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A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

18 de setembro de 2016

Shalimar, o equilibrista: Salman Rushdie







Atenção fãs do realismo mágico!


Clube de Leitura Icaraí se reúne nessa sexta-feira, dia 11, para debater a leitura de "Shalimar, o equilibrista", do autor Salman Rushdie, cujo estilo narrativo mescla fantasia com vida real.

Contém nessa história elementos como amor e vingança, além de todos os ingredientes dos grandes épicos: guerras, revoluções, heroísmo, assassinatos, tabus violados, destinos interrompidos e grandes deslocamentos no espaço ao longo de sessenta anos de história do século XX. 

Gostou? Então vem! Nas 2ªs Sextas Feiras mensais, às 19h, na Livraria Icaraí.






"Shalimar, O Equilibrista é uma obra de ficção de Salman Rushdie publicada em 2005 e que conta a história do personagem Shalimar, da infância à morte, da sua carreira como artista a assassino profissional, tendo em foco quatro personagens fundamentais: Índia/Caxemira, Boonyi, Max, e o próprio Shalimar. O livro não segue a ordem cronológica dos eventos e inicia-se com um misterioso assassinato que se desvenda ao longo do romance.

O lançamento mundial do livro teve como principal evento a Festa Literária Internacional de Paraty, no Brasil, em 2005, com a presença do autor."



ENTREVISTA DE SALMAN RUSHDIE À FOLHA


Folha - Quanto do sr. há em "Shalimar, o Equilibrista"?

Salman Rushdie
 - Não há um personagem que fale pelo autor. Meu objetivo foi criá-los como seres empenhados em suas próprias histórias. A maneira como os personagens do livro evoluem não tem nada a ver com uma vontade de expor meu ponto de vista sobre o mundo. Flaubert disse: "Madame Bovary, c'est moi", mas é claro que é mentira. Madame Bovary não é Flaubert. A verdade é que você deve estar em cada frase do seu livro. Há algo com que devemos lidar mais do que nunca agora, que é o fato de que nossas vidas não são mais vidas privadas. Quando Jane Austen escrevia, ela ignorava as guerras napoleônicas. Podia contar a história de seus personagens sem se referir à esfera pública, pois esta não interferia na vida dos seus personagens. Só que hoje não vivemos mais assim.

Folha - Hoje um escritor pode ignorar a situação mundial?

Rushdie
 - Não quero ditar regras, mas é difícil para mim. Para explicar a vida das pessoas, você precisa levar em conta o mundo em que elas vivem e o efeito direto que esse mundo causa nelas.

Folha - Como no exemplo da Caxemira, que está no livro.

Rushdie
 - Sim, a vida de Shalimar foi destruída por dentro, pela traição de sua mulher mas também por fora, pelas forças da história. A maneira como costumávamos acreditar no destino dos personagens não existe mais, agora é o destino que faz os personagens. É preciso trabalhar com esse duplo sentido para escrever. Uma boa questão é se somos os mestres ou as vítimas do nosso tempo. Nós comandamos nossas vidas ou não temos chances?

Folha - E o que o sr. acha?

Rushdie
 - As duas coisas. Às vezes, nós podemos comandá-la, noutras não. Por exemplo, esse concerto de rock que houve no fim de semana, o Live 8, foi uma tentativa de um grande número de pessoas de causar algum impacto transformador. Pode-se dizer que é simplista, mas pode funcionar. Mas é claro que, se você estiver num arranha-céu e um avião bater nele, não importará se você viveu sua vida bem ou mal. Nós vivemos num mundo muito estranho, e as conseqüências para a literatura são muito profundas.

Folha - Por quê?

Rushdie
 - Porque uma das grandes perguntas para um escritor é: como se diz a verdade sobre o mundo? De acordo com o nível do seu talento, a profundidade da sua visão, ou das limitações que todos nós temos. De outro modo, você não dirá a verdade.

Folha - Os americanos sabem o quanto o que acontece na Caxemira afeta a vida deles?

Rushdie
 - Acredito que o 11 de Setembro tenha sido um alerta. Mostrou que o mundo não está mais separado. Os americanos sentiram na pele as conseqüências de um mundo que encolheu.

Folha - Há uma grande importância em relação a nomes e identidades em seu livro.

Rushdie
 - Acho que a questão da identidade é central. Ninguém no livro gosta do nome que tem, exceto Max [o embaixador na Índia].

Folha - Max falsificava identidades quando estava na Resistência francesa.

Rushdie
 - Exato. Ele é o único que sabe quem é. O livro é sobre pessoas que não sabem quem são. No caso de India [filha de Max], há uma boa razão para isso. Durante toda a sua vida lhe mentiram, inclusive sobre seu nome.

Folha - Por que Max compara a situação na Alsácia, nos anos 30/40, ocupada por França e Alemanha, com a da Caxemira, disputada por Paquistão e Índia?

Rushdie
 - O interessante na região da Alsácia é a questão das fronteiras cambiantes. No livro, que é sobre a Índia, sobre a Caxemira, essa questão está em primeiro plano. Foi uma maneira de unir as pontas do mundo. Na França, durante o jugo nazista, há a Resistência, que é a reação militar à ocupação. Na Caxemira, há a resistência ao poder ocupante, e essa reação pode não ser necessariamente terrorismo --depende de que parte do mundo falamos. Temos aqui uma forma muito similar de ação, tomada em diferentes circunstâncias. O julgamento que fazemos desses momentos é diferente.

Folha - O destino da Caxemira é há muito tempo decidido por forças externas.

Rushdie
 - Sim, acho que essa é a grande tragédia da Caxemira. Os caxemirenses querem que os deixem em paz. Há o Exército indiano e há os grupos patrocinados pelo Paquistão. Ambos destruíram a Caxemira de diversas maneiras. A intelligentsia indiana não tinha idéia do quão grande era o ressentimento na Caxemira. Mas não era preciso ser profeta para ver a insurgência, bastava ter olhos. Quando chamei a atenção para o problema, me chamaram de "muçulmano comunista".

Folha - E além disso há os grupos terroristas...

Rushdie
 - Veja, o islã na Caxemira sempre foi místico, gentil e aberto, não como o dos jihadistas. Não havia segregação sexual. Havia uma grande mistura religiosa. Mas então vieram os grupos extremistas, que tentaram impor à Caxemira uma idéia de islã estranha a ela. A violência funcionou, e hoje na Caxemira se vêem mulheres cobertas, o que é anticaxemirenses. Sempre me senti mal sobre isso, porque minha família é de lá, passava férias lá quando criança. Para todos na Índia, a Caxemira é o espaço encantado da infância. E foi destruído, obrigando-nos a viver num mundo sem sonho. Meu livro é um pouco sobre como viver num mundo no qual seus sonhos são destruídos.

Folha - E, para Max, os sonhos acabaram na Europa. Ele é nostálgico. O sr. também parece saudoso dos velhos valores.

Rushdie
 - Não diria "velhos valores". Diria "valores", sem os quais é muito difícil viver, num mundo desenraizado. Sou saudoso de um mundo menos desenraizado. Há uma ausência de sutileza. O desenraizamento está barateando a vida humana. Mata-se por nada.

Folha - Qual é o papel da religião nisso?

Rushdie
 - É absolutamente catastrófico, quer seja o jihadismo ou o fundamentalismo cristão, ou os hindus fanáticos.

Folha - O sr. é religioso?

Rushdie
 - Não. Não. Não me considero religioso [risos]. Mas, quando você começa a escrever sobre humanos, passa a acreditar que haja algo sobre nós que não é apenas carne e ossos. Há coisas que não podemos explicar para nós mesmos. No entanto, se você não acredita na existência da alma, é muito difícil escrever sobre isso, porque faltam palavras.

Folha - O sr. acompanha a política brasileira?

Rushdie
 - Leio os jornais. Mas não me pergunte nada [risos].



Encontro Marcado


O amor nunca vem de onde a gente está olhando!


Os guerreiros do LeP não conseguiam tirar os olhos das mulheres que estavam se despindo devagar, sedutoramente, mexendo os corpos com ritmo, de olhos fechados. "Deus me ajude", gemeu em árabe um dos guerreiros estrangeiros do LeP, se retorcendo em cima do cavalo. "Essas diabas de olhos azuis estão roubando minha alma". O maníaco homicida de quinze anos apontou o Kalashnikov para Firdaus Noman. "Se eu matar você agora", disse, perverso, "nenhum homem em todo o mundo muçulmano vai dizer que não tenho razão." Nesse momento, um buraquinho vermelho apareceu na testa dele e a parte de trás de sua cabeça explodiu... Os militantes do LeP foram cercados e superados em número e em poucos minutos estavam também mortos. Firdaus Noman e as outras mulheres vestiram as roupas de novo. Firdaus falou, triste, para o corpo de quinze anos do comandante Lashkar. "Você descobriu que as mulheres são perigosas, meu filho", disse ela. "Azar seu não ter tido a chance de crescer para virar homem e descobrir que também somos boas para amar."


COMO PODE O ROSTO DE UMA MULHER
 SER O INIMIGO DO ISLÃ?










Terpsícore

Marina Orlova em El Pueblo de Nuestra Señora la Reina de los Angeles de Porziúncola


Na raiz da religião está o desejo de esmagar o infiel. Esta é a força fundamental. Quando o infiel tiver sido esmagado, poderá haver tempo para o amor, embora isso seja de importância secundária. A religião exige austeridade e auto-renúncia. Ela não tem tempo para as branduras do prazer ou para as fraquezas do amor. Deus deve ser amado, mas com um amor masculino, um amor de ação, não uma aflição feminil do coração. Deve-se estar sempre pronto para uma guerra.


Ele ainda é jovem a ponto de ter a ideia de que pode mudar a História, enquanto eu estou me acostumando com a ideia de ser inútil, e um homem que se sente inútil para de se sentir um homem. Então, se ele está inflamado com a possibilidade de ser útil, não vamos apagar essa chama.


Mercader
Udham Singh
... nesse solo oculto estão sendo plantadas as sementes do futuro e o tempo do mundo invisível chegará, o tempo da dialética alterada, o tempo da dialética na clandestinidade, quando anônimos exércitos espectrais lutarão em segredo pelo destino da Terra. Um bom homem nunca é descartado por muito tempo. Sempre se encontra um uso para um homem desses. Max invisível terá um novo uso. Ele será um dos forjadores dessa nova era também, até a velhice finalmente baixar a cortina e a Morte vir bater à sua porta na forma de um belo homem, um Mercader, um Udham Singh, a Morte, em nome da mulher que um dia ambos amaram, lhe pedindo trabalho.



Ela o tinha perdido durante tanto tempo que temia nunca mais consegui-lo de volta. Mas ali estava ele, virando-se para olhar para ela de novo. Era isso que os dois tinham, disse ela a si mesmo, essa inevitabilidade. Eram construídos para durar. Levantou o copo para ele e um sorriso tremulou nos cantos de sua boca. Sou a mulher mais iludida do mundo, pensou. Mas olhe para ele, está aqui. Meu homem.





O que é convencional quando se olha de fato as coisas? Levante a tampa de qualquer vida e ela é estranha, borbulhante; por trás de toda porta doméstica sossegada o idiossincrático e o estranho estão à espreita. Normalidade, esse é que é o mito. Os seres humanos não são normais.      


Suponhamos que fosse eu naquela foto, Max pensou, de repente. Suponhamos que todos aqueles ataques verbais fossem sinais invertidos de amor, pedidos em código para que eu fizesse o que ela sozinha não podia fazer: que a arrancasse do seu casamento e a arrebatasse para algum impossível Éden do tempo de guerra. Tentou afastar essas especulações, que era apenas uma forma de vaidade, ralhou consigo mesmo. Mas a possibilidade de um amor mal compreendido continuou a mordê-lo por dentro. Blandine, Blandine, ele pensava. Os homens são tolos. Não é de admirar que a deixássemos tão louca. Nesta tarde, no arquivo, quando descobriu o destino de Suzette Trautmann, prometeu a si mesmo que se uma mulher um dia lhe enviasse esses sinais de novo, se uma mulher um dia tentasse dizer por favor, vamos sair daqui, por favor, por favor, vamos fugir e ficar juntos para sempre e para o inferno a danação de nossas almas, por favor, ele não deixaria de decifrar o código secreto.






Rumpelstiltskin




Existem grandes infiéis que negam Deus e seu profeta, e depois existem os pequenos infiéis como você, um cuja barriga o calor da fé há muito esfriou, que toma tolerância por virtude e harmonia por paz.

A natureza do poder dominador é tal que o homem poderoso não precisa aludir a seu poder. A realidade dele está presente na consciência de todo mundo. Assim, o poder faz seu trabalho em segredo e os poderosos podem subsequentemente negar que sua força jamais foi usada.


Fidayeen

Ele era apenas um clown e seu amor não levava a lugar nenhum, não mudaria nada, não podia me levar onde estava meu destino.


Não me peça o meu coração, porque estou arrancando o coração do meu peito, quebrando em pedacinhos e jogando fora, de forma que não terei coração, mas você não vai saber disso porque serei a contrafação perfeita de uma mulher apaixonada e você vai receber de mim a falsificação perfeita de amor.


Havia, então, duas cláusulas não expressas no Entendimento, uma relativa a dar amor, outra relativa a reter o amor, codicilos mutuamente contrastantes e impossíveis de conciliar. O resultado, como Max previra, foram problemas; o maior rebuliço diplomático indo-americano da História. Mas durante algum tempo o mestre falsificador foi enganado pela falsificação que comprou, enganado e satisfeito, tão contente de possuí-la  quanto um colecionador que descobre uma obra prima escondida num monte de lixo, tão feliz de mantê-la escondida das vistas quanto um colecionador que não consegue resistir a comprar o que sabe ser propriedade roubada. E foi assim que a esposa infiel da aldeia do bhand pather começou a influenciar, a complicar e até a moldar a atividade diplomática referente à incômoda questão da Caxemira.





Pensou em Shalimar, o equilibrista, e mais uma vez ficou horrorizada com a facilidade com que o abandonara. Quando deixou Pachigam, nenhuma das pessoas mais próximas adivinhou o que estava fazendo, os bobos. Ninguém tentou salvá-la de si mesma, e como poderia perdoá-los por isso? Que idiotas eram eles todos! Seu marido, o super idiota número um, e seu pai, o super idiota número dois, e todo mundo logo atrás. Mesmo depois de Himal e Gonwati voltarem a Pachigam sem ela e começar o falatório, mesmo então, Shalimar, o equilibrista, lhe mandava cartas confiantes, cartas assombradas pelo fantasma de seu amor assassinado. 'Estendo os braços e toco você sem tocar você como na margem do rio antigamente. Sei que está em busca de seu sonho, mas esse sonho vai sempre te trazer de volta pra mim. Se o amrikan está ajudando, muito bem. As pessoas sempre dizem mentiras, mas sei que seu coração é verdadeiro. Sento com as mãos no colo e espero sua volta.' Ela ficava transpirando na cama, presa nas correntes da solidão escravizante e rasgava as cartas em pedaços cada vez menores. Eram cartas que humilhavam tanto o autor quanto o receptor, cartas que não tinham de existir, que nunca deveriam ter sido mandadas. Essas ideias não deviam nunca existir, e não existiriam, não fosse a mente débil daquele homem sem honra que tivera a vergonha de desposar.












Os animais não têm opção senão serem o que são 100% do tempo. Eles não conhecem nem moldam a própria natureza, mas sim, a natureza que conhece e os molda. Não existem surpresas no reino animal. Só o caráter do Homem é suspeito e cambiante. Só o Homem, conhecendo o bem, pode fazer o mal. Só o Homem usa máscaras. Só o Homem decepciona a si mesmo.


Abdullah começou a ver lampejos de um outro Bombur, alguém melhor por baixo da superfície inchada e vaidosa que Yambarzal infelizmente apresentava ao mundo: um homem solitário, para quem a culinária era a única paixão da vida, que a encarava com um fervor quase religioso e que ficava, portanto, constante e ferozmente decepcionado com a facilidade com que seus semelhantes humanos se afastavam das extáticas devoções das artes gastronômicas por conta de distrações tão mesquinhas quanto vida familiar, cansaço ou amor. "Se você não fosse tão duro consigo mesmo", Abdullah disse uma vez a Bombur, "talvez pudesse ser mais brando com os outros e se apresentar melhor." Bombur arrepiou-se. "Não estou no jogo da felicidade", disse, duro. "Estou no negócio de banquetes". Era uma declaração que revelava o traço monomaníaco da personalidade do waza. 


Catacumbas da Cidade Reptiliana Assombradas

Los Angeles, apesar de pouco perceber na agitação da vida moderna, está acima de uma cidade perdida de catacumbas cheias de tesouro incalculável e registos imperecíveis de uma raça de seres humanos mais avançada intelectualmente e cientificamente, mesmo sob os atuais povos de hoje.




O único jeito sensato de amar é amar condicionalmente.









"Todos os temas recorrentes na obra de Salman Rushdie concorrem na trama de seu nono romance e se combinam para fazer de Shalimar, o equilibrista a narrativa mais impactante do autor de Os filhos da meia-noiteHaroun e o Mar de Histórias e O último suspiro do mouro. É uma história de amor e vingança, com todos os ingredientes dos grandes épicos: guerras, revoluções, atos heróicos, assassinatos, tabus violados, destinos interrompidos e grandes deslocamentos no espaço, ao longo de sessenta anos de história do século XX.

No cenário das questões políticas mais nevrálgicas da história contemporânea, Rushdie constrói um enredo em que a paixão súbita e proibida de um embaixador americano por uma dançarina belíssima de etnia hindu, habitante da Caxemira, desencadeia uma série de acontecimentos que apontará para os vínculos complexos entre Ocidente e Oriente nos dias de hoje.

Com avanços e recuos no andamento narrativo, Rushdie conduz as histórias dos personagens em vias paralelas, mas as entrecruza magistralmente à medida que a obra avança. Os pontos de contato entre a história da Índia, a política dos Estados Unidos durante a Guerra Fria e a formação dos grupos extremistas islâmicos depois da queda da ex-União Soviética vão se tornando cada vez mais estreitos, relacionando-se às histórias ficcionais de Max Ophuls, Boonyi Kaul e Shalimar, o equilibrista. No romance, as esferas da ficção, da história, do mito e da política se confundem e ganham estatuto artístico excepcional. 


A função de Shalimar, o equilibrista, é tentar desvendar o sentido da desarmonia que transformou sua vida em escombros. Para isso, durante sua representação - que outros chamariam vida -, terá de elevar-se por cima da copa de uma árvore em chamas e equilibrar-se numa corda feita de ar."




Nunca confie em homens que têm muita facilidade com as palavras.


3 comentários:

  1. Shalimar, o equilibrista, é um livro que pode causar grandes transformações pessoais. Os leitores devem estar cientes dessa possibilidade ao iniciar a leitura e arcar com as consequências desse impacto porque, como se diz, a metamorfose é o coração secreto da vida.

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  2. Shalimar faz uma inquietante representação dos conflitos políticos e sociais do mundo moderno. Embora a ideia central do romance seja a vingança de Shalimar, os conflitos sociais na Caxemira formam a baseline onde se desenrola uma importante parte da ação e revela o olhar crítico do autor sobre o terrorismo no mundo contemporâneo.

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  3. Curiosa coincidência que justamente no dia 11 de setembro, quando se completa 14 anos do atentado terrorista em Nova York, iremos debater um livro que mostra a transformação de um jovem artista em frio terrorista e que a queda das torres gêmeas seja um dos episódios do livro em questão: Shalimar, o equilibrista, de Salman Rushdie.

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