CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

20 de maio de 2016

O Estrangeiro: Albert Camus


MW: E ai, td bem? Li o estrangeiro.

Mr: Gostou?
MW: Mais ou menos. Não entendi tanto o que falaram sobre preconceito. Entendi que ele tomou uma série de atitudes suspeitas. E cometeu um erro que fez todas essas atitudes se encaixarem e acabaram com a vida dele. O que VC achou?
Mr: Bem absurdo. Ele matou o árabe por causa do sol. Acho que o preconceito tem a ver com a situação da época. A guerra de independência da Argélia. Franceses X árabes
MW: Entendi. Eu não vi por esse lado. Mas que a história encaixou toda formando um perfil frio, encaixou
Mr: Ele era um jovem imaturo. Meio que ia deixando a vida ir levando ele. Tinha dificuldade de escolher o que ele realmente queria
MW: Entendi. Não gostei tanto. Esperei mais desenvolvimento e não aconteceu. Umas cenas que eu pensava que ia acontecer algo e não acontecia. Mas o autor faz a gente gostar do assassino. Eu senti pena. Vontade que ele não ganhasse a pena que ganhou
Mr: A gente faz coisas absurdas na vida, sem razão nenhuma, a sorte é que no mais das vezes é sem maiores consequências.  A liberdade e uma vontade difusa pode levar a morte, embora dificilmente a gente acredite nisso.  O protagonista era como se fosse um estrangeiro neste mundo aparentemente sem sentido.
MW: 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻






O gatilho cedeu, toquei na superfície lisa da coronha e foi aí, com um barulho  ao mesmo tempo seco e ensurdecedor, que tudo principiou. Sacudi o suor e  o sol. Compreendi que destruíra o equilíbrio do dia, o silêncio excepcional de uma praia onde havia sido feliz. Voltei então a disparar mais quatro vezes contra um corpo inerte, onde as balas se enterravam sem se dar por isso.




"A culpa não é minha!"




L'apologie de Socrate - Platão
O Estrangeiro traz o existencialismo, a sua razão existencial. A repetição do verbo “conhecer” e suas variações demonstra isso. Na Primeira parte, Albert Camus nesta obra quer mostrar, através do personagem central, a vida de um homem transparente, os valores mundanos da sociedade de sua época.

Ele é um homem sensível cuja vida e felicidades baseiam-se essencialmente na rotina de sua vida. A morte de sua mãe traz uma ruptura deste acontecimento . A morte dela faz alterar a sua rotina agindo de forma imperturbável e indiferente.

Na segunda parte, baseia-se no testemunho durante a sua estadia na prisão e sua visão sobre o julgamento em relação a um assassinato.

Assista o filme "O Estrangeiro" 


Comparação com Apologia de Sócrates: 


Já em Apologia de Sócrates (Πλάτωνος Ἀπολογία Σωκράτους), a análise do texto passa pela superação de algumas questões que não ficam evidentes na obra. Nesse sentido, a análise sobrecairá sobre as argumentações, as idéias, os conceitos, os problemas levantados, contra-argumentos, reputações, etc., procurando compreendê-los a partir das regras de abordagem teórica aprendidas na disciplina. 

Assista o filme Sócrates 

A obra compõe-se de um preâmbulo e três partes: Na primeira, está a “defesa” de Sócrates onde consta o dialogo com Meleto. Na segunda, “a pena” e “do esperado da pena”. Na terceira, parte da “condenação” e aos que “votaram contra”, onde Sócrates faz uma reflexão sobre as suas convicções de vida e de morte e a relação com os deuses.

Semelhanças:
  • Ambos falam sobre a sua visão de pena de morte.
  • Escritos em 1ª. pessoa.

Diferenças:

Apologia de Sócrates

  • A narração é de 1ª. Pessoa, embora feita por Platão.
  • É mais decidido a enfrentar e falar que não é difícil fugir da morte.

O Estrangeiro

  • A narração é de 1ª. pessoa é feita por ele mesmo
  • A visão de morte é de submissão e a morte é um destino.

    Assista documentário sobre Camus

(Frederico)

4 comentários:

  1. Que cara mais revoltado esse Mersault do estrangeiro.

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  2. Nunca se muda de vida, é a fala de Mersault, que se mostrava indiferente a tudo e submisso a todos. Fazia o que os outros lhe insinuavam sem questionar, não tinha vontade própria. Quando pressionado para confessar a causa do assassinato do árabe na praia, respondeu absurdamente: foi por causa do sol. Que mal é esse?

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  3. Acusaram-me de insensibilidade no dia do enterro de minha mãe. Ela repetia com frequencia para mim que acabamos nos acostumando a tudo. Nos iludimos a ponto de relevarmos as inúmeras derrotas que nos acometem ao longo da vida. Desistir é apenas uma espécie de derrota final. Quanto mais penso, mais coisas esquecidas vou tirando da memória. Compreendo, então, que um homem que houver vivido um único dia pode sem dificuldade passar 100 anos na prisão. Terá razões suficientes para não se entediar.

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  4. Quando e onde será o próximo encontro? Será para falar sobre O estrangeiro?

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