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21 de junho de 2016

As incursões portuguesas na costa africana


Por Wagner Medeiros Junior

Ao final da Primeira Dinastia portuguesa, a de Borgonha (1139-1383), o território que compreende hoje Portugal já estava estabelecido. Sua reconquista começou pelo Condado Portucalense, de onde D. Afonso Henrique obteve sucessivas vitórias sobre os mouros, que desde o início do século VIII dominavam a Península Ibérica. D. Afonso Henrique foi aclamado rei em 1139, após vitória contra os muçulmanos na batalha de Ourique. Porém, a independência de Portugal só seria reconhecida pelo Reino de Leão e Castela em 5 de outubro de 1143.
O território constituído era extremamente carente de recursos naturais, com raríssima presença de metais preciosos e poucas terras férteis apropriadas à agricultura, o que tornava dramático o provimento de cereais por ocasião das adversidades climáticas e da incidência de pragas. Os mais pobres, durante esses períodos, chegavam ao limiar da própria sobrevivência. Outros fatores adversos eram a localização geográfica, que restringia a expansão do comércio com as grandes potências européias, e a dominação do Mediterrâneo pelos turcos e italianos.
O historiador português Bernardo Vasconcelos e Sousa, em História de Portugal, diz que Portugal estava, de fato, entalado entre o poderoso vizinho e o mar, confinado num espaço periférico. À época, a única via possível de buscar um caminho próprio era o mar. E desde há muito o mar ocupava um lugar de grande importância na vida do reino. A extensão da costa, a participação direta das populações do litoral em atividades marítimas como a pesca, a extração do sal e até a familiarização com o vaivém de embarcações... tudo concorria para uma relação de proximidade com os elementos marinhos.
Não foi ao acaso, portanto, que os portugueses se lançassem ao mar em busca de riquezas e de novos recursos. O primeiro grande impulso à expansão marítima portuguesa ocorreu no reinado de D. João I (1385-1433), com a conquista de Ceuta, no norte da África, em 1415. É a partir de Ceuta que o Infante D. Henrique, quinto filho de D. João I, inicia a exploração da costa ocidental africana penetrando em territórios e em regiões do Atlântico antes desconhecidas.
Ao conquistar Ceuta os portugueses saqueiam todas as riquezas encontradas e instalam uma linha de defesa de onde passam a praticar o corso contra embarcações muçulmanas em toda a entrada do Mediterrâneo. Com esse alargamento da navegação, em 1418 é encontrada a ilha de Porto Santo e em 1419 a ilha de Madeira. Tais triunfos valeriam a nomeação de D. Henrique como administrador da Ordem de Cristo, em 1420.
Na sequência, as frotas portuguesas chegam aos arquipélagos dos Açores e de Cabo Verde, enquanto no continente são instalados aparatos bélicos e de coerção e construídas as primeiras feitorias, para a efetivação do comércio com os africanos. 
O início do movimento comercial, entretanto, envolveu a aquisição e transporte de uma centena de escravos, ouro e alguns produtos exóticos. Supõem-se que entre meados do século e XV e 1530 os portugueses terão transportados a partir destas paragens cerca de 150 mil escravos, conforme fonte já mencionada. Outro produto com valor comercial extraído da África era o marfim. Em contrapartida às trocas com os africanos os portugueses forneciam cavalos, tecidos e trigo, entre outros produtos.

Em 1460, ano da morte do D. Henrique, os navegantes lusitanos já haviam ultrapassado o obstáculo do cabo Bojador e conheciam, além deste ponto, cerca de 2 mil quilômetros no sentido sul da costa, o que facilitou Diogo Cão chegar ao estuário do Rio Zaire e aos limites de Angola. Depois, Bartolomeu Dias dobra o cabo da Boa Esperança, em janeiro de 1488, e Vasco da Gama aporta na Índia em maio de 1498, abrindo, assim, um novo caminho de comércio com o oriente.

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Preto no Branco por Wagner Medeiros Junior

2 comentários:

  1. Show de bola, Wagner! De volta as nossas origens históricas. Ótimo mosaico histórico que você está construindo!

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    1. Obrigado, caríssimo amigo! Pena é que não dá tempo para escrever na frequência que queria.

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