devorados no ano passado, o que, pelos cálculos das cliceana Rose Timpone, dá uma média de um livro a cada seis dias (os títulos que estão em negrito são os que ele recomenda para debate pelo CLIc).

Achou muito? Espere então até conhecer a relação da Gracinda Rosa, outra cliceana escritora. A contagem dela em 2013 beira os 80, e ela faz uma média de 6 livros por mês - Gracinda em breve vai disponibilizar sua relação e também indicar suas preferências.



Convidamos você a fazer o mesmo. Compartilhe a relação de livros que leu no ano passado e/ou os que mais gostou no campo Comentários.

Livros lidos em 2013 por Mike Sullivan *

3 – BARBA ENSOPADA DE SANGUE, de Daniel Galera;
12 – O APOCALIPSE DOS TRABALHADORES, de Valter Hugo Mãe;
15 – TERRA DE CASAS VAZIAS, de André de Leones;
16 – O ESQUIZÓIDE – CORAÇÃO NA BOCA, de Rodrigo de Souza Leão;
18 – O TEATRO DE SABATH, de Philip Roth;
20 – TRAPO, de Cristovão Tezza;
23 – A TRISTEZA EXTRAORDINÁRIA DO LEOPARDO DAS NEVES, de Joca Reiners Terron;
29 – QUEDA DA PRÓPRIA ALTURA, de Sérgio Tavares;

30 – MINHA LUTA 1 – A MORTE DO PAI, de Karl Ove Knausgard;
34 – DIVÓRCIO, de Ricardo Lísias;
42 – TRILOGIA SUJA DE HAVANA, de Pedro Juan Gutierrez;
44 – AMANHÃ NÃO TEM NINGUÉM, de Flávio Izhaki;

1 – A HORA DA ESTRELA, de Clarice Lispector;

2 – OS DETETIVES SELVAGENS, de Roberto Bolano;
4 – A CHAVE DE CASA, de Tatiana Salem Levy;
5 – MORANGOS MOFADOS, de Caio Fernando Abreu;
6 – O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO, de J. D. Salinger;
7 – A METAMORFOSE, de Franz Kafka;
8 – OFICINA DE ESCRITORES, UM MANUAL PARA A ARTE DA FICÇÃO, de Stephen Koch;
9 – O MANÍACO DO OLHO VERDE, de Dalton Trevisan;
10 – CARTA AO PAI, Franz Kafka;
11 – O ESPÍRITO DA PROSA, UMA AUTOBIOGRAFIA LITERÁRIA, de Cristovão Tezza;
13 – O PROFESSOR DO DESEJO, de Philip Roth;
14 – AS PEQUENAS MORTES, de Wesley Peres;
17 – PAZ NA TERRA ENTRE OS MONSTROS, de André de Leones;
19 – PERTO DO CORAÇÃO SELVAGEM, de Clarice Lispector;
21 – A VIDA PRIVADA DAS ÁRVORES, de Alejandro Zambra;
22 – TIPOS DE PERTURBAÇÃO, de Lydia Davis;
24 – ME ROUBARAM UNS DIAS CONTADOS, de Rodrigo de Souza Leão;
25 – CAVALA, de Sérgio Tavares;
26 – DEIXA COMIGO, de Mario Levrero;
27 – ATÉ O DIA EM QUE O CÃO MORREU, de Daniel Galera;
28 – O FILHO ETERNO, de Cristovão Tezza;
31 – MÃOS DE CAVALO, de Daniel Galera;
32 – QUARTA-FEIRA, de Eric Nepomuceno;
33 – O SONÂMBULO AMADOR, de José Luiz Passos;
35 – O CÉU DOS SUICIDAS, de Ricardo Lísias;
36 – O EVANGELHO SEGUNDO HITLER, de Marcos Peres;
37 – TODOS OS CACHORROS SÃO AZUIS, de Rodrigo de Souza Leão;
38 – A CIDADE, O INQUISIDOR E OS ORDINÁRIOS, de Carlos de Brito e Mello;
39 – 1934, de Alberto Moravia;
40 – AS AGRURAS DO VERDADEIRO TIRA, de Roberto Bolano;
41 – CARBONO PAUTADO, MEMÓRIAS DE UM AUXILIAR DE ESCRITÓRIO, de Rodrigo de Souza Leão;
43 – UM ARTISTA DA FOME /A CONSTRUÇÃO; de Franz Kafka;
45 – UM PORTO SEGURO, de Nicholas Sparks;
46 – ANNA O. E OUTRAS NOVELAS, de Ricardo Lísias;
47 – O MENDIGO QUE SABIA DE COR OS ADÁGIOS DE ERASMO DE ROTTERDAM, de Evandro Affonso Ferreira;
48 – SE UM VIAJANTE NUMA NOITE DE INVERNO, de Italo Calvino;
49 – CORPO PRESENTE; de João Paulo Cuenca;
50 – LAVOURA ARCAICA, de Raduan Nassar; 
51 – DESNORTEIO, de Paula Fábrio;
52 – MASTIGANDO HUMANOS, de Santiago Nazarian; e
53 – COMO FUNCIONA A FICÇÃO, de James Wood.

* Mike Sullivan é autor de: O retorno ao pó; No vale de ossos secos; Amor em tempos de solidão; Cinzas de um estranho (Vol I)

10 de janeiro de 2014

Um Clube de Leitores

Caríssimos leitores,


Agora é oficial: A Editora da UFF confirmou o lançamento de nossa Antologia para o dia 14 de fevereiro, sexta feira, já a partir das 18h, para que possamos aproveitar mais o tempo juntos.


A Editora nos brindará com um coquetel para celebrar a bem sucedida parceria com o Clube de Leitura nos últimos 5 anos na Livraria Icaraí. Aproveitando que teremos o horário estendido das 18 às 21h para nossa noite de autógrafos, e muitas outras atrações sendo preparadas, melhor garantir que não faltará vinho, certo? Levem uma garrafa, quem lembrar.


Para que o evento seja dinâmico e permita o envolvimento de um bom número de leitores, a ideia seria contarmos com a participação voluntária dos autores para lerem alguns pequenos trechos do livro. Todos topam?

Nem precisa dizer que a presença de todos será, mais do que bem-vinda, esperada e desejada. E não apenas os frequentadores habituais: podem levar convidados! . Multipliquemos aos quatro ventos esse maravilhoso prazer de ler e debater obras literárias!


Nem precisa dizer, também, que dentre os 29 autores que participaram da Antologia e estiverem presentes no Lançamento, todos devem estar disponíveis para a sessão de autógrafos. Quem participa pela Internet, programe-se para estar presente também. Queremos seus autógrafos!



Les concièrges



P.S:  porque amamos os livros acima de tudo, salgadinhos são proibidos na Livraria.


Chegou o Livro do Clube de Leitura Icaraí !!!

15 ANOS ENTRE LIVROS

M. le Concièrge flagrado lendo o livro do Clube quando deveria estar trabalhando


Textos: Adriana Marins, Antonio R., Benito Petraglia, Carlos Benites, Carlos Rosa Moreira, Ceci Lohmann, Cicero Coelho Lapa, Cristiana Seixas, Dília Gouveia, Elenir Moreira Teixeira, Eloisa Helena, Emmanuel, Fernando Luis Robles, Gracinda Rosa, Hélio José Lima Penna, Ilnéa País de Miranda, Joana Lapa, Luiz Gavri, Luzia Pereira Velloso, Mauro Romero, Neide Peixoto, Niza Monteiro, novaes/, Rita Magnago, Rose Pinto, Rosemary Timpone, Sonia Salim, Vera Lúcia Schubnell Freire.

Organização: Evandro & Cintia

Colegiado de Leitores: Norma Lannes, Eduardo Leite, Claudia Maria, Heloisa Constant Lohmann, Fátima Namen, Angela Stieger, WB, Maria Vargas, Maria Marlie, Vera Leite, Lilian, Elisabeth Almeida, Sol, Maria  Luiza, Tania, Ellias, Renato, Mike, Bia, Héldice, Claus, Mirian, Leonardo, Mara, Hélia, Thais Santos, Luis Antônio, Aquiles, Patrícia, Andréa, Cecília, Wagner, William, Chico, Edmar, Carmen, Everardo. 


9 de janeiro de 2014

Não se nasce mulher: torna-se - Simone de Beauvoir


106° aniversário de Simone de Beauvoir


  • Querer-se livre é também querer livres os outros;
  • Todas as vitórias ocultam uma abdicação;
  • Renunciar ao amor parecia-me tão insensato como desinteressarmo-nos da saúde porque acreditamos na eternidade;
  • Quando se respeita alguém não queremos forçar a sua alma sem o seu consentimento;
  • O presente não é um passado em potência, ele é o momento da escolha e da ação;
  • Atroz contradição a da cólera; nasce do amor e mata o amor;
  • O que é um adulto ? Uma criança de idade;
  • O homem é livre; mas ele encontra a lei na sua própria liberdade;
  • O homem sério é perigoso, pode transformar-se em tirano;
  • Se vivermos durante muito tempo, descobrimos que todas as vitórias, um dia, se transformam em derrotas;
  • Se não foste feliz quando jovem, certamente que tens agora tempo para o ser;
  • Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância;
  • Diante de um obstáculo que é impossível de superar, obstinação é estupidez;
  • Encanto é o que alguns têm até que começam a acreditar que, de fato, o têm;
  • Nós, para os outros, apenas criamos pontos de partida;



8 de janeiro de 2014

Prêmio UFF 2013: Poesia premiada de Carlos Benites



A bala perdida



Carlos Benites, 2º colocado em poesia


Ouve-se o estampido
Um som surdo
Seco
Misturado ao som crescente da chuva que caía
FORTE
Outro som,
Como um irmão gêmeo
Outro e outro

Tem Fardado
Disparando a todo lado
Fardado sendo arrebentado
Fardado, você é explorado!

E os metais viajam pelo ar
Três encontram o Paço
O outro insiste em voar
E voa, voa
Por entre os pingos da chuva
Que tentam pará-lo
Deslizam por ele
Lavam seu corpo
Mas não limpam seu espírito
Assassino
Feroz
Sanguinário
Que insiste em seguir
Persistente
Sobrevoa a cidade
Com fogueiras juninas
Janelas quebradas
Vidros estilhaçados
Rostos cobertos
Que vandalizam
Os vândalos
de terno e gravata
Moços com cartazes
De sentidos diversos
Querendo saúde
Dignidade, educação
Respeito
E recebem fumaça
Spray do ardor
Que não é de paixão
Borduna na testa
E também a prima
Do metal voador
De borracha

Fardado, você é explorado
Fardado, vem pra nosso lado
Fardado, estamos desarmados

A moça de rosto pintado
Bandeira e lenço
Em verde e amarelo
Caminha pela rua
Gritava alegre
Vem pra rua
Vem pra luta
O Rio acordou
E de repente
A moça bonita para
Para de sorrir
E GRITA

O metal voador
De fúria maldita
Encontrou o seu peito
Manchando a bandeira
Avermelhando o asfalto
Ferindo a cidade
E a inocência perdida
Roubou uma vida
Mas não matou a esperança.

Rio de Junho
Dezessete



7 de janeiro de 2014

2014 beleza pura no CLIc. Participe!


Que tal iniciar 2014 lendo belos trechos de livros? Este é o convite que fazemos a você, participante do CLIc ou internauta que gosta de visitar nosso blog. Basta postar, no campo Comentários, um parágrafo que tenha achado bonito em algum dos livros que leu, citando a fonte. Abaixo segue um exemplo. Contamos com você!


Marcel Proust: 'Em busca do tempo perdido', Vol I, No caminho de Swann, página 167

Venha com a gloriosa veste de seda de lírio, digna de Salomão e o esmalte policromo dos amores-perfeitos, mas venha, sobretudo, com a brisa ainda fresca das últimas geadas e que vai entreabrir, para as duas borboletas que desde esta manhã esperam à porta, a primeira rosa de Jerusalém.

6 de janeiro de 2014

Sob o Signo do Equador: Cícero Coelho Lapa

Ai que calor!


Nuit De Feu - H Howse

"O comunismo é o possível paraíso terrestre."





Cícero Coelho Lapa é a voz da Terra de Mafrense no nosso clube de leitura Icaraí, um filho do sol do equador, como diz o hino piauiense. O pai sonhou um filho super homem, a mãe lhe legou fibra de cangaceiros. Tornou-se objeto de maldição da vingança de um suposto gênio de garrafa de cerveja para uma bela estudante da zona da mata que veio estudar em terras de Arariboia. Qualquer semelhança com histórias narradas em "Sob o Signo do Equador" é mera coincidência.

Quando jovem, Cícero veio para o sul maravilha estudar Economia.  Aqui, na terra dos papa goiabas, e no clube de leitura Icaraí, é conhecido por suas assertivas contundentes, francas. Quem o conhece pessoalmente sabe do que estou falando. Pois é a mesma forma direta e perturbadora de expressar suas convicções que pode ser encontrada também em seus textos. Lemos suas histórias como se colhêssemos caules de mandacaru.

Muitas passagens de "Sob o Signo do Equador" são inesquecivelmente deliciosas e os leitores se surpreenderão com l'ambiance de bas-fond rustique et voluptueuse. Recomendo a aquisição da obra (R$ 20,00) através da Estante do Concierge (conciergeclic@gmail.com). Não esperem, portanto, encontrar na leitura as memórias líricas de um escritor romântico, embora haja muito romance no quartinho de fundos da casa grande. Longe disso. Prepare-se também para momentos de emprego da linguagem rude de um pau de arara contando casos de intensa experiência humana, atravessando a solavancos as estradas poeirentas e áridas da existência humana, para tantos.

Em “A vingança do gênio” o protagonista é um jovem piauiense que se retirou para o sul maravilha do país, encontrando uma jovem cujo nome já lhe era familiar, o nome de uma das fazendas de seu pai. Eles se casam e a sulista vai, então, conhecer a terra natal do marido. O choque com a realidade social do nordeste assusta a esposa de apenas 19 anos. Ela passa a atribuir a um fantástico gênio “filho da puta” a maldição daquele casamento. O irmão o adverte de que ela certamente se separará dele assim que voltarem à corte, no Rio de Janeiro. Confiante na boa formação cristã da moça, o marido se mostra paciente para que desperte na amada sua boa índole, levando-a para conhecer a terra e os costumes locais, entre os quais o de assistir o ritual da quebra do côco babaçu. Uma mudança de sentimento, a exemplo do que aconteceu com Euclides da Cunha em “Os Sertões”, ocorreu com a fada mineira (foi essa a impressão que causou no ancião de 80 anos que lhe demonstrou o processo). Se a princípio a percepção que tinha dos nordestinos era a de serem uma espécie de subgente, a princesa aos poucos descobriu neles a autêntica matriz da brasilidade. 



Uma experiência vivida nos cafundós do Brasil fez soçobrar a vaidade quase infinita da "ariana". Foi num acidente na travessia do rio Parnaíba, a passeio numa canoa bastante primitiva que virou e por muita sorte não acabou em tragédia. Ficou o aprendizado como se fora uma experiência espiritual e salvadora, que promoveu uma verdadeira restauração interior da vida fragmentada que nossa heroína levara até então no Rio de Janeiro; foram seis meses de mortificação corporal causada pela malária, o trauma psicológico que a fez buscar auxílio numa intensa religiosidade e, enfim, a intervenção do marido para que ela buscasse ajuda terapêutica.

Floriano - terra natal do autor


Nos demais contos é possível perceber, pelo estilo narrativo, a visão de mundo do autor, desde suas convicções políticas até sua visão da vida. A entrevista com Seu Antônio é extraordinária, um tabaréu analfabeto que se transformou numa das pessoas mais poderosa daquelas terras, apoiando Antonio Conselheiro em Canudos, Lampião no cangaço, amigo de personalidades como padim Ciço, Mal. Floriano Peixoto, Presidente Getúlio Vargas, além de mantenedor de jagunços. As declarações sobre Canudos, o cangaço e outros eventos históricos do início do século passado contam outra história que não a oficial. Será real este personagem? Em "O Incêndio", Cícero demonstra seu domínio na arte de contar histórias, denunciando a corrupção no serviço público, os apadrinhamentos políticos que tanto mal fazem às nossas instituições. Em "Conflito com a Lua", dessa vez, denuncia a destruição criminosa de nossas matas, mas mais surpreendente do que a mobilização dos símios na estória se mostrou, para mim, as dimensões da lua no céu: "mais de 1 (um) metro". Em "Debaixo das verdes bananeiras" o autor retoma o mito de Lolita, da obra prima de Nabokov, mostrando que no caso de Rosa, a protagonista, antes de se envolver sexualmente com o patrão, a inspiração e o aprendizado se deu pela observação dos porcos e dos cães no quintal da casa. Mas o leitor apressado se equivoca pois o desfecho da estória é inesperado, embora não mais que surpreendente: as analogias apresentadas são inquietantes e polêmicas. Em "Sentimento transcendente" o leitor se depara com as mesmas causas profundas de indignação e revolta que levaram milhões de brasileiros às ruas nas manifestações populares ocorridas durante a Copa das Confederações no Brasil. Vale a pena conferir!


Se Adolf dançasse, não se tornaria Hitler


"De tanto ver os corruptos e as nulidades proclamarem suas vitórias, o honesto põe em dúvida suas virtudes; chega até a ter vergonha delas." (Ruy Barbosa)

Um filme sobre o poeta maior do Piaui - Da Costa e Silva


Além de brasileiro, Deus é piauiense!


5 de janeiro de 2014

Apólogo:Luiz Gavri

                                   A Machado

Escultura by Ana Guarany

Viver é costurar cacos,
De reflexos,
De imagens,
De lembranças,
De saudades.

Ver partes,
Nada mais que isso,
Assusta e conforta.

Reto é curvo perto.
Torto é corpo amado,
Ai é sempre indefinido.

Para que todo?
Ele está  guardado
Na garrafa-caixão
Onde se lê:
“Já era!”

(Niterói, 04/01/14)


4 de janeiro de 2014

Mensagem dos anônimos do CLIc




Desejamos aos leitores do Clube de Leitura Icaraí um 2014 consciente e atuante!


feliz ano novo amigos leitores



1 de janeiro de 2014

Um diamante pra você: Júlia Câmara




Está acabando um ano de surpresas. 2013, nunca esperava isso do senhor. Antes que morra, devo lhe agradecer pelas pessoas que colocou no meu caminho, e pelas outras que não desistiram de seguir junto da minha jornada. Além disso, obrigada por ter colocado um sentido na palavra “amor” em meu dicionário e também por ter me dado muita paciência e muita dedicação. 

O senhor não foi nada fácil, por mais que tenha tirado de mim muitos sorrisos e gargalhadas, eu chorei e me desesperei. Sim, não vou falar que os meus problemas foram complicados de se resolverem porque como tudo passa – e o senhor é a prova disso – passou. Só se constrói uma história se ela tiver um início, um problema, uma resolução e um fim. O livro chamado 2013 só falta agora a sua conclusão. 

Que o ano de 2014 seja brilhante que nem diamante, e melhor que qualquer outra riqueza.


No debate de "Os Sertões" na Bienal 2009

Entre linhas

Não sei se é por fragilidade ou medo,
mas as vezes te sinto distante que até te perco.

Na imensidão do universo,
na contra capa de um livro
ou no seu inverso,
versos que me dizem sem rumo,
ou no esquivo do mundo.

Eu vou contra e você junt'a maré,
entre linhas, olhares se cruzam
mãos se afagam,
depois se desgrudam, se afastam...
Abraços perdidos.

Não sei se é por causa do medo ou pela fragilidade,
que me desencontrei (de você);
E há saudade...




Leia mais sobre Júlia Câmara no Recanto das Letras




"Quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário nas coisas: - assim me tornarei um daqueles que fazem belas as coisas." - Friedrich Nietzsche


Júlia Câmara, 18 anos.  

Escrevo desde os 12, fascinada pelo o que meu avô costumava fazer. Dizem por ai que herdei o dom das palavras dele e pretendo deixá-lo orgulhoso mesmo sabendo que agora ele virou estrela como todos os meus antepassados.

Vô, meus poemas são pra você. 

Obrigada.