CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

7 de junho de 2016

Recordando - O Estranho no Corredor: Chico Lopes

(Recomendamos a leitura do Ensaio "À sombra do medo e da insanidade: considerações sobre O estranho no corredor, de Chico Lopes" escrito por William Lial para a revista Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea da UFRJ)

"O Estranho no Corredor" de Chico Lopes foi debatido no Clube de Leitura Icaraí em  03/05/2013




Uma estranha eu trago em mim
que invade meu corredor.
Vai comigo até o fim,
pois me segue aonde eu for.
(Elenir)

Suprema Corte do CLIc

"Foi uma das mais simpáticas reuniões que o CLIc já teve"

(Ilnéa)


Feliz Aniversário, Chico Lopes! Obrigado pela bela participação nos debates do nosso clube de leitura concedendo aos leitores do CLIC a extraordinária entrevista no Facebook (transcrita parcialmente para o blog) e a oportunidade de dialogar com o escritor do livro do mês. 


* * *

Thriller psicológico de Chico Lopes no Clube de Leitura  


Em clima de suspense e filme noir, Chico Lopes apresenta a história de um homem solitário perseguido por uma misteriosa figura masculina no livro Um estranho no corredor, que entra em discussão no encontro do Clube de Leitura Icaraí, no dia 5 de maio, de 19h às 21h, na Livraria Icaraí (Rua Miguel de Frias, 9 – Icaraí – Niterói). Entrada franca.

Na obra, o protagonista abandona sua cidade natal para viver em uma metrópole, mas acaba se tornando uma pessoa solitária e sem amigos. A sua vida muda quando conhece Russo, um homem que é completamente o seu oposto. Russo passa a seguir o protagonista, obrigando-o a ultrapassar os limites daquilo que “supunha ser sua identidade”.
Sobre o autor - Chico Lopes nasceu em Novo Horizonte, São Paulo, em 1952. É escritor, pintor, crítico de cinema e literatura. Em 1992, mudou-se para Poços de Caldas, Minas Gerais, e desde 1994 atua como programador e apresentador de filmes no Instituto Moreira Salles. Como escritor publicou os livros de contos Nó de sombras (2000), Dobras da noite (2004) e Hóspedes do vento (2010). Escreve regularmente nos sites Verdes Trigos, Verbo 21 e Germina. O estranho no corredor é sua primeira novela.


* * *

Pedindo licença ao Estranho do Corredor do caro Chico Lopes, 
o estranho do meu corredor soprou-me algo... 
só por enquanto. 

*

Definindo o indefinível
meu corredor tem mazelas
e o estranho… é meu incrível
poder de viver com elas.

O indefinível tem nomes
mergulhados em si mesmos…
ou serão só codinomes
perdidos em nossos "esmos".

Abraços...

da menina que ainda sonha em mim.


(Ilnéa)


* * *


Indefinido

Perdeu-se tentando encontrar a si mesmo

numa identidade que ocultava a dor

Naquela sombra doentia que o perseguia

viu sua história de vida como a força

exercida por uma grande pedra

a esmagá-lo brutalmente

Prisioneiro do passado

seguia sem rumo, sem amigos

para resgatar da insanidade herdada

o ser indefinido... em vão

Enlouquecido... desapareceu

E a sociedade continuava perversa, inconsequente

Com tanta gente eloquente... 


(Sonia Salim)


* * *

"Amo muito a vida, mas acho difícil e moralmente arriscado a gente ser otimista num mundo tão armado para manipular as pessoas através do otimismo. A disposição otimista vira caldo para o exercício do demoníaco, da manipulação consumista e ideológica, do jeito que as coisas são. Reajo com um ceticismo que, na verdade, brota de uma crença humanista que em mim é rebelde até o osso. A gente tem o dever de afirmar o Homem contra tudo que o apequena, aprisiona e o torna banal e vazio. Penso que, na arte, procuro sempre o personagem marginal porque só ele tem liberdade para olhar, para entender o mundo de um modo desconsolado e verdadeiro. O conformismo e a banalidade são mortais para a literatura. No entanto, estou longe de ser um sujeito sombrio, pessoalmente, e já houve quem, lendo meus livros e me conhecendo depois, dissesse que a diferença entre autor e obra era considerável. Acho que o cara que disse isso esperava encontrar um tipo taciturno e encontrou um sujeito que gosta de conversar e conhecer pessoas. A explicação pode estar em Proust: “A arte brota de um eu muito diferente do eu social”.

(Chico Lopes, em entrevista ao blog Verbo 21)



       "Fechava os olhos quando essas imagens lhe apareciam, entranhas, genitais, o rosa-arroxeado das partes cruas, porque temia ver o mundo todo, mesmo as pessoas mais amigáveis, como bestas assustadoras, empenhadas em darem-se prazer à custa de se submeterem uma às outras, a hostilidade tudo presidindo. A rodoviária, com seu movimento, serviria bem agora - precisava dissolver engulhos, servidões, enigmas, em coisas diferentes, impessoais. Os ônibus, os ruídos, ser engolfado, sim, ser engolfado." (p.78)


ALE ARAUJO SKETCHES

      
       "- Me dá licença, por favor... disse a alguém que estava em seu caminho para o banheiro. Pagou na roleta a uma mulher gorda - outra das velhas, outra das que tinham uma genitália não lavada - e disparou para um cubículo muito limpo onde vomitou, vomitou seguidamente. Depois, deixou-se escorregar pela parede e, sob a porta, viu pés que passavam, ouviu que forçavam a porta e desistiam, xingando, jatos de urina, tosses, escarros, conversas, risos; o cheiro de desinfetante de eucalipto era forte, mas já não havia o que vomitar. Imaginou que por ali vagavam tipos mais fortes, sólidos e másculos, os inevitáveis e odientos bem servidos cujo prazer maior era desembainhar suas superioridades e urinar grossa, ruidosamente, feito cavalos em pasto aberto, ao lado dos tímidos, tolhidos e envergonhados como ele, donos de um jato mais fino e sem poder de fazer o barulho afirmativo. Saiu do cubículo aliviado, com a cabeça clara, e foi postar bem ao lado de um grandalhão de camisa xadrez, ofegante. O homem nem o olhava, mas ele puxou o seu para fora o mais que pôde, pondo-se bem à vontade, exibindo tudo e chacoalhando com vigor, orgulho. Teriam que respeitá-lo, era preciso que o respeitassem como parte legítima da raça privilegiada. O grandalhão respondeu com um sorriso. Não era nada que o impressionasse, e, se fosse, ele nunca daria mostras disso." (p. 79)

5 comentários:

  1. Muito boas essas declarações de Chico Lopes ao Blog 21, sobre a Literatura. E esse quadro do pintor Chico Lopes? Deu um visual fantástico!
    E nossa entrevista (a mais longa da história do Face rsrs) continua!

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  2. Muito boas essas declarações de Chico Lopes ao Blog 21, sobre a Literatura. E esse quadro do pintor Chico Lopes? Deu um visual fantástico!
    E nossa entrevista (a mais longa da história do Face rsrs) continua!

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  3. Parabéns, meninas, feliz por ler suas poesias aqui no Blog tb, para O estranho no corredor. Chico merece! Pessoa generosa.Divulga também os amigos escritores.Merece o sucesso!
    Elô

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  4. Interessanta esse revival.Mas ..por que não colocsr também o vídeo com o trabalho final? Fotos, comentários ao vivo?

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  5. Obrigado pela inclusão do link para o meu ensaio no início da página. Espero que gostem do meu texto, tendo mais uma visão sobre o livro do Chico.

    Um abraço a todos!

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