By: Rita Magnago
O CLIc traz para você entrevista exclusiva com
Benito Petraglia, participante presencial renomado por fazer verdadeiras autópsias
dos livros, desvendando mensagens implícitas, referências cruzadas e ajudando a
dar ao texto um conteúdo ainda mais rico e diversificado.
Figura polêmica, Benito, doutor em Letras pela UFF, também é famoso por suas
críticas contundentes às obras e é ardoroso defensor da literatura nacional, mais
especificamente, do romance.
Conheça um pouco do que ele pensa sobre livros,
leitores e literatura. E fique à vontade para saciar sua curiosidade com mais
perguntas. Está feito o convite.
Para você, o que é a boa literatura?
Pra mim uma boa literatura é aquela que
conjuga de maneira harmônica e justa forma e conteúdo. Engenho e arte nas palavras de Camões.
Muitos não prestam a devida atenção à forma ou ela passa despercebida, mas é
ela que dá a coerência interna ao romance. Falo romance porque é o gênero
principalmente lido no clube. Além disso, deve apresentar uma visão
problematizada da vida. Costumo dizer, brincando, que, na divisão cultural do
trabalho, o escritor é aquele que sofre por nós, os leitores.
Na sua opinião um leitor comum tem plenas
condições de aproveitar uma obra literária? Por quê?
Totais e absolutas. Os maiores críticos, que
considero grandes leitores, não tinham formação acadêmica específica: Álvaro
Lins, Otto Maria Carpeaux, Antonio Candido, que reputo o maior (tinha
inicialmente formação em sociologia). Acho que é sobretudo uma questão de
gostar com gosto, gostar muito.
Para um leitor que deseja mergulhar fundo num
livro, que sugestões você daria?
Respondo unicamente com minha experiência
individual. Três coisas são necessárias: reler, reler e reler. Acrescento uma
quarta: reler. A primeira leitura nos dá um panorama geral do texto e alguma
ênfase especial que o autor dá ao livro. As leituras posteriores aprofundam o
panorama geral, destacam a ênfase especial. Eu também anoto o que considero
importante, maneira de fixar estes pontos. Finalmente, a atitude, falo mesmo da
postura física do leitor. Não dá pra ler, relaxado, espichado na cama, com
olhos frouxos.
Há tanta variedade de autores e temas, como
escolher um bom livro?
Pergunta difícil. Adoto basicamente dois critérios, os quais admito que são precários: o passado do escritor (prêmios recebidos) e o apanhado do que se diz a respeito dele (comentários da crítica).
Pergunta difícil. Adoto basicamente dois critérios, os quais admito que são precários: o passado do escritor (prêmios recebidos) e o apanhado do que se diz a respeito dele (comentários da crítica).
Que características um livro deve ter para ser
considerado literário?
Esta é aquela pergunta irrespondível. A tal da "literariedade" parece a descoberta da pedra filosofal. É um problema que tem variado no tempo. Antigamente literário era o texto edificante, que trouxesse algum ensinamento. Depois era o beletrismo, escrever difícil, uma linguagem parnasiana e rebuscada. Mais recentemente isso mudou, ainda bem, e o registro coloquial pode, sim, ser literário. Como você notou, não respondi à pergunta. Talvez ela esteja no conjunto representado pelas respostas às outras quatro perguntas.
Esta é aquela pergunta irrespondível. A tal da "literariedade" parece a descoberta da pedra filosofal. É um problema que tem variado no tempo. Antigamente literário era o texto edificante, que trouxesse algum ensinamento. Depois era o beletrismo, escrever difícil, uma linguagem parnasiana e rebuscada. Mais recentemente isso mudou, ainda bem, e o registro coloquial pode, sim, ser literário. Como você notou, não respondi à pergunta. Talvez ela esteja no conjunto representado pelas respostas às outras quatro perguntas.









