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A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

19 de março de 2017

A Reunião de Germinal, por Mariney



Perdoem-me, desde já, se o resumo da reunião não for fiel mas não fiz anotações e minha memória é claudicante no sentido de lembrar tudo o que aconteceu, especialmente os nomes de quem participou.

Fiquei muito feliz pois este livro foi minha primeira indicação e todos gostaram (com exceção do Hélcio que se sentiu claustrofóbico nas cavernas...kkk).

Segue o resumo:

Depois da apresentação pessoal de cada um dos presentes, teve início o debate.

Mariney explicou que este livro foi utilizado, por ela,com seus alunos, no período em que dava aulas na UFF.

Livro cruento e denso resultou numa reunião leve com abordagens diversas sobre o conteúdo. O realismo no estilo de Émile Zola fez com que todos se sentissem “enterrados” nas cavernas das minas de carvão ao longo da leitura do romance.

Foi mencionada a posição submissa e resignada das mulheres, quanto à sua relação com o homem e seu papel procriador de mão de obra, além de sua invisibilidade quando seus nomes eram mencionados como...”esposa de fulano, filha de sicrano...”

Outro aspecto que foi lembrado (por uma pessoa que estava nos visitando pela primeira vez, creio  que Flávia) foi o paralelo traçado, pelo autor, em relação à descrição da realidade miserável dos mineiros e, em contrapartida a abastança  dos burgueses. Também, o trato diferenciado dado, por estas classes, aos seus filhos: exigências duras na primeira e benevolência, na segunda.

Esclareceu-se que o livro não tem uma abordagem maniqueísta, e inaugura um novo estilo literário,o naturalismo.

Winter falou sobre os equívocos do autor em relação à menções feitas pelo personagem Suvarin sobre o anarquismo.

Este mesmo personagem, que permaneceu mudo por 2/3 do livro, aparece, no final, como autor do ato terrorista que aniquila uma das mineradoras e causa a morte de muitos, além de textualizar: ”esse ódio aos burgueses é apenas o desejo desesperado de serem burgueses, também”, em relação aos mineiros rebelados.

Mariney falou sobre a posição dos sindicatos e seu distanciamento em relação à realidade do trabalhador. Chegou mesmo a sugerir que os sindicalistas deveriam continuar trabalhando e dedicar tempo extra no sindicato. Falou, também, que numa disputa, o capital possui sempre mais gordura, para queimar, que o trabalhador, o que lhe dá vantagem nos resultados das negociações.

Creio que foi Marlie que falou que o Etiéne era o personagem sonhador que, ao longo do livro, vislumbra melhorias para os mineiros mas no final, vai embora, não criando raízes.

Alguém,também, se referiu à falta de consciência deste personagem, escondido nas ruínas de Requillard, se refestelando com os roubos de Jeanlin, enquanto os mineiros, em greve, não tinham nada para comer.

Elenir e mais alguém (desculpe não lembro) referiram-se ao lirismo do momento de amor entre Catherine e Etiene no fundo da caverna.

Outro momento, de texto emocionante, mencionado (acho que pelo Evandro e mais alguém) foi a morte do cavalo, na inundação.

Leo e Inês se referiram ao título do livro como uma sugestão de resultados históricos futuros a partir da germinação de ideias.

Evandro falou sobre a infelicidade do personagem Hennebeau que, apesar de possuir riquezas, não conseguia o que ele considerava mais importante na vida dele que era o amor da esposa. Ela possuía amantes mas não se deitava com ele. Ele trocaria toda a fortuna do mundo por uma noite de amor com ela. Comentou-se, então, que nem sempre a posse de  bens materiais trazem felicidade. Mariney também lembrou que AMOR só três personagens do livro vivem: Etiénne, Cathérine e Hennebeau.

Mais uma vez, peço desculpas se algo passou sem que eu me desse conta.

Gde abraço a todos e até ...”Brás Cubas”...


3 comentários:

  1. Genial! Muito interessante observar as diferentes percepções de cada leitor!

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  2. Oi, faz muito tempo q li o Germinal, adorei a ata da reunião, deve ter sido muito legal ... gostaria de acrescentar algumas coisas ao q foi discutido ... Germinal é um dos meses da primavera no calendário revolucionário, q teve vigência entre 1792-1805, é o mês da germinação, entre os meses de março e abril ... uma das classes trabalhadoras mais combativa na França foi a dos mineiros, pelas terríveis condições de tranalho. Eles criaram sociedades de ajuda mútua e sindicatos já na década de 1830 ... as mulheres não trabalhavam no fundo, mas na superfície, elas podiam selecionar e armazenar o carvão, trabalahvam na organização do serviço em geral ... https://fr.wikipedia.org/wiki/Grande_gr%C3%A8ve_des_mineurs_d'Anzin

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