CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

30 de agosto de 2013

Poesia nos olhos e pelos olhos de Vera Lúcia Freire



Nos meus olhos, os olhos de minha filha

Apaixonada pela natureza.
O mar, sua referência.
 
Distante agora dessa visão 
que inundou grande parte de sua vida....
Recorro à orla.
Dia lindo.
Águas calmas e claras.
Barquinhos em preguiça se embalam...
 
Meus olhos marejam.
Me transporto.
Me surpreendo.
Aquela não sou eu.
Aquele momento não é meu.
Nos meus olhos, os olhos de minha filha.




Como nasce uma criação

Vera relata à Cristiana Seixas o momento que a inspirou:


"Cris, passando pela estrada Froes de carro, me veio a lembrança de minha filha que tanto ama essa paisagem. De repente falo para meu marido: nos meus olhos os olhos de milha filha.
Ele não entendeu e perguntou a razão.Chegando em casa, apanhei um papel e escrevi o que estou te enviando. Não sei que nome dar."

O homem que vendia ilusão: Rudolf Bickel (romance)

Uma caneta e o seu mágico poder de destruir vidas, de provocar morte e medo, de ser uma arma semeadora do mal.






Cuidado na hora de pegar a tampinha da caneta esferográfica da próxima vez que ela cair no chão!






O homem que vendia ilusão é a vida fora do seu contexto. Mais que a diacronia que o cerca, este livro está repleto de símbolos, signos que manipulam cada um dos personagens criados por Rudolf Bickel.

Mais que o mistério que permeia a obra, sentimos que, na ficção, há muito de realidade. Então percebemos que a vida é um emaranhado de diálogos invisíveis.


Interessantíssima a mudança de narrador na página 22 do romance, no paroxismo de uma comoção trágica. Como se a pessoa narrativa fosse algo que se transmitisse por contágio emocional. Gostei de verdade!

"Pedi-lhe calma, fui ao caixa, peguei a intimação nas mãos e falei, nós estamos convocados para irmos lá na delegacia no dia 13 de fevereiro, às 13 horas, e o inquérito é o de nº 1313... vou ao calendário e observo que a data é exatamente numa sexta feira."

Leia sobre mim lá em "o homem que vendia ilusão"

Tragédia grega é pouco perto dessa estória. Nos meus mais de 40 anos de leitor, nunca imaginei que pudesse ler algo assim: a tragédia de Irajá. A trama é muito boa, embora o autor exagere um pouco na superstição a ponto de torná-la um pouco forçada. Muito boa a representação das famílias de subúrbio carioca com seus hábitos, crenças e costumes. Há problemas na construção do texto, erros aqui e ali que não devem ser exclusivamente da editoração, precipitação no desenrolar de algumas ideias. O ponto alto do livro é a estória que mistura ação, suspense e bastante magia. Uma mescla inovadora de tragédia e humor, este último perceptível apenas se conseguirmos abstrair um pouco dos nefastos acontecimentos que acometeram os personagens.

Outra obra de Rudolf Bickel, esta em co-autoria com Walter de Souza Lopes, é o livro de contos "As andanças de um viajante", sobre cujo conteúdo não podemos nos estender muito por conta de restrições de copyright. Uma verdadeira pena não podermos transcrever trechos de estórias edificantes como a do mendigo milionário. Fazer o quê? Em geral, as estórias parecem muito com as que meu sogro conta, o que se explica pelo fato de que os dois exercem a mesma profissão (tem mesmo um conto que acredito ter sido inspirado nele). Rudolf Bickel passou a se dedicar às letras com a aposentadoria.




Nota-se na maioria dos contos a passagem de uma lição moral, como é o caso do romance com a vizinha que faz o protagonista chorar a deficiência de irrigação sanguínea na sua hipófise.  Esse suposto interesse do autor transforma o livro numa literatura muito particular, flertando com o gênero da auto-ajuda. As diversas narrativas "curiosas" são típicas de autores que não precisam recorrer à imaginação para contar os inúmeros causos que presenciaram ao longo de sua vida, tirando sempre um aprendizado de cada situação.  Alguns contos apresentam conceitos inovadores, como a ideia de um "condão da sorte", nossa linha de comunicação com o divino, mesmo que Ele não exista, que isso fosse secundário. Afinal, "tudo na vida é questão de interpretação"!

Também nesse livro percebe-se falhas na redação, com erros gramaticais e pontuação que dificultam, muitas vezes, a clareza das ideias apresentadas. Temas polêmicos são abordados superficialmente, o que também deixa a desejar quando também não são abordados literariamente. Alguns contos são de um mau gosto terrível. Arrependo-me de tê-los lido. Outros são divertidos e, ainda outros, instrutivos no que concerne aos aspectos policiais do nosso tecido social. Deixando os devaneios de lado, "feliz é aquele que se contenta com o que tem".


18 de agosto de 2013

Estreia poética de Fátima Namen


Visão

Requentei o café
Encostei-me na pia para apreciar a vida
O pé direito sobre o joelho esquerdo.

A batida na porta!
Meu coração acelerou com a velha mala verde.
Acariciei seus cabelos brancos.

Abri os olhos
Mas era o vento frio zunindo nos lençóis lavados.



Clube da Lua: Penso, logo me angustio!


Tudo que se perde na Terra vai parar na Lua


Ouça a Lua!


13 de agosto de 2013

Voto Consciente: Elenir

Caros Amigos,

Embora não sendo necessário justificar a alteração de meu voto para "Malagueta, Perus e Bacanaço", gostaria de esclarecer o porquê:


No Prosa e Verso, do sábado passado, dia 10, o jornalista André Luis Mansur, comentou em sua coluna, sob o título "Retrato irreverente e lírico de Luanda", o livro " Os Transparentes", de Ondjaki, escritor angolano, amigo de Agualusa, cuja obra admiro. Desse comentário, extraí a seguinte parte: "...Em alguns momentos, principalmente devido à linguagem cheia de ginga e detalhes pitorescos, lembra o nosso grande João Antônio, cujos personagens Malagueta, Perus e Bacanaço poderiam tranquilamente ser moradores do prédio do Largo da Maianga e transitar pelas mesas de sinuca dos "muquinfos" da capital de Angola". Ainda não adquiri o livro do Ondjaki, mas a referência  feita pelo colunista ao livro do João Antônio  atiçou minha curiosidade. Justificado?

Abraços.

Elenir incentivada a exercer sua real  escolha: "Malagueta, perus e bacanaço"

Tarde demais para cair na conversa na catedral desses e-leitores

Uma pequena parte dos 15 e-leitores vencedores de "o deus das pequenas coisas"

Resultados das votações:

1º turno:

Conversa na catedral: Mario Vargas Llosa - 9 votos;
O deus das pequenas coisas: Arundhati Roy - 8 votos;
Malagueta, perus e bacanaço: João Antonio - 8 votos.

2º turno:

O deus das pequenas coisas: Arundhati Roy - 15 votos;
Conversa na catedral: Mario Vargas Llosa - 10 votos;


Essa turma do bacanaço não é mole!


Convite de Lançamento de Livro e Curso Gratuito de Literatura Fluminense




10 de agosto de 2013

Durante quanto tempo por dia lemos?

Quanto tempo em média você lê por dia? De acordo recente pesquisa feita pelo IBGE em cinco estados mais o Distrito Federal (o Rio ficou de fora), o tempo médio dedicado à leitura é de seis minutos por dia. A pesquisa não especifica o tipo de leitura, se inclui jornais e revistas ou apenas livros e, caso sejam só livros, de que tipo (técnico, didático, literário etc). Mas o certo é que a leitura perde feio, por exemplo, para a televisão, que ocupa cerca de 2h35min.

Para ler a matéria, clique aqui


Vamos descobrir a média do CLIc? Aqui nos restringiremos aos livros de cunho literário, ok? Informe seu tempo clicando no link abaixo. Obrigada por participar.



9 de agosto de 2013

Festival de Haicais em Petrópolis: Elenir é vice-campeã. Viva ela!!!


"Estou acabando de ler o e-mail comunicando-me que fui a 2ª colocada com o  Haicai abaixo. Informaram-me que foram recebidos mais de 100 trabalhos de outras cidades e, até, de outros países e que vão me remeter o troféu, por Sedex, na próxima semana. Estou muito feliz."




Quadro impressionista,
Quitandinha sob o ruço.
Natureza artista.

Elenir Teixeira