CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

26 de agosto de 2017

Revivendo leituras passadas - Brave New World: Aldous Huxley

BEM VINDOS AO ADMIRÁVEL MUNDO NOVO!



Artista/Música: The Strokes- Soma
Livro: Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley
Letra (Original/Tradução):
Soma is what they would take when
Hard times opened their eyes
Soma é o que eles tomariam quando
Tempos difíceis abrissem os seus olhos
Além disso: Soma é o nome dado por Huxley a um alucinógeno no livro. A droga também é referência deThe Smashing Pumpkins e Deadmau5 em suas canções com mesmo nome.




O, wonder! 
How many goodly creatures are there here!
How beauteous mankind is! O brave new world,
That has such people in't!

The Tempest - Act 5, Scene 1
Shakespeare


Oh, Google! Nosso mundo ainda é mais admirável do que imaginou Huxley, que não previu CD, DVD, Blu-ray, i-Pods, Tablets, ... Mídias continuariam sendo rolos de fita. Celular, Internet, então, nem pensar. O Ford!

Ó mais que admirável clube de leitura 
como é bom pertencer a um clube assim!


E ainda mais admirado fiquei quando descobri pelo livro de Huxley que não foi Arthur C. Clark quem previu a colocação em órbita de satélites artificiais, mas Shakespeare. É isso mesmo: Shakespeare!
Capa do DVD

“I”ll put a girdle round about the earth / In forty minutes” 
(Sonho de uma Noite de Verão, II, 1).

Somente velocidades orbitais conseguem ir tão rápido, "se vocês entendem do que estou falando"!


Ford dos calhambeques, está na hora do meu ½ grama de soma!!!


Beija-me, abraça-me com rudeza;
Esgota-me até o coma;
Conserva-me a ti presa;
O amor é como o soma.


"Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, foi escrito e publicado bem no início dos anos 1930, pouco mais de vinte anos após o lançamento do primeiro Ford Modelo T (1908), carro-símbolo da revolução que o industrial Henry Ford implementou, não só na indústria automobilística, mas no próprio capitalismo, aprofundando o sistema produtivo vigente até então. A “linha de montagem” e a produção em massa passaram a ser a regra em toda a indústria.

Charles Chaplin mostrou e criticou com ironia essa "novidade" da época, no seu excelente "Tempos Modernos". O que notabilizou Ford foi isso: a criação da linha de produção moderna, ou seja, um sistema encadeado, onde o trabalho é dividido em etapas e cada operário faz só a sua etapa. Este sistema era "mais lógico" e mais rápido e economicamente mais interessante para o capitalista. O projeto de Ford era fazer um carro tão barato que seus próprios empregados pudessem comprá-lo. A cor preta era mais barata e secava mais rápido, o que determinou sua utilização no modelo que ficou famoso nesse esquema: o Ford T (no livro, os personagens fazem o sinal do T no peito, ao invés do sinal da cruz, indicando seu respeito à 'divindade' Ford).

Antes de Ford, a visão do trabalho ainda era impregnada pelo conceito artesanal medieval, algo romântico, em que um trabalhador produzia quantas peças inteiras conseguisse fazer. Embora já houvesse a divisão do trabalho, apontada por Marx no século 19, foi Ford quem radicalizou o processo produtivo, acabou com o “trabalhador-artesão” de vez e consagrou a "produção em massa". Que, não nos iludamos, veio para ficar; mas sem dúvida trouxe consigo um certo conceito de "transformar homens em máquinas", daí a crítica bem-humorada mas contundente de Chaplin em seu filme. Acho que Huxley foi por aí, radicalizando o modelo, certamente, a meu ver, com uma ironia cortante. Seu “admirável” (para quem?) mundo novo seria o ápice desse sistema desumanamente esquematizado, voltado exclusivamente à produtividade máxima, à estabilidade dos homens-robôs com seus papéis pré-determinados, divididos profissional e socialmente.

Para o bem ou para o mal, sem dúvida Ford foi um pioneiro, mas não foi de modo algum um "deus"... Depois do enorme sucesso do Ford T, que vendeu horrores, um certo Chevrolet percebeu que as pessoas ja estavam saturadas do modelo T, preto. E lançou carros coloridos, que rapidamente abocanharam uma boa fatia do mercado. Mas o conceito de "produção em massa" ficou... Diga-se, ainda, que Henry Ford foi ativo simpatizante de Hitler. É bem razoável supor que, se o mundo fosse "administrado" por Ford, ele poderia ser mesmo bem próximo do que Huxley imaginou."

5 comentários:

  1. Tampoco existe la homosexualidad, no tiene en cuenta el uso de la energía nuclear, no incluye el SIDA, etc. El "admirable" se limita sólo a las costumbres.

    Pepe, Isla Canarias

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  2. Prevejo uma excelente discussão para o livro. O mesmo sempre acrescenta aos nossos conhecimentos à medida que passam os anos. Este livro me serviu como alerta ao tomar muitas atitudes na vida. Ainda preferimos sofrer para saber depois o que é ser feliz.Somos ainda selvagens, graças a Deus, senhor Ford! Melhor a soma dos livros que "o soma" Parabéns, EPA!
    Invocar o bardo foi de grande valor: sofrer, sofrer, sofrer todas, todas as tragédias humanas, Huxley!

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  3. Huxley nem viu nada! Precisava ler a Superinteressante deste mês, todas as inovações em nossos corpos, tudo que nos aguarda num futuro já..

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  4. Oi Pessoal
    Ontem na Livraria da Travessa,comprei um livro do A.Huxley que desconhecia..."o retorno ao admiravel mundo novo..pensei que conhecesse qs todas as suas obras,mas este livro foi para mim uma surpresa.Como ainda nao o li,vou pesquisar do que se trata..Abs ceci
    Parabens pela indicação deste livro

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  5. Eu e meu admirável...


    Um dia me vi perdida

    num labirinto suspeito.

    Seu nome? Apenas vida,

    o meu defeito imperfeito.

    (25/08/2011)

    Abraços,

    Ilnéa

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