CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

18 de dezembro de 2013

Prêmio UFF de Literatura 2013: conheça os cliceanos que integram a Antologia

A partir da esquerda: Luiz, Newton, Winter, Rita, Benites e Benito

2º lugar em poesia é do Benites

Uma noite pra lá de especial. Além dos seis integrantes do Clube de Leitura Icaraí que se classificaram e têm seus textos publicados na Antologia em homenagem ao centenário de Vinicius de Moraes, o companheiro Carlos Benites ainda foi agraciado com o 2º lugar em Poesias. Uma emoção a mais. E vejam quem entregou o prêmio a eles, a igualmente cliceana Sissa, que também é presidente da ANE.


Este ano a solenidade aconteceu no auditório da Academia Fluminense de Letras. Espaço ótimo, confortável, ar condicionado tinindo, trio de atores que cantaram Vinicius e leram os textos classificados em primeiro lugar mais coquetel nota dez.

Grupão que integra a antologia


Prestigiaram a cerimônia os cliceanos Gracinda, Dília, Elenir e Cyana. Dília inclusive tirou a maioria das fotos (obrigada darling). Vejam alguns flashes durante o coquetel.

                                                                                         

 






17 de dezembro de 2013

A renitência francesa



A chegada do genovês Cristóvão Colombo ao Novo Mundo, em outubro de 1492, ascendeu a Espanha no cenário das conquistas marítimas do Atlântico, até então dominado por Portugal ao longo de todo século XV. Isto acirrou o clima de disputas entre ambas as nações, só distendido depois de um tratado, intermediado pelo Papa Alexandre IV na cidade espanhola de Tordesilhas, em junho de 1494.

O Tratado de Tordesilhas concedia à Espanha todas as terras situadas a 370 léguas a oeste do arquipélago de Cabo Verde. O lado leste ficou para Portugal, que há anos já desbravava a costa atlântica africana, vislumbrando alcançar o caminho das Índias. Tal decisão desagrada a França e as demais potências européias, que defendiam o Uti Possidetis, ou seja, que o direito de posse seria da nação que efetivamente viesse a ocupar as novas terras.

Então, D. Manuel I proíbe a seus súditos, sob pena de morte, de fornecer qualquer informação que viesse a facilitar o reconhecimento das rotas marítimas ou de localizar suas novas terras. Portugal não estava disposto a perder a hegemonia do comércio com o Oriente ou de abrir mão de controlar o Atlântico Sul, onde o Brasil ocupava uma posição estratégica.   

No entanto, não obstante ao sigilo e todas as precauções, a França alcançou a Ilha de Santa Catarina ainda em 1504, dando início a um ciclo rotineiro de incursões aos “Brasis” na busca de riquezas. O litoral era extenso, difícil de ser guarnecido e controlado, de forma que de nada adiantou o Papa Júlio II confirmar o Tratado de Tordesilhas em 1506, em favor da Espanha e de Portugal. 

Os franceses mostrar-se-iam inquebrantáveis, ao aliarem-se aos nativos para o escambo e concorrer com os portugueses na exploração em grande escala do pau brasil. Em suas viagens ainda arrebatavam peles de animais, macacos, papagaios, araras, entre outras aves coloridas e tudo mais que fosse interessante e comercializável. Até mesmo os nativos não escaparam de serem levados para exibição na corte, como autênticos atrativos tropicais.

Segundo os historiadores Carlos Guilherme Mota e Adriana Lopes, “piratas e corsários franceses haviam tomado e pilhado nada menos que 350 embarcações” portuguesas, em um período de trinta anos. 

Portanto, a Coroa Portuguesa contabilizava imensuráveis prejuízos com o contrabando, a pirataria e o corso francês. Como as intervenções diplomáticas lusas não logravam êxito, a relação bilateral com França tornou-se muda e surda, em uma guerra fria não declarada.

Na impossibilidade de conter o ímpeto francês, a Coroa Portuguesa passa a enviar expedições guarda costas, com intuito de banir e afugentar os corsários e invasores. Três expedições comandadas por Cristovão Jacques, o Inclemente, foram realizadas em 1516, 1521 e 1527. Jacques declarou guerra aos invasores, destruindo suas feitorias e embarcações. Na primeira delas mandou enterrar vivos vinte franceses, ocasionado um grave conflito diplomático.

Mesmo assim, os franceses se mostrariam pertinazes. Todavia, D. João III não estava disposto a tolerá-los nas terras da América. Resolve, então, organizar uma grande expedição, que deixa Portugal ao final de 1529, comandada pelo fidalgo Martim Afonso de Souza, para iniciar a colonização do Brasil. No início de 1530, quando a expedição chega à costa brasileira captura três navios franceses.

Entretanto, a persistência continuaria. Em 1555 Villegagnon funda a França Antártica e inicia a colonização do Rio de Janeiro; Em 1612 é a vez da França Equatorial, na atual cidade de São Luiz do Maranhão. O corso e a pirataria resistiriam ainda até princípios do século XVIII.

CLIc tem seis finalistas ao Prêmio UFF de Literatura 2013. Cerimônia de premiação é hoje, 17/12

Seis cliceanos - Carlos Benites (poesia e crônica), Benito Petraglia (conto), Luiz Gawryszewski (poesia), Novaes/ (conto), Rita Magnago (conto) e Winter Bastos (conto) -, são finalistas ao Prêmio UFF de Literatura 2013. 

A cerimônia de premiação acontece hoje, terça-feira,17/12/2013, às 18:00h, no auditório da Academia Fluminense de Letras, no 2º andar da Biblioteca Pública de Niterói (Praça da República, s/n, Centro).

O tema deste ano foi “A vida é a arte do encontro,/ Embora haja tanto desencontro pela vida”, uma homenagem ao centenário de nascimento de Vinícius de Moraes.

Em breve os textos dos participantes do CLIc estarão disponibilizados neste blog.





13 de dezembro de 2013

Norma Lannes, fundadora do CLIc, é homenageada pela Câmara Municipal de Niterói




No ano em que o Clube de Leitura Icaraí completa 15 anos, 
a Cliceana n° 1 é homenageada pela Câmara de Vereadores de Niterói, 
em 10/12/2013





Somos o CLIc, desde 1998


Esse ano o CLIc completou 15 anos. E tudo começou na casa dela, Norma Lannes, fundadora e mentora do Clube. Participante atuante e vibrante, é de Norma o livro que circula na reunião, para nossa assinatura. Em todo esse período, representado pela leitura de 131 livros, Norma crê nunca ter faltado, mesmo quando estava se recuperando de uma cirurgia. 


Curtam a entrevista exclusiva ao nosso Clube, no vídeo abaixo.







10 de dezembro de 2013

O Futebol no Brasil começou em Bangu


O trabalho mais completo acerca de um clube de futebol foi escrito pelo jornalista e escritor Carlos Molinari. “Nós é que somos Banguenses” é fenomenal; enriquece muito a história do Bangu Atlético Clube e do futebol brasileiro, de forma profissionalizada, mas com um lado poético, pela singularidade e obstinação da paixão por um clube.
A história do futebol no Brasil na realidade começou no bairro de Bangu, no Rio de Janeiro. Carlos Molinari relata com riqueza de detalhes, após árdua pesquisa, que foi o escocês Thomas Denohoe quem trouxe a primeira bola e organizou a primeira partida de futebol no Brasi, com os seus companheiros da empresa inglesa Platt Brothers and Co.
O mês foi abril; o ano: 1894. Denohoe e vários técnicos ingleses montavam no bairro uma fábrica de tecidos, e no domingo, dia de folga, para o divertimento passaram a jogar futebol, conforme habitualmente faziam na Inglaterra.
Segundo Molinari, “se prefere creditar a Charles Miller a introdução do futebol no Brasil, em outubro de 1894, e a realização da primeira partida em abril de 1895, um ano após o primeiro jogo do Sr. Donohoe”, porque não houve anotação dos dados da partida realizada em Bangu.
É fato incontestável, no entanto, que o futebol no Brasil nasceu em Bangu, embora o clube só viesse a ser fundado em abril de 1904, por iniciativa dos empregados da fábrica de tecidos, já totalmente envolvidos pela iniciativa de Thomas Denohoe.
O antigo campo de futebol do Bangu, em frente à fábrica de tecidos, na rua Ferrer, foi por muitos anos considerado o mais bonito do Brasil. Ali, apoiado pela torcida, o alvirrubro era imbatível.
O Bangu foi “o primeiro clube do Brasil a conquistar um título sob o regime profissional” (1933); o primeiro a ser campeão após a inauguração do Maracanã, sagrando-se vencedor do torneio início do campeonato de 1950. Em 1960 se tornou o primeiro clube brasileiro campeão mundial, ao vencer o Torneio Internacional de Nova York, derrotando os melhores clubes da Europa.
O Bangu também foi reconhecido por ser o primeiro clube brasileiro a enfrentar o preconceito e escalar um jogador negro, o atacante Francisco Carregal, no ano de 1905. Outras escalações culminaram inclusive com a autoafastamento da liga, em protesto contra o preconceito imposto na época, que não permitia a escalação de atletas negros.
Este fato valeu o reconhecimento e a honraria da medalha Tiradentes, em 2001, após a diretoria provar o erro da imprensa, que atribuía o mérito ao Vasco da Gama, que só utilizou atleta negro em 1923.
Mas para todo banguense é inesquecível a final do Carioca de 1966. Ocimar, Aladim e Paulo Borges marcaram os três gols que desesperaram o Flamengo, impondo-lhe a mais acachapante derrota em uma final. Na roda, vendo escapar o título, só restou ao urubu a briga, para acabar logo a partida. A goleada estava certa! Seria de mais de 5. Nem o juiz, Airton Vieira de Moraes, pôde fazer alguma coisa para alterar o resultado. O Bangu estava impecável. Imbatível!
Outro marco foi a final do Campeonato Brasileiro de 1985, quando após lesado pelo árbitro da partida, o alvirrubro acabou perdendo nos pênaltis para o Coritiba, em pleno Maracanã. Mas ficou na memória o vice-campeonato e a prova de que Lamartine Babo ao compor o hino do clube estava certo: quem foi ao Maracanã viu que “a torcida reunida até parece a do Fla-Flu”.
Infelizmente o Bangu de craques como Ladislau, Moacyr Bueno, Domingos e Ademir da Guia, Zizinho, Ubirajara, Paulo Borges, Marinho e tantos outros, foi vítima dos maus cartolas, tão nocivos quanto a maioria dos políticos do nosso Brasil de hoje.
Porém, o Bangu guarda ainda a riqueza da sua história, graças aos trabalhos de Carlos Molinari em seus livros “Nós é que somos banguenses” e no “Almanaque do Bangu”, como em seu site independente “Bangu Atlético Clube – Sua história e suas glorias”.
Para todo torcedor banguense ter Carlos Molinari é um orgulho muito grande. Certamente nenhum clube do Brasil tem um torcedor apaixonado como ele. Essa é mais uma honraria exclusiva, que só o Bangu guarda entre as suas glórias.