CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

16 de fevereiro de 2017

A rainha Ginga: José Eduardo Agualusa


A roda do mundo não para nunca.
TUDO SÃO COMEÇOS

Para os amigos que não puderam estar presentes à reunião, de 12/05, transcrevo o trecho do romance  que foi marcado, entre outros,  por todos os presentes (pág.121) e creio que por vocês também:
"...o amor exige uma espécie de cegueira. Amamos não quem os nossos olhos enxergam, mas quem o nosso coração demanda. O ser amado é, quase sempre, uma invenção indulgente de quem ama."
Desejo que seus olhos e corações vejam, igualmente, o ser amado. Sem engano.

Bjs.

Elenir




“Sabendo que muitos dos Bantos eram embarcados para Pernambuco durante o início do século XVII, parece ser razoável supor que muitos deles pudessem ter sido aliados ou partidários de Nzinga, ou que, esporadicamente tivessem ouvido falar de sua fama. Se tal fosse o caso, isso nos forneceria uma importante explicação para a persistência da imagem de Nzinga no Nordeste do Brasil e, possivelmente, para parte da resistência afro-brasileira em certas regiões.” (Glasgow, p. 141)



DEU NO FOCUS PORTAL CULTURAL - CLIc na imagem

Os portugueses sempre foram mais africanos do que europeus.


Donana de Jânsen


Conquistei o paraíso, mas mordeu-me a serpente.





Os flamengos gostam tanto de beber que mesmo com a corda no pescoço, no patíbulo, são capazes de brindar ao carrasco e de partilhar com ele o derradeiro copo, de forma que se vão deste mundo borrachos e cantando. 

“O Inferno, de resto, não é tanto uma soma de tormentos, e sim a ilusão de que tais tormentos nunca cessam. O Inferno é eterno, ou não seria Inferno. tenho para mim que a principal diferença entre o Inferno e o Paraíso é que no Inferno nos pesa o tempo, o tempo todo, enquanto no Paraíso não se sofre dele.” 


«Meus senhores holandeses: o meu camarada, o índio Filipe Camarão, não está aqui; mas eu respondo por ambos. Saibam Vossas Mercês que Pernambuco é Pátria dele e minha Pátria, e que já não podemos sofrer tanta ausência dela. Aqui haveremos de perder as vidas, ou haveremos de deitar a Vossas Mercês fora dela.»





Os esparciatas educavam os filhos para a guerra. Eles espancavam os filhos para os fortalecerem. Os jagas também. Os esparciatas incentivavam os  rapazes a roubar comida. Se fossem apanhados seriam castigados não por terem roubado, mas por se terem deixado capturar.  Também os jagas incentivavam os filhos a  roubar gado e outros bens. Os esparciatas cultivavam a deusa Ártemis e houve um tempo que passaram a chicotear os meninos em seu altar. 



Maurício de Nassau

Principais realizações no período em que administrou a região conquistada pelos holandeses no Nordeste brasileiro:



Estabeleceu uma situação de boas relações entre holandeses e brasileiros (latifundiários e comerciantes);

- Melhorou o sistema de produção de açúcar no Nordeste;

- Diminuiu tributos dos senhores de engenho de Pernambuco; 

- Modernizou urbanisticamente a cidade de Recife, construíndo canais, diques, pontes, palácios, etc;

- Criou, Zoológico, Museu Natural e Jardim Botânico em Recife;

- Modernizou e melhorou a qualidade de serviços públicos na cidade como, por exemplo, coleta de lixo e bombeiros.






Muito mais tarde, enquanto envelhecia, compreendi que o amor exige uma espécie de cegueira. Amamos não quem os nossos olhos enxergam, mas quem o nosso coração demanda. O ser amado é, quase sempre, uma invenção indulgente de quem ama. 



Vista da Cidade Maurícia e Recife

Frans Janszoon Post
Cidade Maurícia hoje

Estou velho. 
Nesta altura da minha vida só a loucura me entusiasma. 
Ah! A loucura que o amor inflama. 



Cipriano defendia, como Valentino de Alexandria e outros panteístas, que tudo o que existe é Deus, incluindo cada homem e cada pedra, e que esse Deus que somos todos não é nem bom nem mau, ou é tudo isso sem distinção e alheadamente. 

Deus, disse-me Cipriano, é o que somos dormindo. — Todas as coisas têm o seu Deus — acrescentou. — Estamos cercados por Eles. 

Fiquei durante muito tempo pensando naquilo. Imaginando cada homem, cada ser, segregando o seu próprio deus a partir de algum órgão escondido sob a pele da alma: o grave Deus das corujas. O hábil Deus das cobras. O Deus generoso dos quintais. O Deus traiçoeiro das adagas. O Deus zebrado das zebras. O Deus tagarela dos corvos e dos advogados. O humilde Deus dos pardais. O Deus insalubre dos pântanos. O Deus cabisbaixo dos canalhas. O pálido Deus das osgas. O rápido Deus das tormentas. O líquido Deus dos peixes. O áspero Deus dos sertões. O cálido Deus das praias. O ressequido Deus dos cactos. O esquivo Deus dos jaguares. O Deus perfumado dos jasmins. 








A verdade é aquilo que está exposto.

Deus é o que somos dormindo.

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