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O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

13 de maio de 2017

Livro: A filha perdida, de Elena Ferrante

Olá queridos!
Segue o post que fiz no meu blog Mar de Variedade sobre esse livro, que li recentemente no Clube Leia Mulheres Niterói, e que será o livro de junho do CLIc.

Já desejávamos ler algum livro da Elena Ferrante, que é uma das autoras mais comentadas do momento. Ela utiliza esse pseudônimo, mas não divulga a sua identidade. Até pode ser um homem.
Bem, escolhemos esse livro, pois não queríamos ler um livro que fizesse parte de uma série, como é o caso de A amiga genial. 
Então, escolhemos esse que é avulso, embora tenha um infantil (Uma noite na praia), que é meio como uma continuação desse. 


Sinopse da Amazon: "Da autora de A amiga genial e História do novo sobrenome, um romance feminino e arrebatador.
“As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender.” Com essa afirmação ao mesmo tempo simples e desconcertante Elena Ferrante logo alerta os leitores: preparem-se, pois verdades dolorosas estão prestes a ser reveladas.
Lançado originalmente em 2006 e ainda inédito no Brasil, o terceiro romance da autora que se consagrou por sua série napolitana acompanha os sentimentos conflitantes de uma professora universitária de meia-idade, Leda, que, aliviada depois de as filhas já crescidas se mudarem para o Canadá com o pai, decide tirar férias no litoral sul da Itália. Logo nos primeiros dias na praia, ela volta toda a sua atenção para uma ruidosa família de napolitanos, em especial para Nina, a jovem mãe de uma menininha chamada Elena que sempre está acompanhada de sua boneca. Cercada pelos parentes autoritários e imersa nos cuidados com a filha, Nina parece perfeitamente à vontade no papel de mãe e faz Leda se lembrar de si mesma quando jovem e cheia de expectativas. A aproximação das duas, no entanto, desencadeia em Leda uma enxurrada de lembranças da própria vida — e de segredos que ela nunca conseguiu revelar a ninguém.
No estilo inconfundível que a tornou conhecida no mundo todo, Elena Ferrante parte de elementos simples para construir uma narrativa poderosa sobre a maternidade e as consequências que a família pode ter na vida de diferentes gerações de mulheres.
Elena Ferrante se tornou especialmente conhecida pela série napolitana, cujos dois primeiros volumes, A amiga genial e História do novo sobrenome, já foram publicados com grande sucesso no Brasil.
Best-seller internacional, Ferrante tem livros lançados em mais de 30 países.
“A prosa de Ferrante é extraordinariamente franca, direta e inesquecível.” Publishers Weekly
“Um romance brutalmente sincero sobre a ambivalência da maternidade. ” The New Yorker
Outro livro da autora: Uma noite na praia."



Já começo dizendo que gostei muita da leitura e da forma fluida como essa autora escreve.
Embora a história pareça simples, pois utiliza o tema maternidade, não tem nada de simples. Rs. Os temas são abordados de forma profunda. 
A escrita da autora me lembrou a Clarice Lispector, pois, através de uma determinada situação, a personagem/narradora se lembra de situações do passado e isso desencadeia uma série de atitudes. 
A Leda, nossa personagem principal e narradora, vai passar as férias na praia, no sul da Itália. Suas filhas, já adultas, estão morando com o pai, em Toronto, no Canadá.
A Leda começa a narrar os seus dias na praia e, ao passar a observar uma família napolitana, entre elas uma mãe com sua filha com a boneca e a tia grávida da menina, ela começa a pensar nela como mãe.
O que pode chocar alguns é a coragem da escritora ao abordar a maternidade de uma forma muito sincera pela narradora da história. 
A forma da Leda se comportar, sem se preocupar com o que as pessoas à sua volta vão pensar, é muito interessante. Quando pediram para ela mudar de lugar na praia, ela se negou sem qualquer constrangimento.
"A senhora não vai mudar de lugar?-, respondi bruscamente, com uma seriedade hostil: não, estou bem aqui, lamento, mas não estou com vontade nenhuma de mudar de lugar." (trecho do livro)
Ela confessa para essa família em algum momento da história que abandonou as filhas com o pai. Não senti muita culpa nela.
O livro nos faz refletir: por que julgamos esse tipo de atitude? Por que achamos que as mães têm que ser heroínas? 
O livro desmistifica um pouco o papel de mãe. Vai mostrar uma mãe com erros e acertos, confessando coisas que muitas mães gostariam de confessar, mas não fazem por medo do julgamento da sociedade. É tapa na cara esse livro!
O tema central é a maternidade, mas o livro aborda outros assuntos, como relacionamento marido/mulher, comportamento, entre outras coisas. 
Essa é uma degustação do livro. Ele deve ser lido, pois há muitas questões a serem pensadas e debatidas. 
Quero muito ler outros livros dessa excelente autora.


Recomendo!

2 comentários:

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