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A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

7 de novembro de 2016

Livro: A Elegância do Ouriço, de Muriel Barbery

Olá queridos!
Como sei que o CLIc já leu esse livro, nesse post mostro o meu olhar sobre a obra.
Segue o post que fiz no meu blog Mar de Variedade
Esse foi o livro de outubro do Clube do Livro virtual, do qual participo. Participo de três clubes de leitura. Hahaha.

Sinopse da Saraiva: "À primeira vista, não se nota grande movimento no número 7 da Rue de Grenelle: o endereço é chique, e os moradores são gente rica e tradicional. Para ingressar no prédio e poder conhecer seus personagens, com suas manias e segredos, será preciso infiltrar um agente ou uma agente ou — por que não? — duas agentes. É justamente o que faz Muriel Barbery em A 'Elegância do Ouriço', seu segundo romance. Para começar, dando voz a Renée, que parece ser a zeladora por excelência: baixota, ranzinza e sempre pronta a bater a porta na cara de alguém. Na verdade, uma observadora refinada, ora terna, ora ácida, e um personagem complexo, que apaga as pegadas para que ninguém adivinhe o que guarda na toca: um amor extremado às letras e às artes, sem as nódoas de classe e de esnobismo que mancham o perfil dos seus muitos patrões."



Achei a leitura bem fluida. Apesar de ser um livro de 350p., li rapidamente.
Gostei do paralelo que é traçado no livro: ora a narrativa é da Renée, 54 anos, a concierge (zeladora) de um prédio de classe alta em Paris (número 7 da Rue de Grenelle), ora a narrativa é da Paloma, adolescente rica de 12 anos.
Embora aparentemente elas sejam muito diferentes, com o decorrer da leitura, vamos perceber que elas são muito parecidas. Ambas muito inteligentes, cultas e críticas com relação ao tratamento que é dado por pessoas ricas às pessoas de classe inferior. Elas também criticam o português ruim das pessoas, principalmente dessas que se acham superiores às outras. 
O livro é bem filosófico. Vários temas nos levam a refletir.
A Paloma, por exemplo, se sente uma estranha no ninho. Seus pais e sua irmã são muito diferentes dela. Ela não suporta o jeito como sua família lida com pessoas de classe inferior e com a vida de uma forma geral. A Paloma percebe essas questões, mas finge ser uma idiota para não chamar a atenção. Ela planeja se suicidar, pois não aguenta a família que tem. 
A Renée, que é viúva,  tem uma melhor amiga, a Manuela, com quem sempre toma chá e consegue ser ela mesma. Diante dos moradores do prédio, ela tenta esconder a pessoa culta que é, pois percebe que os moradores esperam uma pessoa ignorante como zeladora. Isso nos leva a refletir sobre a invisibilidade de alguns funcionários, como os que trabalham em um prédio. 
Trata-se de um condomínio, cujos moradores são ricos. Até aí Ok. Só que são ricos que se acham superiores aos seus subalternos e que não os enxergam além de meros trabalhadores. 
No decorrer da história, aparecerá um personagem muito importante: o Kakuro, um novo morador. Isso para mostrar que também na ficção nem tudo está perdido.
Ele é o tipo de pessoa que, apesar de riquíssimo, assim que chega no prédio já presta atenção em Paloma e Renée. Ele consegue ver além da aparência. Não posso falar mais do que isso, pois daria spoiler. 
Esses três personagens serão muito importantes nas vidas uns dos outros, o que nos faz refletir sobre a diferença que estamos fazendo no mundo. 
Há passagens engraçadas no livro, também, como quando a Paloma vai ao Psicólogo com a mãe e a adolescente faz "a máscara" dele cair. 

"A sra. Michel tem a elegância do ouriço: por fora, é crivada de espinhos, uma verdadeira fortaleza, mas tenho a intuição de que dentro é tão simplesmente requintada quanto os ouriços, que são  uns bichinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários e terrivelmente elegantes." p.152

Tanto Renée quanto Kakuro são apreciadores de bons livros e de arte, o que os aproxima. O livro tem várias referências interessantes. 

Portanto, é um livro muito bonito, bem filosófico e com personagens marcantes.
Recomendo!

4 comentários:

  1. Esse livro já é um clássico, pra mim. Que bom que você o leu, Andreia, e fez reviver as boas lembranças que guardo desta leitura!

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    1. Eu adorei, Evandro. É bem filosófico! Algumas pessoas do outro clube não gostaram. Isso é o legal de um clube: a diversidade de opiniões. Bjs

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  2. Livro marcante..foi um dos preferidos do CLIC

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