CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

3 de julho de 2016

O coração é um tesouro em silêncio: Clara Nascimento





 Na antiguidade  acreditava-se que a memória e o saber estavam ligados ao coração. O cérebro só recebeu a devida atenção e estudo bem depois.

Saber “de cor, de cuore, by heart, par coeur, assinar ex corde”, tudo passa por ele, o coração.

Então se torna natural achar que tenha sentimentos.

Passamos um longo tempo tentando colocar tais sentimentos em palavras, comunicar aos outros nossas paixões, emoções e amor.

Esse afã por colocar as palavras exatas nos sentimentos, em traduzir o coração em palavras, acaba por nos fazer perder a mais profunda experiência que o coração pode nos oferecer que é seu silêncio. Poemas são ondas que se formam nesse mar de silêncio e voltam a ele, são sua maré com seu movimento. Quando as canções, discursos, emoções já foram entregues, é o silêncio que ali resta. Quando cada onda sobe e desce de volta ao silêncio, ali reside a oportunidade de se conectar com a vasta sabedoria do centro silencioso de nossos corações. 

Enchemos o coração de tantas emoções e barulho que nos esquecemos de associá-lo ao silêncio. É preciso um ouvido sensível para escutar o silêncio do coração; mas ele ali está, dentro de cada um de nós, bem perto e gigante. A consciência desse silêncio pode ser exercitada. Podemos começar da mesma maneira que nos damos conta do espaço negativo num fundo de uma foto, encarando o céu aberto que contém o sol as nuvens a lua e as estrelas. Estamos presos à ideia de vermos o mundo físico em objetos sólidos e tri-dimensionais. Aprender a ver e escutar o espaço vazio que contém esses sons e objetos demanda prática. 

Podemos trazer essa consciência a nossos corações simplesmente respirando no meio do peito, no coração. A primeira sensação que podemos observar é alegria ou tristeza, além de sensações físicas de tensão ou relaxamento. Damo-nos mais conta disso ao continuarmos a respirar e manter o foco, “ouvindo” atentamente. Envolvemos esses sentimentos e sensações com respirações e reconhecemos que eles estão incluídos e contidos numa substância sem medida de água ou ar, intocável, inefável, mas profundamente real. 

Esse é o verdadeiro silêncio do coração e quanto mais o escutarmos, retornarmos a ele e aceitá-lo, mais nos banharemos e nos purificaremos no core silencioso de nosso ser.


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